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Então, a fé pode salvar sem o batismo!

 Alguém que me escreveu no YouTube:

JESUS deu exemplo sendo batizado por João Batista. Então, a fé pode salvar sem o batismo, mas o salvo é batizado, pois assim nos é ensinado.

Minha Resposta:

A sua colocação é correta em pontos importantes e merece apenas alguns esclarecimentos para que fique biblicamente equilibrada e completa.

De fato, a fé é o meio pelo qual o pecador é salvo. A Escritura é clara ao afirmar que a salvação é pela graça, mediante a fé, e não por obras, para que ninguém se glorie, conforme lemos na Epístola aos Efésios 2:8-9. O ladrão na cruz é um exemplo inequívoco de alguém que creu no Senhor Jesus Cristo e foi salvo sem ter sido batizado, como vemos em Lucas 23:42-43. Isso demonstra que o batismo não é condição para a salvação.

Ao mesmo tempo, é igualmente verdadeiro que todo salvo é chamado a ser batizado. O batismo não é um meio de obter vida eterna, mas um ato de obediência, testemunho público e identificação com Cristo. O próprio Senhor Jesus ordenou o batismo ao instituir a comissão aos Seus discípulos, conforme Mateus 28:19-20, deixando claro que aqueles que se tornam discípulos devem ser batizados.

Quanto ao batismo do Senhor Jesus por João Batista, é fundamental compreender que Ele não foi batizado por necessidade pessoal, pois não tinha pecado algum. O batismo do Senhor teve um caráter completamente distinto do nosso. Ele mesmo declarou que era necessário cumprir toda a justiça, conforme Mateus 3:15. Ali, o Senhor Jesus se identificou com o remanescente fiel de Israel e foi publicamente apresentado como o Filho amado do Pai, sobre quem o Espírito Santo desceu, como vemos em Mateus 3:16-17. Seu batismo não foi para remissão de pecados, mas para manifestar quem Ele era e iniciar publicamente Seu ministério.

Assim, a ordem bíblica fica clara: a fé em Jesus Cristo salva; o batismo não salva, mas acompanha a salvação como fruto da obediência. Em Atos dos Apóstolos 2:41, vemos que aqueles que receberam a Palavra foram batizados. Primeiro creram, depois foram batizados. O mesmo padrão aparece em Atos dos Apóstolos 8:36-38, Atos dos Apóstolos 10:43-48 e Atos dos Apóstolos 16:30-34.

Portanto, podemos afirmar com segurança bíblica: a fé salva sem o batismo, mas aquele que foi verdadeiramente salvo deseja obedecer ao Senhor e se identifica com Ele através do batismo. Não como um ritual salvador, mas como um testemunho visível de uma realidade espiritual já existente.

Essa harmonia entre fé e obediência preserva tanto a suficiência da obra de Cristo quanto a importância do ensino do Senhor aos Seus discípulos.

Josué Matos

Aonde (na Bíblia) haverá um arrebatamento secreto?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Graça e paz, meu querido!  Mostre o texto? Aonde haverá um arrebatamento secreto? Mostre o texto? Aonde a igreja não passa pela tribulação?  Segue alguns versículos que comprovam que a igreja passa pela tribulação!  Apocalipse 3:10.  Apocalipse 13. Apocalipse 7:14.  Mateus 24:30.  Se quiser, posso trazer também algumas falas dos pais da igreja.

Minha Resposta:

Antes de responder objetivamente à sua pergunta, permita-me apenas registrar que esta e outras questões diretamente relacionadas à escatologia bíblica, ao arrebatamento da Igreja e ao futuro de Israel já são tratadas de forma mais ampla e sistemática em meus livros disponíveis na Amazon: 

 • 1 e 2 Tessalonicenses: Jesus Cristo Arrebatará a Igreja e Reinará na Terra 

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 • Você Pergunta, a Bíblia Responde! 

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O tema realmente é sério, amplo e precisa ser tratado com cuidado, distinguindo textos, contextos e públicos diferentes nas Escrituras. Vou procurar responder de forma direta, bíblica e organizada, sem pretensão de encerrar o assunto, mas esclarecendo os pontos centrais.

  1. Onde a Bíblia fala de um arrebatamento distinto da manifestação pública de Cristo

O arrebatamento da Igreja é revelado de forma clara e direta nas epístolas, especialmente nos escritos do apóstolo Paulo, como um mistério até então não revelado no Antigo Testamento.

1 Tessalonicenses 4:16-17
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

Observe alguns pontos fundamentais do texto:
– Cristo não pisa na terra; o encontro ocorre “nos ares”.
– Não há juízo, nem sinais cósmicos, nem manifestação ao mundo.
– O foco é a Igreja (“os que morreram em Cristo” e “nós”).

1 Coríntios 15:51-52
“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta.”

Aqui Paulo chama esse evento de “mistério”, algo que não fazia parte das profecias conhecidas de Israel. Isso, por si só, já distingue o arrebatamento da manifestação pública do Messias em glória.

  1. Por que o arrebatamento é distinto da vinda visível descrita em Mateus 24

Mateus 24:30
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.”

Neste texto:
– Todas as tribos da terra O verão.
– Há sinais prévios, juízo e lamento.
– O contexto inteiro trata de Israel, do templo, da Judeia, da grande tribulação e da vinda do Filho do Homem para estabelecer o reino.

Nada disso aparece em 1 Tessalonicenses 4 ou 1 Coríntios 15. São eventos diferentes, com propósitos diferentes e públicos diferentes.

  1. A promessa feita à Igreja quanto à ira vindoura

Apocalipse 3:10
“Porque guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.”

O texto não diz “guardar na hora”, mas “guardar da hora”. A promessa não é proteção dentro da tribulação, mas livramento da própria hora que virá sobre o mundo inteiro. Essa “hora” não é uma perseguição local, mas um período global de juízo.

Isso harmoniza perfeitamente com:
1 Tessalonicenses 1:10
“…Jesus, que nos livra da ira futura.”

E também com:
1 Tessalonicenses 5:9
“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo.”

A grande tribulação é descrita repetidamente como tempo de ira divina, não apenas de perseguição humana.

  1. Apocalipse 7:14 e quem são os que passam pela grande tribulação

Apocalipse 7:14
“Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”

O texto não diz que são a Igreja. Diz apenas que são pessoas que saíram da grande tribulação. O próprio contexto mostra:
– Um grupo numeroso, distinto dos vinte e quatro anciãos.
– Ligação direta com Israel (as doze tribos no capítulo anterior).
– Conversões ocorrendo durante a tribulação, algo perfeitamente bíblico.

A existência de salvos na tribulação não prova que a Igreja esteja nela, assim como a existência de salvos antes de Atos 2 não significa que a Igreja já existia no Antigo Testamento.

  1. Apocalipse 13 e a perseguição da besta

Apocalipse 13 descreve a atuação da besta contra os santos. Mais uma vez, o texto não define esses santos como a Igreja, Corpo de Cristo. O Novo Testamento distingue claramente:
– Santos ligados ao testemunho do reino.
– Santos ligados à Igreja, unida a Cristo e já glorificada.

Além disso, a Igreja, como Corpo de Cristo, não é mencionada uma única vez em Apocalipse capítulos 6 a 18, o que é extremamente significativo.

  1. Sobre os pais da igreja

As citações dos pais da igreja podem ser interessantes historicamente, mas não são normativas. A doutrina deve ser formada a partir das Escrituras corretamente divididas. Além disso, muitos escritos patrísticos (Pais da Igreja) misturam conceitos judaicos, eclesiásticos e escatológicos sem a clareza revelada posteriormente nas epístolas.

A base segura continua sendo:
2 Timóteo 2:15
“…manejar bem a palavra da verdade.”

  1. Conclusão

– O arrebatamento é um evento revelado como mistério, distinto da manifestação pública de Cristo.
– A Igreja não é destinada à ira, mas é prometida livramento da hora da provação.
– A grande tribulação envolve Israel e as nações, com conversões ocorrendo nesse período.
– Os textos citados não negam o arrebatamento pré-tribulacional; ao contrário, harmonizam-se com ele quando respeitados seus contextos.

Permaneço à disposição para dialogarmos com serenidade e reverência às Escrituras, sempre permitindo que a Palavra interprete a própria Palavra.

Josué Matos

Você ignora que o texto bíblico diz que "depois das 62 semanas será morto o Ungido"

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Já no início do seu texto, você ignora que o texto bíblico diz que "depois das 62 semanas será morto o Ungido". Ou seja, o que vem depois das 7 + 62 semanas? A 70ª, óbvio. E você se estendeu na resposta, e ainda não respondeu: Qual o texto bíblico que fundamenta a ideia de que o relógio parou e causou um hiato de tempo?

Minha Resposta:

Antes de responder objetivamente à sua pergunta, permita-me apenas registrar que esta e outras questões diretamente relacionadas à escatologia bíblica, ao arrebatamento da Igreja e ao futuro de Israel já são tratadas de forma mais ampla e sistemática em meus livros disponíveis na Amazon:

1 e 2 Tessalonicenses: Jesus Cristo Arrebatará a Igreja e Reinará na Terra
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Você Pergunta, a Bíblia Responde!
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Dito isso, vamos ao ponto levantado.

Você afirma que “depois das 62 semanas será morto o Ungido” implica necessariamente que, em seguida, venha imediatamente a 70ª semana. Contudo, o próprio texto de Daniel não sustenta essa conclusão automática.

Daniel 9.26 diz explicitamente: “E depois das sessenta e duas semanas será tirado o Ungido, e não será para si”. Observe com atenção: o texto não diz “na 70ª semana”, mas “depois das sessenta e duas semanas”. Isto já introduz, no próprio versículo, um período subsequente às 69 semanas, sem qualquer definição de duração. O texto descreve eventos que ocorrem após as 69 semanas, mas antes da 70ª.

Ainda no mesmo versículo, Daniel menciona dois fatos históricos claros:

  1. a morte do Messias;

  2. a destruição da cidade e do santuário pelo povo de um príncipe que há de vir.

Esses dois acontecimentos não pertencem à 70ª semana, pois a 70ª semana só é descrita no versículo seguinte (Daniel 9.27), e ali aparece um personagem distinto, que “confirmará uma aliança com muitos por uma semana”. Logo, o próprio texto separa os eventos: primeiro, fatos “depois das 62 semanas”; depois, a 70ª semana propriamente dita.

O chamado “hiato” não é uma invenção externa ao texto, mas uma consequência direta da observação cuidadosa da progressão profética. Entre Daniel 9.26 e Daniel 9.27 existe um intervalo histórico real, comprovado pelos próprios acontecimentos: a rejeição do Messias, Sua morte, a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. e a longa dispersão de Israel entre as nações.

Além disso, o fundamento bíblico do intervalo é reforçado por outros textos das Escrituras. O Senhor Jesus, em Lucas 4.18-21, lê Isaías 61 e interrompe a leitura no meio da profecia, deixando claro que havia ali uma separação entre Sua primeira vinda e o cumprimento futuro do “dia da vingança do nosso Deus”. Esse princípio profético — uma mesma profecia com intervalos não revelados no texto original — é recorrente nas Escrituras.

O apóstolo Paulo também esclarece que há um período distinto no plano de Deus em que Israel está temporariamente endurecido, enquanto Deus chama um povo dentre os gentios. Romanos 11.25 afirma claramente que esse endurecimento dura “até que a plenitude dos gentios haja entrado”. Esse “até” pressupõe um intervalo no trato direto de Deus com Israel como nação.

Portanto, a 70ª semana de Daniel não começa automaticamente após a 69ª, porque a própria profecia introduz eventos intermediários e porque o Novo Testamento confirma a existência de um período não revelado aos profetas do Antigo Testamento, relacionado à formação da Igreja.

Não se trata de “parar o relógio” arbitrariamente, mas de reconhecer que o texto bíblico distingue claramente:
– 69 semanas determinadas até o Messias;
– eventos ocorrendo depois dessas semanas;
– e, por fim, uma última semana futura, ainda não cumprida, ligada a Israel e ao tempo do fim.

Essa leitura não força o texto; ao contrário, respeita sua ordem, sua linguagem e sua harmonia com o restante das Escrituras.

Josué Matos

A religião atrai os homens a templos feitos por mãos de homens, não tem o Espírito Santo

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A religião atrai os homens a templos feitos por mãos de homens, não tem o Espírito Santo, seguem uma tradição, ouvem a Palavra e voltam vazios. Mas ainda podem receber a revelação.  Deus ainda age em graça.

Minha Resposta:

A sua observação toca num ponto muito sensível e real. A Escritura reconhece, de fato, que existe uma religião meramente exterior, baseada em tradições, ritos e estruturas visíveis, que pode levar o homem a frequentar lugares sagrados sem que haja, necessariamente, uma obra interior do Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus denunciou esse tipo de religiosidade quando disse: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Evangelho segundo Mateus 15:8).

Deus nunca esteve limitado a templos feitos por mãos humanas. Estêvão afirmou claramente: “O Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens” (Atos dos Apóstolos 7:48). A presença de Deus não é garantida por um edifício, por uma liturgia ou por uma tradição, mas pela habitação do Espírito Santo no homem regenerado. O apóstolo Paulo reforça isso ao dizer: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (Primeira Epístola aos Coríntios 3:16).

Ao mesmo tempo, é importante manter o equilíbrio bíblico. Ouvir a Palavra e voltar vazio não é culpa da Palavra, que é viva e eficaz (Epístola aos Hebreus 4:12), mas do coração que a recebe sem fé, sem arrependimento e sem submissão. A revelação de Deus não opera automaticamente; ela exige resposta. Por isso Tiago escreve: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Epístola de Tiago 1:22).

Ainda assim, a graça de Deus continua operando. Mesmo em ambientes marcados por formalismo religioso, Deus pode alcançar almas sinceras. O Senhor conhece os que são seus (Segunda Epístola a Timóteo 2:19), e muitas vezes usa até estruturas imperfeitas para conduzir alguém à luz do evangelho. Nicodemos, por exemplo, estava profundamente inserido no sistema religioso judaico, mas foi visitado pelo Senhor Jesus e confrontado com a necessidade do novo nascimento (Evangelho segundo João 3:1–10).

Portanto, é correto afirmar que a religião, quando reduzida a tradição e forma, não produz vida. A vida vem somente pela ação soberana do Espírito Santo mediante a Palavra de Deus, recebida com fé. Contudo, também é verdadeiro que Deus ainda age em graça, chamando, despertando e revelando Cristo a homens e mulheres, mesmo quando estão inseridos em contextos religiosos pobres espiritualmente.

No fim, a questão central não é o templo, a tradição ou o rótulo religioso, mas se há arrependimento, fé no Senhor Jesus Cristo e a presença real do Espírito Santo habitando no coração. “Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” (Primeira Epístola aos Coríntios 4:20).

Josué Matos