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Mateus 25:31-46 mostra que a salvação e a condenação dos mencionados são decididas pelas obras praticadas?

 Alguém que me escreveu no e-mail:

Prezado irmão Josué, sou grato a Deus pelo ministério do irmão, que tem ensinado o evangelho e a sã doutrina de Deus com base nas Escrituras Sagradas.

Acredito que a salvação de Deus é pela fé, e não por obras. Mas gostaria de ter uma explicação de como se encaixa o texto de Mateus 25:31-46 nessa questão, pois ali se mostra que a salvação e a condenação dos mencionados são decididas pelas obras praticadas.

Desde já, agradeço a resposta.

Minha Resposta:

Graça e paz. Sua pergunta é muito pertinente, e a resposta está no próprio contexto do texto. A salvação é pela graça, mediante a fé, e não por obras (Efésios 2:8-9; Tito 3:5; Romanos 4:4-5). Mateus 25:31-46 não contradiz isso, desde que se observem três pontos.

1. De quem e de que juízo se trata

O texto não descreve o juízo da Igreja nem o juízo final dos mortos. O Senhor Jesus diz que, quando vier em sua glória, "todas as nações serão reunidas diante dele" (v. 31-32). A palavra "nações" (ethnē) indica povos vivos na terra, separados como um pastor separa ovelhas de cabritos. Esse é o juízo das nações no retorno de Cristo, quando Ele se assentar no trono de sua glória para estabelecer o seu reino (Mateus 24:29-31; Joel 3:1-2). Não é o Grande Trono Branco, onde comparecem os mortos (Apocalipse 20:11-15), e muito menos o Tribunal de Cristo, onde os crentes da Igreja prestam contas (2 Coríntios 5:10).

O que está em jogo é a entrada no reino que o Senhor vai estabelecer na terra: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (v. 34). Os que forem rejeitados vão para o fogo eterno (v. 41).

2. Quem são "estes meus irmãozinhos"

O Senhor diz: "Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (v. 40). O critério do juízo é a maneira como as nações trataram os mensageiros de Cristo: os famintos, os sedentos, os forasteiros, os nus, os enfermos e os presos, ou seja, aqueles que sofrem por causa do testemunho dele. Isso corresponde ao período anterior ao reino, descrito logo antes, em Mateus 24:9-14, quando o evangelho do reino será pregado a todas as nações e os seus pregadores serão odiados e perseguidos.

Receber ou rejeitar esses mensageiros equivale a receber ou rejeitar o próprio Senhor (Mateus 10:40-42). Compare com Hebreus 6:10, onde o amor demonstrado aos santos é visto como fruto e prova de uma fé real.

3. As obras são evidência, não fundamento

Mesmo no texto, as ovelhas são chamadas "benditos de meu Pai" antes de qualquer menção às obras, e o reino lhes estava "preparado desde a fundação do mundo". A bênção precede as obras, e não resulta delas. As obras que o Senhor menciona são a manifestação visível de uma fé verdadeira, que recebeu a mensagem e amou os que a traziam.

É exatamente o que ensina Tiago: "a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma" (Tiago 2:17). Tiago não afirma que as obras salvam, mas que a fé genuína as produz e que elas a comprovam diante dos homens (Tiago 2:18). Paulo diz o mesmo: somos salvos pela graça, mediante a fé, "para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2:8-10). As obras são consequência da salvação, nunca a sua causa.

Conclusão

A salvação continua sendo exclusivamente pela graça, mediante a fé em Cristo (João 3:16; 5:24; Romanos 3:28; 8:1). Em Mateus 25:31-46, as obras servem de prova pública da fé de quem aceitou a mensagem do reino e de quem a rejeitou. Ao ver como as nações trataram os seus mensageiros, o Rei mostra qual era a disposição real do coração de cada um.

Josué Matos

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