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S. E. McNair foi um proeminente expositor bíblico dos Irmãos de Plymouth que promoveu a escatologia dispensacionalista, a qual culminou no interdenominacionalismo escatológico.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

S. E. McNair foi um proeminente expositor bíblico dos Irmãos de Plymouth que promoveu a escatologia dispensacionalista, a qual culminou no interdenominacionalismo escatológico.

Minha Resposta:

Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar que o critério para avaliar o ensino de qualquer homem não é a sua reputação, mas a Palavra de Deus. Os bereanos foram elogiados porque examinavam "todos os dias nas Escrituras se as coisas eram de fato assim" (Atos 17:11). Isso vale para McNair, para os Irmãos de Plymouth e para qualquer outro mestre.

A afirmação junta duas coisas que a Bíblia trata separadamente. A primeira é a escatologia, o estudo das últimas coisas. A segunda é a unidade dos crentes, que nada tem a ver com denominações. Vejamos cada uma.

1. Os tempos e as dispensações

A Escritura fala de uma administração (dispensação) da plenitude dos tempos, na qual Deus reunirá em Cristo todas as coisas (Efésios 1:10). Paulo também fala da "dispensação da graça de Deus" que lhe foi confiada em favor dos gentios (Efésios 3:2). Há, portanto, base bíblica para reconhecer que Deus trata com a humanidade de maneiras distintas em épocas distintas, e para distinguir Israel da Igreja.

Israel continua sendo objeto das promessas de Deus. "O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios" (Romanos 11:25), pois "os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Romanos 11:29). A Igreja, por sua vez, é um mistério que não foi revelado nas gerações passadas: judeus e gentios feitos um só corpo em Cristo (Efésios 3:4-6).

A esperança da Igreja é o arrebatamento. "O próprio Senhor descerá do céu com alarido, com voz de arcanjo e com trombeta de Deus; e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, para o encontro do Senhor nos ares" (1 Tessalonicenses 4:16-17).

2. A unidade dos crentes não é um sistema escatológico

A unidade da Igreja não nasce de uma doutrina sobre o futuro, nem de uma estrutura entre denominações. Ela existe porque há "um só corpo e um só Espírito... um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Efésios 4:4-5). Todos os que creem foram "batizados em um só Espírito, formando um só corpo" (1 Coríntios 12:13). Esse é o único fundamento da comunhão, e a ordem divina é que nos esforcemos por "guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz" (Efésios 4:3).

O Senhor prometeu estar presente onde dois ou três se reúnem em seu nome (Mateus 18:20). Ele é o centro de reunião dos santos, e não um programa profético comum nem uma associação entre igrejas.

3. Conclusão

Se alguém afirma que uma determinada linha de ensino escatológico desembocou em um "interdenominacionalismo", o que se deve perguntar é se isso está de acordo com as Escrituras. A escatologia bíblica nos dá esperança e nos chama à vigilância (Tito 2:13; 1 João 3:2-3). A unidade, por sua vez, é a obra do Espírito em todos os que pertencem a Cristo, e não consequência de um sistema doutrinário. Que nossa fidelidade seja sempre à Palavra, e não a nomes de homens (1 Coríntios 3:4-7).

Josué Matos

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É interessante que as mulheres usassem chapéus publicamente até a década de 1960

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Bem! É algo simples. Creio que hoje as mulheres não passam muitas horas com véu nas reuniões da igreja, que se reunem somente em nome de Jesus. É interessante que as mulheres usassem chapéus publicamente até a década de 1960.

Minha Resposta

Sua observação histórica é interessante, e ela mostra algo importante: durante séculos, mesmo no mundo em geral, o costume de a mulher cobrir a cabeça em público refletia a ordem bíblica, ainda que muitos já não soubessem a razão. Quando a sociedade abandonou esse costume, boa parte da cristandade também o abandonou, e isso nos lembra que a nossa referência não pode ser a moda nem a cultura de cada época, mas a Palavra de Deus.

O ensino está em 1 Coríntios 11:2-16. O apóstolo começa pelo princípio da ordem estabelecida por Deus: "Quero, porém, que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem é a cabeça da mulher, e Deus é a cabeça de Cristo" (v. 3). O véu, portanto, não é uma questão de estilo ou de tradição local. É um sinal visível dessa ordem de autoridade e submissão que Deus estabeleceu, e Paulo não a fundamenta em costumes de Corinto, mas na criação (vv. 8-9) e na presença dos anjos (v. 10).

Dois pontos merecem atenção:

  1. O véu está ligado a orar e profetizar. O texto diz: "Toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça" (v. 5). Por isso, o foco não está em contar as horas de uma reunião, mas em que a irmã esteja coberta sempre que presente nas reuniões da igreja, e também em que, num ambiente de adoração, o sinal da ordem divina esteja diante de Deus e dos anjos. Onde há dúvida, o caminho mais seguro e mais reverente é manter a cobertura durante toda a reunião.

  2. A cobertura é distinta do cabelo. Paulo ensina que o cabelo comprido é a glória da mulher (v. 15), mas ele mesmo faz a distinção entre o cabelo e o véu: "Se a mulher não se cobre, rape também o cabelo" (v. 6). Se o cabelo fosse a própria cobertura, essa frase não faria sentido. O cabelo foi dado por natureza, e o véu é a expressão voluntária de obediência.

Quanto ao versículo 16 ("Mas, se alguém quer ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus"), ele não anula o que foi ensinado. Paulo está dizendo que nenhuma igreja de Deus adota a prática contrária, e que a discussão e a rebeldia contra esse ensino não têm lugar entre os que querem seguir a Palavra.

A pergunta decisiva, então, não é quantas horas se usa o véu, nem se a sociedade ainda o pratica, mas se o cristão quer obedecer ao que o Senhor ordenou "pelos mandamentos do Senhor" (1 Co 14:37). Esse é um privilégio da mulher que ama a Cristo: mostrar, de forma simples e visível, o seu reconhecimento da ordem de Deus.

Josué Matos

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Você podia fazer um vídeo explicando o velho homem, ou, se conseguir me explicar?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Olá, você podia fazer um vídeo explicando o velho homem, ou, se conseguir me explicar, eu agradeço.

Minha Resposta:

Já tenho um vídeo:



Na Palavra de Deus, o conceito do "velho homem" refere-se à nossa antiga condição e identidade em Adão. Quando o primeiro homem desobedeceu a Deus no Jardim do Éden, o pecado entrou no mundo e afetou toda a raça humana. Por causa dessa união natural com Adão, herdamos uma natureza caída, corrompida e totalmente incapaz de agradar a Deus por meio de esforços próprios, religiosidade ou reformas exteriores. O homem natural tornou-se escravo do pecado, atuando sob o domínio de um sistema em que o pecado atua como um senhor tirânico, a alma (com suas emoções, intelecto e vontade própria) coopera com essa inclinação, e o corpo é usado como instrumento para a prática do mal.


Muitas vezes, tentamos superar nossas falhas e vencer o pecado recorrendo à nossa própria força de vontade. No entanto, a Bíblia mostra que a solução de Deus para o velho homem não é a reforma, mas sim a crucificação. O apóstolo Paulo declara categoricamente que o nosso velho homem foi crucificado juntamente com Cristo na cruz. Isso significa que, do ponto de vista divino, a nossa antiga condição foi levada ao fim definitivo no julgamento do Calvário, para que o corpo do pecado fique desempregado e não mais sirvamos ao pecado como escravos.

Essa obra gloriosa da cruz não visa apenas perdoar os nossos pecados passados, mas também libertar-nos do poder e do domínio da nossa velha natureza. Quando cremos no Senhor Jesus e entregamos nossa vida a Ele, somos regenerados pelo Espírito Santo, que vem habitar no nosso espírito humano. É nesse momento que recebemos a vida incriada e eterna de Deus, iniciando uma nova criação.

Portanto, vencer o pecado e andar em novidade de vida não é algo que alcançamos lutando com nossas próprias forças, mas sim reconhecendo e aceitando pela fé este fato consumado: estamos mortos para o velho homem e vivos para Deus em Cristo Jesus. Ao exercitarmos essa fé, permitimos que o Espírito Santo reine em nosso ser interior, capacitando-nos a viver uma vida santa, justa e agradável ao Senhor.

Josué Matos

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Mateus 25:31-46 mostra que a salvação e a condenação dos mencionados são decididas pelas obras praticadas?

 Alguém que me escreveu no e-mail:

Prezado irmão Josué, sou grato a Deus pelo ministério do irmão, que tem ensinado o evangelho e a sã doutrina de Deus com base nas Escrituras Sagradas.

Acredito que a salvação de Deus é pela fé, e não por obras. Mas gostaria de ter uma explicação de como se encaixa o texto de Mateus 25:31-46 nessa questão, pois ali se mostra que a salvação e a condenação dos mencionados são decididas pelas obras praticadas.

Desde já, agradeço a resposta.

Minha Resposta:

Graça e paz. Sua pergunta é muito pertinente, e a resposta está no próprio contexto do texto. A salvação é pela graça, mediante a fé, e não por obras (Efésios 2:8-9; Tito 3:5; Romanos 4:4-5). Mateus 25:31-46 não contradiz isso, desde que se observem três pontos.

1. De quem e de que juízo se trata

O texto não descreve o juízo da Igreja nem o juízo final dos mortos. O Senhor Jesus diz que, quando vier em sua glória, "todas as nações serão reunidas diante dele" (v. 31-32). A palavra "nações" (ethnē) indica povos vivos na terra, separados como um pastor separa ovelhas de cabritos. Esse é o juízo das nações no retorno de Cristo, quando Ele se assentar no trono de sua glória para estabelecer o seu reino (Mateus 24:29-31; Joel 3:1-2). Não é o Grande Trono Branco, onde comparecem os mortos (Apocalipse 20:11-15), e muito menos o Tribunal de Cristo, onde os crentes da Igreja prestam contas (2 Coríntios 5:10).

O que está em jogo é a entrada no reino que o Senhor vai estabelecer na terra: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (v. 34). Os que forem rejeitados vão para o fogo eterno (v. 41).

2. Quem são "estes meus irmãozinhos"

O Senhor diz: "Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (v. 40). O critério do juízo é a maneira como as nações trataram os mensageiros de Cristo: os famintos, os sedentos, os forasteiros, os nus, os enfermos e os presos, ou seja, aqueles que sofrem por causa do testemunho dele. Isso corresponde ao período anterior ao reino, descrito logo antes, em Mateus 24:9-14, quando o evangelho do reino será pregado a todas as nações e os seus pregadores serão odiados e perseguidos.

Receber ou rejeitar esses mensageiros equivale a receber ou rejeitar o próprio Senhor (Mateus 10:40-42). Compare com Hebreus 6:10, onde o amor demonstrado aos santos é visto como fruto e prova de uma fé real.

3. As obras são evidência, não fundamento

Mesmo no texto, as ovelhas são chamadas "benditos de meu Pai" antes de qualquer menção às obras, e o reino lhes estava "preparado desde a fundação do mundo". A bênção precede as obras, e não resulta delas. As obras que o Senhor menciona são a manifestação visível de uma fé verdadeira, que recebeu a mensagem e amou os que a traziam.

É exatamente o que ensina Tiago: "a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma" (Tiago 2:17). Tiago não afirma que as obras salvam, mas que a fé genuína as produz e que elas a comprovam diante dos homens (Tiago 2:18). Paulo diz o mesmo: somos salvos pela graça, mediante a fé, "para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2:8-10). As obras são consequência da salvação, nunca a sua causa.

Conclusão

A salvação continua sendo exclusivamente pela graça, mediante a fé em Cristo (João 3:16; 5:24; Romanos 3:28; 8:1). Em Mateus 25:31-46, as obras servem de prova pública da fé de quem aceitou a mensagem do reino e de quem a rejeitou. Ao ver como as nações trataram os seus mensageiros, o Rei mostra qual era a disposição real do coração de cada um.

Josué Matos

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