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Se você entende que um cristão não deve votar nesta pátria, então você não deveria fazer vídeos com esse conteúdo.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão Josué, se você entende que um cristão não deve votar nesta pátria, então você não deveria fazer vídeos com esse conteúdo. Faça vídeos sobre a pátria celestial; não perca tempo falando dessas coisas. Além do mais, podem confundi-lo com os cristãos esquerdistas que vivem postando vídeos dizendo que o cristão não deve se envolver com política, mas, no final, vão votar nos candidatos que apoiam aborto, ideologia de gênero, feminismo e ridicularização da Bíblia. Você é um homem inteligente, já deve ter percebido que é justamente esse tipo de conteúdo que os anticristãos estão promovendo na internet.

Minha Resposta:

Agradeço pela sua preocupação e compreendo o ponto que você está apresentando. Entretanto, penso que precisamos fazer uma distinção importante: uma coisa é o cristão participar da política deste mundo; outra coisa é ensinar biblicamente qual deve ser a posição do cristão diante dela.

Se eu entendo, pelas Escrituras, que o cristão não deve se envolver na política deste mundo, isso não significa que eu não possa falar sobre política. Pelo contrário, justamente porque muitos irmãos têm dúvidas sobre votar, apoiar candidatos, participar de partidos, manifestações e movimentos políticos, é necessário explicar por que entendo que o Novo Testamento apresenta ao cristão um caminho diferente.

Quando faço um vídeo sobre esse assunto, não estou tentando convencer ninguém a votar na esquerda, na direita ou no centro. Também não estou defendendo neutralidade moral diante do pecado. Estou procurando mostrar que a posição celestial do cristão está acima dessas divisões políticas.

O cristão não deixa de condenar o pecado porque não participa da política.

Precisamos deixar isso muito claro.

A Bíblia condena aquilo que é contrário à vontade de Deus independentemente de quem o defenda. O cristão deve permanecer firme contra tudo aquilo que a Palavra de Deus chama de pecado. Não precisamos pertencer a um partido político para dizer que determinada prática é contrária às Escrituras.

João Batista, por exemplo, denunciou diretamente o pecado de Herodes:

“Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18).

Ele não precisou tornar-se membro de um movimento político para denunciar o pecado de um governante.

O Senhor Jesus também denunciou os pecados dos homens e das autoridades religiosas de Seus dias. Os apóstolos fizeram o mesmo. Todavia, não encontramos o Senhor Jesus nem os apóstolos organizando movimentos políticos para transformar o Império Romano.

Portanto, não participar da política não significa permanecer calado diante do pecado.

Há uma enorme diferença entre testemunho moral e participação política.

O cristão pode dizer claramente: “Isto é pecado”, porque Deus assim diz em Sua Palavra, sem acrescentar: “Portanto, vote neste candidato”.

Essa diferença é fundamental.

O Senhor Jesus declarou diante de Pilatos:

“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Observe que Ele estava falando justamente diante de uma autoridade política. Pilatos representava o poder de Roma. Se houvesse ocasião apropriada para o Senhor ensinar Seus discípulos a disputar o poder político, aquela seria uma excelente oportunidade. Mas Ele declarou exatamente o contrário: Seu reino não procedia daquele sistema.

Isso não significa que Deus não tenha estabelecido o governo humano. Estabeleceu, sim.

Romanos 13:1 diz:

“Não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.”

O cristão deve, portanto, respeitar as autoridades.

Romanos 13:7 acrescenta:

“Dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.”

Pedro ensina a mesma coisa:

“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor” (1 Pedro 2:13).

Portanto, não estou ensinando rebelião contra o Estado. O cristão deve ser um cidadão exemplar: deve obedecer às leis, pagar seus impostos, respeitar as autoridades e viver de maneira honesta. A exceção acontece quando o governo exige algo contrário à vontade de Deus. Nesse caso permanece o princípio:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

Mas existe algo muito interessante. Quando o Novo Testamento ensina como o cristão deve relacionar-se com os governantes, a orientação não é: “Escolham os melhores governantes”. A orientação é:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência” (1 Timóteo 2:1-2).

Esta é uma das grandes responsabilidades políticas do cristão, se podemos usar essa expressão: orar pelas autoridades.

Podemos entrar na presença de Deus e interceder por reis, presidentes, primeiros-ministros, governantes e autoridades. E fazemos isso independentemente de concordarmos ou não com suas ideias.

Nossa confiança não está no voto, mas em Deus.

Daniel disse:

“Ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis” (Daniel 2:21).

E Daniel 4:17 declara que:

“O Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer.”

Isto não significa que todos os governantes sejam bons. Nabucodonosor certamente não era um homem piedoso quando recebeu aquela declaração. Significa que Deus continua soberano sobre a História.

Agora chegamos ao ponto principal.

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

A ideia é de cidadania. Nossa cidadania verdadeira está nos céus.

Pedro acrescenta outra descrição:

“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros...” (1 Pedro 2:11).

Essas duas palavras são extremamente importantes: peregrinos e forasteiros.

O peregrino está viajando para sua pátria.

O forasteiro está vivendo numa terra que não é a sua.

Portanto, o cristão está neste mundo, mas não pertence moralmente ao sistema deste mundo.

Paulo apresenta ainda outra figura:

“De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo” (2 Coríntios 5:20).

Pense na figura de um embaixador.

Um embaixador vive em outro país, mas representa os interesses de sua própria pátria. Ele não foi enviado para tornar-se parte do governo da nação onde está temporariamente. Ele representa outro governo.

Assim também acontece conosco.

Nossa pátria está nos céus.
Nosso Rei é Cristo.
Nossa mensagem é o Evangelho.
Nossa missão é representar Cristo neste mundo.

E qual é a mensagem do embaixador?

O próprio contexto responde:

“Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” (2 Coríntios 5:20).

Esta é nossa grande mensagem ao mundo.

Não dizemos ao pecador simplesmente: “Mude seu voto”.

Dizemos:

“Reconcilie-se com Deus.”

Porque um homem pode votar no candidato politicamente mais conservador possível e continuar perdido eternamente.

Pode ser contra o aborto e continuar perdido.

Pode defender a família tradicional e continuar perdido.

Pode defender valores morais e continuar perdido.

Nicodemos era um homem religioso, moral e respeitado, mas o Senhor Jesus lhe disse:

“Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).

Esse é o problema fundamental do homem.

O problema da humanidade não será resolvido simplesmente colocando pessoas melhores nos governos. O problema está no coração humano.

O Senhor Jesus disse:

“Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Marcos 7:21-22).

A política pode criar leis, mas não pode produzir novo nascimento.

Pode restringir determinadas manifestações do mal, e devemos agradecer a Deus quando isso acontece, mas não pode transformar o coração humano.

Somente Cristo pode fazer isso.

Quanto à possibilidade de alguém me confundir com cristãos de esquerda, compreendo sua preocupação, mas não posso definir minha posição bíblica pelo receio de ser confundido com determinado grupo.

Também não quero ser confundido com cristãos de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política.

Quero ser reconhecido simplesmente como alguém que pertence ao Senhor Jesus.

Paulo escreveu:

“Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Romanos 14:7-8).

Se alguém disser: “O cristão não deve participar da política porque precisamos apoiar determinado partido de esquerda”, eu discordarei.

Se outro disser: “O cristão precisa participar da política porque precisa apoiar determinado partido de direita”, também não encontro esse mandamento no Novo Testamento.

Minha posição não depende da esquerda nem da direita.

Depende daquilo que entendo das Escrituras.

Aliás, existe um perigo muito sério quando começamos a identificar a causa de Cristo com um movimento político. Em pouco tempo, podemos começar a tratar determinados políticos como se fossem defensores oficiais da fé cristã.

Mas nenhum partido representa Cristo.

Nenhum candidato representa o Reino de Deus.

Nenhuma ideologia humana pode ser identificada com o Evangelho.

A Igreja não foi enviada ao mundo para colocar um partido no poder. Foi enviada para anunciar Cristo.

Paulo disse:

“Porque não me propus saber entre vós coisa alguma, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Coríntios 2:2).

E também:

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).

Por isso, quando falo sobre política, meu objetivo não é entrar na disputa política, mas justamente explicar por que entendo que o cristão deve conservar sua posição celestial.

Também concordo com você numa coisa importante: não devemos permitir que assuntos políticos ocupem o lugar central da nossa mensagem.

Cristo precisa ocupar esse lugar.

Se eu passasse a maior parte do meu tempo falando de eleições, candidatos, partidos e governos, ainda que fosse para criticar tudo isso, também poderia perder de vista nossa verdadeira missão.

Nossa grande mensagem é:

Cristo morreu pelos nossos pecados.
Cristo ressuscitou.
Cristo salva o pecador.
Cristo está edificando Sua Igreja.
Cristo voltará.
Cristo estabelecerá Seu reino.
Cristo finalmente governará este mundo em justiça.

O governo perfeito não surgirá das urnas.

Ele virá quando o Rei perfeito vier.

Isaías profetizou:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros” (Isaías 9:6).

E Apocalipse anuncia antecipadamente aquele grande dia:

“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Apocalipse 11:15).

É esse governo que aguardo.

Enquanto isso, respeito as autoridades, obedeço às leis, pago meus impostos, oro pelos governantes, procuro fazer o bem a todos, condeno biblicamente aquilo que Deus chama de pecado e anuncio o Evangelho.

Mas minha esperança não está em Brasília, Lisboa, Washington ou qualquer outra capital deste mundo.

Minha esperança está no céu.

“Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hebreus 13:14).

Portanto, meu irmão, agradeço sinceramente sua advertência. Concordo que precisamos ter cuidado para que Cristo e a Pátria celestial sejam sempre o centro da nossa atenção. Mas falar biblicamente sobre a relação do cristão com a política não significa participar dela. Pelo contrário, às vezes precisamos falar exatamente para explicar por que não participamos.

E, se alguém quiser saber qual é o meu candidato, minha esperança ou o Rei a quem entreguei minha vida, não preciso procurar um nome numa urna.

Meu Rei já foi escolhido por Deus:

Jesus Cristo.

“E no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16).

Josué Matos

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Quero me voltar para Jesus.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Quero me voltar para Jesus.

Minha Resposta:

Que bom receber uma mensagem assim. Se esse desejo é sincero em seu coração, não fique apenas no desejo: volte-se para o Senhor Jesus hoje.

Talvez você esteja pensando que se afastou demais, pecou demais, perdeu muito tempo ou que não é mais digno de se aproximar de Deus. Mas não permita que esses pensamentos o impeçam de voltar. O próprio Senhor Jesus disse:

“E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37).

Observe a beleza dessas palavras: “o que vem a mim”. O Senhor não disse que você precisa primeiro consertar toda a sua vida para depois vir. Você deve vir a Ele como está, reconhecendo sinceramente o seu pecado, arrependendo-se e confiando nEle.

Se você já foi verdadeiramente salvo e se afastou do Senhor, precisa entender uma diferença importante: você não precisa ser salvo novamente. O pecado prejudica a comunhão do crente com Deus, tira a alegria espiritual e enfraquece a vida cristã, mas o caminho da restauração continua aberto. O apóstolo João escreveu:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

Confessar não significa simplesmente dizer: “Senhor, perdoa todos os meus erros”. É colocar-se sinceramente diante de Deus e reconhecer aquilo que aconteceu, sem desculpas e sem culpar outras pessoas. Provérbios 28:13 diz:

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.”

Portanto, há duas coisas importantes: confessar e deixar. O verdadeiro arrependimento não procura justificar o pecado; reconhece-o e deseja abandoná-lo.

Talvez a melhor ilustração para a sua situação esteja em Lucas 15:11-24. O filho pródigo saiu da casa do pai e foi para uma terra distante. Desperdiçou os seus bens, tomou decisões erradas e chegou a uma condição humilhante. Porém, chegou um momento decisivo em sua vida:

“E, tornando em si...” (Lucas 15:17).

Depois ele disse:

“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai” (Lucas 15:18).

Isso é muito importante. Ele não disse apenas: “Um dia vou voltar”. Ele levantou-se e voltou:

“E, levantando-se, foi para seu pai” (Lucas 15:20).

Talvez você esteja exatamente nesse ponto. Você reconheceu que precisa voltar para Jesus. Então não transforme uma decisão de hoje numa promessa para amanhã.

Levante-se espiritualmente e volte.

E veja o que aconteceu quando aquele filho retornou:

“E, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” (Lucas 15:20).

Que cena maravilhosa! O pai não estava esperando o filho para humilhá-lo, castigá-lo com palavras ou lembrá-lo continuamente de todos os seus erros. Havia compaixão no coração daquele pai.

O filho confessou:

“Pai, pequei contra o céu e perante ti” (Lucas 15:21).

É assim que devemos chegar diante de Deus: sem desculpas, sem argumentos e sem tentar diminuir aquilo que fizemos.

Há ainda outro exemplo maravilhoso: Pedro.

Pedro afirmou que nunca abandonaria o Senhor, mas poucas horas depois negou três vezes que O conhecia. Quando percebeu o que havia feito, “saindo dali, chorou amargamente” (Lucas 22:62).

Mas aquela não foi a última página da história de Pedro.

Depois da Sua ressurreição, o Senhor Jesus procurou restaurá-lo. Em João 21, o Senhor tratou pessoalmente com Pedro e depois lhe disse:

“Segue-me” (João 21:19).

O homem que havia fracassado ainda podia seguir o Senhor.

O homem que havia negado o Senhor ainda podia ser restaurado.

O homem que chorara amargamente ainda tinha um caminho diante de si.

Portanto, não pense que o seu fracasso precisa ser o último capítulo da sua história.

Davi também conheceu a tristeza de perder a alegria da comunhão com Deus. Depois de reconhecer seu pecado, ele orou:

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto. [...] Torna a dar-me a alegria da tua salvação” (Salmos 51:10,12).

Perceba que Davi não pediu outra salvação; pediu que Deus restaurasse a alegria da salvação. O pecado havia produzido distância, tristeza e perda de comunhão, mas havia um caminho de volta.

Comece, portanto, falando sinceramente com Deus. Você não precisa de palavras bonitas. Diga ao Senhor exatamente o que está acontecendo. Confesse aquilo que precisa ser confessado. Abandone aquilo que precisa ser abandonado. Se você prejudicou alguém, procure também reparar aquilo que for possível. Depois, volte a alimentar sua vida espiritual com a Palavra de Deus e com oração.

Não espere primeiro sentir-se digno para voltar. Você nunca encontrará em si mesmo uma dignidade que o torne merecedor da graça de Deus. A nossa esperança está no Senhor Jesus Cristo e na obra que Ele realizou na cruz.

“Temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1 João 2:1-2).

Veja também a delicadeza dessa passagem. Ela não diz que o crente que pecou deixou de ter Deus como Pai. Diz que temos “um Advogado para com o Pai”. O Senhor Jesus continua sendo suficiente para aquele que fracassou.

Não permita, portanto, que Satanás use o seu passado para dizer que não existe caminho de volta.

Existe.

Não permita que a vergonha diga que Jesus não o receberá.

Ele mesmo declarou:

“E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37).

Não diga apenas: “Quero me voltar para Jesus”.

Diga hoje: “Eu vou voltar para Jesus”.

Procure um lugar tranquilo, dobre os seus joelhos e fale com Deus. Conte-Lhe tudo. Não esconda nada. Confesse seus pecados, abandone aquilo que sabe que O desagrada e entregue novamente sua vida ao Senhor.

Depois, abra a Bíblia. Recomendo que comece lendo devagar Lucas 15, Salmos 32, Salmos 51, João 21 e 1 João 1:5–2:2. Leia não simplesmente para cumprir uma obrigação, mas pedindo ao Senhor que fale ao seu coração por meio da Sua Palavra.

E lembre-se: o filho pródigo descobriu que o caminho de volta não estava fechado. Pedro descobriu que um grande fracasso não significava o fim de sua caminhada. Davi descobriu que Deus podia restaurar a alegria perdida.

Você também pode descobrir a alegria de andar novamente perto do Senhor.

Dê hoje o primeiro passo.

“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós” (Tiago 4:8).

Josué Matos

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Mesmo o irmão não congregando junto com o Mário Persona, o irmão vai a uma congregação somente de irmãos reunidos ao nome do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Mesmo o irmão não congregando junto com o Mário Persona, o irmão vai a uma congregação somente de irmãos reunidos ao nome do Senhor?

Minha Resposta:

Sim, irmã. Sou do sul do Brasil. Nasci em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Meus pais já eram salvos e haviam ouvido o Evangelho por meio de missionários que vieram da Irlanda do Norte. Portanto, desde cedo tive contato com a Palavra de Deus e com o Evangelho, mas isso, evidentemente, não me tornava salvo. Cada pessoa precisa ter uma experiência pessoal com Cristo. Pela graça de Deus, fui salvo aos 18 anos.

Durante muitos anos vivi e me reuni com igrejas locais no sul do Brasil, procurando seguir o modelo que encontramos no Novo Testamento. Mais tarde, em uma visita a Portugal, conheci uma pequena igreja dos irmãos em Lisboa. Percebi a necessidade que havia aqui e, diante disso, decidi permanecer em Portugal e ajudá-los naquilo que fosse necessário. Já estou aqui há sete anos.

Portanto, respondendo diretamente à sua pergunta: sim, reúno-me com irmãos que procuram congregar somente ao nome do Senhor Jesus Cristo, conforme o princípio apresentado pelo próprio Senhor:

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).

Para mim, este é um princípio muito precioso. A igreja local não deve estar reunida em torno do nome de um homem, de uma denominação ou de uma organização religiosa. O centro da reunião deve ser a Pessoa do Senhor Jesus Cristo.

Isso também significa que não devemos fazer do nome “irmãos” uma denominação. Somos irmãos porque fomos feitos filhos de Deus pela fé em Cristo, mas o nome que deve ocupar o lugar central é o nome do Senhor Jesus.

O Novo Testamento apresenta um padrão muito simples para a igreja local. Em Atos dos Apóstolos 2:41-42, aqueles que receberam a Palavra foram batizados e acrescentados à comunhão; depois perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações. Encontramos aí alguns dos elementos fundamentais da vida de uma igreja local.

Da mesma forma, em Atos dos Apóstolos 20:7 vemos os discípulos reunidos no primeiro dia da semana para partir o pão. Em Primeira aos Coríntios 11:23-26 encontramos a Ceia do Senhor; em Primeira aos Coríntios 14 encontramos princípios relativos à reunião da igreja; e em Primeira a Timóteo 3 encontramos instruções sobre a responsabilidade e o governo na casa de Deus.

Assim, quando falamos de estar “reunidos ao nome do Senhor”, não queremos dizer simplesmente que alguns cristãos se encontram em determinado lugar. Mateus 18:20 apresenta Cristo como o centro da reunião. Seu nome envolve Sua Pessoa, Sua autoridade e tudo aquilo que Ele revelou em Sua Palavra.

Por isso, desejamos reconhecer somente a autoridade do Senhor Jesus e da Sua Palavra, dependendo da direção do Espírito Santo. Cristo deve ter a preeminência, conforme está escrito:

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Colossenses 1:18).

Também é importante esclarecer que não afirmamos que somente nós somos salvos, nem que todos os verdadeiros crentes estejam necessariamente reunidos conosco. Graças a Deus, existem verdadeiros filhos de Deus em muitos lugares. A questão aqui não é quem pertence a Cristo, pois “o Senhor conhece os que são seus” (Segunda a Timóteo 2:19). A questão é procurar obedecer ao padrão que encontramos no Novo Testamento para a reunião e o funcionamento da igreja local.

Também não seguimos um homem em particular. Tenho respeito por irmãos que ensinam fielmente a Palavra de Deus, mas a igreja não pertence a nenhum pregador ou ensinador. Paulo precisou corrigir exatamente essa tendência em Corinto, quando alguns diziam: “Eu sou de Paulo”, outros: “Eu, de Apolo”, e outros: “Eu, de Cefas”. Então Paulo perguntou: “Está Cristo dividido?” (Primeira aos Coríntios 1:12-13).

Portanto, não nos reunimos ao nome de Mário Persona, nem de qualquer outro irmão, por mais conhecido ou útil que seja no serviço do Senhor. Procuramos simplesmente estar reunidos ao nome do Senhor Jesus Cristo.

É também por essa razão que considero muito preciosa a expressão de Mateus 18:20: “aí estou eu no meio deles”. O grande valor de uma igreja local não está no tamanho da congregação, na beleza do edifício, na quantidade de atividades ou na popularidade dos pregadores. O que realmente importa é a presença e a autoridade do Senhor Jesus no meio dos Seus.

Uma igreja pode ser pequena e, mesmo assim, ser preciosa aos olhos de Deus. O próprio Senhor falou de “dois ou três”. Isso nos ensina que os números não determinam o valor espiritual de uma reunião. O que importa é Cristo ocupar o centro, Sua Palavra ser respeitada e os crentes procurarem andar em obediência a ela.

Deixo também o nosso site para que o irmão possa conhecer um pouco mais sobre nós:

Palavras do Evangelho

Também pode instalar o nosso aplicativo no telefone, pois fica mais prático para acompanhar os conteúdos:

Aplicativo Palavras do Evangelho na Google Play

Que o Senhor nos conceda graça para permanecermos firmes não em torno de homens, organizações ou nomes religiosos, mas em torno da preciosa Pessoa do Senhor Jesus Cristo, procurando guardar a Sua Palavra e não negar o Seu nome, conforme Apocalipse 3:8.

Josué Matos

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Corrija-me se eu estiver errado. Uma coisa me chamou a atenção em Mateus 5:32 e 19:9

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Corrija-me se eu estiver errado. Uma coisa me chamou a atenção em Mateus 5:32 e 19:9. Quando Jesus falou sobre a exceção para repudiar a mulher, isso aconteceu antes da cruz. Então, isso seria mais uma prova de que a exceção foi mencionada por causa de Deuteronômio 22, que vigorava até a cruz, na Velha Aliança? Essa exceção não aparece depois da cruz. Está correto?

Se for isso, é notório que a única opção na Nova Aliança é reconciliar-se ou ficar só, pois a exceção para se casar novamente seria a morte do marido ou da esposa.

Mateus não é Novo Testamento? O Novo Testamento não começa depois da cruz? Porque há uma distinção importante entre o livro e a vigência da Nova Aliança. Se dissermos que as palavras de Jesus naquela exceção pertencem à Nova Aliança, então elas não estariam apenas no contexto judaico, mas serviriam para toda a Igreja. Como devemos entender isso?

Minha Resposta:

Você percebeu um ponto muito importante, mas precisamos fazer uma pequena distinção para que o argumento fique biblicamente mais preciso.

Sim, quando o Senhor Jesus pronunciou as palavras registradas em Mateus 5:32 e Mateus 19:9, a cruz ainda não havia acontecido, a Igreja ainda não havia sido formada e Israel ainda estava sob a Lei de Moisés. Contudo, isso não significa que tudo o que o Senhor ensinou antes da cruz deixou de ter aplicação depois dela. Muitos princípios ensinados pelo Senhor antes da cruz são permanentes.

Portanto, o argumento principal não deve ser simplesmente: “Jesus falou antes da cruz, logo isso não se aplica à Igreja”. Precisamos observar o contexto, as palavras empregadas e, especialmente, comparar Mateus com Marcos, Lucas e o ensino apostólico.

  1. Mateus está dentro do Novo Testamento, mas os acontecimentos narrados ocorrem antes da inauguração da Nova Aliança

Aqui existe uma distinção importante.

Quando falamos da organização dos livros da Bíblia, Mateus pertence ao Novo Testamento. Mas quando falamos historicamente da Nova Aliança inaugurada pelo sangue de Cristo, devemos lembrar que grande parte dos Evangelhos narra acontecimentos anteriores à cruz.

O próprio Senhor Jesus, na noite em que foi traído, disse:

“Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20).

Compare também Mateus 26:28 e 1 Coríntios 11:25.

Hebreus apresenta a mesma relação entre a morte de Cristo e a Nova Aliança (Hebreus 9:15-17).

Portanto, durante o ministério terreno do Senhor Jesus, Israel ainda vivia sob a ordem mosaica. É por isso que encontramos o Senhor falando do altar (Mateus 5:23-24), ordenando ao homem curado que apresentasse a oferta determinada por Moisés (Mateus 8:4), reconhecendo o lugar dos escribas e fariseus “na cadeira de Moisés” (Mateus 23:2) e participando das festas judaicas.

Mas isso, por si só, não elimina o ensino do Senhor acerca do casamento. Pelo contrário, precisamos descobrir qual princípio Ele estava restaurando.

  1. Jesus levou a questão do casamento para antes da Lei

Quando os fariseus perguntaram:

“É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mateus 19:3),

o Senhor não começou por Deuteronômio 24. Ele voltou a Gênesis:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez?” (Mateus 19:4).

E acrescentou:

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Isso é fundamental.

O padrão do casamento não começou com Moisés. O casamento é uma instituição da criação. Gênesis 2:24 declara:

“Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

Assim, o princípio é anterior a Israel, anterior à Lei e anterior à Igreja.

Quando os fariseus mencionaram Moisés, perguntando por que ele havia “mandado” dar carta de divórcio, Jesus corrigiu a maneira como apresentaram a questão:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim” (Mateus 19:8).

Moisés não estabeleceu o divórcio como o ideal de Deus. Ele regulamentou uma situação surgida por causa da dureza do coração humano.

Cristo, porém, retorna ao princípio.

  1. A cláusula de exceção precisa ser entendida dentro do contexto de Mateus

Aqui chegamos ao ponto central da pergunta.

Mateus 5:32 e Mateus 19:9 contêm a expressão traduzida como “a não ser por causa de prostituição” ou “exceto por causa de fornicação”.

A palavra usada é “porneia”.

Entretanto, quando o Senhor fala de adultério, é usada outra palavra, relacionada a “moicheia”.

Essa distinção é importante.

Se o Senhor estivesse simplesmente querendo dizer “exceto em caso de adultério cometido durante o casamento”, seria estranho empregar uma palavra diferente justamente quando o adultério está sendo mencionado no mesmo contexto.

Há uma explicação muito coerente dentro do próprio Evangelho de Mateus.

Em Mateus 1 encontramos José e Maria.

Eles estavam desposados, mas ainda não tinham consumado o casamento:

“Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem...” (Mateus 1:18).

Apesar disso, José já é tratado como marido:

“José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mateus 1:19).

E o anjo diz:

“José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher” (Mateus 1:20).

Isso parece estranho para nós porque o nosso noivado não possui essa condição jurídica. Mas no sistema judaico o desposório era muito mais vinculativo.

José e Maria ainda não haviam se unido matrimonialmente, mas o compromisso era tão sério que, para desfazê-lo, seria necessário repudiá-la.

José acreditou inicialmente que Maria havia sido sexualmente infiel durante o período do desposório.

É exatamente esse contexto que ajuda a compreender por que a exceção aparece em Mateus.

  1. Deuteronômio 22 também ajuda a compreender o pano de fundo

Deuteronômio 22 trata de diferentes pecados sexuais e de situações relacionadas à virgindade, ao desposório e ao casamento.

É importante notar que, sob a Lei, o adultério não era simplesmente uma autorização para divorciar-se e casar novamente. A penalidade estabelecida era muito mais severa:

“Quando um homem for achado deitado com mulher casada com marido, então ambos morrerão” (Deuteronômio 22:22).

Também encontramos em Deuteronômio 22:23-24 o caso de uma virgem desposada.

Isso demonstra que havia uma condição especial envolvendo o desposório judaico.

Portanto, há fundamento para relacionar a exceção de Mateus ao contexto judaico de pureza antes da consumação do casamento, particularmente à situação de uma pessoa desposada que se mostrasse sexualmente infiel.

Mas eu faria uma pequena correção na maneira como a pergunta foi formulada: não diria simplesmente que “a exceção deixou de existir porque Deuteronômio 22 deixou de vigorar na cruz”. Diria que a exceção dizia respeito a uma circunstância própria do desposório judaico, razão pela qual não aparece quando o ensino é apresentado em contextos gentílicos e posteriormente nas epístolas.

  1. Por que a exceção aparece somente em Mateus?

Este é um argumento muito importante.

Veja o que o Senhor diz em Marcos:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Nenhuma exceção.

Veja Lucas:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Novamente, nenhuma exceção.

Isso é significativo.

Mateus possui forte contexto judaico e apresenta a situação de José e Maria, na qual uma mulher desposada é chamada “mulher”, José é chamado “marido”, e romper o desposório exigiria repudiá-la.

Marcos, escrevendo num contexto em que essa peculiaridade judaica não precisava ser explicada, simplesmente apresenta o princípio:

se alguém deixa o cônjuge e casa com outro, comete adultério.

Lucas faz a mesma coisa.

Portanto, não podemos usar o texto mais difícil de Mateus para contradizer as declarações absolutamente claras de Marcos e Lucas. Devemos interpretar a cláusula de Mateus de uma maneira que esteja em harmonia com todo o ensino do Senhor.

  1. O ensino apostólico depois da cruz confirma isso

Aqui está talvez a confirmação mais forte da observação feita na pergunta.

Quando chegamos às epístolas, escritas diretamente às igrejas, não encontramos novamente a cláusula de exceção de Mateus.

Em Romanos 7:2-3, Paulo escreve:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for de outro marido.”

Observe cuidadosamente.

Paulo não diz:

“enquanto o marido viver, exceto se houver adultério”.

Ele simplesmente diz:

“enquanto ele viver”.

E depois:

“morto o marido, está livre”.

A morte é apresentada como aquilo que encerra o vínculo matrimonial.

O mesmo aparece em 1 Coríntios 7.

  1. “Fique sem casar ou que se reconcilie”

Em 1 Coríntios 7:10-11 encontramos uma passagem especialmente importante porque Paulo está dando instruções diretamente aos crentes:

“Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.”

Aqui temos exatamente as duas possibilidades mencionadas na pergunta.

Se houver separação:

“fique sem casar”

ou

“que se reconcilie”.

Não aparece uma terceira possibilidade:

“case-se com outra pessoa”.

Isso é muito importante.

Além disso, Paulo diz:

“mando, não eu, mas o Senhor”.

Ou seja, Paulo está apoiando sua instrução naquilo que o próprio Senhor já havia ensinado.

Isso harmoniza perfeitamente com Marcos 10:11-12 e Lucas 16:18.

  1. E quando o cônjuge incrédulo abandona o crente?

Alguns usam 1 Coríntios 7:15 para ensinar que o abandono permite novo casamento:

“Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão ou irmã não está sujeito à servidão.”

Porém, o texto não diz:

“está livre para casar novamente”.

A questão é que o crente não deve viver numa guerra permanente tentando obrigar o incrédulo a permanecer. Se o incrédulo decidiu partir, o crente não pode mantê-lo preso fisicamente à relação.

Paulo termina:

“Deus chamou-nos para a paz.”

Isso deve ser entendido à luz do que ele acabou de dizer:

“fique sem casar ou que se reconcilie” (1 Coríntios 7:11).

Quando Paulo quer falar claramente da liberdade para um novo casamento, ele sabe fazê-lo. Veja 1 Coríntios 7:39:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Aqui a linguagem é inequívoca.

Enquanto ele vive: “está ligada”.

Quando ele morre: “fica livre para casar”.

  1. A viuvez é, portanto, claramente apresentada como condição para novo casamento

Sim. Nesse ponto, a conclusão apresentada na pergunta está correta.

Romanos 7:2-3 ensina isso.

1 Coríntios 7:39 repete isso.

Paulo também escreve:

“Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu” (1 Coríntios 7:8).

E, em outro contexto, afirma:

“Quero, pois, que as que são moças se casem” (1 Timóteo 5:14).

Portanto, a Escritura reconhece claramente o novo casamento depois da morte do cônjuge.

  1. Então Mateus 5:32 e 19:9 não valem para nós?

Não devemos colocar dessa maneira.

O ensino de Mateus continua sendo Palavra de Deus e possui enorme importância para nós. O princípio ensinado pelo Senhor é permanente:

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

O que precisamos distinguir é a situação específica contemplada pela cláusula de exceção.

Ela aparece em Mateus porque o Evangelho apresenta elementos particularmente judaicos e porque o desposório judaico possuía uma condição jurídica diferente do nosso noivado moderno.

É justamente Mateus que nos oferece, em José e Maria, a chave histórica para compreender como alguém poderia ser chamado “marido” e “mulher” antes de terem se ajuntado.

Depois que o casamento está efetivamente constituído, o princípio apresentado pelo restante do Novo Testamento é extremamente claro:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela” (Marcos 10:11).

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera” (Lucas 16:18).

“Vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido” (Romanos 7:3).

“Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido” (1 Coríntios 7:11).

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

  1. A questão não depende apenas da mudança da Antiga para a Nova Aliança

Portanto, eu reformularia a conclusão da pergunta da seguinte maneira:

A cláusula de exceção de Mateus não deve ser entendida simplesmente como uma permissão temporária que terminou automaticamente na cruz. Ela deve ser compreendida dentro do contexto judaico em que foi pronunciada, particularmente à luz do desposório e da distinção entre fornicação e adultério.

Ao mesmo tempo, é muito significativo que a exceção não apareça em Marcos 10:11-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3 ou 1 Coríntios 7:10-11,39.

Quando chegamos às instruções apostólicas dirigidas às igrejas, a regra é clara: o casamento estabelece um vínculo para toda a vida. Havendo uma separação, a orientação é permanecer sem casar ou buscar a reconciliação. A liberdade expressamente declarada para um novo casamento aparece quando o cônjuge morre.

Isso também demonstra que o ensino cristão sobre a permanência do casamento não depende simplesmente da Lei de Moisés. Na realidade, ele retorna muito mais longe: ao propósito original de Deus na criação.

Por isso o Senhor não disse: “O que Moisés regulamentou não separe o homem”.

Ele disse:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Esse é o ponto fundamental.

A Lei tolerou determinadas situações por causa da dureza do coração humano. Cristo, porém, levou os seus ouvintes de volta ao princípio:

“Mas, ao princípio, não foi assim” (Mateus 19:8).

E o ensino apostólico mantém esse padrão: enquanto ambos vivem, permanece o vínculo; se houver separação, permaneça sem casar ou reconcilie-se; ocorrendo a morte do cônjuge, há liberdade para casar novamente, “contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

Assim, sua percepção está essencialmente no caminho correto, apenas com esta ressalva: não é simplesmente porque Mateus 5 e 19 aconteceram antes da cruz que a cláusula deve ser descartada. A razão mais consistente é compreender a cláusula dentro do contexto judaico do desposório e depois harmonizá-la com o ensino inequívoco do Senhor em Marcos e Lucas e com o ensino apostólico em Romanos e 1 Coríntios.

A Escritura inteira, considerada em conjunto, apresenta o casamento como uma união estabelecida por Deus, destinada a permanecer enquanto os dois cônjuges viverem.

Josué Matos

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