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A “lei do marido”, mas a lei que é citada em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39 não seria a lei divina do matrimônio criada por Deus?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, estava lendo aqui, e você cita a “lei do marido”, mas a lei que é citada em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39 não seria a lei divina do matrimônio criada por Deus?

Minha Resposta:

Sim, irmão. É importante fazer essa distinção, porque a expressão “lei do marido”, em Romanos 7:2, não deve ser entendida simplesmente como uma referência à Lei de Moisés sobre divórcio, nem como se Paulo estivesse estabelecendo uma regra exclusivamente judaica. O princípio que Paulo usa é muito mais antigo. Ele está fundamentado na ordem divina estabelecida por Deus para o matrimônio desde a criação.

Em Romanos 7:2-3 lemos:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido.”

Observe a expressão: “enquanto ele viver”. Depois Paulo acrescenta: “morto o marido, está livre da lei do marido”.

Portanto, a morte aparece como aquilo que encerra o vínculo e dá liberdade para uma nova união.

Isso fica ainda mais claro quando comparamos Romanos 7 com 1 Coríntios 7:39:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Em Romanos 7, Paulo utiliza o matrimônio como uma ilustração para explicar nossa antiga relação com a lei e nossa nova relação com Cristo. Portanto, o assunto principal de Romanos 7 não é casamento e divórcio. Contudo, a ilustração somente funciona porque Paulo parte de um princípio matrimonial que seus leitores poderiam reconhecer: enquanto o cônjuge vive, permanece o vínculo; ocorrendo a morte, existe liberdade para uma nova união.

Mas de onde vem esse princípio?

Precisamos voltar a Gênesis, e não começar em Deuteronômio.

  1. A lei fundamental do casamento vem da criação

Antes de existir Israel, antes de Moisés, antes do Sinai e antes da antiga aliança, Deus já havia estabelecido o casamento.

Gênesis 2:24 declara:

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

Esse princípio foi estabelecido quando havia apenas um homem e uma mulher. Não existia ainda a nação de Israel nem a Lei mosaica.

Portanto, o casamento pertence à ordem criacional de Deus.

É muito significativo que, quando os fariseus perguntaram ao Senhor Jesus sobre o divórcio, Ele não começou por Deuteronômio 24. Ele voltou a Gênesis.

Mateus 19:4-6 diz:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”

Veja a expressão empregada pelo Senhor:

“no princípio”.

Esse detalhe é fundamental.

Os fariseus queriam discutir aquilo que Moisés havia permitido. O Senhor Jesus os levou àquilo que Deus havia estabelecido antes da permissão mosaica.

Depois eles perguntaram:

“Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?”

E o Senhor respondeu:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:7-8).

Novamente aparece a expressão decisiva:

“ao princípio não foi assim”.

Portanto, há uma diferença entre o princípio divino da criação e aquilo que posteriormente foi permitido por causa da dureza do coração humano.

  1. “A lei do marido” não deve ser confundida com a permissão de Deuteronômio 24

Esse ponto ajuda bastante a compreender Romanos 7.

Quando Paulo fala da “lei do marido”, ele não está dizendo que a carta de divórcio de Deuteronômio 24 constitui o fundamento permanente do matrimônio.

Pelo contrário, ele apresenta uma relação que permanece enquanto o cônjuge vive e que termina pela morte.

A própria ilustração seria enfraquecida se Paulo estivesse dizendo que o vínculo poderia terminar simplesmente por uma decisão humana. Seu argumento depende da permanência daquela relação enquanto houver vida.

Por isso ele diz:

“enquanto ele viver”.

E:

“morto o marido, está livre”.

Depois, em 1 Coríntios 7:39, praticamente o mesmo princípio aparece novamente:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive.”

Logo, podemos chamar isso de lei divina do matrimônio no sentido de ser o princípio estabelecido por Deus para a união conjugal.

  1. O casamento precede a Lei de Moisés

Isso também responde a uma questão importante que apareceu anteriormente em nossa conversa.

Não podemos colocar tudo o que o Senhor Jesus ensinou sobre casamento simplesmente dentro da categoria de “antiga aliança” e, depois, dizer que o ensino apostólico começou do zero após a cruz.

Há elementos especificamente mosaicos que pertenciam a Israel, mas o matrimônio não nasceu no Sinai.

Adão não era israelita.

Eva não estava sob a Lei mosaica.

Mesmo assim, Deus disse:

“serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

O Senhor Jesus confirmou esse princípio em Mateus 19:4-6 e Marcos 10:6-9.

Paulo voltou ao mesmo texto em Efésios 5:31:

“Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne.”

Assim temos uma sequência muito importante:

Gênesis 2 estabelece o princípio.

O Senhor Jesus confirma o princípio.

Paulo confirma o princípio.

Isso mostra a permanência da ordem divina para o matrimônio.

  1. “Uma só carne” é mais profundo do que um contrato humano

Outro detalhe importante é que Deus não descreve o casamento apenas como um contrato social.

Ele diz:

“serão uma só carne”.

O Senhor Jesus acrescenta:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Portanto, existe uma ação divina reconhecida nessa união.

Um tribunal humano pode declarar duas pessoas civilmente divorciadas, mas a pergunta bíblica é mais profunda: o que acontece com o vínculo que Deus estabeleceu?

É exatamente nesse ponto que Romanos 7:2-3 se torna tão importante:

“vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido”.

Por quê?

Porque o primeiro homem ainda está vivo e, portanto, o vínculo que serve de base à argumentação de Paulo permanece.

  1. 1 Coríntios 7 confirma essa compreensão

Esse princípio não aparece apenas incidentalmente em Romanos 7.

Em 1 Coríntios 7, Paulo está tratando diretamente de casamento.

Aos casados ele diz:

“Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (1 Coríntios 7:10-11).

Observe as duas possibilidades dadas à pessoa separada:

“que fique sem casar”;

ou

“que se reconcilie”.

Isso é muito significativo.

Paulo não apresenta a separação como oportunidade para começar outra união.

E quando chega ao final do capítulo, ele declara:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

A morte é apresentada novamente como o acontecimento que concede liberdade para casar novamente.

  1. Isso também explica Marcos 10 e Lucas 16

Marcos registra as palavras do Senhor:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Lucas registra:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Essas declarações harmonizam-se perfeitamente com Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39.

A razão pela qual uma nova união é chamada de adultério enquanto o primeiro cônjuge vive é justamente a permanência do vínculo matrimonial estabelecido por Deus.

  1. Portanto, irmão, sua observação está correta

Quando você pergunta se a “lei do marido” é a lei divina do matrimônio criada por Deus, eu diria que sim, desde que entendamos corretamente a expressão.

Romanos 7 está inserido numa discussão maior sobre a lei, e Paulo utiliza o matrimônio como ilustração. Porém, o princípio matrimonial utilizado por ele não começou com a legislação do divórcio dada a Israel.

Sua raiz está em Gênesis:

“serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

Foi confirmado pelo Senhor:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Foi reafirmado por Paulo:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

E novamente:

“vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido” (Romanos 7:3).

Assim, podemos fazer uma distinção importante:

A permissão do divórcio em Deuteronômio estava relacionada à legislação dada a Israel e à dureza do coração humano.

O princípio da união matrimonial, porém, é anterior à Lei de Moisés. Ele pertence à própria ordem estabelecida por Deus na criação.

Por isso o Senhor Jesus não disse aos fariseus: “Vamos descobrir como facilitar o divórcio”.

Ele disse, em essência: voltem ao princípio.

“Desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” (Marcos 10:6).

Essa é a chave.

O padrão não começa em Deuteronômio 24. Começa em Gênesis 2.

E é justamente esse princípio que encontramos novamente no ensino apostólico.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Como explicar Atos 13:48, no contexto do que diz a Escritura referente à universalidade da obra da salvação realizada pelo Senhor Jesus Cristo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Meu amado irmão Josué, como explicar Atos 13:48, no contexto do que diz a Escritura referente à universalidade da obra da salvação realizada pelo Senhor Jesus Cristo?

Minha Resposta:

Meu amado irmão, esta é uma pergunta muito importante, porque Atos 13:48 precisa ser entendido sem diminuir nenhuma das duas verdades que a Escritura apresenta: de um lado, a soberania de Deus na salvação; de outro, a responsabilidade do homem diante do Evangelho e a suficiência da obra de Cristo para todos.

O texto diz:

“E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (Atos dos Apóstolos 13:48).

A expressão “ordenados para a vida eterna” não deve ser enfraquecida. O texto realmente apresenta uma ação divina. Entretanto, também não devemos transformar este versículo numa declaração de que Cristo morreu somente por determinadas pessoas ou de que Deus não deseja a salvação dos demais. Isso seria fazer Atos 13:48 contradizer muitas declarações claras das Escrituras.

  1. O contexto começa com a responsabilidade humana

Antes de chegarmos ao versículo 48, precisamos ler o versículo 46:

“Mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios” (Atos dos Apóstolos 13:46).

Observe o contraste.

No versículo 46, temos homens rejeitando a Palavra de Deus.

No versículo 48, temos pessoas crendo e sendo apresentadas como “ordenadas para a vida eterna”.

Portanto, Lucas coloca lado a lado duas verdades. A incredulidade não é atribuída a um decreto divino que obrigou aqueles judeus a rejeitarem o Evangelho. Paulo diz claramente: “visto que a rejeitais”.

Eles foram responsáveis por sua rejeição.

Por outro lado, quando os gentios creem, a salvação deles é atribuída à graça e ao propósito soberano de Deus.

Isto revela um princípio importante encontrado em toda a Escritura: quando o homem se perde, a responsabilidade é do próprio homem; quando o pecador é salvo, toda a glória pertence a Deus.

O Senhor Jesus expressou essas duas verdades de maneira muito bela:

“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37).

A primeira parte apresenta a soberania divina: “Todo o que o Pai me dá virá a mim”.

A segunda apresenta a porta inteiramente aberta ao pecador: “o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.

Não precisamos destruir uma verdade para preservar a outra.

  1. Atos 13:48 realmente ensina eleição

Não vejo necessidade de alterar o sentido natural de “ordenados” para evitar a doutrina da eleição. A eleição é uma doutrina bíblica.

Efésios 1:4 diz:

“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo.”

Segunda aos Tessalonicenses 2:13 declara:

“Deus vos elegeu desde o princípio para a salvação.”

Primeira de Pedro 1:2 fala dos crentes como:

“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai.”

Portanto, quando Atos 13:48 afirma que “creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna”, temos uma manifestação histórica do propósito soberano de Deus.

O Evangelho foi anunciado publicamente. Muitos ouviram a mesma mensagem. Alguns a rejeitaram, enquanto outros creram. E Lucas, olhando para aqueles que creram, mostra-nos o lado divino da sua salvação: eles estavam ordenados para a vida eterna.

Entretanto, isso não significa que o Evangelho tenha sido oferecido somente a eles.

Muito pelo contrário.

  1. O próprio contexto de Atos 13 mostra a amplitude da salvação

É muito significativo que, imediatamente antes de Atos 13:48, Paulo cite Isaías:

“Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até os confins da terra” (Atos dos Apóstolos 13:47).

Portanto, seria estranho interpretar o versículo seguinte como se estivesse restringindo a suficiência da obra de Cristo a um pequeno grupo, quando o versículo anterior acaba de apresentar a salvação alcançando “os confins da terra”.

O Evangelho não pertence exclusivamente a Israel. A salvação em Cristo é anunciada aos gentios e deve chegar a todas as nações.

O próprio Senhor havia dito:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

E também:

“Que em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações” (Lucas 24:47).

Portanto, a eleição divina nunca deve ser usada como desculpa para limitar a proclamação do Evangelho. Nós não sabemos quem são os eleitos. Nossa responsabilidade é anunciar Cristo a todos.

  1. A obra de Cristo possui suficiência universal

Aqui precisamos fazer uma distinção importante.

A Bíblia ensina que a obra realizada pelo Senhor Jesus Cristo é suficiente para todos, embora somente aqueles que creem recebam pessoalmente os seus benefícios salvadores.

Primeira de João 2:2 declara:

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”

Observe cuidadosamente: João não diz apenas pelos pecados dos judeus e gentios eleitos. Ele amplia deliberadamente a declaração: “todo o mundo”.

Primeira a Timóteo 2:3-6 acrescenta:

“Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem, o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos.”

Também lemos:

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2:11).

E Hebreus 2:9 declara que o Senhor Jesus:

“pela graça de Deus, provasse a morte por todos.”

Estas passagens impedem que interpretemos Atos 13:48 como se a morte de Cristo fosse insuficiente para qualquer pecador que venha a Ele.

  1. “Todo aquele que quiser”

Talvez uma das expressões mais importantes para equilibrar este assunto seja encontrada no encerramento da própria Bíblia:

“E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22:17).

Não encontramos na Escritura um pecador querendo sinceramente vir a Cristo e sendo impedido porque descobriu que não era eleito.

Isso simplesmente não existe.

O Senhor Jesus disse:

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (João 7:37).

Também declarou:

“Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:15).

E novamente:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

A expressão é maravilhosa: “todo aquele”.

Não existe nenhuma autorização bíblica para dizermos a um pecador: “Talvez Cristo não tenha morrido por você” ou “Talvez você não possa ser salvo porque talvez não esteja entre os eleitos”.

A mensagem apostólica era muito diferente:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

  1. Então, como harmonizar eleição e universalidade?

Precisamos aceitar tudo o que Deus revelou, mesmo quando nossa capacidade humana não consegue explicar completamente como essas verdades se encontram no conselho eterno de Deus.

A Bíblia ensina simultaneamente:

Deus elege.

Deus chama.

O Espírito Santo convence.

Cristo realizou uma obra suficiente para todos.

O Evangelho deve ser anunciado a todos.

Deus deseja a salvação dos homens.

O pecador é chamado ao arrependimento.

O pecador é responsável quando rejeita Cristo.

Todo aquele que crê recebe a vida eterna.

Nenhum pecador que venha verdadeiramente a Cristo será rejeitado.

Há um belo exemplo dessa combinação em Atos dos Apóstolos 18. Quando Paulo estava em Corinto, o Senhor lhe disse:

“Não temas, mas fala, e não te cales; porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (Atos dos Apóstolos 18:9-10).

O Senhor sabia quem seria salvo. Mas qual foi a consequência disso?

Paulo não deixou de evangelizar pensando: “Se Deus tem Seu povo aqui, então não preciso pregar”.

Foi exatamente o contrário:

“E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (Atos dos Apóstolos 18:11).

A eleição não destrói a evangelização; ela a encoraja.

  1. O mesmo Paulo que ensinou eleição desejava a salvação dos perdidos

Este ponto é especialmente importante.

Paulo, que escreveu extensamente sobre eleição e predestinação, também escreveu:

“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação” (Romanos 10:1).

Ele não raciocinava: “Se são eleitos, serão salvos; portanto, não preciso me preocupar”.

Pelo contrário, desejava ardentemente a salvação deles.

Poucos versículos depois escreveu:

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13).

E então apresenta a necessidade da evangelização:

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14).

Portanto, a soberania de Deus não elimina os meios que Ele determinou para alcançar os pecadores. Deus salva, mas determinou que o Evangelho fosse anunciado e que o pecador fosse chamado a crer.

  1. A Bíblia apresenta os dois lados sem constrangimento

Talvez nossa dificuldade esteja em querer fazer a Escritura responder perguntas filosóficas que ela não pretende responder.

Deuteronômio 29:29 estabelece um princípio muito útil:

“As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre.”

Há aspectos dos conselhos eternos de Deus que pertencem a Ele.

Aquilo que foi revelado a nós é claro:

“Deus... anuncia agora a todos os homens, e em todo lugar, que se arrependam” (Atos dos Apóstolos 17:30).

Também é claro:

“Quem crê no Filho tem a vida eterna; mas quem não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36).

Nossa responsabilidade, portanto, não é descobrir previamente quem foi ordenado para a vida eterna. Nossa responsabilidade é anunciar Cristo.

Depois que uma pessoa crê, pode olhar para trás e perceber que sua salvação não começou nela mesma, mas no propósito gracioso de Deus. Em vez de produzir orgulho, a eleição deveria produzir profunda humildade e adoração.

  1. Atos 13:46 e 13:48 devem permanecer juntos

Creio que esta seja uma das chaves mais importantes do texto.

Atos dos Apóstolos 13:46:

“Visto que a rejeitais...”

Responsabilidade humana.

Atos dos Apóstolos 13:48:

“Creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.”

Soberania divina.

Não devemos retirar nenhum dos dois versículos.

Se ficarmos somente com o versículo 46, poderemos acabar fazendo da salvação uma realização humana.

Se ficarmos somente com o versículo 48 e ignorarmos o restante das Escrituras, poderemos acabar eliminando a responsabilidade humana e restringindo indevidamente a oferta sincera do Evangelho.

A Escritura mantém ambos.

  1. A cruz é a base da proclamação universal

Finalmente, devemos distinguir entre a provisão realizada na cruz e a apropriação pessoal dessa provisão.

Cristo morreu e ressuscitou. A obra está consumada. O Evangelho pode agora ser anunciado indistintamente.

O Senhor Jesus disse:

“E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (João 12:32).

Paulo escreve:

“Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” (Segunda aos Coríntios 5:19).

Por isso o apóstolo continua:

“Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” (Segunda aos Coríntios 5:20).

A obra de Cristo fornece uma base perfeita para que possamos olhar para qualquer pessoa neste mundo e dizer sinceramente: “Creia no Senhor Jesus Cristo”.

Conclusão

Atos 13:48 não contradiz a universalidade da obra salvadora do Senhor Jesus. O versículo revela o lado soberano da salvação: aqueles gentios que creram estavam “ordenados para a vida eterna”.

Mas o mesmo contexto revela a responsabilidade humana, pois outros “rejeitaram” a Palavra de Deus e julgaram a si mesmos indignos da vida eterna.

A Escritura não nos autoriza a resolver uma dessas verdades eliminando a outra.

Podemos resumir assim:

A fonte da salvação está em Deus.

O fundamento da salvação está na obra consumada de Cristo.

O poder que opera na salvação é do Espírito Santo.

A mensagem da salvação deve ser anunciada a todos.

O convite do Evangelho é dirigido a todos.

A responsabilidade de crer é colocada sobre o pecador.

Aquele que rejeita Cristo é responsável por sua rejeição.

Aquele que vem a Cristo jamais será rejeitado.

E aquele que é salvo descobrirá que, por trás da sua fé, havia uma graça que o precedeu e um propósito eterno de Deus que jamais poderia conhecer antes de crer.

Assim, quando pregamos o Evangelho, não perguntamos ao pecador se ele é eleito. Dizemos:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

E quando ele crê, podemos dizer com toda a Escritura:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8).

A soberania pertence a Deus, a responsabilidade pertence ao homem, a salvação pertence ao Senhor, e toda a glória pertence ao Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Os cristãos parecem sempre ter um plano para impedir que o cristianismo continue influenciando nossa nação, discipulando as pessoas para a apatia política

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Os muçulmanos têm um plano para tornar a América uma nação muçulmana.

Os marxistas têm um plano para tornar a América uma nação marxista.

Os progressistas seculares têm um plano para tornar a América uma nação progressista secular.

Os cristãos parecem sempre ter um plano para impedir que o cristianismo continue influenciando nossa nação, discipulando as pessoas para a apatia política (“Não nos metemos com política”) ou para a ambiguidade política (“Jesus não é republicano nem democrata, nem de direita nem de esquerda” = aplicação primária do evangelho à cultura). Isso tem gerado resultados muito previsíveis nas últimas décadas.

Minha Resposta:

Compreendo a preocupação expressa nesse comentário, especialmente quando observamos mudanças morais profundas acontecendo na sociedade. Entretanto, para responder biblicamente, precisamos distinguir duas questões que muitas vezes são misturadas: a responsabilidade moral do cristão no mundo e o envolvimento do cristão na política partidária.

A Bíblia certamente não ensina que o cristão deve ser indiferente ao mal. Também não ensina que devemos assistir silenciosamente à injustiça, à imoralidade e à corrupção moral como se nada disso importasse. O Senhor Jesus disse:

“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).

E também:

“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).

Portanto, o cristão deve exercer influência. A grande questão é: que tipo de influência?

O Novo Testamento apresenta essa influência principalmente por meio do Evangelho, de uma vida santa, das boas obras, da verdade e do testemunho de Cristo, e não por meio da conquista do poder político.

  1. O Senhor Jesus viveu em um ambiente profundamente político

Quando o Senhor Jesus esteve neste mundo, Israel encontrava-se sob domínio romano. Havia corrupção, injustiça, impostos, opressão e profundas tensões políticas.

Se alguma geração poderia esperar que o Messias organizasse um movimento político, seria aquela.

Contudo, quando quiseram fazê-Lo rei, Ele retirou-Se:

“Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte” (João 6:15).

Mais tarde, diante de Pôncio Pilatos, declarou claramente:

“O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos” (João 18:36).

Observe cuidadosamente. O Senhor não disse que não possuía um reino. Ele disse que Seu reino não tinha sua origem neste mundo.

Cristo realmente reinará sobre este mundo. As profecias anunciam um reino literal, justo e glorioso do Messias. Porém, esse reino não será estabelecido por eleições, partidos políticos ou movimentos sociais. Será estabelecido pelo próprio Senhor Jesus Cristo em Sua manifestação gloriosa.

  1. Os apóstolos também viveram sob governos profundamente imorais

Quando Paulo escreveu aos Romanos, quem governava o Império Romano não era um governante cristão. Mesmo assim, Paulo não ensinou os cristãos a formar um movimento para conquistar Roma politicamente.

Ele escreveu:

“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus” (Romanos 13:1).

Pedro ensinou de maneira semelhante:

“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor” (1 Pedro 2:13).

Isso não significa obediência absoluta ao Estado. Quando a autoridade humana exige aquilo que contradiz diretamente a Palavra de Deus, permanece o princípio:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

Portanto, o cristão respeita as autoridades, cumpre as leis, paga seus impostos, vive honestamente e procura ser um cidadão exemplar. Entretanto, sua fidelidade suprema pertence a Cristo.

  1. A Bíblia manda o cristão orar pelos governantes

Há algo particularmente importante em 1 Timóteo 2:1-2:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.”

Paulo poderia ter instruído os cristãos sobre como conquistar influência dentro do governo romano. Em vez disso, ensinou-os a orar por aqueles que governavam.

Isso não é apatia.

Orar pelos governantes é reconhecer que acima de presidentes, reis, parlamentos, congressos e tribunais existe um Deus soberano.

Daniel declarou:

“O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer” (Daniel 4:25).

Provérbios também declara:

“Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o inclina” (Provérbios 21:1).

A confiança final do cristão, portanto, não está na urna eleitoral, mas no trono de Deus.

  1. “Não nos envolvemos em política” não significa “não nos importamos com a sociedade”

Aqui está uma distinção muito importante.

Um cristão pode denunciar biblicamente o aborto sem transformar o púlpito em plataforma eleitoral.

Pode defender o casamento conforme estabelecido por Deus em Gênesis 2:24 e confirmado pelo Senhor Jesus em Mateus 19:4-6 sem pertencer a um partido político.

Pode ensinar a verdade sobre sexualidade, família, criação, justiça, honestidade, autoridade e responsabilidade individual sem identificar o Evangelho com a direita ou com a esquerda.

Pode ajudar pobres, necessitados, viúvas, órfãos, estrangeiros e pessoas marginalizadas sem aderir a uma ideologia política.

Pode condenar racismo, violência, corrupção, imoralidade e injustiça porque a Palavra de Deus os condena.

Portanto, separação da política partidária não significa indiferença moral.

Pelo contrário, significa que nossa autoridade para definir o certo e o errado não vem de um partido, mas da Palavra de Deus.

  1. O cristianismo não precisa transformar uma nação em “nação cristã” para cumprir sua missão

Aqui talvez esteja o ponto fundamental.

A Grande Comissão não diz:

“Ide e conquistai os governos das nações.”

O Senhor Jesus disse:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19).

E:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

Em Atos dos Apóstolos 1:8, encontramos novamente:

“Ser-me-eis testemunhas.”

O objetivo é alcançar pessoas de todas as nações, não transformar cada nação numa versão política do cristianismo.

Há uma diferença enorme entre uma nação composta majoritariamente por pessoas influenciadas historicamente pelo cristianismo e o Reino de Deus.

Nenhum país moderno deve ser identificado com o Reino de Deus.

A Igreja também não substituiu Israel como uma nova nação político-territorial destinada a governar o mundo nesta dispensação.

A Igreja é um povo chamado para fora das nações e unido a Cristo.

  1. A verdadeira transformação começa no coração

Suponhamos que amanhã todas as leis de uma determinada nação fossem substituídas por leis moralmente excelentes. Isso transformaria pecadores em filhos de Deus?

Não.

Uma lei pode restringir determinadas manifestações do pecado, e isso certamente pode trazer benefícios sociais. Mas nenhuma legislação consegue produzir o novo nascimento.

O Senhor Jesus disse:

“Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).

O problema fundamental do homem não é político. É espiritual.

Cristo ensinou:

“Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Marcos 7:21-22).

Portanto, trocar governantes sem transformar corações nunca resolverá o problema fundamental da humanidade.

O Evangelho trabalha exatamente onde a política não consegue chegar: no coração.

  1. O cristianismo primitivo transformou sociedades sem possuir poder político

Este é um fato impressionante no livro de Atos dos Apóstolos.

Os primeiros cristãos não tinham presidentes, deputados, senadores, governadores ou partidos políticos cristãos. Humanamente falando, não tinham poder.

Mas tinham o Evangelho.

Em Tessalônica, seus adversários disseram:

“Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui” (Atos dos Apóstolos 17:6).

Como fizeram isso?

Pregando Cristo.

Vivendo vidas transformadas.

Formando igrejas locais.

Ensinando a Palavra.

Evangelizando.

Fazendo discípulos.

O cristianismo não conquistou inicialmente o mundo tomando o palácio de César; conquistou corações anunciando um Salvador crucificado e ressuscitado.

  1. “Jesus não é republicano nem democrata” é uma afirmação verdadeira, embora possa ser mal utilizada

A frase pode ser usada como desculpa para evitar questões morais difíceis. Nesse caso, seu uso é inadequado.

Mas a afirmação em si contém uma verdade importante: Jesus Cristo não pode ser colocado dentro de nenhuma plataforma política humana.

Nenhum partido pode dizer legitimamente: “Cristo pertence a nós.”

É melhor inverter a pergunta.

Não devemos perguntar: “Jesus está do lado da direita ou da esquerda?”

Devemos perguntar: “Eu estou do lado da verdade revelada por Deus?”

Em determinados assuntos, uma proposta política pode coincidir com princípios bíblicos. Em outros, poderá contradizê-los profundamente.

O cristão não deve modificar a Bíblia para ajustá-la ao seu partido preferido. Deve julgar todas as ideias humanas pela Palavra de Deus.

  1. Nossa cidadania principal está nos céus

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

A palavra usada transmite a ideia de cidadania ou comunidade política. O cristão vive neste mundo, mas pertence a outro.

Pedro emprega linguagem semelhante:

“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros” (1 Pedro 2:11).

Isso explica por que o cristão não pode depositar sua esperança definitiva em projetos nacionais.

Os Estados Unidos passarão.

O Brasil passará.

Portugal passará.

Todos os impérios, repúblicas e sistemas políticos humanos passarão.

Mas o Reino de Cristo permanecerá.

Daniel profetizou:

“O Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído” (Daniel 2:44).

  1. Isso significa que devemos permanecer silenciosos diante do pecado?

De maneira alguma.

João Batista repreendeu Herodes:

“Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18).

Ele não precisou tornar-se político para dizer ao governante que estava errado.

Paulo pregou diante de Félix “da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro”, a ponto de Félix ficar atemorizado (Atos dos Apóstolos 24:25).

Os cristãos devem falar.

Devemos anunciar a verdade.

Devemos defender aquilo que Deus chama de certo.

Devemos denunciar aquilo que Deus chama de pecado.

Mas há uma diferença entre falar profeticamente à sociedade e tornar a Igreja instrumento de um projeto partidário.

Quando a Igreja se identifica com um partido, inevitavelmente passa a carregar também os erros daquele partido.

Quando permanece identificada com Cristo, pode confrontar todos eles.

  1. A maior influência cristã sobre uma sociedade continua sendo espiritual

Imagine milhares de pessoas verdadeiramente convertidas a Cristo.

Maridos amando suas esposas conforme Efésios 5:25.

Esposas vivendo piedosamente.

Pais criando seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor, conforme Efésios 6:4.

Trabalhadores honestos.

Empresários honestos.

Jovens vivendo em pureza.

Cristãos ajudando necessitados.

Famílias restauradas.

Pessoas abandonando drogas, prostituição, mentira, corrupção e violência.

Igrejas pregando fielmente a Palavra de Deus.

Isso teria enorme influência social.

Mas seria consequência do Evangelho transformando pessoas, e não da Igreja conquistando o Estado.

O cristão é sal e luz justamente porque é diferente do sistema que procura iluminar.

  1. Cristo ainda governará este mundo

Finalmente, o cristão não é pessimista quanto ao futuro de Cristo.

O mundo não terminará nas mãos dos marxistas, dos progressistas, dos muçulmanos, dos conservadores, dos republicanos ou dos democratas.

Terminará sob a autoridade de Jesus Cristo.

Apocalipse 11:15 declara:

“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”

E Apocalipse 19:16 apresenta o Senhor Jesus como:

“REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES.”

Então haverá um governo perfeitamente justo.

Não haverá corrupção.

Não haverá fraude eleitoral.

Não haverá interesses partidários.

Não haverá lobby.

Não haverá injustiça legislativa.

Não haverá governante pecador ocupando o trono.

Isaías 9:6 declara:

“E o principado está sobre os seus ombros.”

O mundo ainda conhecerá o governo perfeito, mas somente quando conhecer o governo direto do Rei perfeito.

Conclusão

Portanto, eu não diria que o cristão que se mantém separado da política partidária está necessariamente promovendo “apatia política”.

A questão é outra.

O cristão foi chamado para uma missão superior: representar Cristo num mundo que O rejeitou.

Isso não significa fechar os olhos para a sociedade. Significa exercer influência segundo os meios que Deus estabeleceu: oração, Evangelho, santidade, boas obras, testemunho, verdade, amor ao próximo e fidelidade às Escrituras.

Podemos lamentar quando uma sociedade abandona princípios bíblicos. Podemos ensinar claramente contra o pecado. Podemos defender a verdade. Podemos aproveitar as liberdades civis que Deus nos concede. Devemos obedecer às autoridades enquanto elas não nos obrigarem a desobedecer a Deus.

Mas nunca devemos confundir o avanço do Evangelho com a vitória de um partido político.

Paulo não disse: “Nossa esperança está em Roma.”

Ele disse:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

É possível conquistar uma eleição e perder uma geração para Cristo.

Também é possível viver sob um governo hostil e ver o Evangelho avançar poderosamente, como aconteceu no primeiro século.

Nossa esperança não é que os cristãos consigam finalmente controlar os governos deste mundo.

Nossa esperança é uma Pessoa:

“aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13).

A Igreja não recebeu a missão de preparar o trono para Cristo mediante política. Cristo estabelecerá Seu próprio trono quando vier.

Até lá, nossa responsabilidade permanece clara:

“Pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

Josué Matos

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Portanto, ser cristão e participar da política não são coisas incompatíveis

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Um cristão pode participar da política, pois a Bíblia não apresenta uma proibição geral de ocupar cargos públicos ou de exercer a cidadania.

O ponto principal é como ele participa:

Deve agir com honestidade e justiça (Miquéias 6:8).

Não deve colocar o poder político acima de Deus (Atos dos Apóstolos 5:29).

Pode votar, participar de debates, ocupar cargos e buscar o bem da sociedade.

Deve evitar corrupção, mentira, violência e idolatria política.

Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).

Portanto, ser cristão e participar da política não são coisas incompatíveis. O cristão pode estar na política, mas sua fidelidade última deve ser a Deus.

Minha Resposta:

É verdade que a Bíblia ensina o cristão a respeitar as autoridades civis, obedecer às leis, pagar os seus impostos e viver como cidadão exemplar. Entretanto, é necessário fazer uma distinção importante: uma coisa é o cristão estar sujeito ao governo; outra, bem diferente, é envolver-se na administração política deste mundo.

Quando examinamos o ensino do Novo Testamento, não encontramos os apóstolos orientando os cristãos a procurar cargos políticos, organizar partidos, participar de campanhas eleitorais ou tentar transformar a sociedade por meio do poder político. Pelo contrário, encontramos o cristão apresentado como alguém cuja cidadania principal pertence a outra esfera:

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

A palavra traduzida por “cidade” nesse versículo traz a ideia de cidadania. Portanto, embora o cristão tenha responsabilidades civis no país onde vive, sua verdadeira cidadania é celestial.

Isso está em harmonia com as palavras do próprio Senhor Jesus diante de Pôncio Pilatos:

“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Essa declaração é fundamental para compreendermos a posição do cristão diante da política. Cristo não disse que não possui um reino. Ele possui. O ponto é que o Seu reino não deriva sua autoridade do atual sistema mundial. O Senhor acrescentou que, se Seu reino fosse deste mundo, Seus servos combateriam. Portanto, os discípulos de Cristo não receberam a missão de conquistar ou administrar os reinos deste mundo para estabelecer o reino de Deus.

  1. “Dai a César” não significa “governai com César”

Mateus 22:21 é frequentemente utilizado para defender o envolvimento político do cristão:

“Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

Mas o assunto daquela passagem não era a participação dos discípulos no governo romano. A pergunta feita ao Senhor era sobre o pagamento de tributos.

A moeda trazia a imagem e a inscrição de César. O Senhor reconheceu a responsabilidade civil de pagar aquilo que era devido ao governo.

Paulo ensina exatamente o mesmo princípio:

“Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Romanos 13:6-7).

Assim, “dar a César” significa reconhecer a autoridade civil estabelecida por Deus e cumprir nossas responsabilidades para com ela. Não significa que o cristão tenha recebido a responsabilidade de participar da disputa pelo poder político.

  1. Romanos 13 ensina submissão, não participação política

Romanos 13:1-7 é provavelmente a passagem mais importante sobre o relacionamento do cristão com o governo.

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus” (Romanos 13:1).

Observe a posição em que o Espírito Santo coloca o cristão: sujeito às autoridades.

O texto não diz que a Igreja deve conquistar o governo, controlar o Estado ou eleger representantes para implantar princípios cristãos. O ensino é que Deus estabeleceu a autoridade civil para conservar a ordem e restringir o mal.

Isso não significa que todos os governantes sejam bons ou que Deus aprove tudo aquilo que fazem. Quando Paulo escreveu Romanos, o Império Romano estava longe de representar os princípios cristãos. Mesmo assim, Paulo ensinou submissão às autoridades.

O governo humano é uma instituição estabelecida por Deus, mas isso não significa que todo ato praticado pelos governantes tenha a aprovação de Deus.

  1. Há um limite para a submissão

Neste ponto, Atos dos Apóstolos 5:29 realmente é importante:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.”

Entretanto, esse versículo também precisa ser observado em seu contexto.

Pedro e os outros apóstolos não estavam formando um movimento político contra o governo. Eles haviam recebido de Cristo a ordem de anunciar o Evangelho, e as autoridades queriam impedir essa pregação.

Quando a autoridade humana exige aquilo que Deus proíbe ou proíbe aquilo que Deus ordena, a autoridade divina é superior.

Esse princípio também aparece em Atos dos Apóstolos 4:19-20.

Portanto, o cristão deve obedecer ao governo enquanto essa obediência não o obrigar a desobedecer claramente a Deus.

  1. Qual é, então, a influência política indicada ao cristão?

A resposta apostólica é muito significativa:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2:1-2).

Observe que Paulo não manda Timóteo organizar os cristãos para colocar pessoas favoráveis à Igreja no governo. Ele manda os cristãos orarem pelos governantes.

E qual é o objetivo?

“Para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.”

Isso permite que a Igreja cumpra sua verdadeira missão.

A grande comissão deixada pelo Senhor não foi política:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

Da mesma maneira:

“Portanto, ide, ensinai todas as nações...” (Mateus 28:19).

O objetivo do Evangelho não é reformar o velho homem, mas anunciar-lhe a necessidade de uma nova vida. Não é simplesmente produzir uma sociedade moralmente melhor, mas chamar pecadores ao arrependimento e à fé no Senhor Jesus Cristo.

  1. O cristão é peregrino e forasteiro

Pedro apresenta outro princípio fundamental:

“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros...” (1 Pedro 2:11).

Logo depois, Pedro trata justamente do relacionamento do cristão com as autoridades:

“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor” (1 Pedro 2:13).

A combinação dessas duas verdades é muito importante.

Somos peregrinos e forasteiros, mas não somos rebeldes.

Não pertencemos ao sistema deste mundo, mas respeitamos suas autoridades.

Não procuramos controlar o governo, mas oramos pelos governantes.

Não participamos da corrupção deste mundo, mas procuramos viver de maneira irrepreensível diante dele.

Pedro resume isso admiravelmente:

“Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei” (1 Pedro 2:17).

Observe cuidadosamente a ordem: ao rei devemos honra; a Deus devemos temor e obediência suprema.

  1. E quanto a votar?

Aqui precisamos ser cuidadosos, porque não existe no Novo Testamento um mandamento dizendo literalmente: “não votarás”. O sistema eleitoral democrático moderno não existia da maneira como o conhecemos hoje.

Portanto, não devemos inventar um versículo que a Bíblia não contém.

Todavia, precisamos perguntar se participar da escolha daqueles que governarão este mundo é coerente com a posição celestial do cristão apresentada no Novo Testamento.

O princípio de Filipenses 3:20 pesa muito nessa questão: nossa cidadania está nos céus.

Além disso, o cristão que escolhe um candidato inevitavelmente se associa, em alguma medida, ao programa político que esse candidato e seu partido representam. Nenhum partido político representa integralmente a vontade de Deus. Em muitos casos, a mesma plataforma pode defender determinadas coisas compatíveis com princípios bíblicos e, simultaneamente, outras inteiramente contrárias às Escrituras.

Por isso, entendemos que a posição mais coerente com o caráter celestial, peregrino e separado da Igreja é não se envolver nas disputas partidárias deste mundo.

  1. E ocupar um cargo político?

Aqui a dificuldade torna-se ainda maior.

Um cristão que ocupa um cargo político não está simplesmente obedecendo às autoridades; passa a exercer autoridade dentro do sistema político.

Além disso, um governante precisa representar pessoas das mais diferentes convicções e executar leis que podem entrar diretamente em conflito com sua consciência diante de Deus.

O Novo Testamento fornece instruções detalhadas para cristãos como pais, filhos, maridos, esposas, empregados, patrões e cidadãos. Entretanto, é significativo que não encontremos instruções dirigidas aos cristãos ensinando-os a exercer cargos políticos.

José governou no Egito. Daniel exerceu posição elevada na Babilônia. Davi foi rei de Israel. Mas precisamos lembrar que esses homens pertenciam a uma dispensação diferente. Especialmente no caso de Israel, tratava-se de uma nação escolhida por Deus, com governo, território, legislação e promessas nacionais.

A Igreja não é Israel.

A Igreja não recebeu território terrestre nem a missão de governar as nações nesta presente dispensação.

Nossa vocação é celestial.

  1. Ser sal e luz não significa assumir o governo

Às vezes Mateus 5:13-16 é usado para justificar o envolvimento político:

“Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo.”

Mas como essa luz deve brilhar?

O próprio Senhor explica:

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16).

Portanto, o cristão influencia a sociedade principalmente por aquilo que é e pelo testemunho que dá.

Um patrão cristão deve ser justo.

Um empregado cristão deve ser honesto.

Um comerciante cristão não deve enganar.

Um cidadão cristão deve respeitar as leis.

Um cristão deve ajudar os necessitados.

Deve falar a verdade.

Deve defender aquilo que é biblicamente correto em sua vida e testemunho.

E, acima de tudo, deve anunciar Cristo.

Essa influência pode ser enorme sem transformar a Igreja num movimento político.

  1. O exemplo do próprio Senhor Jesus

Talvez o argumento mais forte esteja na vida do Senhor.

Ele viveu sob o domínio de Roma, num período de grandes injustiças políticas. Entretanto, nunca organizou um movimento para derrubar o Império Romano.

Quando alguém tentou envolvê-Lo numa disputa civil, Ele respondeu:

“Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?” (Lucas 12:14).

Quando quiseram fazê-Lo rei pela força, Ele retirou-Se:

“Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte” (João 6:15).

E diante de Pilatos declarou:

“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Não poderia haver exemplo mais claro.

  1. O cristão espera outro Rei

Existe ainda uma razão profética para nossa posição.

A esperança da Igreja não é finalmente eleger um governo perfeito. Nossa esperança é a vinda do Senhor Jesus Cristo.

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Somente Cristo estabelecerá justiça perfeita sobre a Terra.

Isaías profetizou:

“E o principado está sobre os seus ombros” (Isaías 9:6).

O governo perfeito não virá das urnas, das ideologias humanas nem dos partidos políticos. Virá quando o Rei dos reis assumir publicamente aquilo que Lhe pertence.

Conclusão

Portanto, eu faria uma correção importante à afirmação apresentada.

Concordo que o cristão deve ser honesto, justo, respeitador das autoridades, cumpridor de suas responsabilidades civis e absolutamente fiel a Deus. Concordo também que nenhuma autoridade humana está acima de Deus.

Mas não concordo que dessas verdades possamos concluir automaticamente que o cristão “pode votar, participar de debates, ocupar cargos” políticos.

Essas conclusões não aparecem nos textos apresentados.

Mateus 22:21 ensina responsabilidade diante de César.

Romanos 13:1-7 ensina submissão às autoridades.

1 Pedro 2:13-17 ensina sujeição e honra.

1 Timóteo 2:1-4 ensina oração pelos governantes.

Atos dos Apóstolos 5:29 estabelece o limite da obediência civil.

João 18:36 mostra que o reino de Cristo não é deste mundo.

Filipenses 3:20 declara que nossa cidadania está nos céus.

Assim, o cristão não deve ser indiferente às pessoas nem ao sofrimento existente na sociedade. Pelo contrário, deve fazer o bem, socorrer, testemunhar, evangelizar, orar pelos governantes e ser um cidadão exemplar. Mas sua missão não é conquistar o sistema político para Cristo.

Somos embaixadores de outro reino, peregrinos de passagem por este mundo e cidadãos de uma pátria celestial.

Enquanto os homens discutem quem deve governar, o cristão sabe quem finalmente governará:

“E no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16).

Nossa esperança não está em colocar o homem certo no trono.

Nossa esperança é a volta dAquele a quem o trono pertence.

Josué Matos

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