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Como devemos lidar com essas afirmações de que Darby ensinava coisas como batismo infantil e hierarquia entre igrejas?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Como devemos lidar com essas afirmações de que Darby ensinava coisas como batismo infantil e hierarquia entre igrejas, e como discernir corretamente essas questões à luz da Palavra?

Minha Resposta:

A sua preocupação é legítima, e revela exatamente aquilo que o próprio Espírito de Deus valoriza: discernimento espiritual baseado na Palavra, e não em opiniões humanas. O texto que você citou é muito apropriado: 2 Pedro 2:1 nos alerta que falsos mestres introduziriam heresias de forma dissimulada, ou seja, misturando verdade com erro.

Primeiro ponto: sobre política e identidade cristã

A afirmação de que todo cristão conservador é “de direita” não tem base bíblica. A Palavra de Deus ensina claramente que o crente possui uma cidadania celestial (Filipenses 3:20). Ele pode exercer responsabilidades civis (Romanos 13:1-7), mas não deve se identificar ideologicamente como se isso definisse sua fé. O Senhor Jesus declarou: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Portanto, reduzir o cristianismo a categorias políticas é uma distorção.

Segundo ponto: sobre Darby e acusações históricas

Quanto às afirmações sobre Darby, é preciso muito cuidado. Ao longo da história, muitos homens de Deus foram mal interpretados, deturpados ou até acusados injustamente. A única forma segura de avaliar qualquer ensino — seja de Darby, McNair ou qualquer outro — é compará-lo com a Escritura.

Os bereanos são o exemplo correto: “examinavam cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:11).

Sobre batismo infantil: a prática não encontra base clara no Novo Testamento. O padrão bíblico é fé seguida de batismo (Marcos 16:16; Atos 8:36-38). Portanto, se alguém ensinou algo diferente disso, deve ser examinado e rejeitado à luz da Escritura, independentemente de quem seja.

Sobre hierarquia de igrejas: o Novo Testamento não ensina uma igreja central dominando outras. Pelo contrário, vemos assembleias locais com responsabilidade direta diante do Senhor. Em Atos 14:23, presbíteros são estabelecidos em cada igreja. Em 1 Coríntios 1:2, vemos a igreja de Deus em Corinto, sem qualquer menção de subordinação a outra igreja. Isso exclui a ideia de uma estrutura hierárquica semelhante ao sistema romano.

Terceiro ponto: a transição da era apostólica

Esse é um ponto essencial para o discernimento. Durante o período apostólico, havia autoridade direta dos apóstolos (Efésios 2:20). Com o fim desse período, a igreja não ficou sem direção, mas passou a depender exclusivamente da Palavra de Deus.

Atos 20:29-30 já previa a corrupção que viria após a partida dos apóstolos. Por isso, hoje não seguimos homens, tradições ou sistemas, mas a Escritura.

A história mostra que, após a era apostólica, houve um afastamento progressivo da simplicidade bíblica, levando à formação de sistemas religiosos organizados. Esse processo ajuda a entender muitas práticas que surgiram depois, mas não as justifica biblicamente.

Quarto ponto: a importância do discernimento

Você mencionou algo muito importante: discernimento.

Esse discernimento não vem de opiniões pessoais, mas de uma mente formada pela Palavra de Deus (Hebreus 5:14). Isso implica:

  • Examinar tudo (1 Tessalonicenses 5:21)
  • Reter o que é bom
  • Rejeitar o que não está de acordo com a Escritura

Nem tudo deve ser aceito, e nem tudo deve ser rejeitado automaticamente. O caminho é sempre o mesmo: a Palavra de Deus como padrão absoluto.

Quinto ponto: equilíbrio ao ler autores

Devemos ler autores com proveito, mas nunca com dependência. Nenhum homem é autoridade final. Como está escrito: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11).

Até mesmo homens usados por Deus tiveram limitações. Isso não invalida tudo o que escreveram, mas exige discernimento na leitura.

Conclusão

O problema hoje não é apenas o erro declarado, mas o erro misturado com verdade. Por isso, a necessidade de voltar constantemente à Escritura.

As questões levantadas nesses vídeos e estudos históricos devem ser analisadas com cuidado, pois muitas vezes há interpretações parciais ou tendenciosas sobre homens como Darby e outros.

O caminho seguro permanece o mesmo:

  • Cristo como centro
  • A Palavra de Deus como autoridade
  • A igreja local como expressão prática
  • E discernimento espiritual constante

Como você mesmo mencionou, o exemplo dos bereanos é o modelo perfeito.

Josué Matos

Discutir doutrina é perda de tempo?

Alguém que me escreveu no YouTube:

Essa discussão do seu vídeo: A ‘Igreja Presbiteriana’ é a verdadeira Igreja de Cristo? Josué Matos, é pura perda de tempo… Não adianta discutir doutrinas… Cada igreja tem a sua… Nas questões essenciais, unidade; nas secundárias, liberdade…

Minha Resposta:

Com todo respeito, o seu comentário parte de uma ideia muito comum hoje, mas que não se sustenta quando examinamos cuidadosamente as Escrituras.

É verdade que há pontos essenciais ligados à salvação — como a Pessoa de Cristo, Sua morte expiatória, o pecado do homem, o arrependimento e a fé. Porém, a Palavra de Deus nunca separa “doutrina” em essencial e secundária no sentido de permitir liberdade para cada grupo estabelecer o que quiser.

Em Atos dos Apóstolos 2:42 lemos que os primeiros crentes “perseveravam na doutrina dos apóstolos”. Não diz que perseveravam apenas em parte dela, mas na doutrina como um todo. A doutrina apostólica não era fragmentada, nem adaptada a diferentes grupos.

Além disso, em 1 Timóteo 4:16 está escrito: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. E em 2 João 1:9: “Qualquer que prevarica e não persevera na doutrina de Cristo não tem a Deus”. Isso mostra que a doutrina não é algo secundário, mas vital para a comunhão com Deus.

A ideia de que “cada igreja tem a sua doutrina” não encontra base bíblica. Pelo contrário, a Escritura apresenta uma só verdade, um só ensino, vindo de Deus. Em 1 Coríntios 1:10, o apóstolo Paulo exorta: “que todos digais a mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões”. Ou seja, a vontade de Deus não é diversidade doutrinária, mas unidade na verdade.

O próprio ensino do Antigo Testamento já apontava para a importância da fidelidade total à Palavra de Deus. O povo era constantemente advertido a não acrescentar nem tirar nada daquilo que Deus havia revelado . Esse princípio permanece no Novo Testamento (Apocalipse 22:18-19).

Outro ponto importante: dizer que todas as igrejas evangélicas são igualmente igrejas de Cristo apenas porque têm “Cristo no centro” é uma simplificação perigosa. Muitas podem usar o nome de Cristo, mas ensinar coisas diferentes ou até contrárias à Palavra. O Senhor Jesus advertiu sobre isso em Mateus 7:21-23.

A Igreja de Deus, segundo a Escritura, não é definida por um nome denominacional, mas por aqueles que se reúnem ao nome do Senhor Jesus, guardando a Sua Palavra e reconhecendo a autoridade das Escrituras acima de tradições humanas (Mateus 18:20; 2 Timóteo 3:16-17).

Portanto, discutir doutrina não é perda de tempo. Pelo contrário, é necessário, porque a verdade de Deus precisa ser conhecida, guardada e praticada. Em Judas 1:3 somos exortados a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”.

A unidade verdadeira não é construída ignorando diferenças, mas permanecendo na verdade revelada por Deus.

Josué Matos

O arrebatamento também se encaixa no Dia do Senhor, afinal o arrebatamento é agir do Altíssimo?

Alguém que me escreveu no YouTube:

Perfeito seu comentário, mas eu chego à conclusão que o arrebatamento também se encaixa no Dia do Senhor, afinal o arrebatamento é agir do Altíssimo. Então, para mim, o Dia do Senhor começa com o arrebatamento dos vencedores.

Minha Resposta:

É importante distinguir, com base nas Escrituras, entre o arrebatamento da Igreja e o chamado Dia do Senhor, pois embora ambos sejam atos de Deus, não são o mesmo evento nem pertencem ao mesmo período.

O arrebatamento está relacionado diretamente com a Igreja e com o evangelho da graça. Ele é apresentado como um evento de caráter celestial, secreto para o mundo, no qual o Senhor Jesus vem buscar os seus. Em 1 Tessalonicenses 4:16-17 vemos que os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro e os vivos serão arrebatados juntamente com eles para encontrar o Senhor nos ares. Não há juízo sobre o mundo nesse momento, mas consolação para os salvos (1 Tessalonicenses 4:18).

Já o Dia do Senhor tem um caráter completamente diferente. Nas Escrituras, especialmente em profetas como Isaías, Joel e Sofonias, esse “dia” é descrito como um período de juízo, ira e intervenção pública de Deus sobre a terra. Em 1 Tessalonicenses 5:2-3, ele vem “como o ladrão de noite”, trazendo destruição repentina sobre os que dizem “paz e segurança”.

Portanto, o arrebatamento não é o início do Dia do Senhor, mas sim o evento que o antecede. Ele encerra o período da graça (iniciado em Atos 2) e remove a Igreja da terra. Depois disso, inicia-se uma nova fase nos caminhos de Deus com o mundo, preparando o cenário para os juízos que caracterizam o Dia do Senhor.

Essa distinção está em harmonia com o fato de que Deus trata de formas diferentes com a Igreja e com o mundo. A Igreja não é destinada à ira (1 Tessalonicenses 5:9), enquanto o Dia do Senhor é precisamente o tempo em que essa ira será manifestada.

Além disso, a própria estrutura das Escrituras mostra que Deus age em diferentes dispensações, sem contradição, mas com propósito definido. Há uma progressão nos seus caminhos, conforme se vê ao longo da revelação bíblica . O período atual é o da graça; o Dia do Senhor pertence ao tempo de juízo e restauração futura.

Assim, embora o arrebatamento seja, de fato, um agir do Altíssimo, ele não deve ser confundido com o Dia do Senhor. Ele é um evento distinto, anterior, e voltado exclusivamente para a Igreja, enquanto o Dia do Senhor é um período mais amplo de intervenção divina sobre a terra, envolvendo juízo e estabelecimento do reino.

Agora, acrescentando ao ponto que você levantou sobre “o arrebatamento dos perfeitos” ou “dos vencedores”, é importante tratar isso com muito cuidado à luz das Escrituras.

A Palavra de Deus não ensina que haverá um arrebatamento parcial, isto é, que apenas alguns crentes mais espirituais, mais fiéis ou “vencedores” serão arrebatados primeiro, deixando outros para trás. Pelo contrário, o ensino apostólico apresenta o arrebatamento como um evento que abrange todos os que estão em Cristo.

Em 1 Coríntios 15:51-52 está escrito: “Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados”. Note a expressão “todos”. Não há divisão dentro do corpo de Cristo nesse momento. Todos os salvos participam dessa transformação.

Da mesma forma, em 1 Tessalonicenses 4:16-17, não há distinção entre crentes mais ou menos fiéis. O texto fala dos “mortos em Cristo” e dos “vivos que ficarmos”, ou seja, todos os que pertencem a Cristo. Não diz “alguns”, nem “os mais espirituais”, mas todos os que estão em Cristo.

Isso está ligado a uma verdade fundamental: a Igreja é o corpo de Cristo. Em Efésios 5:30 lemos que somos “membros do seu corpo”. Seria inconcebível que Cristo viesse buscar apenas parte do seu corpo e deixasse outra parte para trás. A unidade do corpo impede essa ideia.

A questão dos “vencedores”, mencionada especialmente em Apocalipse capítulos 2 e 3, não se refere a um grupo seleto que será arrebatado antes dos demais, mas descreve o caráter normal do verdadeiro crente. Em 1 João 5:4-5 está claro: “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé… quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?”. Ou seja, todo verdadeiro salvo é um vencedor, porque nasceu de Deus.

Portanto, não existe uma classe especial de “crentes perfeitos” que serão arrebatados antes dos outros. A perfeição do crente não está em si mesmo, mas em Cristo. Em Hebreus 10:14 lemos que, por uma só oferta, Ele “aperfeiçoou para sempre os que são santificados”. Essa perfeição é posicional, baseada na obra do Senhor Jesus, não no desempenho espiritual do crente.

É verdade que haverá diferença de recompensa. Em 1 Coríntios 3:13-15 vemos que as obras de cada um serão provadas, e alguns receberão galardão enquanto outros sofrerão perda. Mas isso acontece após o arrebatamento, no tribunal de Cristo, e não determina quem será arrebatado.

Assim, a ideia de um “arrebatamento dos perfeitos” ou de “vencedores” como um grupo separado não encontra base no ensino claro das Escrituras. Todos os que são de Cristo serão arrebatados, porque pertencem a Ele, não por mérito próprio, mas pela graça.

Concluindo: o arrebatamento não é para um grupo seleto de crentes mais espirituais, mas para toda a Igreja, todos os que estão em Cristo.

Josué Matos

A Igreja Presbiteriana chamou a Igreja Congregação Cristã no Brasil de seita

 Alguém que me escreveu no YouTube::

A Igreja Presbiteriana chamou a Igreja Congregação Cristã no Brasil de seita. É uma desonestidade do pastor Augustus Nicodemus?

Minha Resposta:

Bem, a questão não deve ser tratada com base em ataques pessoais, mas à luz da Palavra de Deus, com discernimento espiritual e sobriedade.

Primeiramente, é importante entender que, biblicamente, o termo “seita” não deve ser usado de forma leviana ou meramente como acusação entre grupos. A própria Escritura usa a palavra em diferentes sentidos. Em Atos dos Apóstolos 24:14, o apóstolo Paulo diz: “confesso-te, porém, que, conforme aquele caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais”. Ou seja, o termo era usado muitas vezes como acusação externa, não necessariamente como definição correta diante de Deus.

Por outro lado, a Palavra de Deus também alerta contra divisões e ensinos humanos que se afastam da verdade. Em Gálatas 5:20, entre as obras da carne aparecem as “heresias” (ou seitas), mostrando que aquilo que divide e se afasta da doutrina de Cristo é reprovado por Deus.

Assim, o ponto principal não é defender instituições, mas examinar tudo pela Escritura. Como está em 1 Tessalonicenses 5:21: “Examinai tudo. Retende o bem.”

Outro princípio fundamental é que a Igreja de Deus, conforme revelada no Novo Testamento, não é uma organização denominacional, mas o corpo de Cristo, formado por todos os salvos (Efésios 1:22-23). As divisões em sistemas religiosos organizados, com nomes próprios e doutrinas particulares, não refletem o modelo simples da igreja local que vemos em Atos dos Apóstolos.

A própria Escritura mostra que, desde cedo, haveria desvios e sistemas humanos se formando. Em 2 Timóteo 2:20, lemos: “numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro”. Isso indica uma mistura no testemunho cristão ao longo do tempo.

Portanto, ao avaliar qualquer grupo — seja presbiteriano, congregação cristã ou qualquer outro — o critério não deve ser opinião de homens, mas:

  • Se está fundamentado somente na Palavra de Deus
  • Se reconhece a suficiência da obra de Cristo
  • Se evita tradições humanas como autoridade
  • Se mantém a simplicidade da doutrina apostólica

Acusar ou defender sem esse exame pode levar a julgamentos precipitados.

Além disso, devemos lembrar o ensino de Romanos 14:4: “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai.” Isso nos chama à cautela e humildade.

Por fim, quanto a chamar alguém de desonesto, isso já entra no campo do julgamento de intenções, algo que a Escritura nos orienta a evitar. Em 1 Coríntios 4:5 está escrito: “não julgueis antes de tempo… o Senhor… manifestará os desígnios dos corações.”

O mais seguro é permanecer firme na verdade da Palavra, com espírito de mansidão, como ensina 2 Timóteo 2:24-25, corrigindo com brandura os que pensam diferente.

A verdadeira questão não é qual grupo está certo por afirmação humana, mas quem está realmente sujeito à Palavra de Deus.

Josué Matos