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O senhor Josué Matos disse que as bodas do Cordeiro acontecem no céu; qual base bíblica?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O senhor Josué Matos disse que as bodas do Cordeiro acontecem no céu; qual base bíblica?

Minha Resposta:

A base bíblica está principalmente na sequência dos acontecimentos de Apocalipse 19.

Apocalipse 19:7-8 diz:

“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.”

Observe a sequência do próprio capítulo.

Primeiro, João está contemplando uma cena celestial. Apocalipse 19:1 começa dizendo:

“E, depois destas coisas, ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão...”

É nesse contexto celestial que, poucos versículos depois, são anunciadas as bodas do Cordeiro.

Depois, em Apocalipse 19:7-8, a esposa já está preparada e vestida de linho fino. Isso é importante porque o próprio texto explica que “o linho fino são as justiças dos santos”. A Igreja aparece, portanto, já preparada para as bodas.

Então chegamos a Apocalipse 19:11:

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro...”

Agora Cristo sai do céu para vir à terra.

E no versículo 14 lemos:

“E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro.”

Veja a sequência:

Arrebatamento da Igreja → Igreja com Cristo → Tribunal de Cristo → preparação da Noiva → bodas do Cordeiro → céu se abre → Cristo vem à terra acompanhado dos Seus.

Isso concorda também com João 14:2-3. O Senhor Jesus disse:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas [...] vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também.”

Cristo não prometeu simplesmente vir buscar a Igreja para deixá-la na terra. Ele prometeu levá-la para estar onde Ele está.

Isso também concorda com 1 Tessalonicenses 4:16-17:

“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

Portanto, é importante esclarecer uma coisa: não existe um versículo isolado dizendo literalmente: “As bodas do Cordeiro acontecerão no céu”. A conclusão vem da sequência profética apresentada pelas Escrituras.

Em Apocalipse 19, as bodas são anunciadas no cenário celestial, a esposa já está preparada e, imediatamente depois, o céu se abre e Cristo sai dele para voltar à terra, acompanhado por aqueles que estão vestidos de linho fino.

Há ainda uma distinção importante entre as bodas do Cordeiro e a ceia das bodas do Cordeiro. Apocalipse 19:7 fala das bodas; o versículo 9 fala daqueles que são “chamados à ceia das bodas do Cordeiro”. Não devemos necessariamente confundir a união nupcial de Cristo com Sua Igreja com todas as festividades relacionadas ao estabelecimento do Reino.

Assim, quando digo que as bodas do Cordeiro acontecem no céu, não estou baseando isso numa frase isolada, mas na ordem dos acontecimentos revelada especialmente em Apocalipse 19:1-14.

A Igreja é arrebatada para estar com Cristo; apresenta-se diante dEle; a Noiva aparece preparada; as bodas são anunciadas; depois o céu se abre e Cristo vem à terra acompanhado dos Seus. Essa é a base bíblica para entendermos que as bodas acontecem no céu, antes da manifestação gloriosa de Cristo à terra.

Josué Matos

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Irmão Josué, criar uma linha divisória entre ‘nós e eles’ é sectarismo

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão Josué, criar uma linha divisória entre ‘nós e eles’ é sectarismo. Todas as seitas cristãs fazem isso. Eu não pretendo mais comentar nas suas postagens; será uma perda de tempo.

Gastei mais de 30 anos de ministério combatendo um inimigo chamado ‘denominacionalismo’. Esse inimigo não existe. Nossos irmãos que não fazem parte da nossa ‘tradição’ são amados do Senhor. É muita arrogância achar que somos melhores que eles porque não usamos isso ou aquilo. Nossa responsabilidade é cuidar do rebanho que o Senhor nos confiou, com fidelidade, e aguardar o Tribunal de Cristo.

Grande abraço, irmão.

Minha resposta:

Agradeço pela sinceridade e respeito a sua decisão de não continuar a discussão. Entretanto, gostaria de esclarecer uma questão fundamental, porque me parece que estamos atribuindo sentidos diferentes às mesmas palavras.

Eu concordo plenamente quando afirma que os verdadeiros salvos que estão em diferentes denominações são amados do Senhor. Nunca afirmei que somos melhores do que eles. Muito menos afirmaria que somente aqueles que se reúnem como nós são salvos. Tal pensamento seria contrário à Palavra de Deus.

A salvação não depende de alguém pertencer a uma determinada igreja local, denominação ou grupo. Somos salvos exclusivamente pela graça de Deus, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8).

Portanto, há irmãos verdadeiramente salvos em diferentes lugares. Eles pertencem ao mesmo Corpo de Cristo ao qual eu pertenço. Se nasceram de novo e possuem o Espírito Santo, são meus irmãos em Cristo.

Mas é exatamente aqui que precisamos fazer uma distinção importante: uma coisa é a posição de um crente no Corpo de Cristo; outra coisa é a maneira como esse crente deve reunir-se e servir ao Senhor numa igreja local.

Efésios 4 não ensina que, porque existe um só Corpo, todas as formas de organização eclesiástica passam a ser igualmente bíblicas.

Muito pelo contrário.

Paulo diz:

“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos” (Efésios 4:3-6).

Observe cuidadosamente: Paulo não manda criar a unidade. Ela já existe. Ele manda guardá-la.

Quem criou essa unidade foi o Espírito Santo.

A pergunta, portanto, é esta: como devemos expressar visivelmente essa unidade que Deus já criou?

É justamente aqui que surge a dificuldade com o denominacionalismo.

Quando os coríntios começaram a identificar-se com determinados homens, Paulo não considerou isso uma diferença insignificante. Alguns diziam:

“Eu sou de Paulo.”

Outros:

“Eu, de Apolo.”

Outros:

“Eu, de Cefas.”

E outros:

“Eu, de Cristo.”

Qual foi a resposta de Paulo?

“Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:12-13).

Essa pergunta é extremamente importante.

Paulo não disse: “Não há problema, pois todos creem no mesmo Evangelho”.

Ele perguntou: “Está Cristo dividido?”

Por quê?

Porque estavam criando dentro do povo de Deus identidades que não deveriam existir.

O problema não era Paulo. Paulo era um excelente servo de Deus.

O problema não era Apolo. Apolo era “poderoso nas Escrituras” (Atos dos Apóstolos 18:24).

O problema não era Cefas.

O problema era transformar servos de Deus em centros de identificação entre os santos.

Por isso Paulo escreve:

“Que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10).

Então precisamos perguntar: se dizer “eu sou de Paulo” era errado no primeiro século, por qual princípio bíblico passaria a ser correto identificar os cristãos posteriormente pelos nomes de homens, movimentos, doutrinas particulares ou sistemas religiosos?

Não estou julgando os irmãos que se encontram nesses sistemas. Estou examinando o sistema à luz das Escrituras.

Essa distinção é essencial.

Posso amar profundamente um irmão batista sem acreditar que “Batista” seja uma identidade dada pela Bíblia à Igreja.

Posso amar um irmão presbiteriano sem encontrar no Novo Testamento autorização para dividir os cristãos entre presbiterianos e outros grupos.

Posso reconhecer como irmão alguém pertencente a uma igreja pentecostal sem, por isso, precisar aceitar todas as suas doutrinas e práticas.

Amar o irmão não significa necessariamente aprovar o sistema religioso ao qual ele pertence.

Da mesma maneira, reconhecer que alguém pertence ao Corpo de Cristo não significa que devemos necessariamente participar de tudo aquilo que ele pratica.

Esse princípio aparece claramente em toda a Escritura.

O próprio apóstolo Paulo, que ensinou tão fortemente a unidade do Corpo, também escreveu:

“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Romanos 16:17).

Veja como é interessante: o mesmo Paulo que diz “há um só Corpo” também diz “desviai-vos deles”.

Logo, unidade bíblica e separação bíblica não são contraditórias.

Existe uma separação que nasce do orgulho, e essa é pecaminosa. Mas existe também uma separação que nasce da obediência à Palavra de Deus.

Paulo escreveu ainda:

“Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade” (2 Timóteo 2:19).

Portanto, o argumento “não devemos estabelecer nenhuma linha de separação” precisa ser qualificado. A própria Escritura estabelece linhas de separação.

Em 2 João 9-11, por exemplo, há separação por causa de doutrina acerca de Cristo.

Em 1 Coríntios 5, há separação por causa de pecado moral.

Em Romanos 16:17, há separação daqueles que causam divisões contrárias à doutrina apostólica.

Em 2 Timóteo 2:19-22, há o princípio de afastar-se daquilo que desonra o Senhor e seguir “a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor”.

Portanto, não podemos transformar “unidade” em comunhão sem critérios.

Há ainda outro ponto da mensagem do irmão que merece consideração. O irmão diz que certas questões seriam apenas “liturgia, usos e costumes” e que não deveriam causar separação.

Concordo que existem questões secundárias e diferenças pessoais que nunca deveriam dividir os santos. Romanos 14 trata justamente de diferenças dessa natureza.

Mas nem tudo o que acontece numa igreja local pode ser colocado na categoria de “usos e costumes”.

Por exemplo: quem governa a igreja local? Isso é apenas costume?

Como são reconhecidos os anciãos? É apenas costume?

Quem exerce publicamente o ministério da Palavra? É apenas tradição?

A Ceia do Senhor é apenas questão litúrgica?

A disciplina da igreja é apenas costume?

O sacerdócio de todos os crentes é apenas uma preferência histórica?

A autoridade da Palavra de Deus sobre as reuniões da igreja é apenas uma tradição surgida no século XIX?

Não podemos reduzir aquilo que os apóstolos ensinaram acerca da igreja local à categoria de “liturgia”.

Paulo escreveu:

“Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina” (1 Timóteo 1:3).

E também:

“Estas coisas te escrevo, esperando ir ver-te bem depressa; mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (1 Timóteo 3:14-15).

Observe a expressão: “como convém andar na casa de Deus”.

Isso mostra que Deus não deixou a organização e o funcionamento da igreja local inteiramente entregues à criatividade humana.

Existe uma ordem.

Existe doutrina.

Existem princípios.

Existe autoridade apostólica registrada nas Escrituras.

Por isso, quando procuramos reunir-nos somente ao nome do Senhor Jesus, a questão não deve ser: “Somos melhores que os outros?”

De maneira nenhuma.

A pergunta correta é: “O que está escrito?”

O Senhor Jesus disse:

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).

O centro é Cristo.

Não um movimento.

Não um fundador.

Não uma tradição histórica.

Não “os irmãos”.

Não uma denominação.

Cristo.

E aqui concordo com uma preocupação do irmão: se alguém disser “eu sou dos irmãos” com o mesmo espírito partidário com que outro diz “eu sou de Paulo”, “eu sou de Apolo” ou “eu sou de determinada denominação”, caiu exatamente no erro condenado em 1 Coríntios 1.

Não usar placa não torna ninguém automaticamente bíblico.

Não possuir um nome denominacional também não torna uma igreja automaticamente fiel.

Podemos rejeitar todos os nomes denominacionais e, ainda assim, desenvolver orgulho sectário.

Podemos dizer que nos reunimos somente ao nome do Senhor e, na prática, agir como se o nosso círculo fosse o Corpo de Cristo inteiro.

Isso também estaria errado.

Mas o abuso de uma verdade não anula a verdade.

Se alguns transformaram a posição não denominacional numa espécie de “denominação sem nome”, devemos corrigir esse espírito, não abandonar o princípio bíblico.

Jamais deveríamos dizer: “Nós somos o Corpo de Cristo”.

Devemos dizer: “Somos parte do Corpo de Cristo”.

Jamais deveríamos pensar: “Somente entre nós existem verdadeiros cristãos”.

Devemos reconhecer cada verdadeiro filho de Deus como membro do Corpo de Cristo.

Mas, ao mesmo tempo, devemos perguntar individualmente: “Senhor, como Tu queres que eu me reúna?”

Sobre a questão histórica, também precisamos ter cuidado. Nossa autoridade não vem de uma suposta sucessão histórica desde os apóstolos.

Eu não preciso provar que uma determinada congregação possui uma cadeia histórica ininterrupta desde o primeiro século para obedecer hoje ao Novo Testamento.

Imagine que durante séculos ninguém praticasse determinada verdade bíblica. Se amanhã alguém abrir a Bíblia, encontrar aquela verdade e obedecer-lhe, ela não passa a ser uma doutrina nova.

A sua autoridade não começa amanhã.

Sua autoridade estava nas Escrituras desde o princípio.

Portanto, a pergunta fundamental não é: “Em que século começou o movimento dos irmãos?”

A pergunta é: “Esses princípios estão ou não estão no Novo Testamento?”

Atos dos Apóstolos 2:42 diz:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.”

Isso não foi escrito no século XIX.

Atos dos Apóstolos 20:7 mostra os discípulos reunidos no primeiro dia da semana para partir o pão.

Isso não começou no século XIX.

Filipenses 1:1 menciona “bispos e diáconos”, mostrando a liderança local.

Isso não surgiu no século XIX.

1 Pedro 2:5 ensina o sacerdócio dos crentes.

Isso não começou no século XVI nem no século XIX.

1 Coríntios 14 apresenta o exercício dos dons na reunião da igreja.

Isso não foi inventado por qualquer movimento moderno.

Mateus 18:20 apresenta Cristo como centro da reunião dos Seus.

Portanto, não estamos obrigados a defender um movimento histórico. Estamos obrigados a perguntar se aquilo que fazemos encontra fundamento na Palavra de Deus.

Quanto ao crescimento numérico, precisamos ter ainda mais cautela.

Uma igreja diminuir numericamente não prova que sua doutrina esteja errada, assim como uma igreja crescer numericamente não prova que sua doutrina esteja certa.

Se números fossem o critério da verdade, muitas religiões falsas teriam de ser consideradas verdadeiras.

O Senhor Jesus disse à igreja em Filadélfia:

“Tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome” (Apocalipse 3:8).

Pouca força, mas fidelidade.

Isso não significa que devemos ficar indiferentes à evangelização. Muito pelo contrário. Precisamos evangelizar mais, alcançar os jovens, utilizar todos os meios legítimos disponíveis e levar o Evangelho onde as pessoas estão.

Paulo dizia:

“Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9:22).

Podemos mudar métodos.

Podemos usar internet, vídeos, redes sociais, aplicativos, transmissões e outros meios que Paulo jamais conheceu.

Podemos mudar a maneira de comunicar sem mudar a mensagem.

Mas nunca devemos alterar princípios da Palavra de Deus simplesmente porque determinado modelo parece produzir melhores resultados numéricos.

Finalmente, irmão, quero deixar muito claro: não tenho qualquer dificuldade em chamá-lo de irmão em Cristo, nem considero inferiores os verdadeiros crentes que estão nas denominações.

Há muitos irmãos piedosos, dedicados e espirituais nesses lugares, alguns dos quais talvez tenham uma vida cristã muito mais consagrada do que a minha.

A questão não é “quem é melhor?”

Essa pergunta nem deveria existir entre nós.

A questão é: “O que ensinam as Escrituras?”

Também não estou defendendo a separação por preferências pessoais, gostos, costumes culturais ou orgulho religioso. Devemos lutar contra esse espírito.

Mas também não podemos chamar toda separação de sectarismo, porque a própria Palavra de Deus ordena separação em determinadas circunstâncias.

O equilíbrio bíblico é este:

“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Efésios 4:3).

E, ao mesmo tempo:

“Qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade” (2 Timóteo 2:19).

Unidade sem verdade torna-se ecumenismo.

Separação sem amor torna-se sectarismo.

O caminho bíblico é guardar a verdade em amor:

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15).

Portanto, irmão, não quero levantar uma barreira entre “nós” e “eles”. Quero reconhecer como irmão todo aquele que verdadeiramente pertence a Cristo.

Entretanto, reconhecer todos os salvos como meus irmãos não me dá liberdade para tratar como indiferente aquilo que a Palavra de Deus ensina acerca da igreja local.

A minha responsabilidade não é provar que “meu grupo” está certo.

Minha responsabilidade é abrir as Escrituras e perguntar:

“Senhor, o que queres que eu faça?”

Se descobrirmos que alguma coisa que praticamos não está de acordo com a Palavra de Deus, devemos abandoná-la, ainda que nossos pais e avós a tenham praticado.

E, se descobrirmos que determinada verdade está claramente ensinada na Palavra, devemos obedecê-la, ainda que sejamos poucos.

Não se trata de sermos melhores do que nossos irmãos.

Trata-se simplesmente de reconhecermos que Cristo é Senhor, inclusive da Sua igreja.

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja” (Colossenses 1:18).

Se Ele é a Cabeça, cabe a nós obedecer.

Grande abraço, irmão. Que possamos continuar amando sinceramente todos os que pertencem ao Senhor Jesus, sem sacrificar a verdade e sem permitir que a defesa da verdade nos faça perder o amor pelos nossos irmãos.

Josué Matos

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Somos obrigado a escolher um candidato?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Mais importa obedecer a Deus do que aos homens (Atos dos Apóstolos 5:29). Porém, votar não afronta, por si só, a fé cristã. Enquanto vivemos neste mundo, somos peregrinos e embaixadores de Cristo, mas também devemos respeitar as autoridades e cumprir legitimamente as obrigações civis, conforme Romanos 13:1-7.

No Brasil, o art. 14, § 1º, da Constituição determina que o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para maiores de 18 anos e facultativos para analfabetos, maiores de 70 anos e maiores de 16 e menores de 18 anos.

Portanto, para quem está sujeito à obrigatoriedade constitucional, votar é uma responsabilidade civil. Isso não significa colocar a confiança no homem ou abandonar a fé, pois a nossa esperança continua estando em Cristo. A obediência ao Estado, porém, encontra seu limite quando uma exigência humana contrariar diretamente aquilo que Deus ordena.

Minha Resposta:

Concordo que o princípio de Atos dos Apóstolos 5:29 deve ser considerado juntamente com Romanos 13:1-7. Entretanto, há uma distinção importante que precisamos fazer: uma coisa é a nossa obrigação de submissão às autoridades civis; outra coisa é participar da escolha daqueles que governarão este mundo.

Romanos 13 não diz que o cristão deve escolher os governantes. O texto ensina que devemos estar sujeitos às autoridades constituídas:

“Toda alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Romanos 13:1).

Portanto, a responsabilidade apresentada ao cristão é de sujeição, não de participação política. O mesmo princípio aparece em 1 Pedro 2:13-14:

“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores e para louvor dos que fazem o bem.”

Também encontramos em Tito 3:1:

“Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam e estejam preparados para toda boa obra.”

Observe a consistência do ensino do Novo Testamento. O cristão deve respeitar as autoridades, obedecer às leis, pagar os seus impostos e cumprir suas responsabilidades civis. Entretanto, isso não significa necessariamente envolver-se na escolha política dos governantes.

Há ainda outro detalhe importante no caso brasileiro. A lei estabelece a obrigatoriedade eleitoral para determinadas pessoas e, portanto, o cristão deve respeitar essa determinação. Porém, ninguém é obrigado a escolher um candidato. O eleitor pode comparecer às urnas e votar em branco ou anular o seu voto. Assim, ele cumpre a obrigação civil sem necessariamente participar da escolha entre os candidatos apresentados.

Isso resolve justamente a aparente dificuldade entre submissão ao Estado e separação política.

O Estado pode exigir de mim o cumprimento de uma obrigação civil, e devo obedecer enquanto isso não contrariar a Palavra de Deus. Mas o Estado não pode obrigar minha consciência a depositar confiança ou apoio em determinado candidato.

Além disso, a posição do cristão neste mundo precisa ser considerada. Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

A palavra utilizada por Paulo envolve a ideia de cidadania. O cristão possui responsabilidades terrenas, mas sua verdadeira cidadania e esperança são celestiais. Isso concorda com as palavras do próprio Senhor Jesus:

“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Também somos chamados de “embaixadores da parte de Cristo” (2 Coríntios 5:20). Um embaixador vive num país que não é o seu, respeita suas autoridades e suas leis, mas representa os interesses de outra pátria. Espiritualmente, essa figura ajuda a compreender a posição do cristão neste mundo.

Isso também explica por que, quando o Novo Testamento trata da relação do cristão com os governantes, a ênfase não está em escolher governantes, mas em orar por eles:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2:1-2).

Esse é um princípio muito significativo. A influência que Deus apresenta diretamente ao cristão em relação aos governantes é a oração. Devemos orar para que Deus governe sobre as circunstâncias e permita condições nas quais possamos viver em piedade, anunciar o Evangelho e servir ao Senhor em paz.

Daniel já havia aprendido que, por detrás dos acontecimentos políticos deste mundo, existe a soberania de Deus:

“Até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:25).

Por isso, a nossa confiança não deve estar no candidato A ou B, na direita ou na esquerda, neste ou naquele partido. Nossa confiança está no Senhor.

Isso não significa rebeldia contra o governo. Muito pelo contrário. O cristão deve procurar ser um cidadão exemplar. Deve obedecer às leis, pagar os seus impostos, respeitar as autoridades e não participar de desordem ou insubordinação. O Senhor Jesus mesmo disse:

“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mateus 22:21).

Aqui encontramos um equilíbrio maravilhoso. Existe aquilo que pertence a César e existe aquilo que pertence a Deus. Ao governo damos aquilo que legitimamente lhe pertence; mas nossa consciência, nossa fidelidade e nossa esperança pertencem ao Senhor.

Somente quando o Estado exige aquilo que Deus proíbe, ou proíbe aquilo que Deus ordena, chegamos ao limite estabelecido em Atos dos Apóstolos 5:29:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.”

Foi exatamente isso que aconteceu com os apóstolos. Eles não estavam promovendo uma revolta contra o governo. As autoridades ordenaram que deixassem de anunciar o Senhor Jesus, e isso entrava diretamente em conflito com a ordem que haviam recebido de Deus. Nesse ponto, obedecer aos homens significaria desobedecer a Deus.

Portanto, eu faria esta distinção: cumprir a legislação eleitoral é uma responsabilidade civil; escolher e apoiar um candidato é outra questão. No Brasil, embora exista a obrigatoriedade do voto para determinadas pessoas, isso não significa que o cidadão seja obrigado a dar seu voto a um candidato. Há a possibilidade do voto em branco ou nulo.

Assim, não vejo contradição entre respeitar a obrigação estabelecida pelo Estado e, ao mesmo tempo, manter-se separado das disputas políticas e partidárias deste mundo.

Nossa missão principal não é transformar este mundo através da política, mas apresentar-lhe Cristo através do Evangelho. Não fomos enviados para anunciar um candidato, um partido ou uma ideologia, mas para anunciar Aquele que morreu e ressuscitou:

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos dos Apóstolos 4:12).

Governos passam, presidentes passam, partidos surgem e desaparecem, mas o nosso Senhor permanece. O cristão respeita César, ora por César e cumpre suas legítimas obrigações para com César; porém, sua esperança não está em César. Está em Cristo.

Josué Matos

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Você recomenda ler livros de teologia, como Teologia Sistemática, por exemplo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Olá, tudo bem? Você recomenda ler livros de teologia, como Teologia Sistemática, por exemplo? Pode sugerir alguns livros de Teologia Sistemática mais confiáveis?

Minha Resposta:

Olá! Tudo bem, graças a Deus.

Sim, recomendo a leitura de bons livros de teologia, inclusive de Teologia Sistemática. Entretanto, faria uma observação importante antes de indicar qualquer obra: nenhum livro de teologia deve ocupar o lugar da leitura e do estudo direto da Palavra de Deus.

A Bíblia não foi dada apenas aos teólogos ou aos estudiosos. Ela é a revelação de Deus e deve ser a autoridade final para todo cristão. Paulo escreveu:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16-17).

Portanto, livros de teologia, comentários bíblicos, dicionários, léxicos e outras obras são ferramentas. Podem nos ajudar muito, mas devem sempre nos conduzir de volta à Bíblia.

Isso é especialmente importante quando falamos de Teologia Sistemática. A Teologia Sistemática procura reunir aquilo que a Bíblia ensina sobre determinados assuntos e organizá-lo em categorias: Deus, Cristo, Espírito Santo, homem, pecado, salvação, Igreja, acontecimentos futuros etc.

Isso pode ser muito útil. O problema surge quando começamos a interpretar a Bíblia para que ela se ajuste ao nosso sistema teológico, em vez de permitir que o nosso sistema seja corrigido pela Bíblia.

Devemos seguir o princípio encontrado em Atos dos Apóstolos 17:11. Os bereanos receberam a palavra, mas examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”. Até aquilo que ouviam do apóstolo Paulo era comparado com as Escrituras.

É exatamente assim que devemos proceder com qualquer escritor cristão.

Nenhum autor é infalível.

Por isso, pessoalmente, considero muito proveitoso não depender somente de uma Teologia Sistemática. Eu procuraria combinar três formas de estudo:

  1. Estudo direto e consecutivo da Bíblia.

Leia livros inteiros da Bíblia procurando compreender o contexto, o propósito do escritor e o desenvolvimento do assunto. Por exemplo, para compreender a justificação, estude cuidadosamente a Epístola aos Romanos e a Epístola aos Gálatas. Para compreender a Igreja como Corpo de Cristo, Efésios e Colossenses são fundamentais. Para compreender a ordem de uma igreja local, precisamos especialmente de Atos dos Apóstolos, 1 Coríntios, 1 Timóteo e Tito.

  1. Bons comentários expositivos.

Um comentário bíblico acompanha o texto e procura explicar aquilo que determinada passagem está dizendo. Considero esse método muito importante porque reduz o perigo de construirmos uma doutrina a partir de textos isolados.

Um comentário que considero bastante útil é o Comentário Bíblico Popular, de William MacDonald. É uma obra acessível, expositiva e útil para quem deseja acompanhar o texto bíblico.

Também considero muito proveitosa a coleção What the Bible Teaches (“O que a Bíblia Ensina”), publicada originalmente por John Ritchie. É uma coleção de exposição bíblica feita por vários autores e muito útil para quem deseja estudar os livros da Bíblia com mais profundidade.

Outros autores antigos cujos escritos considero muito proveitosos são William Kelly, C. H. Mackintosh, F. W. Grant, W. E. Vine e outros escritores que procuram trabalhar diretamente com o texto das Escrituras.

  1. Teologia Sistemática.

Aqui eu teria um pouco mais de cuidado.

Há boas Teologias Sistemáticas, mas praticamente todas refletem, em maior ou menor grau, a posição doutrinária de seus autores. Portanto, eu não recomendaria comprar uma Teologia Sistemática pensando: “Aqui encontrarei tudo aquilo que a Bíblia ensina exatamente como está na Bíblia”.

Use-a como ferramenta, não como autoridade final.

Uma obra conhecida é a Teologia Sistemática de Augustus Hopkins Strong. É uma obra clássica e bastante extensa. Pode ser útil para consulta e comparação, embora, naturalmente, eu não concorde necessariamente com todas as conclusões do autor.

Também são conhecidas as Teologias Sistemáticas de Charles Hodge, Louis Berkhof e outros autores. Entretanto, aqui é necessário discernimento, especialmente na escatologia, eclesiologia e interpretação das alianças, porque diferentes sistemas teológicos chegam a conclusões bastante distintas nessas áreas.

Por exemplo, Louis Berkhof representa uma linha teológica reformada e amilenista. Assim, se você entende pela leitura das Escrituras que Israel e a Igreja não devem ser confundidos, que haverá o cumprimento literal das promessas feitas a Israel e que haverá um reino milenar de Cristo, perceberá diferenças importantes ao ler uma obra desse tipo.

Se a sua linha de estudo é dispensacional e pré-milenista, considero mais proveitoso complementar os estudos com autores como Charles C. Ryrie, John F. Walvoord e J. Dwight Pentecost.

Neste último caso, recomendo especialmente o Manual de Escatologia, de J. Dwight Pentecost. Não é uma Teologia Sistemática completa, pois trata particularmente da escatologia, mas é uma obra extensa e muito útil para compreender assuntos como as alianças bíblicas, Israel e a Igreja, arrebatamento, tribulação, segunda vinda de Cristo, reino milenar, ressurreições, julgamentos e estado eterno.

Entretanto, quero acrescentar algo que considero ainda mais importante.

Não devemos estudar teologia simplesmente para acumular conhecimento.

Esdras nos apresenta um belo modelo:

“Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos” (Esdras 7:10).

Observe a ordem:

Primeiro, buscar.

Depois, praticar.

Finalmente, ensinar.

Esse equilíbrio é muito importante.

Há pessoas que estudam para ensinar aquilo que nunca aprenderam a viver. O conhecimento bíblico deve produzir transformação espiritual.

Paulo escreveu:

“A ciência incha, mas o amor edifica” (1 Coríntios 8:1).

Por outro lado, isso não significa que devemos desprezar o estudo profundo. Paulo também disse a Timóteo:

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).

Portanto, estudar profundamente é bom. Consultar bons livros é bom. Conhecer o significado das palavras gregas e hebraicas pode ser muito útil. Conhecer história, geografia, costumes bíblicos e contexto cultural também pode ajudar. Ler bons comentários e obras doutrinárias pode nos poupar de muitos erros.

Mas tudo precisa permanecer subordinado à Palavra de Deus.

Se eu fosse montar uma biblioteca para alguém que está começando um estudo bíblico mais sério, não começaria comprando dez Teologias Sistemáticas. Eu começaria com uma boa Bíblia para estudo, uma concordância, um bom dicionário bíblico, um léxico das palavras do Novo Testamento, um ou dois bons comentários expositivos e, posteriormente, acrescentaria obras de teologia.

E procuraria desenvolver um hábito muito importante: comparar Escritura com Escritura.

“Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali” (Isaías 28:10).

Além disso, devemos depender do Senhor em oração. O objetivo não é simplesmente conhecer mais sobre a Bíblia, mas conhecer melhor Aquele de quem a Bíblia fala. O próprio Senhor Jesus declarou:

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39).

Cristo é o grande tema das Escrituras.

Portanto, sim: leia Teologia Sistemática. Leia comentários. Leia bons escritores cristãos. Compare autores diferentes quando necessário. Mas leia muito mais a Bíblia.

Nunca permita que um sistema teológico determine antecipadamente aquilo que um texto bíblico deve significar.

O melhor livro cristão é aquele que, depois de você lê-lo, faz você voltar à Bíblia para conferir o que está escrito.

E a melhor atitude continua sendo a dos bereanos:

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Esse princípio nos protege tanto da ignorância quanto do erro teológico.

Josué Matos

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