Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Irmão, sabemos que a igreja local é governada pelo Espírito Santo, que constitui presbíteros para o cuidado do rebanho da igreja de Deus. Logo, esse cuidado é coletivo, e não individual, exercido por um só presbítero.
A minha pergunta é: como são constituídos esses presbíteros? Refiro-me à prática. Eles são apresentados diante de toda a igreja para que fique claro que estes são os presbíteros da igreja local que cuidam do rebanho? Como funciona, na prática, esse reconhecimento dos presbíteros?
Paz seja contigo.
Minha Resposta:
Sua pergunta é muito importante, porque precisamos fazer uma distinção entre duas coisas que, embora estejam relacionadas, não são exatamente a mesma coisa: a constituição dos presbíteros e o reconhecimento dos presbíteros.
A resposta mais simples seria esta: quem constitui os presbíteros é o Espírito Santo; a igreja local não os elege, mas deve reconhecê-los. E esse reconhecimento deve ocorrer depois que esses homens já demonstraram, por sua vida, caráter, doutrina e trabalho, que o Espírito Santo os levantou para cuidar do rebanho.
QUEM CONSTITUI OS PRESBÍTEROS?
O texto fundamental é Atos dos Apóstolos 20:28. Paulo chamou os presbíteros da igreja em Éfeso e lhes disse:
“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus.”
Observe cuidadosamente: Paulo não disse que a igreja os havia constituído. Também não disse que eles haviam se constituído a si mesmos. Ele declarou expressamente: “o Espírito Santo vos constituiu bispos”.
Isso é muito importante.
Em Atos dos Apóstolos 20:17, esses homens são chamados “anciãos” ou “presbíteros”. No versículo 28, os mesmos homens são chamados “bispos”, isto é, superintendentes, e recebem a responsabilidade de “apascentar” o rebanho. Portanto, presbítero, ancião e bispo não são três níveis diferentes de uma hierarquia eclesiástica. São diferentes designações relacionadas aos mesmos homens e ao seu trabalho.
“Presbítero” ou “ancião” destaca principalmente a maturidade do homem; “bispo” ou “superintendente” destaca sua responsabilidade de supervisionar; e “apascentar” descreve seu trabalho pastoral.
Também devemos observar que o padrão apresentado no Novo Testamento é de pluralidade. Paulo chamou “os presbíteros da igreja” em Éfeso (Atos dos Apóstolos 20:17). Paulo e Barnabé estabeleceram “anciãos em cada igreja” (Atos dos Apóstolos 14:23). Paulo escreveu aos santos em Filipos “com os bispos e diáconos” (Filipenses 1:1). Pedro escreveu: “Aos presbíteros que estão entre vós” (1 Pedro 5:1).
Portanto, concordo com a observação feita na pergunta: biblicamente, o cuidado da igreja local não está concentrado normalmente nas mãos de um único homem. Há uma pluralidade de presbíteros cuidando coletivamente do mesmo rebanho.
A IGREJA ESCOLHE OS PRESBÍTEROS?
Aqui precisamos ter bastante cuidado.
Não encontramos no Novo Testamento uma igreja reunindo-se para realizar uma eleição e, por maioria de votos, decidir quem será presbítero.
Atos dos Apóstolos 20:28 coloca a iniciativa no Espírito Santo.
Isso significa que o presbiterato não começa com uma eleição, mas com uma obra espiritual realizada por Deus naquele homem.
Primeira Epístola a Timóteo 3:1 diz:
“Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.”
Observe que ele deseja uma “obra”. O texto não apresenta primeiramente uma posição de honra, mas um trabalho.
Depois, Paulo apresenta as qualificações:
“Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar...” (1 Timóteo 3:2).
E a lista continua até o versículo 7.
Tito 1:5-9 apresenta qualificações semelhantes.
Portanto, não é uma votação que torna alguém presbítero. O homem precisa possuir as qualificações bíblicas e já demonstrar capacidade espiritual para realizar aquele trabalho.
ENTÃO, O QUE A IGREJA FAZ?
A igreja reconhece aquilo que o Espírito Santo já realizou.
Este princípio aparece de maneira muito bonita na Primeira Epístola aos Tessalonicenses 5:12-13:
“E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra.”
Veja a ordem.
Primeiro: eles “trabalham entre vós”.
Segundo: eles “presidem sobre vós no Senhor”.
Terceiro: eles “vos admoestam”.
Depois vem a responsabilidade dos santos: “reconheçais”.
Portanto, a prática precede o reconhecimento.
Um homem não começa a cuidar do rebanho porque recebeu o título de presbítero. O contrário é que deve acontecer: ele é reconhecido como presbítero porque já está demonstrando, de maneira bíblica e consistente, que o Espírito Santo o capacitou e levantou para aquele trabalho.
Essa diferença é fundamental.
COMO O ESPÍRITO SANTO TORNA ISSO VISÍVEL?
Não devemos imaginar que o Espírito Santo comunica diretamente à igreja, mediante uma revelação extraordinária, dizendo: “Este homem agora é presbítero”.
As Escrituras fornecem critérios objetivos pelos quais a ação do Espírito Santo pode ser reconhecida.
Primeira Epístola a Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9 apresentam esses critérios.
É necessário observar sua vida pessoal.
É necessário observar seu casamento e sua vida familiar.
É necessário observar sua reputação.
É necessário observar seu domínio próprio.
É necessário observar sua hospitalidade.
É necessário observar seu conhecimento das Escrituras.
É necessário observar sua capacidade de ensinar e exortar.
É necessário observar sua maturidade espiritual.
É necessário observar sua relação com dinheiro.
É necessário observar sua atitude em relação aos irmãos.
É necessário observar se ele realmente cuida das ovelhas.
Por isso Paulo diz:
“Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo” (1 Timóteo 3:6).
Presbítero não é simplesmente o irmão mais velho em idade, nem necessariamente aquele que está há mais tempo na igreja. Trata-se de maturidade espiritual comprovada.
ELE JÁ ESTARÁ FAZENDO O TRABALHO ANTES DO RECONHECIMENTO
Este talvez seja o ponto mais importante para responder à pergunta prática.
Antes que uma igreja reconheça formalmente determinado irmão como presbítero, já deverá ser possível perceber nele características do trabalho pastoral.
Ele visita os enfermos.
Procura os que estão se afastando.
Ajuda os fracos.
Admoesta os desordenados.
Consola os abatidos.
Protege a igreja contra falsos ensinamentos.
Ensina a Palavra de Deus.
Demonstra interesse genuíno pelo estado espiritual dos irmãos.
Ora pelo rebanho.
Procura resolver problemas espirituais.
Age com equilíbrio diante das dificuldades.
É procurado espontaneamente pelos irmãos quando surgem problemas.
Tudo isso vai tornando evidente que aquele homem está sendo preparado e usado pelo Espírito Santo para o cuidado do rebanho.
Primeira Epístola de Pedro 5:2-3 descreve muito bem essa atividade:
“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.”
Portanto, um verdadeiro presbítero não surge simplesmente porque alguém anunciou seu nome numa reunião. Ele já vinha sendo um exemplo para o rebanho.
MAS PODE HAVER UM RECONHECIMENTO PÚBLICO DIANTE DA IGREJA?
Aqui precisamos ter cuidado para não estabelecer um procedimento que o Novo Testamento não estabelece.
O princípio fundamental é muito claro: quem constitui os presbíteros é o Espírito Santo.
Paulo disse aos presbíteros de Éfeso:
“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus” (Atos 20:28).
Portanto, a igreja não transforma um homem em presbítero por meio de uma votação, eleição, cerimônia ou decisão administrativa. O Espírito Santo é quem levanta homens para esse trabalho.
Mas isso não significa que o presbítero simplesmente declare a si mesmo como tal.
Existe também o reconhecimento da igreja.
Paulo escreveu aos tessalonicenses:
“E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra” (1 Tessalonicenses 5:12-13).
Observe cuidadosamente a ordem apresentada.
Esses homens já estavam trabalhando entre os santos.
Já estavam exercendo cuidado.
Já estavam tomando a liderança espiritual.
Já estavam admoestando.
Então os santos deveriam reconhecê-los.
Isso é muito importante, porque mostra que a prática precede o reconhecimento.
O homem não começa a cuidar do rebanho porque recebeu o título de presbítero. Ele é reconhecido como presbítero porque, tendo sido levantado pelo Espírito Santo e possuindo as qualificações bíblicas, já vem realizando essa obra entre os santos.
O reconhecimento, portanto, nasce da observação.
A igreja conhece esses homens pelo seu trabalho, caráter, doutrina, maturidade e cuidado pelo rebanho.
É nesse sentido que podemos falar de um reconhecimento dos presbíteros pela igreja.
O Novo Testamento não nos fornece uma cerimônia obrigatória que deva ser reproduzida hoje, nem estabelece que os presbíteros tenham necessariamente de ser apresentados formalmente diante de toda a igreja em determinado culto.
Lendo 1 Tessalonicenses 5:12-13, Hebreus 13:7, 17 e 24, pressupõe-se que esses homens sejam conhecidos pelos santos pelo trabalho que fazem.
COMO ISSO PODERIA FUNCIONAR NA PRÁTICA?
Suponhamos que numa igreja local já existam alguns presbíteros reconhecidos.
Com o passar do tempo, outro irmão começa a manifestar as características necessárias para o cuidado do rebanho.
Ele demonstra maturidade espiritual.
Sua vida familiar corresponde às qualificações apresentadas em 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9.
Ele conhece e maneja corretamente a Palavra de Deus.
Sua doutrina é sadia.
Seu caráter é conhecido.
Ele demonstra humildade.
Ele ama os santos.
Ele procura os que estão espiritualmente fracos.
Ele aconselha.
Ele admoesta quando necessário.
Ele ajuda a preservar a igreja de erros doutrinários.
Ele demonstra capacidade para cuidar espiritualmente de outros.
E, sobretudo, ele não está simplesmente procurando uma posição: está fazendo a obra.
Os presbíteros já reconhecidos devem estar atentos a homens assim. Devem observar o que o Espírito Santo está fazendo na vida dos irmãos mais novos e discernir aqueles que estão sendo preparados para assumir responsabilidades no cuidado da igreja.
Isso não deve ser feito apressadamente.
A advertência de 1 Timóteo 5:22 é muito importante:
“A ninguém imponhas precipitadamente as mãos.”
No contexto do capítulo, há uma séria advertência contra o reconhecimento prematuro de homens que ainda não tiveram suficientemente provados seu caráter e sua conduta.
Por isso, não se reconhece um presbítero simplesmente porque ele prega bem.
Também não porque possui muito conhecimento bíblico.
Não porque é um dos irmãos mais antigos da igreja.
Não porque tem boa condição financeira.
Não porque é um excelente administrador.
Não porque possui formação acadêmica.
E muito menos porque deseja uma posição de destaque.
É necessário observar sua vida e seu trabalho.
Primeiro vem aquilo que Deus está realizando no homem.
Depois vêm as evidências desse trabalho espiritual.
Finalmente vem o reconhecimento.
Foi exatamente esse princípio que apareceu nas igrejas do período apostólico. Em Atos 14, as igrejas já existiam antes de terem presbíteros reconhecidos. Foi necessário tempo para que determinados homens demonstrassem maturidade e capacidade espiritual para o cuidado do rebanho.
Da mesma forma, 1 Tessalonicenses 5:12 não manda os santos escolherem homens para começar a trabalhar entre eles. Paulo manda reconhecer aqueles que já “trabalham entre vós”.
Portanto, numa igreja local hoje, os presbíteros existentes devem observar cuidadosamente aqueles irmãos nos quais aparecem as qualificações e o exercício do cuidado espiritual.
Quando ficar evidente que determinado irmão está fazendo a obra de um presbítero e possui as qualificações bíblicas para isso, ele pode ser reconhecido como tal.
A igreja deve saber quem são aqueles que cuidam dela, pois os santos são ensinados a reconhecê-los, estimá-los e sujeitar-se à sua liderança espiritual.
Hebreus 13:17 diz:
“Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas.”
Logo, não há necessidade de criar uma eleição, campanha, votação ou sistema denominacional de ordenação.
Também não devemos transformar o reconhecimento numa cerimônia que supostamente concede ao homem uma posição que ele não possuía antes.
O princípio bíblico pode ser resumido desta maneira:
O Espírito Santo constitui.
O homem manifesta as qualificações.
O trabalho torna-se evidente.
Os irmãos espirituais discernem.
A igreja reconhece.
E os santos passam a considerar aquele irmão como um dos homens que Deus levantou para cuidar do rebanho.
Assim, o reconhecimento não cria o presbítero; confirma aquilo que sua vida, suas qualificações e sua obra já demonstraram.
E SE A IGREJA AINDA NÃO POSSUIR PRESBÍTEROS RECONHECIDOS?
Essa situação exige ainda mais cuidado.
Não devemos criar presbíteros simplesmente porque “uma igreja precisa ter presbíteros”.
Melhor uma igreja esperar até que Deus levante homens qualificados do que colocar precipitadamente homens numa responsabilidade para a qual ainda não estão preparados.
Primeira Epístola a Timóteo 5:22 estabelece um princípio muito importante:
“A ninguém imponhas precipitadamente as mãos.”
A precipitação em reconhecer liderança espiritual pode causar grandes problemas posteriormente.
O tempo revela muita coisa.
Por isso, as qualificações de Primeira Epístola a Timóteo 3 e Tito 1 precisam ser observadas cuidadosamente.
E TITO 1:5? TITO NÃO “ESTABELECEU” PRESBÍTEROS?
Paulo escreveu:
“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei” (Tito 1:5).
Precisamos considerar que Tito estava atuando sob autoridade apostólica. O mesmo aconteceu durante o período apostólico em outros lugares.
Mas isso não significa que Tito pudesse arbitrariamente escolher qualquer homem e transformá-lo em presbítero.
Imediatamente depois, Paulo apresenta as qualificações necessárias:
“aquele que for irrepreensível...” (Tito 1:6).
Ou seja, Tito precisava identificar homens nos quais essas qualificações já fossem evidentes.
A função dele era reconhecer, à luz da orientação apostólica, aquilo que Deus havia produzido naqueles homens.
Hoje não temos apóstolos nem delegados apostólicos com a mesma autoridade de Paulo, Timóteo ou Tito. Temos, porém, as Escrituras inspiradas que eles deixaram.
Portanto, atualmente, a igreja deve aplicar cuidadosamente os critérios que encontramos em Primeira Epístola a Timóteo 3, Tito 1, Primeira Epístola de Pedro 5 e outras passagens relacionadas ao assunto.
O RECONHECIMENTO NÃO DEVE CRIAR UMA CLASSE CLERICAL
Também precisamos evitar outro extremo.
Reconhecer presbíteros não significa criar uma classe clerical acima dos demais irmãos.
Pedro diz aos presbíteros:
“Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pedro 5:3).
Os presbíteros possuem autoridade espiritual, mas não são donos da igreja.
O rebanho pertence a Deus.
Atos dos Apóstolos 20:28 chama-o de “igreja de Deus”.
Primeira Epístola de Pedro 5:2 chama-o de “rebanho de Deus”.
E no versículo 4, Cristo é chamado de “Sumo Pastor”.
Portanto, todo presbítero é, na realidade, um pastor subordinado ao Sumo Pastor.
Ele não governa segundo sua vontade pessoal. Ele deve cuidar da igreja de acordo com a Palavra de Deus.
O RECONHECIMENTO DEVE SER DA IGREJA, NÃO APENAS DOS OUTROS PRESBÍTEROS
Há também um aspecto importante aqui.
Os presbíteros existentes podem discernir que determinado irmão está sendo levantado por Deus. Entretanto, o reconhecimento precisa tornar-se conhecido entre os santos, porque Primeira Epístola aos Tessalonicenses 5:12 diz:
“Rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós.”
O texto dirige a responsabilidade aos irmãos.
Isso não significa votação democrática.
Significa reconhecimento espiritual.
Idealmente, quando um homem realmente possui as qualificações bíblicas e já está realizando o trabalho pastoral, seu reconhecimento não deveria causar surpresa à igreja.
Os santos provavelmente pensarão:
“Sim, já víamos esse irmão dessa maneira.”
Isso é muito saudável.
O anúncio público apenas confirma uma realidade que já vinha sendo percebida.
UMA FRASE RESUME TODO O PROCESSO
Podemos resumir assim:
O Espírito Santo constitui; o homem manifesta as qualificações; os presbíteros discernem; a igreja reconhece; e o presbítero continua fazendo aquilo que já fazia: cuidar do rebanho.
Atos dos Apóstolos 20:28 mostra a constituição:
“O Espírito Santo vos constituiu bispos.”
Primeira Epístola a Timóteo 3 e Tito 1 mostram as qualificações.
Primeira Epístola aos Tessalonicenses 5:12 mostra o reconhecimento:
“Reconheçais os que trabalham entre vós.”
Primeira Epístola de Pedro 5:2 mostra o trabalho:
“Apascentai o rebanho de Deus.”
Hebreus 13:17 mostra a responsabilidade dos santos:
“Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles.”
E Primeira Epístola de Pedro 5:4 mostra a responsabilidade final dos presbíteros perante Cristo:
“E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.”
Portanto, respondendo objetivamente à pergunta: o Novo Testamento ensina que os presbíteros são constituídos pelo Espírito Santo e reconhecidos pelos santos em razão das qualificações que manifestam e do trabalho que já realizam no cuidado do rebanho.
Esse reconhecimento não é uma eleição, uma promoção, nem uma ordenação que transforma determinado irmão em presbítero. Também não encontramos nas Escrituras uma cerimônia estabelecida pela qual um homem passe oficialmente a ocupar esse lugar.
O princípio de 1 Tessalonicenses 5:12-13 é especialmente importante: os santos deveriam reconhecer aqueles que já trabalhavam entre eles, presidiam no Senhor e os admoestavam. Portanto, a obra precedia o reconhecimento.
Isso significa que um homem não se torna presbítero porque seu nome foi anunciado à igreja. Antes, sua vida, suas qualificações e seu trabalho no cuidado dos santos tornam evidente aquilo que o Espírito Santo está realizando nele.
Naturalmente, é necessário que a igreja saiba quem são os homens que exercem essa responsabilidade, pois os santos são ensinados a reconhecê-los, estimá-los e sujeitar-se à sua liderança espiritual. Entretanto, não devemos ir além das Escrituras estabelecendo como necessária uma cerimônia ou apresentação pública formal que o Novo Testamento não determina.
Talvez a melhor maneira de resumir seja esta:
O Espírito Santo constitui o presbítero; suas qualificações confirmam sua aptidão; seu trabalho demonstra sua realidade; e os santos, observando sua vida e seu serviço, reconhecem aquilo que Deus já tornou evidente.
Assim, quando um homem é verdadeiramente reconhecido como presbítero, ele não começa naquele momento a cuidar do rebanho. Ele já vinha fazendo esse trabalho. O reconhecimento apenas corresponde à realidade espiritual que já estava manifesta entre os santos.
Josué Matos