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Você tem algum vídeo que trata do monergismo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Gostaria de lhe fazer um pedido de oração.

Ore pelo F., um jovem cristão vendedor que conheci numa livraria evangélica aqui em São Paulo.

Comentei o valor espiritual dos comentários da Ritchie e ele tem se interessado…

 … porém ele parece estar preso aos rótulos construídos pela teologia e classifica uma parte do movimento dos irmãos como “monergista”… passei seu vídeo “Por que não sou reformado”…

Você tem algum vídeo que trata do monergismo?

Minha Resposta:

Muito obrigado por compartilhar esse pedido. Vamos orar, sim, pelo F. É motivo de gratidão perceber um jovem com interesse genuíno em literatura cristã e sensível ao valor espiritual de bons comentários bíblicos. Esse tipo de interesse não é comum e merece ser acompanhado em oração, para que o Senhor conduza o coração dele à simplicidade que há em Cristo.

Quanto aos rótulos teológicos, é importante ter bastante cuidado. Quando expressões como “monergismo” passam a dominar a conversa, há sempre o risco de a teologia deixar de ser um meio de compreender a revelação de Deus e tornar-se um sistema que aprisiona o pensamento. A Escritura mostra que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17), e que o novo nascimento é uma obra do Espírito Santo, mas nunca apresentada como algo desligado da responsabilidade humana de crer. “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (Evangelho de João 1:12).

Tenho tratado desse assunto em vários momentos, ainda que nem sempre usando o rótulo técnico “monergismo”. Em especial, procuro mostrar que a Bíblia não apresenta a salvação como resultado de um sistema teológico fechado, mas como a ação soberana de Deus em graça, operando por meio da Palavra, despertando a consciência do pecador e chamando-o ao arrependimento e à fé viva em Cristo. O Senhor Jesus constantemente chamava pessoas à fé, responsabilizando-as pela resposta ao testemunho divino (Evangelho de João 5:40; Evangelho de João 12:48).

O vídeo “Por que não sou reformado” vai nessa linha, e há outros conteúdos em que procuro mostrar que a ênfase bíblica não está em defender um “ismo”, mas em preservar o equilíbrio das Escrituras: Deus é soberano, o Espírito Santo é quem opera a vida nova, mas o homem é chamado a crer, arrepender-se e receber o Salvador. “Deus… agora notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos dos Apóstolos 17:30).

O mais importante, no caso do F., não é convencê-lo de um posicionamento teológico, mas que ele seja conduzido a uma fé simples, pessoal e viva no Senhor Jesus Cristo, livre de rótulos, firmada na Palavra e dependente do Espírito Santo. Continuemos orando para que Deus preserve o coração dele de sistemas que mais classificam do que edificam, e o leve a conhecer Cristo de forma clara, profunda e libertadora.

O termo monergismo é uma expressão teológica utilizada para descrever uma compreensão específica sobre a obra da salvação. A palavra vem do grego: mónos (um, único) e érgon (obra, ação). Assim, monergismo significa, literalmente, “uma única ação” ou “uma obra realizada por um só agente”.

No contexto teológico, o monergismo ensina que a salvação é operada exclusivamente por Deus, sem qualquer cooperação do ser humano. Segundo essa concepção, o homem, por estar espiritualmente morto, não possui capacidade alguma de responder a Deus, crer, arrepender-se ou desejar a salvação. Dessa forma, Deus regenera soberanamente o indivíduo primeiro, e somente depois dessa regeneração a pessoa crê. A fé, portanto, não seria a condição para o novo nascimento, mas o resultado inevitável dele.

O monergismo, ao afirmar que a salvação é realizada de modo absolutamente unilateral por Deus, sustenta que o novo nascimento ocorre antes da fé e de forma independente de qualquer resposta consciente do homem. Segundo essa visão, o ser humano, por estar “morto em pecados”, não apenas está separado de Deus, mas totalmente incapacitado de ouvir, responder, crer ou arrepender-se, sendo necessário que Deus primeiro o regenere para que, só então, ele creia. Embora essa posição procure exaltar a soberania divina, ela acaba criando tensões sérias com o ensino equilibrado e progressivo das Escrituras.

A Bíblia, de fato, afirma a total corrupção do homem e sua incapacidade de salvar-se por si mesmo. “Não há justo, nem um sequer” (Epístola aos Romanos 3:10), e todos estão “mortos em ofensas e pecados” (Epístola aos Efésios 2:1). Contudo, a própria Escritura mostra que essa morte não é apresentada como inexistência de consciência ou impossibilidade absoluta de resposta, mas como separação de Deus e incapacidade moral de produzir vida por esforço próprio. O mesmo texto que descreve o homem como morto também o chama a ouvir, crer e responder ao evangelho.

Um ponto central na refutação do monergismo está na ordem bíblica claramente apresentada entre a Palavra, a fé e o novo nascimento. As Escrituras afirmam que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus (Epístola aos Romanos 10:17). Não se diz que a vida vem primeiro para que depois haja fé, mas que a Palavra proclamada produz fé no coração daquele que ouve. O próprio Senhor Jesus afirmou: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna” (Evangelho de João 5:24). A vida é apresentada como consequência da fé, não como sua causa.

O Evangelho de João, de forma consistente, coloca a fé como o meio pelo qual a vida é recebida. “Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). “Estas coisas foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31). Se o novo nascimento precedesse a fé, tais afirmações perderiam sua força lógica e espiritual, pois a vida já estaria presente antes do ato de crer.

Outro aspecto problemático do monergismo é a redefinição prática do chamado ao arrependimento. A Escritura declara que Deus “manda que todos os homens, em todo lugar, se arrependam” (Atos dos Apóstolos 17:30). O arrependimento não é apresentado como resultado automático de uma regeneração prévia, mas como resposta consciente à luz recebida. O evangelho confronta, persuade, convence e chama à decisão. O Espírito Santo opera por meio da Palavra, não à margem dela, nem contra a responsabilidade humana.

O argumento de que o homem morto não pode responder ignora o modo como a Bíblia utiliza a linguagem da morte espiritual. O filho pródigo foi descrito como “morto” e depois “revivido” (Evangelho de Lucas 15:24), embora estivesse consciente, ouvindo, refletindo e decidindo voltar ao pai. A morte espiritual, portanto, não elimina a capacidade de ouvir o chamado de Deus, mas descreve um estado de afastamento, culpa e incapacidade de gerar vida por si mesmo. É exatamente nesse contexto que a Palavra de Deus atua como instrumento vivificador.

As Escrituras também ensinam que o novo nascimento está ligado diretamente à recepção da Palavra em fé. “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (Primeira Epístola de Pedro 1:23). A Palavra é o meio usado por Deus, e a fé é a resposta do homem a essa Palavra. Separar esses elementos e inverter essa ordem é ir além do que o texto bíblico afirma.

Ao insistir que a fé é apenas um efeito inevitável da regeneração, o monergismo acaba esvaziando o apelo sincero do evangelho e tornando as advertências, convites e exortações das Escrituras meramente formais. No entanto, o Senhor Jesus chorou sobre Jerusalém porque “não quisestes” (Evangelho de Mateus 23:37), revelando uma resistência real à graça oferecida. A responsabilidade humana não é uma negação da soberania de Deus, mas parte do modo como Ele decidiu agir em graça.

A posição bíblica preserva dois fatos inseparáveis: a salvação é inteiramente pela graça de Deus, e o homem é verdadeiramente chamado a crer. O novo nascimento é obra do Espírito Santo, mas ocorre em resposta à fé no evangelho, não como um ato isolado e independente da Palavra. Deus não salva o homem contra a sua consciência, mas ilumina essa consciência pela Palavra, levando-o a crer, arrepender-se e receber a vida que está em Cristo.

Assim, a refutação do monergismo não diminui a glória da graça divina, mas a preserva em sua plenitude bíblica. A salvação continua sendo de Deus, do princípio ao fim, porém conforme o padrão revelado nas Escrituras: Deus fala, o homem ouve; Deus chama, o homem crê; Deus concede a vida, e o novo nascimento se manifesta como fruto dessa fé viva no Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos


Não há justificação por obras e nem por observar a Lei, mas Romanos 2:13 diz que quem pratica a Lei será justificado

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Misericórdia, por temor àquele que pode matar o corpo e a alma e mandá-la para o inferno, isso mexe com a mente e o coração. Não há justificação por obras e nem por observar a Lei, mas Romanos 2:13 diz que quem pratica a Lei será justificado. Porém, Gálatas 2 e 3 afirma que a justificação é somente mediante a fé em Cristo. Por que Romanos difere de Gálatas na justificação, se as duas cartas são do Novo Testamento?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito pertinente e toca num ponto central da interpretação correta das Escrituras: como harmonizar Romanos e Gálatas sem criar contradição dentro do Novo Testamento.

A primeira coisa que precisa ficar clara é que Romanos e Gálatas não se contradizem. O apóstolo Paulo não ensina duas doutrinas diferentes de justificação. O que muda é o propósito, o contexto e o problema específico que ele está tratando em cada carta.

  1. O que Paulo está fazendo em Romanos 2

Em Romanos, especialmente nos capítulos 1 a 3, Paulo constrói um argumento progressivo. O objetivo dele não é ensinar o “como” alguém é justificado diante de Deus logo de início, mas demonstrar que toda a humanidade está culpada diante de Deus.

Em Romanos 1, ele mostra a culpa dos gentios.
Em Romanos 2, ele se volta aos judeus, que confiavam na Lei e na sua identidade religiosa.
Em Romanos 3, ele conclui que todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Quando Paulo diz em Romanos 2:13 que “os que praticam a lei hão de ser justificados”, ele não está apresentando um caminho real de salvação pela Lei. Ele está afirmando um princípio teórico e justo: se alguém guardasse a Lei de forma perfeita, essa pessoa seria justa diante de Deus. O problema é que ninguém jamais fez isso.

O próprio contexto imediato deixa isso claro. Em Romanos 2:21–23, Paulo acusa os judeus de ensinarem a Lei aos outros, mas não a praticarem. Em Romanos 3:9–12, ele conclui que não há justo, nem um sequer. E em Romanos 3:20, ele fecha a questão dizendo que pelas obras da Lei nenhuma carne será justificada diante de Deus.

Portanto, Romanos 2:13 não é uma porta aberta para a justificação por obras, mas um espelho que revela a impossibilidade humana. A Lei mostra o padrão de Deus e, ao mesmo tempo, denuncia a falência total do homem.

  1. O problema específico em Gálatas

Já em Gálatas, o cenário é diferente. Ali, Paulo enfrenta um erro grave dentro das igrejas: pessoas que criam em Cristo estavam sendo levadas a acrescentar a Lei como meio de justificação ou de aperfeiçoamento espiritual.

Por isso, o tom de Gálatas é mais direto e confrontativo. Paulo afirma repetidamente que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. O problema ali não é teórico, como em Romanos 2, mas prático e doutrinário: estavam misturando graça com Lei.

Em Gálatas 2 e 3, Paulo não está explicando o papel condenatório da Lei, mas defendendo a suficiência absoluta da obra de Cristo. A Lei, segundo ele, teve um papel temporário, pedagógico, para conduzir o homem a Cristo, mas nunca teve poder para justificar ou dar vida.

  1. Lei, fé e o verdadeiro sentido da “prática”

Outro ponto essencial é entender o que significa “praticar a Lei”. Muitos leem Romanos 2:13 como se Paulo estivesse falando de obediência parcial ou esforço sincero. Não é isso. A Lei exige obediência perfeita, contínua e total. Um único tropeço já coloca o homem debaixo de condenação.

Por isso, quando Paulo afirma que “os que praticam a Lei” seriam justificados, ele está falando de um padrão absoluto que ninguém alcança. Essa afirmação serve para fechar todas as bocas e tornar o mundo inteiro culpado diante de Deus.

Já a fé em Cristo não anula a justiça de Deus, mas a satisfaz plenamente. Cristo cumpriu a Lei em nosso lugar e levou sobre si a condenação que a Lei exigia. A justificação, então, não vem das obras, mas da união do pecador com Cristo pela fé.

As boas obras, nesse contexto, não são a causa da justificação, mas o seu fruto. Elas não produzem vida; elas evidenciam uma vida que já foi dada.

  1. Conclusão: Romanos e Gálatas falam a mesma coisa, por ângulos diferentes

Romanos mostra a necessidade universal da justificação pela fé, demonstrando que ninguém consegue se justificar pela Lei.
Gálatas defende essa justificação contra qualquer tentativa de misturar obras humanas com a obra perfeita de Cristo.

Romanos 2:13 expõe o padrão impossível da Lei.
Gálatas 2 e 3 revelam o único caminho real: a fé no Senhor Jesus Cristo.

Não há contradição, mas complementaridade. A Lei cala o homem; a fé em Cristo o justifica. A Lei revela o pecado; Cristo remove o pecado. A Lei exige justiça; Cristo é a nossa justiça.

Josué Matos

Na passagem Atos 4:35 (A Comunidade Cristã Primitiva), faziam tudo para ter equilíbrio os membros do Corpo de Cristo

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Na passagem Atos 4:35 (A Comunidade Cristã Primitiva), faziam tudo para ter equilíbrio os membros do Corpo de Cristo.

Exemplo — A COLETA era repartida entre os MEMBROS — para ter equilíbrio no Corpo — sendo que o que não tinha nada era suprido pela coleta do outro que tinha recursos, segundo a prosperidade que Deus dava a cada Membro.

Hoje, como as igrejas reunidas ao nome do Senhor veem isso?

Minha Resposta:

A prática descrita em Atos 4:35 precisa ser entendida com bastante cuidado, tanto no seu contexto histórico quanto no seu significado espiritual para as igrejas que hoje se reúnem ao nome do Senhor.

Em Atos 4:32–35, vemos um quadro muito específico da igreja em Jerusalém, logo após o derramamento do Espírito Santo. Ali havia uma comunhão viva, real e profundamente espiritual. O texto mostra que os bens não eram considerados como propriedade absoluta, mas colocados à disposição para suprir necessidades reais. O objetivo não era nivelar economicamente todos, nem estabelecer um sistema permanente de economia coletiva, mas cuidar dos irmãos que estavam em necessidade imediata, muitos deles peregrinos que permaneceram em Jerusalém após o Pentecostes.

É importante notar alguns princípios fundamentais presentes no texto:

  1. A prática era voluntária, não obrigatória
    Em nenhum momento os apóstolos impuseram a venda de bens ou a entrega de recursos. Isso fica ainda mais claro em Atos 5:4, quando Pedro diz a Ananias que o bem era dele antes de ser vendido e o valor continuava sob seu controle depois da venda. Portanto, não se trata de comunismo cristão, nem de um modelo econômico imposto à igreja, mas de liberalidade espontânea produzida pelo amor de Cristo.

  2. O foco era suprir necessidades, não criar igualdade material absoluta
    O texto diz que “não havia entre eles necessitado algum”. Isso não significa que todos passaram a ter exatamente a mesma condição financeira, mas que ninguém ficava abandonado. Esse mesmo princípio aparece em 2 Coríntios 8:13–15, quando Paulo ensina que não se trata de sobrecarregar uns para aliviar outros, mas de haver igualdade no sentido de suprimento, conforme a necessidade do momento.

  3. A responsabilidade era local e espiritual
    Os recursos eram colocados “aos pés dos apóstolos”, que tinham discernimento espiritual para distribuir conforme a necessidade. Não era um sistema institucionalizado, nem uma estrutura administrativa pesada, mas cuidado pastoral e comunhão no Espírito.

Quando olhamos para as igrejas que hoje se reúnem ao nome do Senhor, esse princípio continua válido, embora a forma prática possa variar conforme o contexto.

As igrejas reunidas ao nome do Senhor, de modo geral, entendem que:
– A comunhão material é expressão da comunhão espiritual, não sua base
– As ofertas são voluntárias, fruto da graça de Deus operando no coração
– O cuidado com os necessitados da comunhão local é uma responsabilidade real e bíblica
– Não existe um mandamento para repetir literalmente o modelo de Jerusalém, mas sim para viver o mesmo espírito de amor, cuidado e sensibilidade espiritual

O Novo Testamento mostra que, à medida que a igreja se espalhou, não se repetiu esse modelo de venda coletiva de bens. Em cidades como Corinto, Filipos e Tessalônica, havia crentes ricos e pobres, e Paulo não ordena a venda de propriedades, mas ensina liberalidade, generosidade e responsabilidade pessoal diante de Deus.

Portanto, o equilíbrio no Corpo de Cristo não vem de um sistema econômico imposto, mas da vida de Cristo fluindo nos membros. Quando o Senhor Jesus ocupa o lugar que Lhe é devido, o crente não se apega aos bens como absolutos, mas os reconhece como recursos confiados por Deus para serem usados com sabedoria, amor e discernimento.

Assim, Atos 4:35 não estabelece um modelo obrigatório para todas as épocas, mas revela o coração da igreja quando o Senhor Jesus é verdadeiramente o centro. Onde Ele governa, haverá cuidado, sensibilidade, justiça e amor prático entre os irmãos, sem coação, sem manipulação e sem interesses humanos.

Esse princípio continua plenamente atual, não como sistema, mas como vida.

Josué Matos

Você mentiu sobre a desordem e confusão e falou que em Atos 2 passaram a falar em outras línguas

Alguém que me escreveu no YouTube:

Você mentiu sobre a desordem e confusão e falou que em Atos 2 passaram a falar em outras línguas que cada um entendia em sua língua, não que cada um falava idiomas diferentes. Deus é Espírito e os carnais não vão entender e sempre avaliarão por sua experiência pessoal.

Minha Resposta:

Não houve mentira alguma, apenas leitura cuidadosa do texto bíblico dentro do seu contexto.

Em Atos dos Apóstolos 2, o próprio texto deixa claro dois fatos simultâneos e inseparáveis:

  1. Os discípulos falaram línguas reais, idiomas humanos distintos.

  2. As pessoas de várias nações ouviram cada um na sua própria língua materna.

O texto diz:
“E todos ficaram maravilhados e não sabiam o que pensar, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?” (Atos dos Apóstolos 2:7-8)

Note que o milagre não está apenas no ouvir, mas no falar. Os galileus não tinham conhecimento natural daqueles idiomas, mas passaram a falar línguas identificáveis: partos, medos, elamitas, moradores da Mesopotâmia, da Judeia, da Capadócia, do Ponto, da Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito, da Líbia, romanos, cretenses e árabes (Atos dos Apóstolos 2:9-11). Isso não é linguagem celestial nem sons ininteligíveis, mas idiomas humanos reconhecidos.

Se o milagre fosse apenas “cada um ouvir do seu jeito”, o espanto não seria: “como os ouvimos falar”, mas apenas “como entendemos”. O texto afirma explicitamente: “os ouvimos falar em nossas línguas as grandezas de Deus” (Atos dos Apóstolos 2:11).

Quanto à afirmação de que “Deus é Espírito e os carnais não vão entender”, isso não pode ser usado para anular a clareza do texto bíblico. A Escritura não é interpretada pela experiência pessoal, mas pela própria Escritura. A revelação do Espírito Santo nunca contradiz aquilo que Ele mesmo inspirou a ser escrito.

O mesmo livro de Atos mostra que línguas tinham propósito definido: sinal para judeus incrédulos e confirmação da inclusão dos gentios, nunca como confusão nas reuniões da igreja. Por isso o apóstolo Paulo escreve que Deus não é Deus de confusão, mas de paz (Primeira Epístola aos Coríntios 14:33), e que, sem interpretação, o falar em línguas não edifica a igreja (Primeira Epístola aos Coríntios 14:2-5, 27-28).

Espiritualidade não é medida pela experiência subjetiva, mas pela submissão humilde à Palavra de Deus. Quando o texto é claro, não cabe espiritualizar para acomodar práticas posteriores. Em Atos 2 houve ordem, clareza, entendimento e edificação — exatamente o oposto da confusão.

Josué Matos