Alguém que me escreveu no YouTube:
Pois é, pastor, continuamos a andar em círculos porque você, apesar de ser pastor, e eu não, continua sem perceber que o arrebatamento é para nos livrar da ira de Deus no Dia do Senhor, quando Jesus vier em chama de fogo para atribular aqueles que nos atribulam, e não para nos livrar de ver iníquo nenhum, como é o caso do homem do pecado, como está escrito em 2 Tessalonicenses, capítulo 2, versículos 1 a 3.
Se você continuar sem perceber uma coisa tão simples, então continue com esse seu ensino maravilhoso, que faz a delícia de muitos crentes.
Se você não acredita que o que Paulo escreve aos tessalonicenses, na segunda carta, no capítulo 1, versículos 7 e 8, é que o arrebatamento é no Dia do Senhor, então paciência, porque há muitos que percebem, como é o meu caso, embora eu não seja pastor.
Os tessalonicenses também perceberam assim e não precisaram ler outras cartas, como vocês fazem, como Zacarias e muito menos o livro do Apocalipse, até porque não o tinham.
Aqueles que escolheram Barrabás em vez de Jesus também não perceberam que o problema é o Dia do Senhor, e não os anticristos, como o imperador romano daquela época. E não venha fazer comparações entre o imperador romano e o Anticristo que ainda não se manifestou, como vocês tanto gostam de fazer.
Minha Resposta:
Antes de voltar ao assunto bíblico, gostaria de esclarecer algo que parece estar influenciando a maneira como o senhor interpreta minhas respostas.
Eu não sou pastor. Sou simplesmente um pecador que foi salvo pela graça de Deus, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo, quando tinha 18 anos de idade. Durante estes 39 anos de salvo, tenho procurado ler a Bíblia e estudá-la com dedicação. Só isso, nada mais.
Não precisamos ser pastores, padres, missionários ou possuir qualquer título religioso para adquirir conhecimento das Escrituras. Precisamos lê-las com humildade, dedicação e o desejo sincero de aprender a verdade nelas contida. O Espírito Santo, que inspirou as Escrituras, é o Mestre eficaz que ilumina o entendimento daqueles que desejam conhecer a Palavra de Deus.
O próprio Senhor Jesus declarou:
"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (João 14:26).
Embora essa promessa tenha sido dirigida inicialmente aos apóstolos, o Novo Testamento também ensina que o Espírito Santo habita em todos os verdadeiros salvos e atua no seu entendimento espiritual (1 Coríntios 2:12-14; 1 João 2:27).
Além disso, Paulo escreveu:
"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15).
Portanto, não é necessário ser pastor para conhecer a Bíblia, assim como não basta ser pastor para interpretá-la corretamente. A autoridade está nas Escrituras, não no título de quem as explica.
Dito isso, gostaria de voltar à sua argumentação, pois tenho a impressão de que continuamos repetindo os mesmos pontos sem que as passagens anteriormente apresentadas estejam sendo examinadas em conjunto.
Não sei se o senhor tem lido integralmente minhas respostas e consultado as referências bíblicas indicadas. Espero sinceramente que sim, porque o objetivo não é vencer uma discussão, mas compreender aquilo que Deus revelou.
1. O senhor está confundindo o arrebatamento com a manifestação de Cristo em glória
O senhor insiste que Segunda Tessalonicenses 1:7-8 ensina que o arrebatamento acontecerá quando Jesus vier em chama de fogo para exercer juízo sobre os perseguidores dos cristãos.
Entretanto, peço que observe algo muito simples: onde, nesses dois versículos, Paulo descreve o arrebatamento?
Leia novamente:
"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo." (2 Tessalonicenses 1:7-8).
O texto descreve a manifestação pública do Senhor Jesus em glória e juízo.
Não menciona a ressurreição dos mortos em Cristo, a transformação dos salvos vivos, nem o encontro da Igreja com o Senhor nos ares.
Esses acontecimentos são descritos em outra passagem:
"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:17).
Observe a diferença entre as duas descrições.
Em Primeira Tessalonicenses 4, Cristo vem buscar os que Lhe pertencem. O encontro acontece nos ares, e o resultado é a reunião dos salvos com o Senhor.
Em Segunda Tessalonicenses 1, Cristo é revelado em glória, acompanhado dos anjos do Seu poder, exercendo juízo sobre os que rejeitaram a Deus e o Evangelho.
O senhor está tratando essas duas descrições como se fossem necessariamente o mesmo acontecimento, mas isso é justamente o que precisaria demonstrar pelas Escrituras.
Não basta afirmar que são a mesma coisa. É necessário explicar por que Paulo apresenta características e propósitos diferentes.
2. O descanso prometido aos tessalonicenses não significa que o arrebatamento acontecerá naquele momento
Aqui está outro ponto importante.
O senhor interpreta a promessa de descanso, mencionada em Segunda Tessalonicenses 1:7, como se Paulo estivesse estabelecendo a data do arrebatamento.
Mas observe o contexto.
Nos versículos 4 e 5, Paulo fala da perseverança dos tessalonicenses em meio às perseguições. No versículo 6, declara que Deus retribuirá com tribulação aos que os atribulam. Nos versículos 7 a 10, apresenta a futura manifestação de Cristo, quando a justiça divina será publicamente exercida.
O assunto principal é a justa retribuição de Deus.
Paulo está assegurando aos cristãos perseguidos que seus sofrimentos não serão esquecidos e que os seus perseguidores não ficarão impunes.
O descanso dos salvos e o juízo dos perseguidores são apresentados em contraste.
Isso não significa que os cristãos precisarão permanecer na Terra até a manifestação de Cristo em glória para somente então serem reunidos com Ele.
Aliás, o próprio Paulo escreveu:
"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho." (Filipenses 1:21).
E acrescentou que desejava partir e estar com Cristo, porque isso era muito melhor (Filipenses 1:23).
Portanto, o descanso do cristão não depende de ele permanecer vivo até o dia em que Cristo exercerá juízo sobre o mundo.
Segunda Tessalonicenses 1 apresenta a manifestação pública da justiça de Deus. Não é uma exposição da ordem dos acontecimentos relacionados ao arrebatamento.
3. Segunda Tessalonicenses 2:1-3 não ensina que a Igreja precisa ver o homem do pecado
O senhor volta a mencionar os três primeiros versículos do capítulo 2, mas continua sem considerar a distinção que Paulo estabelece logo no início.
Leia atentamente:
"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).
Algumas traduções apresentam corretamente, conforme o texto grego adotado nas edições críticas, a expressão "Dia do Senhor", e outras trazem "Dia de Cristo". A questão central, porém, permanece: Paulo estava corrigindo a falsa informação de que aquele dia já havia chegado.
Observe que ele menciona nossa reunião com Cristo no versículo 1 e, em seguida, trata da perturbação relacionada ao Dia do Senhor.
O problema não era uma suposta carta falsa dizendo que o arrebatamento já havia acontecido. A informação enganosa dizia respeito ao Dia do Senhor.
É precisamente por isso que Paulo menciona, no versículo 3, a apostasia e a manifestação do homem do pecado.
Ele estava demonstrando que os acontecimentos proféticos relacionados àquele período de juízo não correspondiam à situação em que os tessalonicenses se encontravam.
O texto não diz:
"A Igreja somente será arrebatada depois que todos os cristãos virem o homem do pecado."
Essa afirmação não aparece na passagem.
O senhor está transformando os acontecimentos mencionados em relação ao Dia do Senhor em condições obrigatórias para o arrebatamento da Igreja.
Na compreensão pré-tribulacional que venho apresentando, são acontecimentos distintos dentro do mesmo programa profético da vinda de Cristo.
A Igreja aguarda o Senhor; o mundo caminha para o Dia do Senhor e seus juízos.
4. O próprio Paulo ensinou que os salvos não estão destinados à ira
O senhor afirmou que o arrebatamento é para nos livrar da ira de Deus.
Nesse ponto, concordamos plenamente.
A divergência está em sua conclusão de que, por esse motivo, o arrebatamento necessariamente acontecerá na manifestação de Cristo em chama de fogo.
Paulo escreveu:
"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:9).
Anteriormente, havia declarado que os tessalonicenses aguardavam dos céus o Filho de Deus, Jesus, que nos livra da ira futura (1 Tessalonicenses 1:10).
A promessa de livramento não exige que a Igreja permaneça na Terra até o momento em que Cristo vier executar publicamente o juízo.
Pelo contrário, entendemos que o arrebatamento é justamente o acontecimento pelo qual o Senhor retirará a Sua Igreja antes do período da ira divina.
Também precisamos distinguir duas coisas que o senhor continua relacionando como se fossem idênticas: a perseguição sofrida pelos cristãos e a ira de Deus sobre o mundo.
Os tessalonicenses estavam sendo perseguidos por homens ímpios. Isso não significa que estivessem experimentando os juízos proféticos do Dia do Senhor.
O Senhor Jesus declarou:
"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." (João 16:33).
Os cristãos sempre estiveram sujeitos a perseguições. Entretanto, a perseguição promovida pelos homens contra os salvos não deve ser confundida com a ira que Deus derramará sobre o mundo incrédulo.
5. Por que devemos consultar outras passagens bíblicas?
O senhor também afirmou que os tessalonicenses não precisaram ler Zacarias nem Apocalipse para compreender o assunto.
Permita-me fazer uma observação.
O livro de Zacarias já existia havia séculos quando Paulo escreveu aos tessalonicenses. O livro de Apocalipse, por sua vez, ainda não havia sido escrito, conforme a datação tradicionalmente aceita.
Mas há outro detalhe: os tessalonicenses receberam pessoalmente ensinamentos do apóstolo Paulo que não estão integralmente registrados nas duas epístolas.
Ele mesmo declarou:
"Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco?" (2 Tessalonicenses 2:5).
Portanto, não podemos presumir que tudo o que aqueles cristãos sabiam sobre os acontecimentos futuros estava limitado às palavras que hoje encontramos nessas duas cartas.
Além disso, nós temos a revelação bíblica completa e devemos examiná-la em conjunto.
O senhor parece considerar inadequado consultar outros livros da Bíblia para compreender determinado assunto. Entretanto, esse procedimento contraria o próprio princípio de interpretação das Escrituras.
Paulo escreveu:
"Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça." (2 Timóteo 3:16).
Se Deus revelou informações sobre determinado assunto em diferentes livros, por que deveríamos ignorá-las?
Primeira Tessalonicenses 4 apresenta o arrebatamento; Primeira Coríntios 15 explica a transformação dos salvos; Segunda Tessalonicenses 2 trata do engano relacionado ao Dia do Senhor; Zacarias 14 descreve acontecimentos relacionados à manifestação do Messias; e Apocalipse desenvolve os juízos futuros e a manifestação gloriosa de Cristo.
Não estamos acrescentando acontecimentos à Bíblia. Estamos procurando compreender o conjunto da revelação divina.
Uma passagem não deve ser utilizada para anular outra.
6. Sobre Barrabás, o imperador romano e o Anticristo
Sinceramente, não consigo perceber como a escolha de Barrabás pela multidão, mencionada em Mateus 27:15-26, demonstra que o arrebatamento ocorrerá durante a manifestação de Cristo em glória.
São assuntos distintos.
Também não estou afirmando que o imperador romano daquela época fosse o homem do pecado descrito por Paulo.
O homem do pecado, apresentado em Segunda Tessalonicenses 2:3-4, é uma figura profética futura, cuja manifestação está relacionada aos acontecimentos finais.
O texto declara que ele se levantará contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, chegando ao ponto de se apresentar como Deus.
Não devemos confundir essa figura com qualquer perseguidor histórico da Igreja, embora ao longo dos séculos tenham existido muitos homens com características de oposição a Cristo.
João, inclusive, escreveu que muitos anticristos já haviam surgido (1 João 2:18), sem que isso eliminasse a expectativa relacionada ao Anticristo.
Entretanto, volto ao ponto central: a existência futura do homem do pecado não significa que a Igreja tenha recebido a ordem de aguardar a sua manifestação antes de encontrar o Senhor Jesus.
A esperança apresentada aos salvos é Cristo, não o Anticristo.
7. Uma última consideração
Prezado, permita-me encerrar com uma observação pessoal.
Já procurei responder às suas perguntas em diferentes ocasiões, apresentando as passagens bíblicas e explicando o contexto de cada uma delas. Entretanto, percebo que continuamos retornando às mesmas afirmações, sem que os argumentos anteriormente apresentados sejam efetivamente examinados.
O senhor tem todo o direito de discordar de minha compreensão das profecias. Não pretendo exigir que aceite minhas conclusões simplesmente porque as apresentei.
Da mesma maneira, o fato de o senhor afirmar que compreendeu algo não significa, por si só, que a sua interpretação esteja correta.
O critério deve ser sempre a Palavra de Deus.
Os cristãos de Bereia foram elogiados porque receberam a Palavra com prontidão, mas examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que ouviam correspondia à verdade (Atos 17:11).
É essa atitude que desejo para mim e recomendo a todos os que acompanham meus estudos.
Não tenho interesse em alimentar discussões intermináveis, muito menos em transformar uma questão doutrinária numa disputa pessoal sobre quem sabe mais ou quem entende menos.
A Bíblia não foi dada para demonstrarmos superioridade intelectual ou religiosa, mas para conhecermos a Deus, Sua vontade e Seus propósitos.
Por isso, deixo-lhe três perguntas para reflexão:
Se Primeira Tessalonicenses 4:13-18 e Segunda Tessalonicenses 1:7-10 descrevem exatamente o mesmo acontecimento, por que uma passagem apresenta o encontro dos salvos com Cristo nos ares e a outra descreve a manifestação pública do Senhor em juízo sobre os ímpios?
Onde Segunda Tessalonicenses 2:1-3 afirma expressamente que a Igreja deverá presenciar a manifestação do homem do pecado antes de ser arrebatada?
Se os tessalonicenses deveriam aguardar primeiramente o aparecimento do homem do pecado, por que Paulo os descreveu como pessoas que aguardavam dos céus o Filho de Deus (1 Tessalonicenses 1:9-10)?
Não é necessário responder imediatamente. Minha sugestão é que leia novamente as duas epístolas completas, observando a sequência dos assuntos e distinguindo aquilo que Paulo realmente escreveu das conclusões que podemos estar acrescentando ao texto.
Quanto a mim, continuo aguardando o Senhor Jesus Cristo, conforme Sua promessa:
"Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." (João 14:3).
Que essa seja a nossa esperança e que o estudo da Palavra de Deus produza em nós não apenas conhecimento, mas também humildade, reverência e amor pela verdade.
Josué Matos