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As religiões dualistas são a pior coisa do mundo?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

As religiões dualistas são a pior coisa do mundo. Dividem a humanidade numa batalha eterna entre 'nós' contra 'eles', dividem as pessoas entre 'salvos' e 'perdidos'. O Calvinismo é tão perverso que acredita que Deus criou pessoas já destinadas ao inferno antes mesmo de nascerem. Vocês não percebem o absurdo? Sabiam que o 'inferno' é apenas um mitozinho ridículo copiado do Zoroastrismo? Mas o 'inferno' do Zoroastrismo não era eterno. O Cristianismo é a religião do 'amor', é muito 'amor' no coração.

Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e Josué nunca existiram. O Êxodo nunca aconteceu. Os Dez Mandamentos foram inspirados no Código de Hamurábi. A Bíblia é pura mitologia. Leiam o livro A Bíblia Desenterrada, do arqueólogo Israel Finkelstein. Chega de mentirismo!

Minha Resposta:

Agradeço por expressar sua opinião de forma franca. Entretanto, algumas das afirmações apresentadas merecem ser examinadas com cuidado.

Em primeiro lugar, nem todos os cristãos concordam com a doutrina calvinista da predestinação. Muitos cristãos entendem que Deus deseja a salvação de todos os homens. A Bíblia afirma que Deus "quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade" (1 Timóteo 2:4) e que o Senhor "não quer que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se" (2 Pedro 3:9). Portanto, não é correto atribuir a todo o Cristianismo uma posição específica de uma corrente teológica.

Quanto à divisão entre salvos e perdidos, essa não surgiu do Cristianismo nem de qualquer sistema filosófico posterior. O próprio Senhor Jesus falou repetidamente sobre dois caminhos, duas portas, dois destinos e duas ressurreições. Em Mateus 7:13-14 Ele falou da porta larga e da porta estreita. Em João 5:28-29 falou da ressurreição da vida e da ressurreição da condenação. A questão não é criar uma divisão artificial, mas reconhecer que cada ser humano precisa tomar uma posição diante de Deus.

Sobre o inferno, a ideia de juízo futuro aparece tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Séculos antes da influência persa sobre Israel, já encontramos referências ao castigo divino e à responsabilidade moral diante de Deus. Além disso, foi o próprio Senhor Jesus quem mais falou sobre a realidade do castigo eterno, como em Mateus 25:46: "E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna". Se alguém rejeita a existência do inferno, precisa explicar por que o Senhor Jesus ensinou sobre ele de forma tão clara.

Quanto à existência histórica de Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e Josué, é verdade que a arqueologia ainda debate muitos detalhes do período patriarcal e do Êxodo. Porém, ausência de evidência não é evidência de ausência. Diversos personagens e cidades da antiguidade foram considerados lendários por séculos até que descobertas posteriores confirmaram sua existência. A arqueologia é uma ciência valiosa, mas não possui registros completos de todos os acontecimentos da história antiga.

A alegação de que os Dez Mandamentos foram copiados do Código de Hamurábi também simplifica excessivamente a questão. Existem semelhanças entre legislações antigas porque todas tratam de problemas humanos semelhantes, como homicídio, roubo e propriedade. Entretanto, os Dez Mandamentos apresentam uma base moral e espiritual completamente diferente. O Código de Hamurábi é essencialmente um conjunto de leis civis; os Dez Mandamentos começam estabelecendo a relação do homem com Deus e depois regulam a relação com o próximo.

Por fim, a questão central da Bíblia não é provar a existência de cada detalhe histórico, mas apresentar a revelação de Deus e a pessoa de Jesus Cristo. O verdadeiro desafio não é apenas perguntar se Abraão existiu, mas responder quem foi Jesus Cristo. Sua vida, morte e ressurreição continuam sendo os fatos mais influentes da história humana.

Josué Matos

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A Bíblia ensina claramente que os pecados do crente foram levados por Cristo na cruz?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Eu entendo que aqueles que creem em Cristo tiveram os pecados perdoados por Ele e cravados na cruz, de sorte que não precisarão passar pelo julgamento, pois nenhuma acusação lhes pode ser imputada, passando da morte para a vida. Procede? Qual sua opinião? Abs. (Gostei muito do seu texto).

Minha Resposta:

Sim, o seu entendimento está correto, desde que estejamos falando daqueles que verdadeiramente creram no Senhor Jesus Cristo como Salvador.

A Bíblia ensina claramente que os pecados do crente foram levados por Cristo na cruz. Em Isaías 53:5 lemos que Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades. Em 1 Pedro 2:24 está escrito que Ele mesmo levou em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro.

Por isso, o crente jamais entrará em condenação pelos seus pecados. O Senhor Jesus declarou em João 5:24:

"Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida."

Observe que o versículo não diz que passará da morte para a vida, mas que já passou. É uma realidade presente para todo aquele que crê.

Da mesma forma, Romanos 8:1 afirma:

"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus."

E alguns versículos depois, em Romanos 8:33-34, encontramos uma pergunta extraordinária:

"Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu."

Isso não significa que o crente não comparecerá diante de Cristo. Todos os salvos comparecerão perante o Tribunal de Cristo, conforme 2 Coríntios 5:10. Porém, esse tribunal não é para decidir salvação ou condenação. A questão da condenação foi resolvida definitivamente na cruz. Nesse tribunal serão avaliadas as obras, o serviço, a fidelidade e as motivações do crente, para galardão ou perda de recompensa.

O julgamento pelos pecados do crente já aconteceu há quase dois mil anos, quando Cristo foi feito pecado por nós na cruz. Deus não julga duas vezes o mesmo pecado. Se Cristo pagou integralmente a dívida, nada resta para ser cobrado daquele que está nEle.

Portanto, aquele que verdadeiramente recebeu a Cristo possui perdão completo, justificação perfeita, paz com Deus e a certeza da vida eterna. Seus pecados foram lançados para trás das costas de Deus, removidos tão longe quanto o Oriente está do Ocidente, e jamais serão trazidos novamente para condenação.

Fico feliz que o texto tenha sido útil para você.

Josué Matos

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No Milênio é totalmente diferente da Nova Terra em que os judeus irão morar após a destruição dessa terra atual?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Graça e Paz irmão Josué.

Uma consulta com o irmão.

No Milênio é totalmente diferente da Nova Terra em que os judeus irão morar após a destruição dessa terra atual. Confere?

Minha Resposta:

Sim, o Milênio e o Estado Eterno são períodos diferentes. O Milênio corresponde aos mil anos de reinado do Senhor Jesus sobre esta terra (Apocalipse 20:1-6). Depois virão o Juízo do Grande Trono Branco e, em seguida, os novos céus e a nova terra (Apocalipse 20:11-15; 21:1).

Porém, eu faria uma observação importante: nem no Milênio nem na Nova Terra devemos pensar apenas nos judeus.

Durante o Milênio, Israel ocupará uma posição de destaque entre as nações. Diversas profecias mostram que Jerusalém será o centro do governo do Messias e que Israel será colocado como cabeça das nações (Isaías 2:2-4; Isaías 60:1-3; Zacarias 8:22-23).

Entretanto, o reino milenar não será composto apenas por judeus. Haverá muitas nações gentílicas vivendo sobre a terra e desfrutando das bênçãos do governo justo do Senhor Jesus.

Isaías 2:2-4 fala de "todas as nações" subindo ao monte do Senhor.

Zacarias 14:16 declara:

"E acontecerá que todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorarem o Rei."

Mateus 25:31-34 mostra que, na vinda do Senhor em glória, haverá nações que entrarão no reino preparado para elas.

Portanto, o Milênio não será habitado apenas por judeus salvos, mas por judeus e gentios salvos que sobreviverem aos juízos da Tribulação e entrarem vivos no reino.

Quanto ao Estado Eterno, a mesma observação deve ser feita.

Apocalipse 21:3 não diz que Deus habitará apenas com os judeus, mas:

"Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens."

Em Apocalipse 21:24 lemos:

"E as nações dos salvos andarão à sua luz."

Observe que o texto fala das nações. Isso demonstra que, no Estado Eterno, continuam existindo povos oriundos de todas as nações redimidas por Deus.

Além disso, a Igreja é composta por judeus e gentios unidos em um só corpo (Efésios 2:14-16; Efésios 3:6). Portanto, quando pensamos na eternidade, não podemos limitar as bênçãos apenas aos judeus.

Meu entendimento é que Israel terá sua posição especial no cumprimento das promessas feitas aos patriarcas durante o reino milenar. Porém, tanto no Milênio quanto no Estado Eterno veremos a plena manifestação da graça de Deus para com todos os remidos, judeus e gentios.

A Bíblia nunca apresenta a Nova Terra como sendo exclusivamente a morada dos judeus. Ela apresenta um cenário de comunhão universal dos salvos com Deus, enquanto a Nova Jerusalém aparece em conexão especial com a Igreja glorificada.

Josué Matos

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A Nova Terra no Estado Eterno continuará separada da habitação da Igreja ou poderá se fundir com o Terceiro Céu e ser uma habitação única tanto para a Igreja quanto para os judeus?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

A Nova Terra no Estado Eterno continuará separada da habitação da Igreja ou poderá se fundir com o Terceiro Céu e ser uma habitação única tanto para a Igreja quanto para os judeus?

Pelo seu entendimento, o que o irmão acha, lembrando que a Bíblia não revela essa questão.

Mas, pelo entendimento do irmão.

Minha Resposta:

Esta é uma pergunta interessante porque realmente entramos em uma área onde a revelação bíblica é limitada. Precisamos tomar cuidado para não afirmar como doutrina aquilo que Deus não revelou claramente.

O que a Bíblia afirma é que, no Estado Eterno, haverá “novos céus e nova terra” (Apocalipse 21:1; 2 Pedro 3:13). Também vemos a descrição da Cidade Santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu da parte de Deus (Apocalipse 21:2).

Um detalhe importante é que a Nova Jerusalém continua sendo apresentada como distinta da nova terra. João vê a cidade “descendo do céu”, o que sugere uma identidade própria. Além disso, a cidade é chamada “a esposa, a mulher do Cordeiro” (Apocalipse 21:9-10), apontando para uma relação especial com a Igreja.

Ao mesmo tempo, Apocalipse 21:3 diz: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens”. Isso mostra uma proximidade e comunhão perfeitas entre Deus e todos os remidos. Não há mais pecado, morte, separação, maldição ou qualquer barreira.

Por isso, pessoalmente, não creio que a Nova Jerusalém deixe de existir como entidade distinta. A descrição bíblica parece indicar que ela continua tendo sua identidade própria. Porém, também não vejo uma separação no sentido de distância ou exclusão entre a Igreja e os demais remidos.

Devemos lembrar que as distinções administrativas que existem durante o Milênio parecem chegar ao seu propósito final. Em 1 Coríntios 15:24-28 vemos que o Senhor Jesus entregará o reino ao Pai, após haver sujeitado todas as coisas. O Estado Eterno apresenta uma condição de perfeita harmonia sob o governo de Deus.

Portanto, meu entendimento é que a Nova Jerusalém continuará existindo como a habitação especial da Igreja glorificada, mas em perfeita união e comunhão com todos os remidos que habitarão os novos céus e a nova terra. Não imagino uma fusão literal da cidade com o terceiro céu ou com a nova terra, porque a Escritura não afirma isso. Também não imagino uma separação que crie diferentes níveis de acesso a Deus, porque Apocalipse 21 enfatiza precisamente o contrário: Deus habitando com os homens em perfeita comunhão.

Em resumo: a Bíblia parece indicar distinção sem separação. Identidades preservadas, mas comunhão perfeita. Além desse ponto, entramos em terreno onde Deus não revelou detalhes suficientes para sermos dogmáticos.

Josué Matos

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