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João 20:17 deixa claro o seguinte: o espírito só sobe após a ressurreição, e não antes dela?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Perdoe-me, acho que não fui claro na minha colocação. Eu não disse que você havia afirmado que Jesus tinha pressa, mas eu quis dizer que a pressa fica evidente ao ler João 20:17. Porém, a sua resposta para esse trecho que diz: ‘Não me detenhas’ seria porque Ele ainda não havia sido glorificado, ao passo que eu disse que isso não faria sentido, pois, após deixar Maria Madalena, Jesus volta a aparecer no mesmo dia à tarde; depois, só aparece oito dias depois, vindo a ser glorificado quase 40 dias depois, conforme você mesmo afirma.

Então, podemos concluir que a pressa de Jesus não era por causa daquele glorioso dia em que Ele sobe na presença de todos, mas para nos deixar claro que Ele ainda não havia se apresentado a Deus, fato esse que pode ter acontecido logo após deixar Maria.

Pois bem, João 20:17 deixa claro o seguinte: o espírito só sobe após a ressurreição, e não antes dela. E isso fica claro quando Paulo afirma, em 1 Coríntios 15, que, sem a ressurreição, estaríamos perdidos. Ora, se o espírito já está com Deus, como, pois, estaríamos perdidos sem a ressurreição?

Em relação a Cristo assumir diferentes corpos, nós sabemos que, para Ele, tudo é possível, pois foi Ele quem ressuscitou Lázaro num corpo carnal; porém, no nosso caso, ressuscitar-nos-á num corpo espiritual ou em espírito.

Assim, voltando aos dois discípulos no caminho de Emaús, se, por um lado, Lucas afirma que era como se eles tivessem escamas nos olhos, por outro, Marcos diz que Jesus aparece em outra forma, o que deixa entender que Ele pode ter aparecido em outro corpo, não reconhecido pelos dois. Veja:

‘Depois disso, Jesus se apresentou com outra aparência a dois discípulos que iam caminhando para o campo. Eles voltaram e foram contar isso aos outros discípulos, e estes não acreditaram no que os dois disseram.’ (Marcos 16:12-13, versão Gateway).

Minha Resposta:

Obrigado pelo esclarecimento. Agora compreendi melhor o seu argumento. Entretanto, creio que precisamos separar alguns assuntos que estão sendo colocados juntos: a ascensão do Senhor Jesus, o destino do Seu espírito quando morreu, a necessidade da ressurreição e a natureza do corpo ressurreto.

  1. João 20:17 não ensina uma ascensão secreta naquele mesmo dia

O ponto principal está nas próprias palavras do Senhor:

“Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20:17).

A expressão “não me detenhas” não significa necessariamente: “Não me toque porque preciso subir imediatamente ao céu”. A ideia é de não continuar segurando, prendendo-se ou apegando-se fisicamente a Ele.

Isso fica ainda mais claro porque o próprio Senhor permitiu contato físico depois da ressurreição.

Em Mateus 28:9, as mulheres “abraçaram os seus pés e o adoraram”. Em Lucas 24:39, o Senhor disse:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.”

E, em João 20:27, disse a Tomé:

“Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; e chega a tua mão e põe-na no meu lado.”

Portanto, João 20:17 não pode significar simplesmente que Maria estava proibida de tocar no corpo de Cristo porque Ele ainda não havia se apresentado ao Pai.

Há também outro problema. Não encontramos nenhum texto das Escrituras afirmando que Cristo subiu secretamente ao céu naquela manhã, apresentou-Se ao Pai e depois voltou à terra.

Ao contrário, a ascensão é apresentada nas Escrituras como um acontecimento definido, ocorrido depois do período em que Cristo ressurreto apareceu aos discípulos.

Lucas escreve:

“Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias” (Atos dos Apóstolos 1:3).

Depois:

“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos” (Atos dos Apóstolos 1:9).

Assim, não vejo fundamento bíblico suficiente para introduzir outra ascensão entre João 20:17 e João 20:19. A Bíblia registra uma ascensão corporal de Cristo ao céu depois das Suas aparições durante aqueles quarenta dias.

  1. O espírito de Cristo foi ao Pai quando Ele morreu

Aqui está, talvez, o ponto principal da nossa diferença.

João 20:17 não diz: “Meu espírito ainda não foi ao Pai”. Cristo diz:

“Ainda não subi para meu Pai.”

Ascensão e entrega do espírito não são a mesma coisa.

Na cruz, as últimas palavras do Senhor são muito importantes:

“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46).

Imediatamente depois, Lucas acrescenta:

“E, havendo dito isto, expirou.”

Portanto, não me parece possível usar João 20:17 para afirmar que o espírito de Cristo somente foi ao Pai depois da ressurreição, porque Lucas 23:46 indica exatamente o contrário.

Isso também está de acordo com a promessa feita ao ladrão:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).

Observe a palavra “hoje”.

O corpo de Cristo foi colocado no sepulcro, mas isso não significa que Sua existência pessoal cessou até a ressurreição. O Senhor entregou Seu espírito ao Pai.

Encontramos algo semelhante na morte de Estêvão:

“Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (Atos dos Apóstolos 7:59).

Portanto, precisamos distinguir entre o estado da pessoa após a morte e a futura ressurreição do corpo.

  1. Se o espírito está com Cristo, por que ainda precisamos da ressurreição?

Essa é uma excelente pergunta, mas 1 Coríntios 15 não ensina que a existência consciente do crente começa somente na ressurreição.

Paulo ensina claramente:

“Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).

Observe a distinção: deixar o corpo e estar com o Senhor.

Em Filipenses 1:23, Paulo também escreve:

“Tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.”

Se a pessoa permanecesse inexistente ou inconsciente até a ressurreição, seria difícil compreender por que Paulo consideraria “partir e estar com Cristo” algo “muito melhor”.

A ressurreição é necessária porque a salvação que Deus planejou para o homem não consiste simplesmente na sobrevivência do espírito ou da alma.

Deus criou o homem como um ser completo. A morte produz uma separação anormal entre a parte material e a parte imaterial do homem. A ressurreição desfaz definitivamente essa obra da morte.

Por isso Paulo escreve:

“Esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23).

Portanto, quando um salvo morre, ele está com Cristo, mas ainda aguarda a ressurreição do seu corpo.

É exatamente por isso que 1 Tessalonicenses 4:16 diz:

“Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.”

Depois haverá a reunião definitiva:

“E assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

  1. Então, por que Paulo diz que sem a ressurreição estaríamos perdidos?

Porque, em 1 Coríntios 15, Paulo está demonstrando as consequências de negar a ressurreição.

Ele não está dizendo que a alma ou o espírito permanecem no cadáver até a ressurreição.

O argumento começa em 1 Coríntios 15:12:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?”

Paulo então demonstra a consequência lógica:

“E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou” (1 Coríntios 15:13).

E:

“E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Coríntios 15:17).

Este é o ponto.

Se não existe ressurreição, então Cristo também não ressuscitou. Se Cristo não ressuscitou, o Evangelho é falso, a fé cristã é vã e não existe salvação.

Mas Paulo imediatamente declara:

“Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20).

A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa própria ressurreição.

Portanto, não há qualquer contradição entre dizer que o crente que morre está com Cristo e afirmar que ele ainda precisa da ressurreição.

  1. “Corpo espiritual” não significa “ser apenas espírito”

Aqui também precisamos fazer uma distinção importante.

Paulo escreve:

“Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1 Coríntios 15:44).

Observe que Paulo não diz:

“Semeia-se um corpo e ressuscita um espírito.”

Ele diz:

“ressuscitará corpo espiritual.”

Continua sendo corpo.

“Espiritual” descreve a natureza e a condição daquele corpo, não significa que o corpo deixe de ser corpo e se transforme simplesmente em espírito.

Isso fica absolutamente claro no próprio Senhor Jesus ressuscitado.

Ele disse:

“Um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24:39).

Cristo ressurreto tinha um corpo verdadeiro. Ele podia ser visto, tocado e reconhecido. Ele também comeu diante dos discípulos:

“Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um favo de mel; o que ele tomou e comeu diante deles” (Lucas 24:42-43).

Todavia, aquele corpo não estava mais sujeito às limitações da mortalidade.

Assim também será conosco.

Paulo explica:

“Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia; ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza; ressuscitará com vigor” (1 Coríntios 15:42-43).

E Filipenses 3:21 acrescenta que Cristo:

“Transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso.”

Portanto, não seremos ressuscitados “em espírito”, no sentido de deixarmos de possuir corpo. Receberemos um corpo ressurreto, glorificado, incorruptível e imortal.

  1. Lázaro e Cristo não tiveram o mesmo tipo de ressurreição

Também precisamos fazer essa distinção.

Lázaro foi trazido novamente à vida física, mas voltou à condição mortal. Por isso saiu do sepulcro ainda:

“Ligado de pés e mãos com faixas” (João 11:44).

Lázaro voltou à vida que possuía anteriormente e posteriormente morreu.

A ressurreição de Cristo é diferente.

Cristo:

“Ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele” (Romanos 6:9).

Por isso Cristo é chamado:

“As primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20).

Sua ressurreição inaugura uma nova ordem.

  1. E quanto aos discípulos no caminho de Emaús?

Aqui precisamos ler Lucas e Marcos juntos, e não fazer um texto eliminar o outro.

Lucas diz:

“Os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem” (Lucas 24:16).

Mais tarde:

“Abriram-se-lhes, então, os olhos, e o conheceram” (Lucas 24:31).

Portanto, Lucas atribui o não reconhecimento deles a uma ação sobre a percepção dos próprios discípulos.

Marcos 16:12 acrescenta:

“E, depois, manifestou-se em outra forma a dois deles que iam de caminho para o campo.”

Isso pode indicar uma aparência diferente, mas não nos autoriza a concluir que Cristo assumiu “outro corpo”.

O texto diz “outra forma” ou “outra aparência”; não diz “outro corpo”.

Essa distinção é importante.

O próprio relato de Lucas identifica continuamente a Pessoa que caminhava com eles como Jesus:

“O próprio Jesus se aproximou e ia com eles” (Lucas 24:15).

Não diz que Jesus criou ou assumiu outro corpo.

Além disso, quando apareceu aos discípulos naquele mesmo dia, fez questão de demonstrar a identidade e continuidade do Seu corpo:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo” (Lucas 24:39).

“Sou eu mesmo” é uma expressão muito significativa.

Não era outro Cristo nem outro corpo assumido temporariamente. Era o mesmo Jesus que havia sido crucificado, agora ressuscitado e glorificado.

As marcas das Suas mãos, pés e lado confirmavam essa continuidade (João 20:20,27).

  1. A ressurreição não é uma sucessão de corpos diferentes

Se dissermos que Cristo simplesmente assumia corpos diferentes depois da ressurreição, enfraquecemos justamente uma das grandes verdades que os Evangelhos procuram demonstrar: o túmulo estava vazio porque o corpo que havia sido crucificado foi ressuscitado.

Quando as mulheres chegaram ao sepulcro, receberam a mensagem:

“Não está aqui, porque já ressuscitou” (Mateus 28:6).

Se o corpo colocado no túmulo permanecesse ali e Cristo simplesmente assumisse outro, isso não seria ressurreição daquele corpo.

Da mesma maneira, Pedro declara acerca de Cristo:

“Nem a sua carne viu a corrupção” (Atos dos Apóstolos 2:31).

A identidade corporal é preservada, embora a condição do corpo seja completamente transformada.

É exatamente a figura empregada por Paulo em 1 Coríntios 15:36-38. Uma semente é colocada na terra e dela surge algo numa condição muito superior, porém existe continuidade de identidade.

  1. O que significa, então, “não me detenhas”?

O sentido parece estar ligado à nova relação que estava começando.

Maria conhecera Cristo segundo Sua presença física aqui na terra. Quando percebeu que Ele estava vivo, naturalmente desejou segurá-Lo, como se a antiga convivência fosse simplesmente continuar.

Mas não seria assim.

Cristo ressuscitou e estava caminhando para Sua ascensão ao Pai. Uma nova ordem estava começando.

Por isso Ele disse:

“Não me detenhas.”

Em outras palavras, Maria não deveria pensar que a relação com Ele continuaria simplesmente como antes da cruz. Ele subiria ao Pai, e os discípulos passariam a conhecê-Lo numa nova relação, associada à Sua posição celestial.

Isso combina perfeitamente com o que Ele já havia ensinado antes da cruz:

“Convém-vos que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei” (João 16:7).

  1. A sequência bíblica permanece muito clara

Podemos resumir assim:

Cristo morreu → entregou Seu espírito ao Pai (Lucas 23:46).

Seu corpo foi colocado no sepulcro (João 19:40-42).

Ao terceiro dia, Ele ressuscitou corporalmente (Lucas 24:6; 1 Coríntios 15:4).

Durante quarenta dias apresentou-Se vivo aos discípulos com muitas provas (Atos dos Apóstolos 1:3).

Depois ascendeu corporal e visivelmente ao céu (Atos dos Apóstolos 1:9-11).

Foi exaltado à direita de Deus (Atos dos Apóstolos 2:32-33).

Não precisamos inserir entre esses acontecimentos uma ascensão secreta na manhã da ressurreição, porque nenhum texto bíblico afirma que ela ocorreu.

Da mesma forma, quanto ao salvo, a sequência bíblica é:

Ele morre → deixa o corpo e está com Cristo (2 Coríntios 5:8; Filipenses 1:23).

Seu corpo aguarda a ressurreição.

Na vinda do Senhor, os mortos em Cristo ressuscitarão (1 Tessalonicenses 4:16).

O corpo será transformado em incorruptibilidade e glória (1 Coríntios 15:42-44,51-53).

Finalmente, estaremos completos e para sempre com o Senhor (1 Tessalonicenses 4:17).

Portanto, concordo que Marcos 16:12 mostra uma mudança na aparência sob a qual Cristo Se manifestou aos discípulos de Emaús. O que não creio que possamos concluir é que se tratava de “outro corpo”. Também concordo plenamente que 1 Coríntios 15 torna a ressurreição absolutamente indispensável. Porém, isso não significa que o espírito do salvo permaneça no sepulcro aguardando a ressurreição. A Escritura distingue claramente o estado consciente com Cristo após a morte da futura ressurreição do corpo.

A esperança cristã não é simplesmente que nosso espírito sobreviva à morte. É muito maior: Cristo venceu a própria morte, ressuscitou corporalmente e, por causa da Sua vitória, também ressuscitará os Seus. Por isso Paulo encerra essa grande revelação dizendo:

“Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1 Coríntios 15:54-55).

A ressurreição é a vitória completa de Deus sobre a morte.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Aí está o grande problema: em Mateus 18:20 não existe essa ordem?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão, muitas divisões foram feitas no mundo e no Brasil por causa desse versículo. Os exclusivistas dizem que as igrejas locais só podem se reunir ao nome do Senhor Jesus Cristo; assim, todos os outros grupos que se identificam com alguma placa estão em desobediência ao MANDAMENTO DO SENHOR. Aí está o grande problema: em Mateus 18:20 não existe essa ordem. O texto fala exclusivamente de uma ‘assembleia administrativa’ e não de um culto cristão.

Lembrando que a Igreja não existia, o Senhor está falando aos discípulos judeus, debaixo da lei judaica. Observamos a mudança de autoridade: a Sua assembleia estaria debaixo da autoridade do Seu Nome para tratar de assuntos administrativos e não mais debaixo da autoridade do Sinédrio. Isso é o máximo que podemos retirar do texto, e a lição é simplesmente de reconciliação.

O texto não fala nada de placa, pastor, sistema religioso; isso é invenção de Darby, e muitos excelentes irmãos continuam nesse erro e cometendo, assim, divisão na Igreja de Cristo.

Quanto à placa de uma igreja, é apenas uma identidade de uma linha interpretativa de alguma prática não fundamental, pois, nessas questões, todos os cristãos entendem da mesma forma. Assim como a sua igreja local se identifica e possui uma identidade que remonta ao século XIX, o problema é que você anula a história, mas, na prática, pertence a uma denominação pós-reformada. Faça uma busca histórica da origem de ‘Gospel Hall’ e vai chegar a essa conclusão.

Minha Resposta:

Obrigado pelo comentário. Creio que há alguns pontos aqui que precisam ser separados, porque, se misturarmos a história dos movimentos cristãos com aquilo que o texto bíblico efetivamente ensina, podemos acabar julgando a Escritura pela história, quando deveríamos fazer justamente o contrário: julgar toda prática cristã pela Escritura.

Primeiramente, concordo com uma parte importante da sua observação: Mateus 18:20 está dentro de um contexto de disciplina e autoridade da igreja local. Não devemos retirar o versículo do seu contexto.

O assunto começa em Mateus 18:15:

“Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só.”

Depois, o Senhor apresenta uma sequência. Primeiro, o assunto deve ser tratado individualmente. Se não houver solução, devem ser levadas uma ou duas testemunhas (Mateus 18:16). Persistindo o problema, o Senhor diz:

“Dize-o à igreja” (Mateus 18:17).

Portanto, estamos claramente diante da igreja local exercendo responsabilidade e autoridade. Nesse ponto estamos de acordo.

Mas justamente aí surge a dificuldade da interpretação apresentada na pergunta.

Se Mateus 18:20 estivesse falando exclusivamente de uma reunião administrativa de discípulos judeus debaixo da Lei, por que o Senhor manda dizer o assunto “à igreja”?

A palavra usada é ekklesia.

E aqui precisamos comparar Mateus 18 com Mateus 16.

Em Mateus 16:18, o Senhor havia declarado:

“Sobre esta pedra edificarei a minha igreja.”

Observe o tempo verbal: “edificarei”.

A Igreja, como Corpo de Cristo, ainda era futura. Ela seria formada posteriormente, mediante a descida do Espírito Santo, conforme vemos em Atos dos Apóstolos 2 e somos ensinados em 1 Coríntios 12:13.

Portanto, o fato de a Igreja ainda não existir naquele momento não significa que Cristo não pudesse ensinar antecipadamente princípios que seriam aplicáveis a ela depois da sua formação.

Na realidade, Ele já havia feito exatamente isso em Mateus 16:18.

Em Mateus 16 temos a Igreja em seu aspecto universal: “a minha igreja”.

Em Mateus 18 temos a expressão prática e local dessa Igreja: “dize-o à igreja”.

E qual é a igreja à qual aquele cristão poderia comunicar o problema?

Evidentemente, uma igreja existente numa determinada localidade.

Não poderia ser a Igreja universal, composta por todos os salvos, pois seria impossível reunir todos os crentes para resolver o problema entre duas pessoas.

Logo, Mateus 18:17 necessariamente introduz o princípio da igreja local.

Agora observe a sequência:

“Dize-o à igreja” (Mateus 18:17).

“Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu” (Mateus 18:18).

“Se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem...” (Mateus 18:19).

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).

O versículo 20 começa com “porque”.

Isso é importante.

O Senhor está explicando por que aquela pequena companhia possui autoridade para agir. Não é porque exista um Sinédrio cristão, uma autoridade central, uma sede mundial, uma federação de igrejas ou um homem exercendo autoridade sobre todas as igrejas. É porque Cristo está no meio da igreja local reunida ao Seu Nome.

Portanto, concordo que Mateus 18:20 envolve autoridade. Mas não concordo com a conclusão de que isso elimina o princípio da reunião ao Nome do Senhor. Na realidade, uma coisa explica a outra.

A autoridade da igreja local está diretamente relacionada ao Nome daquele em torno de quem ela está reunida.

Isso fica ainda mais evidente quando chegamos às epístolas.

Em 1 Coríntios 5 temos uma situação de disciplina na igreja de Corinto, exatamente o tipo de autoridade que encontramos em Mateus 18.

E como Paulo descreve aquela reunião?

“Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 5:4).

É difícil não perceber a ligação.

Mateus 18 apresenta a igreja reunida em Seu Nome e exercendo autoridade.

Primeira Coríntios 5 apresenta a igreja reunida em Nome do Senhor Jesus Cristo e exercendo disciplina.

Portanto, não estamos diante de uma ideia inventada no século XIX. O próprio Novo Testamento estabelece essa relação.

Mas há ainda outro aspecto importante.

A expressão de Mateus 18:20 traduzida por “reunidos em meu nome” contém uma ideia muito mais profunda do que simplesmente algumas pessoas decidirem encontrar-se.

O texto apresenta os discípulos como reunidos ao Seu Nome. O Nome é o ponto de referência, autoridade e atração da reunião.

Isso não significa simplesmente colocar uma placa na parede dizendo “Nome de Jesus”. Tampouco significa que basta alguém afirmar verbalmente: “Estamos reunidos ao Nome”.

O Nome representa a Pessoa.

Reunir-se ao Nome de Cristo significa reconhecer quem Ele é, Sua autoridade e Sua Palavra.

Por isso, a igreja local não pode simplesmente decidir sua doutrina, sua organização e sua forma de funcionamento conforme a preferência dos seus membros.

Cristo é Senhor.

Colossenses 1:18 diz:

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja.”

Se Cristo é o Cabeça, a Igreja não tem liberdade para criar outra cabeça.

E se Cristo é Senhor, os cristãos devem procurar obedecer ao padrão estabelecido por Ele mediante os apóstolos.

Por isso lemos:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (Atos dos Apóstolos 2:42).

Agora chegamos à questão das denominações.

É verdade que Mateus 18:20 não diz literalmente: “Não coloquem uma placa denominacional na frente do prédio”.

Também não menciona “Baptista”, “Presbiteriana”, “Metodista”, “Pentecostal”, “Luterana” ou qualquer outro nome.

Mas isso não resolve a questão.

Precisamos perguntar: o Novo Testamento autoriza os cristãos a adotarem nomes que os distingam de outros cristãos?

É aqui que 1 Coríntios se torna muito importante.

Em Corinto os crentes começaram a criar distinções entre si:

“Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo” (1 Coríntios 1:12).

Qual foi a reação de Paulo?

“Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:13).

Observe que Paulo não disse que essas identificações eram legítimas porque expressavam apenas “linhas interpretativas”.

Ele condenou o princípio.

Mais adiante diz:

“Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?” (1 Coríntios 3:3-4).

Esse é o verdadeiro problema.

Não estou dizendo que todos os cristãos pertencentes a denominações sejam carnais ou que não sejam salvos. Isso seria uma conclusão completamente diferente e antibíblica.

Há verdadeiros filhos de Deus espalhados por muitos sistemas religiosos. Todo aquele que verdadeiramente nasceu de novo mediante a fé no Senhor Jesus pertence ao Corpo de Cristo.

A questão aqui não é a salvação da pessoa.

A questão é o princípio segundo o qual os cristãos devem se reunir.

Paulo não permitia que os cristãos transformassem nomes de servos de Deus em identidades eclesiásticas.

E note algo ainda mais impressionante: até dizer “eu sou de Cristo” aparece naquela lista.

Por quê?

Porque até o precioso Nome de Cristo pode ser usado de maneira sectária se alguém disser, em essência: “Cristo pertence ao nosso grupo e não aos demais”.

Portanto, reunir-se ao Nome do Senhor não significa reivindicar exclusividade sobre Cristo.

Muito pelo contrário.

Significa recusar qualquer nome que nos separe dos demais membros do Corpo de Cristo.

Eu não preciso de um nome que me diferencie de outro cristão.

O nome de Cristo é suficiente.

Quando Paulo escreveu às igrejas, como as identificou?

“A igreja de Deus que está em Corinto” (1 Coríntios 1:2).

“As igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2).

“A todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos” (Filipenses 1:1).

“Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos” (Colossenses 1:2).

As identificações eram geográficas, não denominacionais.

Havia igreja em Corinto, igrejas na Galácia, santos em Filipos, crentes em Tessalónica, igreja em Éfeso etc.

Não encontramos no Novo Testamento denominações distinguindo grupos de cristãos uns dos outros.

Quanto à afirmação de que essa doutrina foi “invenção de Darby”, existe um problema cronológico muito simples: Mateus 18:20 foi escrito aproximadamente dezoito séculos antes de Darby nascer.

Primeira Coríntios 1 também.

Atos dos Apóstolos 2 também.

Darby, ou qualquer outro expositor bíblico, pode ter compreendido corretamente ou incorretamente determinado texto. Isso deve ser examinado. Mas atribuir uma doutrina a um homem não refuta a interpretação.

A pergunta correta não é: “Darby ensinava isso?”

A pergunta é:

“A Bíblia ensina isso?”

Se Darby ensinou alguma coisa contrária às Escrituras, devemos rejeitá-la.

Se Lutero ensinou alguma coisa contrária às Escrituras, devemos rejeitá-la.

Se Calvino ensinou alguma coisa contrária às Escrituras, devemos rejeitá-la.

Se os chamados “Irmãos” ensinam alguma coisa contrária às Escrituras, devemos rejeitá-la.

E, naturalmente, se eu ensinar alguma coisa contrária às Escrituras, também deve ser rejeitada.

“Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

Quanto ao termo “Gospel Hall”, também é necessário fazer uma distinção.

“Gospel Hall” não é o nome de uma denominação. É simplesmente uma expressão usada em alguns países de língua inglesa para identificar o edifício ou local onde uma igreja se reúne. Em português seria algo semelhante a “Salão do Evangelho”.

O prédio precisa ter algum tipo de identificação prática, especialmente para que as pessoas saibam onde fica o local de reunião.

O prédio não é a igreja.

A igreja são as pessoas.

Em Romanos 16:5, Paulo fala da “igreja que está em sua casa”. A casa não se transformava em igreja por causa disso. Era simplesmente o lugar onde aquela igreja se reunia.

Por isso, identificar um edifício como “Salão do Evangelho”, colocar o endereço numa página da Internet ou usar uma designação geográfica para indicar onde os cristãos se encontram não cria necessariamente uma denominação.

Naturalmente, se alguém transformar “Gospel Hall”, “Irmãos”, “Assembleia dos Irmãos” ou qualquer outra expressão numa identidade denominacional e disser “esta é a nossa denominação”, estará fazendo exatamente aquilo que afirmamos não encontrar apoio no Novo Testamento.

Não devemos substituir uma denominação por outra.

Também não devemos substituir um nome denominacional pelo nome “Irmãos”.

Somos simplesmente cristãos.

Agora, quanto ao argumento histórico de que esse modo de reunião surgiu no século XIX, precisamos novamente separar duas coisas.

Historicamente, é verdade que houve no século XIX um movimento de cristãos que abandonaram diferentes sistemas denominacionais procurando voltar à simplicidade do Novo Testamento.

Isso é história.

Mas eles não inventaram Mateus 18:20, Atos dos Apóstolos 2:42, 1 Coríntios 1, 1 Coríntios 5, 1 Coríntios 11, 1 Coríntios 14, Efésios 4 ou Hebreus 10:25.

Portanto, eu não afirmaria que uma igreja local hoje possui uma “sucessão histórica” desde o século XIX.

Essa não é a nossa base.

Muito menos afirmaria que existe uma cadeia histórica ininterrupta de determinadas assembleias chegando até os apóstolos.

A autoridade não vem de uma sucessão histórica.

Vem da Palavra de Deus.

Imagine que durante séculos ninguém praticasse determinada verdade bíblica e, posteriormente, alguns cristãos a encontrassem nas Escrituras e começassem a obedecê-la.

Essa verdade seria falsa porque passou séculos negligenciada?

Evidentemente que não.

A pergunta continuaria sendo:

“Está escrito?”

Esse princípio aparece de maneira muito bonita em 2 Reis 22 e 23. Nos dias do rei Josias, o Livro da Lei foi encontrado e muitas coisas que estavam escritas haviam sido negligenciadas. A resposta correta não foi dizer: “Não podemos fazer isso porque nossos antepassados não fizeram”.

A resposta foi voltar à Palavra de Deus.

O mesmo princípio aparece em Neemias 8, quando o povo redescobrou nas Escrituras aquilo que deveria praticar.

Portanto, a história pode explicar como chegamos a determinado ponto, mas ela não determina o que é verdadeiro.

A Palavra de Deus determina.

Também devemos tomar cuidado com a palavra “divisão”.

Separar-se de outros cristãos por orgulho, rivalidade, preferência pessoal ou espírito partidário é errado.

Mas abandonar um princípio não bíblico para obedecer às Escrituras não pode automaticamente ser chamado de divisão.

Caso contrário, a Reforma Protestante inteira teria de ser condenada simplesmente porque produziu separação de Roma.

A questão nunca pode ser apenas:

“Houve separação?”

A questão precisa ser:

“Qual foi a razão da separação?”

Quando Paulo trata das divisões em Corinto, ele identifica exatamente o problema: os cristãos estavam criando partidos em torno de homens.

“Eu sou de Paulo.”

“Eu sou de Apolo.”

“Eu sou de Cefas.”

A resposta apostólica não foi criar um partido melhor.

Foi perguntar:

“Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:13).

É exatamente esse princípio que devemos preservar.

Portanto, não digo que somente os cristãos que se reúnem da maneira que considero bíblica são salvos. Nem digo que Deus não possa usar cristãos que estão em denominações. Deus, em Sua soberania e graça, usa muitos dos Seus filhos em circunstâncias bastante diferentes.

Mas uma coisa é reconhecer todos os verdadeiros crentes como membros do Corpo de Cristo.

Outra coisa é afirmar que todos os sistemas eclesiásticos existentes possuem igualmente aprovação bíblica.

Essas duas afirmações não são a mesma coisa.

Efésios 4:4 declara:

“Há um só corpo.”

E Efésios 4:5 acrescenta:

“Um só Senhor.”

O Corpo é um e o Senhor é um.

Por isso, nosso desejo deveria ser expressar essa unidade, e não criar novas identidades dentro dela.

Finalmente, concordo novamente com um ponto da pergunta: Mateus 18 não está ensinando simplesmente a forma de um “culto cristão”. O contexto imediato envolve reconciliação, disciplina, oração, autoridade e a ação da igreja local.

Mas justamente essa igreja que exerce tal autoridade é descrita pelo Senhor como reunida ao Seu Nome e contando com Sua presença no meio dela.

Portanto, não precisamos escolher entre duas interpretações:

“Mateus 18 fala de autoridade”

ou

“Mateus 18 fala de reunião ao Nome do Senhor”.

As duas verdades estão juntas.

A igreja possui autoridade precisamente porque está reunida reconhecendo a autoridade do Senhor Jesus Cristo.

E o restante do Novo Testamento confirma esse princípio.

“Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós...” (1 Coríntios 5:4).

“Quando vos ajuntais na igreja...” (1 Coríntios 11:18).

“Quando vos ajuntais num lugar...” (1 Coríntios 11:20).

“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais...” (1 Coríntios 14:26).

Portanto, não se trata de defender Darby, os “Irmãos”, os “Gospel Halls” ou qualquer movimento do século XIX.

Trata-se de perguntar com sinceridade:

Se retirarmos todos os nomes denominacionais, todas as tradições posteriores, todos os movimentos históricos e todas as estruturas desenvolvidas ao longo dos séculos, e ficarmos somente com o Novo Testamento, como encontramos os cristãos reunidos?

Encontramos cristãos salvos e batizados, perseverando na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (Atos dos Apóstolos 2:41-42); reunindo-se numa determinada localidade (1 Coríntios 1:2); reconhecendo Cristo como Cabeça (Colossenses 1:18); exercendo os dons dados pelo Espírito Santo (1 Coríntios 12–14); sendo guiados por uma pluralidade de anciãos (Atos dos Apóstolos 14:23; 20:17,28); celebrando a Ceia do Senhor (1 Coríntios 11:23-26); exercendo disciplina quando necessária (1 Coríntios 5:4-5); e reconhecendo somente a autoridade do Senhor Jesus e da Sua Palavra.

É a esse modelo que devemos procurar voltar.

Não porque algum homem no século XIX o ensinou, mas porque encontramos seus princípios no Novo Testamento.

Nossa lealdade não deve ser a Darby, Lutero, Calvino, Wesley ou qualquer outro nome.

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11).

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Meu irmão, se você tem um canal para expor suas ideias, então deve estar preparado para receber comentários concordando ou discordando.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Meu irmão, se você tem um canal para expor suas ideias, então deve estar preparado para receber comentários concordando ou discordando. Pedir para um colaborador criar um canal para expor suas ideias não é o ideal. Se você não aceita o contraditório, exponha seu entendimento e não permita comentários. Lembrando que somos irmãos em Cristo e estaremos juntos na eternidade, onde não haverá divergência de entendimento. Se temos essa esperança, então devemos nos esforçar para vivermos em paz e comunhão.

Minha Resposta:

Creio que houve um equívoco quanto ao que eu lhe disse. Em nenhum momento afirmei que não aceito comentários contrários ao que ensino. Se eu não aceitasse o contraditório, realmente seria mais simples impedir comentários. Não é esse o problema.

O problema é outro: o senhor apresenta suas ideias, mas se nega a ler atentamente as minhas respostas. Depois, em vez de refutar biblicamente aquilo que respondi, volta a apresentar a sua posição, contando histórias de livros, autores ou interpretações que conhece. Dessa maneira, não existe diálogo nem debate bíblico; existem apenas duas pessoas falando coisas diferentes sem examinar os argumentos uma da outra.

Se o senhor apresenta uma interpretação e eu respondo mostrando, pelas Escrituras, por que entendo que essa interpretação está errada, o próximo passo de um diálogo sério é o senhor ler a minha resposta e mostrar, também pelas Escrituras, onde estaria o meu erro. É assim que uma discussão bíblica deve prosseguir.

A Bíblia apresenta esse princípio claramente: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21). Os bereanos foram elogiados porque examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11). Observe que o padrão não era simplesmente apresentar uma opinião diferente, mas examinar aquilo que estava sendo ensinado à luz da Palavra de Deus.

Da mesma forma, o apóstolo Paulo escreveu: “Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo” (1 Coríntios 10:15). E ainda encontramos o princípio: “Os profetas falem dois ou três, e os outros julguem” (1 Coríntios 14:29). Portanto, não tenho qualquer problema em ter o que ensino examinado. Pelo contrário: deve ser examinado. Mas o padrão desse exame precisa ser a Palavra de Deus.

É justamente isso que espero quando alguém discorda de mim.

Se eu digo: “Este texto bíblico ensina isto por estas razões”, não adianta responder apenas: “Eu li um livro que ensina outra coisa”, “determinado autor pensava diferente” ou contar a história de determinada interpretação. Isso pode demonstrar que existem opiniões diferentes, mas não demonstra que a interpretação bíblica apresentada está errada.

Um livro pode estar errado. Um comentarista pode estar errado. Um pregador pode estar errado. Eu posso estar errado. O senhor também pode estar errado. A questão é: o que dizem as Escrituras?

O próprio Senhor Jesus frequentemente conduzia as discussões para esse fundamento. Ele perguntou: “Que está escrito na lei? Como lês?” (Lucas 10:26). Em outra ocasião declarou: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mateus 22:29). Portanto, conhecer opiniões religiosas não substitui conhecer e examinar o texto bíblico.

É importante também distinguir entre “contraditório” e simplesmente repetir continuamente uma opinião. Contraditório verdadeiro significa enfrentar o argumento apresentado.

Por exemplo, se eu apresentar três textos bíblicos e explicar por que eles sustentam determinada conclusão, quem discorda deveria mostrar: primeiro, por que aqueles textos não significam aquilo que afirmei; segundo, qual é o contexto correto; terceiro, quais passagens bíblicas demonstram outra conclusão. Isso é uma refutação. Apenas repetir a posição anterior não é.

Paulo escreveu a Tito que aquele que ensina deve ser capaz de “exortar com a sã doutrina e convencer os contradizentes” (Tito 1:9). Isso mostra que a existência de contradizentes não é algo estranho ao ensino cristão. Entretanto, tanto aquele que ensina quanto aquele que contradiz devem lidar com a doutrina e com a Palavra.

Quanto à paz e à comunhão que o senhor mencionou, naturalmente a Escritura ensina que devemos procurar viver em paz. Romanos 12:18 diz: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens”. Efésios 4:2-3 também nos ensina sobre humildade, mansidão, longanimidade e o esforço para guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.

Entretanto, paz cristã não significa que diferenças doutrinárias não possam ser examinadas. O mesmo Novo Testamento que ensina a paz também ordena: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21), “provai se os espíritos são de Deus” (1 João 4:1) e “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3).

Portanto, paz e verdade não são inimigas.

Podemos conversar respeitosamente e, ao mesmo tempo, discordar profundamente sobre uma interpretação bíblica. O que não considero produtivo é eu gastar tempo preparando uma resposta bíblica detalhada e a pessoa dizer, em essência, que não vai lê-la, para depois continuar enviando suas próprias ideias.

Nesse caso, já não estamos examinando juntos as Escrituras.

Por isso, minha posição continua muito simples: o senhor é livre para discordar do que publico. Pode inclusive dizer que minha interpretação está errada. Mas, se pretende continuar discutindo comigo determinado assunto, leia primeiro aquilo que respondi. Depois mostre, biblicamente, onde errei.

Pegue os textos que apresentei. Examine o contexto. Mostre onde minha interpretação falhou. Apresente as passagens que, em sua compreensão, demonstram o contrário. Se fizer isso, teremos uma discussão bíblica objetiva e respeitosa.

Mas se a intenção for apenas utilizar o espaço dos comentários para apresentar repetidamente suas próprias ideias, sem considerar nem responder aos argumentos bíblicos que lhe foram apresentados, então este não é o lugar para isso. Nesse caso, realmente seria mais adequado ter o seu próprio espaço para publicar e desenvolver livremente aquilo em que acredita.

Não digo isso porque tenha receio do contraditório. Ao contrário: se houver uma refutação bíblica do que escrevi, estou disposto a examiná-la. O que peço é exatamente aquilo que espero aplicar a mim mesmo: que a Palavra de Deus seja a autoridade final.

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20).

Portanto, se desejar continuar o assunto, não precisamos contar histórias de livros nem simplesmente repetir posições. Vamos ao texto bíblico. Leia aquilo que respondi, escolha os pontos dos quais discorda e refute-os pelas Escrituras. Assim haverá um diálogo que poderá ser proveitoso para ambos e também para aqueles que estiverem acompanhando.

Josué Matos

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A Igreja e o Reino de Deus - Qual a Diferença?

 Alguém que me escrweveu no YouTube:

Gostei do vídeo: “A Igreja e o Reino de Deus — Qual a Diferença?”. Ajudou-me a entender este assunto complexo. Vou rever, depois das minhas férias, para entender melhor. Teve bastante Teologia Bíblica e Sistemática. PARABÉNS! Só não concordei com o entendimento do MILÊNIO LITERAL.

Minha Resposta:

Muito obrigado pelas palavras e por ter assistido ao vídeo com atenção. Fico contente por saber que o conteúdo ajudou a compreender melhor a diferença entre a Igreja e o Reino de Deus.

Quanto ao Milênio literal, compreendo que existem diferentes interpretações entre aqueles que estudam as profecias bíblicas. Há os que entendem os “mil anos” de Apocalipse 20 simbolicamente e há os que entendem que se trata de um período real e futuro. A posição que apresentei no vídeo é a segunda, porque entendo que ela acompanha de maneira mais natural tanto Apocalipse 20 como as muitas profecias do Antigo Testamento acerca do futuro reinado do Messias.

O ponto principal não está somente na expressão “mil anos”. Na realidade, o assunto começa muito antes do livro de Apocalipse.

  1. Apocalipse menciona seis vezes os mil anos

Em Apocalipse 20:1-7, a expressão “mil anos” aparece repetidamente. Satanás é preso por mil anos; os santos reinam com Cristo durante mil anos; os demais mortos não revivem até que os mil anos sejam completados; e, depois de terminados os mil anos, Satanás é solto.

Portanto, temos uma sequência:

Cristo volta em glória — Apocalipse 19:11-21;

Satanás é preso — Apocalipse 20:1-3;

Cristo reina com os Seus santos — Apocalipse 20:4-6;

completam-se os mil anos — Apocalipse 20:7;

Satanás é solto e ocorre a última rebelião — Apocalipse 20:7-10;

segue-se o julgamento do grande trono branco — Apocalipse 20:11-15;

depois aparecem o novo céu e a nova terra — Apocalipse 21:1.

Essa sequência é uma das razões pelas quais entendo que o Milênio não representa simplesmente a época atual da Igreja. O texto coloca esse reinado depois da manifestação gloriosa de Cristo descrita no capítulo 19 e antes do estado eterno apresentado nos capítulos 21 e 22.

Além disso, Apocalipse 20 apresenta os mil anos como um período definido entre acontecimentos igualmente definidos. Satanás é preso antes desse período e solto quando ele termina.

  1. A situação atual não corresponde à prisão de Satanás descrita em Apocalipse 20

Apocalipse 20:3 explica a finalidade da prisão de Satanás: “para que mais não engane as nações”.

Isso é muito importante.

No tempo presente, Satanás ainda está ativo. O apóstolo Pedro escreveu:

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (Primeira Epístola de Pedro 5:8).

Paulo também o chama de “deus deste século”, dizendo que ele cegou “os entendimentos dos incrédulos” (Segunda Epístola aos Coríntios 4:4).

Portanto, existe uma diferença evidente entre a atividade de Satanás atualmente e a condição apresentada em Apocalipse 20:1-3. Hoje ele anda em derredor e engana; naquele período estará preso no abismo para não enganar as nações.

  1. O Milênio não começa em Apocalipse 20

Apocalipse 20 revela claramente a duração do reino, mas o próprio reino já havia sido profetizado muitas vezes.

Por exemplo:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros” (Isaías 9:6).

Logo depois:

“Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino” (Isaías 9:7).

Observe que o Messias está relacionado ao trono de Davi.

A mesma verdade aparece no anúncio do nascimento do Senhor Jesus:

“Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacó” (Evangelho segundo Lucas 1:32-33).

Aqui temos elementos muito específicos: o Rei é Jesus Cristo; o trono é o trono de Davi; e a casa sobre a qual Ele reinará é a casa de Jacó.

Por isso, não considero correto transformar “Jacó” em Igreja ou o “trono de Davi” simplesmente no governo espiritual de Cristo no coração dos crentes. A Igreja possui bênçãos extraordinárias em Cristo, mas isso não significa que Deus tenha cancelado aquilo que prometeu a Israel.

  1. Israel e a Igreja precisam ser distinguidos

Esse ponto está diretamente relacionado com o tema do vídeo.

Quando não distinguimos Israel da Igreja, torna-se muito difícil compreender o Milênio literalmente, porque muitas promessas feitas especificamente a Israel acabam sendo aplicadas espiritualmente à Igreja.

Paulo, entretanto, ensina que Deus ainda possui propósitos para Israel:

“Digo, pois: porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum” (Epístola aos Romanos 11:1).

Mais adiante:

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo” (Epístola aos Romanos 11:25-26).

Observe a palavra “até”. Existe um endurecimento parcial e temporário de Israel. Isso significa que Deus ainda tem propósitos futuros para aquela nação.

  1. Existem profecias que dificilmente podem ser colocadas na época atual ou no estado eterno

Isaías 11 apresenta um período extraordinário:

“E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará” (Isaías 11:6).

Depois acrescenta:

“Não se fará mal nem dano algum em todo o monte da minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

Essa descrição não corresponde ao mundo presente.

Mas também encontramos elementos em outras profecias que mostram que não se trata ainda do estado eterno.

Isaías 65:20, por exemplo, ainda menciona morte e longevidade humana. Isso não pode descrever o estado eterno, porque em Apocalipse 21:4 está escrito que então “não haverá mais morte”.

Portanto, temos necessidade de reconhecer um período intermediário: não é a presente dispensação da Igreja, porque as condições descritas ainda não existem; e não é o estado eterno, porque ainda aparecem morte, nações e outras condições próprias da Terra. O Milênio encaixa-se precisamente nesse período profético.

  1. Zacarias apresenta o Senhor reinando sobre a Terra

Zacarias declara:

“E o Senhor será rei sobre toda a terra” (Zacarias 14:9).

O contexto é muito significativo. O capítulo fala da vinda do Senhor, do monte das Oliveiras, de Jerusalém e das nações.

Depois lemos:

“E acontecerá que todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorarem o Rei, o Senhor dos Exércitos, e celebrarem a festa das cabanas” (Zacarias 14:16).

Temos, portanto, Jerusalém, nações e o Senhor reconhecido como Rei.

Isso novamente não descreve adequadamente nem a presente época da Igreja nem o estado eterno. Aponta para o futuro governo messiânico de Cristo sobre a Terra.

  1. O Salmo 72 também descreve esse reinado

O Salmo 72 apresenta um Rei governando universalmente:

“Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra” (Salmos 72:8).

E:

“E todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão” (Salmos 72:11).

Ainda não vemos todas as nações submetidas ao Senhor Jesus dessa maneira. Hebreus reconhece exatamente essa realidade:

“Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas” (Epístola aos Hebreus 2:8).

Cristo possui o direito de reinar, mas a manifestação pública e universal desse governo ainda é futura.

  1. Cristo precisa reinar

Paulo escreveu:

“Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés” (Primeira Epístola aos Coríntios 15:25).

Depois acrescenta:

“Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (Primeira Epístola aos Coríntios 15:26).

Isso também ajuda a compreender a ordem profética. Há um período no qual Cristo reina e progressivamente todos os inimigos são colocados debaixo dos Seus pés. Finalmente, a própria morte é eliminada.

Isso concorda perfeitamente com Apocalipse 20 e 21: primeiro temos o reinado; depois, o julgamento final; finalmente, no novo céu e na nova terra, a morte já não existe.

  1. Mil anos não significa que o reino de Cristo terminará depois disso

Às vezes surge esta dificuldade: se Lucas 1:33 diz que o reino de Cristo “não terá fim”, como podemos dizer que haverá um reino de mil anos?

Não existe contradição.

Os mil anos dizem respeito a uma fase determinada do governo de Cristo sobre esta Terra. Depois disso, Seu domínio não termina. O Milênio conduz ao estado eterno.

Apocalipse 11:15 declara:

“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”

Portanto, Cristo não deixa de ser Rei quando terminam os mil anos. Termina aquela forma específica do reino sobre a Terra atual, e segue-se o estado eterno.

  1. Por que, então, entendo o Milênio literalmente?

Não é apenas porque Apocalipse 20 diz “mil anos”. É porque essa interpretação permite que várias linhas proféticas da Bíblia permaneçam em seu sentido natural.

Deus fez promessas a Abraão e aos seus descendentes; fez promessas a Davi acerca do seu trono; os profetas anunciaram a restauração de Israel; anunciaram Jerusalém ocupando um lugar especial; anunciaram as nações submetidas ao Messias; anunciaram paz e justiça sobre a Terra; e o Novo Testamento confirma que Jesus receberá o trono de Davi e reinará sobre a casa de Jacó.

Finalmente, Apocalipse 20 revela a duração desse período: mil anos.

Por isso, considero o Milênio literal não como uma doutrina construída exclusivamente sobre uma expressão encontrada em Apocalipse, mas como a conclusão de uma longa linha profética que começa muito antes. Apocalipse 20 não cria a esperança do reino messiânico; ele acrescenta um detalhe que as profecias anteriores não haviam revelado com a mesma clareza: a sua duração.

Naturalmente, reconheço que existem cristãos sinceros que interpretam essas passagens de maneira diferente. Contudo, quando seguimos uma leitura normal das promessas feitas a Israel e distinguimos Israel da Igreja, o Milênio literal apresenta uma harmonia muito clara entre os profetas, os Evangelhos, as Epístolas e o livro de Apocalipse.

E talvez, quando rever o vídeo depois das férias, este seja um bom ponto para observar: não analisar apenas Apocalipse 20 isoladamente, mas acompanhar toda a linha bíblica do reino — desde as promessas feitas a Abraão e Davi, passando por Isaías, Salmos, Daniel e Zacarias, chegando às palavras do Senhor Jesus e, finalmente, a Apocalipse 19–21.

A grande esperança não são simplesmente “mil anos”. A grande esperança é a manifestação gloriosa do próprio Senhor Jesus Cristo como Rei, quando aquilo que hoje este mundo rejeita será publicamente reconhecido:

“E no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Apocalipse 19:16).

Josué Matos

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