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E, quanto a termos poder em nossas mãos para combater a injustiça/opressão, caso ela nos seja evidenciada, não temos responsabilidade?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Graça e paz.

Assunto muito delicado em seu vídeo, Josué Matos: “Crentes, Peregrinos e Forasteiros Neste Mundo”. Entendo que Cristo é o melhor, e a régua do mundo vai até o menos pior.

O que pode me dizer sobre aquela profecia sobre os oito príncipes que se levantarão no fim dos tempos? (Malaquias)

E, quanto a termos poder em nossas mãos para combater a injustiça/opressão, caso ela nos seja evidenciada, não temos responsabilidade?

Deus abençoe sua vida.

Tenho aprendido muito com o que o Senhor lhe deu!

Minha Resposta:

Graça e paz. Agradeço pelas palavras e pelas perguntas, que realmente tratam de assuntos importantes.

Primeiramente, creio que a passagem à qual você se refere não está no livro de Malaquias, mas em Miqueias 5:5-6:

“E este será a nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra e quando pisar em nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada e a terra de Ninrode nas suas entradas; assim nos livrará da Assíria, quando vier à nossa terra e quando calcar os nossos termos.”

É muito importante observar o contexto, pois Miqueias 5 é uma passagem profundamente messiânica. Poucos versículos antes encontramos uma das profecias mais conhecidas acerca do nascimento do Senhor Jesus:

“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miqueias 5:2).

Mateus 2:5-6 confirma que essa profecia se refere ao Senhor Jesus Cristo.

Portanto, Miqueias não está simplesmente apresentando oito líderes políticos que aparecerão isoladamente no fim dos tempos. Todo o contexto aponta para Israel, para seus inimigos, para a manifestação do Messias e para o estabelecimento do Seu governo.

Quando chegamos a Miqueias 5:5, encontramos a expressão “sete pastores e oito príncipes dentre os homens”. Não devemos necessariamente entender esses números como se Deus estivesse revelando que exatamente oito homens específicos aparecerão no cenário mundial e que precisássemos tentar identificá-los hoje.

Essa construção numérica aparece outras vezes no Antigo Testamento. Por exemplo:

“Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará” (Jó 5:19).

Também lemos:

“Por três transgressões de Damasco e por quatro, não retirarei o castigo” (Amós 1:3).

A ideia é de suficiência, abundância ou plenitude. Assim, “sete pastores e oito príncipes” aponta para a provisão suficiente que Deus levantará para enfrentar o inimigo naquele contexto. O centro da profecia não são os oito príncipes; o centro é Cristo.

Observe a expressão maravilhosa: “E este será a nossa paz” (Miqueias 5:5). A segurança final de Israel não estará nos governantes humanos, nos exércitos ou na capacidade política da nação, mas no próprio Messias.

Isso também explica por que devemos ter cuidado ao pegar essa passagem e aplicá-la diretamente à Igreja. Miqueias está tratando profeticamente de Israel. A Igreja possui esperança e vocação diferentes. Nossa esperança não é conquistar o governo deste mundo, mas aguardar o Senhor Jesus Cristo dos céus (Filipenses 3:20-21; 1 Tessalonicenses 1:10).

Quanto à segunda pergunta, ela é muito importante: se temos condições de combater uma injustiça ou uma opressão, não temos responsabilidade?

Sim, temos responsabilidade, mas precisamos definir biblicamente qual é essa responsabilidade.

Ser peregrino e forasteiro não significa ser indiferente ao sofrimento das pessoas. O cristão jamais deve olhar para uma pessoa sofrendo injustiça e dizer: “Isso não me interessa porque minha cidadania está nos céus”.

O Senhor Jesus contou a parábola do bom samaritano justamente mostrando a responsabilidade moral de socorrer aquele que está diante de nós necessitado (Lucas 10:30-37).

Gálatas 6:10 também diz:

“Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.”

E Tiago escreve:

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tiago 4:17).

Portanto, se presenciamos uma injustiça e temos meios legítimos para ajudar uma pessoa, devemos fazê-lo. Podemos socorrer uma vítima, denunciar um crime às autoridades competentes, servir como testemunha, prestar auxílio material, defender alguém que está sendo injustamente acusado e utilizar os recursos legais disponíveis.

Há uma diferença, porém, entre isso e assumir para a Igreja a missão de transformar politicamente este mundo.

Romanos 13:1-7 ensina que Deus estabeleceu a autoridade civil justamente para manutenção da ordem e punição do mal. Paulo chama a autoridade de “ministro de Deus” quando ela exerce essa função.

Isso significa que, diante de um crime ou de uma injustiça, recorrer às autoridades não contradiz nossa condição de peregrinos.

O próprio apóstolo Paulo utilizou seus direitos legais quando necessário.

Quando foi açoitado ilegalmente em Filipos, ele não simplesmente ignorou o abuso. Paulo lembrou aos magistrados que ele e Silas eram cidadãos romanos e haviam sido açoitados sem condenação (Atos dos Apóstolos 16:35-39).

Em outra ocasião, quando estavam prestes a açoitá-lo, Paulo perguntou:

“É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?” (Atos dos Apóstolos 22:25).

E, quando percebeu que não teria julgamento justo, utilizou o direito que possuía:

“Apelo para César” (Atos dos Apóstolos 25:11).

Portanto, submissão às autoridades não significa aceitar passivamente toda injustiça. O cristão pode recorrer aos meios legais disponíveis.

Existe, contudo, um limite muito claro.

Quando uma autoridade exige aquilo que Deus proíbe ou proíbe aquilo que Deus ordena, nossa primeira fidelidade pertence a Deus.

Foi por isso que Pedro e os demais apóstolos disseram:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

Mas observe que os apóstolos não organizaram uma revolução contra o governo. Eles obedeceram a Deus e aceitaram sofrer as consequências dessa fidelidade.

Aqui encontramos o equilíbrio.

O cristão não deve ser indiferente à injustiça, mas também não recebeu de Cristo a missão de conquistar o sistema político para estabelecer o Reino de Deus.

Nossa responsabilidade é fazer o bem, ajudar o necessitado, denunciar aquilo que deve ser denunciado pelos meios legítimos, agir com justiça em nossa esfera de responsabilidade, obedecer às autoridades enquanto isso não significar desobedecer a Deus e, sobretudo, anunciar o Evangelho.

O Senhor Jesus disse:

“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).

E:

“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).

A influência cristã deve acontecer principalmente pelo caráter, pelas boas obras, pela verdade e pelo testemunho do Evangelho.

Há algo muito significativo em 1 Timóteo 2:1-4. Quando Paulo fala sobre reis e autoridades, ele não manda a Igreja conquistar o poder político. Ele manda os cristãos orarem:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência.”

Por quê?

“Para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.”

E então Paulo relaciona isso ao propósito evangelístico de Deus:

“Que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.”

Portanto, nosso grande objetivo não é colocar o mundo em ordem antes da vinda de Cristo. As Escrituras não apresentam a presente era caminhando para uma transformação moral progressiva produzida pela Igreja. Pelo contrário, Paulo escreveu:

“Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13).

A solução definitiva para a injustiça deste mundo não virá de um partido político, de uma ideologia ou de um governante humano. Virá quando aquele que nasceu em Belém, mencionado justamente em Miqueias 5, assumir publicamente o governo que Lhe pertence.

Isaías profetizou:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros” (Isaías 9:6).

Então haverá justiça perfeita porque o próprio Cristo governará.

Enquanto esse dia não chega, o cristão vive numa posição muito especial: está no mundo, mas não pertence ao mundo (João 17:14-16); respeita as autoridades (Romanos 13:1-7); ora por elas (1 Timóteo 2:1-2); faz o bem a todos (Gálatas 6:10); socorre quem sofre (Lucas 10:30-37); utiliza legitimamente seus direitos quando necessário (Atos dos Apóstolos 16:35-39; 22:25; 25:11); recusa-se a obedecer quando o Estado exige desobediência a Deus (Atos dos Apóstolos 5:29); e anuncia ao mundo a única mensagem capaz de transformar verdadeiramente o ser humano: o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Assim, ser “peregrino e forasteiro” não significa fugir das responsabilidades. Significa saber onde está nossa verdadeira cidadania, a quem pertencemos e qual é nossa principal missão enquanto atravessamos este mundo.

“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma” (1 Pedro 2:11).

Estamos aqui por algum tempo, fazemos todo o bem que pudermos enquanto estivermos aqui, mas aguardamos nossa verdadeira Pátria e o nosso verdadeiro Rei.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

O problema não deve ser Mário Persona, Darby, Kelly ou qualquer outro irmão. Homens podem ser instrumentos úteis de Deus, mas continuam sendo homens.

 Alguém que me escreveu no Facebook:

Boa noite, Josué!

Me chamo xxxxx e moro na cidade de xxxxxxx - XX. Estou reunido ao nome do Senhor há 10 anos em uma ala exclusivista, ligada ao grupo de Mário Persona. Se digitar meu nome no YouTube, verá que fiz várias lives com ele e já publicaram artigos e textos meus. Sempre fui dedicado ao Senhor, desde a minha infância. No entanto, nos últimos 6 anos enfrentei alguma resistência por parte do grupo e agora me tratam como um herege.

Estou no meio de um imbróglio em relação às dificuldades que tive sobre a recepção à mesa do Senhor. Sempre fui leitor voraz. Estudei quatro literaturas sobre a história dos irmãos, além de algumas hagiografias produzidas por alguns irmãos. Também estudei muitos livretos e artigos produzidos por estes irmãos. Percebi uma ruptura histórica e teológica enorme com a prática atual adotada.

Tentei demonstrar, mas sofri esta pressão mencionada. Hoje, já não vejo esperança de uma reflexão teológica. Ocorre que estamos em uma assembleia com mais de 30 pessoas. Sinto o peso da responsabilidade sobre a vida destes irmãos. Eu poderia simplesmente deixar a assembleia, mas a responsabilidade não me permite. Encontrei em seus vídeos um caminho que se alinha melhor ao que eu considero uma hermenêutica mais bíblica no que respeita à eclesiologia.

Gostaria de saber quais são as diferenças práticas entre os exclusivistas e os abertos. Eu, junto aos irmãos aqui, estamos refletindo sobre esta mudança.

Sei que não é uma decisão fácil e nem pode ser feita sem disposição e graça que nos sustente. No entanto, permanecer abraçando o exclusivismo adotado se tornou um fardo não só para mim, como para todos os demais irmãos. Juntei muitos e muitos textos demonstrando um afastamento claro, além das Escrituras. Tentei conversar com vários líderes entre os irmãos, mas todos se recusaram a ouvir ou mesmo responder. A única resposta que obtive é que estes irmãos estariam equivocados em sua interpretação bíblica, mas sempre sem demonstrar qual seria a “interpretação correta”.

Preciso de uma orientação prática. Você pertence aos irmãos abertos, certo? Às chamadas Casas de Oração, não é? O que seria, de fato, um caminho de mudança para nós? Como você me aconselharia?

Estou pedindo este socorro, caso seja possível e dentro de suas possibilidades. Desde já agradeço.

Abraço. Graça e paz!

Minha Resposta:

Antes de responder especificamente às suas perguntas, irmão Melqui, gostaria de esclarecer um ponto sobre mim, porque o irmão perguntou se pertenço aos chamados “irmãos abertos” e às chamadas “Casas de Oração”.

Na verdade, eu não pertenço a nenhum grupo que se identifique como “Casa de Oração”, nem nós mesmos nos denominamos “irmãos abertos”. Sei que essas expressões são usadas historicamente para identificar determinados grupos de irmãos e que, em alguns lugares, especialmente no Brasil, “Casa de Oração” tornou-se uma identificação bastante conhecida. Contudo, essa não é a origem das assembleias com as quais tenho comunhão, nem é a maneira como costumamos nos identificar.

Sou natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Há cerca de 60 anos, irmãos vindos da Irlanda do Norte chegaram àquela região e começaram a pregar o Evangelho. Não chegaram com o propósito de estabelecer uma nova denominação ou simplesmente transferir para o Brasil uma organização religiosa com determinado nome. Pregaram o Evangelho, pessoas foram salvas, posteriormente foram batizadas e, a partir disso, os crentes começaram a reunir-se ao Nome do Senhor Jesus Cristo, procurando seguir, com simplicidade, o padrão encontrado no Novo Testamento.

No princípio, essas reuniões aconteciam nas casas dos próprios irmãos. Com o crescimento do trabalho e o aumento do número de convertidos, foram adquiridos locais próprios para as reuniões. Seguindo um costume também encontrado entre irmãos na Irlanda do Norte, esses locais passaram a ser identificados externamente por placas simples, como “Salão Evangélico” ou “Salão do Evangelho”, acompanhadas normalmente de outra placa informando os dias e horários das reuniões.

Esses nomes, porém, nunca tiveram para nós o sentido de uma denominação. “Salão Evangélico” é apenas a identificação do prédio onde os cristãos se reúnem. A igreja não é o salão. A igreja são os crentes reunidos ao Nome do Senhor Jesus.

Esse princípio é muito importante para mim. O Senhor Jesus disse: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20). Da mesma forma, quando observamos as igrejas no Novo Testamento, encontramos simplesmente os crentes reunidos em determinada localidade: “a igreja de Deus que está em Corinto” (1 Coríntios 1:2), “a igreja dos tessalonicenses” (1 Tessalonicenses 1:1) e “a igreja que está em sua casa” (Romanos 16:5). Não encontramos a necessidade de um nome denominacional que distinguisse um grupo de cristãos dos demais.

Portanto, quando alguém me pergunta: “Você é dos irmãos abertos?”, minha resposta precisa dessa explicação. Historicamente, alguém poderá procurar classificar-nos dessa maneira para diferenciar-nos dos chamados “irmãos exclusivistas”, mas essa não é a identificação que adotamos para nós mesmos. Não costumo dizer: “Sou irmão aberto”. Sou simplesmente um crente no Senhor Jesus que procura reunir-se ao Seu Nome, segundo os princípios que encontro no Novo Testamento.

Também não considero que uma placa dizendo “Salão Evangélico” faça de uma assembleia uma igreja bíblica. A placa identifica apenas o local. O que realmente importa é aquilo que os irmãos creem e praticam à luz das Escrituras.

Já vivo em Portugal há cerca de sete anos e atualmente me reúno em Lisboa com irmãos que seguem princípios semelhantes. Portanto, não abandonei no Brasil um sistema para aderir, em Portugal, a outro sistema denominado “Casa de Oração” ou “Irmãos Abertos”. Encontrei aqui irmãos com os quais posso ter comunhão e que procuram igualmente reunir-se com simplicidade ao Nome do Senhor Jesus, reconhecendo a autoridade das Escrituras para a vida e para o funcionamento da igreja local.

Faço essa explicação porque considero importante que o irmão compreenda de onde estou falando. Quando lhe apresento minha compreensão sobre recepção, Ceia do Senhor, disciplina, autonomia da igreja local, anciãos, ministério, comunhão entre assembleias e outros assuntos, não pretendo simplesmente apresentar “a posição dos irmãos abertos” em oposição à “posição dos exclusivistas”.

Meu desejo é outro: voltar ao Novo Testamento e perguntar o que está escrito.

Também não creio que devamos tentar reproduzir hoje exatamente uma tradição histórica apenas porque determinados irmãos do passado a praticaram. Somos gratos pelos servos de Deus que nos precederam e pelos irmãos que levaram o Evangelho à nossa região. Entretanto, nossa autoridade não está na Irlanda do Norte, em Porto Alegre, em Lisboa ou na história de qualquer movimento. Nossa autoridade é a Palavra de Deus.

É justamente por isso que compreendo a preocupação que o irmão manifestou. A questão principal não deveria ser: “Como podemos deixar de ser exclusivistas e nos tornar irmãos abertos?” Eu colocaria a questão de outra maneira:

“Como podemos, como igreja local, examinar novamente as Escrituras e praticar com simplicidade aquilo que o Senhor estabeleceu em Sua Palavra?”

Para mim, esse é o ponto de partida mais seguro.

Bem, li com bastante atenção tudo o que o irmão escreveu. A situação que descreve exige muita prudência, principalmente porque não estamos tratando apenas de uma mudança de identificação entre grupos de irmãos, mas de uma assembleia com mais de 30 pessoas. Portanto, eu começaria por um princípio que considero fundamental: não façam simplesmente uma mudança de “exclusivistas” para “abertos”. Procurem, antes de tudo, descobrir pelas Escrituras qual é o padrão de uma igreja local e, então, submetam-se a ele.

O grande perigo seria sair de um sistema por causa dos seus erros e, no processo, criar outro sistema. A pergunta principal não deve ser: “O que fazem os irmãos abertos?”, mas: “O que ensina o Novo Testamento sobre a igreja local?”

É exatamente aí que, no meu entendimento, está uma das diferenças mais importantes.

  1. A autonomia da igreja local

Uma diferença fundamental está na autonomia da igreja local. Por autonomia não quero dizer que uma igreja pode fazer aquilo que bem entender. Nenhuma igreja é independente do Senhor ou da Palavra de Deus. Cristo é Senhor da igreja, e Sua Palavra é a autoridade.

Entretanto, não encontramos no Novo Testamento uma organização nacional, regional ou internacional de assembleias exercendo autoridade administrativa sobre as igrejas locais.

Em Atos dos Apóstolos 20:17, Paulo chamou “os anciãos da igreja” de Éfeso. Depois lhes disse:

“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus” (Atos dos Apóstolos 20:28).

Observe que aqueles anciãos tinham responsabilidade pelo rebanho que Deus havia colocado sob os seus cuidados.

O mesmo princípio aparece em 1 Pedro 5:2:

“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós.”

Portanto, não encontro no Novo Testamento uma assembleia em determinada cidade governando outra assembleia, nem um grupo de irmãos de fora exercendo autoridade administrativa sobre várias assembleias.

Em Apocalipse 2 e 3 isso se torna ainda mais interessante. Havia sete igrejas na Ásia, mas o Senhor trata individualmente com cada uma delas. Éfeso responde ao Senhor por Éfeso; Esmirna por Esmirna; Pérgamo por Pérgamo; Tiatira por Tiatira, e assim sucessivamente.

Isso não significa isolamento. As igrejas tinham comunhão umas com as outras, recebiam irmãos recomendados, cooperavam na obra do Senhor e ajudavam-se materialmente. Veja Romanos 16:1-2; 2 Coríntios 8 e 9; Colossenses 4:16. Mas comunhão entre igrejas não significa governo de uma igreja sobre outra.

Por isso, considero muito importante separar duas coisas: comunhão e confederação.

Pode haver profunda comunhão entre assembleias sem existir uma estrutura central que determine as decisões de todas elas.

  1. Não existe uma “sede” terrena das assembleias

Ligado ao ponto anterior está algo que considero extremamente importante. No Novo Testamento não encontramos uma “igreja-mãe” à qual as demais devam submissão.

Nem mesmo Jerusalém ocupou permanentemente esse lugar.

Quando o evangelho avançou, encontramos igrejas em Jerusalém, Antioquia, Corinto, Éfeso, Filipos, Tessalônica e outras localidades. Cada uma tinha responsabilidade direta perante o Senhor.

Veja, por exemplo, Atos dos Apóstolos 13:1-4. Foi da igreja em Antioquia que Barnabé e Saulo saíram para a obra. Depois retornaram:

“E, quando chegaram e reuniram a igreja, relataram quão grandes coisas Deus fizera por eles” (Atos dos Apóstolos 14:27).

Não encontramos uma administração mundial controlando a obra.

Isso é muito importante para a situação que o irmão descreveu. Se os irmãos aí chegarem, pelas Escrituras, à convicção de que determinada prática não é bíblica, a questão final não deveria ser: “O que determinado líder ou círculo de assembleias permitirá que façamos?”, mas: “O que diz a Palavra de Deus?”

Naturalmente, isso precisa ser feito com humildade, temor e muita oração, pois independência de homens nunca deve transformar-se em independência de Deus.

  1. A recepção à comunhão da igreja local

Aqui chegamos justamente ao assunto que o irmão mencionou.

Eu evitaria até mesmo reduzir toda a questão à expressão “recepção à mesa”. O Novo Testamento apresenta algo mais amplo: recepção à comunhão da igreja local.

Veja o princípio em Atos dos Apóstolos 2:41-42. Aqueles que receberam a Palavra foram batizados, acrescentados e passaram a perseverar:

“na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.”

Portanto, partir o pão não era uma atividade independente de todo o restante da comunhão da igreja.

Quando Saulo chegou a Jerusalém, lemos:

“Procurava ajuntar-se aos discípulos” (Atos dos Apóstolos 9:26).

Barnabé então deu testemunho a respeito dele, e Saulo passou a estar “com eles, entrando e saindo em Jerusalém” (Atos dos Apóstolos 9:28).

Assim, recepção envolve comunhão, responsabilidade, doutrina, testemunho e sujeição à disciplina da igreja.

Também não creio numa “mesa aberta” no sentido de que qualquer pessoa que apareça dizendo ser cristã automaticamente tenha de partir o pão. Os anciãos têm responsabilidade diante de Deus pelo rebanho.

Atos dos Apóstolos 20:28-31 mostra claramente essa responsabilidade.

Da mesma forma, 1 Coríntios 5 demonstra que uma pessoa pode professar ser irmão e, por causa de pecado moral grave e não julgado, não estar em condições de permanecer na comunhão da igreja.

Também 2 João 9-11 demonstra que há erro doutrinário tão grave que impossibilita comunhão.

Portanto, não creio que a solução para um exclusivismo excessivo seja cair no extremo oposto de uma recepção sem critérios.

Há necessidade de equilíbrio bíblico.

  1. A disciplina pertence à igreja local

Este ponto é particularmente importante.

Em Mateus 18:15-20, quando o Senhor trata da disciplina, a etapa final é:

“dize-o à igreja” (Mateus 18:17).

Em 1 Coríntios 5, Paulo escreve à igreja em Corinto acerca do homem que estava vivendo em pecado. A responsabilidade de agir cabia àquela igreja:

“Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (1 Coríntios 5:13).

Isso significa que disciplina é uma responsabilidade solene da igreja local.

Naturalmente, se alguém for biblicamente disciplinado em uma assembleia, não seria correto simplesmente procurar outra assembleia para escapar da disciplina. Isso destruiria o próprio significado da disciplina.

Mas é diferente transformar decisões locais em decretos administrativos de uma estrutura universal de assembleias, na qual igrejas distantes são obrigadas a aceitar decisões sobre situações que sequer puderam conhecer ou examinar.

Uma igreja deve respeitar uma disciplina bíblica exercida por outra igreja, mas isso não significa abandonar sua responsabilidade diante do Senhor e aceitar cegamente qualquer decisão simplesmente porque veio de determinado círculo de comunhão.

  1. Comunhão entre assembleias não significa formar um sistema denominacional

Aqui talvez esteja uma das maiores dificuldades históricas.

É possível rejeitar nomes denominacionais e, ainda assim, desenvolver na prática um sistema denominacional.

Se existe um círculo definido de assembleias; se determinadas assembleias decidem quais outras podem ou não permanecer dentro desse círculo; se decisões tomadas em um lugar obrigatoriamente vinculam igrejas em outros lugares; e se determinadas pessoas ou centros passam a exercer uma autoridade prática sobre todas, então precisamos perguntar seriamente onde encontramos tal estrutura no Novo Testamento.

As igrejas do Novo Testamento mantinham comunhão umas com as outras, mas eram responsáveis diretamente ao Senhor.

É significativo que a Bíblia diga:

“as igrejas de Deus” (1 Coríntios 11:16);

“as igrejas de Cristo” (Romanos 16:16);

“as igrejas dos santos” (1 Coríntios 14:33).

O plural é importante. Havia unidade espiritual e comunhão, mas continuavam sendo igrejas locais distintas.

  1. Quanto aos chamados “irmãos abertos”

Também gostaria de fazer uma ressalva importante.

Eu não aconselharia o irmão a simplesmente adotar tudo aquilo que é praticado por qualquer grupo chamado “irmãos abertos”.

Entre aqueles que historicamente são chamados “irmãos abertos” existe bastante diversidade. Algumas assembleias conservam com seriedade princípios do Novo Testamento; outras foram abandonando diversos deles.

Portanto, o nome “aberto” não garante fidelidade bíblica, assim como o nome “exclusivista” não resolve a questão.

O padrão deve continuar sendo:

“Que diz a Escritura?” (Romanos 4:3).

Uma igreja local segundo o padrão do Novo Testamento deve procurar, entre outras coisas, conservar a doutrina dos apóstolos (Atos dos Apóstolos 2:42); reunir-se ao nome do Senhor Jesus Cristo (Mateus 18:20); celebrar a Ceia do Senhor (Atos dos Apóstolos 20:7; 1 Coríntios 11:23-26); praticar o sacerdócio dos crentes (1 Pedro 2:5,9); reconhecer a pluralidade de anciãos (Atos dos Apóstolos 14:23; 20:17,28; Filipenses 1:1); exercer os dons dados pelo Espírito Santo (1 Coríntios 12–14); manter a ordem bíblica entre homens e mulheres na igreja (1 Coríntios 11:2-16; 14:34-40; 1 Timóteo 2:8-15); exercer disciplina quando necessária (1 Coríntios 5); evangelizar (1 Tessalonicenses 1:8); e manter a autoridade suprema das Escrituras.

  1. O que eu faria no lugar dos irmãos?

Aqui quero ser muito cuidadoso.

Pelo que o irmão descreve, eu não aconselharia uma ruptura precipitada. Se há mais de 30 irmãos envolvidos, existe uma responsabilidade espiritual muito grande.

Eu começaria por um estudo bíblico sério da doutrina da igreja local.

Não começaria estudando “por que os exclusivistas estão errados”. Isso facilmente produziria uma assembleia edificada sobre reação, ressentimento e controvérsia.

Eu faria exatamente o contrário.

Abriria o Novo Testamento e perguntaria: “Como Deus deseja que uma igreja local funcione?”

Estudaria especialmente Mateus 18; Atos dos Apóstolos 2; Atos dos Apóstolos 6; Atos dos Apóstolos 13–15; Atos dos Apóstolos 20; Romanos 12 e 16; 1 Coríntios 5; 1 Coríntios 10–14; Efésios 4; Filipenses 1; 1 Tessalonicenses 1; 1 Timóteo 2–5; Tito 1; Hebreus 13; 1 Pedro 5; 2 João; 3 João e Apocalipse 2–3.

Então eu colocaria no papel perguntas simples:

Quem governa a igreja local?

Qual é a autoridade dos anciãos?

Existe autoridade eclesiástica acima da igreja local?

Como alguém é recebido?

Quem deve partir o pão?

Como funciona a disciplina?

Uma igreja pode disciplinar outra igreja?

Como devem relacionar-se duas assembleias?

O que significa uma carta de recomendação em Romanos 16:1-2 e 2 Coríntios 3:1?

Qual é a diferença entre a Igreja, que é o Corpo de Cristo, e uma igreja local?

Qual é o lugar dos dons?

Qual é o lugar dos irmãos e das irmãs?

Qual é a autoridade final em questões eclesiásticas?

Depois de responder a essas perguntas somente pelas Escrituras, comparem o resultado com aquilo que atualmente praticam.

Creio que esse método seria muito mais seguro.

  1. Não construam a nova posição sobre uma controvérsia

Este conselho considero especialmente importante.

Se realmente houver uma mudança, não deixem que a futura assembleia fique conhecida como “aqueles que saíram dos exclusivistas”.

Isso seria muito triste.

A identidade de uma igreja não deve nascer daquilo contra o qual ela reagiu, mas da Pessoa a quem ela pertence.

Paulo não escreveu “à igreja anti-isto” ou “anti-aquilo”. Ele escreveu:

“à igreja de Deus que está em Corinto” (1 Coríntios 1:2).

Cristo precisa tornar-Se o centro.

Por isso Paulo pergunta:

“Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:13).

Evitem também transformar irmãos conhecidos em centro da discussão. O problema não deve ser Mário Persona, Darby, Kelly ou qualquer outro irmão. Homens podem ser instrumentos úteis de Deus, mas continuam sendo homens.

Paulo advertiu os coríntios exatamente sobre isso:

“Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo” (1 Coríntios 1:12).

E depois declarou:

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11).

  1. Não troquem uma autoridade humana por outra

Também não gostaria que os irmãos saíssem da dependência de determinado grupo para ficarem dependentes de mim ou de qualquer outro irmão.

Podemos ajudar. Podemos conversar. Podemos compartilhar aquilo que aprendemos. Irmãos mais experientes podem visitar, ensinar e aconselhar.

Mas ninguém deve ocupar o lugar que pertence à Palavra de Deus e ao Senhor Jesus.

Paulo disse aos anciãos de Éfeso:

“Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça” (Atos dos Apóstolos 20:32).

Isso é belíssimo.

Paulo estava indo embora, mas Deus permaneceria. Paulo não estabeleceu um sucessor para controlar Éfeso à distância. Ele os entregou “a Deus e à palavra da sua graça”.

É justamente esse princípio que eu procuraria seguir.

  1. O caminho da mudança

Se depois de estudar cuidadosamente as Escrituras os irmãos chegarem juntos à convicção de que precisam mudar determinadas práticas, façam isso com calma, clareza e unidade.

Não seria necessário abandonar tudo aquilo que já fazem corretamente.

Se vocês já se reúnem para a Ceia do Senhor no primeiro dia da semana, continuem.

Se existe reunião de oração, continuem.

Se existe estudo bíblico, continuem.

Se existe evangelização, continuem.

Se as irmãs cobrem a cabeça e os irmãos reconhecem a ordem bíblica nas reuniões, não existe razão para mudar porque deixaram determinado círculo.

Se existe pluralidade de anciãos, preservem-na.

O que precisa ser examinado são precisamente aquelas práticas que não conseguem encontrar sustentação clara no Novo Testamento.

Em outras palavras: não destruam a casa para depois tentar reconstruí-la. Examinem biblicamente cada elemento e conservem aquilo que está de acordo com a Palavra de Deus.

“Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

  1. Uma palavra sobre a responsabilidade que o irmão sente

Entendo quando o irmão diz que poderia simplesmente sair, mas sente responsabilidade pelos demais.

Entretanto, tenha cuidado para que esse sentimento de responsabilidade não se transforme num peso que somente o Senhor pode carregar.

A igreja pertence a Cristo.

Paulo disse aos anciãos de Éfeso que se tratava da:

“igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (Atos dos Apóstolos 20:28).

O irmão pode ensinar, aconselhar, advertir, orar e servir. Mas não pode decidir pela consciência de outros irmãos.

Cada um precisa chegar à convicção diante de Deus.

Por isso, eu não faria campanha dentro da assembleia. Não procuraria formar um partido. Não reuniria secretamente aqueles que concordam comigo para depois confrontar os demais.

Isso poderia reproduzir exatamente aquilo que vocês desejam evitar.

Abram as Escrituras juntos.

Orem juntos.

Conversem com os anciãos.

Apresentem as questões com clareza.

E perguntem repetidamente: “Onde está escrito?”

Se alguém disser que determinada interpretação está errada, peça com mansidão:

“Então, irmão, mostre-nos pelas Escrituras qual é a interpretação correta.”

Isso é perfeitamente legítimo.

Os bereanos foram elogiados porque:

“de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Eles examinaram até mesmo aquilo que Paulo lhes ensinava.

  1. Minha recomendação final

Portanto, irmão Melqui, pelo que o irmão relatou, eu não recomendaria simplesmente “tornar a assembleia aberta”.

Eu recomendaria algo melhor:

Tornem-se cada vez mais uma igreja sujeita à Palavra de Deus.

Se determinada prática exclusivista não pode ser sustentada pelas Escrituras, abandonem-na.

Se determinada prática dos chamados irmãos abertos também não pode ser sustentada pelas Escrituras, não a adotem.

Não sejam exclusivos porque uma tradição manda ser.

Também não sejam abertos simplesmente porque outra tradição manda ser.

Sejam bíblicos.

Preservem a santidade sem legalismo.

Pratiquem a graça sem liberalismo.

Preservem a autonomia sem isolamento.

Cultivem comunhão com outras assembleias sem confederação.

Respeitem irmãos experientes sem criar uma hierarquia.

Exerçam disciplina sem autoritarismo.

Recebam irmãos com amor, mas também com responsabilidade.

Reconheçam anciãos, mas nunca lhes atribuam uma autoridade que pertence somente ao Senhor e à Sua Palavra.

Acima de tudo, não permitam que uma controvérsia eclesiástica lhes roube aquilo que é infinitamente mais precioso: a Pessoa do Senhor Jesus Cristo.

A igreja não existe para preservar a história dos “irmãos”, sejam eles abertos ou exclusivistas. Ela existe para a glória de Deus e para ser, neste mundo, “a coluna e firmeza da verdade” (1 Timóteo 3:15).

Se os mais de 30 irmãos estiverem sinceramente desejosos de conhecer a vontade do Senhor, talvez este momento difícil possa tornar-se uma oportunidade para todos voltarem às Escrituras e examinarem novamente, sem medo e sem espírito partidário, o padrão simples da igreja local encontrado no Novo Testamento.

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).

O centro não é um círculo de comunhão.

O centro não é um líder.

O centro não é uma tradição histórica.

O centro é Cristo.

E a autoridade final continua sendo a Palavra de Deus.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Existe o sono da alma depois da morte?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Ele escreveu-me depois de assistir a meus vídeos: "Existe o sono da alma depois da morte?"

Se você estiver certo, logo não haverá ressurreição dos mortos.

Minha Resposta:

Sim, haverá ressurreição dos mortos. Na verdade, uma coisa não anula a outra. O equívoco está em pensar que, se a alma continua existindo conscientemente depois da morte, então a ressurreição se torna desnecessária. A Bíblia ensina justamente o contrário.

Precisamos distinguir duas verdades: o estado da pessoa entre a morte e a ressurreição e a ressurreição futura do corpo.

Quando uma pessoa morre, ocorre uma separação. Tiago diz: “o corpo sem o espírito está morto” (Tiago 2:26). Portanto, a morte física não significa a extinção da pessoa, mas a separação entre aquilo que é material e aquilo que é imaterial.

Por isso, quando o Senhor Jesus morreu, Ele disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46). Estêvão, quando estava sendo apedrejado, orou de maneira semelhante: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (Atos dos Apóstolos 7:59). O corpo morre, mas a existência consciente da pessoa não termina.

É exatamente por isso que a ressurreição ainda é necessária.

A ressurreição não significa que uma pessoa que deixou de existir voltará a existir. Ressurreição é Deus levantando o corpo e reunindo novamente a pessoa, de maneira que aquilo que foi separado pela morte não permaneça separado para sempre.

Veja como isso aparece claramente na ressurreição da filha de Jairo:

“E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou” (Lucas 8:55).

Observe a expressão: “o seu espírito voltou”. Se o espírito estava dormindo inconsciente dentro do cadáver, como poderia “voltar”? O corpo estava morto; quando o espírito voltou, houve ressurreição.

O mesmo princípio explica a ressurreição futura.

Em Primeira aos Coríntios 15, Paulo não ensina que a alma está inconsciente esperando voltar à existência. O assunto principal é a ressurreição do corpo. Ele pergunta:

“Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?” (Primeira aos Coríntios 15:35).

Veja que a pergunta é: “com que corpo virão?”. E Paulo continua:

“Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual” (Primeira aos Coríntios 15:44).

Portanto, a ressurreição é necessária porque a redenção de Deus alcançará também o corpo. O crente que morreu está com Cristo, mas ainda aguarda a ressurreição do seu corpo.

Paulo deixa isso ainda mais claro em Segunda aos Coríntios 5. Ele fala sobre estar no corpo e estar fora do corpo, dizendo:

“Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (Segunda aos Coríntios 5:8).

Assim, morrer não significa entrar num estado de inexistência ou inconsciência. Para o crente, significa deixar o corpo e estar com o Senhor. Entretanto, isso ainda não é a condição final, porque o corpo aguarda a ressurreição.

Paulo expressou a mesma esperança quando escreveu:

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. [...] tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:21,23).

Se Paulo acreditasse que depois da morte passaria séculos completamente inconsciente, seria estranho dizer que desejava “partir e estar com Cristo” e que isso seria “muito melhor”. Para ele, partir desta vida significava estar com Cristo.

Mas então, o que acontecerá quando Cristo vier?

Primeira aos Tessalonicenses 4:13-17 responde. Paulo fala dos crentes que “dormem” e diz:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (Primeira aos Tessalonicenses 4:16).

Aqui precisamos compreender a linguagem bíblica do “sono”. Quando a Bíblia descreve o crente morto como alguém que “dorme”, isso não exige que sua alma esteja inconsciente. O corpo é apresentado como dormindo porque repousa temporariamente na morte e será levantado. A própria Escritura mostra que estar “ausente do corpo” é estar com o Senhor.

Isso também aparece em Apocalipse 6:9-11. João vê “as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus”. Essas almas falam, clamam a Deus, recebem uma resposta e são orientadas a aguardar. Elas estão sem seus corpos ressuscitados, mas certamente não estão inconscientes.

Há ainda um texto muito importante em Lucas 23:43. O Senhor Jesus disse ao ladrão arrependido:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.”

Seu corpo seria colocado numa sepultura, mas ele estaria com Cristo no Paraíso. A ressurreição do seu corpo ainda estava no futuro.

Também encontramos algo semelhante na história do rico e Lázaro, em Lucas 16:19-31. Ambos morreram, mas ambos aparecem conscientes depois da morte. Lázaro está consolado e o rico está em tormento. Portanto, a morte física não é apresentada como inconsciência da alma.

Na verdade, o próprio Senhor Jesus forneceu um argumento muito forte quando falou de Abraão, Isaque e Jacó. Ele disse:

“Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, porque para ele vivem todos” (Lucas 20:38).

Abraão havia morrido fisicamente muitos séculos antes, mas continuava vivo diante de Deus. Entretanto, Abraão ainda aguarda a ressurreição do seu corpo. Uma verdade não elimina a outra.

Podemos resumir da seguinte maneira:

Na morte, o corpo e o espírito são separados.

O corpo do crente é colocado na sepultura e, figurativamente, “dorme”.

O crente está consciente na presença do Senhor.

Quando Cristo vier, o corpo será ressuscitado e transformado.

A pessoa completa estará então na condição glorificada que Deus determinou.

É justamente porque a alma continua viva que precisamos entender corretamente o significado da ressurreição. Ressurreição não é a “ressurreição da alma”. É a vitória de Deus também sobre aquilo que a morte fez ao corpo.

Primeira aos Coríntios 15:42-44 declara:

“Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual.”

E Filipenses 3:20-21 acrescenta que o Senhor Jesus Cristo “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso”.

Portanto, dizer que a alma do crente permanece consciente depois da morte não significa negar a ressurreição. Pelo contrário, significa distinguir corretamente o estado intermediário da condição final.

Hoje, os crentes que morreram estão com Cristo, mas seus corpos aguardam a ressurreição. Quando o Senhor Jesus vier, “os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (Primeira aos Tessalonicenses 4:16). Então a vitória sobre a morte será manifestada também no corpo, cumprindo-se as palavras:

“Tragada foi a morte na vitória” (Primeira aos Coríntios 15:54).

Portanto, não há contradição alguma: a alma consciente depois da morte e a futura ressurreição do corpo são duas verdades bíblicas que se completam.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Vai mentir no inferno! 👹

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Vai mentir no inferno! 👹

Minha resposta:

Bem, você pode me acusar de mentir e até mandar-me para o inferno. Isso não muda a verdade e, principalmente, não muda uma realidade que diz respeito tanto a mim quanto a você: um dia nós dois vamos morrer.

Talvez você pense que, quando morrer, tudo terminará. Seus pensamentos cessarão, suas opiniões deixarão de existir e simplesmente não haverá mais nada. Se fosse assim, realmente não haveria motivo para se preocupar com o que vem depois. Mas a Bíblia afirma exatamente o contrário:

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27).

Observe a sequência: morrer uma vez e, depois disso, o juízo.

Não diz morrer e reencarnar. Não diz morrer, passar por um purgatório e depois alcançar o Céu. Não diz morrer e deixar de existir. Deus declara que, depois da morte, vem o juízo.

É por isso que sua frase sobre o inferno é muito mais séria do que talvez você imagine. O inferno não deveria ser usado apenas como insulto ou brincadeira. É uma realidade tão solene que o próprio Senhor Jesus advertiu repetidamente sobre ela.

Em Lucas 16:19-31, o Senhor Jesus falou do rico e de Lázaro. Ambos morreram, mas nenhum deles deixou de existir. O rico morreu e continuou consciente. Lázaro morreu e também continuou existindo. Havia, porém, uma diferença terrível entre os dois: seus destinos eram completamente diferentes.

E havia ainda outra verdade assustadora: depois da morte, aquela situação não poderia ser revertida. Abraão disse ao rico que entre os dois lugares havia “um grande abismo”, de maneira que ninguém podia passar de um lado para o outro (Lucas 16:26).

Portanto, a oportunidade de acertar a questão da sua alma com Deus é agora, enquanto você está vivo.

Também não existe uma sucessão de vidas nas quais alguém possa morrer e voltar para tentar novamente. Hebreus 9:27 é muito claro: “morrerem uma vez”. Depois vem o juízo.

Talvez hoje você possa rir disso, rejeitar, zombar ou chamar de mentira. Você é livre para fazer isso. Mas sua opinião sobre a eternidade não determinará o que acontecerá depois da sua morte.

Imagine alguém dizendo: “Eu não acredito na morte”. Sua incredulidade impediria que ele morresse? Evidentemente que não.

Da mesma maneira, não acreditar no juízo de Deus não elimina o juízo.

Apocalipse 20:11-15 apresenta uma das cenas mais solenes de toda a Bíblia. João vê os mortos diante do grande trono branco. O mar entrega os mortos que nele estavam; a morte e o Hades entregam os mortos que neles havia; e todos comparecem perante Deus para serem julgados. Finalmente, aquele cujo nome não está escrito no Livro da Vida é lançado no lago de fogo.

Portanto, eu não desejo que você vá para o inferno. Pelo contrário. Se eu acreditasse que você simplesmente desapareceria depois da morte, poderia ignorar completamente o assunto. Mas justamente porque creio naquilo que Deus revelou, desejo que você pense seriamente na sua alma.

Deus não tem prazer na perdição do pecador. O mesmo Deus que fala sobre o juízo providenciou o meio de salvação.

Jesus Cristo veio ao mundo para salvar pecadores.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Veja a diferença: “não pereça, mas tenha a vida eterna”.

O problema fundamental não é se você acredita em mim. Você não precisa acreditar em Josué Matos. A grande questão é: o que você fará com Jesus Cristo?

Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou dentre os mortos. Na cruz, Ele suportou aquilo que nós, pecadores, merecíamos. Por isso, a salvação não é conquistada por religião, boas obras, batismo, penitências ou qualquer mérito humano. A salvação está em Cristo.

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

Você escreveu para mim: “Vai mentir no inferno.”

Eu prefiro devolver-lhe não uma ofensa, mas uma pergunta:

Onde você estará depois da sua morte?

Você pode mandar-me para o inferno numa frase, mas nem você pode determinar o meu destino eterno, nem eu posso determinar o seu. Isso pertence a Deus.

Entretanto, enquanto você estiver vivo, há uma maravilhosa notícia: você não precisa ir para o inferno.

Cristo morreu para salvar pecadores. A porta da salvação ainda está aberta. Você pode chegar a Cristo exatamente como está, reconhecendo sua condição de pecador e confiando nEle e na obra que realizou na cruz.

Um dos homens crucificados ao lado de Jesus fez isso quando estava prestes a morrer. Ele não teve oportunidade de reformar sua vida, praticar boas obras ou cumprir cerimônias religiosas. Voltou-se para Cristo, e o Senhor lhe respondeu:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).

Observe: “hoje”.

Não depois de várias reencarnações. Não depois de um período de purificação em um purgatório. A salvação estava em Cristo.

Por isso, não quero discutir com você sobre quem deve “ir para o inferno”. Quero pedir que pense seriamente onde você passará a eternidade.

Hoje você está vivo. Hoje pode pensar. Hoje pode rejeitar. Hoje também pode crer.

Depois da morte vem o juízo.

Mas antes da morte, Cristo ainda lhe oferece salvação.

“Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, permanece rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3:36).

A escolha diante de você não é entre religião e ateísmo, nem entre a minha opinião e a sua. A grande questão é o que você fará com Jesus Cristo.

Hoje Ele pode ser o seu Salvador. Um dia, se você continuar rejeitando-O, terá de encontrá-Lo como Juiz.

Pense nisso enquanto ainda há tempo.

Josué Matos

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