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O senhor poderia falar sobre o que distinguia os homens israelitas das mulheres israelitas em suas vestimentas? Ambos usavam vestidos, mas havia algo que os diferenciava!

 Alguém que me escreveu no Instagram:

O senhor poderia falar sobre o que distinguia os homens israelitas das mulheres israelitas em suas vestimentas? Ambos usavam vestidos, mas havia algo que os diferenciava! Então, hoje, condenar uma irmã por usar calça feminina seria desonestidade!

Minha Resposta:

A pergunta é pertinente, pois nos leva a examinar o que as Escrituras realmente ensinam sobre as vestimentas masculinas e femininas, especialmente à luz de Deuteronômio 22:5:

“Não haverá traje de homem na mulher, e não vestirá o homem vestido de mulher; porque qualquer que faz isto abominação é ao SENHOR teu Deus.”

Para compreendermos corretamente essa passagem, precisamos considerar o contexto histórico, a distinção estabelecida por Deus entre homem e mulher e os princípios de modéstia apresentados no Novo Testamento.

1. Como se vestiam os homens e as mulheres em Israel?

Nos tempos bíblicos, tanto os homens quanto as mulheres utilizavam vestimentas que, para os nossos olhos modernos, poderiam ser chamadas de túnicas ou vestidos.

Entretanto, isso não significa que suas roupas fossem necessariamente idênticas.

Havia diferenças relacionadas ao formato, ao comprimento, à maneira de vestir, aos acessórios e aos costumes próprios de cada sexo. Embora algumas peças tivessem características semelhantes, a apresentação masculina e a feminina eram reconhecíveis dentro daquela sociedade.

Um exemplo interessante encontra-se em Êxodo 28:42, quando Deus ordenou que fossem confeccionados calções de linho para os sacerdotes, destinados a cobrir a nudez. Isso demonstra que não podemos simplesmente transportar as classificações modernas de roupas para os tempos bíblicos.

A questão fundamental não era se ambos utilizavam peças semelhantes às nossas túnicas, mas se a maneira de vestir preservava a distinção entre homem e mulher.

2. O que Deus está ensinando em Deuteronômio 22:5?

O mandamento estabelece que a mulher não deve usar aquilo que caracteriza o homem, assim como o homem não deve vestir aquilo que caracteriza a mulher.

O princípio está relacionado à preservação da distinção entre os sexos, estabelecida pelo próprio Criador.

Gênesis 1:27 declara:

“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.”

A distinção entre homem e mulher não é uma invenção cultural, mas faz parte da ordem estabelecida por Deus na criação.

Portanto, não devemos interpretar Deuteronômio 22:5 como se Deus estivesse simplesmente estabelecendo uma lista universal de peças de roupa que permaneceria idêntica em todas as culturas e épocas.

Por outro lado, também seria um erro concluir que, por existirem diferenças culturais, o princípio apresentado nessa passagem deixou de ter importância.

A aplicação exige discernimento. O cristão deve procurar preservar, inclusive na maneira de se apresentar, a distinção entre o masculino e o feminino, sem permitir que as transformações dos costumes eliminem aquilo que Deus estabeleceu.

3. Então, uma mulher cristã pode usar calça feminina?

A resposta exige cuidado, pois não devemos reduzir o ensino bíblico a uma simples discussão sobre o nome ou o modelo de determinada peça de roupa.

Deuteronômio 22:5 estabelece que deve existir uma distinção reconhecível entre a apresentação masculina e a feminina. Esse princípio não deve ser abandonado pelo fato de os costumes e as tendências da moda terem mudado ao longo dos séculos.

É verdade que atualmente existem calças fabricadas e comercializadas especificamente para mulheres. Entretanto, essa classificação comercial, por si só, não resolve a questão espiritual. O cristão não deve permitir que a indústria da moda determine os seus padrões de conduta.

Também é necessário considerar o ensino de 1 Timóteo 2:9-10, que orienta as mulheres cristãs a se vestirem com modéstia, pudor e discrição.

Portanto, a avaliação do vestuário não deve limitar-se à pergunta sobre determinada peça ser chamada de masculina ou feminina. É necessário considerar se ela preserva adequadamente a distinção entre os sexos, se expressa modéstia e se corresponde ao testemunho que convém àqueles que professam servir a Deus.

Uma saia ou um vestido não são automaticamente modestos apenas por serem peças tradicionalmente femininas. Da mesma forma, não devemos estabelecer uma conclusão doutrinária sem examinar cuidadosamente os princípios apresentados nas Escrituras.

O nosso propósito não deve ser justificar os costumes modernos nem transformar preferências pessoais em mandamentos divinos, mas procurar, com sinceridade, aquilo que agrada ao Senhor.

4. A modéstia cristã vai além de uma peça de roupa

O Novo Testamento apresenta orientações importantes sobre a maneira como a mulher cristã deve se apresentar.

Em 1 Timóteo 2:9-10, lemos:

“Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia [...] como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus, com boas obras.”

Observe que o apóstolo Paulo não limita a orientação a uma peça específica. Ele apresenta princípios que devem governar toda a maneira de vestir.

O vestuário deve expressar honestidade, pudor, modéstia e uma atitude coerente com a profissão de fé cristã.

Pedro também ensina que a verdadeira beleza da mulher cristã não deve estar concentrada na aparência exterior, mas no caráter:

“Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus.” (1 Pedro 3:4).

Isso não significa que a aparência exterior seja irrelevante. Significa que ela deve estar subordinada àquilo que Deus valoriza.

Uma pessoa pode vestir uma peça considerada tradicionalmente adequada e, ainda assim, utilizá-la de maneira incompatível com a modéstia cristã.

Por isso, não basta perguntar: “Esta roupa é permitida?”. Também devemos perguntar: “Esta maneira de vestir demonstra reverência, discrição e desejo de agradar ao Senhor?”.

5. Devemos condenar uma mulher cristã simplesmente porque usa calça?

Aqui precisamos distinguir entre ensinar um princípio bíblico, examinar sua aplicação e emitir um julgamento sobre a condição espiritual de alguém.

Não seria correto afirmar que uma mulher está necessariamente em rebeldia contra Deus apenas porque utiliza uma peça comercialmente identificada como calça feminina, sem considerar cuidadosamente a questão à luz das Escrituras.

Isso, entretanto, não significa que o assunto deva ser tratado com indiferença ou que todas as formas de vestuário sejam igualmente apropriadas.

Há cristãos que, examinando Deuteronômio 22:5 e os princípios de modéstia do Novo Testamento, entendem que a mulher deve evitar o uso de calças, mesmo quando confeccionadas especificamente para o público feminino. Essa posição não deve ser ridicularizada nem simplesmente descartada como uma tradição sem fundamento.

O importante é que a convicção seja formada diante de Deus, mediante um exame sincero das Escrituras, e não apenas pela pressão dos costumes modernos ou pela reprodução automática de práticas tradicionais.

Também devemos ter cuidado para não confundir uma preferência pessoal com uma declaração expressa da Palavra de Deus.

O Senhor Jesus advertiu contra o perigo de transformar tradições humanas em mandamentos divinos (Marcos 7:8). Ao mesmo tempo, as Escrituras não nos autorizam a utilizar a liberdade cristã como justificativa para abandonar a santidade e a modéstia.

Paulo escreveu:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm.” (1 Coríntios 6:12).

Portanto, a nossa preocupação não deve ser encontrar o limite mínimo do que podemos usar sem sermos repreendidos, mas desenvolver uma consciência sensível à vontade de Deus.

6. Qual deve ser, então, a atitude da mulher cristã?

A mulher cristã deve procurar apresentar-se de maneira que honre ao Senhor, preserve sua identidade feminina e manifeste modéstia e discrição.

Antes de escolher uma roupa, algumas perguntas podem ajudar na reflexão:

  • Esta vestimenta preserva adequadamente a distinção entre homem e mulher?
  • É uma roupa modesta, ou chama atenção indevida para o corpo?
  • Minha escolha é motivada pelo desejo de agradar a Deus ou simplesmente por acompanhar os padrões do mundo?
  • Esta maneira de vestir corresponde ao testemunho de alguém que professa servir ao Senhor?

Essas perguntas não devem ser aplicadas somente às mulheres. Os homens cristãos também precisam demonstrar modéstia, decência e respeito à distinção estabelecida por Deus.

A vida cristã não consiste apenas em evitar determinadas práticas, mas em aprender a fazer todas as coisas para a glória de Deus.

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31).

Conclusão

É correto observar que os homens e as mulheres israelitas utilizavam vestimentas que possuíam algumas semelhanças. Contudo, havia uma distinção reconhecível entre a apresentação masculina e a feminina.

Esse é um aspecto fundamental para compreendermos Deuteronômio 22:5.

A existência de calças confeccionadas especificamente para mulheres, em nossos dias, é um fato cultural que deve ser considerado, mas não constitui, por si só, uma resposta definitiva à questão bíblica.

Da mesma maneira, não devemos imaginar que o simples uso de uma saia ou de um vestido seja suficiente para atender a todos os princípios de modéstia apresentados nas Escrituras.

A orientação bíblica é mais profunda: preservar a distinção entre homem e mulher, vestir-se com pudor e modéstia e procurar agradar ao Senhor em todas as áreas da vida.

Não devemos condenar precipitadamente uma pessoa com base apenas na identificação de uma peça de roupa, mas também não devemos enfraquecer os princípios bíblicos para acomodá-los às mudanças da sociedade.

O caminho correto é examinar as Escrituras com reverência, formar nossas convicções diante de Deus e procurar viver de maneira digna da vocação com que fomos chamados.

Josué Matos

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Não existe essa famigerada salvação. O que existe é o tempo, que já chegou, de se libertar de toda essa parafernália religiosa.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Não existe essa famigerada salvação.

O que existe é o tempo, que já chegou, de se libertar de toda essa parafernália religiosa.

Minha Resposta:

Agradeço por deixar seu comentário e expressar sua opinião. Gostaria, porém, de convidá-lo a considerar algumas questões à luz das Escrituras, especialmente porque o vídeo que motivou seu comentário trata da: "A Salvação de Deus não é comprada, nem merecida?".

Primeiramente, permita-me concordar com uma parte de sua afirmação: o ser humano realmente precisa ser liberto de muitas coisas que a religião produziu ao longo dos séculos. Há sistemas religiosos que escravizam as pessoas pelo medo, pela superstição, por tradições humanas e até pela exploração financeira. Entretanto, seria um grande equívoco confundir essas práticas com a salvação apresentada nas Escrituras.

O Evangelho não anuncia que o homem precisa aderir a uma organização religiosa para conquistar o favor de Deus. Pelo contrário, anuncia que Deus veio ao encontro do homem na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, oferecendo gratuitamente aquilo que nenhum esforço humano poderia alcançar.

Em Efésios 2:8-9, lemos:

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie."

Observe que a salvação bíblica não é uma recompensa por frequentar uma igreja, cumprir determinados rituais, praticar boas obras ou acumular méritos espirituais. Ela é um presente de Deus, recebido mediante a fé em Jesus Cristo.

Mas, afinal, de que precisamos ser salvos?

Essa talvez seja a questão mais importante.

A Bíblia ensina que o maior problema da humanidade não é simplesmente a ignorância espiritual, a falta de evolução moral ou a ausência de uma religião adequada. O problema fundamental é o pecado, que separa o ser humano de Deus.

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." (Romanos 3:23).

O pecado não se limita aos grandes crimes ou às atitudes que a sociedade considera moralmente condenáveis. Ele envolve nossa própria natureza caída, nossos pensamentos, intenções e atitudes diante de um Deus perfeitamente santo.

E o resultado do pecado é apresentado em Romanos 6:23:

"Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor."

Portanto, quando a Bíblia fala em salvação, não está oferecendo uma fantasia religiosa para tranquilizar pessoas diante da morte. Está anunciando a resposta de Deus para a condição espiritual do homem.

E quanto à reencarnação?

Como seu comentário foi feito em um vídeo sobre esse assunto, considero importante esclarecer uma diferença fundamental entre a reencarnação e o Evangelho.

A doutrina da reencarnação, presente em diferentes tradições espiritualistas, ensina, de modo geral, que o espírito passa por sucessivas existências corporais, nas quais teria oportunidades de aprendizado, reparação e aperfeiçoamento.

Entretanto, esse não é o ensino das Escrituras.

Em Hebreus 9:27, encontramos uma declaração muito clara:

"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo."

A Bíblia não apresenta a existência humana como uma sucessão de vidas nas quais o indivíduo retorna à Terra para corrigir os erros anteriores. Ela ensina que temos uma existência terrena, seguida da morte e do juízo divino.

É interessante observar que o versículo seguinte apresenta justamente a solução de Deus:

"Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." (Hebreus 9:28).

A diferença é extraordinária!

Na reencarnação, conforme a concepção espiritualista, o aperfeiçoamento depende de sucessivas experiências e do progresso do próprio espírito. No Evangelho, a salvação depende da obra perfeita e consumada de Jesus Cristo.

Não precisamos retornar inúmeras vezes à Terra para tentar pagar uma dívida espiritual. Cristo veio uma vez, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou, realizando uma obra que jamais poderíamos realizar por nós mesmos.

Quando estava na cruz, o Senhor Jesus declarou:

"Está consumado." (João 19:30).

Ele não disse que havia apenas iniciado um processo de salvação que cada pessoa deveria completar ao longo de muitas existências. Sua obra redentora foi plenamente realizada.

A verdadeira libertação não consiste em rejeitar Deus

Você mencionou que chegou o tempo de se libertar de toda essa parafernália religiosa. Gostaria de chamar sua atenção para algo que o próprio Senhor Jesus declarou:

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32).

Pouco depois, Ele acrescentou:

"Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." (João 8:36).

A liberdade anunciada por Cristo é muito mais profunda do que abandonar uma instituição religiosa ou deixar de acreditar em determinados ensinamentos humanos. É a libertação da condenação do pecado e a reconciliação com Deus.

Aliás, o próprio Senhor Jesus fez severas críticas à religiosidade hipócrita de Sua época. No capítulo 23 do Evangelho segundo Mateus, denunciou aqueles que impunham pesados fardos sobre as pessoas, enquanto negligenciavam aquilo que verdadeiramente importava diante de Deus.

Cristo não veio estabelecer mais um sistema de escravidão religiosa. Ele veio salvar pecadores.

Deus não deseja sua condenação

Há algo particularmente belo na mensagem do Evangelho: Deus não tem prazer na perdição do ser humano.

O Senhor Jesus declarou:

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16).

Veja que a iniciativa partiu de Deus. Não foi o homem que encontrou um caminho para chegar ao Céu; foi Deus quem enviou Seu Filho para abrir esse caminho.

E por que Cristo precisou morrer?

Porque Deus é amor, mas também é santo e justo. Ele não poderia simplesmente tratar o pecado como algo sem importância. Na cruz, porém, o Senhor Jesus assumiu voluntariamente o lugar do pecador, sofrendo pelos nossos pecados.

"Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus." (1 Pedro 3:18).

Observe a finalidade de Sua morte: levar-nos a Deus.

Essa é a essência da salvação bíblica.

Não se trata de evolução espiritual, aperfeiçoamento por sucessivas existências ou conquista de méritos religiosos. Trata-se de um Salvador que morreu pelos culpados para que estes pudessem receber gratuitamente o perdão e a vida eterna.

Uma última consideração

Você tem toda a liberdade de rejeitar a religião, discordar de minhas palavras e até considerar desnecessária a salvação. Entretanto, gostaria de convidá-lo a não rejeitar a Pessoa de Jesus Cristo simplesmente por causa daquilo que determinados sistemas religiosos fizeram em Seu nome.

Examine os Evangelhos. Considere Suas palavras, Sua vida, Sua morte e Sua ressurreição.

O Senhor Jesus não apresentou a salvação como uma possibilidade distante, a ser alcançada depois de incontáveis existências. Ele ofereceu vida eterna para o presente.

Em João 5:24, declarou:

"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida."

Observe os tempos verbais: tem a vida eterna; passou da morte para a vida. Não é uma promessa condicionada a futuras reencarnações, mas uma realidade presente para aquele que crê.

O apóstolo Paulo também escreveu:

"Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação." (2 Coríntios 6:2).

Portanto, se existe um tempo que verdadeiramente chegou, é o tempo de considerar seriamente a mensagem de Deus e a salvação que Ele oferece por meio de Seu Filho.

Não estou convidando você a trocar uma religião por outra, nem a aceitar cegamente tradições humanas. Meu convite é que examine pessoalmente as Escrituras e considere a maior pergunta que alguém pode fazer nesta vida: qual é a minha situação diante de Deus e o que acontecerá comigo depois da morte?

A resposta do Evangelho não está em uma religião, mas em uma Pessoa:

"E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." (Atos 4:12).

Esse nome é Jesus Cristo.

Que você possa conhecer não apenas o que os homens dizem a respeito de Deus, mas aquilo que Deus revelou a respeito de Seu Filho e da salvação eterna que, por Sua graça, oferece a todos os que nele creem.

Josué Matos

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Quantas vezes Jesus Cristo teria que morrer para salvar a humanidade?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Quantas vezes Jesus Cristo teria que morrer para salvar a humanidade?

Minha Resposta:

Agradeço pela sua pergunta e pela oportunidade de esclarecer um assunto tão importante à luz da Palavra de Deus.

A resposta bíblica é muito clara: Jesus Cristo precisou morrer uma única vez para realizar uma obra de salvação suficiente para toda a humanidade. Sua morte não precisa ser repetida, porque o sacrifício que Ele ofereceu na cruz foi perfeito, completo e definitivo.

A Bíblia declara:

“Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Hebreus 9:28).

Observe a expressão: “oferecendo-se uma vez”. Isso significa que não existe necessidade de Cristo voltar a morrer, nem de o ser humano passar por sucessivas existências para alcançar a salvação.

1. Por que Jesus Cristo precisou morrer?

O grande problema da humanidade, segundo as Escrituras, não é a falta de oportunidades para evoluir espiritualmente, mas o pecado que separa o homem de Deus.

Romanos 3:23 declara:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.”

Isso inclui todas as pessoas, independentemente de sua religião, condição social, conhecimento ou comportamento moral.

O pecado não é apenas aquilo que fazemos de errado. Ele também está relacionado à nossa própria natureza caída. Por isso, não conseguimos eliminar nossa culpa diante de Deus simplesmente praticando boas obras, ajudando outras pessoas ou procurando melhorar nosso comportamento.

Deus, entretanto, não deixou a humanidade sem esperança. Em Seu amor, enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para assumir o lugar do pecador e sofrer, na cruz, o julgamento que nossos pecados mereciam.

“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

Portanto, Cristo não morreu porque precisasse aperfeiçoar a Si mesmo, mas porque nós precisávamos de um Salvador.

2. E quanto à reencarnação?

Como sua pergunta foi feita após assistir ao vídeo sobre reencarnação, gostaria de esclarecer também essa questão.

A doutrina da reencarnação, presente no espiritismo e em outras tradições religiosas, ensina, de maneira geral, que o espírito passa por sucessivas existências corporais, buscando aprendizado, aperfeiçoamento e progresso espiritual.

Entretanto, esse ensinamento não corresponde ao que encontramos nas Escrituras.

A Bíblia afirma:

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hebreus 9:27).

Observe que o texto não diz que, depois da morte, o homem retorna à Terra para outra existência. Ele afirma que, depois da morte, vem o juízo.

O ensino bíblico não apresenta um ciclo de mortes e renascimentos, mas uma existência terrena, seguida da morte, da ressurreição e do julgamento divino.

Além disso, se o ser humano pudesse alcançar a salvação mediante sucessivas reencarnações e seu próprio aperfeiçoamento moral, qual seria a necessidade de Jesus Cristo morrer na cruz?

É justamente aqui que encontramos uma diferença fundamental entre a reencarnação e o Evangelho.

A reencarnação apresenta o aperfeiçoamento progressivo do espírito através de múltiplas existências. O Evangelho anuncia que o homem, incapaz de salvar a si mesmo, necessita da graça de Deus, que lhe oferece gratuitamente a salvação mediante a obra consumada de Jesus Cristo.

Efésios 2:8-9 declara:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.”

Isso não significa que praticar o bem seja desnecessário. Pelo contrário, Deus deseja que pratiquemos boas obras. Entretanto, elas são o resultado de uma vida transformada pela salvação, e não o pagamento exigido para conquistá-la (Efésios 2:10).

3. Jesus morreu uma vez, e isso foi suficiente para sempre

Existe uma passagem especialmente importante para responder à sua pergunta:

“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hebreus 10:14).

A palavra “oblação” significa oferta ou sacrifício.

O escritor de Hebreus está explicando que os antigos sacrifícios precisavam ser repetidos continuamente, porque não podiam remover definitivamente os pecados. Entretanto, quando Jesus Cristo veio ao mundo, ofereceu a Si mesmo como o sacrifício perfeito.

Na cruz, pouco antes de morrer, Ele declarou:

“Está consumado” (João 19:30).

Não disse que a salvação estava começando ou que dependeria de muitas outras vidas humanas para ser completada. Sua obra redentora estava consumada.

Três dias depois, Ele ressuscitou corporalmente, demonstrando Sua vitória sobre a morte.

Romanos 6:9 afirma:

“Sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele.”

Portanto, Jesus Cristo não precisa morrer novamente. Sua morte foi única, Seu sacrifício foi suficiente e Sua ressurreição confirmou a vitória que Ele conquistou.

4. O que precisamos fazer para receber a salvação?

Talvez esta seja a parte mais importante de toda a resposta.

A Bíblia não ensina que precisamos esperar outra existência para corrigir nossos erros, pagar pelos pecados de uma vida anterior ou alcançar determinado grau de evolução espiritual.

Ela nos convida a receber a salvação agora, nesta vida.

O Senhor Jesus declarou:

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5:24).

Observe que Jesus disse “tem a vida eterna”. Não se trata de uma possibilidade distante, mas de uma realidade presente para aquele que verdadeiramente crê nEle.

Quando o carcereiro de Filipos perguntou a Paulo e Silas o que deveria fazer para ser salvo, recebeu uma resposta simples e maravilhosa:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

Crer em Cristo não significa apenas reconhecer que Ele existiu ou considerá-Lo um grande mestre espiritual. Significa reconhecer que somos pecadores, que não podemos salvar a nós mesmos e que somente Sua morte e ressurreição constituem o fundamento da nossa salvação.

É confiar inteiramente nEle como Salvador pessoal.

Consideração final

Gostaria de deixar uma reflexão.

Se Deus já providenciou, por meio de Seu Filho, uma salvação completa, por que procurar em sucessivas existências aquilo que Jesus Cristo oferece gratuitamente nesta vida?

A mensagem central do Evangelho não é que precisamos nascer fisicamente muitas vezes para alcançar a perfeição. É que precisamos nascer espiritualmente uma vez, mediante a obra do Espírito Santo, pela fé em Jesus Cristo.

Foi exatamente isso que o Senhor ensinou a Nicodemos:

“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (João 3:3).

Esse novo nascimento não é uma reencarnação. É uma transformação espiritual realizada por Deus naquele que recebe Jesus Cristo como seu Salvador.

Deus não está oferecendo uma nova oportunidade em outra vida, mas uma salvação eterna por meio de Seu Filho, nesta vida.

“Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem, o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos” (1 Timóteo 2:5-6).

Minha sincera recomendação é que leia atentamente o Evangelho de João, especialmente os capítulos 3, 5 e 10. Ali encontrará as próprias palavras de Jesus sobre a vida eterna, a salvação e a necessidade de crer nEle.

Cristo morreu uma única vez, mas o valor de Seu sacrifício é eterno. Ele não veio apenas mostrar à humanidade um caminho de aperfeiçoamento. Ele próprio é o Salvador de que todos nós precisamos.

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).

Josué Matos

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O que realmente significam "concupiscência da carne" e "amizade do mundo"?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Meditando aqui nesse texto de Gálatas 1:4, "... a era má ou o período de tempo deste período mau", começa quando Deus confiou a Satanás a responsabilidade de administrar este mundo, no Éden, e termina com a segunda vinda de Cristo, que destruirá todo governo humano influenciado por Satanás e toda atividade demoníaca, para reinar neste mundo. É isso, não é?

Gostaria de compreender melhor Tiago 4:4 e 1 João 2:15.

O que realmente significam "concupiscência da carne" e "amizade do mundo"?

Por exemplo, na prática, como servos de Deus, nascidos de novo, seria pecado ter prazer em desejar comer um doce, passear em um shopping, ir ao cinema, viajar, assistir a uma orquestra, ler um livro ou ouvir alguma música não cristã?

Qual seria o nosso limite?

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito importante, porque envolve uma questão fundamental da vida cristã: como viver neste mundo sem pertencer moral e espiritualmente ao sistema que se opõe a Deus?

Para compreendermos corretamente o assunto, precisamos distinguir três coisas que, embora relacionadas, não são iguais: o mundo criado por Deus, o presente sistema mundial governado por princípios contrários a Deus e os desejos pecaminosos que ainda podem manifestar-se na natureza humana.

Essa distinção é necessária para não cairmos em dois extremos: o mundanismo, que procura justificar praticamente tudo, e o legalismo, que transforma a vida cristã numa sucessão de proibições que a própria Escritura não estabeleceu.

1. O presente século mau — Gálatas 1:4

O apóstolo Paulo escreveu acerca do Senhor Jesus Cristo:

"Que se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai." (Gálatas 1:4).

A expressão "presente século mau" refere-se à presente era, caracterizada pela condição moral e espiritual de uma humanidade afastada de Deus.

Sua compreensão está parcialmente correta, mas precisamos ajustar um detalhe importante: a Bíblia não afirma que Deus entregou a Satanás, no jardim do Éden, a responsabilidade legítima de administrar o mundo.

Em Gênesis 1:26-28, Deus confiou ao homem o domínio sobre a criação terrestre. Entretanto, com a entrada do pecado, a humanidade passou a viver sob a influência daquele que a Escritura identifica como o príncipe deste mundo (João 12:31; 14:30; 16:11).

Em 2 Coríntios 4:4, Satanás é chamado de "deus deste século", porque exerce influência sobre os pensamentos e a condição espiritual dos incrédulos, cegando-lhes o entendimento para que não lhes resplandeça a luz do evangelho.

Em 1 João 5:19, lemos que o mundo inteiro jaz no maligno.

Isso não significa que Satanás tenha recebido de Deus uma autoridade independente ou absoluta. Deus continua soberano sobre todas as coisas, e o inimigo somente pode agir dentro dos limites da permissão divina, como podemos observar em Jó 1:6-12 e 2:1-6.

Quanto ao término dessa presente ordem, a manifestação gloriosa de Cristo estabelecerá uma mudança decisiva.

O Senhor Jesus voltará para exercer Seu legítimo direito de governo sobre a Terra, conforme Apocalipse 19:11-21. Satanás será preso durante mil anos (Apocalipse 20:1-3), e Cristo estabelecerá Seu reino de justiça e paz.

Entretanto, devemos observar que a eliminação definitiva de toda atividade satânica ocorrerá depois do Milênio, quando Satanás será lançado no lago de fogo, conforme Apocalipse 20:7-10.

Portanto, a segunda vinda de Cristo encerrará o presente domínio satânico sobre o sistema mundial e inaugurará Seu reino milenar, mas a destruição definitiva do diabo ocorrerá posteriormente.

Há ainda uma verdade preciosa em Gálatas 1:4: Cristo não morreu apenas para nos livrar da condenação dos nossos pecados, mas também para nos libertar moral e espiritualmente do presente século mau.

O cristão continua vivendo nesta era, mas já não deve viver segundo os seus princípios.

2. O que significa a amizade do mundo? — Tiago 4:4

Tiago escreveu:

"Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tiago 4:4).

Para entendermos essa passagem, precisamos compreender o significado da palavra "mundo".

Nas Escrituras, ela pode apresentar diferentes sentidos, dependendo do contexto.

Em João 3:16, o mundo representa a humanidade que Deus amou e pela qual deu Seu Filho unigênito.

Em Atos 17:24, refere-se ao mundo criado por Deus.

Entretanto, em Tiago 4:4 e 1 João 2:15, o mundo representa o sistema moral e espiritual organizado independentemente de Deus e contrário à Sua vontade.

Esse sistema possui valores, ambições, prazeres, filosofias e objetivos que procuram satisfazer o homem sem que Deus ocupe o lugar que Lhe pertence.

É um mundo que pode admirar a inteligência, a beleza, a riqueza, o progresso e até determinadas formas de religiosidade, mas que não deseja submeter-se à autoridade do Senhor Jesus Cristo.

A amizade do mundo, portanto, não significa simplesmente conviver com pessoas incrédulas, trabalhar numa empresa secular, frequentar estabelecimentos comerciais ou desfrutar das coisas legítimas da criação.

Significa desenvolver afinidade, identificação e compromisso com os princípios de um sistema que rejeita a autoridade de Deus.

Observe o contexto de Tiago 4:1-4. O escritor menciona guerras, contendas, invejas, cobiças e desejos desordenados. São manifestações de um coração que procura satisfação fora da vontade divina.

O problema está na orientação dos afetos.

Uma pessoa pode viver numa casa simples, não frequentar cinemas, não viajar e não possuir grandes recursos financeiros e, ainda assim, ser profundamente mundana, porque seu coração está dominado pela inveja, pelo orgulho, pela ambição ou pelo desejo de reconhecimento.

Por outro lado, um cristão pode possuir bens materiais, viajar, apreciar a natureza e desfrutar de atividades legítimas sem necessariamente estar vivendo em amizade com o mundo.

O mundanismo não é determinado apenas pelo ambiente exterior, mas principalmente pela conformidade interior com os valores que se opõem a Deus.

Por isso, Paulo escreveu:

"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento." (Romanos 12:2).

O cristão não foi chamado a abandonar fisicamente a sociedade, mas a não assumir a forma moral e espiritual dela.

O próprio Senhor Jesus esclareceu essa distinção em Sua oração ao Pai:

"Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal." (João 17:15).

Estamos no mundo, mas não pertencemos ao seu sistema espiritual.

3. O que significa a concupiscência da carne? — 1 João 2:15-17

O apóstolo João escreveu:

"Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." (1 João 2:15).

Em seguida, apresenta três características fundamentais desse sistema:

  • A concupiscência da carne.
  • A concupiscência dos olhos.
  • A soberba da vida.

A palavra "concupiscência" significa desejo intenso ou cobiça. No contexto dessa passagem, refere-se aos desejos desordenados da natureza humana caída.

É importante observar que nem todo desejo natural é pecaminoso.

Sentir fome, desejar descansar, apreciar uma boa refeição, contemplar uma bela paisagem ou sentir satisfação numa atividade legítima não constitui, por si só, pecado.

Deus criou o homem com capacidades físicas, emocionais e intelectuais. O pecado não está na existência dessas capacidades, mas no uso contrário à vontade divina.

A concupiscência da carne ocorre quando os apetites e inclinações da natureza humana passam a governar nossas escolhas, conduzindo-nos à satisfação própria independentemente da vontade de Deus.

Em Gálatas 5:19-21, encontramos manifestações das obras da carne, entre elas prostituição, impureza, lascívia, idolatria, inimizades, invejas, bebedices e glutonarias.

Observe que a carne não se manifesta somente em pecados relacionados ao corpo. Ela também se expressa em atitudes interiores, como orgulho, inveja, rivalidade e egoísmo.

Já a concupiscência dos olhos está relacionada à cobiça despertada por aquilo que contemplamos. É o desejo de possuir, experimentar ou desfrutar de algo simplesmente porque nossos olhos o consideram atraente, mesmo quando isso contraria a vontade divina.

A soberba da vida refere-se à ostentação, à autossuficiência e ao orgulho fundamentado naquilo que alguém possui, realiza ou aparenta ser.

Podemos observar esses três elementos, de maneira ilustrativa, na tentação de Eva, em Gênesis 3:6: a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento.

Também encontramos um contraste precioso nas tentações enfrentadas pelo Senhor Jesus em Mateus 4:1-11. Diferentemente do primeiro homem, Cristo permaneceu em perfeita obediência à Palavra de Deus.

Assim, o problema não é simplesmente desejar alguma coisa, mas permitir que os desejos assumam o governo da nossa vida, substituindo a obediência ao Senhor.

4. Comer um doce, passear, viajar ou desfrutar de atividades culturais é pecado?

Vamos considerar seus exemplos individualmente, porque eles ajudam a compreender a diferença entre liberdade cristã e mundanismo.

Comer um doce ou apreciar uma boa refeição

Não existe pecado em sentir prazer ao comer algo agradável.

Em 1 Timóteo 6:17, Paulo afirma que Deus nos dá abundantemente todas as coisas para delas gozarmos.

Em 1 Timóteo 4:4-5, aprendemos que toda criatura de Deus é boa e que nada deve ser rejeitado quando recebido com ações de graças, sendo santificado pela Palavra de Deus e pela oração.

O pecado aparece quando o prazer se transforma em domínio, quando há falta de moderação ou quando a satisfação do apetite ocupa um lugar indevido em nossa vida.

Paulo declarou:

"Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." (1 Coríntios 6:12).

Portanto, comer um doce não é concupiscência da carne simplesmente porque proporciona prazer.

Entretanto, a incapacidade de controlar nossos apetites pode revelar uma dificuldade espiritual que precisa ser tratada.

Passear num shopping

Um shopping é um ambiente comercial. Entrar nele, fazer compras, passear ou tomar um café não constitui, por si só, amizade com o mundo.

O problema surge quando o coração passa a ser governado pelo consumismo, pela cobiça, pela comparação social ou pela necessidade constante de possuir aquilo que os outros possuem.

Em Lucas 12:15, o Senhor Jesus advertiu:

"Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui."

Podemos frequentar um shopping sem amar o mundo, assim como podemos permanecer em casa e alimentar um coração inteiramente dominado pelo materialismo.

Viajar e conhecer outros lugares

Viajar não é pecado.

A criação revela a sabedoria e o poder de Deus, conforme Salmos 19:1 e Romanos 1:20.

Conhecer lugares, contemplar paisagens, visitar familiares ou desfrutar de momentos de descanso são atividades que podem ser recebidas com gratidão.

Entretanto, precisamos avaliar nossas prioridades.

Uma viagem pode tornar-se espiritualmente prejudicial quando é motivada pela ostentação, quando envolve práticas pecaminosas ou quando, deliberadamente, colocamos nossos prazeres acima das responsabilidades que temos diante de Deus.

O descanso é legítimo; transformar o prazer pessoal no objetivo supremo da existência é que contraria a vida cristã.

Assistir a uma orquestra

A música, como expressão artística, não é necessariamente pecaminosa.

A capacidade humana de produzir sons, desenvolver instrumentos e compor obras musicais faz parte das habilidades que Deus permitiu ao homem desenvolver.

O simples fato de uma composição não possuir letra cristã não a torna automaticamente pecaminosa.

Uma apresentação instrumental, por exemplo, pode ser apreciada pelo seu valor artístico sem que isso represente comunhão com os princípios do mundo.

Entretanto, devemos considerar que nem toda manifestação musical é moralmente neutra. O conteúdo, a mensagem, o ambiente e os efeitos sobre a mente precisam ser avaliados.

O princípio de Filipenses 4:8 é particularmente importante: devemos ocupar nossos pensamentos com aquilo que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e de boa fama.

Ler um livro que não seja cristão

A Bíblia não ensina que o cristão somente pode ler livros religiosos.

Existem obras de história, literatura, ciência, medicina, tecnologia e outras áreas do conhecimento que podem contribuir legitimamente para nossa formação intelectual e profissional.

Entretanto, precisamos distinguir entre conhecer determinada ideia e alimentar voluntariamente nossa mente com conteúdos que promovem o pecado.

Um livro pode ser intelectualmente interessante e, ao mesmo tempo, apresentar ensinamentos que exigem discernimento espiritual.

Em 1 Tessalonicenses 5:21-22, Paulo estabelece dois princípios: examinar tudo, reter o bem e abster-se de toda forma de mal.

Portanto, o critério não é apenas perguntar se o livro foi escrito por um cristão, mas considerar seu conteúdo e a maneira como nos relacionamos com ele.

Ouvir uma música não cristã

Aqui também precisamos evitar uma generalização.

Nem toda música que não menciona Deus é necessariamente uma música pecaminosa. Entretanto, nem toda música aparentemente agradável é apropriada para alguém que deseja viver em santidade.

Uma composição instrumental não apresenta as mesmas questões de uma canção cuja letra exalta a imoralidade, a violência, a sensualidade ou a rebeldia contra Deus.

A pergunta importante é: que mensagem estou recebendo e que influência estou permitindo sobre meus pensamentos e sentimentos?

Em Colossenses 3:16, somos incentivados a permitir que a Palavra de Cristo habite abundantemente em nós.

Isso deve orientar nossas escolhas, inclusive musicais.

Não precisamos afirmar que toda produção artística secular é pecaminosa para reconhecer que muitas produções culturais apresentam valores incompatíveis com a vida cristã.

Ir ao cinema

O cinema exige um discernimento semelhante, considerando especialmente o conteúdo apresentado.

Não seria correto afirmar que todo filme é pecaminoso simplesmente porque é exibido numa sala de cinema. Entretanto, também seria imprudente considerar que qualquer filme pode ser assistido sem consequências espirituais.

Há produções que exploram a sensualidade, normalizam o adultério, glorificam a violência gratuita, ridicularizam a fé ou apresentam o pecado como algo desejável.

O cristão precisa avaliar aquilo que voluntariamente coloca diante dos olhos.

O salmista declarou:

"Não porei coisa má diante dos meus olhos." (Salmos 101:3).

É importante observar que o mesmo princípio vale para a televisão, o telefone, a internet e as plataformas de streaming.

Seria incoerente condenar exclusivamente o cinema e, ao mesmo tempo, consumir em casa conteúdos moralmente equivalentes.

O problema fundamental não é o aparelho ou o estabelecimento, mas aquilo que estamos escolhendo contemplar e permitir que influencie nosso coração.

5. Afinal, qual é o limite da liberdade cristã?

Esta é a parte mais importante da sua pergunta.

O Novo Testamento não apresenta uma lista completa de atividades culturais, recreativas ou sociais permitidas e proibidas. Em vez disso, estabelece princípios espirituais pelos quais devemos avaliar nossas escolhas.

Gostaria de destacar sete perguntas que considero particularmente úteis.

  1. Isso contraria algum ensinamento claro da Palavra de Deus?

A liberdade cristã nunca autoriza aquilo que Deus expressamente condena.

"Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância." (1 Pedro 1:14).

  1. Posso fazer isso para a glória de Deus?

"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." (1 Coríntios 10:31).

Observe que Paulo utiliza atividades extremamente comuns, como comer e beber, para demonstrar que toda a nossa vida deve ser vivida diante de Deus.

  1. Isso está me dominando?

"Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." (1 Coríntios 6:12).

Algo inicialmente legítimo pode tornar-se prejudicial quando passamos a depender dele emocionalmente ou quando perdemos o domínio próprio.

  1. Isso contribui para minha edificação espiritual?

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." (1 Coríntios 10:23).

Nem tudo que é permitido é necessariamente proveitoso.

O cristão maduro aprende a avaliar não apenas se determinada atividade é proibida, mas também se é conveniente.

  1. Isso prejudica minha comunhão com o Senhor?

Em Efésios 4:30, somos advertidos a não entristecer o Espírito Santo de Deus.

Se determinada atividade alimenta pensamentos impuros, enfraquece nossa disposição para a oração ou nos conduz deliberadamente à desobediência, temos motivos espirituais para abandoná-la.

  1. Isso pode prejudicar outras pessoas?

Romanos 14:13-21 ensina que devemos considerar a consciência e o bem espiritual dos outros.

Nossa liberdade não deve ser exercida de maneira egoísta, desprezando aqueles que podem ser prejudicados pelo nosso comportamento.

  1. Posso fazer isso com uma consciência tranquila diante de Deus?

Romanos 14:23 declara que tudo o que não provém de fé é pecado.

Quando não conseguimos realizar determinada atividade com uma consciência tranquila diante do Senhor, o caminho prudente é abster-nos dela até termos clareza bíblica.

Isso não significa transformar nossas convicções pessoais em mandamentos universais, mas reconhecer nossa responsabilidade individual diante de Deus.

6. Uma distinção importante: separação do mundo não é isolamento da sociedade

Há algo que considero necessário acrescentar.

Algumas pessoas interpretam a separação do mundo como se a santidade dependesse de eliminar praticamente todo contato com a cultura, a sociedade e as atividades comuns da vida humana.

Entretanto, não foi isso que o Senhor Jesus ensinou.

Em João 17:14-18, Ele declarou que os Seus discípulos não eram do mundo, assim como Ele não era do mundo, mas também afirmou que os enviava ao mundo.

O cristão possui responsabilidades familiares, profissionais, sociais e espirituais.

Ele precisa trabalhar, estudar, conviver com pessoas, administrar seus recursos e desenvolver uma vida responsável diante de Deus e dos homens.

A separação bíblica não significa abandonar essas responsabilidades, mas desempenhá-las de maneira coerente com nossa nova posição em Cristo.

O apóstolo Paulo esclareceu essa questão em 1 Coríntios 5:9-10. Ao tratar da necessidade de separação moral, explicou que não estava exigindo que os cristãos deixassem de ter qualquer contato com as pessoas pecadoras deste mundo, pois, nesse caso, seria necessário sair do próprio mundo.

A separação cristã é moral, espiritual e doutrinária, não uma tentativa de isolamento físico absoluto.

Também precisamos lembrar que a santidade não é produzida simplesmente pela ausência de determinadas atividades.

Uma pessoa pode abandonar todos os entretenimentos e continuar dominada pelo orgulho, pela amargura, pela inveja e pela falta de amor.

A verdadeira santificação envolve a transformação da nossa maneira de pensar, desejar e agir, mediante a Palavra de Deus e a operação do Espírito Santo.

7. O segredo está em quem governa o coração

Gostaria de concluir chamando sua atenção para uma verdade que considero essencial.

O objetivo da vida cristã não é simplesmente descobrir até onde podemos ir sem cometer pecado.

Essa maneira de pensar pode transformar nossa caminhada numa tentativa permanente de encontrar o limite máximo daquilo que é permitido.

A pergunta mais proveitosa deveria ser: como posso agradar mais ao Senhor Jesus Cristo com a vida que Ele me concedeu?

Em 2 Coríntios 5:15, Paulo apresenta a finalidade da nossa nova vida:

"E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou."

Essa é a grande diferença.

Antes da conversão, vivíamos essencialmente para satisfazer nossos próprios interesses. Agora, pertencemos Àquele que nos comprou com Seu precioso sangue.

Isso não significa que deixamos de apreciar uma refeição, uma paisagem, uma viagem, uma obra artística ou momentos agradáveis com nossa família.

Significa que essas coisas já não ocupam o centro da nossa existência.

Podemos desfrutar com gratidão daquilo que Deus legitimamente nos concede, sem transformar Suas dádivas em substitutos do próprio Doador.

Paulo escreveu em Colossenses 3:1-2:

"Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra."

Isso não significa que devemos deixar de cumprir nossas responsabilidades terrenas, mas que nossa orientação espiritual, nossos afetos e nossas prioridades devem estar ligados ao Cristo glorificado.

O mundo oferece satisfação passageira. Cristo oferece uma satisfação que permanece.

Por isso, João conclui sua advertência dizendo:

"E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." (1 João 2:17).

Portanto, comer um doce, passear num shopping, viajar, apreciar uma orquestra ou ler um livro não constitui automaticamente pecado ou amizade com o mundo.

O limite encontra-se na vontade revelada de Deus, na santidade que Ele requer, no conteúdo daquilo que escolhemos, na influência que permitimos sobre nossa mente e no lugar que essas coisas ocupam em nosso coração.

Não devemos acrescentar proibições humanas à Palavra de Deus, mas também não devemos utilizar a liberdade cristã como justificativa para satisfazer a carne (Gálatas 5:13).

A maturidade espiritual consiste em aprender a desfrutar das coisas legítimas sem ser dominado por elas, rejeitar aquilo que desagrada ao Senhor e reconhecer que nenhuma satisfação terrena pode ocupar o lugar que pertence exclusivamente a Cristo.

Que nossa preocupação principal não seja descobrir quanto do mundo podemos conservar em nossa vida, mas quanto da beleza moral de Cristo pode ser manifestada por meio dela.

Josué Matos

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