Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Pastor, os tessalonicenses, por causa das perseguições e tribulações que sofriam, aguardavam o arrebatamento a qualquer momento para terem descanso, ou aguardavam o descanso através do arrebatamento.
Quando Paulo escreveu: "E vós, que sois atribulados, descanso", a palavra "descanso", no contexto, tem o mesmo significado de arrebatamento, que só vai acontecer quando Jesus vier em chama de fogo, ou seja, no Dia do Senhor, e não numa vinda secreta a qualquer momento.
Que Jesus viesse a qualquer momento era o que os tessalonicenses estavam esperando. A manifestação do anticristo não tem nada a ver com a ira de Deus. A ira de Deus é quando Jesus vier em chama de fogo, no Dia do Senhor, e é quando acontece o arrebatamento.
Se você não entende assim, então continue à espera da vinda secreta de Cristo a qualquer momento, que eu fico à espera do Dia do Senhor.
E está tudo dito da minha parte, e não vale a pena prolongar mais esta discussão que, pelo visto, nunca terá a concordância de ambos.
Minha resposta:
Sua nova mensagem apenas confirma aquilo que venho observando ao longo desta discussão: você continua repetindo as mesmas afirmações, mas não apresenta uma refutação bíblica dos textos que já lhe foram apresentados.
É lamentável perceber tamanha limitação na compreensão das Escrituras, especialmente quando ela parece resultar de uma escolha pessoal de permanecer numa interpretação sem disposição para examinar os textos que a contrariam.
Pelo visto, você sequer teve o cuidado de ler atentamente os versículos que apresentei anteriormente. Não se trata de concordar comigo, mas de ter a honestidade intelectual de examinar o que a Bíblia realmente afirma.
Você estabeleceu uma regra para esta discussão: apresentar provas bíblicas. Pois bem, vamos continuar seguindo essa mesma regra. Não me interessa saber o que você imagina que Paulo deveria ter escrito. Interessa-me aquilo que ele efetivamente escreveu.
E, mais uma vez, suas afirmações confundem acontecimentos distintos, ignoram o contexto das duas epístolas aos Tessalonicenses e atribuem às palavras do apóstolo significados que elas não possuem.
1. A palavra "descanso" não significa arrebatamento
Você afirma que, em Segunda Tessalonicenses 1:7, a palavra "descanso" tem o mesmo significado de arrebatamento.
Onde está escrito isso?
A palavra grega empregada por Paulo é anesis, que transmite a ideia de alívio, repouso ou cessação de uma aflição. Não é a palavra utilizada para descrever o arrebatamento em Primeira Tessalonicenses 4:17.
Nesse último texto, Paulo emprega uma forma do verbo harpazo, que significa arrebatar, tomar ou retirar repentinamente.
Portanto, você está tratando duas palavras diferentes como se fossem sinônimas e, a partir dessa associação, construindo uma conclusão doutrinária que o próprio texto não apresenta.
Leia Segunda Tessalonicenses 1:6-10 com atenção.
Paulo está tratando da justa retribuição divina. Aqueles que perseguem os santos receberão tribulação, enquanto os que agora sofrem serão encontrados em descanso quando Cristo Se manifestar em juízo.
O assunto central da passagem não é explicar como acontecerá o arrebatamento da Igreja, mas apresentar o contraste entre o destino dos perseguidores e o dos perseguidos na manifestação gloriosa de Cristo.
A expressão "quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu" estabelece o cenário da retribuição pública e definitiva. Não transforma a palavra descanso em um termo técnico para arrebatamento, nem declara que os santos somente poderão experimentar descanso a partir daquele instante.
Aliás, Paulo já havia ensinado que o crente que morre parte para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Filipenses 1:23). Também afirmou que estar ausente do corpo é estar presente com o Senhor (Segunda Coríntios 5:8).
Você pretende afirmar que esses crentes não desfrutam de descanso enquanto aguardam a manifestação gloriosa de Cristo?
O erro começa quando se tenta transformar uma palavra comum em uma definição profética que ela não possui.
2. Paulo já havia explicado o arrebatamento na primeira epístola
Antes de escrever Segunda Tessalonicenses, Paulo havia apresentado uma revelação específica acerca do arrebatamento.
Observe Primeira Tessalonicenses 4:15-17:
"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor."
Agora responda, utilizando apenas o texto bíblico:
Onde Paulo menciona o anticristo nessa passagem?
Onde afirma que a Igreja precisa atravessar a grande tribulação?
Onde menciona Cristo descendo à terra para executar juízo sobre as nações?
Onde aparecem as chamas de fogo de Segunda Tessalonicenses 1:8?
A resposta é simples: em lugar nenhum.
O acontecimento descrito em Primeira Tessalonicenses 4 possui características próprias. Os mortos em Cristo ressuscitam, os santos vivos são transformados e ambos são arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.
Em Segunda Tessalonicenses 1, o cenário é outro: Cristo manifesta-Se em glória, acompanhado dos anjos do Seu poder, executando juízo contra os que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho.
Não estou afirmando que existem dois Cristos ou duas segundas vindas independentes. Estou afirmando que a segunda vinda de Cristo compreende acontecimentos distintos, com propósitos diferentes, que não devem ser confundidos.
No arrebatamento, Cristo vem buscar os Seus. Na manifestação gloriosa, Ele aparece em juízo e glória.
Essa distinção não nasceu da imaginação de alguém. Resulta da comparação cuidadosa das passagens bíblicas.
3. A Igreja não foi destinada à ira divina
Sua afirmação de que a manifestação do anticristo nada tem a ver com a ira de Deus revela outra dificuldade em sua interpretação: você restringe a ira divina exclusivamente ao momento da manifestação de Cristo em chamas de fogo.
Entretanto, a Bíblia não faz essa restrição.
Primeira Tessalonicenses 1:10 declara:
"E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura."
Observe que a esperança apresentada aos tessalonicenses não era aguardar a manifestação do anticristo, mas esperar dos céus o Filho de Deus.
Posteriormente, Paulo acrescenta:
"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (Primeira Tessalonicenses 5:9).
O contexto imediato desse versículo trata precisamente do Dia do Senhor.
Em Primeira Tessalonicenses 5:2-3, Paulo explica que esse dia virá como ladrão de noite e que, quando disserem "Há paz e segurança", sobrevirá repentina destruição.
Em seguida, faz uma distinção entre aqueles que estão nas trevas e os crentes, que são filhos da luz e do dia.
A Igreja não foi destinada à ira.
E essa verdade concorda com Apocalipse 3:10, onde o Senhor promete guardar os Seus da hora da provação que há de vir sobre todo o mundo.
Observe que não se trata simplesmente de proteção contra determinado sofrimento, mas de uma promessa relacionada à própria hora da provação.
Além disso, Apocalipse 6:16-17 demonstra que a ira divina não está limitada à manifestação final de Cristo em Apocalipse 19.
Na abertura do sexto selo, os habitantes da terra já reconhecem a chegada do grande dia da ira do Cordeiro.
Portanto, sua afirmação de que a ira de Deus acontece somente quando Cristo aparece em chamas de fogo não corresponde à apresentação progressiva dos juízos no livro de Apocalipse.
É necessário distinguir a perseguição que os crentes sofrem neste mundo da ira judicial que Deus derramará sobre a terra.
O próprio Senhor Jesus declarou:
"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." (João 16:33).
A Igreja nunca recebeu a promessa de escapar das aflições deste mundo. Recebeu, porém, a promessa de livramento da ira futura.
Confundir essas duas realidades é comprometer toda a interpretação profética.
4. Segunda Tessalonicenses 2 não coloca a Igreja à espera do anticristo
Este talvez seja o ponto que mais claramente demonstra a fragilidade da sua argumentação.
Leia Segunda Tessalonicenses 2:1:
"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele."
Paulo começa mencionando dois aspectos relacionados: a vinda do Senhor e a nossa reunião com Ele.
Essa reunião corresponde à esperança já explicada em Primeira Tessalonicenses 4:13-18.
Em seguida, no versículo 2, Paulo pede que os tessalonicenses não se deixem perturbar, como se o Dia do Senhor já tivesse chegado.
Por quê?
Porque estavam enfrentando perseguições e tribulações, e falsas informações estavam causando confusão quanto ao período profético em que se encontravam.
Paulo não lhes escreve dizendo que deveriam aguardar a manifestação do anticristo para somente depois começarem a esperar por Cristo.
Ele distingue a reunião dos santos com o Senhor do Dia do Senhor, cuja chegada estava sendo falsamente anunciada.
Nos versículos seguintes, explica que esse dia não virá sem que determinados acontecimentos proféticos se cumpram, incluindo a manifestação do homem do pecado.
A questão é muito simples: os sinais apresentados por Paulo dizem respeito à chegada do Dia do Senhor, não constituem uma lista de condições que a Igreja precisa cumprir antes de ser arrebatada.
Você está transferindo para o arrebatamento as condições proféticas apresentadas em relação ao Dia do Senhor.
E é precisamente essa confusão que impede uma compreensão harmoniosa das duas epístolas.
5. O próprio Senhor Jesus distinguiu a esperança da Igreja da Sua manifestação ao mundo
Em João 14:2-3, o Senhor Jesus fez uma promessa aos discípulos:
"E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também."
Observe o propósito dessa vinda: receber os Seus para Si mesmo.
Agora compare com Zacarias 14:4, onde está escrito que os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras, quando Ele intervier em favor de Jerusalém.
Compare também com Apocalipse 19:11-21, onde Cristo aparece como Rei dos reis e Senhor dos senhores, vindo para julgar e pelejar com justiça.
Em João 14, Ele vem receber os Seus para estarem onde Ele está.
Em Zacarias 14 e Apocalipse 19, Ele manifesta-Se publicamente para exercer Seu domínio e juízo sobre a terra.
São descrições com propósitos diferentes.
A interpretação pré-tribulacional reconhece essa distinção e compreende o arrebatamento e a manifestação gloriosa como fases distintas da segunda vinda de Cristo.
Você pode discordar dessa compreensão, mas precisa refutá-la com as Escrituras, não simplesmente classificá-la como uma invenção.
6. A expectativa dos primeiros crentes era Cristo, não o anticristo
Existe ainda uma pergunta que você continua evitando.
Se a Igreja precisa necessariamente aguardar a manifestação do anticristo e atravessar a grande tribulação antes do arrebatamento, por que os apóstolos apresentaram a vinda de Cristo como uma esperança presente?
Considere:
Filipenses 3:20 — Nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.
Primeira Tessalonicenses 1:10 — Os convertidos aguardavam dos céus o Filho de Deus.
Tito 2:13 — Aguardamos a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.
Tiago 5:8 — A vinda do Senhor está próxima.
Primeira João 3:2-3 — A esperança de vê-Lo como Ele é produz purificação na vida presente.
Apocalipse 22:20 — "Certamente cedo venho. Amém. Ora, vem, Senhor Jesus."
Onde está a instrução apostólica para que a Igreja coloque sua expectativa na manifestação do anticristo?
A Bíblia apresenta Cristo como o objeto da esperança cristã.
Isso não significa marcar datas, ignorar os acontecimentos proféticos ou afirmar que conhecemos o momento do arrebatamento. Significa reconhecer que a Igreja deve viver em constante expectativa da vinda do seu Senhor.
É por isso que a doutrina do arrebatamento possui também uma aplicação moral e espiritual: ela estimula a vigilância, a santificação e a fidelidade.
7. Sobre sua expressão "vinda secreta"
Você insiste em utilizar a expressão "vinda secreta" como se ela, por si só, invalidasse o arrebatamento pré-tribulacional.
Entretanto, essa expressão não é a definição bíblica que apresentei.
Primeira Tessalonicenses 4:16 menciona alarido, voz de arcanjo e trombeta de Deus. Portanto, não estou ensinando um acontecimento silencioso.
O ponto em discussão não é o volume do som, mas a natureza, os participantes e o propósito do acontecimento.
No arrebatamento, o Senhor reúne os que Lhe pertencem e os recebe para Si.
Na Sua manifestação gloriosa, Ele aparece publicamente para executar juízo e estabelecer Seu reino.
Tentar ridicularizar uma posição doutrinária por meio de uma expressão popular não constitui refutação bíblica.
Se deseja contestar o arrebatamento pré-tribulacional, faça-o enfrentando os textos que fundamentam essa interpretação.
Considerações finais
Você encerra sua mensagem dizendo que continuará esperando o Dia do Senhor, enquanto eu continuarei esperando a vinda de Cristo.
Respeito sua decisão de encerrar a conversa. Contudo, preciso esclarecer que a minha esperança não está fundamentada numa preferência pessoal, mas nas promessas que encontro nas Escrituras.
É lamentável que, depois de tantas explicações e referências bíblicas, você continue apresentando as mesmas conclusões sem demonstrar onde os textos anteriormente citados estariam errados ou teriam sido interpretados indevidamente.
Discordar é legítimo. Ignorar os argumentos bíblicos apresentados e simplesmente repetir uma afirmação não é uma demonstração de conhecimento das Escrituras.
A ignorância das verdades bíblicas pode ser corrigida pelo estudo diligente da Palavra. Permanecer nela por falta de disposição para examinar aquilo que contraria nossas ideias é uma escolha pessoal.
Lembro-lhe ainda que não estou pedindo que aceite a minha palavra como autoridade. A autoridade pertence exclusivamente à Palavra de Deus.
Os bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo lhes ensinava era realmente assim (Atos dos Apóstolos 17:11).
Esse é o procedimento que deveria orientar qualquer discussão doutrinária.
E, já que você considera encerrado o assunto, deixo uma última observação: não é necessário que nós dois cheguemos a um acordo para que a verdade bíblica permaneça sendo verdade. A Palavra de Deus não depende da concordância humana.
Quanto a mim, continuo aguardando o Senhor Jesus Cristo, conforme a promessa que Ele mesmo deixou:
"E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." (João 14:3).
Minha esperança não é encontrar o anticristo. Minha esperança é encontrar Cristo.
Josué Matos