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Se você não entende assim, então continue à espera da vinda secreta de Cristo a qualquer momento, que eu fico à espera do Dia do Senhor.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Pastor, os tessalonicenses, por causa das perseguições e tribulações que sofriam, aguardavam o arrebatamento a qualquer momento para terem descanso, ou aguardavam o descanso através do arrebatamento.

Quando Paulo escreveu: "E vós, que sois atribulados, descanso", a palavra "descanso", no contexto, tem o mesmo significado de arrebatamento, que só vai acontecer quando Jesus vier em chama de fogo, ou seja, no Dia do Senhor, e não numa vinda secreta a qualquer momento.

Que Jesus viesse a qualquer momento era o que os tessalonicenses estavam esperando. A manifestação do anticristo não tem nada a ver com a ira de Deus. A ira de Deus é quando Jesus vier em chama de fogo, no Dia do Senhor, e é quando acontece o arrebatamento.

Se você não entende assim, então continue à espera da vinda secreta de Cristo a qualquer momento, que eu fico à espera do Dia do Senhor.

E está tudo dito da minha parte, e não vale a pena prolongar mais esta discussão que, pelo visto, nunca terá a concordância de ambos.

Minha resposta:

Sua nova mensagem apenas confirma aquilo que venho observando ao longo desta discussão: você continua repetindo as mesmas afirmações, mas não apresenta uma refutação bíblica dos textos que já lhe foram apresentados.

É lamentável perceber tamanha limitação na compreensão das Escrituras, especialmente quando ela parece resultar de uma escolha pessoal de permanecer numa interpretação sem disposição para examinar os textos que a contrariam.

Pelo visto, você sequer teve o cuidado de ler atentamente os versículos que apresentei anteriormente. Não se trata de concordar comigo, mas de ter a honestidade intelectual de examinar o que a Bíblia realmente afirma.

Você estabeleceu uma regra para esta discussão: apresentar provas bíblicas. Pois bem, vamos continuar seguindo essa mesma regra. Não me interessa saber o que você imagina que Paulo deveria ter escrito. Interessa-me aquilo que ele efetivamente escreveu.

E, mais uma vez, suas afirmações confundem acontecimentos distintos, ignoram o contexto das duas epístolas aos Tessalonicenses e atribuem às palavras do apóstolo significados que elas não possuem.

1. A palavra "descanso" não significa arrebatamento

Você afirma que, em Segunda Tessalonicenses 1:7, a palavra "descanso" tem o mesmo significado de arrebatamento.

Onde está escrito isso?

A palavra grega empregada por Paulo é anesis, que transmite a ideia de alívio, repouso ou cessação de uma aflição. Não é a palavra utilizada para descrever o arrebatamento em Primeira Tessalonicenses 4:17.

Nesse último texto, Paulo emprega uma forma do verbo harpazo, que significa arrebatar, tomar ou retirar repentinamente.

Portanto, você está tratando duas palavras diferentes como se fossem sinônimas e, a partir dessa associação, construindo uma conclusão doutrinária que o próprio texto não apresenta.

Leia Segunda Tessalonicenses 1:6-10 com atenção.

Paulo está tratando da justa retribuição divina. Aqueles que perseguem os santos receberão tribulação, enquanto os que agora sofrem serão encontrados em descanso quando Cristo Se manifestar em juízo.

O assunto central da passagem não é explicar como acontecerá o arrebatamento da Igreja, mas apresentar o contraste entre o destino dos perseguidores e o dos perseguidos na manifestação gloriosa de Cristo.

A expressão "quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu" estabelece o cenário da retribuição pública e definitiva. Não transforma a palavra descanso em um termo técnico para arrebatamento, nem declara que os santos somente poderão experimentar descanso a partir daquele instante.

Aliás, Paulo já havia ensinado que o crente que morre parte para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Filipenses 1:23). Também afirmou que estar ausente do corpo é estar presente com o Senhor (Segunda Coríntios 5:8).

Você pretende afirmar que esses crentes não desfrutam de descanso enquanto aguardam a manifestação gloriosa de Cristo?

O erro começa quando se tenta transformar uma palavra comum em uma definição profética que ela não possui.

2. Paulo já havia explicado o arrebatamento na primeira epístola

Antes de escrever Segunda Tessalonicenses, Paulo havia apresentado uma revelação específica acerca do arrebatamento.

Observe Primeira Tessalonicenses 4:15-17:

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor."

Agora responda, utilizando apenas o texto bíblico:

Onde Paulo menciona o anticristo nessa passagem?

Onde afirma que a Igreja precisa atravessar a grande tribulação?

Onde menciona Cristo descendo à terra para executar juízo sobre as nações?

Onde aparecem as chamas de fogo de Segunda Tessalonicenses 1:8?

A resposta é simples: em lugar nenhum.

O acontecimento descrito em Primeira Tessalonicenses 4 possui características próprias. Os mortos em Cristo ressuscitam, os santos vivos são transformados e ambos são arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.

Em Segunda Tessalonicenses 1, o cenário é outro: Cristo manifesta-Se em glória, acompanhado dos anjos do Seu poder, executando juízo contra os que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho.

Não estou afirmando que existem dois Cristos ou duas segundas vindas independentes. Estou afirmando que a segunda vinda de Cristo compreende acontecimentos distintos, com propósitos diferentes, que não devem ser confundidos.

No arrebatamento, Cristo vem buscar os Seus. Na manifestação gloriosa, Ele aparece em juízo e glória.

Essa distinção não nasceu da imaginação de alguém. Resulta da comparação cuidadosa das passagens bíblicas.

3. A Igreja não foi destinada à ira divina

Sua afirmação de que a manifestação do anticristo nada tem a ver com a ira de Deus revela outra dificuldade em sua interpretação: você restringe a ira divina exclusivamente ao momento da manifestação de Cristo em chamas de fogo.

Entretanto, a Bíblia não faz essa restrição.

Primeira Tessalonicenses 1:10 declara:

"E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura."

Observe que a esperança apresentada aos tessalonicenses não era aguardar a manifestação do anticristo, mas esperar dos céus o Filho de Deus.

Posteriormente, Paulo acrescenta:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (Primeira Tessalonicenses 5:9).

O contexto imediato desse versículo trata precisamente do Dia do Senhor.

Em Primeira Tessalonicenses 5:2-3, Paulo explica que esse dia virá como ladrão de noite e que, quando disserem "Há paz e segurança", sobrevirá repentina destruição.

Em seguida, faz uma distinção entre aqueles que estão nas trevas e os crentes, que são filhos da luz e do dia.

A Igreja não foi destinada à ira.

E essa verdade concorda com Apocalipse 3:10, onde o Senhor promete guardar os Seus da hora da provação que há de vir sobre todo o mundo.

Observe que não se trata simplesmente de proteção contra determinado sofrimento, mas de uma promessa relacionada à própria hora da provação.

Além disso, Apocalipse 6:16-17 demonstra que a ira divina não está limitada à manifestação final de Cristo em Apocalipse 19.

Na abertura do sexto selo, os habitantes da terra já reconhecem a chegada do grande dia da ira do Cordeiro.

Portanto, sua afirmação de que a ira de Deus acontece somente quando Cristo aparece em chamas de fogo não corresponde à apresentação progressiva dos juízos no livro de Apocalipse.

É necessário distinguir a perseguição que os crentes sofrem neste mundo da ira judicial que Deus derramará sobre a terra.

O próprio Senhor Jesus declarou:

"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." (João 16:33).

A Igreja nunca recebeu a promessa de escapar das aflições deste mundo. Recebeu, porém, a promessa de livramento da ira futura.

Confundir essas duas realidades é comprometer toda a interpretação profética.

4. Segunda Tessalonicenses 2 não coloca a Igreja à espera do anticristo

Este talvez seja o ponto que mais claramente demonstra a fragilidade da sua argumentação.

Leia Segunda Tessalonicenses 2:1:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele."

Paulo começa mencionando dois aspectos relacionados: a vinda do Senhor e a nossa reunião com Ele.

Essa reunião corresponde à esperança já explicada em Primeira Tessalonicenses 4:13-18.

Em seguida, no versículo 2, Paulo pede que os tessalonicenses não se deixem perturbar, como se o Dia do Senhor já tivesse chegado.

Por quê?

Porque estavam enfrentando perseguições e tribulações, e falsas informações estavam causando confusão quanto ao período profético em que se encontravam.

Paulo não lhes escreve dizendo que deveriam aguardar a manifestação do anticristo para somente depois começarem a esperar por Cristo.

Ele distingue a reunião dos santos com o Senhor do Dia do Senhor, cuja chegada estava sendo falsamente anunciada.

Nos versículos seguintes, explica que esse dia não virá sem que determinados acontecimentos proféticos se cumpram, incluindo a manifestação do homem do pecado.

A questão é muito simples: os sinais apresentados por Paulo dizem respeito à chegada do Dia do Senhor, não constituem uma lista de condições que a Igreja precisa cumprir antes de ser arrebatada.

Você está transferindo para o arrebatamento as condições proféticas apresentadas em relação ao Dia do Senhor.

E é precisamente essa confusão que impede uma compreensão harmoniosa das duas epístolas.

5. O próprio Senhor Jesus distinguiu a esperança da Igreja da Sua manifestação ao mundo

Em João 14:2-3, o Senhor Jesus fez uma promessa aos discípulos:

"E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também."

Observe o propósito dessa vinda: receber os Seus para Si mesmo.

Agora compare com Zacarias 14:4, onde está escrito que os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras, quando Ele intervier em favor de Jerusalém.

Compare também com Apocalipse 19:11-21, onde Cristo aparece como Rei dos reis e Senhor dos senhores, vindo para julgar e pelejar com justiça.

Em João 14, Ele vem receber os Seus para estarem onde Ele está.

Em Zacarias 14 e Apocalipse 19, Ele manifesta-Se publicamente para exercer Seu domínio e juízo sobre a terra.

São descrições com propósitos diferentes.

A interpretação pré-tribulacional reconhece essa distinção e compreende o arrebatamento e a manifestação gloriosa como fases distintas da segunda vinda de Cristo.

Você pode discordar dessa compreensão, mas precisa refutá-la com as Escrituras, não simplesmente classificá-la como uma invenção.

6. A expectativa dos primeiros crentes era Cristo, não o anticristo

Existe ainda uma pergunta que você continua evitando.

Se a Igreja precisa necessariamente aguardar a manifestação do anticristo e atravessar a grande tribulação antes do arrebatamento, por que os apóstolos apresentaram a vinda de Cristo como uma esperança presente?

Considere:

  • Filipenses 3:20 — Nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

  • Primeira Tessalonicenses 1:10 — Os convertidos aguardavam dos céus o Filho de Deus.

  • Tito 2:13 — Aguardamos a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.

  • Tiago 5:8 — A vinda do Senhor está próxima.

  • Primeira João 3:2-3 — A esperança de vê-Lo como Ele é produz purificação na vida presente.

  • Apocalipse 22:20 — "Certamente cedo venho. Amém. Ora, vem, Senhor Jesus."

Onde está a instrução apostólica para que a Igreja coloque sua expectativa na manifestação do anticristo?

A Bíblia apresenta Cristo como o objeto da esperança cristã.

Isso não significa marcar datas, ignorar os acontecimentos proféticos ou afirmar que conhecemos o momento do arrebatamento. Significa reconhecer que a Igreja deve viver em constante expectativa da vinda do seu Senhor.

É por isso que a doutrina do arrebatamento possui também uma aplicação moral e espiritual: ela estimula a vigilância, a santificação e a fidelidade.

7. Sobre sua expressão "vinda secreta"

Você insiste em utilizar a expressão "vinda secreta" como se ela, por si só, invalidasse o arrebatamento pré-tribulacional.

Entretanto, essa expressão não é a definição bíblica que apresentei.

Primeira Tessalonicenses 4:16 menciona alarido, voz de arcanjo e trombeta de Deus. Portanto, não estou ensinando um acontecimento silencioso.

O ponto em discussão não é o volume do som, mas a natureza, os participantes e o propósito do acontecimento.

No arrebatamento, o Senhor reúne os que Lhe pertencem e os recebe para Si.

Na Sua manifestação gloriosa, Ele aparece publicamente para executar juízo e estabelecer Seu reino.

Tentar ridicularizar uma posição doutrinária por meio de uma expressão popular não constitui refutação bíblica.

Se deseja contestar o arrebatamento pré-tribulacional, faça-o enfrentando os textos que fundamentam essa interpretação.

Considerações finais

Você encerra sua mensagem dizendo que continuará esperando o Dia do Senhor, enquanto eu continuarei esperando a vinda de Cristo.

Respeito sua decisão de encerrar a conversa. Contudo, preciso esclarecer que a minha esperança não está fundamentada numa preferência pessoal, mas nas promessas que encontro nas Escrituras.

É lamentável que, depois de tantas explicações e referências bíblicas, você continue apresentando as mesmas conclusões sem demonstrar onde os textos anteriormente citados estariam errados ou teriam sido interpretados indevidamente.

Discordar é legítimo. Ignorar os argumentos bíblicos apresentados e simplesmente repetir uma afirmação não é uma demonstração de conhecimento das Escrituras.

A ignorância das verdades bíblicas pode ser corrigida pelo estudo diligente da Palavra. Permanecer nela por falta de disposição para examinar aquilo que contraria nossas ideias é uma escolha pessoal.

Lembro-lhe ainda que não estou pedindo que aceite a minha palavra como autoridade. A autoridade pertence exclusivamente à Palavra de Deus.

Os bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo lhes ensinava era realmente assim (Atos dos Apóstolos 17:11).

Esse é o procedimento que deveria orientar qualquer discussão doutrinária.

E, já que você considera encerrado o assunto, deixo uma última observação: não é necessário que nós dois cheguemos a um acordo para que a verdade bíblica permaneça sendo verdade. A Palavra de Deus não depende da concordância humana.

Quanto a mim, continuo aguardando o Senhor Jesus Cristo, conforme a promessa que Ele mesmo deixou:

"E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." (João 14:3).

Minha esperança não é encontrar o anticristo. Minha esperança é encontrar Cristo.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

No Reino, as pessoas são submissas ao Rei; na Graça, não temos um Rei, e sim um Pai. Confere?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Graça, irmão Josué!

Um irmão me perguntou e necessito da sua orientação.

A comissão dada aos discípulos foi específica para Israel? Nesse caso, será pregada novamente após o Arrebatamento?

E a dispensação de Paulo foi específica para a Igreja?

Pergunta: No Reino, as pessoas são submissas ao Rei; na Graça, não temos um Rei, e sim um Pai. Confere?

Minha Respasta:

Sua pergunta é muito interessante, pois envolve algumas distinções importantes no estudo das Escrituras, especialmente no que diz respeito a Israel, à Igreja, ao Reino de Deus e à presente dispensação da Graça.

Entretanto, precisamos ter cuidado para não fazer uma separação tão acentuada entre essas verdades a ponto de criar uma oposição que a própria Bíblia não estabelece.

Vou procurar responder por partes, porque há elementos corretos no seu raciocínio, mas a última afirmação necessita de um ajuste importante.

1. A comissão dada aos discípulos foi especificamente para Israel?

Primeiramente, precisamos distinguir duas comissões que encontramos no Evangelho segundo Mateus.

Em Mateus 10:5-7, quando o Senhor Jesus enviou os doze discípulos durante Seu ministério terreno, deu-lhes uma ordem bastante específica:

"Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel; e, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus."

Observe que essa comissão tinha um caráter expressamente judaico. Os discípulos não deveriam ir aos gentios nem aos samaritanos, mas exclusivamente às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Isso estava relacionado à apresentação do Messias prometido à nação de Israel e à proclamação da proximidade do Reino dos Céus.

Entretanto, quando chegamos a Mateus 28:18-20, encontramos uma comissão com características diferentes.

O Senhor Jesus já havia morrido e ressuscitado. Agora, apresentando-Se com toda a autoridade recebida, declarou:

"É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações..."

Observe a mudança: em Mateus 10, a missão estava restrita a Israel; em Mateus 28, o alcance é ampliado para todas as nações.

Portanto, não seria correto afirmar que toda a comissão dada aos discípulos era exclusivamente destinada a Israel.

Precisamos distinguir a missão restrita de Mateus 10 da comissão mais ampla de Mateus 28.

2. Essa pregação será retomada depois do Arrebatamento?

Aqui entramos no campo profético.

A Igreja, que é o Corpo de Cristo, será arrebatada antes do período da Grande Tribulação, conforme encontramos em Primeira Tessalonicenses 4:13-18 e na promessa de Apocalipse 3:10.

Após o Arrebatamento, Deus retomará Seu trato profético com Israel, sem que isso signifique que Israel tenha deixado de existir durante a presente dispensação.

O capítulo 9 de Daniel apresenta as setenta semanas determinadas sobre o povo de Daniel e sobre sua santa cidade, isto é, Israel e Jerusalém (Daniel 9:24).

A última dessas semanas ainda aguarda seu cumprimento profético.

Durante esse período futuro, haverá novamente a proclamação do Evangelho do Reino.

O próprio Senhor Jesus declarou:

"E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim." (Mateus 24:14).

Esse versículo está inserido no contexto profético de Mateus 24, que trata dos acontecimentos relacionados à tribulação e à manifestação futura do Filho do Homem.

Em Apocalipse 7, encontramos os 144 mil assinalados dentre as tribos de Israel. O mesmo capítulo apresenta uma grande multidão de todas as nações, tribos, povos e línguas, que vem da grande tribulação.

Embora o texto não declare expressamente que todos esses convertidos sejam resultado exclusivo da pregação dos 144 mil, as passagens mostram que haverá um testemunho divino durante aquele período.

Assim, dentro da compreensão dispensacional das Escrituras, entendemos que, depois do Arrebatamento, a proclamação do Reino terá novamente um lugar destacado no programa profético de Deus.

Contudo, precisamos esclarecer algo: isso não significa que haverá outro Salvador ou outro meio de salvação.

Em todas as dispensações, a salvação depende da obra de Cristo. Ninguém jamais foi salvo por méritos próprios, e ninguém será salvo independentemente do sangue do Cordeiro.

Apocalipse 7:14 declara que aqueles que vieram da grande tribulação lavaram suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.

O conteúdo e a ênfase da proclamação podem variar conforme o período dos propósitos divinos, mas a base da salvação permanece sendo a obra redentora do Senhor Jesus Cristo.

3. A dispensação revelada a Paulo foi especificamente para a Igreja?

Sim, mas precisamos compreender corretamente essa afirmação.

O apóstolo Paulo recebeu do Senhor uma revelação especial acerca do mistério de Cristo e da Igreja.

Em Efésios 3:2-6, ele escreve sobre a dispensação da graça de Deus que lhe foi confiada e explica que esse mistério não havia sido manifestado às gerações anteriores da maneira como agora foi revelado pelo Espírito Santo.

Qual era esse mistério?

Que os gentios seriam coerdeiros, membros do mesmo Corpo e participantes da promessa em Cristo pelo Evangelho.

Isso é extraordinário!

No Antigo Testamento, Deus havia feito promessas específicas à nação de Israel. Entretanto, a Igreja, como um só Corpo formado por judeus e gentios unidos a Cristo, não havia sido revelada daquela maneira.

Paulo escreve:

"Porque todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito." (Primeira Coríntios 12:13).

Essa é uma característica da presente dispensação.

A Igreja não é uma continuação de Israel, tampouco substituiu Israel nas promessas nacionais e territoriais que Deus lhe fez.

A Igreja é um povo celestial, unido a Cristo, sua Cabeça glorificada.

Paulo também recebeu a responsabilidade especial de anunciar essa verdade, como podemos observar em Colossenses 1:24-27.

Entretanto, isso não significa que Paulo tenha anunciado um Salvador diferente daquele anunciado pelos demais apóstolos.

Em Gálatas 2:7-9, encontramos uma distinção entre o apostolado de Pedro, particularmente relacionado à circuncisão, e o de Paulo, especialmente direcionado aos gentios. Contudo, ambos reconheciam a mesma graça divina e mantinham comunhão no serviço do Senhor.

Portanto, podemos afirmar que Paulo recebeu uma administração especial da verdade relativa à Igreja, mas não devemos transformar essa distinção em dois cristianismos ou dois caminhos de salvação.

Também precisamos lembrar que a presente dispensação não começou simplesmente porque Paulo se converteu. A Igreja teve seu início no Pentecostes, com a descida do Espírito Santo, conforme Atos dos Apóstolos 2, enquanto a revelação acerca de sua natureza, posição e privilégios foi desenvolvida progressivamente no Novo Testamento.

4. No Reino temos um Rei, mas na Graça temos somente um Pai?

Aqui está o ponto principal da sua pergunta.

A afirmação contém uma verdade importante, mas, colocada dessa maneira, não está inteiramente correta.

É verdade que, na presente dispensação, desfrutamos de uma relação maravilhosa com Deus como nosso Pai.

Essa é uma das grandes bênçãos da nossa posição em Cristo.

Romanos 8:15 declara:

"Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai."

Também lemos em Gálatas 4:6:

"E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai."

Portanto, o crente não se aproxima de Deus simplesmente como um súdito diante de um soberano, mas como um filho que foi recebido na família divina.

Essa é uma diferença preciosa.

Entretanto, seria incorreto concluir que, por estarmos na dispensação da Graça, não temos um Rei ou não estamos sujeitos à autoridade de Cristo.

Precisamos distinguir a posição da Igreja em relação ao Reino messiânico futuro da autoridade que Cristo exerce sobre os crentes atualmente.

O Senhor Jesus não é apresentado à Igreja, em seu relacionamento específico com ela, simplesmente como seu Rei, mas como sua Cabeça.

Efésios 1:22-23 declara:

"E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos."

Observe a expressão: Cabeça da Igreja.

Essa é a relação especial de Cristo com Seu Corpo.

Em Efésios 5:23, encontramos outra figura: Cristo é apresentado como a Cabeça da Igreja e seu Salvador, assim como o marido é a cabeça da mulher.

Portanto, a relação entre Cristo e a Igreja é muito mais íntima do que aquela existente entre um monarca terreno e seus súditos.

Somos membros do Seu Corpo e estamos unidos a Ele pelo Espírito Santo.

Contudo, essa intimidade não elimina Sua autoridade.

Em João 13:13, o próprio Senhor declarou:

"Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou."

E Paulo, escrevendo aos crentes, afirmou:

"Porque foi para isto que morreu Cristo e tornou a viver, para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos." (Romanos 14:9).

Assim, embora a Igreja tenha uma relação particular com Cristo como Cabeça, ela permanece inteiramente sujeita ao Seu senhorio.

A graça não significa ausência de governo, autoridade ou obediência.

Pelo contrário, a graça nos ensina a viver de maneira santa, justa e piedosa, conforme Tito 2:11-14.

5. Qual é, então, a diferença entre o Reino e a Igreja?

Essa distinção é fundamental.

O Reino, em seu aspecto messiânico futuro, está relacionado ao cumprimento das promessas feitas a Israel, quando o Senhor Jesus Cristo estabelecerá Seu governo sobre a Terra.

Em Lucas 1:32-33, o anjo anunciou a Maria que Deus daria ao Senhor Jesus o trono de Davi, Seu pai, e que Ele reinaria eternamente sobre a casa de Jacó.

Em Apocalipse 20:1-6, encontramos o período de mil anos associado ao reinado de Cristo.

Esse Reino terá uma manifestação pública, gloriosa e universal.

A Igreja, por sua vez, possui uma vocação celestial. Ela é o Corpo de Cristo e também é apresentada como Sua Noiva, conforme Efésios 5:25-32 e Apocalipse 19:7-9.

Entretanto, não devemos concluir que os crentes da presente dispensação não tenham qualquer relação com o Reino.

Paulo escreveu aos colossenses:

"O qual nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor." (Colossenses 1:13).

Observe que essa declaração foi dirigida à Igreja!

Em Romanos 14:17, o mesmo apóstolo afirma que o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

Portanto, existe uma realidade presente do Reino, embora sua manifestação pública e gloriosa ainda seja futura.

O crente já reconhece a autoridade de Cristo e está moralmente sujeito ao Seu governo, mas aguarda a manifestação futura do Reino em glória.

A Igreja não deve ser confundida com o Reino, embora os crentes estejam sujeitos ao mesmo Senhor que futuramente reinará sobre toda a Terra.

6. Como poderíamos expressar corretamente essa distinção?

Eu formularia a questão da seguinte maneira:

No Reino messiânico futuro, Cristo será manifestado publicamente como Rei, governando as nações e cumprindo as promessas feitas a Israel.

Na presente dispensação da Graça, os salvos desfrutam de uma relação especial com Deus como Pai e com Cristo como Cabeça da Igreja, sem que isso diminua a autoridade soberana do Senhor Jesus sobre suas vidas.

Há ainda uma observação importante.

Quando dizemos que temos Deus como Pai, estamos falando de nossa relação familiar com Ele. Quando dizemos que Cristo é a Cabeça da Igreja, estamos falando da união orgânica entre Cristo e Seu Corpo. Quando falamos de Cristo como Rei, destacamos Sua autoridade e Seu governo.

Essas verdades não se contradizem. São diferentes aspectos da revelação divina.

O mesmo Cristo que hoje é a Cabeça glorificada da Igreja será manifestado como Rei dos reis e Senhor dos senhores, conforme Apocalipse 19:16.

E a Igreja estará associada a Ele em Sua glória, pois Paulo declarou:

"Se sofrermos, também com ele reinaremos." (Segunda Timóteo 2:12).

Conclusão

Portanto, respondendo diretamente às suas perguntas:

  1. A comissão de Mateus 10 foi especificamente dirigida a Israel, enquanto a comissão de Mateus 28 possui alcance universal.

  2. Após o Arrebatamento, a proclamação do Evangelho do Reino terá novamente destaque no cumprimento dos propósitos proféticos de Deus, especialmente em relação a Israel e às nações.

  3. Paulo recebeu uma revelação especial acerca da Igreja, o Corpo de Cristo, formada por judeus e gentios em igualdade espiritual, durante a presente dispensação da Graça.

  4. Na dispensação atual, temos Deus como Pai e Cristo como Cabeça da Igreja. Entretanto, isso não significa que Cristo deixe de ser nosso Senhor ou que estejamos fora de Sua autoridade soberana.

  5. A Igreja e Israel possuem posições distintas nos propósitos divinos, mas ambos encontram em Cristo o centro de todas as bênçãos e promessas de Deus.

Finalizo com uma consideração que considero muito importante: não devemos estudar as dispensações apenas para identificar diferenças entre os períodos bíblicos, mas também para contemplar a maravilhosa unidade dos propósitos de Deus em Cristo.

A dispensação da Graça não é um período sem governo, assim como o futuro Reino não será um período sem graça.

A graça caracteriza a maneira como Deus nos trouxe à Sua família, enquanto a obediência caracteriza a resposta daqueles que reconhecem Jesus Cristo como Senhor.

Que Deus nos conceda sabedoria para distinguir corretamente as Escrituras, sem separar aquilo que Ele uniu e sem confundir aquilo que Ele distinguiu.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

O arrebatamento é para nos livrar da ira de Deus no Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Pois é, pastor, continuamos a andar em círculos porque você, apesar de ser pastor, e eu não, continua sem perceber que o arrebatamento é para nos livrar da ira de Deus no Dia do Senhor, quando Jesus vier em chama de fogo para atribular aqueles que nos atribulam, e não para nos livrar de ver iníquo nenhum, como é o caso do homem do pecado, como está escrito em 2 Tessalonicenses, capítulo 2, versículos 1 a 3.

Se você continuar sem perceber uma coisa tão simples, então continue com esse seu ensino maravilhoso, que faz a delícia de muitos crentes.

Se você não acredita que o que Paulo escreve aos tessalonicenses, na segunda carta, no capítulo 1, versículos 7 e 8, é que o arrebatamento é no Dia do Senhor, então paciência, porque há muitos que percebem, como é o meu caso, embora eu não seja pastor.

Os tessalonicenses também perceberam assim e não precisaram ler outras cartas, como vocês fazem, como Zacarias e muito menos o livro do Apocalipse, até porque não o tinham.

Aqueles que escolheram Barrabás em vez de Jesus também não perceberam que o problema é o Dia do Senhor, e não os anticristos, como o imperador romano daquela época. E não venha fazer comparações entre o imperador romano e o Anticristo que ainda não se manifestou, como vocês tanto gostam de fazer.

Minha Resposta:

Antes de voltar ao assunto bíblico, gostaria de esclarecer algo que parece estar influenciando a maneira como o senhor interpreta minhas respostas.

Eu não sou pastor. Sou simplesmente um pecador que foi salvo pela graça de Deus, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo, quando tinha 18 anos de idade. Durante estes 39 anos de salvo, tenho procurado ler a Bíblia e estudá-la com dedicação. Só isso, nada mais.

Não precisamos ser pastores, padres, missionários ou possuir qualquer título religioso para adquirir conhecimento das Escrituras. Precisamos lê-las com humildade, dedicação e o desejo sincero de aprender a verdade nelas contida. O Espírito Santo, que inspirou as Escrituras, é o Mestre eficaz que ilumina o entendimento daqueles que desejam conhecer a Palavra de Deus.

O próprio Senhor Jesus declarou:

"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (João 14:26).

Embora essa promessa tenha sido dirigida inicialmente aos apóstolos, o Novo Testamento também ensina que o Espírito Santo habita em todos os verdadeiros salvos e atua no seu entendimento espiritual (1 Coríntios 2:12-14; 1 João 2:27).

Além disso, Paulo escreveu:

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15).

Portanto, não é necessário ser pastor para conhecer a Bíblia, assim como não basta ser pastor para interpretá-la corretamente. A autoridade está nas Escrituras, não no título de quem as explica.

Dito isso, gostaria de voltar à sua argumentação, pois tenho a impressão de que continuamos repetindo os mesmos pontos sem que as passagens anteriormente apresentadas estejam sendo examinadas em conjunto.

Não sei se o senhor tem lido integralmente minhas respostas e consultado as referências bíblicas indicadas. Espero sinceramente que sim, porque o objetivo não é vencer uma discussão, mas compreender aquilo que Deus revelou.

1. O senhor está confundindo o arrebatamento com a manifestação de Cristo em glória

O senhor insiste que Segunda Tessalonicenses 1:7-8 ensina que o arrebatamento acontecerá quando Jesus vier em chama de fogo para exercer juízo sobre os perseguidores dos cristãos.

Entretanto, peço que observe algo muito simples: onde, nesses dois versículos, Paulo descreve o arrebatamento?

Leia novamente:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo." (2 Tessalonicenses 1:7-8).

O texto descreve a manifestação pública do Senhor Jesus em glória e juízo.

Não menciona a ressurreição dos mortos em Cristo, a transformação dos salvos vivos, nem o encontro da Igreja com o Senhor nos ares.

Esses acontecimentos são descritos em outra passagem:

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:17).

Observe a diferença entre as duas descrições.

Em Primeira Tessalonicenses 4, Cristo vem buscar os que Lhe pertencem. O encontro acontece nos ares, e o resultado é a reunião dos salvos com o Senhor.

Em Segunda Tessalonicenses 1, Cristo é revelado em glória, acompanhado dos anjos do Seu poder, exercendo juízo sobre os que rejeitaram a Deus e o Evangelho.

O senhor está tratando essas duas descrições como se fossem necessariamente o mesmo acontecimento, mas isso é justamente o que precisaria demonstrar pelas Escrituras.

Não basta afirmar que são a mesma coisa. É necessário explicar por que Paulo apresenta características e propósitos diferentes.

2. O descanso prometido aos tessalonicenses não significa que o arrebatamento acontecerá naquele momento

Aqui está outro ponto importante.

O senhor interpreta a promessa de descanso, mencionada em Segunda Tessalonicenses 1:7, como se Paulo estivesse estabelecendo a data do arrebatamento.

Mas observe o contexto.

Nos versículos 4 e 5, Paulo fala da perseverança dos tessalonicenses em meio às perseguições. No versículo 6, declara que Deus retribuirá com tribulação aos que os atribulam. Nos versículos 7 a 10, apresenta a futura manifestação de Cristo, quando a justiça divina será publicamente exercida.

O assunto principal é a justa retribuição de Deus.

Paulo está assegurando aos cristãos perseguidos que seus sofrimentos não serão esquecidos e que os seus perseguidores não ficarão impunes.

O descanso dos salvos e o juízo dos perseguidores são apresentados em contraste.

Isso não significa que os cristãos precisarão permanecer na Terra até a manifestação de Cristo em glória para somente então serem reunidos com Ele.

Aliás, o próprio Paulo escreveu:

"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho." (Filipenses 1:21).

E acrescentou que desejava partir e estar com Cristo, porque isso era muito melhor (Filipenses 1:23).

Portanto, o descanso do cristão não depende de ele permanecer vivo até o dia em que Cristo exercerá juízo sobre o mundo.

Segunda Tessalonicenses 1 apresenta a manifestação pública da justiça de Deus. Não é uma exposição da ordem dos acontecimentos relacionados ao arrebatamento.

3. Segunda Tessalonicenses 2:1-3 não ensina que a Igreja precisa ver o homem do pecado

O senhor volta a mencionar os três primeiros versículos do capítulo 2, mas continua sem considerar a distinção que Paulo estabelece logo no início.

Leia atentamente:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).

Algumas traduções apresentam corretamente, conforme o texto grego adotado nas edições críticas, a expressão "Dia do Senhor", e outras trazem "Dia de Cristo". A questão central, porém, permanece: Paulo estava corrigindo a falsa informação de que aquele dia já havia chegado.

Observe que ele menciona nossa reunião com Cristo no versículo 1 e, em seguida, trata da perturbação relacionada ao Dia do Senhor.

O problema não era uma suposta carta falsa dizendo que o arrebatamento já havia acontecido. A informação enganosa dizia respeito ao Dia do Senhor.

É precisamente por isso que Paulo menciona, no versículo 3, a apostasia e a manifestação do homem do pecado.

Ele estava demonstrando que os acontecimentos proféticos relacionados àquele período de juízo não correspondiam à situação em que os tessalonicenses se encontravam.

O texto não diz:

"A Igreja somente será arrebatada depois que todos os cristãos virem o homem do pecado."

Essa afirmação não aparece na passagem.

O senhor está transformando os acontecimentos mencionados em relação ao Dia do Senhor em condições obrigatórias para o arrebatamento da Igreja.

Na compreensão pré-tribulacional que venho apresentando, são acontecimentos distintos dentro do mesmo programa profético da vinda de Cristo.

A Igreja aguarda o Senhor; o mundo caminha para o Dia do Senhor e seus juízos.

4. O próprio Paulo ensinou que os salvos não estão destinados à ira

O senhor afirmou que o arrebatamento é para nos livrar da ira de Deus.

Nesse ponto, concordamos plenamente.

A divergência está em sua conclusão de que, por esse motivo, o arrebatamento necessariamente acontecerá na manifestação de Cristo em chama de fogo.

Paulo escreveu:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:9).

Anteriormente, havia declarado que os tessalonicenses aguardavam dos céus o Filho de Deus, Jesus, que nos livra da ira futura (1 Tessalonicenses 1:10).

A promessa de livramento não exige que a Igreja permaneça na Terra até o momento em que Cristo vier executar publicamente o juízo.

Pelo contrário, entendemos que o arrebatamento é justamente o acontecimento pelo qual o Senhor retirará a Sua Igreja antes do período da ira divina.

Também precisamos distinguir duas coisas que o senhor continua relacionando como se fossem idênticas: a perseguição sofrida pelos cristãos e a ira de Deus sobre o mundo.

Os tessalonicenses estavam sendo perseguidos por homens ímpios. Isso não significa que estivessem experimentando os juízos proféticos do Dia do Senhor.

O Senhor Jesus declarou:

"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." (João 16:33).

Os cristãos sempre estiveram sujeitos a perseguições. Entretanto, a perseguição promovida pelos homens contra os salvos não deve ser confundida com a ira que Deus derramará sobre o mundo incrédulo.

5. Por que devemos consultar outras passagens bíblicas?

O senhor também afirmou que os tessalonicenses não precisaram ler Zacarias nem Apocalipse para compreender o assunto.

Permita-me fazer uma observação.

O livro de Zacarias já existia havia séculos quando Paulo escreveu aos tessalonicenses. O livro de Apocalipse, por sua vez, ainda não havia sido escrito, conforme a datação tradicionalmente aceita.

Mas há outro detalhe: os tessalonicenses receberam pessoalmente ensinamentos do apóstolo Paulo que não estão integralmente registrados nas duas epístolas.

Ele mesmo declarou:

"Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco?" (2 Tessalonicenses 2:5).

Portanto, não podemos presumir que tudo o que aqueles cristãos sabiam sobre os acontecimentos futuros estava limitado às palavras que hoje encontramos nessas duas cartas.

Além disso, nós temos a revelação bíblica completa e devemos examiná-la em conjunto.

O senhor parece considerar inadequado consultar outros livros da Bíblia para compreender determinado assunto. Entretanto, esse procedimento contraria o próprio princípio de interpretação das Escrituras.

Paulo escreveu:

"Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça." (2 Timóteo 3:16).

Se Deus revelou informações sobre determinado assunto em diferentes livros, por que deveríamos ignorá-las?

Primeira Tessalonicenses 4 apresenta o arrebatamento; Primeira Coríntios 15 explica a transformação dos salvos; Segunda Tessalonicenses 2 trata do engano relacionado ao Dia do Senhor; Zacarias 14 descreve acontecimentos relacionados à manifestação do Messias; e Apocalipse desenvolve os juízos futuros e a manifestação gloriosa de Cristo.

Não estamos acrescentando acontecimentos à Bíblia. Estamos procurando compreender o conjunto da revelação divina.

Uma passagem não deve ser utilizada para anular outra.

6. Sobre Barrabás, o imperador romano e o Anticristo

Sinceramente, não consigo perceber como a escolha de Barrabás pela multidão, mencionada em Mateus 27:15-26, demonstra que o arrebatamento ocorrerá durante a manifestação de Cristo em glória.

São assuntos distintos.

Também não estou afirmando que o imperador romano daquela época fosse o homem do pecado descrito por Paulo.

O homem do pecado, apresentado em Segunda Tessalonicenses 2:3-4, é uma figura profética futura, cuja manifestação está relacionada aos acontecimentos finais.

O texto declara que ele se levantará contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, chegando ao ponto de se apresentar como Deus.

Não devemos confundir essa figura com qualquer perseguidor histórico da Igreja, embora ao longo dos séculos tenham existido muitos homens com características de oposição a Cristo.

João, inclusive, escreveu que muitos anticristos já haviam surgido (1 João 2:18), sem que isso eliminasse a expectativa relacionada ao Anticristo.

Entretanto, volto ao ponto central: a existência futura do homem do pecado não significa que a Igreja tenha recebido a ordem de aguardar a sua manifestação antes de encontrar o Senhor Jesus.

A esperança apresentada aos salvos é Cristo, não o Anticristo.

7. Uma última consideração

Prezado, permita-me encerrar com uma observação pessoal.

Já procurei responder às suas perguntas em diferentes ocasiões, apresentando as passagens bíblicas e explicando o contexto de cada uma delas. Entretanto, percebo que continuamos retornando às mesmas afirmações, sem que os argumentos anteriormente apresentados sejam efetivamente examinados.

O senhor tem todo o direito de discordar de minha compreensão das profecias. Não pretendo exigir que aceite minhas conclusões simplesmente porque as apresentei.

Da mesma maneira, o fato de o senhor afirmar que compreendeu algo não significa, por si só, que a sua interpretação esteja correta.

O critério deve ser sempre a Palavra de Deus.

Os cristãos de Bereia foram elogiados porque receberam a Palavra com prontidão, mas examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que ouviam correspondia à verdade (Atos 17:11).

É essa atitude que desejo para mim e recomendo a todos os que acompanham meus estudos.

Não tenho interesse em alimentar discussões intermináveis, muito menos em transformar uma questão doutrinária numa disputa pessoal sobre quem sabe mais ou quem entende menos.

A Bíblia não foi dada para demonstrarmos superioridade intelectual ou religiosa, mas para conhecermos a Deus, Sua vontade e Seus propósitos.

Por isso, deixo-lhe três perguntas para reflexão:

  1. Se Primeira Tessalonicenses 4:13-18 e Segunda Tessalonicenses 1:7-10 descrevem exatamente o mesmo acontecimento, por que uma passagem apresenta o encontro dos salvos com Cristo nos ares e a outra descreve a manifestação pública do Senhor em juízo sobre os ímpios?

  2. Onde Segunda Tessalonicenses 2:1-3 afirma expressamente que a Igreja deverá presenciar a manifestação do homem do pecado antes de ser arrebatada?

  3. Se os tessalonicenses deveriam aguardar primeiramente o aparecimento do homem do pecado, por que Paulo os descreveu como pessoas que aguardavam dos céus o Filho de Deus (1 Tessalonicenses 1:9-10)?

Não é necessário responder imediatamente. Minha sugestão é que leia novamente as duas epístolas completas, observando a sequência dos assuntos e distinguindo aquilo que Paulo realmente escreveu das conclusões que podemos estar acrescentando ao texto.

Quanto a mim, continuo aguardando o Senhor Jesus Cristo, conforme Sua promessa:

"Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." (João 14:3).

Que essa seja a nossa esperança e que o estudo da Palavra de Deus produza em nós não apenas conhecimento, mas também humildade, reverência e amor pela verdade.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos: 

O arrebatamento não tem nada a ver com o Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O que eu disse é que Cristo já veio uma vez, quando foi morto e crucificado, e virá outra vez em juízo, no Dia do Senhor. Paulo não ensinou nenhuma vinda secreta.

Quando Paulo escreve aos tessalonicenses, que aguardavam o arrebatamento a qualquer momento para terem descanso das tribulações que sofriam, dizendo que o descanso é quando Jesus vier em chama de fogo, e alguém afirma que o arrebatamento não tem nada a ver com o Dia do Senhor, então essa afirmação só dá vontade de rir, porque quem afirma isso só mostra que não percebeu nada do que Paulo escreveu aos tessalonicenses.

Minha Resposta:

Vou ser mais direto nesta resposta, porque percebo que estamos chegando a um ponto em que a discussão deixou de avançar. Você continua repetindo praticamente os mesmos argumentos, mesmo depois de eu ter apresentado explicações detalhadas, acompanhadas de diversas passagens bíblicas.

Repetir uma afirmação não a transforma em verdade. Também não basta dizer que o outro não compreendeu o apóstolo Paulo ou que determinada interpretação dá vontade de rir. Isso não é argumentação bíblica.

Se deseja contrariar aquilo que escrevi, apresente os versículos que demonstram onde a minha explicação está errada. Examine os textos que citei, considere o contexto e procure responder aos argumentos apresentados.

Até agora, você tem insistido na mesma conclusão sem enfrentar adequadamente as passagens bíblicas utilizadas nas minhas respostas.

Essa maneira de proceder acaba se parecendo com a atitude de um papagaio, que repete aquilo que aprendeu sem necessariamente analisar o conteúdo do que está dizendo. É também uma característica frequentemente encontrada no sectarismo religioso: repetir continuamente uma interpretação previamente estabelecida, sem disposição para examinar seriamente os textos que possam contrariá-la.

Não estou afirmando que você pertença a alguma seita, mas advertindo sobre um comportamento que não contribui para o conhecimento das Escrituras.

Em Atos dos Apóstolos 17:11, os bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo lhes anunciava era verdadeiro.

Observe que eles não aceitaram um ensinamento simplesmente porque Paulo o apresentou. Examinaram as Escrituras.

É esse o procedimento que espero nesta conversa.

Agora, vamos novamente ao texto bíblico.

1. Você está confundindo a primeira vinda de Cristo com os diferentes acontecimentos relacionados à Sua segunda vinda

Você escreveu:

"Cristo já veio uma vez, quando foi morto e crucificado, e virá outra vez em juízo, no Dia do Senhor."

Concordo que Cristo veio uma primeira vez e que voltará. Entretanto, ninguém está defendendo três vindas de Cristo.

A distinção entre o arrebatamento e a manifestação em glória não significa afirmar que Cristo terá três encarnações ou três vindas independentes.

Estamos tratando de acontecimentos distintos relacionados ao Seu retorno.

Na primeira vinda, Cristo veio ao mundo, nasceu de mulher, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia (Gálatas 4:4; 1 Coríntios 15:3-4).

Quanto ao futuro, as Escrituras apresentam diferentes aspectos do Seu retorno.

Em 1 Tessalonicenses 4:16-17, Cristo desce do céu e os salvos são arrebatados para encontrá-Lo nos ares.

Em Apocalipse 19:11-16, Cristo aparece em glória, vindo para julgar e guerrear.

Em Colossenses 3:4, encontramos uma informação adicional:

"Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória."

Observe cuidadosamente: quando Cristo Se manifestar em glória, os salvos também serão manifestados com Ele.

Portanto, a pergunta que você precisa responder é esta:

Se a Igreja somente será arrebatada no momento em que Cristo Se manifestar em glória, como explicar que ela já aparece associada a Ele nessa manifestação?

Essa distinção não deve ser descartada simplesmente porque você prefere considerar todos os acontecimentos como um único evento simultâneo.

2. Paulo não ensinou uma vinda secreta? Então responda ao que ele realmente escreveu

Você insiste na expressão "vinda secreta", embora eu não tenha fundamentado minha explicação nessa expressão.

O arrebatamento não depende da afirmação de que ninguém ouvirá absolutamente nada ou de que o acontecimento será invisível.

Aliás, 1 Tessalonicenses 4:16 menciona alarido, voz de arcanjo e trombeta de Deus.

Portanto, não estou defendendo a ausência de manifestações audíveis.

O que afirmo é que o arrebatamento da Igreja e a manifestação pública de Cristo em juízo possuem características e propósitos distintos.

Compare os textos:

Em 1 Tessalonicenses 4:17, os salvos são arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.

Em Zacarias 14:4, os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras.

Em João 14:3, Cristo promete receber os Seus para Si mesmo, a fim de que estejam onde Ele está.

Em Apocalipse 19:11-21, Cristo aparece como Juiz e Guerreiro, executando juízo sobre os Seus inimigos.

Em 1 Coríntios 15:51-52, Paulo apresenta o mistério da transformação dos salvos, que acontecerá num momento, num abrir e fechar de olhos.

Em Apocalipse 19, encontramos a manifestação pública do Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Você pode discordar da interpretação pré-tribulacional, mas precisa demonstrar biblicamente por que esses acontecimentos devem ser considerados necessariamente simultâneos.

A simples afirmação de que Paulo não ensinou uma vinda secreta não responde a essa questão.

3. O descanso mencionado em 2 Tessalonicenses 1 não determina a data do arrebatamento

Este parece ser o principal argumento que você continua repetindo.

Paulo escreveu:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo." (2 Tessalonicenses 1:7-8).

Você conclui que, porque Paulo relaciona o descanso dos santos à manifestação de Cristo em glória, o arrebatamento obrigatoriamente acontecerá naquele mesmo momento.

Entretanto, essa conclusão não decorre necessariamente do texto.

Primeiro, observe o assunto desenvolvido por Paulo.

Nos versículos 4 e 5, ele menciona as perseguições e aflições suportadas pelos tessalonicenses.

No versículo 6, declara que Deus recompensará com tribulação aqueles que os atribulam.

Nos versículos 7 a 10, apresenta a futura manifestação pública de Cristo, quando a justiça divina será executada e Ele será glorificado nos Seus santos.

O contraste é entre a condição presente dos perseguidos e a futura intervenção de Deus em justiça.

Paulo está assegurando que os perseguidores não permanecerão impunes e que os salvos participarão do triunfo de Cristo.

O texto não apresenta a sequência detalhada dos acontecimentos relacionados ao arrebatamento da Igreja.

Mais importante ainda: Paulo não afirma em 2 Tessalonicenses 1:7 que os mortos em Cristo ressuscitarão naquele momento, nem descreve a transformação dos vivos ou o encontro da Igreja com Cristo nos ares.

Esses detalhes são apresentados em 1 Tessalonicenses 4:13-18.

Você está utilizando uma passagem que trata da manifestação de Cristo em juízo para estabelecer uma cronologia que ela própria não apresenta.

Há uma diferença entre afirmar que os salvos terão descanso quando Cristo Se manifestar e afirmar que eles somente poderão receber descanso naquele exato momento.

O segundo enunciado não é uma consequência obrigatória do primeiro.

Considere também Apocalipse 14:13:

"Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam."

Os salvos que morrem em Cristo já desfrutam de descanso, embora a manifestação pública do Senhor ainda seja futura.

Portanto, o descanso dos salvos não precisa ser limitado a um único instante profético.

4. Você ainda não respondeu à distinção que Paulo estabelece entre a tribulação presente e a ira futura

Este é outro ponto que precisa ser enfrentado.

Em 1 Tessalonicenses 3:3-4, Paulo explica que os cristãos estavam destinados a enfrentar tribulações.

Entretanto, em 1 Tessalonicenses 1:10, afirma que aguardavam dos céus o Filho de Deus, Jesus, que os livra da ira futura.

E acrescenta:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:9).

A pergunta é simples: as perseguições sofridas pelos tessalonicenses eram a ira divina anunciada para o futuro?

Evidentemente que não.

Eles estavam sofrendo nas mãos dos homens, não experimentando os juízos escatológicos de Deus.

O próprio Paulo faz essa distinção em 2 Tessalonicenses 1:6, ao explicar que Deus futuramente retribuirá com tribulação aqueles que agora atribulam os Seus servos.

A tribulação presente dos cristãos e a futura intervenção de Deus em juízo não são acontecimentos idênticos.

Na interpretação pré-tribulacional, essa distinção é fundamental para compreender a promessa de livramento da ira futura.

Você pode procurar contrariar essa interpretação, mas precisa fazê-lo examinando os textos, e não simplesmente repetindo que os tessalonicenses estavam sofrendo perseguições.

Isso já foi reconhecido e explicado nas respostas anteriores.

5. O que Paulo realmente estava corrigindo em 2 Tessalonicenses 2?

Voltemos ao centro da discussão.

Paulo escreveu:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).

É importante observar que, conforme a tradição textual seguida por diversas traduções modernas, a expressão no final do versículo 2 é "Dia do Senhor", e o sentido da advertência é que aquele dia já estivesse presente.

Os tessalonicenses estavam sendo perturbados por um ensinamento equivocado.

Paulo menciona duas questões que precisam ser consideradas cuidadosamente:

  • A vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com Ele.
  • O Dia do Senhor, acerca do qual estavam recebendo informações falsas.

O apóstolo não estava ensinando que as perseguições enfrentadas pelos cristãos constituíam prova de que o arrebatamento estava acontecendo.

Pelo contrário, procurava corrigir a falsa compreensão de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Em seguida, menciona a apostasia e a manifestação do homem do pecado como acontecimentos relacionados àquele período profético.

Na compreensão pré-tribulacional, esses acontecimentos não são apresentados como condições que a Igreja precisa presenciar antes de encontrar Cristo nos ares.

Você afirmou anteriormente que os tessalonicenses poderiam ter certeza de que o arrebatamento não havia acontecido porque o homem do pecado ainda não tinha aparecido.

Mas onde Paulo escreveu exatamente isso?

Mostre o versículo em que ele afirma que a Igreja precisa reconhecer o homem do pecado antes de ser arrebatada.

Não basta citar 2 Tessalonicenses 2:3. É necessário demonstrar que a condição mencionada naquele versículo se refere ao arrebatamento, e não ao Dia do Senhor, que é o assunto da perturbação apresentada no versículo anterior.

Essa é precisamente a distinção que você continua deixando de examinar.

6. A esperança da Igreja é Cristo, não a manifestação do homem do pecado

Paulo escreveu aos filipenses:

"Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso." (Filipenses 3:20-21).

Observe o objeto da esperança cristã: o Salvador.

Não encontramos aqui uma orientação para aguardar primeiramente o aparecimento do homem do pecado.

Em 1 Tessalonicenses 1:10, os cristãos aguardavam dos céus o Filho de Deus.

Em 1 Coríntios 1:7, aguardavam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.

Em Tito 2:13, Paulo apresenta a bem-aventurada esperança.

E em 1 Tessalonicenses 4:18, depois de explicar o arrebatamento, conclui:

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."

É particularmente significativo que Paulo tenha apresentado o encontro com Cristo como motivo de consolação, sem estabelecer naquele capítulo uma lista de acontecimentos proféticos que precisariam ser identificados antes.

Na interpretação pré-tribulacional, a Igreja aguarda o próprio Senhor, enquanto os acontecimentos relacionados ao Dia do Senhor possuem sua ordem profética específica.

7. Agora, em vez de repetir a mesma afirmação, responda biblicamente

José, quero concluir deixando algumas perguntas objetivas.

Não peço que concorde comigo simplesmente porque escrevi uma explicação extensa. Peço que examine as Escrituras e responda aos argumentos apresentados.

  1. Onde Paulo afirma que a Igreja precisa ver o homem do pecado antes de ser arrebatada?

  2. Se 1 Tessalonicenses 4:16-17 e Apocalipse 19:11-21 descrevem exatamente o mesmo acontecimento, por que no primeiro os salvos sobem para encontrar Cristo nos ares e, no segundo, Cristo aparece em glória para executar juízo?

  3. Se o descanso de 2 Tessalonicenses 1:7 significa obrigatoriamente que o arrebatamento ocorrerá naquele exato momento, como você harmoniza essa conclusão com o descanso já desfrutado pelos salvos que morrem no Senhor, conforme Apocalipse 14:13?

  4. Como você distingue as perseguições que os cristãos estavam sofrendo da ira futura da qual Cristo promete livrar os Seus, conforme 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9?

  5. Se Paulo ensinava que os tessalonicenses deveriam aguardar determinados sinais antes de encontrar Cristo, por que, ao apresentar especificamente o arrebatamento em 1 Tessalonicenses 4:13-18, ele não estabelece esses sinais como condições prévias?

Essas perguntas precisam de respostas fundamentadas nas Escrituras.

E, por favor, não responda novamente apenas dizendo que Paulo ensinou que o descanso virá quando Cristo aparecer em chama de fogo. Já examinei essa passagem e expliquei por que ela não estabelece, por si só, a cronologia que você pretende defender.

Se considera minha explicação incorreta, mostre onde está o erro mediante a exposição bíblica.

Consideração final

Existe uma diferença muito grande entre estudar as Escrituras para descobrir o que elas ensinam e procurar continuamente argumentos para defender uma conclusão da qual não estamos dispostos a abrir mão.

Todos nós precisamos ter cuidado com isso.

O apóstolo Paulo escreveu:

"Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21).

Não disse para repetirmos tudo aquilo que aprendemos sem verificar se corresponde à verdade.

Também escreveu:

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15).

Manejar bem a Palavra exige respeitar o contexto, distinguir os assuntos tratados e considerar todas as passagens relacionadas a determinada doutrina.

Você tem todo o direito de discordar da interpretação pré-tribulacional. Entretanto, discordar não é o mesmo que refutar.

E rir de uma explicação bíblica não constitui argumento teológico.

Se deseja continuar esta conversa, apresente algo novo: uma análise contextual dos versículos que citei, uma demonstração bíblica de que minhas conclusões estão equivocadas ou uma explicação que responda diretamente às perguntas apresentadas.

Caso contrário, estaremos apenas andando em círculos.

Não pretendo transformar esta discussão numa sequência interminável de respostas ao mesmo argumento. A finalidade destes estudos é compreender e expor fielmente a Palavra de Deus, não vencer uma disputa pessoal.

Que as Escrituras tenham a última palavra, e não as nossas preferências doutrinárias.

Josué Matos

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