Alguém que me escreveu no YouTube:
O que eu disse é que Cristo já veio uma vez, quando foi morto e crucificado, e virá outra vez em juízo, no Dia do Senhor. Paulo não ensinou nenhuma vinda secreta.
Quando Paulo escreve aos tessalonicenses, que aguardavam o arrebatamento a qualquer momento para terem descanso das tribulações que sofriam, dizendo que o descanso é quando Jesus vier em chama de fogo, e alguém afirma que o arrebatamento não tem nada a ver com o Dia do Senhor, então essa afirmação só dá vontade de rir, porque quem afirma isso só mostra que não percebeu nada do que Paulo escreveu aos tessalonicenses.
Minha Resposta:
Vou ser mais direto nesta resposta, porque percebo que estamos chegando a um ponto em que a discussão deixou de avançar. Você continua repetindo praticamente os mesmos argumentos, mesmo depois de eu ter apresentado explicações detalhadas, acompanhadas de diversas passagens bíblicas.
Repetir uma afirmação não a transforma em verdade. Também não basta dizer que o outro não compreendeu o apóstolo Paulo ou que determinada interpretação dá vontade de rir. Isso não é argumentação bíblica.
Se deseja contrariar aquilo que escrevi, apresente os versículos que demonstram onde a minha explicação está errada. Examine os textos que citei, considere o contexto e procure responder aos argumentos apresentados.
Até agora, você tem insistido na mesma conclusão sem enfrentar adequadamente as passagens bíblicas utilizadas nas minhas respostas.
Essa maneira de proceder acaba se parecendo com a atitude de um papagaio, que repete aquilo que aprendeu sem necessariamente analisar o conteúdo do que está dizendo. É também uma característica frequentemente encontrada no sectarismo religioso: repetir continuamente uma interpretação previamente estabelecida, sem disposição para examinar seriamente os textos que possam contrariá-la.
Não estou afirmando que você pertença a alguma seita, mas advertindo sobre um comportamento que não contribui para o conhecimento das Escrituras.
Em Atos dos Apóstolos 17:11, os bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo lhes anunciava era verdadeiro.
Observe que eles não aceitaram um ensinamento simplesmente porque Paulo o apresentou. Examinaram as Escrituras.
É esse o procedimento que espero nesta conversa.
Agora, vamos novamente ao texto bíblico.
1. Você está confundindo a primeira vinda de Cristo com os diferentes acontecimentos relacionados à Sua segunda vinda
Você escreveu:
"Cristo já veio uma vez, quando foi morto e crucificado, e virá outra vez em juízo, no Dia do Senhor."
Concordo que Cristo veio uma primeira vez e que voltará. Entretanto, ninguém está defendendo três vindas de Cristo.
A distinção entre o arrebatamento e a manifestação em glória não significa afirmar que Cristo terá três encarnações ou três vindas independentes.
Estamos tratando de acontecimentos distintos relacionados ao Seu retorno.
Na primeira vinda, Cristo veio ao mundo, nasceu de mulher, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia (Gálatas 4:4; 1 Coríntios 15:3-4).
Quanto ao futuro, as Escrituras apresentam diferentes aspectos do Seu retorno.
Em 1 Tessalonicenses 4:16-17, Cristo desce do céu e os salvos são arrebatados para encontrá-Lo nos ares.
Em Apocalipse 19:11-16, Cristo aparece em glória, vindo para julgar e guerrear.
Em Colossenses 3:4, encontramos uma informação adicional:
"Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória."
Observe cuidadosamente: quando Cristo Se manifestar em glória, os salvos também serão manifestados com Ele.
Portanto, a pergunta que você precisa responder é esta:
Se a Igreja somente será arrebatada no momento em que Cristo Se manifestar em glória, como explicar que ela já aparece associada a Ele nessa manifestação?
Essa distinção não deve ser descartada simplesmente porque você prefere considerar todos os acontecimentos como um único evento simultâneo.
2. Paulo não ensinou uma vinda secreta? Então responda ao que ele realmente escreveu
Você insiste na expressão "vinda secreta", embora eu não tenha fundamentado minha explicação nessa expressão.
O arrebatamento não depende da afirmação de que ninguém ouvirá absolutamente nada ou de que o acontecimento será invisível.
Aliás, 1 Tessalonicenses 4:16 menciona alarido, voz de arcanjo e trombeta de Deus.
Portanto, não estou defendendo a ausência de manifestações audíveis.
O que afirmo é que o arrebatamento da Igreja e a manifestação pública de Cristo em juízo possuem características e propósitos distintos.
Compare os textos:
Em 1 Tessalonicenses 4:17, os salvos são arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.
Em Zacarias 14:4, os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras.
Em João 14:3, Cristo promete receber os Seus para Si mesmo, a fim de que estejam onde Ele está.
Em Apocalipse 19:11-21, Cristo aparece como Juiz e Guerreiro, executando juízo sobre os Seus inimigos.
Em 1 Coríntios 15:51-52, Paulo apresenta o mistério da transformação dos salvos, que acontecerá num momento, num abrir e fechar de olhos.
Em Apocalipse 19, encontramos a manifestação pública do Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Você pode discordar da interpretação pré-tribulacional, mas precisa demonstrar biblicamente por que esses acontecimentos devem ser considerados necessariamente simultâneos.
A simples afirmação de que Paulo não ensinou uma vinda secreta não responde a essa questão.
3. O descanso mencionado em 2 Tessalonicenses 1 não determina a data do arrebatamento
Este parece ser o principal argumento que você continua repetindo.
Paulo escreveu:
"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo." (2 Tessalonicenses 1:7-8).
Você conclui que, porque Paulo relaciona o descanso dos santos à manifestação de Cristo em glória, o arrebatamento obrigatoriamente acontecerá naquele mesmo momento.
Entretanto, essa conclusão não decorre necessariamente do texto.
Primeiro, observe o assunto desenvolvido por Paulo.
Nos versículos 4 e 5, ele menciona as perseguições e aflições suportadas pelos tessalonicenses.
No versículo 6, declara que Deus recompensará com tribulação aqueles que os atribulam.
Nos versículos 7 a 10, apresenta a futura manifestação pública de Cristo, quando a justiça divina será executada e Ele será glorificado nos Seus santos.
O contraste é entre a condição presente dos perseguidos e a futura intervenção de Deus em justiça.
Paulo está assegurando que os perseguidores não permanecerão impunes e que os salvos participarão do triunfo de Cristo.
O texto não apresenta a sequência detalhada dos acontecimentos relacionados ao arrebatamento da Igreja.
Mais importante ainda: Paulo não afirma em 2 Tessalonicenses 1:7 que os mortos em Cristo ressuscitarão naquele momento, nem descreve a transformação dos vivos ou o encontro da Igreja com Cristo nos ares.
Esses detalhes são apresentados em 1 Tessalonicenses 4:13-18.
Você está utilizando uma passagem que trata da manifestação de Cristo em juízo para estabelecer uma cronologia que ela própria não apresenta.
Há uma diferença entre afirmar que os salvos terão descanso quando Cristo Se manifestar e afirmar que eles somente poderão receber descanso naquele exato momento.
O segundo enunciado não é uma consequência obrigatória do primeiro.
Considere também Apocalipse 14:13:
"Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam."
Os salvos que morrem em Cristo já desfrutam de descanso, embora a manifestação pública do Senhor ainda seja futura.
Portanto, o descanso dos salvos não precisa ser limitado a um único instante profético.
4. Você ainda não respondeu à distinção que Paulo estabelece entre a tribulação presente e a ira futura
Este é outro ponto que precisa ser enfrentado.
Em 1 Tessalonicenses 3:3-4, Paulo explica que os cristãos estavam destinados a enfrentar tribulações.
Entretanto, em 1 Tessalonicenses 1:10, afirma que aguardavam dos céus o Filho de Deus, Jesus, que os livra da ira futura.
E acrescenta:
"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:9).
A pergunta é simples: as perseguições sofridas pelos tessalonicenses eram a ira divina anunciada para o futuro?
Evidentemente que não.
Eles estavam sofrendo nas mãos dos homens, não experimentando os juízos escatológicos de Deus.
O próprio Paulo faz essa distinção em 2 Tessalonicenses 1:6, ao explicar que Deus futuramente retribuirá com tribulação aqueles que agora atribulam os Seus servos.
A tribulação presente dos cristãos e a futura intervenção de Deus em juízo não são acontecimentos idênticos.
Na interpretação pré-tribulacional, essa distinção é fundamental para compreender a promessa de livramento da ira futura.
Você pode procurar contrariar essa interpretação, mas precisa fazê-lo examinando os textos, e não simplesmente repetindo que os tessalonicenses estavam sofrendo perseguições.
Isso já foi reconhecido e explicado nas respostas anteriores.
5. O que Paulo realmente estava corrigindo em 2 Tessalonicenses 2?
Voltemos ao centro da discussão.
Paulo escreveu:
"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).
É importante observar que, conforme a tradição textual seguida por diversas traduções modernas, a expressão no final do versículo 2 é "Dia do Senhor", e o sentido da advertência é que aquele dia já estivesse presente.
Os tessalonicenses estavam sendo perturbados por um ensinamento equivocado.
Paulo menciona duas questões que precisam ser consideradas cuidadosamente:
- A vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com Ele.
- O Dia do Senhor, acerca do qual estavam recebendo informações falsas.
O apóstolo não estava ensinando que as perseguições enfrentadas pelos cristãos constituíam prova de que o arrebatamento estava acontecendo.
Pelo contrário, procurava corrigir a falsa compreensão de que o Dia do Senhor já havia chegado.
Em seguida, menciona a apostasia e a manifestação do homem do pecado como acontecimentos relacionados àquele período profético.
Na compreensão pré-tribulacional, esses acontecimentos não são apresentados como condições que a Igreja precisa presenciar antes de encontrar Cristo nos ares.
Você afirmou anteriormente que os tessalonicenses poderiam ter certeza de que o arrebatamento não havia acontecido porque o homem do pecado ainda não tinha aparecido.
Mas onde Paulo escreveu exatamente isso?
Mostre o versículo em que ele afirma que a Igreja precisa reconhecer o homem do pecado antes de ser arrebatada.
Não basta citar 2 Tessalonicenses 2:3. É necessário demonstrar que a condição mencionada naquele versículo se refere ao arrebatamento, e não ao Dia do Senhor, que é o assunto da perturbação apresentada no versículo anterior.
Essa é precisamente a distinção que você continua deixando de examinar.
6. A esperança da Igreja é Cristo, não a manifestação do homem do pecado
Paulo escreveu aos filipenses:
"Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso." (Filipenses 3:20-21).
Observe o objeto da esperança cristã: o Salvador.
Não encontramos aqui uma orientação para aguardar primeiramente o aparecimento do homem do pecado.
Em 1 Tessalonicenses 1:10, os cristãos aguardavam dos céus o Filho de Deus.
Em 1 Coríntios 1:7, aguardavam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.
Em Tito 2:13, Paulo apresenta a bem-aventurada esperança.
E em 1 Tessalonicenses 4:18, depois de explicar o arrebatamento, conclui:
"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."
É particularmente significativo que Paulo tenha apresentado o encontro com Cristo como motivo de consolação, sem estabelecer naquele capítulo uma lista de acontecimentos proféticos que precisariam ser identificados antes.
Na interpretação pré-tribulacional, a Igreja aguarda o próprio Senhor, enquanto os acontecimentos relacionados ao Dia do Senhor possuem sua ordem profética específica.
7. Agora, em vez de repetir a mesma afirmação, responda biblicamente
José, quero concluir deixando algumas perguntas objetivas.
Não peço que concorde comigo simplesmente porque escrevi uma explicação extensa. Peço que examine as Escrituras e responda aos argumentos apresentados.
Onde Paulo afirma que a Igreja precisa ver o homem do pecado antes de ser arrebatada?
Se 1 Tessalonicenses 4:16-17 e Apocalipse 19:11-21 descrevem exatamente o mesmo acontecimento, por que no primeiro os salvos sobem para encontrar Cristo nos ares e, no segundo, Cristo aparece em glória para executar juízo?
Se o descanso de 2 Tessalonicenses 1:7 significa obrigatoriamente que o arrebatamento ocorrerá naquele exato momento, como você harmoniza essa conclusão com o descanso já desfrutado pelos salvos que morrem no Senhor, conforme Apocalipse 14:13?
Como você distingue as perseguições que os cristãos estavam sofrendo da ira futura da qual Cristo promete livrar os Seus, conforme 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9?
Se Paulo ensinava que os tessalonicenses deveriam aguardar determinados sinais antes de encontrar Cristo, por que, ao apresentar especificamente o arrebatamento em 1 Tessalonicenses 4:13-18, ele não estabelece esses sinais como condições prévias?
Essas perguntas precisam de respostas fundamentadas nas Escrituras.
E, por favor, não responda novamente apenas dizendo que Paulo ensinou que o descanso virá quando Cristo aparecer em chama de fogo. Já examinei essa passagem e expliquei por que ela não estabelece, por si só, a cronologia que você pretende defender.
Se considera minha explicação incorreta, mostre onde está o erro mediante a exposição bíblica.
Consideração final
Existe uma diferença muito grande entre estudar as Escrituras para descobrir o que elas ensinam e procurar continuamente argumentos para defender uma conclusão da qual não estamos dispostos a abrir mão.
Todos nós precisamos ter cuidado com isso.
O apóstolo Paulo escreveu:
"Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21).
Não disse para repetirmos tudo aquilo que aprendemos sem verificar se corresponde à verdade.
Também escreveu:
"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15).
Manejar bem a Palavra exige respeitar o contexto, distinguir os assuntos tratados e considerar todas as passagens relacionadas a determinada doutrina.
Você tem todo o direito de discordar da interpretação pré-tribulacional. Entretanto, discordar não é o mesmo que refutar.
E rir de uma explicação bíblica não constitui argumento teológico.
Se deseja continuar esta conversa, apresente algo novo: uma análise contextual dos versículos que citei, uma demonstração bíblica de que minhas conclusões estão equivocadas ou uma explicação que responda diretamente às perguntas apresentadas.
Caso contrário, estaremos apenas andando em círculos.
Não pretendo transformar esta discussão numa sequência interminável de respostas ao mesmo argumento. A finalidade destes estudos é compreender e expor fielmente a Palavra de Deus, não vencer uma disputa pessoal.
Que as Escrituras tenham a última palavra, e não as nossas preferências doutrinárias.
Josué Matos