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Como entender os açoites citados em Lucas 12:47-48? Que ‘fogo na terra’ é este de Lucas 12:49? O que significa a passagem de Lucas 12:58-59?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, irmão amado.

Como entender os açoites citados em Lucas 12:47-48? Sei que não pode ser usado a favor do purgatório... Quando e onde esses açoites se dariam? Na vida cristã? É a disciplina do Senhor? Pode me ajudar uma vez mais? Obrigado desde já.

Que ‘fogo na terra’ é este de Lucas 12:49?

O que significa a passagem de Lucas 12:58-59? O romanismo usa esta passagem também para alegar a biblicidade do purgatório.

O que esta passagem realmente quer dizer?

Minha Resposta:

Muito boa pergunta. Essas três passagens fazem parte de um mesmo contexto e tratam da responsabilidade diante da vinda do Senhor, não do purgatório. Vamos examiná-las.

Lucas 12:47-48 — Os muitos e poucos açoites

O Senhor Jesus apresenta a parábola do servo fiel e do servo infiel. O assunto não é a salvação eterna, mas a responsabilidade daqueles que receberam conhecimento da vontade de Deus.

"E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites. Mas o que a não soube e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado; e, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá."

Os "açoites" representam castigo ou disciplina proporcional à responsabilidade de cada um. O princípio ensinado é que Deus julga cada pessoa segundo a luz que recebeu.

A Bíblia mostra esse princípio em vários lugares:

"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo" (2 Coríntios 5:10).

"A obra de cada um se manifestará... se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas esse mesmo será salvo, todavia como pelo fogo" (1 Coríntios 3:13-15).

Para o verdadeiro crente, existe também a disciplina de Deus nesta vida:

"Porque o Senhor corrige o que ama" (Hebreus 12:6).

Portanto, Lucas 12 não está ensinando um lugar intermediário de purificação após a morte. O contexto fala de prestação de contas diante do Senhor e do princípio da responsabilidade espiritual.

Aliás, a Bíblia ensina claramente que após a morte não existe oportunidade de purificação:

"Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo." (Hebreus 9:27).

Lucas 12:49 — "Vim lançar fogo sobre a terra"

O fogo aqui não é o fogo do inferno nem do purgatório.

Na Bíblia, o fogo frequentemente representa julgamento.

O Senhor estava anunciando que Sua vinda provocaria uma grande crise espiritual na humanidade. Sua presença exigiria uma decisão: aceitá-Lo ou rejeitá-Lo.

Logo em seguida Ele explica:

"Pensais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes divisão." (Lucas 12:51).

Assim, o "fogo" está ligado ao juízo que acompanha a rejeição do Messias e à separação produzida pelo evangelho, inclusive dentro das famílias.

Lucas 12:58-59 — O adversário e o juiz

"Quando, pois, vais com o teu adversário ao magistrado, procura livrar-te dele no caminho..."

O Senhor utiliza uma ilustração retirada da vida diária.

Assim como uma pessoa prudente procura reconciliar-se antes que a causa chegue ao tribunal, também Israel deveria reconciliar-se com Deus enquanto ainda havia oportunidade.

O "caminho" representa o tempo presente.

O "juiz" representa o julgamento de Deus.

A mensagem é simples:

Hoje é tempo de arrependimento.

Quando chegar o juízo, será tarde.

Por isso, essa passagem não ensina purgatório.

Na realidade, ela ensina exatamente o contrário: a necessidade de resolver a situação com Deus antes do julgamento.

A interpretação romanista depende de pressupor que o "cárcere" seja um estado temporário após a morte, mas o texto não afirma isso em nenhum momento.

Além disso, essa ideia entra em conflito com diversas passagens claras das Escrituras:

Lucas 16 mostra que, após a morte, o rico não tinha possibilidade de mudar sua condição.

Hebreus 9:27 afirma que depois da morte vem o juízo.

Romanos 8:1 declara que "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus."

João 5:24 afirma que quem crê em Cristo "não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida."

Conclusão

Lucas 12 ensina três grandes verdades:

• Deus exige mais de quem recebeu maior conhecimento da Sua vontade.

• A vinda de Cristo trouxe uma crise espiritual que divide a humanidade entre os que O recebem e os que O rejeitam.

• Enquanto estamos "no caminho", devemos reconciliar-nos com Deus, porque depois do juízo não haverá uma segunda oportunidade.

Nenhuma dessas passagens oferece apoio à doutrina do purgatório. Pelo contrário, elas reforçam a urgência do arrependimento nesta vida e a certeza de que o destino eterno é decidido antes da morte.

Josué Matos

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Sobre o caso de Saul, que consultou a médium, o que apareceu para Saul foi Samuel ou não?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Olá, irmão, boa tarde.

Sobre o caso de Saul, que consultou a médium, o que apareceu para Saul foi Samuel ou não?

Minha Resposta:

Essa é uma das perguntas mais debatidas sobre o Antigo Testamento. Entretanto, analisando cuidadosamente o texto bíblico, a conclusão mais coerente é que quem apareceu foi realmente Samuel, e não um espírito enganador nem uma ilusão produzida pela médium.

Há várias razões para entendermos isso.

Primeiro, a própria narrativa inspirada nunca diz que era um demônio fingindo ser Samuel. Em 1 Samuel 28, o texto afirma repetidamente que era Samuel (1 Samuel 28:12,14,15). O escritor inspirado poderia ter esclarecido que era um espírito maligno, caso fosse esse o caso, mas não o faz.

Segundo, a médium ficou profundamente assustada quando viu a aparição. Isso demonstra que o que aconteceu estava completamente fora do controle dela. Se fosse apenas mais uma manifestação demoníaca comum às suas práticas ocultistas, ela dificilmente teria reagido com tamanho espanto. Deus interveio de forma extraordinária naquele momento.

Terceiro, a mensagem transmitida era verdadeira e cumpriu-se exatamente como foi anunciada. Samuel declarou que Saul morreria no dia seguinte e que o reino seria entregue a Davi (1 Samuel 28:16-19). Foi exatamente o que aconteceu (1 Samuel 31). Os espíritos malignos podem misturar verdade com mentira, mas aqui encontramos uma mensagem profética totalmente fiel à palavra que Samuel já havia anunciado quando ainda estava vivo.

É importante observar que Deus já havia se recusado a responder Saul "nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas" (1 Samuel 28:6). Portanto, Deus não estava aprovando a consulta à médium. Pelo contrário, Ele permitiu, em caráter absolutamente excepcional, que Samuel aparecesse para anunciar o julgamento definitivo sobre Saul.

Isso não significa que os mortos possam ser consultados. A própria Lei proibia terminantemente essa prática (Deuteronômio 18:10-12), e Saul sabia muito bem disso, pois ele mesmo havia expulsado do país os médiuns e adivinhos (1 Samuel 28:3). Mais tarde, a Palavra de Deus afirma que Saul morreu também por haver consultado uma necromante, em vez de consultar ao Senhor (1 Crônicas 10:13-14).

Assim, este episódio não serve de autorização para qualquer tentativa de comunicação com os mortos. Ao contrário, ele mostra que Deus condena essas práticas. O acontecimento foi uma intervenção soberana e única de Deus para anunciar a sentença final sobre um rei que persistiu na desobediência.

Para o cristão, a orientação permanece muito clara. Devemos buscar direção somente em Deus, por meio das Escrituras e da oração, nunca recorrendo ao espiritismo, médiuns, adivinhações ou qualquer forma de tentativa de contato com os mortos.


A pessoa reescreveu dizendo:

Perdão, irmão. Entendi a resposta. Não se trata de debater, mas não entendo como poderia ser Samuel, se Saul buscou a palavra do Senhor por todos os meios autorizados por Deus e o Senhor não lhe respondeu. Por que, então, lhe responderia por um meio que o Senhor mesmo havia proibido? Todas as nações ao redor de Israel foram desterradas por essas práticas necromantes. O próprio Saul havia desterrado os médiuns e adivinhos.

A mulher não disse que viu Samuel; ela disse que viu um deus que sobe da terra. Saul buscava desesperadamente uma resposta do Senhor, mas o Senhor não lhe respondeu. Então, Saul entendeu que era Samuel. A mulher não disse que era Samuel, o narrador do texto não disse que era Samuel que subia da terra, mas Saul entendeu que seria Samuel na sua busca desesperada de ouvir a voz do Senhor, que não lhe falava mais.

Grato, irmão. Mais uma vez peço desculpas.

Minha Resposta:

Meu querido irmão, não há motivo algum para pedir desculpas. Pelo contrário, aprecio muito a maneira respeitosa como o irmão expôs seu entendimento. É assim que devemos tratar as Escrituras: examinando-as com reverência.

O argumento do irmão realmente existe e é adotado por diversos estudiosos. Contudo, continuo entendendo que o texto aponta para Samuel, não porque a médium tivesse poder para chamá-lo, mas porque Deus, em Sua soberania, interveio naquele momento.

Concordo plenamente que Deus havia proibido terminantemente a necromancia e que Saul pecou gravemente ao procurar aquela mulher. Também concordo que Deus não respondeu a Saul pelos meios normais que Ele mesmo havia estabelecido. Entretanto, o texto não diz que Deus resolveu responder por meio da médium; o que vejo é que Deus pronunciou o último juízo sobre Saul justamente na ocasião do seu último pecado.

Há alguns detalhes que me levam a essa conclusão:

Primeiro, o texto passa a chamar a personagem simplesmente de Samuel várias vezes, e não apenas de uma suposta aparição. O narrador inspirado utiliza esse nome de forma direta.

Segundo, a reação da médium parece demonstrar surpresa e medo. Se aquilo fosse apenas mais uma manifestação produzida por suas práticas ocultas, dificilmente haveria motivo para o espanto descrito.

Terceiro, a mensagem anunciada corresponde exatamente ao que Deus já havia revelado anteriormente por Samuel quando este ainda estava vivo. Não há nenhuma novidade favorável a Saul; apenas a confirmação do juízo já decretado.

Quanto à expressão "vejo um deus (elohim) subindo da terra", a palavra hebraica "elohim" também pode designar um ser espiritual ou alguém pertencente ao mundo invisível, não significando necessariamente o próprio Deus. A descrição inicial foi da mulher; a identificação posterior é feita pelo próprio texto bíblico.

Reconheço, porém, que a dificuldade levantada pelo irmão é legítima. Deus havia se recusado a responder a Saul. Mas justamente por isso entendo que este não foi um ato de consulta bem-sucedida, e sim um ato soberano de condenação. Saul não conseguiu obter orientação para vencer a batalha; recebeu apenas a sentença definitiva de sua morte. Deus não validou a necromancia. Pelo contrário, transformou aquele momento na confirmação pública do juízo contra um rei rebelde.

De qualquer forma, o principal ensino da passagem permanece o mesmo, independentemente dessa diferença de interpretação: Deus condena toda tentativa de consultar os mortos, médiuns ou espíritos. Saul não é apresentado como exemplo a ser seguido, mas como advertência solene de alguém que abandonou a Palavra do Senhor e terminou buscando respostas onde Deus expressamente havia proibido.

Agradeço pela conversa respeitosa. É uma alegria poder examinar as Escrituras com irmãos que desejam sinceramente compreender a verdade.

Josué Matos

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Eu nasci em uma igreja pentecostal, mas a Bíblia é um insulto à minha inteligência!

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Apocalipse foi 100% copiado do Zoroastrismo! A Bíblia é pura mitologia reciclada!

Eu nasci em uma igreja pentecostal, mas a Bíblia é um insulto à minha inteligência! Dizer que a cobra "fala" e que o sol "parou"? O sol já está parado; quem se movimenta é a Terra! Que ridículo! E por que esse tal de "deus" deixou seus filhos inocentes, que nem sabiam o que era bom nem o que era mau, na presença de uma cobra, um ser astuto que poderia pôr tudo a perder? Se fosse hoje, o Conselho Tutelar colocaria esse "deus" na cadeia por abandono de incapaz! É evidente que tanto esse "deus" quanto a Bíblia são meras criações da mente dos nossos antepassados primitivos!

Vocês sabiam que esse tal de "inferno" é apenas um mito persa, copiado do Zoroastrismo? E o pior é que o "inferno" do Zoroastrismo não era eterno! Nem para contar mentiras a Bíblia presta! É apenas mitologia mal reciclada!

O único livro da Bíblia que eu respeito é Eclesiastes:

"Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais... Como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem do homem sobre o animal não é nenhuma... Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó e todos voltarão ao pó."
(Eclesiastes 3:19-20)

A mensagem é clara: morreu, acabou!

Se você acha que vai para o céu:

"Quando você chegar lá, não haverá nenhum lá, lá."
(Provérbio Zen)

Moisés nunca existiu, o Êxodo nunca aconteceu. Não adianta negar a arqueologia; contra fatos não há argumentos!

"Não pretendo morrer para conhecer o céu e o inferno; esses já estão lotados de pessoas iguais a mim."
(Ditado Zen)

Minha Resposta:

Obrigado por compartilhar a sua opinião. Pelo que escreveu, percebo que você dedicou tempo para refletir sobre esses assuntos. No entanto, também percebo algo que considero muito mais importante do que a discussão sobre arqueologia, filosofia ou religião: a sua própria alma.

Você mencionou que nasceu em uma igreja pentecostal. Infelizmente, isso não significa necessariamente que tenha conhecido o verdadeiro evangelho. Muitas pessoas cresceram em ambientes religiosos sem jamais compreender a mensagem central da Bíblia.

Na minha opinião, as duas maiores religiões que mais têm prejudicado as pessoas são justamente o catolicismo e o evangelicalismo religioso.

Na Europa, o catolicismo contribuiu para que milhões se tornassem ateus. Em muitos casos, não apenas por causa de determinadas doutrinas, mas principalmente porque seus líderes frequentemente viveram de forma contrária ao que ensinavam. A incoerência produz descrédito.

Por outro lado, grande parte do evangelicalismo moderno também tem causado enorme dano ao apresentar uma salvação baseada, ainda que parcialmente, nas obras humanas. Exigem do homem aquilo que Deus nunca exigiu como condição para ser salvo. Impõem fardos semelhantes aos que os escribas e fariseus colocavam sobre o povo: campanhas, votos, dízimos obrigatórios, regras de comportamento, méritos pessoais, fidelidade suficiente, desempenho moral e inúmeras exigências para alcançar uma salvação que jamais poderá ser conquistada dessa maneira.

A Bíblia afirma exatamente o contrário:

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9)

A salvação não é um produto fabricado pelo homem. É um presente oferecido por Deus.

Observe como Deus age na criação. O sol ninguém compra. O ar ninguém compra. A chuva, a vida e tantas outras bênçãos são dadas gratuitamente. Deus não tem nada para vender.

Se Deus concede gratuitamente coisas materiais tão preciosas, quanto mais a vida eterna, que homem algum teria condições de comprar.

Nós nem sequer sabemos quantos cabelos temos na cabeça, mas Deus sabe. Não conseguimos acrescentar um único centímetro à nossa estatura por nossa própria vontade, mas Deus determina todas essas coisas. Se somos incapazes de controlar aspectos tão simples da nossa existência, como poderíamos produzir a nossa própria salvação?

Existe ainda outro problema que muitas pessoas ignoram. O pecado não afeta apenas a nossa consciência. Ele também existe diante da presença de Deus.

Uma pessoa pode tentar aliviar a consciência dizendo que fez boas obras ou que mudou de vida. Mas isso não apaga o registro da culpa diante do Deus santo.

Foi exatamente para resolver esse problema que Cristo morreu.

Na cruz, Deus tratou da culpa diante da Sua justiça e, ao mesmo tempo, oferece paz para a consciência daquele que crê. A Bíblia chama isso de justificação. Deus declara justo aquele que deposita sua confiança exclusivamente na obra consumada do Senhor Jesus Cristo.

Quanto aos milagres da Bíblia, eles não pretendem descrever acontecimentos comuns da natureza. Um milagre, por definição, é uma intervenção sobrenatural do próprio Criador na criação. Se Deus criou o universo e estabeleceu as leis da natureza, não há incoerência em afirmar que Ele pode agir acima delas quando deseja cumprir os Seus propósitos.

Sobre Eclesiastes, é importante observar o contexto do livro. Em vários momentos, Salomão descreve a realidade "debaixo do sol", isto é, do ponto de vista da experiência humana. Quando afirma que homens e animais voltam ao pó, está falando do corpo físico. O próprio livro declara mais adiante:

"E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu." (Eclesiastes 12:7)

Portanto, o próprio Eclesiastes não ensina que a existência termina na morte.

Quanto ao Apocalipse e à ideia de que teria sido copiado do Zoroastrismo, essa afirmação costuma ser repetida, mas demonstrá-la é outra questão. O livro está profundamente ligado às profecias do Antigo Testamento, especialmente Daniel, Ezequiel, Isaías e Zacarias, reutilizando centenas de imagens já presentes nas Escrituras hebraicas muitos séculos antes.

Por fim, meu desejo não é vencer um debate na internet. O que realmente me preocupa é que você encontre a paz que somente Cristo pode dar. A religião não pode salvar ninguém. Nem a católica, nem a evangélica, nem qualquer outra. Quem salva é o Senhor Jesus Cristo. Ele não oferece uma religião melhor, mas uma salvação completa, gratuita e eterna a todo aquele que crê.

Essa é a maior necessidade de qualquer ser humano, inclusive a minha e a sua.

Josué Matos

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Eu era solteira, casei com um divorciado, ainda sou solteira?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Vídeo que a pessoa assistiu: "Eu era solteira, casei com um divorciado, ainda sou solteira?"

Eu acredito que, embora pela lei dos homens ela seja divorciada e, pela lei de Deus, solteira, ela não é mais virgem. É alguém que cometeu fornicação e prostituição. Está impura para se unir a um homem solteiro e cristão.

A pessoa que se divorcia e casa com outro, com o cônjuge ainda vivo, comete adultério; e quem se casa com ela também comete adultério.

Minha Resposta:

Agradeço pela sua participação. Concordo que a Bíblia trata o pecado com toda a seriedade e nunca devemos minimizar aquilo que Deus chama de pecado. Entretanto, também devemos tomar cuidado para não ir além daquilo que a própria Palavra de Deus afirma.

O Senhor Jesus e os apóstolos chamam determinados atos pelos seus devidos nomes: adultério, fornicação, mentira, idolatria, homicídio e tantos outros. Porém, quando Deus perdoa o pecador arrependido, Ele também declara essa pessoa justificada diante dEle. Não temos autorização para continuar definindo uma pessoa pelo pecado do seu passado, quando o próprio Deus a recebeu pela Sua graça.

Veja o caso do leproso no Antigo Testamento. Enquanto estava leproso, era considerado imundo e separado do povo. Mas, uma vez curado e declarado limpo, já não era tratado como um imundo. O sacerdote o declarava purificado e ele voltava ao convívio do povo de Deus. A impureza não era um título permanente para toda a sua vida.

O mesmo princípio aparece repetidas vezes nas Escrituras. Raabe era uma prostituta em Jericó, mas, ao crer no Deus de Israel, foi poupada, recebeu um novo lugar entre o povo de Deus, casou-se e passou a fazer parte da genealogia do Senhor Jesus Cristo (Josué 2; Mateus 1:5). Rute era moabita, pertencente a um povo que, por causa de sua história, carregava uma triste reputação diante de Israel. Ainda assim, pela graça de Deus, tornou-se esposa de Boaz, bisavó do rei Davi e também aparece na genealogia do Senhor Jesus (Livro de Rute; Mateus 1:5).

Na própria genealogia de Cristo encontramos Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba. Todas tinham um passado marcado por situações difíceis ou pecaminosas. A única mulher apresentada como virgem é Maria. Isso não diminui o valor da pureza e da virgindade, que são grandemente honradas nas Escrituras, mas demonstra que a graça de Deus é capaz de restaurar pecadores e dar-lhes um novo lugar em Seus propósitos.

O rei Davi caiu gravemente em adultério e homicídio. Contudo, quando reconheceu o seu pecado e se arrependeu, ouviu do profeta Natã: "Também o Senhor perdoou o teu pecado" (2 Samuel 12:13). Davi sofreu as consequências do seu pecado durante a vida, mas não permaneceu diante de Deus como um homem rejeitado para sempre.

O Salmo 103 declara que Deus afasta de nós as nossas transgressões "assim como o Oriente está longe do Ocidente". O profeta Miqueias afirma que Deus lança todos os nossos pecados nas profundezas do mar (Miqueias 7:19). Esses textos mostram que o perdão divino não é apenas uma tolerância ao pecado, mas um ato soberano da graça de Deus para com aquele que se arrepende.

Talvez um dos melhores exemplos seja a mulher apanhada em adultério, em João 8. Os homens estavam prontos para apedrejá-la. Porém, quando o Senhor Jesus disse: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela", começaram a retirar-se, um por um, começando pelos mais velhos. Aqueles homens estavam prontos para condenar a mulher, mas não permaneceram para ouvir o caminho da graça que também precisavam. O Senhor não aprovou o pecado daquela mulher; pelo contrário, disse: "Vai e não peques mais". Mas também não a definiu para sempre pelo pecado que havia cometido.

Por isso, devemos conservar o equilíbrio das Escrituras. Não devemos chamar de santo aquilo que Deus chama de pecado. Mas também não devemos continuar chamando de impuro aquele que Deus purificou, nem definir permanentemente uma pessoa pelo pecado que Cristo perdoou. A graça de Deus não apaga a gravidade do pecado, mas transforma o pecador arrependido.

Josué Matos

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