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Se a ira é para quem rejeita a Cristo, como fica Israel se rejeita o Messias?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Se a ira é para quem rejeita a Cristo, como fica Israel se rejeita o Messias?

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta muito importante — e precisa ser respondida com cuidado bíblico, distinguindo dois aspectos: responsabilidade individual e propósito nacional de Deus.

Primeiro: a ira de Deus é sobre todo aquele que rejeita o Filho.

O Senhor Jesus declarou claramente:

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado” (João 3:18).
“Quem crê no Filho tem a vida eterna; mas quem não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36).

Essas palavras não fazem distinção entre judeu e gentio. O apóstolo Paulo afirma:

“Não há diferença, porque todos pecaram” (Romanos 3:22-23).

Portanto, no plano individual, um israelita que rejeita o Messias permanece sob condenação, exatamente como qualquer outro ser humano que rejeite o Senhor Jesus Cristo.

Agora, precisamos distinguir o plano nacional de Israel.

Em Romanos 9–11, Paulo trata especificamente dessa questão. Ele reconhece que Israel, como nação, tropeçou:

“Tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum; mas pela sua queda veio a salvação aos gentios” (Romanos 11:11).

A rejeição do Messias por parte da nação trouxe consequências sérias: dispersão, juízo histórico e cegueira parcial. Paulo afirma:

“O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado” (Romanos 11:25).

Observe: endurecimento parcial e temporário. Não é anulação definitiva.

Aqui está o ponto crucial:

No plano individual → judeus que rejeitam Cristo permanecem sob a ira.
No plano nacional → Deus não revogou suas promessas feitas aos patriarcas.

Paulo declara:

“Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Romanos 11:29).

Isso significa que a eleição nacional de Israel não foi cancelada. Haverá restauração futura, conforme anunciado pelos profetas:

“E assim todo o Israel será salvo” (Romanos 11:26).

Isso não significa que cada judeu de todas as épocas será salvo automaticamente, mas que haverá uma conversão nacional futura, quando reconhecerem aquele “a quem traspassaram” (Zacarias 12:10).

Portanto, a resposta é equilibrada:

• Israel, como qualquer povo, se rejeita o Messias, permanece sob juízo individual.
• Israel, como nação, ainda está dentro do propósito profético de Deus.
• A atual incredulidade não anula as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó (Gênesis 12:1-3; Jeremias 31:35-37).

Em resumo: não há salvação fora de Cristo — nem para judeus, nem para gentios. Mas Deus ainda tratará com Israel nacionalmente, cumprindo as alianças feitas aos patriarcas.

Josué Matos

A Mesa do Senhor, a Ceia do Senhor e a comunhão da igreja

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Olá, boa tarde, obrigado por esclarecer seu ponto a respeito de evangelho, salvação e graça, mas devo ressaltar que qualquer um que escute o que você disse no tempo que mencionei pensaria a mesma coisa, principalmente quem caiu de paraquedas nesse vídeo e não conhece o seu canal (que é meu caso).

Tendo esclarecido isto gostaria de tocar em um ponto que o senhor tocou e principalmente em um comentário que fez no primeiro vídeo desta coletânea intitulado "os irmãos exclusivistas", você mencionou que a mesa deve ser aberta, e que qualquer um pode participar e é o senhor Jesus quem decide quem deve entrar e sair de comunhão, também mencionou que Paulo orientou para que este permanecem nas reuniões, por lado na mesma carta a 1 corintos 5:2 ele questiona porque o que cometeu tais impurezas ainda não foi tirado de comunhão, você mencionou diferente desse outros permaneciam porque não tinham divergências doutrinárias graves, mas será que Paulo que por sua autoridade apostólica e com a direção do Senhor não permitiu que isto ocorresse para que ele pudesse admoesta-los sobre dissensões e falsos mestres ?

Você também tocou bastante na tecla de que quem pede o seu local a mesa e está ligado ao sistema denominacional é reprovado automaticamente, você disse que se a pessoa não estiver com erros doutrinárias graves que possam levedar a massa podem ser recebidos a mesa, mas o fato estes são reprovado não por estarem em na dominação, mas por: causa e efeito, se estes estão em denominação logo estarão sendo aprendendo má doutrina, acho que isso é uma coisa bem óbvia e que qualquer um saiba contar quanto é 2+2 consegue chegar a mesma conclusão, você não é proibido de entrar em um templo para cerimônia de casamento ou  enterro, a questão é pessoa está recebendo má doutrina independente onde seja, numa praça, praia, sítio ou salão, a questão principal é: não trazer má doutrina para as reuniões.

Mas seus vídeos, foram importantes para esclarecer algumas coisas que tenho observado, estava assistindo um vídeo sobre o atual estado da igreja que é mencionado nas 7 cartas profético as igrejas no livro de Apocalipse, que se encontra como Laodicéia, quando terminei de ver o vídeo do irmão Mario fui consumido por uma tristeza no meu trabalho que cheguei a chorar e nem eu sabia o porquê, me perguntava se os irmãos reunidos ao nome do Senhor não estariam na condição de Filadélfia, mas o seu vídeo me veio como reforço para algo que não queria aceitar.

Eu percebi que em outros comentários de sua coletânea com outras pessoas discutindo sobre quem cometeu erros doutrinárias primeiro ou quem criou uma organização de governos centralizados, bom a conclusão que cheguei é que não vamos a chegar a lugar nenhum com esses puxa rabo um do outro, também não estou interessado em discutir quem está mais ou menos errado que o outro, não estou me conformando, apenas reconheço o atual estado que igreja está, e seu vídeo ilustra bem isso, não tento mudar sistemas pré estabelecidos, só o que posso fazer é orar para que eu possa prevalecer na doutrina dos apóstolos, e confiar no Senhor para que ele cuide da sua igreja apesar das fraquezas e dificuldades.

Minha Resposta:

Permita-me reorganizar toda a resposta, agora incluindo também o ponto sobre pessoas que se confessam salvas e vêm de denominações ou de ambientes que usam o nome “irmãos”.

Antes de discutir recepção e disciplina, é indispensável esclarecer três expressões que frequentemente são confundidas: a Mesa do Senhor, a Ceia do Senhor e a comunhão da igreja.

A Mesa do Senhor, conforme 1 Coríntios 10:16-21, não é uma reunião, nem um local físico. Ela fala da comunhão espiritual estabelecida pelo próprio Senhor com todos os que foram salvos pelo Seu sangue. É uma realidade espiritual ligada à obra de Cristo. Nenhum homem recebe alguém à Mesa do Senhor. Quem recebe é o Senhor, quando salva uma alma. Também nenhum homem pode excluir um verdadeiro crente da Mesa do Senhor, pois isso pertence à esfera da obra e da autoridade de Cristo.

A Ceia do Senhor, mencionada em 1 Coríntios 11:20, é uma reunião específica da igreja local, na qual o pão e o cálice são tomados em memória do Senhor Jesus Cristo. A Ceia é um dos privilégios que decorrem da comunhão.

Já a comunhão da igreja é a esfera prática de responsabilidade da assembleia local. É aí que a igreja pode agir, receber ou, em casos de disciplina, afastar alguém. Em 1 Coríntios 5:2, Paulo não fala de tirar alguém da Mesa do Senhor, mas de “tirar dentre vós” — ou seja, remover da comunhão prática da assembleia. O objetivo era disciplinar, para restauração, como vemos depois em 2 Coríntios 2:6-8.

Portanto, nunca existe exclusão da Mesa do Senhor; o que pode haver é exclusão da comunhão local, o que implica impedir a participação na Ceia enquanto a situação não for resolvida biblicamente.

Feita essa distinção, entramos na questão da recepção.

A Bíblia oferece princípios claros para a recepção à comunhão da igreja local. A igreja local bíblica é formada por pessoas salvas e que perseveram na sã doutrina. Atos 2:41-42 mostra que aqueles que receberam a Palavra perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão. Não é apenas uma profissão verbal de fé, mas uma posição clara quanto ao evangelho e quanto à doutrina.

Isso nos leva ao ponto delicado: pessoas que se confessam salvas, vindas de denominações ou até de lugares que se identificam como “irmãos”.

Não recebemos pessoas simplesmente porque vêm de determinado ambiente, seja denominacional ou use um nome bíblico. O critério não é o rótulo do lugar de origem. Também não as rejeitamos automaticamente apenas por essa razão. A avaliação é espiritual e doutrinária.

Contudo, é necessário afirmar com clareza: a comunhão da igreja não é aberta indiscriminadamente a todos que se declaram crentes.

Se alguém vem de um ambiente onde o evangelho não é claramente anunciado — por exemplo, onde a salvação é misturada com obras, sacramentos ou mérito humano — isso precisa ser examinado cuidadosamente. Gálatas 1:8-9 e 2 João 9-11 mostram que não se deve receber quem não permanece na doutrina de Cristo. Romanos 16:17 também orienta a marcar os que causam divisões contrárias à doutrina aprendida.

Assim, um visitante que vem de um ambiente que não traz clareza quanto ao evangelho e quanto à sã doutrina não deve ser automaticamente recebido à comunhão da igreja.

A recepção envolve:

  1. Clareza quanto à salvação pela graça, mediante a fé.

  2. Submissão à sã doutrina.

  3. Vida moral compatível com o testemunho cristão.

  4. Ausência de envolvimento ativo com erro doutrinário que comprometa o evangelho ou a Pessoa de Cristo.

A igreja local tem responsabilidade de guardar a pureza da comunhão. Um pouco de fermento leveda toda a massa (1 Coríntios 5:6). A comunhão pressupõe unidade prática na doutrina.

Ao mesmo tempo, é importante manter o equilíbrio: tais pessoas estão bem-vindas para assistir às reuniões. A porta para ouvir a Palavra permanece aberta. A assembleia não é um círculo secreto. Qualquer pessoa pode vir ouvir, aprender, examinar as Escrituras.

Mas ouvir não é o mesmo que estar em comunhão.

Receber à comunhão significa reconhecer publicamente unidade de fé e prática. Se isso não está claro, a recepção não deve ocorrer. Não por sectarismo, mas por responsabilidade bíblica.

Quanto à sua reflexão sobre Filadélfia e Laodiceia, em Apocalipse 2–3, é correto sentir tristeza pelo estado geral da cristandade. Mas a solução não é endurecer além da Escritura, nem relaxar os princípios bíblicos. É permanecer na doutrina dos apóstolos (Atos 2:42) e confiar que o Senhor Jesus, que anda no meio dos candeeiros (Apocalipse 1:13), cuida da Sua igreja.

A igreja não é preservada por sistemas, mas pela fidelidade de Cristo. A nossa responsabilidade é manter distinções bíblicas claras: a Mesa do Senhor pertence a Cristo; a comunhão local é responsabilidade da assembleia; a Ceia é expressão visível dessa comunhão.

E a recepção à comunhão deve seguir os princípios das Escrituras, não pressões emocionais, rótulos externos ou presunções automáticas.

Josué Matos

Eu nunca ouvi uma pregação desse texto Gênesis 32 onde Jacó luta com Deus que realmente tenha mostrado o real sentido

 Alguém que me escreveu por e-mail:

Boa tarde irmão. Espero que estejam bem! Eu nunca ouvi uma pregação desse texto Gênesis 32 onde Jacó luta com Deus que realmente tenha mostrado o real sentido. Me parece uma luta interior dele um desejo imenso de mudança de caráter, para ter o caráter de Deus (Cristo). Me vejo numa situação semelhante, através da palavra tenho me enxergado mais nitidamente. O irmão poderia me explanar esse texto? Deus o abençoe.

Minha Resposta:

Gênesis 32 é, de fato, um dos textos mais profundos da vida de Jacó. Não é apenas um episódio curioso de luta física, mas um marco espiritual decisivo na história desse homem.

Contexto do capítulo

Jacó estava retornando à terra prometida após muitos anos fora. Ele havia fugido de Esaú, enganado o pai, vivido sob tensão com Labão e acumulado bens. Agora precisava enfrentar o passado. Em Gênesis 32:7 lemos que “Jacó temeu muito e angustiou-se”. A crise externa revelou a crise interna.

Ele ora (Gênesis 32:9-12), mas ainda tenta resolver tudo por estratégias humanas (divide o povo, envia presentes). Jacó ainda era o “suplantador”, aquele que confiava em sua astúcia.

A luta em Peniel

Em Gênesis 32:24 diz: “E Jacó ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu.”

O texto começa chamando de “um homem”. Porém, em Gênesis 32:28 o lutador declara: “Como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.” E no versículo 30 Jacó diz: “Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.”

Oséias 12:3-4 esclarece que foi um anjo, mas também afirma que ele “chorou e lhe suplicou”. Portanto, não foi uma luta física comum, nem apenas simbólica. Foi um encontro real, onde Deus assumiu forma humana para tratar profundamente com Jacó.

Não foi Jacó que tomou a iniciativa da luta. Deus veio a ele.

O que realmente aconteceu ali?

  1. Deus quebrou a autossuficiência de Jacó

Durante a noite inteira houve resistência. Quando “via que não prevalecia contra ele” (Gênesis 32:25), o texto não significa fraqueza divina, mas que Deus permitiu a resistência até o ponto certo. Então tocou na coxa de Jacó — e ele ficou manco.

Um simples toque bastou.

O homem que sempre correu, manipulou e planejou agora pisaria mancando para o resto da vida. A marca física era o selo de uma transformação espiritual.

  1. A mudança de nome

“Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel” (Gênesis 32:28).

Jacó significa suplantador. Israel significa “aquele que luta com Deus” ou “príncipe com Deus”.

A transformação não foi apenas moral. Foi identitária. Deus não apenas corrige comportamento; Ele muda identidade.

  1. A aparente contradição: ele prevaleceu?

O texto diz que Jacó prevaleceu. Mas como? Ele saiu manco.

Ele prevaleceu não porque venceu Deus, mas porque se rendeu. Ele segurou e disse: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gênesis 32:26).

Essa é a vitória espiritual: depender exclusivamente da bênção divina.

Luta interior?

O irmão mencionou algo muito sensível: a luta interior e o desejo de mudança de caráter.

Há verdade nisso, mas precisamos manter equilíbrio. Não foi apenas um conflito psicológico. Foi um confronto direto com Deus. Porém, esse confronto atingiu o interior de Jacó.

A mudança de caráter não veio por esforço próprio, mas por quebrantamento produzido por Deus.

Aplicação para nós:

  1. Deus muitas vezes nos coloca a sós.

“Jacó ficou só.” Antes da transformação, há solidão. Deus nos separa das distrações.

  1. A transformação exige quebrantamento.

Enquanto confiamos em estratégias, reputação ou força, continuaremos sendo “Jacó”. Deus toca no ponto mais sensível.

  1. A marca permanece.

Jacó mancou até o fim da vida. A lembrança do encontro com Deus não foi apagada. Toda transformação real deixa marcas.

  1. O novo nome vem depois da rendição.

Não nos tornamos espirituais por decisão própria, mas por obra divina em nós.

Uma palavra pessoal ao irmão

Se o irmão tem se visto mais claramente à luz da Palavra, isso é graça. Hebreus 4:12 diz que a Palavra discerne pensamentos e intenções do coração.

O momento em que começamos a nos enxergar como somos é o começo de Peniel.

Talvez o Senhor esteja tratando exatamente nesse nível: não apenas ajustando atitudes externas, mas tocando na raiz da autoconfiança, para produzir uma dependência mais profunda.

Não tema a luta. Tema apenas sair dela sem ser transformado.

Que o Senhor lhe conceda um Peniel verdadeiro — onde não apenas se vê a si mesmo, mas se vê a Deus, e sai diferente.

Deus o abençoe.

Josué Matos 

A menina em Lucas 8 foi ressuscitada para a salvação?!

 Alguém que escreveu por e-mail:

Boa noite irmão. A menina em Lucas 8 foi ressuscitada para a salvação?! Ou seja não era salva ?! Diferente de Lázaro que morreu salvo e foi ressuscitado para a glória de Deus. Ambos foram para glória de Deus, mas o que me chamou a a atenção foi : “Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva.” ‭‭Lucas‬ ‭8‬:‭50‬ ‭

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito pertinente, porque toca numa distinção importante entre ressurreição física e salvação eterna.

Vamos considerar os dois casos com atenção às Escrituras.

1. A filha de Jairo – Evangelho de Lucas 8

O texto diz:

“Não temas; crê somente, e ela será salva.” (Lucas 8:50)

A palavra traduzida por “salva” é o verbo grego sōzō, que possui um campo semântico amplo. Pode significar:

  • salvar espiritualmente (da condenação),

  • curar,

  • preservar,

  • livrar da morte física.

No próprio contexto imediato, vemos que a menina estava morta (Lucas 8:53). O Senhor toma-a pela mão e diz: “Menina, levanta-te” (Lucas 8:54), e o espírito dela voltou (Lucas 8:55). Logo, aqui a “salvação” mencionada em Lucas 8:50 refere-se claramente à preservação da vida física, ou seja, à sua restauração corporal.

Não há qualquer indicação no texto de que o Senhor estivesse tratando da condição eterna da menina. O assunto em foco é a morte física e a angústia do pai.

Observe que, em vários lugares, o verbo “salvar” é usado nesse sentido temporal:

  • “A tua fé te salvou” – no caso da mulher do fluxo de sangue (Lucas 8:48), significando que foi curada.

  • “Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á” (Lucas 9:24), onde o termo envolve preservação da vida.

Portanto, em Lucas 8:50, o Senhor está dizendo a Jairo que sua filha seria restaurada à vida.

Isso não significa que ela não fosse salva espiritualmente, mas o texto não trata desse ponto.

2. Lázaro – Evangelho de João 11

No caso de Lázaro, o Senhor declara:

“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25).

Aqui há uma ênfase muito mais clara na vida eterna. Marta faz uma confissão de fé: “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (João 11:27).

Tudo indica que Lázaro era um crente. Sua ressurreição foi “para a glória de Deus” (João 11:4), e o milagre teve caráter testemunhal e doutrinário mais explícito.

Mas, ainda assim, a ressurreição de Lázaro também foi ressurreição temporária. Ele voltou a morrer mais tarde. Não foi ainda a ressurreição glorificada como em 1 Coríntios 15.

3. Diferença entre ressurreições temporárias e ressurreição gloriosa

Tanto a filha de Jairo quanto Lázaro:

  • morreram fisicamente,

  • foram restaurados à vida terrena,

  • voltaram posteriormente a morrer.

Esses milagres foram sinais messiânicos, demonstrando autoridade sobre a morte (Isaías 35:5-6).

A ressurreição do Senhor Jesus, porém, foi diferente:

  • Ele ressuscitou para nunca mais morrer (Romanos 6:9).

  • Tornou-se as primícias dos que dormem (1 Coríntios 15:20).

4. Então, a menina não era salva?

O texto não afirma que ela não fosse salva espiritualmente. O foco é outro.

A expressão “ela será salva” em Lucas 8:50 deve ser entendida à luz do contexto imediato: ser salva da morte física naquele momento.

Assim como:

  • Pedro foi “salvo” ao andar sobre as águas (Mateus 14:30),

  • os discípulos clamaram: “Senhor, salva-nos, que perecemos” (Mateus 8:25).

Em todos esses casos, trata-se de livramento temporal.

5. Ambos foram para a glória de Deus

Sim, ambos os milagres tiveram o mesmo propósito maior: manifestar a glória de Deus.

  • No caso de Lázaro, isso é explicitamente declarado (João 11:4).

  • No caso da filha de Jairo, a manifestação do poder do Senhor também resultou em espanto e testemunho (Lucas 8:56).

Mas nenhum dos dois textos tem como objetivo discutir a condição eterna das pessoas envolvidas.

Conclusão

Lucas 8:50 não ensina que a menina não era salva espiritualmente.

A palavra “salva” ali significa restaurada à vida física.

Já no caso de Lázaro, há um desenvolvimento mais profundo da doutrina da vida eterna, mas a ressurreição em si também foi temporária.

Em ambos os casos, vemos o Senhor Jesus exercendo autoridade sobre a morte — antecipando aquilo que Ele mesmo venceria definitivamente na cruz e na ressurreição.

Josué Matos