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Em relação ao desligamento em caso de pecados, poderia citar exemplos em quais situações deveríamos levar diretamente ao conhecimento da igreja local?

 Alguém me escreveu no WhatsApp:

Irmão, em relação ao desligamento em caso de pecados, poderia citar exemplos em quais situações deveríamos levar diretamente ao conhecimento da igreja local?

Minha Resposta:

A Escritura faz uma distinção muito importante entre tipos de pecados e, consequentemente, entre o modo como devem ser tratados. Nem todo pecado é tratado da mesma forma, e é exatamente aqui que muitos se confundem.

Primeiro, há pecados de ordem pessoal ou conflitos entre irmãos. O próprio Senhor ensina o procedimento em Mateus 18:15-17. Se um irmão pecar contra outro, deve-se tratar em particular. Se houver arrependimento, o assunto termina ali. Caso contrário, leva-se uma ou duas testemunhas. Persistindo a recusa, então sim, o caso é levado à igreja. Portanto, nesses casos, não se começa levando à igreja, mas segue-se um processo de restauração.

Um exemplo claro disso está em Filipenses 4:2-3, onde duas irmãs estavam em desacordo. O apóstolo Paulo não ordena exclusão, mas exorta à reconciliação e até pede ajuda de outros irmãos para restaurar a comunhão. Isso mostra que nem todo pecado exige disciplina pública, mas sim tratamento pastoral e espiritual visando restauração.

Por outro lado, há pecados de natureza moral grave ou pública, que comprometem o testemunho da assembleia e a santidade da casa de Deus. Esses devem ser levados diretamente ao conhecimento da igreja, mesmo que haja arrependimento posterior.

Em 1 Coríntios 5, o apóstolo Paulo trata de um caso de imoralidade extremamente grave. Ele não orienta um processo gradual, mas ordena diretamente a exclusão: “Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (1 Coríntios 5:13). E no mesmo capítulo há uma lista clara de pecados que exigem tal ação: “Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer” (1 Coríntios 5:11).

Isso mostra que, quando se trata de pecados que são moralmente escandalosos ou que afetam o testemunho público, a questão não é apenas o arrependimento individual, mas a pureza da igreja diante de Deus.

Por exemplo:

Se um crente é encontrado em adultério ou fornicação, mesmo que depois diga que se arrependeu, o pecado já teve um caráter público ou moralmente grave. Isso exige ação da igreja.

Se um crente é conhecido como ladrão ou desonesto em seu trabalho, isso afeta diretamente o testemunho cristão. A igreja deve agir.

Se um crente vive em embriaguez ou práticas mundanas públicas, igualmente compromete o nome do Senhor.

Nesses casos, a disciplina não é apenas corretiva, mas também preservadora da santidade da assembleia, conforme 1 Coríntios 5:6-7, onde o pecado é comparado ao fermento que leveda toda a massa.

Além disso, há também a questão doutrinária. Se um irmão, por ignorância, apresenta algum erro, ele deve ser instruído com mansidão, conforme 2 Timóteo 2:24-25. Mas se ele insiste em propagar erro e tenta influenciar a igreja, então o assunto passa a ser coletivo e deve ser tratado pela assembleia, pois já não é apenas uma fraqueza pessoal, mas um perigo para todos.

Portanto, podemos resumir assim:

Conflitos pessoais e pecados entre irmãos: seguem o processo de Mateus 18, visando restauração.

Erros por ignorância: tratados com ensino e paciência.

Pecados morais graves ou públicos (como os de 1 Coríntios 5): devem ser levados diretamente à igreja, mesmo que haja arrependimento, pois envolvem o testemunho coletivo.

Persistência no pecado ou na doutrina errada: também exige ação da igreja.

A disciplina não é uma negação da graça, mas uma expressão da santidade de Deus. A igreja é chamada de “casa de Deus” (1 Timóteo 3:15), e por isso deve refletir Seu caráter.

Josué Matos

Alguém afirma que o batismo exige apenas fé, e que mesmo pessoas vivendo em adultério (como segundo casamento com cônjuge ainda vivo) podem ser batizadas

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Alguém afirma que o batismo exige apenas fé, e que mesmo pessoas vivendo em adultério (como segundo casamento com cônjuge ainda vivo) podem ser batizadas, deixando a questão moral para depois. Isso está correto biblicamente? E o que significa 1 Pedro 3:21? Além disso, a ceia é separada da comunhão da igreja?

Minha Resposta:

Essa questão exige muito cuidado, porque toca em três pontos fundamentais da vida cristã: salvação, testemunho e comunhão.

  1. O batismo não é apenas um ato externo, mas um testemunho coerente

É verdade que a fé é indispensável para o batismo. Em Atos 8:37, o eunuco diz: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”, e então é batizado. No entanto, a Escritura nunca apresenta o batismo como um ato isolado da realidade moral da conversão.

Romanos 6:3-4 ensina que o batismo representa morte para o pecado e uma nova vida:

“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.”

Portanto, o batismo não é apenas uma declaração de fé verbal, mas um testemunho público de que houve uma ruptura com o pecado.

Se uma pessoa permanece deliberadamente em uma prática que a própria Palavra de Deus condena — como o adultério — então há uma contradição entre o testemunho do batismo e a realidade da vida.

Outro exemplo ajuda a mostrar como esse raciocínio é insuficiente. Suponha que uma pessoa, antes de professar salvação, tivesse o hábito de roubar pequenas coisas, como levar objetos da empresa para casa, ou então tivesse o costume de pedir dinheiro emprestado e não pagar. Depois de dizer que creu no Senhor Jesus, ela continua praticando exatamente as mesmas coisas, sem arrependimento e sem abandono desse pecado. Pergunta-se: essa pessoa deve ser batizada apenas porque afirmou que agora é salva?

A resposta bíblica deve ser não. E a razão é simples: o batismo não é uma cerimônia que valida apenas uma declaração verbal; ele é um testemunho público de que houve uma real mudança de posição diante de Deus. O que os homens podem avaliar não é o que alguém alega ter acontecido no íntimo, mas o testemunho que essa pessoa apresenta exteriormente. Se a vida continua marcada pela mesma prática de pecado, sem evidência de arrependimento, então o testemunho público contradiz a profissão de fé.

Isso mostra que não basta dizer “eu cri”. O batismo é a confissão visível de que a pessoa agora se identifica com Cristo na Sua morte e ressurreição, e que reconhece ter deixado o caminho antigo para andar em novidade de vida, conforme Romanos 6:3-4. Quando alguém permanece conscientemente em práticas como roubo, fraude, desonestidade ou qualquer outro pecado moral não abandonado, essa permanência desmente justamente aquilo que o batismo deveria declarar.

Portanto, não é apenas a confissão de fé que abre a porta para o batismo, mas uma confissão acompanhada de um testemunho que não a contradiga. Não se exige perfeição, porque nenhum salvo é perfeito, mas exige-se coerência moral básica com a verdade que está sendo confessada publicamente. Batizar alguém que continua deliberadamente na mesma prática pecaminosa seria transformar o batismo em uma aprovação externa de um testemunho que, na realidade, permanece em desordem diante da Palavra de Deus.

  1. A questão do adultério contínuo

A Palavra de Deus é clara quanto ao casamento:

Romanos 7:2-3 declara:

“A mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido.”

O Senhor Jesus também afirmou em Lucas 16:18:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido também adultera.”

Não se trata de um pecado passado, mas de um estado contínuo. Portanto, não é comparável a pecados abandonados no passado, mas a uma condição presente que exige arrependimento.

A Escritura mostra que a fé verdadeira produz mudança de vida. Em 1 Coríntios 6:9-11, Paulo lista pecados, incluindo o adultério, e diz:

“E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados…”

Ou seja, não permanecem nessa prática.

Se alguém continua conscientemente em desobediência, o seu testemunho não confirma a realidade da nova vida.

  1. O exemplo de disciplina e coerência moral

A igreja primitiva não separava fé de prática. Em 1 Coríntios 5, um homem vivia em pecado moral grave, e a instrução não foi ignorar isso, mas tratar a situação.

Isso mostra que não se pode reconhecer publicamente alguém como testemunha de Cristo (o que o batismo implica), enquanto sua vida contradiz abertamente a Palavra.

O próprio ensino apostólico enfatiza que a fé verdadeira se evidencia em obras. Embora Tiago trate de um contexto específico, ele mostra que a fé sem evidência prática é morta .

  1. O significado de 1 Pedro 3:21

O texto diz:

“O batismo, que agora também vos salva, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo.”

Esse versículo não ensina que o batismo salva automaticamente, nem que qualquer pessoa pode ser batizada independentemente de sua condição moral.

Pedro deixa claro:

– não é limpeza externa (“não do despojamento da imundícia da carne”)
– é a resposta de uma boa consciência diante de Deus

Ou seja, o batismo é a expressão exterior de uma consciência já tratada diante de Deus.

Se a consciência ainda está em conflito por causa de uma prática não abandonada, então o próprio princípio do versículo é violado.

  1. Batismo e comunhão não podem ser separados artificialmente

O argumento apresentado tenta separar três coisas:

– salvação
– batismo
– comunhão

Mas Atos 2:41-42 mostra a ligação natural:

“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra… e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão…”

Não são três etapas independentes, mas um fluxo coerente da mesma vida espiritual.

O batismo introduz publicamente alguém na esfera cristã, e essa mesma pessoa deve andar na doutrina, comunhão e testemunho.

  1. A ceia do Senhor e a comunhão da igreja

Está correto afirmar que a ceia não é a totalidade da comunhão, mas uma expressão dela.

1 Coríntios 10:16-17 mostra que o partir do pão expressa comunhão:

“Não é a comunhão do sangue de Cristo? … Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo.”

E 1 Coríntios 11:27-29 mostra que participar indignamente traz juízo.

A disciplina bíblica não é apenas impedir alguém de participar da ceia, mas tratar a comunhão como um todo.

Receber alguém na comunhão da igreja significa reconhecer publicamente o seu testemunho. A ceia é um dos privilégios dessa comunhão, não algo isolado.

Conclusão

A afirmação de que basta crer para ser batizado, independentemente da condição moral presente, não se sustenta à luz do ensino completo das Escrituras.

– A fé verdadeira produz mudança de vida
– O batismo é um testemunho público dessa mudança
– Não pode haver contradição entre profissão e prática
– 1 Pedro 3:21 exige uma boa consciência, não apenas uma declaração verbal
– A comunhão da igreja e a ceia não são separáveis da realidade moral do crente

Portanto, não se trata de investigar o passado, mas de considerar o estado presente. Quando há desobediência consciente e contínua, o caminho bíblico não é batizar, mas chamar ao arrependimento e à restauração.

Josué Matos

Então, como ficam milhões de cristãos solteiros que são tentados todos os dias pelo desejo sexual, que é algo espontâneo e fisiológico?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

1 Coríntios 7: ⁵ Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa intemperança. 

Então, como ficam milhões de cristãos solteiros que são tentados todos os dias pelo desejo sexual, que é algo espontâneo e fisiológico? O próprio texto diz que pessoas casadas não devem se privar, mesmo sendo nascidas de novo. Se pessoas não casadas não conseguirem se conter, isso anula o sacrifício de Cristo, mesmo tendo fé nEle? Isso indica que não são nascidas de novo?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito importante, porque toca em três áreas distintas da Palavra de Deus: a natureza humana, a responsabilidade do crente e a base da salvação.

Primeiro, é necessário entender que a tentação, em si mesma, não é pecado. A Palavra de Deus mostra que o próprio Senhor Jesus foi tentado em todas as coisas, mas sem pecado, conforme Hebreus 4:15. Logo, o fato de um cristão — casado ou solteiro — sentir desejos naturais não anula sua salvação nem prova que não nasceu de novo. O problema não está na tentação, mas em ceder a ela.

Tiago 1:14-15 explica claramente o processo: “cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado”. Ou seja, o desejo pode existir, mas o pecado acontece quando há consentimento da vontade.

Segundo, 1 Coríntios 7 trata de uma provisão prática para o casamento, não de um requisito para a salvação. O apóstolo Paulo está lidando com uma necessidade humana legítima dentro da ordem de Deus. Ele mesmo diz em 1 Coríntios 7:7 que alguns têm o dom de permanecer solteiros. Portanto, nem todos são chamados ao casamento, mas todos são chamados à santidade.

Para os solteiros, a Palavra não deixa vazio. Em 1 Coríntios 6:18 está escrito: “Fugi da prostituição”. E em 1 Tessalonicenses 4:3-4: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição; que cada um saiba possuir o seu vaso em santificação e honra”. Isto mostra que há responsabilidade pessoal diante de Deus, mas não condenação automática pela existência da luta. Paulo diz mais: "Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo" (1 Coríntios 7:8,9).

Terceiro, quanto à salvação, ela não depende da capacidade do homem de controlar perfeitamente seus desejos, mas da obra completa de Cristo. Efésios 2:8-9 afirma que somos salvos pela graça, mediante a fé, e não pelas obras. Se a salvação dependesse de nunca falhar em desejos ou pensamentos, ninguém seria salvo.

Ao mesmo tempo, a Palavra também ensina que o novo nascimento produz uma nova vida. Como está escrito: “Qualquer que é nascido de Deus não vive na prática do pecado” (1 João 3:9). Isso não significa ausência de luta, mas uma nova direção, um novo princípio de vida. O crente pode cair, mas não vive deliberadamente no pecado sem arrependimento.

Aqui entra um ponto muito importante: a diferença entre luta e prática. Um verdadeiro crente pode lutar intensamente contra desejos e até falhar, mas há tristeza, arrependimento e busca por restauração. Já aquele que vive no pecado sem conflito interior demonstra não ter essa nova vida.

Além disso, Deus não deixa o crente sozinho nessa batalha. Em 1 Coríntios 10:13 está escrito que Deus não permite que sejamos tentados acima do que podemos suportar, mas dá também o escape. E esse escape muitas vezes envolve disciplina espiritual, vigilância, oração e ocupação com as coisas de Deus.

A própria Palavra mostra que o novo nascimento não elimina imediatamente a presença da natureza caída. Romanos 7 descreve esse conflito: “o bem que quero não faço, mas o mal que não quero esse faço”. Isso não é descrição de um incrédulo, mas da luta de alguém que já conhece a lei de Deus e deseja agradá-Lo.

Portanto, respondendo diretamente:

Não, a luta com desejos não anula o sacrifício de Cristo.

Não, isso por si só não prova que a pessoa não nasceu de novo.

Mas sim, revela a necessidade de vigilância, dependência de Deus e crescimento espiritual.

O sacrifício de Cristo é perfeito e suficiente. O novo nascimento traz uma nova vida, mas também uma batalha. E essa batalha é uma evidência de que há vida, pois onde não há vida, não há conflito.

Josué Matos

Então, quem peca constantemente não tem salvação, mesmo não sendo justificado pela lei como diz Gálatas 3?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

A paz, presbítero. Então, quem peca constantemente não tem salvação, mesmo não sendo justificado pela lei como diz Gálatas 3?

¹⁰ Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. ¹¹ E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta muito importante, porque toca no coração da doutrina da salvação e da vida prática do crente.

Primeiro, é necessário afirmar com clareza o ensino de Gálatas 3:10-11: ninguém é justificado pelas obras da lei. A lei exige perfeição absoluta: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas… para fazê-las”. Portanto, se alguém tenta ser aceito por Deus com base no seu comportamento, já está condenado, porque nenhum homem cumpre perfeitamente a lei.

Mas o mesmo texto afirma: “o justo viverá pela fé”. Aqui está o fundamento: a justificação é pela fé, não pelas obras.

Agora, surge a questão: se a salvação é pela fé, qual é o lugar do pecado na vida do crente?

A Palavra de Deus apresenta dois aspectos que precisam ser bem entendidos:

  1. A posição do salvo diante de Deus
    Quando alguém crê no Senhor Jesus Cristo, recebe perdão completo e é justificado. Romanos 5:1 diz: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus”. Essa justificação não depende da constância do crente, mas da obra perfeita de Cristo.

Também em João 5:24 lemos que aquele que crê “não entra em condenação, mas passou da morte para a vida”. Isso é definitivo.

  1. A prática de vida do salvo
    Aqui entra o ponto da sua pergunta.

1 João 3:9 diz: “Qualquer que é nascido de Deus não vive na prática do pecado”. E 1 João 5:18 afirma que aquele que é nascido de Deus não vive pecando deliberadamente.

Isso não significa que o crente nunca peca. A própria Escritura diz: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos” (1 João 1:8).

Mas há uma diferença fundamental entre:

  • cair em pecado (fraqueza, falha, luta)

  • viver no pecado (prática contínua, sem arrependimento)

A pessoa que vive constantemente no pecado, sem qualquer exercício de consciência, sem arrependimento, sem disciplina interior, demonstra que nunca nasceu de novo.

O novo nascimento produz uma nova natureza. Como está escrito: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). Essa nova vida não pode ter prazer contínuo no pecado.

Conforme já foi exposto em um dos textos doutrinários: o novo nascimento comunica uma nova vida ao homem, que passa a ter uma natureza que responde a Deus . Essa nova vida não é compatível com uma vida dominada pelo pecado.

  1. A relação entre graça e santidade
    A graça não é licença para pecar. Romanos 6:1-2 responde claramente: “Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum”.

A verdadeira fé salvadora não apenas justifica, mas transforma. Tito 2:11-12 diz que a graça “nos ensina a renunciar à impiedade”.

Portanto:

  • Quem confia na lei → está debaixo de maldição

  • Quem confia em Cristo → é justificado pela fé

  • Quem foi realmente salvo → não vive na prática contínua do pecado

  1. Conclusão clara
    Quem peca constantemente, vivendo no pecado sem arrependimento, não está salvo, não porque perdeu a salvação, mas porque nunca teve a vida de Deus.

Já o verdadeiro crente pode falhar, pode cair, mas não permanece no pecado, pois há nele uma nova vida que o leva ao arrependimento, à disciplina e à restauração.

Assim, Gálatas 3 ensina como somos justificados, e 1 João mostra a evidência dessa salvação na vida prática.

Josué Matos