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O arrebatamento é para nos livrar da ira de Deus no Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Pois é, pastor, continuamos a andar em círculos porque você, apesar de ser pastor, e eu não, continua sem perceber que o arrebatamento é para nos livrar da ira de Deus no Dia do Senhor, quando Jesus vier em chama de fogo para atribular aqueles que nos atribulam, e não para nos livrar de ver iníquo nenhum, como é o caso do homem do pecado, como está escrito em 2 Tessalonicenses, capítulo 2, versículos 1 a 3.

Se você continuar sem perceber uma coisa tão simples, então continue com esse seu ensino maravilhoso, que faz a delícia de muitos crentes.

Se você não acredita que o que Paulo escreve aos tessalonicenses, na segunda carta, no capítulo 1, versículos 7 e 8, é que o arrebatamento é no Dia do Senhor, então paciência, porque há muitos que percebem, como é o meu caso, embora eu não seja pastor.

Os tessalonicenses também perceberam assim e não precisaram ler outras cartas, como vocês fazem, como Zacarias e muito menos o livro do Apocalipse, até porque não o tinham.

Aqueles que escolheram Barrabás em vez de Jesus também não perceberam que o problema é o Dia do Senhor, e não os anticristos, como o imperador romano daquela época. E não venha fazer comparações entre o imperador romano e o Anticristo que ainda não se manifestou, como vocês tanto gostam de fazer.

Minha Resposta:

Antes de voltar ao assunto bíblico, gostaria de esclarecer algo que parece estar influenciando a maneira como o senhor interpreta minhas respostas.

Eu não sou pastor. Sou simplesmente um pecador que foi salvo pela graça de Deus, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo, quando tinha 18 anos de idade. Durante estes 39 anos de salvo, tenho procurado ler a Bíblia e estudá-la com dedicação. Só isso, nada mais.

Não precisamos ser pastores, padres, missionários ou possuir qualquer título religioso para adquirir conhecimento das Escrituras. Precisamos lê-las com humildade, dedicação e o desejo sincero de aprender a verdade nelas contida. O Espírito Santo, que inspirou as Escrituras, é o Mestre eficaz que ilumina o entendimento daqueles que desejam conhecer a Palavra de Deus.

O próprio Senhor Jesus declarou:

"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (João 14:26).

Embora essa promessa tenha sido dirigida inicialmente aos apóstolos, o Novo Testamento também ensina que o Espírito Santo habita em todos os verdadeiros salvos e atua no seu entendimento espiritual (1 Coríntios 2:12-14; 1 João 2:27).

Além disso, Paulo escreveu:

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15).

Portanto, não é necessário ser pastor para conhecer a Bíblia, assim como não basta ser pastor para interpretá-la corretamente. A autoridade está nas Escrituras, não no título de quem as explica.

Dito isso, gostaria de voltar à sua argumentação, pois tenho a impressão de que continuamos repetindo os mesmos pontos sem que as passagens anteriormente apresentadas estejam sendo examinadas em conjunto.

Não sei se o senhor tem lido integralmente minhas respostas e consultado as referências bíblicas indicadas. Espero sinceramente que sim, porque o objetivo não é vencer uma discussão, mas compreender aquilo que Deus revelou.

1. O senhor está confundindo o arrebatamento com a manifestação de Cristo em glória

O senhor insiste que Segunda Tessalonicenses 1:7-8 ensina que o arrebatamento acontecerá quando Jesus vier em chama de fogo para exercer juízo sobre os perseguidores dos cristãos.

Entretanto, peço que observe algo muito simples: onde, nesses dois versículos, Paulo descreve o arrebatamento?

Leia novamente:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo." (2 Tessalonicenses 1:7-8).

O texto descreve a manifestação pública do Senhor Jesus em glória e juízo.

Não menciona a ressurreição dos mortos em Cristo, a transformação dos salvos vivos, nem o encontro da Igreja com o Senhor nos ares.

Esses acontecimentos são descritos em outra passagem:

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:17).

Observe a diferença entre as duas descrições.

Em Primeira Tessalonicenses 4, Cristo vem buscar os que Lhe pertencem. O encontro acontece nos ares, e o resultado é a reunião dos salvos com o Senhor.

Em Segunda Tessalonicenses 1, Cristo é revelado em glória, acompanhado dos anjos do Seu poder, exercendo juízo sobre os que rejeitaram a Deus e o Evangelho.

O senhor está tratando essas duas descrições como se fossem necessariamente o mesmo acontecimento, mas isso é justamente o que precisaria demonstrar pelas Escrituras.

Não basta afirmar que são a mesma coisa. É necessário explicar por que Paulo apresenta características e propósitos diferentes.

2. O descanso prometido aos tessalonicenses não significa que o arrebatamento acontecerá naquele momento

Aqui está outro ponto importante.

O senhor interpreta a promessa de descanso, mencionada em Segunda Tessalonicenses 1:7, como se Paulo estivesse estabelecendo a data do arrebatamento.

Mas observe o contexto.

Nos versículos 4 e 5, Paulo fala da perseverança dos tessalonicenses em meio às perseguições. No versículo 6, declara que Deus retribuirá com tribulação aos que os atribulam. Nos versículos 7 a 10, apresenta a futura manifestação de Cristo, quando a justiça divina será publicamente exercida.

O assunto principal é a justa retribuição de Deus.

Paulo está assegurando aos cristãos perseguidos que seus sofrimentos não serão esquecidos e que os seus perseguidores não ficarão impunes.

O descanso dos salvos e o juízo dos perseguidores são apresentados em contraste.

Isso não significa que os cristãos precisarão permanecer na Terra até a manifestação de Cristo em glória para somente então serem reunidos com Ele.

Aliás, o próprio Paulo escreveu:

"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho." (Filipenses 1:21).

E acrescentou que desejava partir e estar com Cristo, porque isso era muito melhor (Filipenses 1:23).

Portanto, o descanso do cristão não depende de ele permanecer vivo até o dia em que Cristo exercerá juízo sobre o mundo.

Segunda Tessalonicenses 1 apresenta a manifestação pública da justiça de Deus. Não é uma exposição da ordem dos acontecimentos relacionados ao arrebatamento.

3. Segunda Tessalonicenses 2:1-3 não ensina que a Igreja precisa ver o homem do pecado

O senhor volta a mencionar os três primeiros versículos do capítulo 2, mas continua sem considerar a distinção que Paulo estabelece logo no início.

Leia atentamente:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).

Algumas traduções apresentam corretamente, conforme o texto grego adotado nas edições críticas, a expressão "Dia do Senhor", e outras trazem "Dia de Cristo". A questão central, porém, permanece: Paulo estava corrigindo a falsa informação de que aquele dia já havia chegado.

Observe que ele menciona nossa reunião com Cristo no versículo 1 e, em seguida, trata da perturbação relacionada ao Dia do Senhor.

O problema não era uma suposta carta falsa dizendo que o arrebatamento já havia acontecido. A informação enganosa dizia respeito ao Dia do Senhor.

É precisamente por isso que Paulo menciona, no versículo 3, a apostasia e a manifestação do homem do pecado.

Ele estava demonstrando que os acontecimentos proféticos relacionados àquele período de juízo não correspondiam à situação em que os tessalonicenses se encontravam.

O texto não diz:

"A Igreja somente será arrebatada depois que todos os cristãos virem o homem do pecado."

Essa afirmação não aparece na passagem.

O senhor está transformando os acontecimentos mencionados em relação ao Dia do Senhor em condições obrigatórias para o arrebatamento da Igreja.

Na compreensão pré-tribulacional que venho apresentando, são acontecimentos distintos dentro do mesmo programa profético da vinda de Cristo.

A Igreja aguarda o Senhor; o mundo caminha para o Dia do Senhor e seus juízos.

4. O próprio Paulo ensinou que os salvos não estão destinados à ira

O senhor afirmou que o arrebatamento é para nos livrar da ira de Deus.

Nesse ponto, concordamos plenamente.

A divergência está em sua conclusão de que, por esse motivo, o arrebatamento necessariamente acontecerá na manifestação de Cristo em chama de fogo.

Paulo escreveu:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:9).

Anteriormente, havia declarado que os tessalonicenses aguardavam dos céus o Filho de Deus, Jesus, que nos livra da ira futura (1 Tessalonicenses 1:10).

A promessa de livramento não exige que a Igreja permaneça na Terra até o momento em que Cristo vier executar publicamente o juízo.

Pelo contrário, entendemos que o arrebatamento é justamente o acontecimento pelo qual o Senhor retirará a Sua Igreja antes do período da ira divina.

Também precisamos distinguir duas coisas que o senhor continua relacionando como se fossem idênticas: a perseguição sofrida pelos cristãos e a ira de Deus sobre o mundo.

Os tessalonicenses estavam sendo perseguidos por homens ímpios. Isso não significa que estivessem experimentando os juízos proféticos do Dia do Senhor.

O Senhor Jesus declarou:

"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." (João 16:33).

Os cristãos sempre estiveram sujeitos a perseguições. Entretanto, a perseguição promovida pelos homens contra os salvos não deve ser confundida com a ira que Deus derramará sobre o mundo incrédulo.

5. Por que devemos consultar outras passagens bíblicas?

O senhor também afirmou que os tessalonicenses não precisaram ler Zacarias nem Apocalipse para compreender o assunto.

Permita-me fazer uma observação.

O livro de Zacarias já existia havia séculos quando Paulo escreveu aos tessalonicenses. O livro de Apocalipse, por sua vez, ainda não havia sido escrito, conforme a datação tradicionalmente aceita.

Mas há outro detalhe: os tessalonicenses receberam pessoalmente ensinamentos do apóstolo Paulo que não estão integralmente registrados nas duas epístolas.

Ele mesmo declarou:

"Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco?" (2 Tessalonicenses 2:5).

Portanto, não podemos presumir que tudo o que aqueles cristãos sabiam sobre os acontecimentos futuros estava limitado às palavras que hoje encontramos nessas duas cartas.

Além disso, nós temos a revelação bíblica completa e devemos examiná-la em conjunto.

O senhor parece considerar inadequado consultar outros livros da Bíblia para compreender determinado assunto. Entretanto, esse procedimento contraria o próprio princípio de interpretação das Escrituras.

Paulo escreveu:

"Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça." (2 Timóteo 3:16).

Se Deus revelou informações sobre determinado assunto em diferentes livros, por que deveríamos ignorá-las?

Primeira Tessalonicenses 4 apresenta o arrebatamento; Primeira Coríntios 15 explica a transformação dos salvos; Segunda Tessalonicenses 2 trata do engano relacionado ao Dia do Senhor; Zacarias 14 descreve acontecimentos relacionados à manifestação do Messias; e Apocalipse desenvolve os juízos futuros e a manifestação gloriosa de Cristo.

Não estamos acrescentando acontecimentos à Bíblia. Estamos procurando compreender o conjunto da revelação divina.

Uma passagem não deve ser utilizada para anular outra.

6. Sobre Barrabás, o imperador romano e o Anticristo

Sinceramente, não consigo perceber como a escolha de Barrabás pela multidão, mencionada em Mateus 27:15-26, demonstra que o arrebatamento ocorrerá durante a manifestação de Cristo em glória.

São assuntos distintos.

Também não estou afirmando que o imperador romano daquela época fosse o homem do pecado descrito por Paulo.

O homem do pecado, apresentado em Segunda Tessalonicenses 2:3-4, é uma figura profética futura, cuja manifestação está relacionada aos acontecimentos finais.

O texto declara que ele se levantará contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, chegando ao ponto de se apresentar como Deus.

Não devemos confundir essa figura com qualquer perseguidor histórico da Igreja, embora ao longo dos séculos tenham existido muitos homens com características de oposição a Cristo.

João, inclusive, escreveu que muitos anticristos já haviam surgido (1 João 2:18), sem que isso eliminasse a expectativa relacionada ao Anticristo.

Entretanto, volto ao ponto central: a existência futura do homem do pecado não significa que a Igreja tenha recebido a ordem de aguardar a sua manifestação antes de encontrar o Senhor Jesus.

A esperança apresentada aos salvos é Cristo, não o Anticristo.

7. Uma última consideração

Prezado, permita-me encerrar com uma observação pessoal.

Já procurei responder às suas perguntas em diferentes ocasiões, apresentando as passagens bíblicas e explicando o contexto de cada uma delas. Entretanto, percebo que continuamos retornando às mesmas afirmações, sem que os argumentos anteriormente apresentados sejam efetivamente examinados.

O senhor tem todo o direito de discordar de minha compreensão das profecias. Não pretendo exigir que aceite minhas conclusões simplesmente porque as apresentei.

Da mesma maneira, o fato de o senhor afirmar que compreendeu algo não significa, por si só, que a sua interpretação esteja correta.

O critério deve ser sempre a Palavra de Deus.

Os cristãos de Bereia foram elogiados porque receberam a Palavra com prontidão, mas examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que ouviam correspondia à verdade (Atos 17:11).

É essa atitude que desejo para mim e recomendo a todos os que acompanham meus estudos.

Não tenho interesse em alimentar discussões intermináveis, muito menos em transformar uma questão doutrinária numa disputa pessoal sobre quem sabe mais ou quem entende menos.

A Bíblia não foi dada para demonstrarmos superioridade intelectual ou religiosa, mas para conhecermos a Deus, Sua vontade e Seus propósitos.

Por isso, deixo-lhe três perguntas para reflexão:

  1. Se Primeira Tessalonicenses 4:13-18 e Segunda Tessalonicenses 1:7-10 descrevem exatamente o mesmo acontecimento, por que uma passagem apresenta o encontro dos salvos com Cristo nos ares e a outra descreve a manifestação pública do Senhor em juízo sobre os ímpios?

  2. Onde Segunda Tessalonicenses 2:1-3 afirma expressamente que a Igreja deverá presenciar a manifestação do homem do pecado antes de ser arrebatada?

  3. Se os tessalonicenses deveriam aguardar primeiramente o aparecimento do homem do pecado, por que Paulo os descreveu como pessoas que aguardavam dos céus o Filho de Deus (1 Tessalonicenses 1:9-10)?

Não é necessário responder imediatamente. Minha sugestão é que leia novamente as duas epístolas completas, observando a sequência dos assuntos e distinguindo aquilo que Paulo realmente escreveu das conclusões que podemos estar acrescentando ao texto.

Quanto a mim, continuo aguardando o Senhor Jesus Cristo, conforme Sua promessa:

"Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." (João 14:3).

Que essa seja a nossa esperança e que o estudo da Palavra de Deus produza em nós não apenas conhecimento, mas também humildade, reverência e amor pela verdade.

Josué Matos

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O arrebatamento não tem nada a ver com o Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O que eu disse é que Cristo já veio uma vez, quando foi morto e crucificado, e virá outra vez em juízo, no Dia do Senhor. Paulo não ensinou nenhuma vinda secreta.

Quando Paulo escreve aos tessalonicenses, que aguardavam o arrebatamento a qualquer momento para terem descanso das tribulações que sofriam, dizendo que o descanso é quando Jesus vier em chama de fogo, e alguém afirma que o arrebatamento não tem nada a ver com o Dia do Senhor, então essa afirmação só dá vontade de rir, porque quem afirma isso só mostra que não percebeu nada do que Paulo escreveu aos tessalonicenses.

Minha Resposta:

Vou ser mais direto nesta resposta, porque percebo que estamos chegando a um ponto em que a discussão deixou de avançar. Você continua repetindo praticamente os mesmos argumentos, mesmo depois de eu ter apresentado explicações detalhadas, acompanhadas de diversas passagens bíblicas.

Repetir uma afirmação não a transforma em verdade. Também não basta dizer que o outro não compreendeu o apóstolo Paulo ou que determinada interpretação dá vontade de rir. Isso não é argumentação bíblica.

Se deseja contrariar aquilo que escrevi, apresente os versículos que demonstram onde a minha explicação está errada. Examine os textos que citei, considere o contexto e procure responder aos argumentos apresentados.

Até agora, você tem insistido na mesma conclusão sem enfrentar adequadamente as passagens bíblicas utilizadas nas minhas respostas.

Essa maneira de proceder acaba se parecendo com a atitude de um papagaio, que repete aquilo que aprendeu sem necessariamente analisar o conteúdo do que está dizendo. É também uma característica frequentemente encontrada no sectarismo religioso: repetir continuamente uma interpretação previamente estabelecida, sem disposição para examinar seriamente os textos que possam contrariá-la.

Não estou afirmando que você pertença a alguma seita, mas advertindo sobre um comportamento que não contribui para o conhecimento das Escrituras.

Em Atos dos Apóstolos 17:11, os bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo lhes anunciava era verdadeiro.

Observe que eles não aceitaram um ensinamento simplesmente porque Paulo o apresentou. Examinaram as Escrituras.

É esse o procedimento que espero nesta conversa.

Agora, vamos novamente ao texto bíblico.

1. Você está confundindo a primeira vinda de Cristo com os diferentes acontecimentos relacionados à Sua segunda vinda

Você escreveu:

"Cristo já veio uma vez, quando foi morto e crucificado, e virá outra vez em juízo, no Dia do Senhor."

Concordo que Cristo veio uma primeira vez e que voltará. Entretanto, ninguém está defendendo três vindas de Cristo.

A distinção entre o arrebatamento e a manifestação em glória não significa afirmar que Cristo terá três encarnações ou três vindas independentes.

Estamos tratando de acontecimentos distintos relacionados ao Seu retorno.

Na primeira vinda, Cristo veio ao mundo, nasceu de mulher, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia (Gálatas 4:4; 1 Coríntios 15:3-4).

Quanto ao futuro, as Escrituras apresentam diferentes aspectos do Seu retorno.

Em 1 Tessalonicenses 4:16-17, Cristo desce do céu e os salvos são arrebatados para encontrá-Lo nos ares.

Em Apocalipse 19:11-16, Cristo aparece em glória, vindo para julgar e guerrear.

Em Colossenses 3:4, encontramos uma informação adicional:

"Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória."

Observe cuidadosamente: quando Cristo Se manifestar em glória, os salvos também serão manifestados com Ele.

Portanto, a pergunta que você precisa responder é esta:

Se a Igreja somente será arrebatada no momento em que Cristo Se manifestar em glória, como explicar que ela já aparece associada a Ele nessa manifestação?

Essa distinção não deve ser descartada simplesmente porque você prefere considerar todos os acontecimentos como um único evento simultâneo.

2. Paulo não ensinou uma vinda secreta? Então responda ao que ele realmente escreveu

Você insiste na expressão "vinda secreta", embora eu não tenha fundamentado minha explicação nessa expressão.

O arrebatamento não depende da afirmação de que ninguém ouvirá absolutamente nada ou de que o acontecimento será invisível.

Aliás, 1 Tessalonicenses 4:16 menciona alarido, voz de arcanjo e trombeta de Deus.

Portanto, não estou defendendo a ausência de manifestações audíveis.

O que afirmo é que o arrebatamento da Igreja e a manifestação pública de Cristo em juízo possuem características e propósitos distintos.

Compare os textos:

Em 1 Tessalonicenses 4:17, os salvos são arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.

Em Zacarias 14:4, os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras.

Em João 14:3, Cristo promete receber os Seus para Si mesmo, a fim de que estejam onde Ele está.

Em Apocalipse 19:11-21, Cristo aparece como Juiz e Guerreiro, executando juízo sobre os Seus inimigos.

Em 1 Coríntios 15:51-52, Paulo apresenta o mistério da transformação dos salvos, que acontecerá num momento, num abrir e fechar de olhos.

Em Apocalipse 19, encontramos a manifestação pública do Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Você pode discordar da interpretação pré-tribulacional, mas precisa demonstrar biblicamente por que esses acontecimentos devem ser considerados necessariamente simultâneos.

A simples afirmação de que Paulo não ensinou uma vinda secreta não responde a essa questão.

3. O descanso mencionado em 2 Tessalonicenses 1 não determina a data do arrebatamento

Este parece ser o principal argumento que você continua repetindo.

Paulo escreveu:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo." (2 Tessalonicenses 1:7-8).

Você conclui que, porque Paulo relaciona o descanso dos santos à manifestação de Cristo em glória, o arrebatamento obrigatoriamente acontecerá naquele mesmo momento.

Entretanto, essa conclusão não decorre necessariamente do texto.

Primeiro, observe o assunto desenvolvido por Paulo.

Nos versículos 4 e 5, ele menciona as perseguições e aflições suportadas pelos tessalonicenses.

No versículo 6, declara que Deus recompensará com tribulação aqueles que os atribulam.

Nos versículos 7 a 10, apresenta a futura manifestação pública de Cristo, quando a justiça divina será executada e Ele será glorificado nos Seus santos.

O contraste é entre a condição presente dos perseguidos e a futura intervenção de Deus em justiça.

Paulo está assegurando que os perseguidores não permanecerão impunes e que os salvos participarão do triunfo de Cristo.

O texto não apresenta a sequência detalhada dos acontecimentos relacionados ao arrebatamento da Igreja.

Mais importante ainda: Paulo não afirma em 2 Tessalonicenses 1:7 que os mortos em Cristo ressuscitarão naquele momento, nem descreve a transformação dos vivos ou o encontro da Igreja com Cristo nos ares.

Esses detalhes são apresentados em 1 Tessalonicenses 4:13-18.

Você está utilizando uma passagem que trata da manifestação de Cristo em juízo para estabelecer uma cronologia que ela própria não apresenta.

Há uma diferença entre afirmar que os salvos terão descanso quando Cristo Se manifestar e afirmar que eles somente poderão receber descanso naquele exato momento.

O segundo enunciado não é uma consequência obrigatória do primeiro.

Considere também Apocalipse 14:13:

"Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam."

Os salvos que morrem em Cristo já desfrutam de descanso, embora a manifestação pública do Senhor ainda seja futura.

Portanto, o descanso dos salvos não precisa ser limitado a um único instante profético.

4. Você ainda não respondeu à distinção que Paulo estabelece entre a tribulação presente e a ira futura

Este é outro ponto que precisa ser enfrentado.

Em 1 Tessalonicenses 3:3-4, Paulo explica que os cristãos estavam destinados a enfrentar tribulações.

Entretanto, em 1 Tessalonicenses 1:10, afirma que aguardavam dos céus o Filho de Deus, Jesus, que os livra da ira futura.

E acrescenta:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:9).

A pergunta é simples: as perseguições sofridas pelos tessalonicenses eram a ira divina anunciada para o futuro?

Evidentemente que não.

Eles estavam sofrendo nas mãos dos homens, não experimentando os juízos escatológicos de Deus.

O próprio Paulo faz essa distinção em 2 Tessalonicenses 1:6, ao explicar que Deus futuramente retribuirá com tribulação aqueles que agora atribulam os Seus servos.

A tribulação presente dos cristãos e a futura intervenção de Deus em juízo não são acontecimentos idênticos.

Na interpretação pré-tribulacional, essa distinção é fundamental para compreender a promessa de livramento da ira futura.

Você pode procurar contrariar essa interpretação, mas precisa fazê-lo examinando os textos, e não simplesmente repetindo que os tessalonicenses estavam sofrendo perseguições.

Isso já foi reconhecido e explicado nas respostas anteriores.

5. O que Paulo realmente estava corrigindo em 2 Tessalonicenses 2?

Voltemos ao centro da discussão.

Paulo escreveu:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).

É importante observar que, conforme a tradição textual seguida por diversas traduções modernas, a expressão no final do versículo 2 é "Dia do Senhor", e o sentido da advertência é que aquele dia já estivesse presente.

Os tessalonicenses estavam sendo perturbados por um ensinamento equivocado.

Paulo menciona duas questões que precisam ser consideradas cuidadosamente:

  • A vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com Ele.
  • O Dia do Senhor, acerca do qual estavam recebendo informações falsas.

O apóstolo não estava ensinando que as perseguições enfrentadas pelos cristãos constituíam prova de que o arrebatamento estava acontecendo.

Pelo contrário, procurava corrigir a falsa compreensão de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Em seguida, menciona a apostasia e a manifestação do homem do pecado como acontecimentos relacionados àquele período profético.

Na compreensão pré-tribulacional, esses acontecimentos não são apresentados como condições que a Igreja precisa presenciar antes de encontrar Cristo nos ares.

Você afirmou anteriormente que os tessalonicenses poderiam ter certeza de que o arrebatamento não havia acontecido porque o homem do pecado ainda não tinha aparecido.

Mas onde Paulo escreveu exatamente isso?

Mostre o versículo em que ele afirma que a Igreja precisa reconhecer o homem do pecado antes de ser arrebatada.

Não basta citar 2 Tessalonicenses 2:3. É necessário demonstrar que a condição mencionada naquele versículo se refere ao arrebatamento, e não ao Dia do Senhor, que é o assunto da perturbação apresentada no versículo anterior.

Essa é precisamente a distinção que você continua deixando de examinar.

6. A esperança da Igreja é Cristo, não a manifestação do homem do pecado

Paulo escreveu aos filipenses:

"Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso." (Filipenses 3:20-21).

Observe o objeto da esperança cristã: o Salvador.

Não encontramos aqui uma orientação para aguardar primeiramente o aparecimento do homem do pecado.

Em 1 Tessalonicenses 1:10, os cristãos aguardavam dos céus o Filho de Deus.

Em 1 Coríntios 1:7, aguardavam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.

Em Tito 2:13, Paulo apresenta a bem-aventurada esperança.

E em 1 Tessalonicenses 4:18, depois de explicar o arrebatamento, conclui:

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."

É particularmente significativo que Paulo tenha apresentado o encontro com Cristo como motivo de consolação, sem estabelecer naquele capítulo uma lista de acontecimentos proféticos que precisariam ser identificados antes.

Na interpretação pré-tribulacional, a Igreja aguarda o próprio Senhor, enquanto os acontecimentos relacionados ao Dia do Senhor possuem sua ordem profética específica.

7. Agora, em vez de repetir a mesma afirmação, responda biblicamente

José, quero concluir deixando algumas perguntas objetivas.

Não peço que concorde comigo simplesmente porque escrevi uma explicação extensa. Peço que examine as Escrituras e responda aos argumentos apresentados.

  1. Onde Paulo afirma que a Igreja precisa ver o homem do pecado antes de ser arrebatada?

  2. Se 1 Tessalonicenses 4:16-17 e Apocalipse 19:11-21 descrevem exatamente o mesmo acontecimento, por que no primeiro os salvos sobem para encontrar Cristo nos ares e, no segundo, Cristo aparece em glória para executar juízo?

  3. Se o descanso de 2 Tessalonicenses 1:7 significa obrigatoriamente que o arrebatamento ocorrerá naquele exato momento, como você harmoniza essa conclusão com o descanso já desfrutado pelos salvos que morrem no Senhor, conforme Apocalipse 14:13?

  4. Como você distingue as perseguições que os cristãos estavam sofrendo da ira futura da qual Cristo promete livrar os Seus, conforme 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9?

  5. Se Paulo ensinava que os tessalonicenses deveriam aguardar determinados sinais antes de encontrar Cristo, por que, ao apresentar especificamente o arrebatamento em 1 Tessalonicenses 4:13-18, ele não estabelece esses sinais como condições prévias?

Essas perguntas precisam de respostas fundamentadas nas Escrituras.

E, por favor, não responda novamente apenas dizendo que Paulo ensinou que o descanso virá quando Cristo aparecer em chama de fogo. Já examinei essa passagem e expliquei por que ela não estabelece, por si só, a cronologia que você pretende defender.

Se considera minha explicação incorreta, mostre onde está o erro mediante a exposição bíblica.

Consideração final

Existe uma diferença muito grande entre estudar as Escrituras para descobrir o que elas ensinam e procurar continuamente argumentos para defender uma conclusão da qual não estamos dispostos a abrir mão.

Todos nós precisamos ter cuidado com isso.

O apóstolo Paulo escreveu:

"Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21).

Não disse para repetirmos tudo aquilo que aprendemos sem verificar se corresponde à verdade.

Também escreveu:

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15).

Manejar bem a Palavra exige respeitar o contexto, distinguir os assuntos tratados e considerar todas as passagens relacionadas a determinada doutrina.

Você tem todo o direito de discordar da interpretação pré-tribulacional. Entretanto, discordar não é o mesmo que refutar.

E rir de uma explicação bíblica não constitui argumento teológico.

Se deseja continuar esta conversa, apresente algo novo: uma análise contextual dos versículos que citei, uma demonstração bíblica de que minhas conclusões estão equivocadas ou uma explicação que responda diretamente às perguntas apresentadas.

Caso contrário, estaremos apenas andando em círculos.

Não pretendo transformar esta discussão numa sequência interminável de respostas ao mesmo argumento. A finalidade destes estudos é compreender e expor fielmente a Palavra de Deus, não vencer uma disputa pessoal.

Que as Escrituras tenham a última palavra, e não as nossas preferências doutrinárias.

Josué Matos

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E sobre o jejum?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

E sobre o jejum?

Minha Resposta:

O jejum é uma prática encontrada tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Entretanto, precisamos compreender seu verdadeiro significado, sua finalidade espiritual e, principalmente, se existe algum mandamento que obrigue os cristãos a jejuar nos dias atuais.

A resposta bíblica é que o jejum é uma prática legítima, que pode acompanhar a oração e a busca pela direção de Deus, mas não constitui uma obrigação imposta à Igreja, tampouco um meio de alcançar méritos diante de Deus.

Vamos considerar algumas passagens das Escrituras.

1. O jejum no Antigo Testamento

No Antigo Testamento, o jejum estava frequentemente associado à humilhação diante de Deus, ao arrependimento, à tristeza e à busca pela orientação divina.

Encontramos diversos exemplos:

  • Moisés jejuou durante quarenta dias e quarenta noites na presença do Senhor (Êxodo 34:28).
  • Davi jejuou enquanto buscava a misericórdia de Deus pela vida de seu filho (2 Samuel 12:16).
  • Esdras proclamou um jejum para que o povo se humilhasse diante de Deus e buscasse um caminho seguro (Esdras 8:21-23).
  • Os habitantes de Nínive proclamaram um jejum como expressão de arrependimento diante da mensagem anunciada por Jonas (Jonas 3:5-10).

Entretanto, Deus deixou claro que a simples abstinência de alimentos não possuía valor espiritual quando o coração permanecia distante Dele.

Em Isaías 58:3-7, o Senhor repreendeu aqueles que jejuavam exteriormente, mas continuavam praticando injustiças, contendas e opressões.

Isso nos ensina que o jejum nunca deveria ser considerado um ritual capaz de substituir a obediência à Palavra de Deus.

2. O que o Senhor Jesus ensinou sobre o jejum?

Em Mateus 6:16-18, o Senhor Jesus ensinou:

"Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam."

Observe que o Senhor não condenou o jejum. Sua repreensão foi dirigida àqueles que utilizavam essa prática para demonstrar uma espiritualidade que desejavam exibir publicamente.

Os fariseus transformavam o jejum numa demonstração exterior de religiosidade. Segundo Lucas 18:12, alguns se orgulhavam de jejuar duas vezes por semana.

O Senhor Jesus ensinou justamente o contrário: aquele que jejua deve fazê-lo diante de Deus, sem procurar reconhecimento humano.

Portanto, o valor do jejum não está na quantidade de horas sem comer, mas na sinceridade do coração diante do Senhor.

3. Por que os discípulos não jejuavam enquanto Jesus estava com eles?

Encontramos uma passagem particularmente importante em Mateus 9:14-15.

Os discípulos de João Batista perguntaram ao Senhor Jesus por que eles e os fariseus jejuavam frequentemente, enquanto os discípulos de Jesus não jejuavam.

O Senhor respondeu:

"Podem, porventura, andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão."

O Senhor apresentou a Si mesmo como o Esposo. Enquanto estava fisicamente com os discípulos, Sua presença era motivo de alegria.

Entretanto, chegaria o momento em que Ele lhes seria tirado.

É importante observar que Jesus não estabeleceu nessa passagem um calendário religioso, uma quantidade obrigatória de dias ou uma frequência semanal de jejum.

Ele simplesmente mostrou que haveria circunstâncias nas quais Seus discípulos jejuariam.

4. A Igreja primitiva praticava o jejum?

Sim. O livro de Atos dos Apóstolos apresenta dois exemplos particularmente esclarecedores.

Em Atos 13:2-3, encontramos os cristãos reunidos em Antioquia servindo ao Senhor e jejuando. Foi naquela ocasião que o Espírito Santo indicou Barnabé e Saulo para a obra à qual os havia chamado.

Depois disso, os cristãos jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, despedindo-os.

Outro exemplo aparece em Atos 14:23:

"E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido."

Essas passagens demonstram que o jejum era praticado pelos primeiros cristãos, especialmente em circunstâncias relacionadas à oração, à dependência de Deus e a decisões importantes no serviço cristão.

Entretanto, precisamos distinguir entre uma prática registrada nas Escrituras e um mandamento universal dirigido a todos os cristãos.

O Novo Testamento não estabelece que todo crente deva jejuar determinado número de vezes por semana, nem determina períodos obrigatórios de abstinência alimentar para a Igreja.

5. O jejum torna nossa oração mais poderosa?

Aqui precisamos ter bastante cuidado com alguns ensinamentos populares.

Há quem afirme que determinadas respostas de Deus somente podem ser alcançadas mediante jejuns prolongados, ou que quanto maior o sacrifício físico, maior será o poder espiritual recebido.

Entretanto, não encontramos nas epístolas um ensino que apresente o jejum como uma espécie de instrumento para obrigar Deus a atender às nossas petições.

Nossa aproximação de Deus está fundamentada na pessoa e na obra do Senhor Jesus Cristo, e não em nossos sacrifícios pessoais.

Hebreus 4:16 declara:

"Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."

Observe que o convite é para nos aproximarmos com confiança, fundamentados na graça divina.

O jejum pode acompanhar um período especial de oração, mas não torna Deus mais disposto a ouvir Seus filhos, como se Sua bondade dependesse da quantidade de refeições que deixamos de fazer.

Também não devemos confundir disciplina espiritual com poder espiritual. O poder pertence a Deus, e o cristão depende continuamente do Espírito Santo.

6. O cristão que não jejua está em pecado?

Não podemos afirmar isso.

Não existe nas epístolas dirigidas à Igreja um mandamento que estabeleça o jejum como uma obrigação periódica para todos os salvos.

Diferentemente da oração, sobre a qual encontramos uma exortação expressa em 1 Tessalonicenses 5:17 — "Orai sem cessar" —, não encontramos uma determinação equivalente ordenando que todos os cristãos jejuem continuamente ou em dias específicos.

Portanto, não seria correto transformar uma prática voluntária numa lei espiritual.

O cristão pode sentir a necessidade de separar determinado período para oração e jejum, especialmente diante de alguma circunstância que o leve a buscar a direção do Senhor com maior dedicação.

Contudo, isso deve acontecer de maneira sincera, sem imposições humanas e sem considerar espiritualmente inferiores aqueles que não adotam a mesma prática.

Também é importante lembrar que o jejum não é uma competição espiritual. Pessoas com limitações de saúde, necessidades alimentares específicas ou que dependem de medicamentos não devem ser constrangidas a comprometer sua saúde para demonstrar espiritualidade.

Deus conhece o coração e as circunstâncias de cada pessoa.

7. O verdadeiro jejum não substitui uma vida de comunhão com Deus

Um cristão pode permanecer muitas horas sem se alimentar e, ainda assim, continuar distante de Deus em seus pensamentos e atitudes.

Por outro lado, alguém pode desfrutar de profunda comunhão com o Senhor sem estar praticando um jejum alimentar.

A verdadeira espiritualidade não se mede pelo sofrimento físico, mas pela obediência à Palavra de Deus, pela dependência do Espírito Santo e pela manifestação do caráter de Cristo em nossa vida.

Em Colossenses 2:20-23, o apóstolo Paulo adverte contra práticas religiosas baseadas em proibições humanas e no rigor para com o corpo, mostrando que tais exercícios, por si mesmos, não possuem poder para vencer os desejos da carne.

Isso não significa que toda abstinência voluntária seja errada. Significa que não devemos atribuir ao sofrimento físico uma capacidade espiritual que as Escrituras não lhe conferem.

O jejum não santifica automaticamente uma pessoa. A santificação está relacionada à ação de Deus em nossa vida, mediante Sua Palavra e o Espírito Santo (João 17:17; 2 Tessalonicenses 2:13).

Conclusão

O jejum é uma prática bíblica legítima, mas não é uma condição para a salvação, não constitui uma obrigação periódica para a Igreja e não deve ser utilizado como instrumento de demonstração pública de espiritualidade.

Quando praticado, deve acompanhar uma atitude sincera de oração, humilhação e dependência de Deus.

Não devemos condenar quem jejua, nem acusar de desobediência aquele que não jejua.

O importante é compreender que nossa comunhão com Deus não depende de rituais exteriores, mas de nosso relacionamento com Ele por meio do Senhor Jesus Cristo.

O cristão não precisa passar fome para convencer Deus a ouvi-lo. Ele já possui, em Cristo, livre acesso ao Pai (Efésios 2:18).

O jejum pode ser uma expressão de nossa dedicação a Deus, mas jamais deve ocupar o lugar daquilo que é verdadeiramente essencial: a fé, a obediência, a oração e a comunhão diária com o Senhor.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Gostaria de saber se existe algum curso ou uma espécie de “teologia”, pois quero me aprofundar na pregação, assim como os irmãos mais experientes.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa noite! Gostaria de tirar uma dúvida. Estou congregando em uma assembleia, mas gostaria de saber se existe algum curso ou uma espécie de “teologia”, pois quero me aprofundar na pregação, assim como os irmãos mais experientes. Desde já, agradeço!

Minha Resposta:

Primeiramente, fico contente em saber do seu desejo de aprofundar-se no conhecimento das Escrituras e desenvolver-se no ministério da Palavra de Deus. Esse é um desejo muito importante, especialmente quando nasce de um coração que procura conhecer melhor o Senhor Jesus Cristo e ser útil na Sua obra.

Quanto à sua pergunta, existem, sim, cursos bíblicos, estudos sistemáticos e excelentes materiais que podem ajudá-lo a adquirir um conhecimento mais profundo das Escrituras. Entretanto, gostaria de compartilhar algumas considerações bíblicas que considero fundamentais, especialmente para alguém que está congregando em uma assembleia de cristãos reunidos ao nome do Senhor Jesus.

1. A formação de um pregador começa com a Palavra de Deus

O primeiro aspecto que precisamos compreender é que, nas Escrituras, a preparação de alguém para o ministério da Palavra não está necessariamente vinculada à formação acadêmica ou à obtenção de um diploma de teologia.

Observe o conselho que o apóstolo Paulo deu ao jovem Timóteo:

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2 Timóteo 2:15).

Observe que Paulo não disse a Timóteo que procurasse primeiramente a aprovação dos homens, mas a aprovação de Deus. Também destacou a necessidade de manejar corretamente a Palavra da verdade.

Isso exige dedicação, disciplina, leitura, meditação, oração e perseverança.

Um bom pregador não é necessariamente aquele que consegue falar durante uma hora, que possui um vocabulário sofisticado ou que impressiona os ouvintes com seus conhecimentos. É aquele que consegue transmitir fielmente aquilo que Deus revelou em Sua Palavra.

2. A importância de aprender com os irmãos mais experientes

Você mencionou que deseja aprofundar-se na pregação, assim como os irmãos mais experientes. Isso é muito bom, pois uma das maneiras pelas quais Deus prepara Seus servos é justamente por meio do convívio e do aprendizado com aqueles que já possuem experiência no ministério.

Veja o exemplo de Timóteo, que acompanhou o apóstolo Paulo e recebeu dele instruções preciosas.

Em 2 Timóteo 2:2, Paulo escreveu:

"E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros."

Temos aqui um princípio maravilhoso: a transmissão fiel da verdade bíblica de uma geração para outra.

Minha sugestão é que procure aproximar-se dos irmãos mais experientes da assembleia onde você congrega. Converse com eles, peça orientações sobre como estudar determinados livros da Bíblia e, se possível, solicite que algum deles o acompanhe em seus estudos.

Também é muito proveitoso observar como esses irmãos desenvolvem uma mensagem: como apresentam o contexto bíblico, explicam determinada passagem, relacionam outros textos das Escrituras e fazem a aplicação prática para os ouvintes.

Entretanto, lembre-se de que não devemos procurar imitar a personalidade ou a maneira de falar de determinado pregador. Cada servo possui características próprias, e é o Senhor quem concede os dons espirituais.

3. O dom espiritual e a preparação pessoal

Existe outro aspecto muito importante.

A Bíblia ensina que os dons espirituais são concedidos pelo Espírito Santo, conforme a Sua vontade.

Em 1 Coríntios 12:11, lemos:

"Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer."

Isso significa que nenhum curso de teologia, por melhor que seja, pode conceder a alguém o dom de ensinar ou pregar.

O dom procede de Deus. Entretanto, aquele que recebeu determinado dom tem a responsabilidade de desenvolvê-lo mediante o exercício, o estudo e a dependência do Senhor.

O próprio Paulo aconselhou Timóteo:

"Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos" (1 Timóteo 4:15).

Observe a expressão: "para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos".

O crescimento espiritual e o desenvolvimento no ministério devem tornar-se evidentes ao longo do tempo.

Por isso, não tenha pressa em ocupar uma posição pública. Dedique-se primeiramente a conhecer as Escrituras, crescer espiritualmente e servir ao Senhor nas oportunidades que Ele colocar diante de você.

4. Como começar um estudo bíblico mais aprofundado?

Gostaria de sugerir um caminho bastante prático para seus estudos.

  1. Comece estudando sistematicamente os livros da Bíblia, procurando compreender o assunto principal de cada livro, seu contexto histórico, seu propósito e seus ensinamentos.

  2. Dedique atenção especial às epístolas do Novo Testamento, pois nelas encontramos instruções fundamentais sobre a doutrina cristã, a Igreja, a vida espiritual e o funcionamento das assembleias locais.

  3. Estude as principais doutrinas bíblicas, como a pessoa e a obra de Cristo, a salvação, a justificação, a santificação, a Igreja como Corpo de Cristo, a igreja local, os dons espirituais e os acontecimentos proféticos.

  4. Procure compreender a diferença entre Israel e a Igreja, bem como as diferentes maneiras pelas quais Deus tem administrado Seus propósitos ao longo das Escrituras.

  5. Utilize bons comentários bíblicos, concordâncias, dicionários e outros materiais que possam auxiliá-lo na compreensão dos textos.

  6. Desenvolva o hábito de preparar pequenos esboços bíblicos. Escolha uma passagem, identifique seu assunto principal, procure compreender o contexto e organize os ensinamentos encontrados nela.

Uma recomendação importante: nunca comece procurando uma mensagem pronta para depois encontrar versículos que sustentem aquilo que deseja dizer. Faça o contrário. Comece com o texto bíblico, procure compreender o que Deus está ensinando naquela passagem e permita que a mensagem seja construída a partir das próprias Escrituras.

O exemplo dos bereanos é muito instrutivo:

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" (Atos dos Apóstolos 17:11).

5. É necessário fazer um curso de teologia?

Não considero errado estudar teologia, desde que compreendamos que a própria palavra significa, em seu sentido mais comum, o estudo acerca de Deus e das verdades relacionadas a Ele.

O problema não está em estudar teologia, mas na orientação doutrinária que recebemos.

Existem instituições e cursos que ensinam interpretações bastante diferentes daquelas que encontramos nas Escrituras. Alguns, inclusive, apresentam conceitos que enfraquecem a autoridade e a inspiração divina da Bíblia.

Portanto, é necessário discernimento.

Se você deseja seguir a linha doutrinária das assembleias de cristãos reunidos somente ao nome do Senhor Jesus, recomendo que procure materiais de estudo que respeitem os princípios bíblicos relacionados à Igreja, à sua organização, ao sacerdócio de todos os crentes e à liberdade concedida pelo Espírito Santo para o exercício dos dons espirituais.

Há excelentes obras escritas por servos de Deus que dedicaram suas vidas ao estudo e à exposição das Escrituras. Muitos deles nunca dependeram de títulos acadêmicos para exercer seu ministério, mas foram instrumentos preciosos nas mãos do Senhor.

Naturalmente, isso não significa desprezar o conhecimento acadêmico, o estudo das línguas originais ou a pesquisa histórica. Todos esses recursos podem ser úteis, desde que permaneçam subordinados à autoridade das Escrituras.

Deixo aqui o link de uma editora no Brasil que tem bons comentários bíblicos:
https://www.lojasadoutrina.com.br

6. Antes de ser um bom pregador, procure ser um homem de Deus

Gostaria de concluir destacando algo que considero ainda mais importante do que aprender técnicas de pregação.

Em 1 Timóteo 4:16, Paulo aconselhou:

"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem."

Observe a ordem apresentada pelo apóstolo: primeiro, o cuidado com a própria vida; depois, o cuidado com a doutrina.

A vida daquele que ministra a Palavra deve estar em harmonia com aquilo que ele ensina.

Também encontramos um princípio precioso em Esdras 7:10:

"Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos."

Veja a sequência: buscar, cumprir e ensinar.

Primeiramente, Esdras procurou conhecer a Palavra de Deus. Depois, comprometeu-se a praticá-la. Somente então encontramos a referência ao ensino.

Essa continua sendo uma excelente orientação para todos aqueles que desejam servir ao Senhor por meio do ministério da Palavra.

Portanto, minha recomendação é que continue congregando, aproveite as oportunidades de aprendizado com os irmãos mais experientes, desenvolva um programa pessoal de estudo bíblico e procure crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo.

Não se preocupe em alcançar rapidamente a experiência daqueles que já possuem muitos anos de ministério. Lembre-se de que, antes de serem pregadores experientes, eles também precisaram aprender, estudar, enfrentar dificuldades e amadurecer espiritualmente.

E, acima de tudo, nunca permita que o desejo de pregar seja maior do que o desejo de conhecer a Cristo.

Que o Senhor lhe conceda sabedoria, perseverança e discernimento, e que seu crescimento espiritual possa ser uma bênção para a assembleia onde você congrega.

Josué Matos

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