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Irmão, tenho notado que a maioria entre os nossos irmãos utiliza a Bíblia ACF.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, tenho notado que a maioria entre os nossos irmãos utiliza a Bíblia ACF.

No seu aplicativo, você usa a ARA.

Há muitas críticas, no meio conservador, contra a ARA.

Sobre essa questão da manuscritologia, qual versão é mais coerente com os textos originais: a ACF, a ARA ou o Texto Majoritário?

Minha Resposta:

Irmão, essa é uma questão importante, mas precisamos começar fazendo uma distinção. ACF e ARA são traduções portuguesas; “Texto Majoritário” não é uma tradução da Bíblia, mas uma edição do texto grego do Novo Testamento, estabelecida principalmente com base na leitura predominante na tradição manuscrita bizantina.

Portanto, na realidade, temos duas questões diferentes: qual texto grego está mais próximo dos escritos originais dos apóstolos e, depois, qual tradução portuguesa representa melhor esse texto.

  1. A ACF e o Textus Receptus

A Almeida Corrigida Fiel (ACF) segue, no Novo Testamento, essencialmente o chamado Textus Receptus, ou Texto Recebido. É daí que surge grande parte da preferência por ela em círculos conservadores.

O Textus Receptus está ligado às primeiras edições impressas do Novo Testamento grego produzidas a partir do século XVI. Erasmo publicou sua primeira edição em 1516, e outras edições foram posteriormente preparadas por Estéfano, Beza e os irmãos Elzevir.

Aqui é importante esclarecer uma confusão muito comum: Textus Receptus e Texto Majoritário não são exatamente a mesma coisa.

Eles são muito semelhantes porque ambos pertencem, em grande parte, à tradição textual bizantina. Entretanto, há lugares em que o Textus Receptus apresenta uma leitura que não é sustentada pela maioria dos manuscritos gregos.

Portanto:

ACF → baseada essencialmente no Textus Receptus.

Texto Majoritário → reconstruído principalmente a partir da leitura predominante nos manuscritos da tradição bizantina.

ARA → utiliza um texto grego crítico, levando em consideração manuscritos muito mais antigos e outras testemunhas textuais.

  1. A ARA e os manuscritos mais antigos

A Almeida Revista e Atualizada não segue simplesmente o Textus Receptus. Sua revisão foi realizada utilizando edições críticas do texto grego que incorporavam evidências manuscritas que não estavam disponíveis aos primeiros editores do Novo Testamento grego.

Esse ponto é historicamente importante.

Quando João Ferreira de Almeida realizou sua tradução, o conhecimento dos manuscritos gregos era muito menor do que temos atualmente. Muitos papiros e importantes testemunhos antigos ainda não haviam sido descobertos ou devidamente estudados.

Isso significa que a ARA, em determinadas passagens, encontra-se mais próxima de testemunhos gregos antigos do que a ACF.

Todavia, isso não significa que toda decisão textual da ARA esteja necessariamente correta.

A crítica textual trabalha comparando manuscritos e procurando determinar qual leitura tem maior probabilidade de representar o texto originalmente escrito. Nesse processo são considerados vários fatores: antiguidade do manuscrito, distribuição geográfica da leitura, qualidade da testemunha, relacionamento entre manuscritos e evidências internas do próprio texto.

Não se deve simplesmente afirmar:

“Mais antigo é sempre melhor.”

Nem:

“A leitura encontrada no maior número de manuscritos é sempre a original.”

Ambas as afirmações simplificam excessivamente uma questão bastante complexa.

  1. E o Texto Majoritário?

É justamente aqui que o Texto Majoritário se torna interessante.

Ele não deve ser confundido com o Textus Receptus.

Se tivéssemos mil manuscritos gregos contendo determinada passagem e oitocentos apresentassem uma leitura, o princípio majoritário daria grande importância àquela leitura predominante. Isso é diferente de simplesmente reproduzir uma edição impressa do século XVI.

Por isso, pessoalmente, considero o Texto Majoritário muito importante e digno de atenção.

Entretanto, também não penso que devamos transformar qualquer edição do texto grego numa espécie de “texto inspirado”. A inspiração pertence aos escritos originalmente dados por Deus, não ao trabalho posterior de qualquer editor.

Paulo escreveu:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (Segunda Epístola a Timóteo 3:16).

Pedro também declarou que homens santos de Deus falaram “inspirados pelo Espírito Santo” (Segunda Epístola de Pedro 1:21).

A inspiração, portanto, está relacionada ao texto dado por Deus por intermédio dos escritores sagrados.

  1. Então, a ARA é uma Bíblia liberal?

Não considero correto fazer essa afirmação simplesmente porque a ARA utiliza um texto crítico.

Existem críticas legítimas a determinadas escolhas textuais ou tradutórias da ARA, assim como podemos apontar dificuldades na ACF. Mas daí concluir que a ARA não é a Palavra de Deus ou que deliberadamente procura destruir doutrinas fundamentais é ir além das evidências.

Veja algo muito importante.

Nenhuma doutrina fundamental da fé cristã depende exclusivamente de uma variante textual discutida.

A divindade do Senhor Jesus Cristo não depende de um versículo cuja autenticidade seja discutida. Ela aparece em todo o Novo Testamento.

João 1:1 declara:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”

João 20:28 registra Tomé dizendo ao Senhor Jesus:

“Senhor meu e Deus meu!”

Colossenses 2:9 declara:

“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.”

Hebreus 1:8 apresenta o Filho sendo chamado de Deus.

Assim também acontece com Sua ressurreição, nascimento virginal, morte expiatória e segunda vinda. Essas doutrinas estão estabelecidas por numerosas passagens.

Portanto, não devemos assustar os irmãos dizendo que uma determinada versão “retirou uma doutrina” simplesmente porque existe uma variante textual em determinada passagem.

  1. Por que uso a ARA?

Eu utilizo a ARA principalmente porque considero sua linguagem muito boa para estudo e porque, em diversas passagens, ela representa adequadamente o texto grego.

Mas isso não significa que eu considere a ARA perfeita.

Há lugares em que prefiro a tradução da ACF ou da ARC. Há outros em que considero a ARA mais precisa. E existem casos em que nenhuma delas consegue transmitir perfeitamente determinada particularidade do grego.

Um exemplo muito simples está em Primeira Epístola aos Coríntios 12:27.

Algumas versões traduzem:

“Vós sois o corpo de Cristo.”

A ARA traduz:

“Vós sois corpo de Cristo.”

Neste caso, a ausência do artigo é importante, e a ARA preserva melhor essa característica do grego. Paulo está escrevendo à igreja local em Corinto. Ele não está dizendo que aquela igreja local era todo “o Corpo de Cristo”, mas que ela possuía caráter de corpo de Cristo.

Esse pequeno exemplo mostra por que não devemos declarar que uma versão é sempre superior à outra em todos os versículos.

  1. A própria tradução de Almeida passou por revisões

Outro ponto que às vezes esquecemos é que não existe simplesmente “a Bíblia de Almeida” como se houvesse uma única forma textual imutável desde João Ferreira de Almeida.

Sua tradução passou por numerosas revisões.

Temos, entre outras:

Almeida Revista e Corrigida;

Almeida Revista e Atualizada;

Almeida Corrigida Fiel.

Cada uma possui sua própria história editorial.

Portanto, quando alguém diz “eu só uso Almeida”, ainda precisamos perguntar: qual revisão de Almeida?

  1. Qual está mais próxima dos originais?

Se a pergunta for estritamente manuscritológica, eu não responderia simplesmente “ACF” ou “ARA”.

Eu diria que precisamos separar tradução e texto grego.

Entre Textus Receptus e Texto Majoritário, considero o Texto Majoritário uma testemunha extremamente importante da tradição manuscrita do Novo Testamento e, em vários lugares, preferível ao Textus Receptus.

Ao mesmo tempo, não descartaria automaticamente as evidências apresentadas pelos manuscritos antigos utilizados nas edições críticas. Existem leituras em que essas testemunhas antigas oferecem razões muito fortes para serem consideradas.

Portanto, não acredito que seja prudente construir uma doutrina de preservação dizendo que Deus preservou Sua Palavra exclusivamente no Textus Receptus, exclusivamente no Texto Majoritário ou exclusivamente em determinada edição moderna do texto crítico.

Deus preservou Sua Palavra através da extraordinária abundância da tradição manuscrita.

  1. As diferenças são muito menores do que às vezes parecem

Quando alguém começa a estudar crítica textual, pode ficar assustado ao ouvir falar em milhares de variantes.

Mas “variante” não significa necessariamente uma alteração doutrinária.

Grande parte delas consiste em diferenças como:

ordem das palavras;

grafia;

presença ou ausência de artigo;

formas gramaticais;

repetições;

pequenas omissões ou acréscimos;

substituição por sinônimos.

Como o grego possui uma estrutura gramatical diferente do português, até mudanças na ordem das palavras muitas vezes não modificam o sentido.

Há, naturalmente, variantes maiores e algumas passagens bastante conhecidas que precisam ser examinadas individualmente. Mas não existe fundamento para imaginar que desconhecemos aquilo que os apóstolos ensinaram.

  1. Minha recomendação

Eu não faria dessa questão motivo de divisão entre irmãos.

Se um irmão prefere utilizar a ACF por confiar na tradição do Textus Receptus, respeito sua decisão.

Se outro utiliza a ARA, não considero correto acusá-lo de estar utilizando uma Bíblia corrompida.

E se alguém deseja aprofundar-se realmente na questão textual, então aconselharia estudar também o Texto Majoritário e as edições críticas do Novo Testamento grego, examinando as variantes individualmente.

O mais importante é não transformar uma tradução em objeto de uma fidelidade que pertence somente à Palavra de Deus.

Os bereanos foram elogiados porque:

“...de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Esse deve continuar sendo nosso princípio.

Não somos seguidores da ACF, da ARA, do Textus Receptus, do Texto Majoritário ou de qualquer comissão de crítica textual. Somos servos do Senhor Jesus Cristo e queremos conhecer, com a maior exatidão possível, aquilo que Deus revelou em Sua Palavra.

Assim, para leitura pública e pessoal, qualquer uma dessas boas versões pode ser utilizada com proveito. Para estudo mais profundo, especialmente quando existe diferença significativa entre elas, o melhor procedimento é consultar o texto grego, comparar as variantes e considerar cuidadosamente o contexto e todo o testemunho das Escrituras.

  1. E a nova tradução do Novo Testamento com Léxico Grego?

Há ainda um ponto que considero importante mencionar. Recentemente desenvolvi para Android o aplicativo Novo Testamento com Léxico Grego, no qual fiz uma nova tradução do Novo Testamento diretamente a partir do texto grego, procurando manter maior proximidade possível com a estrutura, o vocabulário e as particularidades do original.

O propósito dessa tradução não foi simplesmente produzir mais uma versão em português nem substituir traduções consagradas, como ACF, ARC ou ARA. O objetivo principal foi oferecer ao leitor uma ferramenta de estudo que lhe permita aproximar-se do texto grego mesmo sem conhecer profundamente a língua.

Por isso, o aplicativo une a tradução portuguesa a um léxico grego. Em milhares de palavras do Novo Testamento há uma identificação numérica que permite consultar informações sobre o termo grego correspondente. Assim, o leitor não fica limitado à maneira como determinada palavra foi vertida para o português, mas pode investigar o vocábulo que está por trás da tradução e compreender melhor seu significado.

Isso é especialmente importante porque nenhuma tradução consegue reproduzir perfeitamente todas as características do grego. Às vezes, uma única palavra grega possui uma amplitude de significado que exige várias palavras em português. Em outros casos, detalhes como artigo, tempo verbal, voz verbal, preposição ou construção gramatical podem contribuir para a compreensão da passagem.

Foi justamente pensando nisso que procurei fazer uma tradução mais voltada ao estudo: suficientemente clara em português, mas procurando conservar, sempre que possível, elementos importantes do texto grego.

O aplicativo também permite que o estudante compare aquilo que está lendo com outras traduções. Não vejo essa nova tradução como concorrente da ACF, ARA ou de outras boas versões. Pelo contrário, ela pode funcionar como mais uma ferramenta de comparação e investigação.

Esse também é um princípio importante quando tratamos de manuscritologia. Quanto mais profundamente estudamos a transmissão do Novo Testamento, menos devemos depender simplesmente do argumento: “Minha versão diz assim”. A pergunta mais importante passa a ser: “O que encontramos no texto grego e quais são as evidências para essa leitura?”

Foi essa preocupação que esteve por trás do desenvolvimento do Novo Testamento com Léxico Grego para Android: colocar nas mãos do leitor comum uma ferramenta que o ajude a ultrapassar, dentro de suas possibilidades, a barreira existente entre a tradução portuguesa e a língua em que o Novo Testamento foi escrito.

Assim, continuo utilizando e consultando traduções como ARA, ACF e outras, mas agora também disponho dessa tradução vinculada ao léxico como ferramenta de estudo. Nenhuma tradução humana deve ocupar o lugar que pertence à Palavra inspirada. Nosso propósito deve ser sempre chegar, com reverência e cuidado, o mais próximo possível daquilo que os escritores sagrados registraram.

Como Paulo escreveu: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (Segunda Epístola a Timóteo 2:15).

Josué Matos

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Há alguns dias, o Senhor me deu uma aula a respeito de temor e reverência.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa tarde, irmão.

Há alguns dias, o Senhor me deu uma aula a respeito de temor e reverência. Eu não ia compartilhar com o irmão, mas me senti incomodado para compartilhar.

Essa aula surgiu através de Provérbios. Foi quando fui orar… O Senhor está em todo lugar, e não podemos orar de qualquer jeito, mas com toda reverência.

Lembrei-me de Jacó, que dormiu num certo lugar e teve a visão da escada: “Deus está nesse lugar, e eu não sabia”. Deus estava ali quando Naamã se lavou no rio sete vezes; estava na sarça conversando com Moisés.

Temor é o reconhecimento da santidade e autoridade do Senhor em todo lugar, e a reverência é a maneira como nos portamos diante dEle.

Isso fez muita diferença para mim. Parece comum, mas, para mim, foi muito especial. Minhas orações fazem muito mais sentido, pois Ele está ao meu lado, e eu não sabia.

Tenho certeza de que o Senhor completará a obra dEle em mim.

Um grande abraço em Cristo!

Minha Resposta:

Agradeço por compartilhar esta experiência. O assunto que o irmão menciona é realmente muito importante, pois o temor do Senhor ocupa um lugar fundamental em toda a Palavra de Deus. Provérbios começa estabelecendo justamente este princípio: “O temor do Senhor é o princípio da ciência” (Provérbios 1:7). Mais adiante lemos: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência” (Provérbios 9:10).

Entretanto, gostaria apenas de acrescentar algumas considerações que podem ajudar a colocar essa experiência sobre uma base bíblica ainda mais segura.

O irmão fez uma distinção interessante entre temor e reverência. Biblicamente, os dois conceitos estão intimamente relacionados. O temor do Senhor não é simplesmente medo de Deus, como alguém teria medo de um inimigo ou de uma pessoa imprevisível. Para aquele que está em Cristo, trata-se do profundo reconhecimento de quem Deus é: Sua santidade, majestade, autoridade, poder e absoluta grandeza. Esse conhecimento produz reverência na maneira como nos aproximamos dEle.

Por isso Hebreus 12:28-29 diz: “Sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; porque o nosso Deus é um fogo consumidor”. É muito significativo que essas palavras sejam dirigidas a crentes. Deus tornou-Se nosso Pai, mas não deixou de ser santo. Temos liberdade para entrar na Sua presença, porém essa liberdade nunca deve ser confundida com irreverência ou excessiva familiaridade.

O Senhor Jesus nos deu acesso ao Pai. Hebreus 4:16 diz: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça”. Observe o maravilhoso equilíbrio das Escrituras: confiança, sim; irreverência, nunca. Intimidade, sim; leviandade, não. Somos filhos, mas Aquele de quem somos filhos continua sendo o Deus santo.

Até mesmo o Senhor Jesus, nos dias da Sua carne, demonstrou essa profunda reverência. Hebreus 5:7 fala das Suas orações e súplicas e diz que Ele “foi ouvido quanto ao que temia”. A ideia ali envolve temor santo, reverência e piedade. Se o próprio Filho, em Sua perfeita humanidade, manifestou tamanha reverência diante do Pai, quanto mais nós devemos aprender a nos aproximar de Deus dessa maneira.

Quanto à experiência de Jacó, a passagem realmente ilustra muito bem esse princípio. Depois do sonho em Betel, ele declarou:

“Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus” (Gênesis 28:16-17).

Naturalmente, devemos entender isso dentro do contexto daquela ocasião. Jacó recebeu uma manifestação especial de Deus naquele lugar. Isso não significa que Deus estivesse somente em Betel. Pelo contrário, as Escrituras ensinam claramente a onipresença de Deus.

Davi expressou isso maravilhosamente no Salmo 139:

“Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também” (Salmos 139:7-8).

Portanto, há uma verdade ainda maior por trás daquilo que o irmão percebeu: não precisamos fazer Deus estar presente quando começamos a orar. Ele já está presente. A oração não traz Deus até nós; antes, pela oração tomamos conscientemente nosso lugar diante dEle.

Isso muda profundamente a maneira de orar.

Quando fechamos a porta do quarto e ninguém mais está vendo, Deus está ali. Quando oramos silenciosamente, Deus está ali. Quando estamos numa reunião da igreja e um irmão se levanta para orar, Deus está presente. Quando nenhuma palavra ainda saiu de nossos lábios, Ele já conhece nosso coração.

O Senhor Jesus disse:

“Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (Mateus 6:6).

Veja que expressão preciosa: “teu Pai, que vê em secreto”.

Por isso, a oração cristã possui ao mesmo tempo intimidade e solenidade. Estamos falando com nosso Pai, mas esse Pai é Deus. Somos recebidos por graça, mas entramos na presença do Santo. Podemos falar livremente, mas nunca de maneira leviana.

Há, porém, um pequeno cuidado que considero importante acrescentar à expressão “o Senhor me deu uma aula”. Entendo perfeitamente o que o irmão quis dizer, mas é sempre saudável submetermos nossas experiências e impressões à Palavra de Deus. Não devemos transformar uma impressão interior em revelação divina adicional. Deus já nos deu nas Escrituras tudo aquilo que precisamos para conhecer Sua vontade e crescer espiritualmente.

O Espírito Santo pode, sim, usar a Palavra que já conhecemos para despertar nossa consciência, trazer determinado texto à nossa lembrança e fazer-nos perceber uma verdade bíblica que antes não havíamos considerado com suficiente atenção. O próprio Senhor Jesus disse acerca do Espírito Santo: “Ele vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14:26).

Por isso, eu diria que aquilo que aconteceu com o irmão pode ser entendido como uma percepção mais profunda de uma verdade que já estava revelada nas Escrituras. E isso é muito precioso.

Também achei muito significativa sua frase: “Temor é o reconhecimento da santidade e autoridade do Senhor em todo lugar, e a reverência é a maneira como nos portamos diante dEle”.

Realmente existe uma relação muito próxima entre essas duas coisas. Quando reconhecemos quem Deus é, nossa conduta diante dEle muda. O problema da irreverência geralmente começa quando perdemos a percepção da grandeza de Deus.

Isaías experimentou algo semelhante. Quando viu “ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono”, ouviu os serafins proclamando:

“Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6:1-3).

A primeira consequência daquela visão não foi orgulho espiritual, mas consciência da própria pequenez: “Ai de mim! Pois estou perdido” (Isaías 6:5).

Quanto mais conhecemos verdadeiramente a Deus, menos levianos nos tornamos diante dEle.

Isso não produz uma vida cristã triste ou aterrorizada. Pelo contrário, temor e alegria podem existir juntos. O Salmo 2:11 diz: “Servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor”. Há alegria, mas há temor. Há comunhão, mas há reverência. Há liberdade, mas também consciência da majestade divina.

O Novo Testamento mostra o mesmo equilíbrio. A igreja primitiva “andava no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo” (Atos dos Apóstolos 9:31). Observe novamente as duas coisas juntas: temor do Senhor e consolação do Espírito Santo. O temor bíblico não destrói a comunhão; ele a torna mais profunda e santa.

E há ainda algo especialmente precioso para nossa vida de oração: não somente Deus está presente, mas, para o crente, temos acesso consciente ao Pai por meio de Cristo e no poder do Espírito Santo. Efésios 2:18 declara: “Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito”.

Assim, quando nos ajoelhamos para orar, não estamos simplesmente falando para o espaço esperando que Deus, em algum lugar distante, nos escute. Pela obra do Senhor Jesus temos acesso ao Pai.

Por isso também podemos dizer:

“Senhor, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento” (Salmos 139:1-2).

Quanto à sua última frase — “Tenho certeza de que o Senhor completará a obra dEle em mim” — ela nos lembra Filipenses 1:6: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”.

Que continuemos, portanto, crescendo no conhecimento do Senhor, sempre deixando que a Palavra de Deus examine nossas experiências, pensamentos e sentimentos. Quanto mais conhecermos Sua graça, mais O amaremos; e quanto mais conhecermos Sua santidade, mais reverentemente andaremos diante dEle.

O verdadeiro temor do Senhor não nos faz fugir da Sua presença. Faz-nos desejar estar nela, mas conscientes de quem Ele é.

Josué Matos

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Porém, fiquei surpreso ao ver que eles mantêm comunhão com aqueles que se reúnem nas chamadas “Casas de Oração”.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Olá, tudo bem?

Conheci a respeito dos irmãos reunidos ao nome do Senhor através dos seus vídeos e dos vídeos do irmão Mário Persona. Desde então, estou me reunindo com outros irmãos somente ao nome do Senhor, que procuram se reunir de forma bíblica. Porém, fiquei surpreso ao ver que eles mantêm comunhão com aqueles que se reúnem nas chamadas “Casas de Oração”.

Onde eu moro existem Casas de Oração, e nunca me passou pela cabeça me reunir com eles, pois, para mim, sempre se tratava de uma denominação como as outras. Possuem instrumentos, corais, mulheres falam nas reuniões. Os irmãos não possuem comunhão com as denominações, mas com essas Casas de Oração possuem.

Afinal, qual é a diferença dessas Casas de Oração para as denominações? O que define que podemos estar em comunhão com um grupo em detrimento de outro?

Minha Resposta:

Olá, meu irmão. A sua pergunta é muito importante porque toca numa questão que, às vezes, causa alguma confusão: o nome colocado na fachada de um salão não determina, por si só, a posição bíblica de uma igreja local.

Em primeiro lugar, precisamos esclarecer a expressão “Casa de Oração”. Biblicamente, esse não é o nome de uma denominação. A expressão aparece nas Escrituras em relação ao Templo: “A minha casa será chamada casa de oração” (Isaías 56:7; Mateus 21:13). Portanto, chamar um salão de reuniões de “Casa de Oração” não transforma automaticamente aquele grupo em uma denominação, assim como não prova automaticamente que ele esteja reunido segundo o padrão do Novo Testamento.

Há igrejas locais entre os chamados “irmãos” que usam em seus edifícios nomes como “Casa de Oração”, “Salão do Evangelho”, “Salão Evangélico”, “Gospel Hall” e outros semelhantes. Esses nomes podem simplesmente identificar o prédio ou o local onde os cristãos se reúnem. A igreja, biblicamente, não é o edifício. A igreja é formada pelas pessoas que pertencem ao Senhor e se reúnem naquele lugar.

No Novo Testamento encontramos expressões como “a igreja de Deus que está em Corinto” (1 Coríntios 1:2), “a igreja dos tessalonicenses” (1 Tessalonicenses 1:1) e “as igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2). Não encontramos os cristãos recebendo nomes denominacionais que os distinguissem de outros cristãos verdadeiros.

Esse é precisamente um dos problemas que Paulo enfrentou em Corinto. Alguns diziam: “Eu sou de Paulo; e eu, de Apolo; e eu, de Cefas; e eu, de Cristo”. A resposta apostólica foi: “Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:12-13).

Portanto, o princípio bíblico não é procurar uma determinada placa, tradição histórica ou nome de movimento. É verificar se aquela igreja local procura obedecer ao padrão estabelecido pela Palavra de Deus.

Mateus 18:20 apresenta um princípio fundamental:

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

O centro da reunião é Cristo. A autoridade é Cristo. O Nome que reúne é o de Cristo. E a Palavra que governa é a Palavra de Cristo.

Isso também significa que simplesmente afirmar “somos reunidos ao nome do Senhor” não basta. Essa afirmação precisa ser acompanhada pela submissão à Palavra de Deus.

É aqui que entramos na segunda parte da sua pergunta.

Se uma determinada “Casa de Oração” possui práticas como mulheres pregando ou ensinando publicamente nas reuniões da igreja, isso precisa ser examinado à luz das Escrituras. O Novo Testamento estabelece uma ordem específica para as reuniões da igreja local.

Em 1 Coríntios 14:34 lemos:

“As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar.”

E em 1 Timóteo 2:11-12:

“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio.”

Isso não significa inferioridade espiritual da mulher. Homens e mulheres possuem o mesmo valor diante de Deus e compartilham igualmente da salvação em Cristo. Há, porém, distinção de funções na ordem estabelecida por Deus para a igreja local.

Romanos 16 demonstra claramente que muitas mulheres desempenhavam serviços valiosos na obra do Senhor. Priscila, Febe e outras irmãs são mencionadas honrosamente. Entretanto, isso não altera a ordem estabelecida para o ministério público da igreja reunida.

Portanto, se determinada congregação permite regularmente aquilo que as Escrituras proíbem, existe uma questão séria que precisa ser considerada.

Quanto aos instrumentos musicais e corais, eu faria uma distinção. Não colocaria essas coisas exatamente no mesmo nível da questão do ministério feminino nas reuniões.

No Antigo Testamento havia amplo emprego de instrumentos musicais na adoração de Israel. Entretanto, quando chegamos às igrejas do Novo Testamento, encontramos uma ordem diferente. Lemos, por exemplo:

“Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Efésios 5:19).

Também:

“A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Colossenses 3:16).

O padrão apostólico enfatiza o canto dos santos, e não encontramos nas instruções dadas às igrejas locais a organização do culto segundo o sistema musical do Templo de Israel. Por isso, muitas igrejas locais que procuram seguir simplesmente o modelo do Novo Testamento não utilizam instrumentos musicais nem corais organizados nas suas reuniões.

Todavia, a questão principal da comunhão é ainda mais profunda.

Comunhão não significa simplesmente reconhecer que existem cristãos verdadeiros em determinado lugar.

Precisamos distinguir entre reconhecer um irmão em Cristo e reconhecer uma determinada posição eclesiástica.

Pode haver muitos filhos de Deus sinceros dentro de sistemas denominacionais. Não temos autoridade para afirmar que uma pessoa não pertence a Cristo simplesmente porque frequenta uma denominação. A salvação não depende da compreensão que alguém possui acerca da igreja local, mas da sua relação pessoal com o Senhor Jesus Cristo.

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

Entretanto, a comunhão da igreja local envolve mais do que a salvação individual.

Atos dos Apóstolos 2:42 diz:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.”

Observe a ordem. A comunhão está relacionada à doutrina apostólica.

Por isso, não podemos estabelecer como princípio: “Esse grupo é denominado Casa de Oração, portanto podemos ter comunhão com ele”, ou: “Esse grupo possui outro nome, portanto não podemos ter comunhão”.

O critério precisa ser bíblico.

Precisamos perguntar: Essa igreja reconhece somente o Senhor Jesus Cristo como Cabeça? Reúne-se sem assumir uma identidade denominacional? Reconhece a suficiência das Escrituras para determinar sua doutrina e prática? Mantém a ordem bíblica nas reuniões? Celebra a Ceia do Senhor segundo o ensino apostólico? Reconhece a disciplina da igreja conforme 1 Coríntios 5? Reconhece a liderança espiritual de uma pluralidade de anciãos conforme Atos dos Apóstolos 20:17, 28; Filipenses 1:1; 1 Timóteo 3:1-7 e 1 Pedro 5:1-4? Procura preservar a santidade moral e doutrinária? Mantém a distinção bíblica das funções de homens e mulheres na igreja?

Essas questões são muito mais importantes que o nome existente na porta.

Também precisamos considerar outro princípio: comunhão entre igrejas locais não significa uma organização denominacional.

No Novo Testamento, as igrejas locais eram autônomas quanto à sua administração, mas não eram isoladas umas das outras. Havia verdadeira comunhão entre elas.

Quando surgiu a necessidade entre os santos da Judeia, outras igrejas enviaram auxílio (2 Coríntios 8–9). Irmãos viajavam entre as igrejas e eram recebidos (Atos dos Apóstolos 18:27; Romanos 16:1-2). Paulo recomendava determinados servos às igrejas (1 Coríntios 16:10). As igrejas cooperavam na obra do Evangelho (Filipenses 4:15-16).

Isso é comunhão; não denominação.

Uma denominação cria uma identidade eclesiástica maior que a igreja local e menor que o Corpo de Cristo. No Novo Testamento encontramos apenas duas dimensões fundamentais da Igreja: a Igreja que é o Corpo de Cristo, formada por todos os verdadeiros salvos, e a igreja local, formada pelos crentes reunidos numa determinada localidade.

Por isso, devemos ter cuidado para não transformar até mesmo a expressão “irmãos reunidos ao nome do Senhor” numa espécie de denominação sem nome.

Não somos chamados para estar reunidos ao nome dos “Irmãos”, dos “Brethren”, das “Casas de Oração” ou de qualquer movimento histórico. Somos chamados para estar reunidos ao Nome do Senhor Jesus Cristo.

Também não podemos raciocinar assim: “Esta igreja tem comunhão conosco, portanto tudo o que ela pratica deve estar correto”.

Não. Nossa autoridade final continua sendo a Palavra de Deus.

Os próprios bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar aquilo que ouviam:

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Portanto, se os irmãos com quem você se reúne mantêm comunhão com determinada Casa de Oração, eu aconselharia primeiro descobrir exatamente que congregação é essa e como ela funciona. Não conclua apenas pelo nome.

Também é importante verificar se aquilo que você ouviu — instrumentos, corais e mulheres falando — realmente acontece naquela congregação específica. Pode existir mais de um grupo usando a expressão “Casa de Oração”, sem que todos tenham a mesma origem, doutrina ou prática.

Se, porém, ficar confirmado que uma determinada igreja adota conscientemente práticas contrárias à ordem apostólica, então é legítimo perguntar aos irmãos responsáveis pela igreja onde você se reúne qual é a base bíblica para manter comunhão eclesiástica com aquele grupo.

Faça isso com humildade e espírito de aprendizado, não de acusação.

A Escritura diz:

“Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

E também:

“Porque é mister que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus... retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina” (Tito 1:7, 9).

Em resumo, não é a expressão “Casa de Oração” que determina se devemos ou não reconhecer comunhão. Também não é uma tradição histórica, nem o fato de determinados irmãos conhecidos terem comunhão com aquele lugar. O critério final é a Palavra de Deus.

Cristo deve ser o centro.

A Palavra deve ser a autoridade.

A doutrina apostólica deve ser preservada.

A santidade deve ser mantida.

A ordem da igreja deve ser respeitada.

E o Senhorio de Cristo deve ser reconhecido na prática, não apenas afirmado verbalmente.

Quando esses princípios são abandonados de maneira consciente e permanente, não podemos justificar uma comunhão simplesmente porque existe uma ligação histórica entre determinados grupos. Ao mesmo tempo, devemos evitar julgamentos precipitados baseados apenas no nome de um salão ou em informações de terceiros.

A pergunta decisiva não é: “Que nome está escrito na porta?”

A pergunta é: “O que dizem as Escrituras?”

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20).

Josué Matos

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O que fazer quando uma pessoa, por mais que se explique que a salvação é pela fé no Senhor Jesus Cristo, simplesmente não consegue entender?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão Josué, o que fazer quando uma pessoa, por mais que se explique que a salvação é pela fé no Senhor Jesus Cristo, simplesmente não consegue entender?

Minha Resposta:

Esta é uma situação bastante comum quando apresentamos o Evangelho. Às vezes, temos a impressão de que, se encontrarmos as palavras certas, explicarmos de maneira mais simples ou apresentarmos mais argumentos, finalmente conseguiremos fazer a pessoa compreender. Entretanto, a Bíblia nos ensina que existe uma diferença entre compreender intelectualmente uma explicação e receber espiritualmente a verdade do Evangelho.

O problema fundamental do homem não é simplesmente falta de inteligência ou de informação. O problema é espiritual. O apóstolo Paulo declara:

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).

Isso explica por que uma pessoa pode ser extremamente inteligente, instruída e capaz de compreender assuntos muito complexos e, mesmo assim, não compreender a simplicidade da salvação pela graça mediante a fé.

Nicodemos é um bom exemplo disso. Ele era “mestre de Israel” (João 3:10), conhecedor das Escrituras e homem religioso. Mesmo assim, quando o Senhor Jesus lhe falou sobre o novo nascimento, ele perguntou:

“Como pode um homem nascer, sendo velho?” (João 3:4).

Nicodemos estava interpretando naturalmente uma verdade espiritual. O Senhor não desistiu dele, mas continuou apresentando-lhe a verdade. Finalmente, levou-o ao ponto central da mensagem:

“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:14-15).

Portanto, quando alguém não consegue compreender a salvação pela fé, não devemos entrar numa discussão interminável nem pensar que precisamos vencer a pessoa pela argumentação. Devemos apresentar com clareza a Palavra de Deus e depender da operação do Espírito Santo.

A fé não é produzida pela nossa habilidade de argumentar. Romanos 10:17 afirma:

“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”

É a Palavra que devemos semear. Podemos explicar, esclarecer dúvidas, responder às objeções e mostrar as Escrituras, mas não podemos produzir o novo nascimento em ninguém. João deixa isso muito claro quando diz que os filhos de Deus “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1:13).

Por isso, há algumas coisas importantes a fazer.

Primeiro, continue apresentando a simplicidade do Evangelho.

Não complique aquilo que Deus tornou simples. O pecador precisa compreender sua condição diante de Deus, reconhecer que é culpado e incapaz de salvar a si mesmo, e compreender que Cristo realizou completamente a obra necessária para sua salvação.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).

Depois:

“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

E finalmente:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

Não é necessário acrescentar obras, cerimônias religiosas, méritos pessoais ou esforços humanos à obra de Cristo. Efésios 2:8-9 diz:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.”

Segundo, procure descobrir exatamente o que a pessoa não está entendendo.

Às vezes, quando alguém diz que “não consegue entender”, o problema não é propriamente a fé, mas alguma ideia religiosa profundamente arraigada. Talvez a pessoa pense: “Deve haver alguma coisa que eu tenha de fazer”. Nesse caso, é necessário mostrar que Cristo já fez a obra.

Na cruz, o Senhor Jesus declarou:

“Está consumado” (João 19:30).

A salvação não é Deus oferecendo ao pecador uma oportunidade de completar uma obra. É Deus oferecendo gratuitamente uma salvação fundamentada numa obra que Cristo já completou.

Romanos 4:5 é particularmente claro:

“Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.”

Observe a força da expressão: “não pratica, porém crê”. Isso não significa que a vida cristã não produza boas obras. Produzirá. Mas essas obras são consequência da salvação, e não a causa dela.

Terceiro, não tente obrigar a pessoa a fazer uma profissão de fé.

Este ponto é muito importante. Existe o perigo de desejarmos tanto que alguém seja salvo que acabemos conduzindo a pessoa a repetir palavras que ela ainda não compreendeu verdadeiramente.

Uma oração repetida não salva. Levantar a mão não salva. Ir à frente numa reunião não salva. Assinar uma decisão não salva. O Salvador é Cristo.

“Quem crê no Filho tem a vida eterna” (João 3:36).

É melhor uma pessoa continuar ouvindo a Palavra até compreender verdadeiramente sua necessidade e descansar em Cristo do que fazer uma profissão precipitada simplesmente porque alguém a pressionou.

Na parábola do semeador, o Senhor mostrou que existe uma recepção superficial da Palavra. Algumas pessoas recebem imediatamente a mensagem com alegria, mas não há raiz (Mateus 13:20-21). Portanto, nosso objetivo não deve ser simplesmente conseguir uma “decisão”, mas apresentar fielmente Cristo.

Quarto, ore por essa pessoa.

Quando percebemos que nossas explicações chegaram ao limite, aprendemos uma preciosa lição: a salvação pertence ao Senhor.

Paulo escreveu:

“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1 Coríntios 3:6).

Esta é uma excelente descrição do trabalho evangelístico. Nós plantamos. Outros talvez reguem. Deus dá o crescimento.

Não conseguimos abrir espiritualmente o coração de ninguém. Em Atos dos Apóstolos 16:14 encontramos Lídia ouvindo Paulo, mas o texto acrescenta algo maravilhoso:

“E o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia.”

Paulo pregou; o Senhor abriu o coração.

É exatamente dessa dependência que precisamos.

Quinto, tenha paciência.

Uma pessoa pode ouvir o Evangelho muitas vezes antes de compreendê-lo. Não sabemos o que Deus está fazendo interiormente enquanto a Palavra está sendo apresentada.

Isaías 55:10-11 compara a Palavra de Deus à chuva que desce do céu e produz resultado:

“Assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia.”

Talvez hoje você apresente uma passagem. Amanhã outra pessoa apresente outra. Meses depois, aquela primeira passagem volte à consciência da pessoa. Nós vemos apenas o momento da conversa; Deus conhece todo o processo.

Sexto, lembre-se de que existe também resistência voluntária.

Nem toda falta de compreensão é simplesmente dificuldade intelectual. Em alguns casos, a pessoa não entende porque não quer aceitar as implicações daquilo que está ouvindo.

O Senhor Jesus disse:

“E não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40).

Isso é muito solene.

Em João 3:19, o Senhor também explicou:

“E a condenação é esta: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.”

Portanto, existe responsabilidade humana. A incapacidade espiritual do homem natural não elimina sua responsabilidade diante de Deus. A Bíblia apresenta as duas verdades: o pecador depende da operação divina, mas é chamado a arrepender-se e crer.

Deus “anuncia agora a todos os homens, e em todo lugar, que se arrependam” (Atos dos Apóstolos 17:30).

E o Evangelho declara:

“Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13).

Por isso, quando alguém disser: “Eu não consigo entender”, talvez uma boa abordagem seja diminuir as nossas explicações e começar a ler diretamente algumas passagens bíblicas com essa pessoa.

Leia Romanos 3:23; Romanos 5:8; Romanos 6:23; Efésios 2:8-9; Atos dos Apóstolos 16:30-31; João 3:16; João 3:36; João 5:24 e João 6:47.

Depois pergunte simplesmente: “O que este versículo está dizendo?”

Deixe que a própria Palavra fale.

Por exemplo, João 5:24 é extraordinariamente claro:

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.”

Observe que o Senhor não diz “talvez tenha”, “poderá conseguir” ou “terá se conseguir perseverar suficientemente”. Ele diz: “tem a vida eterna”.

Finalmente, não desanime.

Nosso trabalho não é salvar pessoas. Nosso trabalho é anunciar fielmente Aquele que salva.

Paulo resumiu sua mensagem dizendo:

“Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Coríntios 2:2).

Continue apresentando Cristo. Continue apresentando a cruz. Continue mostrando a suficiência da Sua obra. Continue orando. Continue semeando a Palavra.

Chegará um momento, se houver verdadeira conversão, em que aquilo que parecia tão difícil se tornará maravilhosamente simples. A pessoa perceberá que durante todo aquele tempo estava tentando encontrar alguma coisa em si mesma, quando Deus estava apontando para Cristo.

A salvação não consiste em confiar que compreendemos tudo perfeitamente. Consiste em confiar numa Pessoa: o Senhor Jesus Cristo.

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

Josué Matos

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