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Mesmo o irmão não congregando junto com o Mário Persona, o irmão vai a uma congregação somente de irmãos reunidos ao nome do Senhor?

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Mesmo o irmão não congregando junto com o Mário Persona, o irmão vai a uma congregação somente de irmãos reunidos ao nome do Senhor?

Minha Resposta:

Sim, irmã. Sou do sul do Brasil. Nasci em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Meus pais já eram salvos e haviam ouvido o Evangelho por meio de missionários que vieram da Irlanda do Norte. Portanto, desde cedo tive contato com a Palavra de Deus e com o Evangelho, mas isso, evidentemente, não me tornava salvo. Cada pessoa precisa ter uma experiência pessoal com Cristo. Pela graça de Deus, fui salvo aos 18 anos.

Durante muitos anos vivi e me reuni com igrejas locais no sul do Brasil, procurando seguir o modelo que encontramos no Novo Testamento. Mais tarde, em uma visita a Portugal, conheci uma pequena igreja dos irmãos em Lisboa. Percebi a necessidade que havia aqui e, diante disso, decidi permanecer em Portugal e ajudá-los naquilo que fosse necessário. Já estou aqui há sete anos.

Portanto, respondendo diretamente à sua pergunta: sim, reúno-me com irmãos que procuram congregar somente ao nome do Senhor Jesus Cristo, conforme o princípio apresentado pelo próprio Senhor:

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).

Para mim, este é um princípio muito precioso. A igreja local não deve estar reunida em torno do nome de um homem, de uma denominação ou de uma organização religiosa. O centro da reunião deve ser a Pessoa do Senhor Jesus Cristo.

Isso também significa que não devemos fazer do nome “irmãos” uma denominação. Somos irmãos porque fomos feitos filhos de Deus pela fé em Cristo, mas o nome que deve ocupar o lugar central é o nome do Senhor Jesus.

O Novo Testamento apresenta um padrão muito simples para a igreja local. Em Atos dos Apóstolos 2:41-42, aqueles que receberam a Palavra foram batizados e acrescentados à comunhão; depois perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações. Encontramos aí alguns dos elementos fundamentais da vida de uma igreja local.

Da mesma forma, em Atos dos Apóstolos 20:7 vemos os discípulos reunidos no primeiro dia da semana para partir o pão. Em Primeira aos Coríntios 11:23-26 encontramos a Ceia do Senhor; em Primeira aos Coríntios 14 encontramos princípios relativos à reunião da igreja; e em Primeira a Timóteo 3 encontramos instruções sobre a responsabilidade e o governo na casa de Deus.

Assim, quando falamos de estar “reunidos ao nome do Senhor”, não queremos dizer simplesmente que alguns cristãos se encontram em determinado lugar. Mateus 18:20 apresenta Cristo como o centro da reunião. Seu nome envolve Sua Pessoa, Sua autoridade e tudo aquilo que Ele revelou em Sua Palavra.

Por isso, desejamos reconhecer somente a autoridade do Senhor Jesus e da Sua Palavra, dependendo da direção do Espírito Santo. Cristo deve ter a preeminência, conforme está escrito:

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Colossenses 1:18).

Também é importante esclarecer que não afirmamos que somente nós somos salvos, nem que todos os verdadeiros crentes estejam necessariamente reunidos conosco. Graças a Deus, existem verdadeiros filhos de Deus em muitos lugares. A questão aqui não é quem pertence a Cristo, pois “o Senhor conhece os que são seus” (Segunda a Timóteo 2:19). A questão é procurar obedecer ao padrão que encontramos no Novo Testamento para a reunião e o funcionamento da igreja local.

Também não seguimos um homem em particular. Tenho respeito por irmãos que ensinam fielmente a Palavra de Deus, mas a igreja não pertence a nenhum pregador ou ensinador. Paulo precisou corrigir exatamente essa tendência em Corinto, quando alguns diziam: “Eu sou de Paulo”, outros: “Eu, de Apolo”, e outros: “Eu, de Cefas”. Então Paulo perguntou: “Está Cristo dividido?” (Primeira aos Coríntios 1:12-13).

Portanto, não nos reunimos ao nome de Mário Persona, nem de qualquer outro irmão, por mais conhecido ou útil que seja no serviço do Senhor. Procuramos simplesmente estar reunidos ao nome do Senhor Jesus Cristo.

É também por essa razão que considero muito preciosa a expressão de Mateus 18:20: “aí estou eu no meio deles”. O grande valor de uma igreja local não está no tamanho da congregação, na beleza do edifício, na quantidade de atividades ou na popularidade dos pregadores. O que realmente importa é a presença e a autoridade do Senhor Jesus no meio dos Seus.

Uma igreja pode ser pequena e, mesmo assim, ser preciosa aos olhos de Deus. O próprio Senhor falou de “dois ou três”. Isso nos ensina que os números não determinam o valor espiritual de uma reunião. O que importa é Cristo ocupar o centro, Sua Palavra ser respeitada e os crentes procurarem andar em obediência a ela.

Deixo também o nosso site para que o irmão possa conhecer um pouco mais sobre nós:

Palavras do Evangelho

Também pode instalar o nosso aplicativo no telefone, pois fica mais prático para acompanhar os conteúdos:

Aplicativo Palavras do Evangelho na Google Play

Que o Senhor nos conceda graça para permanecermos firmes não em torno de homens, organizações ou nomes religiosos, mas em torno da preciosa Pessoa do Senhor Jesus Cristo, procurando guardar a Sua Palavra e não negar o Seu nome, conforme Apocalipse 3:8.

Josué Matos

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Corrija-me se eu estiver errado. Uma coisa me chamou a atenção em Mateus 5:32 e 19:9

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Corrija-me se eu estiver errado. Uma coisa me chamou a atenção em Mateus 5:32 e 19:9. Quando Jesus falou sobre a exceção para repudiar a mulher, isso aconteceu antes da cruz. Então, isso seria mais uma prova de que a exceção foi mencionada por causa de Deuteronômio 22, que vigorava até a cruz, na Velha Aliança? Essa exceção não aparece depois da cruz. Está correto?

Se for isso, é notório que a única opção na Nova Aliança é reconciliar-se ou ficar só, pois a exceção para se casar novamente seria a morte do marido ou da esposa.

Mateus não é Novo Testamento? O Novo Testamento não começa depois da cruz? Porque há uma distinção importante entre o livro e a vigência da Nova Aliança. Se dissermos que as palavras de Jesus naquela exceção pertencem à Nova Aliança, então elas não estariam apenas no contexto judaico, mas serviriam para toda a Igreja. Como devemos entender isso?

Minha Resposta:

Você percebeu um ponto muito importante, mas precisamos fazer uma pequena distinção para que o argumento fique biblicamente mais preciso.

Sim, quando o Senhor Jesus pronunciou as palavras registradas em Mateus 5:32 e Mateus 19:9, a cruz ainda não havia acontecido, a Igreja ainda não havia sido formada e Israel ainda estava sob a Lei de Moisés. Contudo, isso não significa que tudo o que o Senhor ensinou antes da cruz deixou de ter aplicação depois dela. Muitos princípios ensinados pelo Senhor antes da cruz são permanentes.

Portanto, o argumento principal não deve ser simplesmente: “Jesus falou antes da cruz, logo isso não se aplica à Igreja”. Precisamos observar o contexto, as palavras empregadas e, especialmente, comparar Mateus com Marcos, Lucas e o ensino apostólico.

  1. Mateus está dentro do Novo Testamento, mas os acontecimentos narrados ocorrem antes da inauguração da Nova Aliança

Aqui existe uma distinção importante.

Quando falamos da organização dos livros da Bíblia, Mateus pertence ao Novo Testamento. Mas quando falamos historicamente da Nova Aliança inaugurada pelo sangue de Cristo, devemos lembrar que grande parte dos Evangelhos narra acontecimentos anteriores à cruz.

O próprio Senhor Jesus, na noite em que foi traído, disse:

“Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20).

Compare também Mateus 26:28 e 1 Coríntios 11:25.

Hebreus apresenta a mesma relação entre a morte de Cristo e a Nova Aliança (Hebreus 9:15-17).

Portanto, durante o ministério terreno do Senhor Jesus, Israel ainda vivia sob a ordem mosaica. É por isso que encontramos o Senhor falando do altar (Mateus 5:23-24), ordenando ao homem curado que apresentasse a oferta determinada por Moisés (Mateus 8:4), reconhecendo o lugar dos escribas e fariseus “na cadeira de Moisés” (Mateus 23:2) e participando das festas judaicas.

Mas isso, por si só, não elimina o ensino do Senhor acerca do casamento. Pelo contrário, precisamos descobrir qual princípio Ele estava restaurando.

  1. Jesus levou a questão do casamento para antes da Lei

Quando os fariseus perguntaram:

“É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mateus 19:3),

o Senhor não começou por Deuteronômio 24. Ele voltou a Gênesis:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez?” (Mateus 19:4).

E acrescentou:

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Isso é fundamental.

O padrão do casamento não começou com Moisés. O casamento é uma instituição da criação. Gênesis 2:24 declara:

“Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

Assim, o princípio é anterior a Israel, anterior à Lei e anterior à Igreja.

Quando os fariseus mencionaram Moisés, perguntando por que ele havia “mandado” dar carta de divórcio, Jesus corrigiu a maneira como apresentaram a questão:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim” (Mateus 19:8).

Moisés não estabeleceu o divórcio como o ideal de Deus. Ele regulamentou uma situação surgida por causa da dureza do coração humano.

Cristo, porém, retorna ao princípio.

  1. A cláusula de exceção precisa ser entendida dentro do contexto de Mateus

Aqui chegamos ao ponto central da pergunta.

Mateus 5:32 e Mateus 19:9 contêm a expressão traduzida como “a não ser por causa de prostituição” ou “exceto por causa de fornicação”.

A palavra usada é “porneia”.

Entretanto, quando o Senhor fala de adultério, é usada outra palavra, relacionada a “moicheia”.

Essa distinção é importante.

Se o Senhor estivesse simplesmente querendo dizer “exceto em caso de adultério cometido durante o casamento”, seria estranho empregar uma palavra diferente justamente quando o adultério está sendo mencionado no mesmo contexto.

Há uma explicação muito coerente dentro do próprio Evangelho de Mateus.

Em Mateus 1 encontramos José e Maria.

Eles estavam desposados, mas ainda não tinham consumado o casamento:

“Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem...” (Mateus 1:18).

Apesar disso, José já é tratado como marido:

“José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mateus 1:19).

E o anjo diz:

“José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher” (Mateus 1:20).

Isso parece estranho para nós porque o nosso noivado não possui essa condição jurídica. Mas no sistema judaico o desposório era muito mais vinculativo.

José e Maria ainda não haviam se unido matrimonialmente, mas o compromisso era tão sério que, para desfazê-lo, seria necessário repudiá-la.

José acreditou inicialmente que Maria havia sido sexualmente infiel durante o período do desposório.

É exatamente esse contexto que ajuda a compreender por que a exceção aparece em Mateus.

  1. Deuteronômio 22 também ajuda a compreender o pano de fundo

Deuteronômio 22 trata de diferentes pecados sexuais e de situações relacionadas à virgindade, ao desposório e ao casamento.

É importante notar que, sob a Lei, o adultério não era simplesmente uma autorização para divorciar-se e casar novamente. A penalidade estabelecida era muito mais severa:

“Quando um homem for achado deitado com mulher casada com marido, então ambos morrerão” (Deuteronômio 22:22).

Também encontramos em Deuteronômio 22:23-24 o caso de uma virgem desposada.

Isso demonstra que havia uma condição especial envolvendo o desposório judaico.

Portanto, há fundamento para relacionar a exceção de Mateus ao contexto judaico de pureza antes da consumação do casamento, particularmente à situação de uma pessoa desposada que se mostrasse sexualmente infiel.

Mas eu faria uma pequena correção na maneira como a pergunta foi formulada: não diria simplesmente que “a exceção deixou de existir porque Deuteronômio 22 deixou de vigorar na cruz”. Diria que a exceção dizia respeito a uma circunstância própria do desposório judaico, razão pela qual não aparece quando o ensino é apresentado em contextos gentílicos e posteriormente nas epístolas.

  1. Por que a exceção aparece somente em Mateus?

Este é um argumento muito importante.

Veja o que o Senhor diz em Marcos:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Nenhuma exceção.

Veja Lucas:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Novamente, nenhuma exceção.

Isso é significativo.

Mateus possui forte contexto judaico e apresenta a situação de José e Maria, na qual uma mulher desposada é chamada “mulher”, José é chamado “marido”, e romper o desposório exigiria repudiá-la.

Marcos, escrevendo num contexto em que essa peculiaridade judaica não precisava ser explicada, simplesmente apresenta o princípio:

se alguém deixa o cônjuge e casa com outro, comete adultério.

Lucas faz a mesma coisa.

Portanto, não podemos usar o texto mais difícil de Mateus para contradizer as declarações absolutamente claras de Marcos e Lucas. Devemos interpretar a cláusula de Mateus de uma maneira que esteja em harmonia com todo o ensino do Senhor.

  1. O ensino apostólico depois da cruz confirma isso

Aqui está talvez a confirmação mais forte da observação feita na pergunta.

Quando chegamos às epístolas, escritas diretamente às igrejas, não encontramos novamente a cláusula de exceção de Mateus.

Em Romanos 7:2-3, Paulo escreve:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for de outro marido.”

Observe cuidadosamente.

Paulo não diz:

“enquanto o marido viver, exceto se houver adultério”.

Ele simplesmente diz:

“enquanto ele viver”.

E depois:

“morto o marido, está livre”.

A morte é apresentada como aquilo que encerra o vínculo matrimonial.

O mesmo aparece em 1 Coríntios 7.

  1. “Fique sem casar ou que se reconcilie”

Em 1 Coríntios 7:10-11 encontramos uma passagem especialmente importante porque Paulo está dando instruções diretamente aos crentes:

“Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.”

Aqui temos exatamente as duas possibilidades mencionadas na pergunta.

Se houver separação:

“fique sem casar”

ou

“que se reconcilie”.

Não aparece uma terceira possibilidade:

“case-se com outra pessoa”.

Isso é muito importante.

Além disso, Paulo diz:

“mando, não eu, mas o Senhor”.

Ou seja, Paulo está apoiando sua instrução naquilo que o próprio Senhor já havia ensinado.

Isso harmoniza perfeitamente com Marcos 10:11-12 e Lucas 16:18.

  1. E quando o cônjuge incrédulo abandona o crente?

Alguns usam 1 Coríntios 7:15 para ensinar que o abandono permite novo casamento:

“Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão ou irmã não está sujeito à servidão.”

Porém, o texto não diz:

“está livre para casar novamente”.

A questão é que o crente não deve viver numa guerra permanente tentando obrigar o incrédulo a permanecer. Se o incrédulo decidiu partir, o crente não pode mantê-lo preso fisicamente à relação.

Paulo termina:

“Deus chamou-nos para a paz.”

Isso deve ser entendido à luz do que ele acabou de dizer:

“fique sem casar ou que se reconcilie” (1 Coríntios 7:11).

Quando Paulo quer falar claramente da liberdade para um novo casamento, ele sabe fazê-lo. Veja 1 Coríntios 7:39:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Aqui a linguagem é inequívoca.

Enquanto ele vive: “está ligada”.

Quando ele morre: “fica livre para casar”.

  1. A viuvez é, portanto, claramente apresentada como condição para novo casamento

Sim. Nesse ponto, a conclusão apresentada na pergunta está correta.

Romanos 7:2-3 ensina isso.

1 Coríntios 7:39 repete isso.

Paulo também escreve:

“Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu” (1 Coríntios 7:8).

E, em outro contexto, afirma:

“Quero, pois, que as que são moças se casem” (1 Timóteo 5:14).

Portanto, a Escritura reconhece claramente o novo casamento depois da morte do cônjuge.

  1. Então Mateus 5:32 e 19:9 não valem para nós?

Não devemos colocar dessa maneira.

O ensino de Mateus continua sendo Palavra de Deus e possui enorme importância para nós. O princípio ensinado pelo Senhor é permanente:

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

O que precisamos distinguir é a situação específica contemplada pela cláusula de exceção.

Ela aparece em Mateus porque o Evangelho apresenta elementos particularmente judaicos e porque o desposório judaico possuía uma condição jurídica diferente do nosso noivado moderno.

É justamente Mateus que nos oferece, em José e Maria, a chave histórica para compreender como alguém poderia ser chamado “marido” e “mulher” antes de terem se ajuntado.

Depois que o casamento está efetivamente constituído, o princípio apresentado pelo restante do Novo Testamento é extremamente claro:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela” (Marcos 10:11).

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera” (Lucas 16:18).

“Vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido” (Romanos 7:3).

“Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido” (1 Coríntios 7:11).

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

  1. A questão não depende apenas da mudança da Antiga para a Nova Aliança

Portanto, eu reformularia a conclusão da pergunta da seguinte maneira:

A cláusula de exceção de Mateus não deve ser entendida simplesmente como uma permissão temporária que terminou automaticamente na cruz. Ela deve ser compreendida dentro do contexto judaico em que foi pronunciada, particularmente à luz do desposório e da distinção entre fornicação e adultério.

Ao mesmo tempo, é muito significativo que a exceção não apareça em Marcos 10:11-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3 ou 1 Coríntios 7:10-11,39.

Quando chegamos às instruções apostólicas dirigidas às igrejas, a regra é clara: o casamento estabelece um vínculo para toda a vida. Havendo uma separação, a orientação é permanecer sem casar ou buscar a reconciliação. A liberdade expressamente declarada para um novo casamento aparece quando o cônjuge morre.

Isso também demonstra que o ensino cristão sobre a permanência do casamento não depende simplesmente da Lei de Moisés. Na realidade, ele retorna muito mais longe: ao propósito original de Deus na criação.

Por isso o Senhor não disse: “O que Moisés regulamentou não separe o homem”.

Ele disse:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Esse é o ponto fundamental.

A Lei tolerou determinadas situações por causa da dureza do coração humano. Cristo, porém, levou os seus ouvintes de volta ao princípio:

“Mas, ao princípio, não foi assim” (Mateus 19:8).

E o ensino apostólico mantém esse padrão: enquanto ambos vivem, permanece o vínculo; se houver separação, permaneça sem casar ou reconcilie-se; ocorrendo a morte do cônjuge, há liberdade para casar novamente, “contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

Assim, sua percepção está essencialmente no caminho correto, apenas com esta ressalva: não é simplesmente porque Mateus 5 e 19 aconteceram antes da cruz que a cláusula deve ser descartada. A razão mais consistente é compreender a cláusula dentro do contexto judaico do desposório e depois harmonizá-la com o ensino inequívoco do Senhor em Marcos e Lucas e com o ensino apostólico em Romanos e 1 Coríntios.

A Escritura inteira, considerada em conjunto, apresenta o casamento como uma união estabelecida por Deus, destinada a permanecer enquanto os dois cônjuges viverem.

Josué Matos

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O Crente Vota em Quem?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Muito precioso, irmão, seu vídeo: “O Crente Vota em Quem?”, Josué Matos.

Louvado seja o Senhor Jesus por partilhar essa verdade, para a qual muitos estão cegos, inclusive muitos de nossos irmãos.

Minha Resposta:

Amém, irmão. Fico muito agradecido pelas suas palavras e, acima de tudo, desejo que toda a glória seja dada ao Senhor Jesus Cristo.

Esse assunto realmente exige cuidado, porque vivemos numa época em que a política tem provocado divisões profundas até mesmo entre aqueles que professam o nome de Cristo. Muitas vezes, irmãos que deveriam estar unidos em torno da Pessoa do Senhor Jesus acabam discutindo, separando-se e até tratando uns aos outros como adversários por causa de candidatos, partidos e ideologias políticas.

A grande questão que o crente precisa fazer não é simplesmente: “Qual candidato é melhor?” ou “Em quem devo votar?”, mas uma pergunta anterior e muito mais importante: “Qual é o lugar que o Novo Testamento dá ao cristão em relação à política deste mundo?”

Quando examinamos o Novo Testamento, encontramos orientações muito claras sobre a relação do crente com as autoridades. Devemos respeitá-las, obedecer às leis, pagar os impostos e orar pelos governantes. Entretanto, não encontramos os cristãos sendo orientados a participar da disputa pelo governo deste mundo.

Em Romanos 13:1, lemos:

“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.”

Portanto, o cristão não deve ser rebelde contra o governo. Ainda que discorde das autoridades, deve respeitá-las. Evidentemente, existe um limite: quando uma autoridade exige algo contrário à Palavra de Deus. Nesse caso, permanece o princípio de Atos dos Apóstolos 5:29:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.”

Mas é muito interessante observar que, quando o Novo Testamento fala sobre a influência que os cristãos devem exercer em relação aos governantes, ele não aponta primeiramente para as urnas, mas para a oração.

Paulo escreveu:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2:1-2).

Observe a diferença. Deus não disse à Igreja que sua missão seria conquistar o governo, transformar o Império Romano ou colocar cristãos no poder. Deus mandou os cristãos orarem pelas autoridades para que pudessem viver uma vida tranquila, piedosa e honesta.

Isso acontece porque a vocação da Igreja é celestial.

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Essa verdade muda completamente nossa perspectiva.

O cristão vive neste mundo, trabalha neste mundo, paga impostos neste mundo, respeita as autoridades deste mundo e procura fazer o bem enquanto estiver neste mundo. Contudo, ele pertence a outro lugar.

O próprio Senhor Jesus declarou diante de Pilatos:

“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Se o reino de Cristo fosse deste mundo, Seus servos lutariam para defendê-Lo. Mas o Senhor deixou muito claro que Seu reino não possui sua origem no sistema político presente.

Isso não significa que o cristão seja indiferente ao sofrimento das pessoas ou aos problemas da sociedade. Pelo contrário. Devemos fazer o bem, ajudar os necessitados, defender aquilo que é justo em nossa conduta pessoal, anunciar a verdade e manifestar o caráter de Cristo.

O Senhor Jesus disse:

“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).

E também:

“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).

Mas existe uma diferença entre sermos luz no mundo e tentarmos assumir o controle do mundo.

A missão principal da Igreja não é reformar politicamente a sociedade, mas anunciar o Evangelho.

Quando observamos o livro de Atos dos Apóstolos, encontramos os cristãos vivendo sob governos que estavam muito longe dos princípios bíblicos. Havia idolatria, imoralidade, injustiça, escravidão e inúmeras práticas pecaminosas no Império Romano. Mesmo assim, os apóstolos não organizaram movimentos políticos para conquistar Roma.

Eles pregavam Cristo.

Pedro anunciou:

“Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos dos Apóstolos 4:12).

Paulo atravessou cidades e províncias anunciando o Evangelho. Sua preocupação fundamental não era substituir César, mas apresentar Cristo.

Isso ocorre porque o problema fundamental da humanidade não é político. É espiritual.

Um novo governo não pode produzir um novo coração.

Uma nova lei não pode produzir o novo nascimento.

Uma eleição não pode reconciliar o pecador com Deus.

Somente Cristo pode fazer isso.

Por isso Paulo escreveu:

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).

Existe ainda outro perigo muito sério. Quando os cristãos começam a identificar a causa de Cristo com determinado partido, candidato ou ideologia, facilmente o testemunho do Evangelho fica comprometido.

O incrédulo pode começar a pensar que ser cristão significa pertencer a determinada posição política. Entretanto, o Evangelho não é de direita nem de esquerda. O Evangelho vem do céu.

Nosso Senhor não veio fundar um partido político. Ele veio:

“buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).

Além disso, nenhum candidato representa perfeitamente os princípios de Deus. Podemos encontrar alguém que defenda determinada questão moral correta e, ao mesmo tempo, sustente outras coisas incompatíveis com as Escrituras.

Por isso devemos ter muito cuidado para não colocar nossa esperança nos homens.

O Salmo 146:3 declara:

“Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação.”

A esperança do cristão não está na próxima eleição.

Nossa esperança é uma Pessoa.

Paulo escreveu:

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13).

Também precisamos lembrar que Deus continua soberano sobre as autoridades humanas. Daniel aprendeu esta grande verdade:

“O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:32).

Isso não significa que todos os governantes sejam bons ou que Deus aprove suas ações. Significa que nenhum governo escapa à soberania divina e que Deus continua conduzindo a história para o cumprimento de Seus propósitos.

Portanto, enquanto o mundo pergunta:

“Quem vai governar?”

O cristão sabe:

“Deus ainda está no trono.”

Enquanto as pessoas colocam sua esperança em candidatos, o cristão coloca sua esperança em Cristo.

Enquanto partidos prometem transformar a sociedade, o Evangelho anuncia uma transformação muito mais profunda: a transformação do pecador mediante o novo nascimento.

E enquanto os reinos deste mundo surgem e desaparecem, nós aguardamos aquele Reino que jamais passará.

Apocalipse 11:15 aponta para o dia em que será declarado:

“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”

Até aquele dia, nossa responsabilidade é clara: respeitar as autoridades, pagar aquilo que lhes é devido, obedecer às leis enquanto não contrariem a Palavra de Deus, orar pelos governantes, viver de maneira santa e anunciar fielmente o Evangelho.

Não fomos enviados ao mundo para conquistar o sistema político, mas para apresentar Cristo aos pecadores.

Nossa maior influência não está numa urna, mas numa vida piedosa, numa igreja que ora e num Evangelho anunciado com fidelidade.

Podemos mudar um governante através de uma eleição, mas somente Deus pode mudar um coração através do Evangelho.

Por isso, em vez de depositarmos nossas esperanças nos homens, devemos manter os olhos naquele que em breve virá buscar a Sua Igreja.

“Porque a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Que o Senhor nos dê graça para vivermos neste mundo sem pertencermos ao seu sistema, respeitando as autoridades sem colocarmos nelas nossa esperança, fazendo o bem a todos e mantendo nossa fidelidade Àquele que verdadeiramente é o Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Josué Matos

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A “lei do marido”, mas a lei que é citada em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39 não seria a lei divina do matrimônio criada por Deus?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, estava lendo aqui, e você cita a “lei do marido”, mas a lei que é citada em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39 não seria a lei divina do matrimônio criada por Deus?

Minha Resposta:

Sim, irmão. É importante fazer essa distinção, porque a expressão “lei do marido”, em Romanos 7:2, não deve ser entendida simplesmente como uma referência à Lei de Moisés sobre divórcio, nem como se Paulo estivesse estabelecendo uma regra exclusivamente judaica. O princípio que Paulo usa é muito mais antigo. Ele está fundamentado na ordem divina estabelecida por Deus para o matrimônio desde a criação.

Em Romanos 7:2-3 lemos:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido.”

Observe a expressão: “enquanto ele viver”. Depois Paulo acrescenta: “morto o marido, está livre da lei do marido”.

Portanto, a morte aparece como aquilo que encerra o vínculo e dá liberdade para uma nova união.

Isso fica ainda mais claro quando comparamos Romanos 7 com 1 Coríntios 7:39:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Em Romanos 7, Paulo utiliza o matrimônio como uma ilustração para explicar nossa antiga relação com a lei e nossa nova relação com Cristo. Portanto, o assunto principal de Romanos 7 não é casamento e divórcio. Contudo, a ilustração somente funciona porque Paulo parte de um princípio matrimonial que seus leitores poderiam reconhecer: enquanto o cônjuge vive, permanece o vínculo; ocorrendo a morte, existe liberdade para uma nova união.

Mas de onde vem esse princípio?

Precisamos voltar a Gênesis, e não começar em Deuteronômio.

  1. A lei fundamental do casamento vem da criação

Antes de existir Israel, antes de Moisés, antes do Sinai e antes da antiga aliança, Deus já havia estabelecido o casamento.

Gênesis 2:24 declara:

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

Esse princípio foi estabelecido quando havia apenas um homem e uma mulher. Não existia ainda a nação de Israel nem a Lei mosaica.

Portanto, o casamento pertence à ordem criacional de Deus.

É muito significativo que, quando os fariseus perguntaram ao Senhor Jesus sobre o divórcio, Ele não começou por Deuteronômio 24. Ele voltou a Gênesis.

Mateus 19:4-6 diz:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”

Veja a expressão empregada pelo Senhor:

“no princípio”.

Esse detalhe é fundamental.

Os fariseus queriam discutir aquilo que Moisés havia permitido. O Senhor Jesus os levou àquilo que Deus havia estabelecido antes da permissão mosaica.

Depois eles perguntaram:

“Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?”

E o Senhor respondeu:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:7-8).

Novamente aparece a expressão decisiva:

“ao princípio não foi assim”.

Portanto, há uma diferença entre o princípio divino da criação e aquilo que posteriormente foi permitido por causa da dureza do coração humano.

  1. “A lei do marido” não deve ser confundida com a permissão de Deuteronômio 24

Esse ponto ajuda bastante a compreender Romanos 7.

Quando Paulo fala da “lei do marido”, ele não está dizendo que a carta de divórcio de Deuteronômio 24 constitui o fundamento permanente do matrimônio.

Pelo contrário, ele apresenta uma relação que permanece enquanto o cônjuge vive e que termina pela morte.

A própria ilustração seria enfraquecida se Paulo estivesse dizendo que o vínculo poderia terminar simplesmente por uma decisão humana. Seu argumento depende da permanência daquela relação enquanto houver vida.

Por isso ele diz:

“enquanto ele viver”.

E:

“morto o marido, está livre”.

Depois, em 1 Coríntios 7:39, praticamente o mesmo princípio aparece novamente:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive.”

Logo, podemos chamar isso de lei divina do matrimônio no sentido de ser o princípio estabelecido por Deus para a união conjugal.

  1. O casamento precede a Lei de Moisés

Isso também responde a uma questão importante que apareceu anteriormente em nossa conversa.

Não podemos colocar tudo o que o Senhor Jesus ensinou sobre casamento simplesmente dentro da categoria de “antiga aliança” e, depois, dizer que o ensino apostólico começou do zero após a cruz.

Há elementos especificamente mosaicos que pertenciam a Israel, mas o matrimônio não nasceu no Sinai.

Adão não era israelita.

Eva não estava sob a Lei mosaica.

Mesmo assim, Deus disse:

“serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

O Senhor Jesus confirmou esse princípio em Mateus 19:4-6 e Marcos 10:6-9.

Paulo voltou ao mesmo texto em Efésios 5:31:

“Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne.”

Assim temos uma sequência muito importante:

Gênesis 2 estabelece o princípio.

O Senhor Jesus confirma o princípio.

Paulo confirma o princípio.

Isso mostra a permanência da ordem divina para o matrimônio.

  1. “Uma só carne” é mais profundo do que um contrato humano

Outro detalhe importante é que Deus não descreve o casamento apenas como um contrato social.

Ele diz:

“serão uma só carne”.

O Senhor Jesus acrescenta:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Portanto, existe uma ação divina reconhecida nessa união.

Um tribunal humano pode declarar duas pessoas civilmente divorciadas, mas a pergunta bíblica é mais profunda: o que acontece com o vínculo que Deus estabeleceu?

É exatamente nesse ponto que Romanos 7:2-3 se torna tão importante:

“vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido”.

Por quê?

Porque o primeiro homem ainda está vivo e, portanto, o vínculo que serve de base à argumentação de Paulo permanece.

  1. 1 Coríntios 7 confirma essa compreensão

Esse princípio não aparece apenas incidentalmente em Romanos 7.

Em 1 Coríntios 7, Paulo está tratando diretamente de casamento.

Aos casados ele diz:

“Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (1 Coríntios 7:10-11).

Observe as duas possibilidades dadas à pessoa separada:

“que fique sem casar”;

ou

“que se reconcilie”.

Isso é muito significativo.

Paulo não apresenta a separação como oportunidade para começar outra união.

E quando chega ao final do capítulo, ele declara:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

A morte é apresentada novamente como o acontecimento que concede liberdade para casar novamente.

  1. Isso também explica Marcos 10 e Lucas 16

Marcos registra as palavras do Senhor:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Lucas registra:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Essas declarações harmonizam-se perfeitamente com Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39.

A razão pela qual uma nova união é chamada de adultério enquanto o primeiro cônjuge vive é justamente a permanência do vínculo matrimonial estabelecido por Deus.

  1. Portanto, irmão, sua observação está correta

Quando você pergunta se a “lei do marido” é a lei divina do matrimônio criada por Deus, eu diria que sim, desde que entendamos corretamente a expressão.

Romanos 7 está inserido numa discussão maior sobre a lei, e Paulo utiliza o matrimônio como ilustração. Porém, o princípio matrimonial utilizado por ele não começou com a legislação do divórcio dada a Israel.

Sua raiz está em Gênesis:

“serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

Foi confirmado pelo Senhor:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Foi reafirmado por Paulo:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

E novamente:

“vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido” (Romanos 7:3).

Assim, podemos fazer uma distinção importante:

A permissão do divórcio em Deuteronômio estava relacionada à legislação dada a Israel e à dureza do coração humano.

O princípio da união matrimonial, porém, é anterior à Lei de Moisés. Ele pertence à própria ordem estabelecida por Deus na criação.

Por isso o Senhor Jesus não disse aos fariseus: “Vamos descobrir como facilitar o divórcio”.

Ele disse, em essência: voltem ao princípio.

“Desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” (Marcos 10:6).

Essa é a chave.

O padrão não começa em Deuteronômio 24. Começa em Gênesis 2.

E é justamente esse princípio que encontramos novamente no ensino apostólico.

Josué Matos

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