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Qual a garantia que temos de que a Bíblia não foi adulterada?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão Josué, qual a garantia que temos de que a Bíblia não foi adulterada?

Primeiros textos do Antigo Testamento: por volta de 1400–1200 a.C. (dependendo da datação adotada).

Últimos escritos do Novo Testamento: provavelmente no final do século I d.C., aproximadamente 90–100 d.C.

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta muito importante, porque estamos falando de documentos escritos ao longo de muitos séculos e que, durante grande parte de sua história, precisaram ser copiados manualmente. Portanto, a pergunta é legítima: como podemos saber que aquilo que lemos hoje corresponde substancialmente ao que os escritores bíblicos escreveram?

É importante começar fazendo uma distinção. Uma coisa é perguntar se ocorreram erros de cópia durante a transmissão dos manuscritos. Outra coisa completamente diferente é afirmar que a Bíblia foi adulterada, isto é, que alguém ou alguma instituição modificou deliberadamente sua mensagem de maneira generalizada.

A primeira coisa realmente aconteceu: existem variantes entre os manuscritos antigos. A segunda afirmação, porém, não encontra sustentação na evidência documental disponível.

  1. A própria Bíblia apresenta Deus como aquele que preserva Sua Palavra

A confiança cristã na preservação das Escrituras começa no próprio caráter de Deus.

O Senhor Jesus declarou:

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24:35).

Em outro lugar, encontramos:

“Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Isaías 40:8).

O Salmo 119 também declara:

“Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu” (Salmos 119:89).

E o Senhor Jesus afirmou acerca das Escrituras:

“...a Escritura não pode ser anulada” (João 10:35).

Isso não significa necessariamente que Deus prometeu preservar cada cópia manuscrita sem qualquer erro de copista. A história dos manuscritos mostra que os copistas cometeram erros. Significa, porém, que Deus não permitiu que Sua revelação desaparecesse ou fosse corrompida de maneira que Sua mensagem se tornasse irrecuperável.

  1. Não possuímos apenas uma linha de transmissão

Aqui está um dos argumentos mais importantes.

Se tivéssemos apenas uma Bíblia manuscrita, copiada de outra, que foi copiada de outra, durante muitos séculos, seria muito mais difícil verificar se alterações haviam ocorrido.

Mas não foi assim que a Bíblia chegou até nós.

Existem numerosos manuscritos provenientes de diferentes épocas e regiões. No caso do Novo Testamento, há manuscritos gregos, traduções muito antigas para outros idiomas e numerosas citações dos textos bíblicos encontradas nos escritos dos primeiros cristãos.

Isso cria uma enorme rede de testemunhas independentes.

É justamente a existência de muitos manuscritos que nos permite descobrir diferenças entre eles.

Suponhamos, por exemplo, que dez copistas copiassem determinado texto e um deles, acidentalmente, omitisse uma frase. Se tivéssemos somente a cópia dele, talvez nunca soubéssemos da omissão.

Mas, possuindo as outras nove cópias, podemos compará-las e identificar facilmente o problema.

Portanto, curiosamente, a existência de variantes nos manuscritos não demonstra que perdemos a Bíblia. Pelo contrário: a enorme quantidade de testemunhas é justamente aquilo que permite identificar as variantes e reconstruir o texto com extraordinária segurança.

  1. Existem, sim, variantes textuais

É importante não esconder esse fato.

Os manuscritos antigos não são absolutamente idênticos. Há diferenças de grafia, inversões na ordem das palavras, omissões acidentais, repetições, harmonizações e outras variações produzidas durante séculos de cópia manual.

Por exemplo, um copista poderia repetir uma palavra, saltar uma linha porque duas linhas terminavam de maneira semelhante ou trocar a ordem de duas palavras.

A existência dessas variantes é conhecida e estudada. Existe inclusive uma área especializada chamada crítica textual, cuja finalidade é comparar os manuscritos e determinar, com a maior segurança possível, a forma mais antiga do texto.

Portanto, quando alguém diz: “A Bíblia sofreu alterações durante as cópias”, precisamos perguntar:

“Que tipo de alterações?”

Se estiver falando de variantes entre manuscritos, sim, elas existem.

Mas se estiver afirmando que alguém reescreveu a Bíblia inteira e modificou sua mensagem, então precisa apresentar evidências para isso.

São afirmações completamente diferentes.

  1. Uma adulteração generalizada seria extremamente difícil

Imagine o que seria necessário para adulterar o Novo Testamento depois que seus livros começaram a circular.

Seria preciso localizar manuscritos espalhados por diversas regiões, recolhê-los, alterar todos eles da mesma maneira, modificar traduções já existentes e ainda corrigir as citações que cristãos haviam feito desses textos em seus próprios escritos.

Isso se tornaria cada vez mais impossível conforme o cristianismo se espalhava geograficamente.

Os textos não estavam guardados em um único edifício sob controle de uma única organização. Eram copiados e distribuídos.

As igrejas possuíam seus exemplares. Cristãos copiavam textos. Traduções eram produzidas. Escritores citavam passagens.

Portanto, não existia um único “arquivo central” que alguém pudesse modificar e, dessa forma, alterar todas as Bíblias existentes.

  1. O próprio Novo Testamento mostra que os escritos circulavam

Paulo escreveu aos Colossenses:

“E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodiceia lede-a vós também” (Colossenses 4:16).

Isso mostra que os documentos eram compartilhados entre as igrejas.

Pedro também demonstra conhecimento de uma coleção de cartas de Paulo:

“...como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas...” (2 Pedro 3:15-16).

Assim, desde muito cedo, os escritos apostólicos começaram a circular para além de seus destinatários originais.

Quanto mais cópias eram produzidas e distribuídas, mais difícil se tornava qualquer tentativa posterior de alteração universal.

  1. O Antigo Testamento também apresenta evidências importantes de preservação

Durante muito tempo alguém poderia perguntar: “Como sabemos que o texto hebraico não foi profundamente alterado durante os séculos?”

Os manuscritos encontrados na região do Mar Morto deram uma contribuição muito importante para essa questão.

Eles forneceram manuscritos bíblicos muito anteriores aos manuscritos hebraicos medievais que durante muito tempo constituíram nossa principal base documental.

Isso permitiu comparar textos separados por muitos séculos.

Há diferenças textuais em determinados lugares, naturalmente, mas a comparação também demonstra uma notável continuidade da tradição textual do Antigo Testamento.

Isso é muito significativo.

Temos, portanto, diferentes testemunhas do texto hebraico e também antigas traduções, como a tradução grega do Antigo Testamento, que permitem comparações.

  1. A Bíblia nunca escondeu a importância da transmissão escrita

Deus ordenou repetidamente que Sua revelação fosse registrada.

Disse Deus a Moisés:

“Escreve isto para memória num livro...” (Êxodo 17:14).

Novamente:

“Escreve estas palavras...” (Êxodo 34:27).

A respeito da Lei, encontramos:

“E escreveu Moisés esta lei...” (Deuteronômio 31:9).

Os profetas também receberam ordens semelhantes. Deus disse a Jeremias:

“Toma o rolo de um livro e escreve nele todas as palavras que te tenho falado...” (Jeremias 36:2).

No Novo Testamento encontramos o mesmo princípio:

“Estas, porém, foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus...” (João 20:31).

E no final do Novo Testamento:

“Escreve num livro o que vês e envia-o às sete igrejas...” (Apocalipse 1:11).

A revelação divina não deveria depender exclusivamente da memória humana. Ela foi registrada e transmitida.

  1. Jesus confirmou as Escrituras que existiam em Seus dias

Este é um argumento especialmente importante para o cristão.

Quando o Senhor Jesus esteve neste mundo, os escritos de Moisés já tinham atravessado muitos séculos de transmissão.

Mesmo assim, Cristo tratava as Escrituras disponíveis em Seus dias como Palavra de Deus.

Ele dizia:

“Está escrito...” (Mateus 4:4).

E novamente:

“Não tendes lido o que Deus vos declarou...?” (Mateus 22:31).

Observe a força dessa declaração. Jesus estava falando de algo que havia sido escrito séculos anteriormente, mas disse:

“o que Deus vos declarou”.

Para Cristo, aquilo que Deus havia dito nas Escrituras continuava falando às gerações posteriores.

Depois de Sua ressurreição, Ele afirmou:

“São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos” (Lucas 24:44).

Portanto, o próprio Senhor reconheceu a autoridade das Escrituras que haviam sido transmitidas durante séculos.

  1. Os apóstolos igualmente confiavam nas Escrituras

Paulo escreveu:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16).

Pedro escreveu:

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).

A inspiração pertence aos escritos dados por Deus. A transmissão posterior ocorreu por meio de seres humanos, razão pela qual surgiram variantes de cópia. Entretanto, a abundância de testemunhos manuscritos permite identificar e estudar essas diferenças.

Não precisamos defender uma ideia que a própria evidência não exige, como se todos os copistas da história tivessem sido miraculosamente impedidos de cometer qualquer erro.

Eles cometeram erros.

Mas erros de copistas não equivalem à adulteração da Bíblia.

  1. Nenhuma doutrina fundamental do cristianismo depende de uma passagem cuja existência seja desconhecida por causa das variantes

Esse ponto também é muito importante.

As grandes doutrinas bíblicas não dependem de um único versículo isolado.

A divindade do Senhor Jesus Cristo, Sua humanidade, Sua morte, Sua ressurreição, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, a justificação pela fé, o juízo futuro, a ressurreição dos mortos e a segunda vinda de Cristo aparecem repetidamente nas Escrituras.

Por exemplo, mesmo que alguém tentasse retirar determinada passagem que ensina a ressurreição de Cristo, encontraria essa verdade novamente em Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos dos Apóstolos, Romanos, 1 Coríntios, 1 Pedro e outros lugares.

Paulo escreveu:

“Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3-4).

A mensagem central está profundamente entrelaçada em todo o Novo Testamento.

  1. Portanto, qual é a nossa garantia?

Podemos falar de dois tipos de segurança que se complementam.

Do ponto de vista histórico e documental, possuímos uma enorme quantidade de testemunhas textuais que podem ser comparadas entre si. As diferenças não são escondidas; são catalogadas, estudadas e avaliadas. Justamente por possuirmos tantas testemunhas, podemos detectar onde os copistas divergiram.

Do ponto de vista da fé, cremos no Deus que inspirou Sua Palavra e que não permitiria que Sua revelação desaparecesse da Terra.

Pedro escreveu:

“Mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pedro 1:25).

Não precisamos afirmar que nunca houve um erro de cópia. Houve. Também não precisamos dizer que todos os manuscritos são idênticos. Não são.

A afirmação correta é muito mais sólida: apesar de séculos de transmissão manuscrita, possuímos testemunhos suficientes para comparar os textos, identificar suas variantes e conhecer com enorme segurança aquilo que os escritores bíblicos escreveram.

E há ainda uma pergunta que deve ser feita a quem afirma que “a Bíblia foi adulterada”:

Quando ela foi adulterada?

Quem realizou essa adulteração?

Quais manuscritos foram alterados?

Onde estão os manuscritos anteriores que apresentam a suposta versão original?

Em que século ocorreu essa mudança?

Como conseguiram modificar simultaneamente manuscritos espalhados geograficamente, traduções antigas e citações já existentes?

A afirmação de adulteração precisa ser demonstrada historicamente, e não apenas repetida.

A Bíblia não chegou até nós porque um manuscrito sobreviveu isoladamente durante milhares de anos. Ela chegou através de uma ampla tradição documental que permite comparar testemunha com testemunha.

Por isso podemos reconhecer humildemente a existência das variantes produzidas pela transmissão humana e, ao mesmo tempo, afirmar com confiança:

“A palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pedro 1:25).

Josué Matos

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Como se dá, na prática, o “falem dois ou três, e os outros julguem”?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Oi, irmão. Sobre o ministério da Palavra, sabemos que é aberto aos irmãos que estão em comunhão. Minha dúvida é: como se dá, na prática, o “falem dois ou três, e os outros julguem”?

Agradeço. Paz seja contigo.

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta importante porque Primeira aos Coríntios 14:29 precisa ser entendida dentro do seu contexto e, principalmente, precisamos distinguir aquilo que acontecia na igreja apostólica da aplicação desse princípio às reuniões da igreja local hoje.

Paulo escreveu:

“E falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (Primeira aos Coríntios 14:29).

Primeiramente, o texto não está dizendo simplesmente que qualquer irmão em comunhão poderia levantar-se e falar. O versículo diz especificamente “profetas”. Naquele período inicial da Igreja havia o dom sobrenatural de profecia, pelo qual Deus comunicava revelação antes que o Novo Testamento estivesse completo. Por isso, no versículo seguinte encontramos:

“Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro” (Primeira aos Coríntios 14:30).

Observe a palavra “revelada”. Portanto, estamos diante de uma situação própria daquele período em que havia profetas recebendo revelação divina.

Hoje não temos profetas nesse sentido. A revelação de Deus nas Escrituras está completa, e nossa responsabilidade não é receber novas revelações, mas ensinar, expor e aplicar fielmente aquilo que Deus já revelou em Sua Palavra.

Entretanto, os princípios estabelecidos nesse capítulo continuam extremamente importantes para o ministério da Palavra na igreja local.

O primeiro princípio é a pluralidade do ministério.

Paulo diz: “falem dois ou três”. Isso mostra que o padrão apresentado não é o ministério monopolizado permanentemente por um único homem. Na igreja local existem diferentes dons concedidos pelo Senhor.

“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (Primeira aos Coríntios 12:7).

Também lemos:

“Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” (Primeira aos Coríntios 12:18).

Assim, uma igreja não deveria depender espiritualmente de um único homem que ensina todas as semanas como se somente ele tivesse capacidade para ministrar. O Senhor distribui dons entre os membros do Corpo.

Ao mesmo tempo, isso não significa que qualquer irmão, simplesmente porque está em comunhão, necessariamente tenha o dom de ensinar publicamente.

Primeira aos Coríntios 12:29 pergunta:

“São todos mestres?”

A resposta evidente é não.

Portanto, estar em comunhão permite ao irmão participar da vida da igreja, mas não significa automaticamente que possua todos os dons. Um irmão pode ser muito espiritual, fiel e piedoso e, contudo, não possuir capacidade dada por Deus para o ministério público da Palavra.

Na prática, os irmãos vão sendo reconhecidos pelo exercício do dom que receberam do Senhor. Isso não exige uma ordenação humana ou um título eclesiástico, mas também não significa ausência de discernimento por parte da igreja.

O segundo princípio é que “os outros julguem”.

Aqui “julgar” não significa que, depois de cada irmão terminar sua mensagem, alguém precise levantar-se publicamente e dizer se concorda ou não com o que foi falado.

Não é essa a ideia.

Trata-se de discernimento espiritual.

O ministério apresentado à igreja nunca está acima da Palavra de Deus. Tudo aquilo que é ensinado precisa ser avaliado à luz das Escrituras.

Esse mesmo princípio aparece em Primeira aos Tessalonicenses 5:20-21:

“Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem.”

Também encontramos em Primeira João 4:1:

“Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus.”

Portanto, enquanto um irmão ministra, os demais irmãos espirituais, especialmente aqueles maduros e experientes na Palavra, estão ouvindo com discernimento.

Eles estão considerando: aquilo que está sendo ensinado está de acordo com as Escrituras? Cristo está sendo exaltado? A passagem foi corretamente aplicada? Há equilíbrio doutrinário? O ministério está edificando a igreja?

Esse julgamento normalmente acontece silenciosamente durante o ministério.

Se aquilo que foi ensinado está correto, a igreja recebe e é edificada.

Se surgir algum pequeno equívoco, talvez seja suficiente conversar posteriormente com o irmão.

Se, porém, alguém ensinar algo doutrinariamente grave ou contrário às Escrituras, os irmãos responsáveis pela igreja não devem simplesmente permitir que o erro continue sendo ensinado.

É justamente aqui que entra a responsabilidade dos presbíteros.

Em Atos dos Apóstolos 20:28, Paulo diz:

“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus.”

E Tito 1:9 diz que o presbítero deve ser:

“Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes.”

Portanto, existe liberdade no ministério, mas liberdade não significa ausência de governo espiritual.

O Espírito Santo dirige a reunião, mas os presbíteros têm responsabilidade diante de Deus pela doutrina e pelo cuidado do rebanho.

Outro princípio importante aparece no versículo 30:

“Cale-se o primeiro.”

Isso ensina consideração pelos outros irmãos.

Um irmão não deveria ocupar todo o tempo disponível simplesmente porque começou a falar. Se há outros irmãos capazes de contribuir para a edificação, deve existir sensibilidade para lhes dar oportunidade.

Paulo continua:

“Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam e todos sejam consolados” (Primeira aos Coríntios 14:31).

Observe: “uns depois dos outros”.

Não há competição.

Não há dois falando simultaneamente.

Não há disputa pelo púlpito.

Não há necessidade de um irmão mostrar que sabe mais que outro.

O objetivo é muito simples:

“Para que todos aprendam e todos sejam consolados.”

Esse é o grande teste do ministério: a edificação da igreja.

Primeira aos Coríntios 14:26 estabelece o princípio:

“Faça-se tudo para edificação.”

Além disso, Paulo acrescenta uma declaração extremamente importante:

“E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (Primeira aos Coríntios 14:32).

Isso significa que ninguém pode justificar desordem dizendo: “O Espírito Santo me obrigou a falar”.

O Espírito Santo nunca conduz alguém de maneira contrária à ordem que Ele próprio estabeleceu nas Escrituras.

O irmão mantém domínio próprio. Ele pode começar, terminar, resumir sua mensagem e dar lugar a outro irmão.

Por isso Paulo conclui:

“Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz” (Primeira aos Coríntios 14:33).

E finalmente:

“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (Primeira aos Coríntios 14:40).

Então, trazendo isso diretamente para a prática de uma igreja local hoje: não reproduzimos exatamente Primeira aos Coríntios 14:29 como se ainda houvesse profetas recebendo novas revelações. O que permanece é o princípio espiritual. O ministério não deve ser monopolizado por um homem; os irmãos que possuem dom para ensinar devem ter oportunidade de exercê-lo; ninguém deve dominar a reunião; tudo deve ocorrer com ordem e consideração mútua; e aquilo que é ministrado deve ser continuamente examinado à luz das Escrituras.

Portanto, “os outros julguem” não significa criar uma espécie de debate público depois de cada mensagem. Significa que nenhum ministério é recebido cegamente. A Palavra de Deus é a autoridade final, e os irmãos espiritualmente maduros, especialmente aqueles que cuidam do rebanho, têm responsabilidade de discernir aquilo que está sendo ensinado.

Há, portanto, uma diferença importante entre “ministério aberto” e “ministério sem ordem”. O primeiro é bíblico; o segundo não é. A liberdade do Espírito Santo nunca elimina o discernimento, o exercício dos dons, a responsabilidade dos presbíteros nem a ordem da casa de Deus.

Josué Matos

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O evangelho do reino não será pregado no reino milenar?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O evangelho do reino não será pregado no reino milenar? Pois, após o milênio, virá o fim, com o grande trono branco?

Minha Resposta:

É importante distinguir dois momentos diferentes relacionados ao “evangelho do reino”. O evangelho do reino será anunciado durante o período da Tribulação, antes da manifestação de Cristo em glória, mas também haverá proclamação da verdade de Deus durante o próprio Reino Milenar. Durante o Milênio, Cristo será apresentado como Salvador e Rei àqueles que nascerem naquele período.

Em Mateus 24:14, o Senhor Jesus declarou:

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”

Nesse contexto, o “fim” não é o fim do Milênio nem o julgamento do Grande Trono Branco. Trata-se do fim daquele período profético que culminará na manifestação de Cristo em glória e no estabelecimento do Seu reino sobre a Terra.

Isso fica claro pela sequência do próprio capítulo. Depois de mencionar a pregação do evangelho do reino, o Senhor fala da “abominação da desolação” (Mateus 24:15), da “grande tribulação” (Mateus 24:21) e, finalmente, da Sua manifestação:

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24:30).

Portanto, o “então virá o fim” de Mateus 24:14 não nos leva diretamente ao Grande Trono Branco de Apocalipse 20:11-15. Entre esses acontecimentos existe o Reino Milenar de Cristo.

A sequência profética é esta:

  1. A Igreja será arrebatada para estar com Cristo, conforme Primeira aos Tessalonicenses 4:13-18.

  2. Durante o período que culminará na Grande Tribulação, haverá novamente a proclamação do evangelho do reino, anunciando a aproximação do Reino do Messias (Mateus 24:14).

  3. Cristo voltará em glória e estabelecerá Seu reino (Mateus 24:29-31; Apocalipse 19:11-21).

  4. Satanás será preso durante mil anos (Apocalipse 20:1-3).

  5. Cristo reinará durante esses mil anos (Apocalipse 20:4-6).

  6. Durante o Milênio nascerão muitas pessoas. Embora vivam sob o governo perfeito de Cristo, elas ainda nascerão possuindo a natureza pecaminosa e precisarão individualmente da salvação. Por isso haverá testemunho e proclamação da verdade de Deus durante o Reino Milenar, apresentando Cristo como Salvador e Rei.

Este último ponto é particularmente importante. Às vezes imaginamos que, por Cristo estar reinando, todos os habitantes do Milênio serão automaticamente salvos. Não será assim. No início do Reino entrarão pessoas salvas, mas essas pessoas terão descendentes. As gerações nascidas durante os mil anos precisarão pessoalmente crer no Senhor.

Isaías apresenta a extraordinária extensão do conhecimento de Deus naquele período:

“Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

Também lemos:

“E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e nós andemos pelas suas veredas” (Miqueias 4:2).

Zacarias mostra igualmente as nações indo a Jerusalém para adorar o Rei:

“E acontecerá que todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 14:16).

Portanto, haverá um conhecimento mundial do Senhor e um testemunho relacionado ao Rei e ao Seu reino.

Contudo, viver no Reino de Cristo não significa necessariamente possuir a vida eterna. A grande prova disso encontra-se justamente no final dos mil anos.

Apocalipse 20:7-9 diz que, quando Satanás for solto, ele sairá para enganar as nações. Surpreendentemente, encontrará uma enorme quantidade de pessoas dispostas a rebelar-se contra Cristo:

“E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar” (Apocalipse 20:7-8).

Isso demonstra uma verdade solene: nem mesmo um ambiente perfeito pode transformar a natureza humana.

Durante mil anos haverá governo perfeito, justiça, paz e conhecimento de Deus. Satanás estará preso. Cristo governará com justiça. Mesmo assim, haverá pessoas que exteriormente se submeterão ao Rei sem terem experimentado uma verdadeira conversão interior.

Quando Satanás for solto, essa condição escondida será revelada pela rebelião.

Somente depois disso chegamos ao Grande Trono Branco.

A ordem apresentada em Apocalipse 20 é muito clara:

“E, acabando-se os mil anos...” (Apocalipse 20:7).

Segue-se a libertação de Satanás, a última rebelião das nações e sua destruição (Apocalipse 20:7-10). Depois disso João declara:

“E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles” (Apocalipse 20:11).

Portanto, nesse ponto da pergunta você está correto: o Grande Trono Branco acontece depois do Milênio.

Mas precisamos distinguir isso do “fim” mencionado em Mateus 24:14. Ali, o contexto é o encerramento do período que precede a manifestação gloriosa do Senhor e a implantação do Seu reino; em Apocalipse 20:11-15, estamos mil anos adiante, diante do julgamento final dos mortos incrédulos.

Depois do Grande Trono Branco começa aquilo que podemos chamar propriamente de estado eterno:

“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram” (Apocalipse 21:1).

Assim, resumidamente: sim, haverá proclamação da verdade de Deus e do evangelho do reino durante o Milênio, especialmente porque novas gerações nascerão e precisarão pessoalmente de Cristo. Porém, o “fim” de Mateus 24:14 não é o fim do Milênio. É o fim do período profético que culminará na volta de Cristo em glória. O Grande Trono Branco ocorrerá somente depois dos mil anos, depois da soltura de Satanás e da última rebelião da humanidade.

Josué Matos

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Existe instrução direta para a Igreja, no Novo Testamento, praticar o jejum?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa tarde, irmão.

Ainda vou meditar na sua preciosa reflexão.

Mas segue outra pergunta...

Existe instrução direta para a Igreja, no Novo Testamento, praticar o jejum?

Minha Resposta:

Sim, o jejum aparece no Novo Testamento como uma prática legítima para os discípulos do Senhor e encontramos a igreja primitiva praticando-o. Entretanto, é importante fazer uma distinção: não encontramos nas epístolas uma ordem estabelecendo o jejum como uma obrigação periódica da igreja, com dias, duração ou frequência determinados.

Em outras palavras, o Novo Testamento não institui para a Igreja uma “lei do jejum”, como se todos os cristãos fossem obrigados a jejuar em determinados dias. Contudo, o Senhor Jesus reconheceu que Seus discípulos jejuariam, ensinou como deveriam fazê-lo, e posteriormente encontramos cristãos efetivamente jejuando no livro de Atos dos Apóstolos. 

Em Atos dos Apóstolos 13:2, os irmãos em Antioquia jejuaram enquanto buscavam orientação quanto ao serviço; e, em Atos dos Apóstolos 14:23, Paulo e Barnabé oraram e jejuaram quando foram reconhecidos presbíteros nas igrejas.

  1. O Senhor Jesus não aboliu o jejum

Uma passagem importante encontra-se em Mateus 6:16-18. Observe cuidadosamente a maneira como o Senhor começa:

“E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas...” (Mateus 6:16).

Ele não disse: “Se jejuardes”, mas “quando jejuardes”. Assim como anteriormente havia dito “quando, pois, deres esmola” (Mateus 6:2) e “quando orares” (Mateus 6:5), agora diz “quando jejuardes”.

O assunto principal naquela passagem não é estabelecer quando ou quantas vezes o discípulo deve jejuar. O Senhor está corrigindo a maneira hipócrita de praticá-lo.

Os fariseus podiam transformar uma prática espiritual em demonstração pública de espiritualidade. Por isso, o Senhor ensina:

“Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6:17-18).

Portanto, o jejum não deveria servir para mostrar aos outros quão espiritual alguém é.

  1. Cristo disse que chegaria o tempo em que Seus discípulos jejuariam

Talvez esta seja uma das passagens mais esclarecedoras sobre a pergunta.

Quando perguntaram ao Senhor por que os discípulos de João e os fariseus jejuavam, mas Seus discípulos não, Ele respondeu:

“Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão” (Mateus 9:15).

O mesmo ensino aparece em Marcos 2:18-20 e Lucas 5:33-35.

Observe a última expressão:

“Então jejuarão.”

Durante a presença corporal de Cristo entre eles, aquele não era o momento apropriado para o jejum caracterizado pela tristeza e humilhação. O Noivo estava presente. Mas o Senhor antecipou Sua partida e declarou que depois disso Seus discípulos jejuariam.

Assim, não podemos afirmar que o jejum pertence exclusivamente ao judaísmo ou que desapareceu com a formação da Igreja. O próprio Senhor antecipou sua prática entre Seus discípulos depois de Sua partida.

  1. A igreja em Antioquia praticava o jejum

Quando chegamos ao livro de Atos dos Apóstolos, encontramos exatamente isso acontecendo.

Atos dos Apóstolos 13 apresenta uma igreja local muito importante: Antioquia. Havia ali profetas e doutores, entre eles Barnabé e Saulo.

Então lemos:

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos dos Apóstolos 13:2).

E depois:

“Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram” (Atos dos Apóstolos 13:3).

Aqui já não estamos no período da Lei de Moisés. Estamos claramente dentro da história da Igreja.

Isso é muito significativo.

O jejum aparece associado à oração, à comunhão com Deus e a uma importante decisão relacionada à obra missionária. Não parece haver qualquer tentativa de impressionar pessoas. Pelo contrário, aqueles irmãos estavam buscando a vontade de Deus, e foi nesse contexto que o Espírito Santo tornou conhecida Sua vontade.

  1. O jejum não dava autoridade ao Espírito Santo; preparava os servos para ouvi-Lo

Devemos tomar cuidado para não transformar o jejum numa espécie de mecanismo para obrigar Deus a agir.

Atos dos Apóstolos 13 não ensina que aqueles homens jejuaram para adquirir poder sobre Deus. Eles estavam “servindo ao Senhor e jejuando”.

O jejum bíblico está relacionado à humilhação, dependência e concentração nas coisas de Deus. A pessoa voluntariamente deixa de atender, durante determinado período, uma necessidade legítima do corpo para dedicar-se mais intensamente às coisas espirituais.

Por isso, jejum e oração aparecem juntos.

O jejum sem oração pode ser apenas abstinência de alimentos. O valor espiritual não está simplesmente em deixar de comer, mas no propósito diante de Deus.

  1. Não encontramos uma legislação apostólica sobre o jejum

Aqui está uma distinção que considero muito importante.

Embora encontremos o jejum praticado no Novo Testamento, não encontramos nas epístolas instruções como:

“Todo cristão deverá jejuar uma vez por semana.”

Ou:

“A igreja deverá estabelecer determinado dia para jejum.”

Ou ainda:

“O jejum deverá durar tantas horas.”

Nada disso foi determinado.

Compare isso, por exemplo, com a Ceia do Senhor. Sobre ela encontramos instruções específicas para a igreja em 1 Coríntios 11:23-26.

Encontramos também instruções claras sobre oração em 1 Timóteo 2:1-8; sobre o ministério da Palavra em 1 Coríntios 14; sobre disciplina em 1 Coríntios 5; sobre os anciãos em 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9.

Quanto ao jejum, porém, não encontramos uma regulamentação semelhante.

Portanto, devemos evitar os dois extremos.

Um extremo seria dizer: “O cristão não deve jejuar porque o jejum pertence ao Antigo Testamento.”

Isso não corresponde ao Novo Testamento, pois o Senhor disse “então jejuarão”, e encontramos cristãos jejuando em Atos dos Apóstolos 13.

O outro extremo seria transformar o jejum numa ordenança obrigatória da Igreja, estabelecendo dias, horários e regras que o Novo Testamento não estabeleceu.

Também não temos autoridade bíblica para fazer isso.

  1. O perigo do jejum como demonstração de espiritualidade

Existe ainda outro aspecto importante. O Senhor condenou severamente o jejum usado para alimentar orgulho religioso.

Na parábola do fariseu e do publicano, o fariseu dizia:

“Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo” (Lucas 18:12).

O problema não estava simplesmente em jejuar duas vezes por semana. O problema estava no coração daquele homem. Seu jejum havia se transformado em motivo de justiça própria.

Ele praticamente apresentava diante de Deus um currículo religioso.

O publicano, ao contrário:

“Nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lucas 18:13).

E foi este que desceu justificado para sua casa.

Portanto, o jejum pode ser uma prática espiritual legítima e, ao mesmo tempo, tornar-se carnal quando produz orgulho.

  1. Jejum não torna alguém mais espiritual que outro

Também precisamos ter cuidado com isso.

Um irmão que jejua não deve considerar-se superior àquele que não jejua.

O jejum não acrescenta mérito à obra de Cristo. Não aumenta nossa aceitação diante de Deus. Não completa a justificação. Nossa posição diante de Deus está inteiramente fundamentada em Cristo e em Sua obra.

“Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1).

Portanto, não jejuamos para sermos aceitos por Deus. O crente já foi aceito no Amado, conforme Efésios 1:6.

O jejum pertence ao campo da vida prática e da disciplina espiritual, não ao fundamento da nossa salvação.

  1. Então, a Igreja deve praticar o jejum?

Eu responderia da seguinte maneira:

O Novo Testamento reconhece e aprova o jejum como uma prática espiritual dos discípulos do Senhor. Cristo ensinou como deveria ser praticado e declarou que Seus discípulos jejuariam depois de Sua partida. Atos dos Apóstolos mostra cristãos jejuando e orando em conexão com o serviço do Senhor e a busca da Sua vontade.

Contudo, não existe uma ordem apostólica transformando o jejum numa obrigação ritual ou numa ordenança da igreja local, nem estabelecendo frequência, duração ou dias determinados.

Portanto, podemos dizer que o jejum é bíblico, mas não legalista; recomendável em circunstâncias apropriadas, mas não uma ordenança; espiritual quando acompanhado de oração e verdadeira dependência de Deus, mas inútil quando praticado para demonstrar piedade diante dos homens.

Talvez a melhor síntese esteja justamente nas palavras do Senhor:

“Quando jejuardes...” (Mateus 6:16).

Ele reconhece a prática.

“Não vos mostreis contristados como os hipócritas...” (Mateus 6:16).

Ele condena sua ostentação.

“Teu Pai, que vê em secreto...” (Mateus 6:18).

Ele mostra para quem o jejum verdadeiramente deve ser realizado.

E finalmente:

“Então jejuarão” (Mateus 9:15).

Ele próprio antecipou que haveria lugar para essa prática entre Seus discípulos depois de Sua partida.

Assim, irmão, há fundamento neotestamentário para o jejum cristão, inclusive exemplo dentro de uma igreja local. O que não encontramos é uma ordem para transformá-lo numa regra obrigatória ou num ritual periódico para toda a Igreja.

Josué Matos

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