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Abraão NUNCA EXISTIU.

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Abraão NUNCA EXISTIU.

Minha Resposta:

A afirmação de que “Abraão nunca existiu” é muito mais categórica do que as evidências permitem. Uma coisa é dizer que não possuímos, até hoje, uma inscrição arqueológica contemporânea dizendo: “Este é Abraão, filho de Terá”. Outra coisa completamente diferente é afirmar que, por isso, Abraão nunca existiu. Ausência de uma inscrição com o nome de uma pessoa não é prova de inexistência.

Devemos considerar alguns pontos.

  1. Abraão é apresentado na Bíblia como personagem histórico, não como mito

A narrativa bíblica não introduz Abraão como uma figura simbólica. Ele aparece dentro de uma genealogia, com família, deslocamentos geográficos, acontecimentos, descendentes e relações com outros povos.

“E viveu Terá setenta anos e gerou a Abrão, a Naor e a Harã” (Gênesis 11:26).

Depois, Gênesis apresenta o chamado:

“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1).

A partir daí, os capítulos 12 a 25 de Gênesis apresentam uma narrativa contínua da vida de Abraão: sua saída de Harã, sua chegada a Canaã, sua passagem pelo Egito, sua separação de Ló, o nascimento de Ismael, a aliança divina, o nascimento de Isaque, a prova no monte Moriá, a morte de Sara, a compra da sepultura em Macpela e, finalmente, sua própria morte.

Portanto, quem afirma que Abraão nunca existiu precisa explicar por que todo esse conjunto histórico e genealógico deveria ser considerado fictício.

  1. A arqueologia não provou que Abraão não existiu

É importante fazer esta distinção.

Não temos atualmente uma descoberta arqueológica que possa ser apontada, de maneira indiscutível, como pertencente pessoalmente a Abraão. Entretanto, descobertas relacionadas ao antigo Oriente Próximo mostraram que diversos costumes descritos nas narrativas patriarcais encontram paralelos no mundo antigo.

Por exemplo, documentos encontrados no antigo Oriente Próximo ajudam a compreender costumes relacionados a casamento, herança, servos, adoção e alianças. A atitude de Sara ao entregar Agar a Abraão, em Gênesis 16, por exemplo, encontra paralelos em costumes antigos daquela região.

Isso não significa que a arqueologia tenha “encontrado Abraão”. Significa que o ambiente social apresentado em Gênesis não pode simplesmente ser descartado como uma invenção sem relação com o mundo antigo.

Também é significativo que Ur dos Caldeus, associada à origem de Abraão, seja uma cidade histórica real.

Portanto, seria incorreto dizer: “A arqueologia provou Abraão”.

Mas é igualmente incorreto dizer: “A arqueologia provou que Abraão nunca existiu”.

Ela não provou isso.

  1. Abraão não aparece apenas no livro de Gênesis

Esse é outro problema para quem tenta simplesmente eliminar Abraão da história bíblica.

Ele atravessa as Escrituras.

Josué, por exemplo, registra:

“Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Além do rio, antigamente, habitaram vossos pais, Terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses. Eu, porém, tomei a Abraão, vosso pai, dalém do rio e o fiz andar por toda a terra de Canaã; também multipliquei a sua semente e dei-lhe Isaque” (Josué 24:2-3).

Observe que Josué não trata Abraão como uma lenda. Ele relaciona Abraão a Terá, à região de onde veio, à sua antiga situação religiosa, à sua entrada em Canaã e ao nascimento de Isaque.

  1. O Senhor Jesus tratou Abraão como uma pessoa real

Para o cristão, este ponto é fundamental.

O próprio Senhor Jesus disse:

“Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se” (João 8:56).

Os judeus responderam:

“Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?” (João 8:57).

Então o Senhor declarou:

“Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:58).

O argumento do Senhor Jesus depende da realidade histórica de Abraão. Ele estabelece um contraste entre a existência de Abraão e Sua própria existência eterna.

Em outra ocasião, o Senhor falou:

“E acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?” (Mateus 22:31-32).

Novamente, Abraão, Isaque e Jacó são tratados como pessoas reais.

  1. Estêvão também apresentou Abraão historicamente

Em Atos dos Apóstolos 7, Estêvão começa a história de Israel dizendo:

“O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã” (Atos dos Apóstolos 7:2).

Depois descreve sua saída daquela terra, sua peregrinação e as promessas que recebeu.

Estêvão não estava contando uma parábola. Ele estava fazendo uma exposição da história de Israel diante do Sinédrio.

  1. Paulo fundamenta argumentos doutrinários na história de Abraão

Em Romanos 4, Paulo apresenta Abraão como exemplo da justificação pela fé:

“Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça” (Romanos 4:3).

Em Gálatas, escreve:

“Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça” (Gálatas 3:6).

E acrescenta:

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade” (Gálatas 3:16).

Paulo não utiliza Abraão simplesmente como personagem ilustrativo. Seu argumento relaciona acontecimentos de Gênesis com o desenvolvimento posterior do propósito de Deus.

  1. A Epístola aos Hebreus também apresenta acontecimentos específicos de sua vida

Hebreus 11 declara:

“Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hebreus 11:8).

Depois acrescenta:

“Pela fé, Abraão, sendo provado, ofereceu Isaque” (Hebreus 11:17).

Abraão é colocado no mesmo contexto histórico em que aparecem Abel, Enoque, Noé, Isaque, Jacó, José, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi e Samuel.

  1. A própria história de Israel está ligada a Abraão

A questão vai muito além da existência de um homem chamado Abraão.

Deus prometeu:

“E far-te-ei uma grande nação” (Gênesis 12:2).

Depois:

“À tua semente tenho dado esta terra” (Gênesis 15:18).

A sequência bíblica é muito clara:

Abraão → Isaque → Jacó → os doze filhos de Jacó → as doze tribos de Israel.

Êxodo 2:24 afirma:

“E ouviu Deus o seu gemido, e lembrou-se Deus do seu concerto com Abraão, com Isaque e com Jacó.”

Portanto, Abraão não é uma figura isolada que aparece numa pequena história de Gênesis. Ele está inserido na própria estrutura histórica e teológica de Israel.

  1. Até a genealogia do Senhor Jesus passa por Abraão

O Novo Testamento começa dizendo:

“Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão” (Mateus 1:1).

Logo depois:

“Abraão gerou a Isaque, e Isaque gerou a Jacó” (Mateus 1:2).

Mateus apresenta uma genealogia que liga Abraão a Davi e Davi a Jesus Cristo.

Lucas também inclui Abraão na genealogia (Lucas 3:34).

Assim, rejeitar a existência de Abraão não é apenas questionar uma personagem secundária de Gênesis. É rejeitar uma personagem que está profundamente integrada à narrativa bíblica desde Gênesis até o Novo Testamento.

  1. O que podemos afirmar com equilíbrio?

Não seria correto dizer que possuímos uma certidão arqueológica de nascimento de Abraão. Não possuímos.

Também não devemos apresentar como “prova de Abraão” qualquer descoberta arqueológica apenas porque pertence aproximadamente ao período dos patriarcas.

Mas daí concluir que “Abraão nunca existiu” é um salto que a evidência não autoriza.

A arqueologia pode esclarecer o ambiente histórico, geográfico, social e cultural em que as narrativas patriarcais são apresentadas. A Bíblia, por sua vez, apresenta Abraão repetidamente como personagem histórico, e essa compreensão continua no restante do Antigo Testamento e em todo o Novo Testamento.

Finalmente, para aquele que aceita a autoridade do Senhor Jesus Cristo, a questão torna-se ainda mais clara. Cristo falou de Abraão como alguém que realmente existiu.

Por isso, entre a afirmação “não temos atualmente uma comprovação arqueológica direta e indiscutível de Abraão” e a afirmação “Abraão nunca existiu” existe uma enorme diferença.

A primeira é uma observação sobre os limites das evidências arqueológicas disponíveis.

A segunda é uma conclusão que vai muito além delas.

Biblicamente, Abraão foi um homem real, chamado por Deus, pai de Isaque, avô de Jacó, ancestral da nação de Israel e um dos grandes exemplos de fé apresentados pelas Escrituras.

“E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça” (Gênesis 15:6).

Josué Matos

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Como os irmãos tratam situações em que um irmão pecou?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, como os irmãos tratam situações em que um irmão pecou, por exemplo: má doutrina, mal moral ou eclesiástico, foi disciplinado e depois veio a arrepender-se? Ele poderá exercer ministério para o ensino da Palavra e oração? Agradeço.

Minha Resposta:

Prezado irmão, esta é uma questão importante, porque precisamos distinguir três coisas que, embora relacionadas, não são exatamente iguais: perdão, restauração à comunhão e qualificação para determinado serviço ou responsabilidade na igreja local.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que o objetivo da disciplina bíblica não é destruir o irmão que pecou, mas levá-lo ao arrependimento e, sendo possível, à restauração. Em 1 Coríntios 5, encontramos um caso grave de pecado moral que exigiu que aquele homem fosse tirado da comunhão da igreja. Entretanto, em 2 Coríntios 2:6-8, encontramos um homem disciplinado que havia demonstrado arrependimento, e Paulo escreve:

“Basta-lhe ao tal esta repreensão feita por muitos. De maneira que, pelo contrário, deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja, de modo algum, devorado de demasiada tristeza. Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.”

Portanto, quando existe verdadeiro arrependimento, a disciplina alcançou o seu propósito. A igreja não deve continuar tratando aquela pessoa como se permanecesse impenitente. Deve haver perdão, consolo, amor e restauração à comunhão. O mesmo princípio aparece em Gálatas 6:1: “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão”.

Mas a pergunta do irmão vai um pouco além: depois de restaurado à comunhão, poderá novamente ensinar a Palavra e participar publicamente em oração?

Não creio que seja correto estabelecer uma regra dizendo que todo irmão disciplinado jamais poderá exercer qualquer ministério público novamente. A Bíblia não ensina que todo pecado disciplinar produza automaticamente uma proibição vitalícia de toda participação pública. Entretanto, também seria errado pensar que, pelo simples fato de ter sido recebido novamente à comunhão, imediatamente tudo volta a ser exatamente como era antes.

Uma coisa é restauração à comunhão; outra coisa é restauração da confiança e da capacidade para determinado serviço.

Por exemplo, quando Pedro negou o Senhor Jesus, seu pecado foi extremamente sério. Ele negou três vezes que conhecia o Senhor. Todavia, houve verdadeiro arrependimento: “E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente” (Lucas 22:62). Mais tarde, o próprio Senhor tratou com ele e o restaurou: “Apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas” (João 21:15-17). Pedro não somente foi perdoado, mas voltou a ser usado poderosamente por Deus.

Portanto, devemos tomar cuidado para não estabelecer uma lei humana dizendo que alguém que caiu nunca mais poderá ser usado pelo Senhor.

Ao mesmo tempo, cada caso precisa ser considerado segundo a natureza do pecado, as circunstâncias, as consequências que ficaram, a evidência do arrependimento e o testemunho posterior daquele irmão.

Se o problema foi má doutrina, por exemplo, não basta simplesmente dizer: “Eu me arrependi”. É necessário que fique evidente que aquele irmão abandonou realmente o erro e agora está firme na verdade. Paulo menciona Himeneu e Alexandre em 1 Timóteo 1:19-20, e também Himeneu e Fileto em 2 Timóteo 2:17-18, mostrando como o erro doutrinário pode causar grande dano entre os santos. Quem ensinou publicamente um erro precisa demonstrar claramente que agora reconhece e rejeita aquele erro antes de voltar a ensinar outros.

Se foi um pecado moral, também será necessária muita prudência. O arrependimento pode ser verdadeiro e a restauração à comunhão também, mas a confiança necessária para o ministério público normalmente precisará ser reconstruída ao longo do tempo. Não seria sábio disciplinar hoje, receber novamente amanhã e imediatamente colocá-lo novamente numa posição de destaque. O tempo muitas vezes revela a realidade do arrependimento e os frutos produzidos por ele.

João Batista dizia: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8). Paulo também falou de obras “dignas de arrependimento” (Atos dos Apóstolos 26:20). Portanto, o verdadeiro arrependimento produz evidências.

Devemos ainda fazer uma distinção importante quando se trata de um irmão que anteriormente exercia responsabilidade como ancião ou presbítero. As qualificações para esse trabalho são muito elevadas. Paulo diz que “convém, pois, que o bispo seja irrepreensível” (1 Timóteo 3:2), e acrescenta que “convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora” (1 Timóteo 3:7). Em Tito 1:6-9 encontramos novamente o requisito de ser “irrepreensível”.

Por isso, pode acontecer que um irmão seja plenamente perdoado, restaurado à comunhão e amado pelos santos, mas que determinado pecado tenha comprometido permanentemente sua qualificação para uma responsabilidade específica. Perdão não significa necessariamente recuperação de todo cargo, responsabilidade ou confiança anterior.

Davi nos oferece um princípio importante. Seu pecado foi perdoado. Quando confessou: “Pequei contra o Senhor”, Natã respondeu: “Também o Senhor traspassou o teu pecado; não morrerás” (2 Samuel 12:13). Porém, apesar do perdão, permaneceram consequências sérias em sua vida e em sua casa. Isso mostra que perdão e consequências não são a mesma coisa.

Quanto à oração pública, eu também evitaria criar uma proibição absoluta que a Escritura não estabelece. Se o irmão foi verdadeiramente restaurado, está novamente em comunhão e apresenta um testemunho coerente, não devemos tratá-lo para sempre como alguém que continua debaixo de disciplina. A restauração bíblica precisa ser real. Se Deus perdoou e a igreja reconheceu o arrependimento, não devemos conservar sobre aquele irmão uma marca de condenação permanente.

Entretanto, especialmente quanto ao ministério da Palavra, deve haver maior cuidado, porque ensinar envolve responsabilidade diante de Deus. Tiago 3:1 diz: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo”. Portanto, não se trata apenas de perguntar: “Ele está novamente em comunhão?”, mas também: “Ele está espiritualmente preparado para voltar a ensinar? Recuperou a confiança dos irmãos? Sua vida confirma aquilo que ele ensina? O problema anterior compromete a natureza do ministério que pretende exercer?”

Assim, eu resumiria desta maneira:

O irmão verdadeiramente arrependido deve ser perdoado, consolado, amado e restaurado à comunhão. Não devemos manter alguém indefinidamente debaixo de disciplina depois que o propósito da disciplina foi alcançado. Isso contrariaria o espírito de 2 Coríntios 2:6-8.

Porém, restauração à comunhão não significa necessariamente restauração imediata — ou, em determinadas situações, restauração completa — de todas as responsabilidades que exercia anteriormente.

Para voltar ao ministério público da Palavra, é necessário considerar a natureza do pecado, a profundidade e evidência do arrependimento, o tempo decorrido, o testemunho posterior, a confiança da igreja e, sobretudo, se as qualificações bíblicas necessárias continuam presentes.

Também precisamos evitar dois extremos. O primeiro é a tolerância que trata o pecado como algo sem importância. O segundo é uma severidade que praticamente afirma que não existe restauração depois de uma queda. A Palavra de Deus não permite nenhum dos dois.

Paulo foi muito firme em 1 Coríntios 5 quando o homem precisava ser disciplinado; mas foi igualmente firme em 2 Coríntios 2 quando aquele homem precisava ser perdoado, consolado e novamente cercado pelo amor dos irmãos. A mesma Palavra que ordena disciplina também ordena restauração.

Cada caso, portanto, precisa ser tratado pelos irmãos responsáveis com oração, temor de Deus, conhecimento completo dos fatos e submissão à Palavra. Não devemos ter uma fórmula automática para todos os casos, pois uma queda moral, um erro doutrinário, um comportamento eclesiástico desordenado e uma falha que compromete as qualificações de um presbítero não possuem necessariamente as mesmas consequências.

O princípio fundamental é este: disciplina tem como objetivo a restauração; restauração significa verdadeira comunhão; mas comunhão restaurada e qualificação para determinado ministério não são necessariamente a mesma coisa.

E, quando houver verdadeira restauração, devemos lembrar das palavras de 2 Coríntios 2:7-8: “Deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo... confirmeis para com ele o vosso amor”.

Josué Matos

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Eu não creio que as "Bodas do Cordeiro" sejam no céu

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Eu não creio que as bodas sejam no céu. A Bíblia dá a entender, em Apocalipse 19:7, quando diz: “São chegadas” ou, em outras traduções, “São vindas as bodas do Cordeiro”, que, quando João usa essas palavras, ele está dizendo: “Está chegando a hora das bodas”. Portanto, ainda não aconteceram.

Justamente, as bodas se iniciam com o ataviamento da sua esposa no céu e, à luz da Bíblia, dá a entender que acontecerão no estabelecimento do Milênio, porque a mesma vestimenta que a Noiva recebe no versículo 7 é a mesma que aparece quando Jesus desce, no versículo 14, com o seu exército.

Então, eu sou pré-tribulacionista, mas, quando dizem que as bodas já aconteceram no céu, isso entra em contradição com o que João diz no versículo 7.

Irmão, é bem nítido e claro o que o texto diz. Isso é exegese. Se ele anuncia que “são chegadas”, trata-se de algo que está chegando ou de algo que já aconteceu? A mesma coisa acontece com as expressões “são vindas” e “vindas são”. Está vindo; não aconteceu.

Sim, eu concordo com você que as bodas do Cordeiro e a ceia das bodas do Cordeiro são duas coisas diferentes, mas não há base bíblica para mostrar que as bodas são no céu, amigo.

Eu lhe disse que João declara: “São chegadas as bodas do Cordeiro” ou “São vindas”. Ele está falando do casamento, e a ceia acontece depois do casamento. A questão é que nenhum dos dois aconteceu ainda.

E, como eu disse, a Bíblia dá a entender que isso acontece quando Cristo desce para estabelecer o Reino. Você terá que me provar o contrário disso, o que acho que será difícil.

Minha Resposta:

Antes de dar uma resposta à sua mensagem, indico aqui um aplicativo do "Novo Testamento com Léxico Grego", pois ele ajuda muito nestas questões interpretativas:

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Bem, eu não tenho que provar nada para você ou para ninguém. Simplesmente apresento aquilo que vejo nas Escrituras de maneira clara e procuro mostrar a base bíblica para aquilo que ensino. Se você não concorda comigo, não há qualquer problema. Você pode abrir um canal no YouTube, um blog ou qualquer outro meio e divulgar aquilo que entende ser o ensino correto das Escrituras. Cada um de nós dará conta diante do Senhor daquilo que ensina.

Agora, como você voltou ao assunto, permita-me esclarecer um ponto importante: seu argumento baseado exclusivamente nas expressões “são chegadas” ou “vindas são” não demonstra que as bodas ainda não aconteceram naquele momento da visão. É preciso ter bastante cuidado antes de construir uma cronologia profética inteira sobre a forma como uma tradução portuguesa expressa um verbo grego.

Apocalipse 19:7 diz:

“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.”

A expressão traduzida por “vindas são” ou “são chegadas” envolve o verbo grego ἦλθεν (ēlthen), de ἔρχομαι (erchomai), “vir” ou “chegar”. A forma verbal é aoristo. Portanto, não podemos simplesmente pegar a expressão portuguesa “vindas são” e transformá-la em “estão vindo”, como você fez.

“Vindas são” não significa simplesmente “estão vindo”.

Da mesma maneira, quando algumas traduções dizem “são chegadas”, isso não significa necessariamente “estão chegando”. A ideia é que chegou o momento das bodas. Portanto, seu argumento de que “vindas são” obrigatoriamente significa que as bodas ainda estão no futuro não pode ser sustentado apenas pela expressão portuguesa.

Mas nem precisamos resolver toda a questão apenas pela gramática. Basta observar o desenvolvimento de Apocalipse 19.

Em Apocalipse 19:1 João diz:

“Depois destas coisas, ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão...”

Portanto, o cenário apresentado é celestial.

Depois, em Apocalipse 19:7-8, encontramos a esposa:

“...já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.”

Aqui temos outro detalhe muito importante: a esposa já está pronta.

Não diz que ela começará a se preparar quando Cristo chegar à terra. Ela “já se aprontou”.

Além disso, ela já recebeu a sua vestimenta. Isso está perfeitamente de acordo com o fato de a Igreja já ter comparecido perante o Tribunal de Cristo, onde o serviço dos santos foi manifestado e avaliado, conforme 1 Coríntios 3:12-15 e 2 Coríntios 5:10.

A sequência, portanto, é muito significativa:

A Igreja é arrebatada para encontrar o Senhor nos ares, conforme 1 Tessalonicenses 4:16-17.

Os santos comparecem perante o Tribunal de Cristo, conforme 2 Coríntios 5:10.

Em Apocalipse 19, a esposa aparece já preparada e vestida.

As bodas do Cordeiro são anunciadas.

Depois disso, somente no versículo 11, João diz:

“E vi o céu aberto...”

Por quê?

Porque agora Cristo está saindo do céu para manifestar-Se à terra.

Apocalipse 19:11-14 continua:

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco [...] E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro.”

É justamente aqui que seu próprio argumento sobre a roupa acaba favorecendo a posição que estou apresentando.

Você disse que a mesma vestimenta de Apocalipse 19:8 aparece no versículo 14. Concordo. Mas qual é a conclusão?

No versículo 8, a esposa já recebeu a vestimenta.

No versículo 14, aqueles que estão vestidos de linho fino estão vindo do céu com Cristo.

Portanto, a vestimenta não demonstra que as bodas acontecerão depois da descida. Demonstra que, quando Cristo desce, os santos já estão preparados e vêm do céu acompanhando o Senhor.

Observe cuidadosamente a ordem:

Apocalipse 19:7 — chegaram as bodas.

Apocalipse 19:7 — a esposa já se aprontou.

Apocalipse 19:8 — ela já recebeu sua vestimenta.

Apocalipse 19:9 — são mencionados os convidados à ceia das bodas.

Apocalipse 19:11 — depois disso o céu se abre.

Apocalipse 19:11-13 — Cristo aparece saindo para exercer juízo.

Apocalipse 19:14 — os exércitos celestiais seguem Cristo, vestidos de linho fino.

Apocalipse 19:15-21 — Cristo julga as nações.

Somente depois disso chegamos a Apocalipse 20, onde Satanás é preso e encontramos o estabelecimento do reino de mil anos.

Portanto, eu teria dificuldade em colocar as bodas dentro do Milênio quando o Espírito Santo colocou seu anúncio antes da saída de Cristo do céu e antes de Apocalipse 20 apresentar o reino milenar.

Além disso, há outro princípio importante.

Jesus disse em João 14:2-3:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas [...] vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também.”

A Igreja possui uma esperança celestial.

Paulo igualmente escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Quando ocorre o arrebatamento, a Igreja encontra o Senhor nos ares:

“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

Existe ainda uma diferença que você mesmo disse reconhecer: as bodas do Cordeiro e a ceia das bodas não precisam ser tratadas como exatamente o mesmo acontecimento.

Apocalipse 19:7 fala das bodas e da esposa.

Apocalipse 19:9 diz:

“Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.”

Se existem “chamados” ou convidados, naturalmente eles não ocupam exatamente a mesma posição da esposa. O Noivo é Cristo, a esposa é a Igreja e existem aqueles que são chamados para participar da celebração.

Por isso, entendo que as bodas estão relacionadas à Igreja no céu, enquanto a celebração pública ligada ao reino pode perfeitamente ter sua expressão na terra, quando Cristo estabelece Seu reino.

Agora, eu também não transformaria detalhes que a Bíblia não revelou em dogmas. A Escritura não nos fornece uma descrição minuciosa de uma cerimônia de casamento no céu, dizendo quanto tempo dura ou descrevendo cada etapa. Portanto, não devemos acrescentar detalhes que Deus não revelou.

Mas a ordem profética de Apocalipse 19 é suficientemente clara para mim: a Noiva está no cenário celestial, já preparada e vestida; as bodas são anunciadas; depois o céu se abre e Cristo vem à terra acompanhado dos Seus. Somente depois disso Apocalipse 20 apresenta o reino milenar.

Portanto, quando ensino que as bodas do Cordeiro acontecem no céu antes da manifestação de Cristo à terra, tenho base bíblica para entender dessa maneira.

Você é livre para discordar.

O que não considero correto é dizer que “não existe base bíblica” simplesmente porque você interpreta a passagem de outra maneira. Uma coisa é dizer: “Eu interpreto Apocalipse 19 de maneira diferente”. Outra bem diferente é afirmar que não existe base bíblica para a interpretação que apresentei.

Existe, sim. Eu apresentei a sequência e os textos.

A partir daí, você examina diante do Senhor e decide no que crê. Não tenho interesse em transformar isso numa disputa interminável para descobrir quem consegue dar a última palavra.

“Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Tessalonicenses 5:21).

Josué Matos
https://www.palavrasdoevangelho.com

O senhor Josué Matos disse que as bodas do Cordeiro acontecem no céu; qual base bíblica?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O senhor Josué Matos disse que as bodas do Cordeiro acontecem no céu; qual base bíblica?

Minha Resposta:

A base bíblica está principalmente na sequência dos acontecimentos de Apocalipse 19.

Apocalipse 19:7-8 diz:

“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.”

Observe a sequência do próprio capítulo.

Primeiro, João está contemplando uma cena celestial. Apocalipse 19:1 começa dizendo:

“E, depois destas coisas, ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão...”

É nesse contexto celestial que, poucos versículos depois, são anunciadas as bodas do Cordeiro.

Depois, em Apocalipse 19:7-8, a esposa já está preparada e vestida de linho fino. Isso é importante porque o próprio texto explica que “o linho fino são as justiças dos santos”. A Igreja aparece, portanto, já preparada para as bodas.

Então chegamos a Apocalipse 19:11:

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro...”

Agora Cristo sai do céu para vir à terra.

E no versículo 14 lemos:

“E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro.”

Veja a sequência:

Arrebatamento da Igreja → Igreja com Cristo → Tribunal de Cristo → preparação da Noiva → bodas do Cordeiro → céu se abre → Cristo vem à terra acompanhado dos Seus.

Isso concorda também com João 14:2-3. O Senhor Jesus disse:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas [...] vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também.”

Cristo não prometeu simplesmente vir buscar a Igreja para deixá-la na terra. Ele prometeu levá-la para estar onde Ele está.

Isso também concorda com 1 Tessalonicenses 4:16-17:

“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

Portanto, é importante esclarecer uma coisa: não existe um versículo isolado dizendo literalmente: “As bodas do Cordeiro acontecerão no céu”. A conclusão vem da sequência profética apresentada pelas Escrituras.

Em Apocalipse 19, as bodas são anunciadas no cenário celestial, a esposa já está preparada e, imediatamente depois, o céu se abre e Cristo sai dele para voltar à terra, acompanhado por aqueles que estão vestidos de linho fino.

Há ainda uma distinção importante entre as bodas do Cordeiro e a ceia das bodas do Cordeiro. Apocalipse 19:7 fala das bodas; o versículo 9 fala daqueles que são “chamados à ceia das bodas do Cordeiro”. Não devemos necessariamente confundir a união nupcial de Cristo com Sua Igreja com todas as festividades relacionadas ao estabelecimento do Reino.

Assim, quando digo que as bodas do Cordeiro acontecem no céu, não estou baseando isso numa frase isolada, mas na ordem dos acontecimentos revelada especialmente em Apocalipse 19:1-14.

A Igreja é arrebatada para estar com Cristo; apresenta-se diante dEle; a Noiva aparece preparada; as bodas são anunciadas; depois o céu se abre e Cristo vem à terra acompanhado dos Seus. Essa é a base bíblica para entendermos que as bodas acontecem no céu, antes da manifestação gloriosa de Cristo à terra.

Josué Matos

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