Alguém que me escreveu no YouTube:
O verdadeiro Israel foi destruído em 722 a.C., e a Bíblia foi escrita somente depois que o verdadeiro Israel foi destruído. Eles eram politeístas, adoravam o deus El, sua esposa Aserá e até mesmo Baal (que não era um "falso deus" para Israel). O "Israel" que você conhece, na verdade, é Judá. Eles roubaram o nome do verdadeiro Israel, trocaram o deus El pelo mané do Javé e foram eles que escreveram as ficções da Bíblia! O mundo inteiro está sendo enganado! Leiam o livro "A Bíblia Desenterrada", do arqueólogo Israel Finkelstein.
A antiga religião do verdadeiro Israel:
• O deus El: o patriarca supremo, o ancião do panteão. Ele não era um tirano psicótico obcecado por controle absoluto ou por manuais de regras morais impossíveis. Era uma figura distante, benevolente e tolerante, que presidia o conselho dos deuses sem a necessidade de esmagar a individualidade de ninguém.
• Baal: o senhor da tempestade, o cavaleiro das nuvens. Era ele quem controlava as chuvas que fecundavam a terra seca da região. Ele não era um monstro justiceiro que exigia obediência cega sob pena de tortura eterna; ele era a própria força da natureza, o motor da agricultura, o ciclo da vida e da fertilidade que o homem do campo precisava celebrar para sobreviver.
• Aserá (Asherah): a Deusa Mãe, a rainha dos céus e consorte de El (e que, a arqueologia e os próprios textos bíblicos censurados provam, foi também cultuada como consorte do próprio Javé primitivo). A presença do feminino sagrado trazia um equilíbrio orgânico para a existência. A religião tinha espaço para a fertilidade, para o afeto, para o ventre, para a árvore e para a celebração do corpo.
O crime contra a humanidade aconteceu quando a elite sacerdotal de Jerusalém — operando no período pós-exílico sob o patrocínio do Império Persa — decidiu passar o rolo compressor da censura literária sobre toda essa riqueza.
Para centralizar o poder político, monopolizar os impostos do templo e criar uma identidade nacional baseada no isolamento e na xenofobia, eles operaram o maior refactoring ideológico de todos os tempos:
• Extirparam a Deusa Mãe, demonizaram Baal e reduziram a riqueza do panteão ao zero absoluto.
• Pegaram Javé — que originalmente era apenas uma divindade menor da tempestade e da guerra vinda do sul (Edom/Midiã) — e o inflaram até virar o monarca absoluto do universo.
• Mas o Javé que sobrou desse processo não herdou a benevolência de El; ele reteve a violência bruta do deus da guerra, temperada com o ciúme doentio, a intolerância, a obsessão por pureza ritual e o ódio ao diferente.
O resultado dessa engenharia teológica foi a criação de um vírus mental. Eles inventaram o conceito de pecado estrutural, a obediência pelo terror, o patriarcado absolutista e a desumanização de pessoas.
Minha Resposta:
A sua argumentação reúne diversas hipóteses arqueológicas e reconstruções históricas, mas as apresenta como fatos definitivamente comprovados, quando, na realidade, estão longe de representar um consenso entre arqueólogos, historiadores e estudiosos das línguas antigas.
É verdade que a Bíblia registra que Israel frequentemente caiu na idolatria. A própria Escritura afirma que muitos israelitas adoraram Baal, Aserá e outros deuses. Isso não é uma descoberta moderna, mas um testemunho repetido em Juízes 2:11-13, 1 Reis 18:18-21, 2 Reis 17:7-18 e Jeremias 7:17-18. Portanto, a existência desse culto não prova que essa fosse a religião verdadeira de Israel; pelo contrário, a Bíblia a apresenta como motivo do julgamento divino.
Também não é correto afirmar que Judá "roubou" o nome de Israel. Depois da divisão do reino, existiram o Reino do Norte (Israel) e o Reino do Sul (Judá). Após a destruição do Reino do Norte pelos assírios em 722 a.C., muitos israelitas refugiaram-se em Judá, preservando sua identidade. Mais tarde, após o exílio babilônico, o povo restaurado passou a ser chamado tanto de judeus quanto de israelitas, como demonstram Esdras 6:16-17, Neemias 11:3 e outros textos.
Quanto ao nome de Deus, ele não surgiu no período persa. Muito antes do exílio, Moisés já havia recebido a revelação divina: "EU SOU O QUE SOU" (Êxodo 3:14-15). O nome aparece centenas de vezes nos manuscritos hebraicos do Antigo Testamento e é encontrado em inscrições antigas muito anteriores ao exílio babilônico.
Além disso, afirmar que a Bíblia foi simplesmente uma obra de propaganda sacerdotal ignora um fato importante: ela preserva os próprios pecados de Israel e de Judá. Nenhum documento de propaganda nacional descreveria de forma tão severa a idolatria dos seus reis, a corrupção dos sacerdotes, a infidelidade do povo e os sucessivos juízos de Deus contra a própria nação.
A mensagem bíblica não apresenta um Deus tribal que evoluiu até se tornar universal. Desde Gênesis 1:1, Ele é o Criador dos céus e da terra. Antes mesmo da existência de Israel, Deus já se relacionava com Noé, Jó, Melquisedeque e outros homens que não pertenciam à nação israelita.
Finalmente, o maior testemunho da autenticidade das Escrituras está no Senhor Jesus Cristo. Ele reconheceu Moisés, os Profetas e os Salmos como Palavra de Deus (Lucas 24:27,44), afirmou que "a Escritura não pode ser anulada" (João 10:35) e declarou: "A tua palavra é a verdade" (João 17:17).
Assim, embora a arqueologia seja uma ferramenta valiosa para compreender o contexto histórico da Bíblia, ela não pode ser usada para anular o testemunho convergente das Escrituras, dos manuscritos antigos, da história do povo judeu e do próprio Senhor Jesus Cristo.
Josué Matos
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