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Então, quem peca constantemente não tem salvação, mesmo não sendo justificado pela lei como diz Gálatas 3?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

A paz, presbítero. Então, quem peca constantemente não tem salvação, mesmo não sendo justificado pela lei como diz Gálatas 3?

¹⁰ Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. ¹¹ E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta muito importante, porque toca no coração da doutrina da salvação e da vida prática do crente.

Primeiro, é necessário afirmar com clareza o ensino de Gálatas 3:10-11: ninguém é justificado pelas obras da lei. A lei exige perfeição absoluta: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas… para fazê-las”. Portanto, se alguém tenta ser aceito por Deus com base no seu comportamento, já está condenado, porque nenhum homem cumpre perfeitamente a lei.

Mas o mesmo texto afirma: “o justo viverá pela fé”. Aqui está o fundamento: a justificação é pela fé, não pelas obras.

Agora, surge a questão: se a salvação é pela fé, qual é o lugar do pecado na vida do crente?

A Palavra de Deus apresenta dois aspectos que precisam ser bem entendidos:

  1. A posição do salvo diante de Deus
    Quando alguém crê no Senhor Jesus Cristo, recebe perdão completo e é justificado. Romanos 5:1 diz: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus”. Essa justificação não depende da constância do crente, mas da obra perfeita de Cristo.

Também em João 5:24 lemos que aquele que crê “não entra em condenação, mas passou da morte para a vida”. Isso é definitivo.

  1. A prática de vida do salvo
    Aqui entra o ponto da sua pergunta.

1 João 3:9 diz: “Qualquer que é nascido de Deus não vive na prática do pecado”. E 1 João 5:18 afirma que aquele que é nascido de Deus não vive pecando deliberadamente.

Isso não significa que o crente nunca peca. A própria Escritura diz: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos” (1 João 1:8).

Mas há uma diferença fundamental entre:

  • cair em pecado (fraqueza, falha, luta)

  • viver no pecado (prática contínua, sem arrependimento)

A pessoa que vive constantemente no pecado, sem qualquer exercício de consciência, sem arrependimento, sem disciplina interior, demonstra que nunca nasceu de novo.

O novo nascimento produz uma nova natureza. Como está escrito: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). Essa nova vida não pode ter prazer contínuo no pecado.

Conforme já foi exposto em um dos textos doutrinários: o novo nascimento comunica uma nova vida ao homem, que passa a ter uma natureza que responde a Deus . Essa nova vida não é compatível com uma vida dominada pelo pecado.

  1. A relação entre graça e santidade
    A graça não é licença para pecar. Romanos 6:1-2 responde claramente: “Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum”.

A verdadeira fé salvadora não apenas justifica, mas transforma. Tito 2:11-12 diz que a graça “nos ensina a renunciar à impiedade”.

Portanto:

  • Quem confia na lei → está debaixo de maldição

  • Quem confia em Cristo → é justificado pela fé

  • Quem foi realmente salvo → não vive na prática contínua do pecado

  1. Conclusão clara
    Quem peca constantemente, vivendo no pecado sem arrependimento, não está salvo, não porque perdeu a salvação, mas porque nunca teve a vida de Deus.

Já o verdadeiro crente pode falhar, pode cair, mas não permanece no pecado, pois há nele uma nova vida que o leva ao arrependimento, à disciplina e à restauração.

Assim, Gálatas 3 ensina como somos justificados, e 1 João mostra a evidência dessa salvação na vida prática.

Josué Matos

Apolo não era salvo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa tarde, irmão. Uma dúvida: Apolo ainda não era salvo, apesar de ter conhecimento “da letra”? Ele falava de Jesus com eloquência, mas não tinha o Espírito Santo? “Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e poderoso nas Escrituras” (Atos 18:24). “A letra mata, mas o Espírito vivifica.” Ele ainda não tinha sido selado com o Espírito Santo? Somente o conhecimento, apesar do dom para pregar, não garante salvação a ninguém, correto? Por maior das boas intenções?

Minha Resposta:

A sua pergunta exige distinguir bem três situações diferentes nas Escrituras: Nicodemos, Apolo e os discípulos de João em Atos 19. Sem essa distinção, o assunto fica confuso.

Primeiro, Nicodemos. Ele era um homem religioso, mestre em Israel, conhecedor das Escrituras e convencido de que o Senhor Jesus vinha de Deus (João 3:2). No entanto, o Senhor lhe disse claramente: “necessário vos é nascer de novo” (João 3:7). Isso mostra que todo o seu conhecimento e posição religiosa não significavam salvação. Ele precisava de vida nova. Portanto, Nicodemos é um exemplo claro de alguém com conhecimento, mas sem novo nascimento.

Segundo, os discípulos de João em Atos 19. Esses são ainda mais claros. Eles criam em algo, mas quando Paulo perguntou: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?”, responderam: “nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo” (Atos 19:2). Isso revela que eles não estavam na posição cristã. O próprio texto mostra que eles conheciam apenas o batismo de João, que era de arrependimento e apontava para alguém que viria depois. Eles ainda não tinham crido no Senhor Jesus como apresentado no evangelho completo. Por isso, precisaram ouvir, crer, ser batizados em nome do Senhor Jesus e então receberam o Espírito Santo. Portanto, não eram cristãos ainda.

Agora, Apolo. Aqui está o ponto mais delicado. Ele não se encaixa exatamente como Nicodemos, nem como os de Atos 19.

Apolo já tinha um conhecimento mais avançado e era salvo: ele era eloquente, poderoso nas Escrituras, instruído no caminho do Senhor, fervoroso de espírito e ensinava diligentemente (Atos 18:24-25). Porém, o texto diz que ele conhecia apenas o batismo de João. Ou seja, seu entendimento ainda era incompleto.

Ele não era um simples ignorante espiritual como Nicodemos antes do ensino do Senhor, nem um grupo que sequer tinha ouvido sobre o Espírito Santo como em Atos 19. Ele já ensinava corretamente até certo ponto, mas faltava-lhe a plena compreensão da obra consumada de Cristo e das verdades ligadas à posição cristã.

Por isso, Priscila e Áquila “expuseram-lhe mais precisamente o caminho de Deus” (Atos 18:26). Não se trata de uma repreensão por incredulidade, mas de um aperfeiçoamento do entendimento.

Assim, a melhor forma de entender é:

Nicodemos: conhecimento religioso sem novo nascimento.

Discípulos de João (Atos 19): fé preparatória, mas ainda não cristãos, sem o Espírito Santo.

Apolo: um homem salvo e sincero, instruído e já avançado, mas com entendimento incompleto, que precisou ser ajustado à luz completa do evangelho.

E quanto à sua conclusão final, ela está correta e é fundamental:

Conhecimento, eloquência, zelo ou até mesmo habilidade para falar das Escrituras não garantem salvação.

A Palavra de Deus é clara:

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (João 3:36).

A salvação não está em saber sobre Cristo, mas em crer nEle de forma pessoal. O conhecimento pode conduzir até a porta, mas somente a fé no Senhor Jesus Cristo introduz o pecador na vida eterna e na recepção do Espírito Santo.

Josué Matos

“Legião é o meu nome, porque somos muitos” (Marcos 5:9)

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia amados no Senhor.

Ao fazer leitura bíblica no Evangelho de Marcos capítulo 5 verso 9, Jesus perguntou o nome do espírito imundo; ele respondeu: “O meu nome é Legião”. E quando esses espíritos rogaram a Jesus para não sair daquele país, pediram para entrar numa manada de porcos que estavam a pastar ali próximo. A Bíblia diz que a manada era de dois mil e se precipitou no mar. A minha pergunta é: sendo dois mil porcos, isso significa que aquela legião era composta de dois mil espíritos imundos?

Minha Resposta:

A passagem mencionada encontra-se em Marcos 5:9-13, e é importante observar cuidadosamente o que o texto realmente afirma e o que ele não afirma.

Primeiramente, quando o espírito responde: “Legião é o meu nome, porque somos muitos” (Marcos 5:9), o termo “legião” não deve ser entendido como um número exato, mas como uma expressão que indica grande quantidade. No contexto romano, uma legião podia chegar a milhares de soldados, mas aqui o uso é descritivo, indicando apenas que havia muitos demônios naquele homem.

A Escritura não afirma em nenhum momento que havia um demônio para cada porco. O texto diz que os espíritos imundos entraram nos porcos, e a manada, que era cerca de dois mil, lançou-se no mar (Marcos 5:13). Mas isso não estabelece uma correspondência numérica entre espíritos e animais.

Devemos considerar alguns pontos importantes:

  1. A intenção do texto não é revelar quantidade exata, mas demonstrar a gravidade da condição daquele homem. Ele estava completamente dominado por uma multidão de espíritos malignos, o que explica seu comportamento extremo (Marcos 5:3-5).

  2. A palavra “legião” enfatiza a intensidade da possessão, não a matemática da quantidade. Assim como em outras partes da Escritura, números podem ter valor descritivo e não necessariamente exato (Salmos 40:5).

  3. O fato de os demônios entrarem nos porcos e estes se precipitarem no mar mostra o caráter destrutivo desses espíritos. O Senhor Jesus disse que o ladrão vem para matar, roubar e destruir (João 10:10). A destruição da manada evidencia essa natureza.

  4. A autoridade do Senhor Jesus é o ponto central. Mesmo sendo muitos, todos os espíritos estavam sujeitos à Sua palavra. Ele os expulsou com autoridade, mostrando Seu poder sobre o mundo espiritual (Lucas 4:36).

Portanto, não é correto afirmar que havia exatamente dois mil demônios porque havia dois mil porcos. A Bíblia não faz essa afirmação. O que ela nos ensina é que eram muitos, formando uma “legião”, e que todos estavam sob o domínio e autoridade do Senhor Jesus Cristo.

Esse episódio também nos ensina algo profundo: por mais intensa que seja a ação do mal, ela nunca está fora do controle de Deus. O Senhor Jesus liberta completamente aquele homem, que depois é visto “assentado, vestido e em perfeito juízo” (Marcos 5:15), mostrando o poder restaurador da graça divina.

Josué Matos

Por que agora já não existem os milagres de cura, ressuscitar e outros mais?

Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Eu quero fazer uma pergunta sobre os dons e milagres que operavam quando o Senhor Jesus estava na terra, e também quando começou a igreja do Novo Testamento. A minha pergunta é: por que agora já não existem os milagres de cura, ressuscitar e outros mais? Se há uma resposta certa, pode nos ajudar?

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta muito importante, e a própria Palavra de Deus nos dá luz clara sobre esse assunto quando consideramos o propósito dos milagres e dos dons no seu contexto bíblico.

  1. O propósito dos milagres no ministério do Senhor Jesus

Quando o Senhor Jesus esteve na terra, os milagres tinham um propósito bem definido: confirmar quem Ele era. Não eram feitos apenas para aliviar o sofrimento humano, mas para autenticar Sua pessoa como o Messias enviado de Deus.

Em João 5:36, Ele mesmo declara que as obras que fazia davam testemunho de que o Pai O havia enviado. Em João 20:30-31, lemos que os sinais foram escritos para que creiamos que Jesus Cristo é o Filho de Deus.

Portanto, os milagres tinham caráter de sinal, isto é, apontavam para uma realidade maior: a identidade do Senhor Jesus.

  1. O propósito dos dons no início da igreja

O mesmo princípio continua no início da igreja. Em Hebreus 2:3-4 está escrito que a salvação foi confirmada por Deus com sinais, maravilhas e vários milagres, e dons do Espírito Santo.

Ou seja, os dons milagrosos tinham uma função confirmatória. Eles serviam para autenticar a mensagem dos apóstolos, pois naquele tempo o Novo Testamento ainda não estava completo. Deus estava estabelecendo o fundamento da igreja.

Em Efésios 2:20, vemos que a igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Esse fundamento foi lançado uma vez, não continuamente.

  1. A transição após o período apostólico

À medida que a revelação foi sendo completada e as Escrituras foram sendo formadas, a necessidade desses sinais como autenticação diminuiu.

Em 1 Coríntios 13:8-10, o apóstolo Paulo ensina que certos dons, como profecias e línguas, cessariam. Isso indica que não eram permanentes, mas temporários, ligados a um período específico da história da igreja.

Além disso, vemos nas próprias epístolas que, já no final da vida dos apóstolos, os milagres não eram mais a norma:

– Em 2 Timóteo 4:20, Paulo deixou Trófimo doente em Mileto
– Em 1 Timóteo 5:23, orienta Timóteo a usar um remédio natural
– Em Filipenses 2:27, Epafrodito esteve gravemente enfermo

Isso mostra que nem mesmo os apóstolos continuavam operando curas como no início.

  1. O foco atual de Deus

Hoje, o maior milagre continua acontecendo: o novo nascimento.

Em João 3:3, o Senhor Jesus declara que é necessário nascer de novo. Esse é um milagre espiritual operado pelo Espírito Santo no coração do pecador.

Esse milagre é maior do que curas físicas, pois trata da vida eterna.

Como já foi exposto em ensino sólido, o novo nascimento é uma obra sobrenatural de Deus, mas que acontece por meio da Palavra recebida com fé

  1. A diferença entre sinais e fé

Nos dias do Senhor Jesus, muitos criam por causa dos sinais, mas isso não era a base ideal da fé. Em João 4:48, Ele disse: “Se não virdes sinais e milagres, não crereis”.

Hoje, a fé é baseada na Palavra de Deus. Em Romanos 10:17, lemos que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.

  1. Conclusão

Portanto, os milagres não desapareceram por falta de poder de Deus, mas porque cumpriram o seu propósito no plano divino.

– No tempo do Senhor Jesus: confirmar Sua pessoa
– No tempo apostólico: confirmar a mensagem
– Hoje: Deus nos chama a andar pela fé na Palavra

Deus continua podendo curar e agir soberanamente, mas os dons milagrosos como sinais públicos e contínuos não são mais a característica da dispensação atual.

O maior milagre hoje não é um corpo curado, mas uma alma salva.

Josué Matos