Áudios

Pesquisar este blog

Quando eu era um religioso de uma denominação pentecostal, acreditava piamente que minhas obras e meus esforços pessoais iriam me salvar.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Quando eu era um religioso de uma denominação pentecostal, acreditava piamente que minhas obras e meus esforços pessoais iriam me salvar. Afinal, era o que eu tinha aprendido naquele meio: que a salvação era por obras. Mas, graças a Deus, Ele, aos poucos, foi trabalhando no meu coração e me fazendo entender que somente pela graça eu poderia ser salvo.

Quando compreendi o Evangelho da Graça, não pensei duas vezes em abandonar aquele sistema tão cheio de erros e falsas doutrinas, e também em abandonar meu orgulho religioso, que gerava em mim apenas a hipocrisia de achar, como o fariseu que eu era, que eu era "melhor" que os demais pecadores.

A melhor coisa que aconteceu na minha vida foi conhecer o Evangelho da Graça. Louvado seja Deus!

Minha Resposta:

É motivo de grande alegria saber que a Palavra de Deus trouxe esse esclarecimento ao seu coração. Uma das verdades mais preciosas das Escrituras é justamente esta: a salvação não é uma conquista humana, mas uma dádiva divina, fundamentada exclusivamente na pessoa e na obra consumada do Senhor Jesus Cristo.

O apóstolo Paulo escreveu:

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9).

Observe que Deus exclui completamente qualquer possibilidade de mérito humano na obtenção da salvação. Não somos salvos porque conseguimos melhorar suficientemente nossa conduta, porque pertencemos a determinada denominação, porque praticamos boas obras ou porque conseguimos perseverar em nossos próprios esforços religiosos. Somos salvos porque Cristo realizou, na cruz do Calvário, aquilo que jamais poderíamos realizar por nós mesmos.

Em Romanos 4:5, encontramos uma declaração extraordinária:

"Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça."

Deus não justifica o pecador porque este conseguiu tornar-se justo mediante seus esforços. Ele justifica aquele que, reconhecendo sua condição de pecador, deposita sua confiança exclusivamente no Senhor Jesus Cristo.

Outro aspecto importante do seu testemunho é o reconhecimento do orgulho religioso. O Senhor Jesus tratou exatamente desse problema na parábola do fariseu e do publicano, registrada em Lucas 18:9-14.

O fariseu apresentava diante de Deus suas realizações religiosas, considerando-se superior aos demais. O publicano, porém, reconhecendo sua indignidade, clamava: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" O Senhor Jesus declarou que foi este último quem desceu justificado para sua casa.

A religião pode levar o homem a confiar naquilo que faz para Deus, enquanto o verdadeiro Evangelho conduz o pecador a descansar inteiramente naquilo que Cristo fez por ele.

O próprio apóstolo Paulo conhecia profundamente essa diferença. Antes de sua conversão, possuía um impressionante currículo religioso. Entretanto, depois de conhecer a Cristo, passou a considerar todas aquelas vantagens como perda, diante da excelência do conhecimento do Senhor Jesus. Seu desejo era ser achado nEle, não tendo justiça própria, proveniente da lei, mas aquela que vem de Deus pela fé (Filipenses 3:4-9).

Contudo, há uma distinção que também precisamos preservar: as boas obras não são a causa da salvação, mas devem ser uma consequência dela.

Efésios 2:10, imediatamente depois de afirmar que a salvação não vem das obras, declara que fomos criados em Cristo Jesus para as boas obras. Portanto, não praticamos boas obras para conquistar a vida eterna; praticamo-las porque recebemos uma nova vida em Cristo.

Da mesma forma, Tito 3:5 afirma que Deus nos salvou, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia.

É importante também que, ao reconhecermos os erros doutrinários de um sistema religioso, não permitamos que surja em nós uma nova forma de orgulho, agora baseada no conhecimento que adquirimos. A graça que nos salva é também aquela que nos ensina a viver em humildade, piedade e gratidão (Tito 2:11-12).

Não somos melhores do que aqueles que ainda não compreenderam essas verdades. Se hoje conhecemos a suficiência da obra de Cristo, temos ainda mais motivos para glorificar a Deus e anunciar o Evangelho com amor e fidelidade.

Que possamos conservar sempre em nosso coração as palavras do apóstolo Paulo:

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo." (Gálatas 6:14).

A glória da salvação pertence inteiramente a Deus. O pecador nada pode acrescentar à obra que o Senhor Jesus consumou quando declarou: "Está consumado" (João 19:30).

Que essa preciosa verdade continue produzindo em sua vida não apenas a segurança da salvação, mas também uma profunda gratidão Àquele que nos amou e Se entregou por nós.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Após o Milênio, no estado eterno, os judeus serão transportados, diferentemente da Igreja, que será transformada?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Graça e paz, Josué!

Tenho uma pergunta:

Após o Milênio, no estado eterno, os judeus serão transportados, diferentemente da Igreja, que será transformada?

É por isso que os judeus precisarão das folhas das árvores para curar seus corpos?

A Igreja será transformada porque, no Céu, um corpo corruptível não pode entrar, sendo necessária a transformação.

Já os judeus serão transportados porque, na nova Terra, o corpo poderá entrar ainda corruptível, precisando das folhas das árvores para curá-lo.

É isso mesmo?

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito interessante, pois envolve uma distinção importante entre Israel, a Igreja, o Reino Milenar e o estado eterno. Entretanto, precisamos fazer alguns ajustes nesse entendimento, especialmente quanto à ideia de que os judeus entrarão na nova Terra com corpos corruptíveis e precisarão das folhas da árvore da vida para serem curados.

Vamos examinar o assunto à luz das Escrituras.

1. A transformação da Igreja

Primeiramente, a Palavra de Deus ensina claramente que todos os salvos que pertencem à Igreja, o Corpo de Cristo, terão corpos glorificados.

Em 1 Coríntios 15:51-53, Paulo escreve:

"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade."

Essa transformação acontecerá no arrebatamento da Igreja, conforme também encontramos em 1 Tessalonicenses 4:13-18.

Os crentes que morreram ressuscitarão com corpos glorificados, enquanto os que estiverem vivos serão transformados instantaneamente.

Filipenses 3:20-21 acrescenta que o Senhor Jesus Cristo transformará o nosso corpo abatido para ser conforme o Seu corpo glorioso.

Portanto, a Igreja não entrará na glória com corpos sujeitos à corrupção, enfermidade ou morte.

Entretanto, essa transformação não acontece simplesmente porque o Céu não pode receber um corpo corruptível. Ela faz parte do propósito eterno de Deus para os redimidos em Cristo.

2. E quanto aos judeus que entrarão no Milênio?

Aqui precisamos distinguir o Milênio do estado eterno.

Quando o Senhor Jesus voltar em glória para estabelecer Seu Reino, haverá pessoas que sobreviverão ao período da Grande Tribulação e entrarão vivas no Reino Milenar.

Entre elas estará o remanescente de Israel que reconhecerá o Senhor Jesus como seu Messias.

Zacarias 12:10 descreve o arrependimento nacional de Israel, enquanto Romanos 11:25-27 apresenta a futura restauração espiritual dessa nação.

Esses israelitas entrarão no Milênio com seus corpos naturais, sem terem passado pela morte e ressurreição.

Também haverá gentios salvos que entrarão no Reino, conforme podemos observar em Mateus 25:31-46.

Durante os mil anos, essas pessoas viverão na Terra sob o governo justo do Senhor Jesus Cristo.

É importante observar que, durante o Milênio, ainda haverá condições próprias da existência humana natural, incluindo nascimento, longevidade e possibilidade de morte, conforme Isaías 65:20-23.

Portanto, teremos uma distinção entre os santos glorificados e aqueles que estarão vivendo no Reino com corpos naturais.

Mas isso diz respeito ao Milênio, não necessariamente ao estado eterno.

3. O que acontecerá depois dos mil anos?

Apocalipse 20 apresenta os acontecimentos que encerram o Reino Milenar.

Satanás será solto por um breve período, promoverá sua última rebelião e será definitivamente lançado no lago de fogo.

Depois disso, acontecerá o julgamento diante do Grande Trono Branco, e a própria morte será lançada no lago de fogo (Apocalipse 20:11-15).

Em seguida, João declara:

"E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Apocalipse 21:1).

Aqui já não estamos falando do Milênio, mas do estado eterno.

E há uma declaração fundamental em Apocalipse 21:4:

"E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas."

Observe que a morte deixará de existir.

Por isso, não considero correto afirmar que os judeus entrarão no estado eterno com corpos ainda corruptíveis, sujeitos às enfermidades e necessitando de tratamento para continuar vivendo.

Um corpo corruptível, no sentido apresentado em 1 Coríntios 15, está sujeito à deterioração e à morte. Isso não corresponde à condição definitiva descrita em Apocalipse 21.

As Escrituras não explicam detalhadamente como acontecerá a transição corporal dos salvos que estiverem vivos na Terra ao término do Milênio. Podemos reconhecer que haverá uma condição apropriada à eternidade, mas não devemos estabelecer um procedimento específico onde a Palavra de Deus não o revelou expressamente.

4. E as folhas da árvore da vida, destinadas à cura das nações?

Este é o ponto central da sua pergunta.

Apocalipse 22:1-2 diz:

"E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações."

À primeira vista, a expressão "saúde das nações" pode sugerir que haverá pessoas doentes necessitando de cura.

Entretanto, precisamos interpretar essa passagem considerando todo o contexto.

O próprio capítulo anterior já declarou que não haverá mais morte, dor ou sofrimento.

Além disso, Apocalipse 22:3 afirma:

"E ali nunca mais haverá maldição contra alguém."

Portanto, não podemos interpretar as folhas como medicamentos destinados a combater enfermidades decorrentes da corrupção do corpo, pois isso introduziria novamente no estado eterno uma condição que Deus já declarou definitivamente removida.

A palavra grega traduzida por "saúde" ou "cura" é therapeia, que pode transmitir a ideia de cuidado, serviço ou benefício restaurador.

Nesse contexto, as folhas da árvore da vida podem ser compreendidas como uma expressão da provisão divina para o bem-estar permanente das nações.

Não se trata necessariamente de curar doenças existentes, mas de manifestar a plenitude da vida e das bênçãos que procedem de Deus.

Assim, a árvore da vida não deve ser vista como um hospital da eternidade, mas como uma manifestação da provisão inesgotável de Deus numa criação onde a maldição já não existe.

Outro detalhe importante: o texto não diz que as folhas são exclusivamente para os judeus. Ele afirma expressamente que são para a saúde das nações.

Logo, não encontramos fundamento bíblico para estabelecer que Israel precisará dessas folhas porque conservará um corpo corruptível, enquanto a Igreja não precisará delas por possuir um corpo glorificado.

Essa conclusão vai além daquilo que o texto realmente ensina.

5. Israel e a Igreja continuarão sendo distintos?

Sim. Precisamos preservar a distinção que as Escrituras estabelecem entre Israel e a Igreja, sem concluir que isso implique a permanência da corrupção física em um desses grupos.

Israel possui promessas nacionais e terrestres que Deus cumprirá fielmente. A Igreja, por sua vez, possui uma vocação celestial singular, sendo apresentada como o Corpo e a Noiva de Cristo (Efésios 1:22-23; 5:25-32).

Apocalipse 21 apresenta a Nova Jerusalém descendo do Céu, da parte de Deus, preparada como uma esposa adornada para o seu marido.

A cidade celestial está associada à glória da Igreja, enquanto a nova Terra apresenta o cenário da bênção eterna das nações.

Apocalipse 21:24 menciona as nações andando à luz da cidade, e Apocalipse 22:2 apresenta a árvore da vida e suas folhas para a saúde dessas nações.

Temos, portanto, distinções na manifestação dos propósitos eternos de Deus, mas não duas categorias de salvos, sendo uma incorruptível e outra permanecendo sujeita à morte.

A distinção entre Israel e a Igreja não significa que Israel terá uma salvação inferior ou uma existência eternamente marcada pela corrupção.

Todos os redimidos desfrutarão da perfeita obra de Cristo, embora Deus tenha estabelecido propósitos e posições distintos para os diferentes grupos de salvos.

Conclusão

Respondendo diretamente à sua pergunta:

Está correto afirmar que a Igreja será transformada e receberá corpos glorificados no arrebatamento.

Também está correto afirmar que haverá judeus e gentios salvos que entrarão no Milênio com seus corpos naturais.

Entretanto, não podemos afirmar que esses judeus simplesmente serão transportados para a nova Terra, permanecendo com corpos corruptíveis e necessitando das folhas da árvore da vida para tratar suas enfermidades.

A Bíblia não ensina isso.

Precisamos distinguir três acontecimentos:

  1. O arrebatamento: a Igreja será ressuscitada ou transformada, recebendo corpos glorificados.
  2. O Milênio: haverá pessoas salvas vivendo na Terra com corpos naturais, sob o governo do Senhor Jesus.
  3. O estado eterno: a morte, a maldição e todas as consequências da antiga criação terão sido definitivamente removidas.

A maneira exata como Deus realizará a transição dos salvos que estiverem vivos no encerramento do Milênio não nos foi revelada em todos os seus detalhes.

O que sabemos é que a nova criação não será uma continuação da presente condição de corrupção.

Finalmente, as folhas da árvore da vida não demonstram a existência de enfermidades na eternidade. Antes, apontam para a provisão permanente de Deus, cuja presença será a fonte inesgotável de vida e bênção para os redimidos.

A grande beleza do estado eterno não está apenas na ausência da morte, mas na presença permanente de Deus e do Cordeiro.

"E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome" (Apocalipse 22:4).

Que maravilhosa esperança!

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Agradeço a Deus por enviar Seu Filho único para nos salvar.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Agradeço a Deus por enviar Seu Filho único para nos salvar.

Agradeço a Jesus Cristo por dar a Sua vida por mim e por todos.

Agradeço ao Senhor por enviar o Consolador amado.

Minha Resposta:

Amém! Temos realmente motivos eternos para agradecer a Deus por tão maravilhosa salvação.

Sua mensagem nos faz lembrar de uma das mais belas verdades das Escrituras: a participação do Pai, do Filho e do Espírito Santo na obra da nossa salvação.

O Pai nos amou e enviou Seu Filho unigênito ao mundo. Como lemos em João 3:16:

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

O Filho, por Sua vez, veio voluntariamente para cumprir a vontade do Pai, entregando Sua própria vida na cruz do Calvário. Ninguém Lhe tirou a vida; Ele a deu espontaneamente (João 10:17-18). Sua morte foi o sacrifício perfeito e suficiente pelos nossos pecados.

Como declara 1 Timóteo 2:5-6, há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem, o qual Se deu a Si mesmo em preço de redenção por todos.

Entretanto, é importante lembrar que, embora Cristo tenha oferecido Sua vida em favor de todos, a salvação é recebida individualmente, mediante a fé nEle. A Palavra de Deus afirma: "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo" (Atos dos Apóstolos 16:31).

E que preciosa verdade encontramos na terceira parte da sua mensagem!

Antes de partir, o Senhor Jesus prometeu aos Seus discípulos que não os deixaria órfãos. Ele rogaria ao Pai, e o Pai enviaria outro Consolador, o Espírito Santo, para permanecer com os Seus para sempre (João 14:16-18).

O Espírito Santo não é apenas uma influência ou uma força divina, mas uma Pessoa divina, que habita permanentemente em cada pessoa verdadeiramente salva. Ele nos ensina, consola, fortalece e glorifica o Senhor Jesus Cristo (João 16:13-14).

Efésios 1:13 também nos ensina que, depois de ouvirmos a Palavra da verdade, o evangelho da nossa salvação, e crermos em Cristo, somos selados com o Espírito Santo da promessa.

Assim, podemos resumir essas três manifestações maravilhosas do amor divino:

  • O Pai enviou o Filho para nos salvar.
  • O Filho entregou Sua vida para nos redimir.
  • O Espírito Santo habita naqueles que creem, como selo e garantia da herança eterna.

Que jamais percamos a capacidade de agradecer por essas verdades! Não existe bênção maior do que conhecer a Deus por meio de Jesus Cristo e desfrutar da comunhão com Ele pelo Espírito Santo.

Como escreveu o apóstolo Paulo:

"Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável." (2 Coríntios 9:15).

Que toda a glória, honra e gratidão sejam dadas ao nosso Deus, agora e eternamente!

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos: 

https://appscentralhub.com

No caso de um irmão reunido ao nome do Senhor ser divorciado, ele não pode participar da Ceia. Correto?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Boa tarde, irmão.

No caso de um irmão reunido ao nome do Senhor ser divorciado, ele não pode participar da Ceia. Correto? Por causa do testemunho dele perante a igreja ou do testemunho da própria igreja? Ele participará das Bodas do Cordeiro?!

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito importante, pois envolve três assuntos que precisamos distinguir cuidadosamente à luz das Escrituras: o divórcio, a comunhão na igreja local e a posição eterna de uma pessoa verdadeiramente salva.

Primeiramente, precisamos esclarecer que o simples fato de uma pessoa ser divorciada não significa, automaticamente, que ela esteja impedida de participar da Ceia do Senhor. É necessário conhecer as circunstâncias do divórcio e, principalmente, sua situação matrimonial atual.

1. O divórcio e a participação na Ceia do Senhor

O Senhor Jesus estabeleceu claramente o princípio divino para o casamento:

"Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem" (Mateus 19:6).

O casamento, segundo o propósito original de Deus, é uma união permanente entre um homem e uma mulher, sendo desfeita pela morte de um dos cônjuges (Romanos 7:2-3; 1 Coríntios 7:39).

Entretanto, precisamos distinguir duas situações.

Uma pessoa pode estar divorciada, vivendo sozinha, sem ter contraído uma nova união. Talvez tenha sido abandonada pelo cônjuge, ou o divórcio tenha ocorrido contra a sua vontade. Não seria correto considerar essa pessoa culpada simplesmente por possuir um documento civil de divórcio.

Em 1 Coríntios 7:10-11, o apóstolo Paulo apresenta a orientação para os casados:

"Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher."

Observe que a Palavra de Deus reconhece a possibilidade de uma separação, embora não a apresente como o ideal divino. A orientação é permanecer sem casar ou buscar a reconciliação.

Portanto, uma pessoa divorciada que permanece sem contrair outra união não deve ser automaticamente excluída da comunhão da igreja.

Outra situação, porém, é quando alguém se divorcia e contrai um novo casamento enquanto o primeiro cônjuge ainda vive.

Em Marcos 10:11-12, o Senhor Jesus declara:

"Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera."

Considerando o princípio da permanência do vínculo matrimonial enquanto ambos vivem, uma nova união nessas circunstâncias constitui uma situação moral que não pode ser ignorada pela igreja local.

Nesse caso, não estamos tratando simplesmente de alguém que passou pela dolorosa experiência de um divórcio, mas de uma situação matrimonial contrária ao ensino das Escrituras.

2. A questão do testemunho da igreja local

Sua observação sobre o testemunho é muito pertinente.

A igreja local é apresentada em 1 Timóteo 3:15 como a casa de Deus, a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.

Isso significa que ela possui a responsabilidade de preservar, na prática, aquilo que ensina doutrinariamente.

Em 1 Coríntios 5, encontramos um caso de imoralidade que estava sendo tolerado pela igreja em Corinto. O apóstolo Paulo repreendeu a congregação porque ela não havia tomado as medidas necessárias diante daquela situação.

No versículo 6, ele escreveu:

"Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?"

O princípio é que o pecado moral conhecido e tolerado compromete o testemunho coletivo da igreja.

Portanto, quando uma pessoa vive numa situação moral contrária às Escrituras, sua participação na comunhão não envolve apenas o testemunho individual, mas também a responsabilidade da igreja que a recebe.

Isso não significa que os demais crentes sejam superiores ou que não tenham pecados. Todos dependemos diariamente da graça de Deus. Entretanto, existe uma diferença entre as falhas pelas quais o crente se humilha diante do Senhor e uma condição de pecado conhecida que ele pretende continuar mantendo.

A disciplina bíblica não tem como finalidade humilhar, desprezar ou destruir alguém, mas preservar a santidade da casa de Deus e procurar a restauração espiritual da pessoa envolvida.

3. A Ceia do Senhor e as Bodas do Cordeiro são a mesma coisa?

Aqui chegamos à parte principal da sua pergunta.

Não devemos confundir a participação na Ceia do Senhor com a participação nas Bodas do Cordeiro.

A Ceia do Senhor é uma reunião da igreja local, realizada enquanto estamos neste mundo, na qual os crentes recordam a morte do Senhor Jesus, conforme encontramos em 1 Coríntios 11:23-26.

A participação nessa comunhão está sujeita à responsabilidade individual e à ordem estabelecida por Deus para a igreja local.

Já as Bodas do Cordeiro, mencionadas em Apocalipse 19:7-9, estão relacionadas à união gloriosa de Cristo com a Sua Igreja.

A Igreja, apresentada como a esposa do Cordeiro, é composta por todos os verdadeiros salvos desta presente dispensação, desde o dia de Pentecostes até o arrebatamento.

Portanto, a pergunta fundamental não é se aquela pessoa estava participando da Ceia do Senhor quando deixou este mundo, mas se ela realmente pertence a Cristo.

4. Uma pessoa afastada da comunhão pode participar das Bodas do Cordeiro?

Sim, se ela for verdadeiramente salva.

Precisamos distinguir a comunhão eclesiástica da salvação eterna.

Uma igreja local possui a responsabilidade de reconhecer ou interromper a comunhão de alguém, conforme os princípios estabelecidos nas Escrituras. Entretanto, ela não possui autoridade para conceder ou retirar a vida eterna.

A salvação não é concedida pela igreja local, tampouco é mantida pela participação na Ceia do Senhor.

Em João 10:27-28, o Senhor Jesus declarou:

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão."

Observe também o ensino de 1 Coríntios 5:5. Ao tratar daquele homem que deveria ser afastado da comunhão devido à sua imoralidade, Paulo menciona como objetivo final da disciplina:

"Para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus."

Isso demonstra que a disciplina exercida pela igreja local não deve ser confundida com a condenação eterna de uma pessoa.

Aliás, em 2 Coríntios 2:6-8, encontramos a orientação apostólica para que um homem disciplinado, que havia demonstrado arrependimento, fosse perdoado, consolado e novamente cercado de amor.

A disciplina deve ter sempre um propósito restaurador.

Entretanto, precisamos acrescentar uma observação importante: a segurança eterna do verdadeiro salvo não deve ser utilizada como justificativa para permanecer deliberadamente no pecado.

Romanos 6:1-2 apresenta uma pergunta muito apropriada:

"Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum!"

Se alguém afirma pertencer a Cristo, mas insiste em viver numa condição contrária à Sua Palavra, essa pessoa precisa examinar seriamente sua profissão de fé.

Não cabe a nós determinar definitivamente a condição eterna de alguém, pois o Senhor conhece os que são Seus (2 Timóteo 2:19).

5. E quanto ao Tribunal de Cristo?

Existe ainda outro aspecto importante.

Embora a salvação eterna do verdadeiro crente esteja assegurada pela obra consumada de Cristo, sua vida e suas obras serão avaliadas diante do Tribunal de Cristo.

Em 2 Coríntios 5:10, lemos:

"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal."

Da mesma forma, 1 Coríntios 3:12-15 ensina que a obra de cada um será provada, podendo resultar em recompensa ou perda.

O versículo 15 declara:

"Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo."

Portanto, não devemos confundir a perda da comunhão na igreja local, a perda de recompensa diante do Tribunal de Cristo e a perda da salvação eterna. São questões distintas.

Conclusão

Respondendo diretamente às suas perguntas:

Uma pessoa divorciada não está automaticamente impedida de participar da Ceia do Senhor. É necessário considerar as circunstâncias do divórcio, sua condição matrimonial atual e sua conduta diante da Palavra de Deus.

Se estiver vivendo numa situação moral contrária às Escrituras, a igreja local tem a responsabilidade de tratar o assunto, não apenas por causa do testemunho individual daquela pessoa, mas também para preservar a santidade e o testemunho coletivo da congregação.

Quanto às Bodas do Cordeiro, se essa pessoa é verdadeiramente salva, pertence ao Corpo de Cristo e estará com o Senhor, mesmo que, por razões disciplinares, tenha sido afastada da comunhão de uma igreja local.

A disciplina da igreja não desfaz a obra redentora de Cristo.

Contudo, jamais devemos transformar essa maravilhosa segurança em licença para desobedecer ao Senhor.

A graça que nos salva também nos ensina a viver de maneira santa, justa e piedosa neste presente século (Tito 2:11-12).

Que possamos manter essas duas verdades em perfeito equilíbrio: a santidade que Deus exige da Sua casa e a segurança eterna que Cristo assegurou àqueles que verdadeiramente Lhe pertencem.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos: