ELEIÇÃO - PRESCIÊNCIA - PREDESTINAÇÃO

Eleição é um assunto profundo a respeito do qual muitas palavras já foram escritas e muitas batalhas travadas. O homem encontra grandes dificuldades quando procura encaixar o eterno no tempo, e explicar a mente divina em termos do seu próprio vocabulário. O fato de Deus ser soberano é fundamental à fé. O fato que Deus, na Sua soberania, deu ao homem uma vontade que ele pode exercer livremente é fundamental à nossa natureza.Deus nunca Se opõe à Sua própria vontade, nem viola a natureza que Ele próprio planejou. Ele não vai obrigar uma pessoa a entrar no céu contra a sua vontade, nem condenar ao inferno aqueles que não têm possibilidade de serem salvos. Tentar reconciliar a soberania de Deus e o livre arbítrio do homem, ou tentar explicar em termos humanos como eles se relacionam, é fútil, e toda a tentativa de resolver o aparente paradoxo fracassará. Clique Aqui Para Assistir Vídeo Sobre o Assunto
 
Contudo: "Qualquer dificuldade em reconciliar a eleição de Deus com o livre arbítrio do homem está na mente do homem e não na mente de Deus. A Bíblia ensina ambas estas doutrinas, e nós devemos crer em ambas. A verdade se encontra em ambos os extremos - não no meio" (W. MacDonald).
Cristo é o eleito de Deus como o Servo de Jeová (Is. 42: I). Ele foi escolhido para cumprir uma missão e realizar um propósito. Na encamação, Ele tomou "a forma de servo" (Fil. 2:7), para que pudesse cumprir a vontade do Pai aqui na terra. "Ele não Se disfarçou de servo, mas tomou a forma (morphe), isto é, a 'natureza e essência' de servo" (Gifford). Ele foi escolhido "para cumprir os propósitos de propiciação" (W. E. Vine).
Nesta grande eleição houve também uma nação escolhida em amor (Deut. 7:7), para ser a "propriedade peculiar" do Senhor (Êx. 19:5). Ela deveria cumprir uma missão e realizar um propósito, pois os oráculos de Deus lhe foram confiados (Rom. 3:2), e era através dela que Cristo viria (Rom. 9:5). Dentro e fora desta nação havia indivíduos escolhidos para ministérios e trabalhos especiais, tais como Moisés (Sal. 106:3), Aarão (Sal. 105:26), Davi (I Crôn. 28:4), Ciro (Is. 45:1) e outros.
 
Também nesta grande eleição "em Cristo" há um grupo de pessoas chamada para fora, a ekk/esia, a Igreja ou Assembléia, escolhida em Cristo "antes da fundação do mundo", escolhida por amor, individualmente amada, para estar "diante dEle", e ministrar ao Senhor para o Seu prazer (Ef. 1:4; Êx. 28). "Ele terá santos na Sua presença da maneira que somente Deus pode. Ele nunca terá o que não é digno do Seu amor e presença" (W. Kelly). Portanto, são escolhidos para serem santos, irrepreensíveis e agradáveis a Ele, feitos finalmente conformes à imagem do Seu Filho (Rom. 8:29).
Sua grande eleição não é por causa de mérito humano. "A misericórdia do próprio Deus, espontânea, imerecida, compassiva, O moveu. Deus é Seu próprio motivo. Seu amor não é atraído pelas nossas boas qualidades, mas jorra, como um poço artesiano, das profundezas de Sua natureza" (A. Mac1aren). Toma-se real e conhecida, por experiência, através do ministério santificador do Espírito Santo que visa a submissão do indivíduo e a aplicação do "sangue de Jesus Cristo". 
 
A fé dos demônios é ineficaz, não é viva. Eles "também ... crêem, e estremecem" (Tiago 2: 19). Crêem na identidade de Cristo, na Sua humanidade, na Sua divindade, na Sua soberania e autoridade, mas não haverá nenhum demônio no céu (Mar. I:24). O filho de Deus crê "para a salvação da alma" (Heb. 10:39, VB). Qual é a diferença, então, entre a fé daquele que crê em Cristo e a fé destas criaturas infernais? O que falta na fé dos demônios é a obediência. O seu pecado é rebeldia.
 
Doutrina da Eleição Colocada Fora do seu Lugar
 
"Não reduza os limites da propriedade do teu próximo, que os antigos estabeleceram"
(Deuteronômio 19:14).
 
"Remova os obstáculos do caminho do meu povo"
(Isaías 57:14).
 
Que ternos cuidados e que benigna consideração exalam destas passagens! Os limites antigos não deviam ser movidos de seu lugar, mas os obstáculos devem ser removidos. A herança do povo de Deus deve permanecer inteiramente inalterada, enquanto os contratempos devem ser diligentemente removidos de seu caminho. A porção que Deus tinha dado a cada um deve ser apreciada, enquanto ao mesmo tempo, a maneira pela qual cada um foi chamado para andar, deve ser mantida livre de todas as ocasiões de tropeço.
No entanto, acreditamos que, a julgar pelas comunicações recentes, somos chamados a prestar atenção ao espírito desses preceitos antigos. Alguns dos nossos leitores têm escrito para nós dizendo-nos as suas dúvidas e medos, suas dificuldades e perigos, seus conflitos e exercícios espirituais, e queremos ser instrumentos nas mãos de Deus para ajudá-los a determinar os limites que Ele, pelo Espírito Santo tem definido, e remover os obstáculos que o inimigo tem colocado em seu caminho.
 
Podemos ver claramente como o inimigo tem usado tropeço, como a doutrina da eleição fora do seu lugar. A doutrina da eleição, em seu devido lugar, em vez de ser uma pedra de tropeço no caminho das almas ansiosas para examinar mais a verdade, se verá que é bem mais um limite estabelecido pelos antigo, até mesmo pelos apóstolos inspirados do nosso Senhor Jesus Cristo, na herança do Israel espiritual de Deus.
Mas todos nós sabemos que uma verdade que está fora do seu lugar, é mais perigoso do que um erro positivo. Se um homem se levanta e declara abertamente que a doutrina da eleição é falsa, sem dúvida rejeitaríamos suas palavras, mas talvez não estejamos bem preparados para lidar com aquele que, embora admitindo que a doutrina da eleição é verdadeiro e importante, a coloca fora do seu lugar divinamente designado. E este último, é precisamente o que acontece muitas vezes, causando danos à verdade de Deus e lançando um manto de trevas sobre as almas dos homens.
 
Qual é, então, o verdadeiro lugar da doutrina da eleição?
 
Seu verdadeiro lugar, seu lugar divinamente estabelecido é este: essa doutrina está dirigida apenas para aqueles que já estão dentro da casa, para a confirmação dos verdadeiros crentes. Em vez disso, o inimigo coloca fora da casa, para tropeço das almas ansiosas por descobrir a verdade.
Preste atenção às seguintes palavras de uma alma profundamente exercitada:
"Se eu soubesse que eu sou um dos eleitos, seria completamente feliz, porque então eu poderia aplicar com confiança os benefícios da morte de Cristo para mim".
Certamente, esta seria a línguagem de muitos se fossem deixados apenas para saciar seus próprios sentimentos. Estão usando mal a doutrina da eleição, que é abençoadamente verdadeira doutrina em si mesma – um “limite” muito valioso -, mas o inimigo tem convertido em uma "pedra de tropeço".
Para aquele que tem o desejo de conhecer a verdade, ele deve ter em conta, que deve aplicar a si mesmo os benefícios da morte de Cristo apenas como um pecador perdido, e não como "um dos eleitos."
A visão correta de salvação que alcançamos pela morte redentora de Cristo, não é a eleição, mas a consciência da nossa ruína. Esta é a graça inefável, pois eu sei que sou um pecador perdido; mas eu não sei se sou um dos eleitos, até que tenha recebido a Cristo, através do testemunho e ensinamento do Espírito, as boas novas de salvação pelo sangue do Cordeiro.
Para mim se pregar a salvação, uma salvação tão livre como os raios do sol, tão cheio como o mar e tão permanentes como o trono do eterno Deus, não como um dos eleitos, mas como a um pecador, completamente perdido, culpado e em ruínas, e quando recebo esta salvação, há uma prova conclusiva da minha eleição.
 
"Porque conhecemos, irmãos amados de Deus, a vossa eleição; porque o nosso evangelho não chegou até vós somente em palavras, mas também em poder, no Espírito Santo e em plena convicção" (1. Tessalonicenses 1:4-5). A eleição não é o que me leva a aceitar a salvação, mas a recepção da salvação constitui a prova da minha eleição. Pois, como sabe um pecador que é um dos eleitos? Para quem ele deve perguntar? Se não for uma questão de fé, então deve ser uma questão de revelação divina. Mas onde está revelado? Onde está escrito que o conhecimento da eleição é um pré-requisito indispensável para a aceitação da salvação? Em nenhum lugar da Palavra de Deus. Minha única base para a salvação é o fato de que eu sou um pobre pecador culpado, que merece o inferno. Se eu esperar por algum outro título, só vou-me ver removendo um valioso “limite” do seu próprio lugar, e colocando um obstáculo no meu caminho. Quão tolo é fazer isso!
 
Mas na realidade é mais do que tolo, é uma oposição positiva a Palavra de Deus, não só para as citações no início deste artigo, mas contra o espírito e o ensino de toda a Escritura. Ouça a comissão que o Salvador ressuscitado deu primeiramente: "E ele disse: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16:15). Existe talvez uma dica nestas palavras, algum ponto sobre o qual basear uma pergunta sobre a eleição? Por acaso tem alguém que prega este glorioso evangelho, que possa ser chamado para resolver uma questão preliminar sobre a eleição? Certamente que não.
"Todos" e "toda criatura" são expressões que resolvem todas as dificuldades, e a salvação tornar-se tão livre como o ar, e tão amplo como a família humana. Não é dito: "Vá a uma parte específica do mundo, e pregai o evangelho a um número de pessoas." Não, isto não estaria em harmonia com a graça que deve ser proclamada ao mundo na sua totalidade. Quando veio a lei, ela se dirigiu a um certo número de pessoas, dentro de um determinado setor, mas quando o Evangelho devia ser proclamado, o seu poderoso alcance devia ser "Todo o mundo" e seu objeto "Toda a criatura".
 
Mais uma vez, ouvimos que o Espírito Santo através do apóstolo Paulo diz: "Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal"  (1 Timóteo 1:15). Existe algum espaço aqui que permitir levantar um ponto da eleição para que alguém seja salvo? Em absoluto. Se Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, e se eu sou um pecador, então eu tenho o direito de aplicar a minha própria alma os benefícios do precioso sacrifício de Cristo. Para que eu seja excluído desta salvação, eu deveria ser mais do que um pecador. Se em alguma parte das Escrituras declarasse que Cristo Jesus veio salvar somente os eleitos, então é claro que de uma forma ou de outra, eu deveria demonstrar-me a mim mesmo que eu pertenço a esse número, antes que eu possa tornar meus, os benefícios da morte de Cristo. Mas, graças a Deus, não há nada disto, absolutamente nada parecido em todo o plano do Evangelho.
 
"O Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido" (Lucas 19:10). E não é o que justamente, o que eu sou? Certamente que sim. Bem, não é do ponto de vista de um perdido que eu considero a morte de Cristo? Sem dúvida que sim. Eu não posso, por acaso, contemplar este precioso a partir daí, e adotar a linguagem da fé, e dizer, "que me amou e se entregou por mim" (Gálatas 2:20)? Sim, um amor sem reservas, absolutamente incondicional, assim como se eu fosse o único pecador na terra.
Nada pode ser de maior alívio e conforto para o espírito de quem busca ansiosamente descobrir a verdade, em reparar que a maneira em que lhe é oferecida a salvação, é como ele está, e sobre o mesmo fundamento em que se encontra. Não há nenhum tropeço por todo o caminho para a gloriosa herança dos santos, herança estabelecida por limites que nem os homens nem demônios podem jamais remover.
O Deus de toda graça deixou nada por fazer, nada por dizer, ele podia dar descanso completo, segurança perfeita e completa satisfação para a alma. Ele mostrou a condição e caráter daqueles por quem Cristo morreu, em termos que não deixam espaço para dúvida ou objeção. Preste atenção a estas palavras ardentes: "Porque Cristo, quando éramos ainda sem força, no devido tempo, Cristo morreu pelos ímpios." “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós". "Porque sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho "(Romanos 5:6, 8, 10).
O que poderia ser mais clara ou mais explícita do que essas passagens? Se faz uso de algum termo que pode levantar algumas dúvidas no coração de um pecador quanto a seu direito completo de apreciar os benefícios da morte de Cristo para si? Não! Sou um "ímpio"? Por ímpios Cristo morreu. Sou um "pecador"? Para os tais Deus recomenda seu amor. Eu sou "inimigo"? Para eles, Deus reconcilia pela morte de seu Filho.
Tudo é tão claro como um raio de sol, e é, portanto, inteiramente removido o tropeço teológica causado por colocar fora do seu lugar a doutrina da eleição.
Eu obtenho os benefícios da morte de Cristo como um pecador. Como alguém que está totalmente perdido obtenho uma salvação gratuita e permanente. Tudo que necessito para aplicar a mim o valor do sangue do Senhor Jesus Cristo, é reconhecer-me como um pecador perdido. Não me ajudaria, no mínimo, neste caso, o fato de me dizerem que sou um dos eleitos, visto que Deus não se dirigiu a mim neste caráter pelo Evangelho, mas sim de um modo totalmente diferente, ou seja, como um pecador perdido.
 
Mas então, alguém pode perguntar: "Você vai deixar de lado a doutrina da eleição?" Deus me livre! Nós apenas queremos vê-la em seu devido lugar. Vemos isso como um limite, e não como um tropeço. Acreditamos que o evangelista não deve se ocupar na pregação com a eleição. Paulo nunca pregou a eleição. Ele ensinou a eleição, mas pregou a Cristo. Isso faz toda a diferença. Acreditamos que ninguém que se ache de alguma maneira impedido pela doutrina da eleição, colocada fora do se lugar, possa ser um verdadeiro evangelista.
 
Temos notado que se tem causado sérios danos a duas classes de pessoas por causa da pregação da eleição, em vez de Cristo:
 
a)  aos pecadores negligentes, se tem tornado ainda mais negligentes,
b)  enquanto as almas ansiosas pela verdade, se tornam mais ansiosos ainda.
 
Estes resultados são tristes, de fato, e deveria ser suficiente para despertar sérios pensamentos nas mentes daqueles que querem ser pregadores exitosos desta livre e plena salvação que brilha sobre o evangelho de Cristo, e que deixa todos os que ouvem sem a menor desculpa. A ocupação principal do evangelista em sua pregação, é apresentar o amor perfeito de Deus, a eficácia do sangue de Cristo e do registro fiel, inspirado e deixada pelo Espírito Santo. Sua mente deve estar totalmente livre de todos os constrangimentos, e o evangelho que ele prega, tão claro como o horizonte sem nuvens. Deve pregar uma salvação presente, livre para todos, e firme como os pilares que sustentam o trono de Deus. O Evangelho mostra o coração de Deus aberto, o que encontra expressão na morte de seu Filho, como está escrito pelo Espírito Santo.
Se fosse tratado com mais atenção a este fato, teriam maior poder para responder a tais acusações feita pelos descuidados, e para acalmar as ansiedades profundas de almas exercitadas e carregadas.
A primeira razão não teriam o direito de oposição, o último, não há razão para temer.
Quando as pessoas rejeitam o Evangelho alegando os decretos eternos de Deus, rejeitam o que está revelado apoiando-se no que está oculto. O que eles podem saber sobre os eternos decretos de Deus? Simplesmente nada. Como pode então o que é secreto ser alegado como razão, para rejeitar o que é revelado? Por que rejeitar o que pode ser conhecido, com base no que não pode? É óbvio que os homens não fazem assim nos casos, quando querem crer num assunto.  Dizemos simplesmente que alguém queira crer em algo, e não o veremos ansioso por achar motivo de objeção. Mas infelizmente os homens não querem crer em Deus. Eles rejeitam o seu testemunho precioso que é tão claro como o sol do meio-dia, e colocam como uma desculpa, os decretos divinos que estão envoltos em trevas impenetráveis. Quanta loucura, cegueira e culpabilidade!
 
E enquanto às almas ansiosas que são atormentados com perguntas sobre a eleição, anelamos mostrar que não está de acordo com a mente de Deus que essas dificuldades surjam. Deus se dirige a elas exatamente no estado em que Ele os vê e em que elas podem ver-se a si mesma. Ele se dirige a elas como pecadores, e precisamente isto é o que são. A partir do momento em que um pecador toma seu lugar como tal, não há nada para ele, além da salvação. Isso é muito simples para uma alma simples. Levantar questões sobre a eleição, é apenas pura descrença. É rejeitar o que está revelado baseando-se no que está oculto. É rejeitar o que eu posso saber baseando-me no que eu não posso.
Deus revelou-se através de Jesus Cristo, para que o conheçamos e confiamos nEle. Além disso, Ele fez provisão completa por meio da expiação da cruz para todas as nossas necessidades e culpas. Assim, em vez de chocar-me com a pergunta: "Será que vou ser um dos eleitos?" Eu tenho o privilégio abençoado de descanso no amor perfeito de Deus, na plena suficiência de Cristo, e nas fiéis palavras em que o Espírito Santo nos deixou na Bíblia Sagrada.
Devemos terminar este artigo, embora existam outros obstáculos que anelamos que sejam removidos do caminho dos filhos de Deus, assim como muitos limites e fronteiras que são, infelizmente, perdidos de vista.
Por C. H. Mackintosh
 
Eleição e Responsabilidade
Como conciliar os dois?
 
Como conciliar a eleição e a responsabilidade do homem? Alguém disse que sobre o lado externo da porta para o céu, todos podiam ler estas palavras: "Todos estão convidados para entrar aqui.” E sobre o lado interior, o qual não se podia ver, a não ser que tenha entrado pela porta por meio da fé, estava escrito: “Todos aqueles que entraram aqui, haviam sido eleitos".
Quanto ao conhecimento que Deus nos dá a este respeito, encontramos em (2° Pedro 1: 10)"Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis." a consolidação de nossa escolha, não no coração de Deus, mas no nosso, e nos demais. Esta consolidação se produz por uma marcha fiel. A marcha dos tessalonicenses mostrava para o apóstolo a eleição deles; e os frutos da vida divina neles eram o que provava que pertenciam a Cristo.
“Sabendo, amados irmãos,  que a vossa eleição é de Deus;  porque o nosso evangelho não  foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós. E vós fostes feitos nossos  imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo, de maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedônia e Acaia.” (1 Tessalonissenses 1: 4-7)
Por H. Rossier
 
Efésiso 1.3-8
 
3. Este versículo está repleto da idéia de bênção, Os santos bendizem a Deus por tê-los abençoado com todas as bênçãos espirituais, Quando bendizemos a Deus, não Lhe acrescentamos nada, simplesmente rendemos-Lhe Seu devido louvor. Quando, porém, Deus nos abençoa, Ele acrescenta-nos tudo que vale a pena ter, "todas as bênçãos espirituais". Aquele que abençoa é o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e as bênçãos são todas de natureza espiritual, e se encontram nos lugares celestiais em Cristo, Aquele que abençoa é um que nem os patriarcas, nem a nação de Israel, conheciam como tal - Ele é o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, ressurrecto dentre os mortos (João 20:17); as bênçãos são coerentes com istoestão em Cristo, agora à destra de Deus, não assentado no trono de Davi, e são, portanto, celestiais e não terrestres, espirituais e não temporais. Nenhuma bênção terrestre ou temporal poderá ser maior do que estas. Leia "com todas as bênçãos espirituais"(en pase eulogiay, e entenda que a totalidade de bênçãos espirituais é o dom de Deus para cada um dos Seus santos. Deus não distribui Suas bênçãos por etapas; não há primeira, segunda e terceira bênçãos; todas elas já nos pertencem. Contudo, o desfrutar delas é outra questão.
4. Agora Paulo fala mais sobre essas bênçãos espirituais, referindose, especialmente, Àquele que as dá. No v. 4, o Deus soberano faz uma escolha em Cristo antes da fundação do mundo; no v. 5, o Pai de nosso Senhor Jesus, segundo o beneplácito da Sua vontade, predestina para a adoção de filhos, Vemos Deus operando para Sua própria glória, e para a satisfação eterna de Seu próprio coração. No v. 4, Ele quer um povo diante (katenopion) dEle em amor; no v. 5, Ele quer um povo para (eis) Si, como filhos, Eleição, conforme o v, 4 ensina, relaciona-se com um Deus soberano, refere-se ao passado,
e diz respeito a pessoas; predestinação, porém, conforme o v, 5 ensina, tem a ver com o beneplácito do Pai, refere-se ao futuro, e diz respeito à uma posição designada para pessoas (veja também Rom, 8:29), No caso de Israel houve também eleição e adoção de filhos, mas com esta diferença: a sua eleição foi como nação, eram uma raça eleita; sua adoção também foi como nação: "Israel é Meu filho" (Êx, 4:22). A eleição desta era presente é individual, como também o é a adoção de filhos, A Bíblia ensina sobre a eleição de anjos, de Israel, e da Igreja e, embora haja muito nesta verdade que não podemos compreender, nós a aceitamos com humildade e adoração. Para entendê-Ia plenamente, seria necessário saber tanto quanto Deus sabe. É a orgulhosa mente humana que rejeita aquilo que não pode compreender.
 
Paulo mostra a esfera, o tempo, e o propósito da escolha de Deus. A esfera foi "em Cristo": a escolha do indivíduo foi em Cristo, e não em qualquer coisa no próprio indivíduo, O tempo foi "antes da fundação do mundo" (veja também João 17:24; I Ped. 1:20): isto é, antes da criação do mundo, antes que o tempo começasse, antes que o homem existisse, e antes da entrada do pecado, O propósito foi "que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em já tornou-se essencialmente verdadeiro dos santos de Deus. O que a Igreja há de ser naquele grande dia, quando Cristo a apresentar a Si mesmo (5:27), assim é cada filho de Deus agora, essencialmente, e assim será eternamente, perante a face de Deus. Embora muitos julgam que a expressão "em amor" introduz o assunto da predestinação no v. 5 (veja, por exemplo, a pontuação dos vs. 4 e 5 na ARA; N. do R.) o pensamento parece ser, todavia, que o propósito de Deus é ter perante Si um povo, não somente conforme a Sua santidade, "santos e irrepreensíveis", mas também um povo que se alegra no Seu amor.
5. Predestinação significa simplesmente "designar de antemão" (veja também Atos 4:28; Rom. 8:29,30; I Cor. 2:7). A palavra ocorre duas vezes neste capítulo (nos vs. 5 e 11), e a ligação, além de ser importante, é preciosa:' no v. 5 é predestinação para adoção de filhos, mas no v. II é predestinação para uma herança. "Filhos de adoção" é uma só palavra no texto grego (huiothesia), e ocorre em Rom. 8:15, 23; 9:4; Gál. 4:5; e Ef. 1:5. É composta de duas palavras, e quer dizer, literalmente, "colocação de filhos" ou "posição de filho". Já recebemos esta adoção (Gál. 4:5); e já temos o Espírito de adoção (Rom. 8: 15); mas na sua plenitude, adoção de filhos também indica conformidade física com o Filho de Deus, e isto nós aguardamos (Rom. 8:23), e para isto fomos predestinados (Ef. I :5; veja também Rom. 8:29). O Pai terá para Si muitos filhos trazendo a imagem de Seu próprio Filho, e está realizando isto por meio de Jesus Cristo (veja também Gál. 4:4, 5). Desse modo o Pai manifesta o beneplácito de Sua própria vontade. Deus queria ter prazer nos homens (Luc. 2:14), mas nunca o encontrou, a não ser no Seu próprio Filho (Mal. 3: 17; 17:5; Mar. I: 11; Luc. 3:22); alcançá-lo-á também em nós, pois nos predestinou para sermos semelhantes ao Seu próprio Filho.
6. "Agradáveis a Si no Amado" resume o ensino dos vs. 4 e 5. Traduzir charitoo como "agradáveis" é insuficiente; esta palavra ocorre outra vez somente em Luc. I :28, onde é traduzida "muito favorecida" (ARA). Usando esta palavra, Paulo refere-se à plenitude do favor que Deus nos concedeu, quando nos elegeu e nos predestinou. Sendo abençoados em Cristo (v. 3), e eleitos nEle (v. 4), agora, diz o apóstolo, somos "muito favorecidos no Amado". Essa plenitude de favor divino nos pertence nAquele que é o Amado de Seu Pai. Foi-nos concedido, não somente favor divino no Amado, mas isto é uma expressão da glória da graça de Deus, e há de ser o motivo de louvor a Deus, tanto agora como para todo o sempre.
7. Nos vs. 7-12 Paulo escreve sobre a obra de Cristo em relação ao passado e ao futuro. Observe a repetição de "em quem" nos vs. 7 e 11; "Em quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas" (v. 7); "Em quem também fomos feitos herança" (v. 11). Na sua defesa perante Agripa, em Atos 26: 18, Paulo outra vez associa a remissão com uma herança. A vontade de Deus a nosso respeito jamais poderia ser realizada sem a obra de Cristo; nunca poderíamos ser tão favorecidos por Deus, sem que a nossa necessidade, devido ao pecado, fosse resolvida. Agora Paulo dá-nos a entender que, conforme as mesmas riquezas da Sua graça, pelas quais Deus perdoou os nossos pecados, Ele também nos recebe e nos revela os segredos de Seu coração. Os nossos pecados, ou transgressões (paraptoma), necessitam de perdão divino, ou remissão (aphesis), e isto já temos como possessão nEle (no Amado), e pelo Seu sangue.
 
Tudo isso é segundo as riquezas da graça de Deus. Deus veio ao encontro de nossas necessidades, não segundo a medida da nossa necessidade, e sim, segundo as riquezas da Sua graça. No v. 6, Paulo faz menção da glória da graça de Deus, e no v. 7 das riquezas da Sua graça. A glória da Sua graça é graça coerente com a Sua glória; as riquezas da Sua graça é uma graça que supre abundantemente a nossa necessidade.
8. "Que Ele fez abundar para conosco" indica que há algo nas riquezas da Sua graça que vai além do mero suprimento de nossa necessidade como pecadores. Nestas mesmas riquezas da Sua graça, por meio das quais Deus perdoou as nossas transgressões, Ele também fez abundar o Seu favor para conosco em toda a sabedoria e prudência. Sabedoria ou esclarecimento (sophia), e prudência ou inteligência (phronesis), não se referem à maneira como Deus fez abundar a Sua graça, mas antes, referem-se àquilo que Ele nos outorgou, capacitando-nos a conhecer aquilo que está além da compreensão natural - a inteligência para conhecer, e toda a sabedoria para admirar.
Por A. Leckie - Editora Edições Cristãs
 
1 Pedro 1.1-2 
 
1b. Três das províncias mencionadas por Pedro foram representadas no dia de Pentecostes (Atos 2:9), bem como "judeus ... de todas as nações" (Atos 2:5). Sem dúvida o Evangelho foi levado às suas localidades por estes novos convertidos. Paulo também tinha trabalhado em algumas partes da Ásia e da Galácia, de sorte que "todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos" (Atos 16:6; 19: 10, 26).
As cinco localidades mencionadas eram províncias do império romano, situadas na Ásia Menor, no que agora se chama Turquia.
 
Ponto e Bitínia ocupavam a região norte, formando o litoral sul do Mar Negro. A Galácia ficava no centro com a província da Ásia ao oeste e Capadócia ao leste. A ordem dos nomes não é alfabética, mas poderia sugerir o trajeto de uma suposta viagem, começando em algum lugar no Ponto, no litoral do Mar Negro, indo ao sudeste, atravessando uma parte do norte da Galácia, entrando na Capadócia, e então voltando pelo centro da Galácia, diretamente ao oeste da Ásia e virando para o norte para Bitínia e o litoral.
 
Pedro chama seus leitores de "estrangeiros". A palavra foi escolhida com cuidado para descrever um povo que não somente estava longe da sua terra natal, mas como se diz, eram "estranhos numa terra estranha". É a palavra parepidemos, que significa "residente temporário que não pertence à região". Estavam "junto" deles, mas não eram "de entre" eles. Em outras palavras, eram "forasteiros", distantes do lar, mas caminhando para o lar, um povo peregrino.
Podemos perceber, em todos os escritos de Pedro, a grande influência das palavras do Senhor Jesus. Ao escrever esta palavra ele bem poderia estar-se lembrando da oração do Senhor, em João 17: " ... o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como Eu do mundo não sou. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal" (João 17:14b-15).
Estas pessoas não eram somente peregrinos, mas estavam "dispersos". Novamente, uma palavra específica (diaspora) é usada para descrevê-los. Normalmente traduzida "a dispersão", esta palavra tornou-se sinônima dos judeus distantes da sua terra natal, a Palestina (João 7:35; Atos 8:1, 4).
Contudo, o uso do nome Pedro indica outros leitores, além de cristãos judeus. Isso parece ser apoiado pelas suas referências aos leitores, por exemplo, como aqueles cujo passado é descrito como "vossa ignorância" (I: 14). Naquele tempo "não éreis povo" (2: 10) mas seguiam práticas pagãs das quais foram libertos (4:3,4). Por meio da sua conversão eles se tornaram filhos de Abraão (Gál. 3:7).
A palavra diaspora, porém, é muito mais esclarecedora. É derivada do verbo speiro, "semear como semente". Temos aqui, novamente, ecos das palavras do Mestre ouvidas por Pedro: "O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; o campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino" (Mat. 13:37,38).
 
Alguns, por causa da perseguição e opressão, e outros por causa das circunstâncias, foram "dispersas"; mas por traz da mão humana de repressão estava outra mão, a do soberano Senhor da seara.
 
Como Pedro dirá mais adiante nesta epístola (3:22), todos os poderes estão sujeitos a Ele (3 :22).
 
Que consolo e incentivo isso é para santos sofredores de todas as eras. As conseqüências desta palavra atingem o próprio trono e propósito de Deus. O Seu povo não é disperso pelos ventos do destino, nem pela mão do inimigo, nem pelas mudanças das circunstâncias. Eles não são o resultado de alguma coincidência química nem de algum acidente genético. Não são os peões da providência. O que são, onde estão e quando estão, tudo é pela vontade e propósito do seu soberano Senhor (veja também Is. 43: 1-7).
2a. Assim como a soberania de Deus é vista nas circunstâncias do Seu pOVO, assim também o é na sua salvação. Eles não eram somente peregrinos, espalhados como sementes semeadas na esperança de uma colheita gloriosa, mas eram também peregrinos "eleitos", selecionados por causa de um propósito glorioso.
 
"Eleitos" quer dizer selecionados, escolhidos. Através dos séculos muitas coisas, algumas proveitosas, outras não, foram apresentadas sobre a doutrina de eleição.
 
"Pedro, como os outros escritores do NT, não entra em tais discussões. Se, vivendo na certeza absoluta de uma fé recémadquirida, os cristãos primitivos não encontravam dificuldades intelectuais, ou se o Espírito que habitava neles os levou a sentir que tais questionamentos eram insolúveis, não sabemos; mas é instrutivo observar que as Escrituras não as mencionam" (1. R. Lumby).
 
Aqui, em um só versículo, estão apresentadas as atividades das Pessoas divinas no plano da redenção: a determinação soberana do Pai, o ministério santificador do Espírito, e a provisão e aplicação do sangue do Filho, Jesus Cristo.
 
Eleição é "segundo a presciência de Deus". A palavra "presciência" (prognosis), em sua forma substantiva, ocorre duas vezes no NT, e é usada somente' por Pedro (v. 2; Atos 2:23). Não sabemos tudo que esta presciência abrange, mas é muito mais do que um mero saber de antemão, no sentido de ter conhecimento antecipado de acontecimentos futuros. Na forma verbal, ela aparece em Rom. 8:29: " ... os que dantes conheceu ... " Embora Deus conhece todos os homens, Ele não conhece a todos com respeito ao Seu propósito em eleição. No juízo, o Senhor Jesus dirá aos falsos professos: "Nunca vos conheci" (Mat. 7:23). Quanto à Sua onisciência: "a todos conhecia" (João 2:24). Quanto à eleição divina, Ele disse: "Eu bem sei os que tenho escolhido" (João 13: 18).
 
Paulo escreveu aos coríntios: "se alguém ama a Deus, esse é conhecido dEle" (I Cor. 8:3). A presciência de Deus, portanto, parece incluir uma escolha em amor. Qualquer receio que os leitores desta epístola pudessem ter sobre sua eleição seria tranqüilizada pela certeza de que foi segundo a presciência de Deus Pai. "A escolha e o conhecimento não eram a vontade arbitrária de um soberano inconstante, como são os soberanos da terra mas de um Pai, cujas misericórdias são sobre todas as Suas obras " (E. H. Plumptre).
A fonte daquela grande eleição estava no coração de Deus Pai. A operação dela vem pelo ministério santificador do Espírito Santo: "em santificação do Espírito". "O Espírito Santo é o Agente em santificação ... é um ato divino ... " (C. F. Hogg e W. E. Vine). O substantivo usado aqui, hagiasmos, refere-se ao ato de santificar, não ao seu aperfeiçoamento num caráter santo; isto seria expresso pela palavra hagiosune. "O caráter santo ... não é vicário, isto é, não pode ser transferido ou imputado, é uma possessão individual, acumulada, pouco a pouco, como resultado da obediência à palavra de Deus, e de seguir o exemplo de Cristo ... no poder do Espírito Santo" (Expository Dictionary of NT Words, W. E. Vine - Dicionário Expositivo de Palavras do NT, pág. 317). Hagiasmos é "a soma e medida, como efeito, como um todo, de modo característico, não hagiosune, a qualidade ... " (JND, I Cor. 1:30, nota de rodapé). Esta é a obra inicial do Espírito Santo que resulta na formação progressiva do caráter santo no cristão, durante toda a sua vida, e o aperfeiçoamento disto na presença do Senhor.
 
Esta santificação é "para [tendo em vista] a obediência", não como resultado da obediência. Não é um galardão, mas sim a obra da graça sobre o indivíduo. Tem que haver a obediência da fé. "A doutrina da eleição nunca teve por intenção anular a responsabilidade do homem sobre o estado da sua própria alma. A Bíblia toda se dirige aos homens como tendo livre arbítrio, como sendo responsáveis diante de Deus ... " (J. C. Ryle).
 
O Evangelho sempre chama o pecador à obediência voluntária. Isso sugere que há uma alternativa. O Evangelho é apresentado e há os que crêem e os que não crêem (João 3:36). Há os que "obedeceram de coração" (Rom. 6: 17) e os que "não obedeceram ao evangelho" (11 Tess. I :8). Há aspectos da vontade divina que podem ser resistidos. Exemplos disso foram deixados para nosso aviso.
 
Na Sua própria pátria, o Senhor Jesus "não podia fazer ali obras maravilhosas ... " (Mar. 6:5). Esta limitação não foi por causa da Sua própria Pessoa ou poder, mas sim, por causa do princípio da fé: Ele "estava admirado da incredulidade deles" (v. 6). Ele chorou sobre a cidade, dizendo: "quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos ... e não quisestes". A perda não foi por causa da Sua vontade mas por causa da vontade deles.
Esta obediência não é o mero consentimento a um credo ou sistema de doutrina mas "para a obediência ... de Jesus Cristo".
 
Primeiro, obediência ao Evangelho, resultando numa vida de obediência. Assim como foi a obediência de Cristo à vontade do Pai, assim será também o caráter e atitude dos eleitos (Fil. 2:5-8). Aos eleitos, santificados para obediência, se aplica todo o valor e virtude do "sangue de Jesus Cristo". Isto não é o derramamento do sangue, mas a aspersão dele. a sangue precisava ser derramado antes de poder ser aspergido, mas poderia ser derramado e a sua eficácia nunca ser aplicada ao indivíduo. a derramamento do sangue é a entrega da vida como sacrifício pelo pecado. É a provisão feita. A aspersão do sangue é a aplicação do valor e da eficácia do sacrifício. Esta é a comunicação do poder.
 
No VT, a aspersão era vista em relação ao seu poder para proteger os primogênitos no Egito, seu poder para purificar os sacerdotes para o serviço, seu poder para preparar o caminho de entrada ao lugar santíssimo, e seu poder para purificar o leproso de sua imundícia cerimonial. Porém, parece que aqui se refere a Êxodo 24, quando Moisés tomou o sangue do sacrifício, e aspergiu a metade dele sobre o altar e em seguida leu o livro da aliança na presença do povo que respondeu, prometendo obedecer. Moisés então tomou a outra metade do sangue e aspergiu o povo, dizendo: "Eis aqui o sangue da aliança ... ". Aquele sangue ligou o povo ao altar dos freqüentes e repetidos sacrifícios. Prendeu-os à palavra da sua própria frágil promessa. Sua aplicação era limitada à nação.
 
Quão gloriosamente diferente era a porção dos cristãos a quem Pedro estava escrevendo. Esta aspersão de sangue associa os cristãos do NT com uma obra consumada, um sacrifício que nunca precisará ser repetido (Heb. 10: 11,12). Liga o cristão à infalível promessa de Deus (Heb. 6: 17-18). A sua eficácia é ilimitada em favor de "quem quiser", quer seja judeu, quer seja gentio.
Que ânimo e incentivo estas palavras trariam e que esperança inspirariam a um grupo de peregrinos dispersos, que possuíam muito pouco, ou talvez nada, neste mundo, não tinham pousada certa e viviam sob a constante ameaça de perseguição ou até mesmo de morte. Como o seu Senhor, eles foram rejeitados pelos homens mas, oh pensamento bendito! foram escolhidos por Deus Pai, escolhidos para uma herança eterna, para estar na presença de Deus, mais privilegiados do que os anjos, para servi-Ia como filhos adoradores no Seu santuário celeste. Rejeitados e excluídos da comunidade dos homens, foram separados pelo Espírito Santo para aquela obediência semelhante à obediência de Cristo para com Seu Pai. Eles eram
homens desprezados, censurados enquanto andavam entre o povo, mas invisível aos olhos dos homens, eles tinham sido aspergidos com o sangue precioso de Cristo, sinal de um sacrifício mais nobre do que qualquer um que em qualquer tempo manchou os altares de Israel ou os pedestais pagãos romanos.
 
Por J. B. Nicholson - Editora Edições Cristãs

 

Desenvolvido por Palavras do Evangelho.com