A ESPERANÇA CRISTÃ - UM PANORAMA PROFÉTICO

Ele estava no saguão daquele grande hotel, em algum lugar dos Estados Unidos. Sob seu braço esquerdo, segurava uma grande Bíblia. Ele dava a impressão de ser simpático e aberto, e parecia ser feliz. Não foi difícil reconhecer nele um cristão ... Deveria ter em torno de trinta anos. Quando me viu chegando, dirigiu-se ao meu encontro e sem nenhuma cerimônia foi logo dizendo:
 
"O senhor acredita que estamos vivendo nos últimos dias?
"Sim, estou convicto disto",  respondi, após minha surpresa inicial.
"Baseado em quê, o senhor crê assim?"
 
"Bem, eu vejo que o senhor tem uma Bíblia; imagino, então, que o senhor seja um cristão. Portanto o senhor também sabe, que a Bíblia menciona características precisas dos tempos finais, ou seja, dos dias próximos à volta de Cristo. Uma das características importantes é, assim pensou eu, a grande decadência da cristandade, o modernismo, a "descristianização", o desaparecimento dos fundamentos da fé; tudo isto deve conduzir à grande apostasia sob o anticristo que está por vir. Pense o senhor também nas circunstâncias políticas: a união dos países da Europa Ocidental e, com ela, o ressurgimento do antigo Império Romano em forma de uma aliança de países, tal como a Bíblia predisse. Por outro lado, também a prosperidade da Rússia (Gogue e Magogue de Ezequiel 38 e 39), surgindo como uma superpotência, além do ressurgimento de antigos povos do Oriente Médio, principalmente a instituição do Estado de Israel. "
 
Ele acenou positivamente às minhas primeiras palavras, mas no final ele estava espantado e decepcionado, e me interrompeu:
 
"Sim, mas o senhor acredita que a instituição desse 
Estado de Israel é um cumprimento da profecia?"
 
"É claro que creio - mas o senhor não deve me entender mal. As profecias falam de um Israel convertido, reestabelecido  em sua terra, ou seja, como um povo que reconheceu seus pecados diante de Deus e aceitou o seu Messias. E este certamente ainda não é o caso! Mas as profecias também mostram que, antes de chegar a tal ponto, um certo número de judeus não controvertidos há de retomar à terra de Palestina e lá, em descrença, fundar um Estado próprio e se fortalecer por uma aliança com o Ocidente contra os Estados vizinhos inimigos. E é justamente isso que vemos acontecer nos dias de hoje na Palestina! Se o senhor quiser, posso mostrar-lhe em sua própria Bíblia, aonde isso está escrito nas profecias. "
 
Um Futuro para Israel?
 
"Não, o senhor não precisa fazer isso, pois eu não creio que as profecias se refiram a Israel, e, sim, à Igreja. Israel, como povo, está consumado para sempre. Transgrediram a lei e por fim mataram Messias. Por isso, Deus deixou Israel de lado e deu à sua Igreja uma nova configuração. Ela agora consiste em crentes dentre os gentios e de alguns judeus, que aceitaram o Evangelho. O senhor veja, isso está bem claro nas cartas de Paulo. Em Gálatas 3, Efésios 2 e Colossenenses 3, vemos claramente que Deus, hoje, não faz mais distinção entre crentes, dentre os judeus ou dentre os gregos. Como pois, na Igreja, não se fala mais de judeus ou gregos, é impossível que paralelamente à Igreja ainda haja lugar para um Estado Bíblico com um povo convertido de Israel.
 
"Sim, eu devo dar lhe a razão.
Não se pode conceber que na terra haja, ao mesmo tempo, uma Igreja composta por ex-judeus e ex-gentios convertidos e uma nação de Israel convertida a Deus.
Também não é isso o que eu afirmei. Mas, qual a sua postura diante disto: Israel quebrou a lei e rejeitouo seu Messias.Como ficam agora as promessas que Deus deu aos patriarcas? Elas não foram absolutas e incondicionais? Paulo não diz que os israelitas, quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas?: 'porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis!' (Rom, 11, 28.29).
Deus não pode voltar atrás em suas promessas incondicionais dadas aos patriarcas. O profeta Miquéias não diz que Deus nos últimos dias tomará para si um remanescente e o reestabelecerá em sua terra por causa do juramento dado aos pais (patriarcas)? (Miquéias 7, 14-20)"
 
"Sim, eu também creio que as promessas dadas aos pais foram incondicionais. Mais tarde porém, elas foram substituídas pela aliança do Sinai, e esta aliança agora estava Vinculada a condições. Se Israel quebrasse esta aliança, Deus o julgaria, o rejeitaria e o dispersaria entre todos os povos."
 
"Mas o senhor não está considerando duas coisas.
Primeiramente, a lei não foi dada em substituiçãoàs promessas, mas foi acrescentada sem invalidar as promessas incondicionais. Isto está escrito no capítulo (Gálatas 3) que o senhor mesmo mencionou há pouco (versos 15 - 22). A aliança do Sinal estava defato Vinculada a condiçôes, de modo que o castigo não deixou de ser aplicado depois de Israel ter pisoteado a lei por séculos a fio. Em segundo lugar, o senhor está deixando de observar que Deus de antemão prometeu que, caso Ele tivesse que julgar o povo como um todo, por causa de seupecado, por fim concederia Sua graça a um pequeno remanescente. E neste remanescente Ele cumpriria posteriormente as promessas que havia dado aos pais, reestabelecendo-o em sua terra.
Leia por exemplo Levítico 26,31- 45 e Deuteronômio 29,24-30,10. Também nos profetas: veja por exemplo Isaías 10,11-27 e Miquéias 4,6-5,7."
 
"Mas como o senhor chegou a isso? O senhor não sabe que estas profecias se relacionam a acontecimentos ocorridos já há muito tempo? Isaías 10 se refere ao livramento da mão dos assírios nos dias do rei Ezequias, e Miquéias 4 se refere ao retorno do remanescente judaico do cativeiro na Babilônia."
 
"Certo, eu não quero desconsiderar que estes acontecimentos mencionados pelo senhor, são um cumprimento parcial destas profecias. Mas não podemos desprezar que estas profecias mencionam incontáveis detalhes que ainda não se cumpriram! Para citar os mais importantes: tanto Isaías como Miquéias relacionam suas previsôes sobre a conversão e salvação de um remanescente; note bem, com o governo pessoal do Messias na terra de Israelsobre este remanescente reestabelecido.
Aqui não se trata apenas de uma conversão espiritual deste povo, mas também de seu retorno à terra de seus pais, na qual Messias é seu Chefe de Estado. Veja Isaías 11 e Miquéias 5! O senhor pode imaginar que Isaías 11 já se cumpriu? Ali, lemos sobre um povo de Israel que vive em paz na Palestina sob o domínio do filho de Jessé; ali observamos grandes modificações, inclusive no reino vegetal e animal; vemos que Israel será o centro dos povos, e vemos um reatamento entre as duas tribos (Judá) e as dez tribos (Eíraírn) e, vemos, também, que os estados vizinhos inimigos serão julgados.
Isto já se cumpriu alguma vez?
Aliás, isto não somente deixou de se cumprir após o cativeiro na Babilônia, como também vemos os profetas, que vieram após esta época, escrevendo sobre um reino de paz futuro, com um povo de Israel convertido num estado reestabelecido, cujo principal (chefe) será o Messias. Veja, por exemplo, Zacarias 2, 8 e 14."
 
A Teoria da Espiritualização
 
O meu simpático colega começou a hesitar; mas não quis se dar tão logo por vencido e replicou:
 
"Mas nós não temos que aplicar estas profecias à Igreja?
De fato, Israel não está, em sua totalidade, rejeitado para sempre; mas, a graça de Deus não se manifesta em que hoje os judeus podem aceitar o
Evangelho, tornando-se, deste modo, participantes da Igreja encontrando ali o cumprimento da promessa feita a Abraão?"
 
"Sinto muito, caro irmão, mas esta não é uma solução", disse eu sorrindo.
 
"É certo que a Igreja está relacionada com as promessas feitas a Abraão, pois ela comprova que Deus, baseado nestas prómessas, preparou uma bênção para todos os povos (Gal. 3,8).
Isso se aplica portanto às nações.
Por meio de Abraão, Deus certamente tem uma bênção para os povos; mas que proveito o judeu tem disso tudo? Ele pode estar certo de que Deus também tem uma bênção para o próprio Abraão e sua descendência. Estas profecias não tratam de uma bênção para os judeus dentro da Igreja; aliás, elas nem mencionam a Igreja, mas tratam de uma reconstituição nacional e espiritual de Israel como povo. E isso o senhor está desconsiderando ao afirmar que estas promessas se referem a "Israel", referindo-se contudo a um Israel "espiritual", ou seja, a Igreja... "Isso mesmo !" exclamou...
 
"... Mas então o senhor precisa me explicar, baseado em quais passagens da Escritura, toma o direito de ..espiritualizar" de tal forma estas profecias, desprezando totalmente o significado literal daquilo que está escrito. Explique-me também se de igual modo as maldições anunciadas a Israel, também se aplicam à Igreja. E o senhor me explique também, se podemos igualmente ..espiritualizar" todas as outras profecias. Quando se trata por exemplo, em Miquéias 5, de um estado de Israel reestabelecido sob o governo do Messias, há também um significadoespiritual?Como posso entender então o verso 1 espiritualmente? O Messias teria nascido de um Belém ou de um Judá espiritual? Como fica então Isaías 9? Eu creio que o senhor toma o verso 6 literalmente (um menino nos nasceu, um filho se nos deu); sendo assim o senhor também teria que tomar o verso seguinte na forma literal, e crer que Cristo reinará literalmente sobre o trono de Davi em Jerusalém? Se o senhor deseja espiritualizar, deve faze-lo de forma correta. Se Israel é a Igreja, o senhor também precisa dizer o que Judá representa, e Efraim e a Assíria e o Egito e Jerusalém e todas as figuras prinCipais das profecias!
Silenciamos. Mas então meu amigo prosseguiu:
"Mas mesmo assim é impossível que, ao mesmo tempo, subsista uma Igreja cristã sobre a terra e um Israel convertido em um Estado de Israel reestabelecido. Isso o senhor mesmo reconheceu há pouco. "
 
"Sem dúvida. E isto também não é necessário. Quando Deus, em breve, retomar a relação com Israel,.não haverá mais nenhuma Igreja cristã sobre a terra. Pois quando houver se cumprido a plenitude dos gentios, todo o Israel será salvo (Romanos 11 ,25-26).
Antes que Deus traga o verdadeiro e escolhido povo de Israel à conversão, a Igreja estará acolhida nos céus!"
 
"Como!? Impossível! O senhor não quer me dizer que também é um adepto da doutrina do rapto secreto? Esta é a doutrina mais tola que eu já ouvi. "
 
"O que o senhor fala é forte.
Mas eu posso compreender que o senhor pense assim. Se o senhor faz uma idéia completamente errada acerca da Igreja e do futuro de Israel, então o senhor tem no nariz um óculos cor-de-rosa, e olhando através dele o senhor não consegue mais distinguir  corretamente uma série de verdades bíblicas.Mas, se o senhor considerar estes dois pontos que acabamos de tratar, ou seja, que segundo a Bíblia seguramente ainda haverá um futuro para Israel;e que este futuro não se pode realizar enquanto a Igreja Cristã ainda permanecer sobre a terra, as coisas não começam a ficar mais claras?"
 
"Não, de modo algum, pois segundo a Bíblia a "Igreja permanecerá até o último dia sobre a terra. Então Cristo voltará e separará as ovelhas dos bodes; como as ovelhas são os crentes, portanto a Igreja, então ela ainda estará aqui quando Cristo voltar à terra."
 
"Mas isso não é tão lógico quanto lhe parece. Embora as ovelhas representem os crentes, não significa que estes crentes aqui pertençam à Igreja."
 
"Como? O senhor quer dizer que pode haver crentes que não pertençam à Igreja?"
 
 
A Igreja subsiste desde Adão?
 
"Sim, certamente. Partindo-se do princípio que entendamos o sentido bíblico da expressão "Igreja".
O senhor foi introduzido na opinião de que a Igreja subsiste desde Adão e estará sobre a terra até o último dia, não é?
"Naturalmente. Não é esta a compreenção entre todos os cristãos?
 
"Não, felizmente não. Muitos cristãos, e também eu, acreditam baseados na Bíblia que aquilo que se chama por Igreja, subsiste somente desde o dia de Pentecostes (Atos 2); estará sobre a terra até o seu arrebatamento aos céus, e este arrebatamento acontecerá um certo tempo antes da aparição de Cristo. Após o arrebatamento da Igreja, haverá crentes tanto dentre as nações como também dentre Israel, mas estes crentes não pertencem mais à Igreja, assim como também não pertencem os crentes do Velho Testamento."
 
"Estes crentes não são renascidos, e nem remidos pelo sangue de Cristo?"
 
"Mas claro; pois se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus e nem entrar nele (João 3, 3 e 5), e sem derramamento de sangue não há remissão (Hebreus 9,22). O novo nascimento e o perdão dos pecados são posse de todos os crentes de todos os tempos, mas não são apenas estes aspectos que caracterizam alguém como um membro da Igreja de Deus. O que caracteriza aqueles que pertencem à Igreja é que eles possuem o Espírito Santo habitando em si, e este somente foi derramado no dia de Pentecostes. Foi então que, pelo Espírito Santo, crentes foram batizados em um só corpo, que é a Igreja (1a Cor. 12,13; Atos 1,5).
Portanto, a Igreja subsiste desde o dia de Pentecostes. E, é por isso, que em Mateus 16,18 o Senhor Jesus fala na forma futura ("sobre esta pedra edificarei a minha igreja"), já que naqueles dias a Igreja ainda não subsistia. E Paulo também ensina o mesmo quando escreve que a Igreja é edifícada sobre os fundamentos dos apóstolos e dos profetas (neotestamentários)  (Efésios 2,19-22 e 3,1-6). Alémdisso, Paulo enfatiza que, no VelhoTestamento, a Igreja ainda era um mistério, oculto aos homens (Ef. 3,1-12; Ro. 16,25- 27; CI. 1,26-2,3)."
 
"Isso eu não entendo; a Bíblia não fala no Velho Testamento sobre a "congregação" de Israel?
E a palavra grega ekklesta, usada para a Igreja no Novo Testamento, também não é aplicada em algum lugar do Velho Testamento à congregação de Israel?
"Correto. Em Atos 7, Estevão fala sobre a ekklesia de Israel no deserto (verso 38), mas isto nada tem a ver com a Igreja,Igualmente a ekklesia, a assembléia do povo em Éfeso (At. 19,32) tampouco tem algo a ver com a Igreja. Isso é evidente; a "congregação" de Israel era um povo que de modo algum era uma "congregação de crentes", Somente uma (pequena) parte era realmente renascida, mas o resto não, embora este resto pertencesse de igual forma à congregação de Israel.Também havia os renascidos fora de Israel; lembre só de Melquisedeque, Jó e Naamã. Então, eles pertenciam à "Igreja" ou não? Não, pois se existisse uma Igreja no Velho Testamento, deveria ter ocorrido uma união entre os renascidos de Israel com os dos outros povos."
 
"E não podemos chamar esta união de "Igreja"?"
 
"Não, A Bíblia não nos dá motivo para isto. Pelo contrário, ela diz que embora houvesse "filhos de Deus" antes da cruz, estes eram "filhos de Deus disperses", e que nunca foram unidos em um só corpo, uma unidade. E Cristo veio justamente para reunir em um só corpo os filhos de Deus que andavam dispersos (Jo. 11,52). Baseada em Sua obra na cruz, a Igreja, no dia de Pentecostes, pôde ser fundada; e ali, todos os crentes foram unidos, através do derramamento do Espírito Santo, a uma unidade, um organismo, um "corpo", formando a partir deste instante a Assembléia - ou Igreja de Deus."
 
"Isso eu não entendo. Os crentes do Velho Testamento também não são remidos baseado na obra de Cristo?"
 
"Certamente, mas aqui não se trata da remissão. Baseado no sangue expiatório de Cristo todos os crentes de todas as épocas recebem uma eterna remissão. Mas Cristo consumou muito mais sobre a cruz do que o que foi necessário para a nossa remissão! E, baseado naquilo que ele fez a mais, Deus pode agora oferecer mais à Igreja - mais do que é necessário para a remissão de pecadores. O Senhor Jesus glorificou a Deus de tal forma, que Deus o exaltou acima de todas as coisas e o glorificou à sua extra (Jo. 13,31-32; 17, 1-5 e 22) - o grandioso é que agora, nós os membros de sua Igreja, fomos colocados por Deus, em Cristo, na mesma posição que Ele; de tal forma estamos ligadoscom Cristo. (Jo. 17,22; Ef. 1,18-23; 2,4-7; C1.3, 1-3)."
 
"Os crentes do Antigo Testamento não receberam estes bênçãos? Eles também estão no céu?"
 
"Sim, sem dúvida eles agora estão no paraíso. Mas este não é o lugar que lhes está definitivamente determinado. E nem é a este que eles anelaram. Deus lhes havia prometido as bênçãos terrenas, as quais eles iriam usufruir sob o maravilhoso governo do Messias - e, por isso, a sua esperança se baseava na ressurreição e finalmente na nova terra (Apesar de que os patriarcas aspiravam a uma pátria celestial (Hb, 11: 10 e 16), eles:
a) não estavam sob a lei do Sínaí (G 1. 3,17·8);
b) não recebiam o que Ihes era prometido, mas vendo as promessas de longe, e saudando-as confessavam que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra, e aspiravam a uma pátria superior, isto é, celestial, e não baseados em revelações, porém pela fé (Hb. 11,13-16);
c) nisto eles são exemplos para os crentes do Novo Testamento (Ro. 4,11 e 12 e 20-25; GI. 4,28).).
Tão certo como eram propôs ao povo (Dt. 28,1-14), assim também as mesmas bênçãos terrestres que os profetas propunham, quando anunciavam as vinda do Messias (Is. 11 e 35; Jr. 31; Joel 3; Sf. 3; Zc. 8).
 
Porém, do mesmo modo, certo está que as bênçãos típicas à Igreja jamais são terrestres; a esperança dos cristãos não se dirige a uma permanência sobre esta terra, e nem a uma nova terra. Nós, agora já estamos em Cristo, assentados nos lugares celestiais (Ef. 2,6): e é esta a posição que nos caracteriza, estamos ligados com um homem glorificado à direita de Deus (no Velho Testamento ainda não havia nenhum homem glorificado no
céu!). E por toda a eternidade será o céu, a casa do pai, o lugar que nos caracteriza. Cristo foi para nos preparar um lugar na casa do Pai, e Ele voltará, tal como prometeu, para nos levar pra si, para que já estejamos lá, aonde Ele está (Jo. 14,1-3). Nós seremos arrebatados para o encontro do Senhor nos ares; e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. (1ª Ts. 4,17)."
 
Quando a Igreja Será Arrebatada?
 
"Eu também conheço estas maravilhosas passagens muito bem. Mas tanto João 14 como 1 Tessalonicenses 4 falam da vinda de Cristo: e é nesta ocasião que a Igreja será arrebatada aos céus, e não antes, como o senhor afirma."
 
"Um momento.
Vamos retomar a seqüência. Eu procurei mostrar que: ainda existe um futuro espiritual e político para o povo de Israel, mas também que este reestabelecimentode Israel está impedido de ocorrer, enquanto a Igreja ainda permanece sobre a terra. Somente isto já evidênciaque a Igrejadeverá ser arrebatada algum tempo antes da vinda de Cristo. Não há dúvidas de que João 14 e I Tessalonicenses 4 tratam de um fato que antecede a aparição de Cristo."
 
"Isso me surpreende muito.
Gostaria que o senhor o comprovasse primeiro. Pareceme uma teoria que o senhor foi buscar muito longe, elaborada para tentar sustentar as suas afirmações anteriores."
 
"E não, pelo contrário! Tudo fica claro e evidente quando se lê as duas passagens com muita atenção e as compara às outras passagens. De antemão, vemos que o arrebatamento da Igreja não pode ser a mesma coisa que a aparição de Cristo, pois o primeiro foi um mistério 1 Co. 15,51 que Paulo pôde transmitir baseado na palavra do Senhor (1 Ts. 4,15), enquanto o segundo já era algo relativamente conhecido na época do Velho Testamento (1 Ts. 5,1). Na vinda de Cristo, Ele voltará sobre a terra; seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras (Zc. 14,4), e Ele se assentará sobre o trono de seu pai Davi. E por outro lado, no fato descrito em Jo. 14 e 1 - 1 Ts. 4, o Senhor vem à terra. É certo que Ele virá dos céus, mas na metade do caminho Ele se encontrará com a sua Noiva (a Igreja). João 14,3, diz, que Ele voltará (dos céus)e nos tomará para si (tirandonos da terra), e 1 Ts. 4,16-17 diz, que o Senhor descerá dos céus e que os crentes, todos juntos, serão arrebatados para o encontro do Senhor nos ares. Já na vinda de Cristo, (Sua segunda volta) todo o olho o verá (Ap. 1,7); mas quando do arrebatamento da Igreja a trombeta soará apenas para os crentes, ajuntando-os para a "partida" (1 Ts. 4,16; 1 Co. 15,52). Primeiro, o Senhor Jesus vem para a Igreja, Ele vem como a "brilhante estrela da manhã" (Ap. 22,16; 2 Pe. 1,19), estrela esta que aparece um certo tempo antes da alvorada e que só é vista por aqueles que vigiam(Ro. 13,11- 13; 1(1 Ts. 5,4-8); mas, depois, o Senhor volta como o "sol da justiça" , o que significa para juizo dos que não temem a Deus e para salvação do remanescente de Israel (ML.4,1-33). Mas a mais notável diferença entre estes dois fatos é a seguinte: Na ocasião do arrebatamento da Igreja o Senhor vem "para" os seus, na sua vinda Ele virá "com" os seus. Primeiro, Ele virá para, "na metade do caminho", tomar a Igreja para Si, e depois, mais tarde, é que Ele virá à terra, juntamente com a Igreja. "
 
"O Senhor tirou isso da Bíblia?"
 
"Lógico, de onde mais! Uma passagem bastaria, mas como se trata de um ponto tão importante, eu lhe mencionarei seis.
Zacarias 14,5: "Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos com Ele".
Colossenenses 3,4: "Quando Cristo, que é nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele, em glória."
1 Tessalonises 3,13: " ... na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os Seus Santos."
1Tessalonises 4,14: "Pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em Sua companhia os que (agora dormem."
Judas 14: "Eis que veio o Senhor entre Suas santas miríades para exercer juízos contra todos."
Apocalipse 19,11-14: "Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro (se chama) Fiel e Verdadeiro, e julga e peleja com justiça ... e seguiamno os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho fínissimo, branco e puro." (compare também Ap. 17,14)." 
 
"Aqui não se trata de anjos?
Não lemos muitas vezes que Cristo há de voltar com o seus santos anjos?"
 
"Certo, os anjos também estarão juntos. Lemos sobre isso expressamente em Mateus 24,30- 31; 25,31 e 2 Tessalonicenses 1,7. Mas eles não serão os únicos.
A palavra "santos" nunca é aplicada aos anjos (apesar que lemos dos "santos anjos"), mas somente aos crentes. Fora isto é evidente que Colossenses 3,4 e 1 Tessalonicenses 4,14 tratam de crentes. E também em Apocalipse 19,14 não se pode interpretar um outro grupo a não ser os crentes; compare pois os versos 7 e 8, onde os crentes são chamados de as esposa do Cordeiro, que está vestida de linho finissimo, resplandecente e puro, "porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos". (Em apocalipse 15, 6 lemos de anjos que também estão vestidos de linho puro, mas para isto temos no texto original a palavra "Iinon", e não "byssinos" (linho fino) como em 19, 8 e 14.) Não, se formos realmente sinceros não chegaremos a nenhuma outra conclusão a não ser a de que, quando da volta de Cristo, os crentes aparecerão com Ele, vindo dos céus."
 
"Não poderíamos solucionar esta questão aceitando que Cristo, quando de sua vinda, tomará primeiramente para si, desta terra, a Igreja e, imediatamente após surgirá, com ela, dos céus?"
 
"Não, estaríamos forçando uma formulação, que é impossível de ocorrer. Pois em nenhum lugar na Bíblia, a vinda de Cristo é descrita assim. Aliás seria muito estranho, pois qual seria a razão  pela qual o Senhor Jesus viria docéu, tomasse sua Igreja para Si e voltasse ao céu para, imediatamente após, voltar novamente com Ela do céu? Mas, o mais importante nisso tudo é que a Bíblia mostra muito claramente que entre o arrebatamento da Igreja e a vinda de Cristo ocorrerão fatos de extrema importância, tanto no céu também sobre a terra!!"
 
Por  W. J. Ouweneel

 

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