Mulher Cristã

07/05/2024

1. Abigail - A mulher espiritual

Provavelmente a lição mais importante em 1 Samuel 25 é que, por mais que o Cristão supere a tentação numa determinada área da vida, um dia pode falhar ao surgir de novo a tentação anteriormente vencida.
Davi nos capítulos anteriores tinha sido tentado a revidar contra seus inimigos, mas conseguiu se controlar e manter sua comunhão com Deus.
Agora surgiu uma crise diferente e a reação de Davi nos mostra que vitórias do passado não garantem vitórias futuras, e não garantem que não vamos cair em uma nova situação.
Isto é verdade em todas as áreas da vida. Um homem de negócios ou um empregado de integridade e confiança pode partir para a desonestidade, especialmente estando em aperto financeiro. Um irmão conhecido por sua calma pode irar-se ao ser provocado. Ótimos relacionamentos dentro do lar hoje não garantem a continuação deles nos anos futuros. Estes são apenas alguns exemplos, e tendo em vista nossa inerente fraqueza não podemos deixar de tomar cuidado.
A atuação de Abigail no incidente que ocorreu neste capítulo dá a ela um lugar entre as mulheres mais impressionantes da Bíblia. Qualquer avaliação de seu valor deve levar em conta as difíceis circunstâncias da sua vida dentro do lar. Este capítulo traz algumas lições práticas para nós, que vamos examinar.


Insuficiência
Davi havia sido um exemplo de graça e paciência ao recusar matar Saul quando teria sido tão fácil fazê-lo (1 Sam.24:3-22). Sua fé em Deus o sustentou e sua atitude de submissão ao rei estabelecido por Deus traz uma lição que é necessária até hoje nas igrejas. Entretanto, agora, sendo provocado, ele está pronto para levar quatrocentos homens para exterminar Nabal e todos os seus familiares. Se fosse permitido que ele executasse esse plano uma sombra escura teria caído sobre sua pessoa pelo resto de sua vida. Ele teria sido lembrado pela vingança injustificável e os homicídios desnecessários.
Bem podemos questionar: "Porque, Davi está fazendo isto? Como pôde mudar tanto?" Mas quem garante que algo semelhante não aconteça conosco? Muitas vezes os Cristãos perguntam a respeito dos outros: "O que é que houve?" "Como que isto pode ter acontecido?" Temos de nos lembrar de que a carne permanece no crente e pode nos trair a qualquer momento, independente das vitórias do passado. Que possamos aprender a lição da nossa insuficiência e que, mesmo com vitórias no passado, e as melhores intenções para o futuro, podemos sucumbir e falhar.
Duas passagens ajudam neste ponto: "Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne" (Gálatas 5:16) e "Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne e,m suas concupiscências (Romanos 13:14).
É somente na medida em que nos Julgamos a nós mesmos em Sua presença e nos servimos do poder do Espírito que seremos vitoriosos na caminhada. A oração e a Bíblia são indispensáveis na disciplina da vida diária.


Ingratidão
Nesta época, Davi continuava sendo vítima da inveja e do ódio de Saul. Ele tinha viajado para o sul para tentar garantir a sua segurança. Lá, ele e seus homens ajudaram muito os fazendeiros, pastores e os moradores em geral. Eles os protegiam dos ataques dos filisteus. Seria natural, então, que homens ricos como Nabal sentissem certa gratidão para com Davi e seus homens. A época da tosa dos carneiros era a ocasião para a manifestação de generosidade nas comunidades e como Nabal tinha
uma dívida de gratidão para com Davi pela prosperidade dele, tinha motivos para prestar-lhe um favor. Mas não foi assim. "Quem é Davi?" ele pergunta. Continuando no mesmo tom de escárnio, acrescentou calúnia, alegando que Davi estava nesta situação por causa de sua deslealdade a Saul! Em assim falar, Nabal estava se fazendo de "grande defensor da ordem pública", mesmo ele estando muito distante do Senhor.
Já ouvimos de algo assim?
Infelizmente é uma atitude que se repete em nossos dias. É triste ver em certas ocasiões a irrefletida ingratidão de cristão para os que têm sido seus bem feitores. Quer sejam em coisas materiais ou espirituais, devemos ser pessoas caracterizadas por gratidão.
Um dos males da sociedade atual é a "ingratidão" (2Tim.3:2). Talvez os que mais sintam isto sejam anciãos que o Espírito Santo levantou, que são fiéis em seu labor espiritual e ensinamento da Palavra. Os tais muitas vezes são desprezados e caluniados. "Quem é ele para estar dizendo isto?" seria uma forma moderna da dura crítica de Nabal. Podemos ter certeza que Deus encara isto com seriedade e o cobrará de maneira solene. Um dos problemas que afligem os santos é o esquecimento (às vezes proposital).
Se nos recordássemos das bênçãos que alguns cristãos trouxeram para nós, abandonaríamos toda a grosseria que nutrimos contra eles por motivos fúteis.


Incompatibilidade
O casamento entre Nabal e Abigail deve estar entre os mais calamitosos em toda a história desta ordenança.
Normalmente leva tempo para confirmar a compatibilidade de duas pessoas que pretendem casar. Depois do casamento haverá ainda mais tempo para pôr esta compatibilidade à prova. A salvaguarda para ambos é a lealdade total ao Senhor Jesus Cristo. Onde isto predomina sérios problemas serão evitados. Nabal tinha riqueza, mas faltava-lhe qualquer vestígio de cavalheirismo ou generosidade. Até os servos de Nabal percebiam seu caráter: um tal filho de Belial, que não há quem lhe possa falar" (v.17). Infelizmente ainda há alguns assim, até entre o povo de Deus. Faltam-lhes tanto as boas maneiras que nem se pode conversar com eles.
Em contrapartida, Abigail manifesta um excelente caráter em todos os níveis. "Era a mulher de bom entendimento e formosa" (v.3). Nela se combinava bom senso e educação, inteligência e beleza. Lendo mais um pouco vemos que ela tinha um profundo conhecimento dos caminhos do Senhor. Ela soube se dirigir a Davi com humildade e reserva. Infelizmente quando casou com Nabal ganhou um marido ignorante e certamente as riquezas dele não aliviaram seus sofrimentos.
Tentamos imaginar de que maneira o casal conseguia conviver. No mundo de hoje o casamento não teria durado muito, mas Abigail perseverou. Ela fez o que era certo e quando Nabal morreu ela foi libertada por Deus.


Influência
O ponto alto da história é a maneira em que Abigail conseguiu aconselhar Davi e assim evitar uma calamidade na vida dele. Ela deixou um bom exemplo para os outros seguirem. Foi muito bom o conselho que deu a Davi quando o aconselhou a não dar ouvidos a um homem como Nabal. Nem valia a pena escutar! Nós também devemos lembrar que o peso duma crítica é determinado pelo peso de quem fala. Muitas críticas podem ser esquecidas sem prejuízo algum.
Abigail agiu com urgência, honestidade e humildade. Certos problemas, na vida particular ou na igreja, poderiam ser resolvidos se encarados com certa urgência.
A honestidade é indispensável e quem quer ajudar em tempos difíceis precisará sempre de humildade. Abigail agiu na hora certa e com muita compreensão. Ela podia usar de franqueza sem criar inimizade.
Mas além de tudo isso, ela tinha uma mente espiritual bem desenvolvida.
Suas palavras desarmaram Davi por completo. Ela lembrou-lhe de suas bênçãos, seu bom nome, suas vitórias e acima de tudo o grande futuro que Deus tinha para ele. Ele não precisava vingar-se dos insultos de Nabal!
Alguém tem dito que ela "aplicou uma mão fria numa cabeça quente".
O resultado foi que Davi começou a encarar a situação do ponto de vista do grande futuro que Deus tinha para ele. Todos nós devemos aprender com isto, ainda que exija muita paciência.
Quantas vezes agimos só com "o presente" em vista, esquecendo-nos que vamos colher o que semeamos.
A cena termina com louvor para Deus e elogios para Abigail. Assim termina um episódio impressionante na vida de Davi com as lições com a Palavra de Deus traz para nós.


Por: J. Fleck - submetido por Thomas Matthews
Tradução e adaptação de um artigo publicado pela "Belieter's Magazine".

2. A mulher pode ou deve usar o véu?

Está se tornando usual, em nossos dias, a aplicação indevida dos verbos poder e dever. Conforme a conveniência ou ponto de vista que se queira defender, dissimuladamente fazem a substituição desses verbos em artigos ou comentários bíblicos, que passam desapercebidos pelos menos atentos, gerando costumes ou tradições ao arrepio da sã doutrina. 

O verbo poder representa a faculdade ou possibilidade de fazermos alguma coisa de acordo com o nosso livre arbítrio. Tanto é verdade que esse verbo não é conjugável no modo imperativo. Já o verbo dever tem o significado absoluto de ter a obrigação de fazer-se aquilo que está determinado ou sugerido.

Para exemplificar: podemos cometer pecado? Sim, porque isto faz parte da influência carnal que possuímos, está dentro da nossa capacidade física ou mental, por isso pecamos e diariamente temos que confessar os nossos pecados a Deus (I Jo. 1:8-10). Por outro lado, devemos viver assiduamente no pecado? Claro que não, pois isto está claramente determinado na Palavra de Deus que não devemos permanecer no pecado, tendo em vista que é nisto que se diferenciam os filhos de Deus e os filhos do diabo (I Jo.3:9-10). Portanto, nem tudo que se pode fazer é o que deve ser feito, sob pena de estarmos pecando e nos identificando com os desobedientes a Deus.

Ninguém, em sã consciência, discordará da afirmação de Paulo que os maridos devem amar as suas esposas assim como Cristo amou a igreja a ponto de Se entregar por ela (Ef. 5:22-33). Sabiamente as mulheres dão grande ênfase a esta passagem, tendo em vista que a elas é determinado que sejam submissas aos seus maridos, como ao Senhor, logo a recíproca tem que ser verdadeira, ou seja, as mulheres se submetem por obediência ao Senhor e, em nome dessa mesma obediência, seus maridos lhes devem amor na mesma plenitude que Cristo amou a Sua igreja.

O que causa estranheza é que o mesmo vernáculo - deve - usado em Ef. 5:28, que no original grego denota uma inquestionável obrigação moral, não é aceito, principalmente pelas mulheres, em I Co. 11:10 que afirma que a mulher deve trazer um sinal de submissão ou autoridade em sua cabeça por causa dos anjos. 

Nesta passagem o verbo está conjugado no modo imperativo afirmativo, que não deixa nenhuma dúvida quanto a ordem nele contida. Como é possível o mesmo verbo ter sentidos diferentes em Ef. 5:28 e I Co. 11:10? Dever implica em obrigação, logo, não cumprir com aquilo que é determinado na Bíblia é desobediência a Deus.

É impressionante como muitas pessoas têm gasto um precioso tempo levantando argumentos, até mesmo absurdos, para justificar o descumprimento da determinação bíblica que a mulher deve cobrir a sua cabeça nas reuniões da igreja. Esses argumentos geram uma confusão tamanha que faz com que as lideranças de algumas igrejas locais deixem o uso do véu a critério pessoal de cada irmã, como se houvesse duas verdades na Bíblia.

A isto chamamos de a Síndrome de Pilatos, ou seja, conhece-se a verdade, porém, é "politicamente correto" não aplicá-la, com isso, "lavam-se as mãos" jogando a responsabilidade da decisão sobre as mulheres. Esse procedimento, de não assumir responsabilidades, foi utilizado por Pilatos para encaminhar Jesus Cristo para a morte. Por definição: responsabilidade não se transfere, assume-se para não se tornar um irresponsável.

Creio ser oportuno avaliarmos alguns dos argumentos apresentados por aqueles que procuram justificar a desobediência do não uso do véu, pelas mulheres, nas reuniões públicas realizadas pela igreja local:


O ARGUMENTO RESTRITIVO:

O assunto seria específico à igreja em Corinto. Os que assim argumentam se estribam no erro de que a primeira epístola aos Coríntios se prende obstinadamente a fatos locais, logo, o uso do véu pelas mulheres seria específico para aquela igreja local.

Sem dúvida, essa afirmação é absurda, pois é claríssima a universalidade da epístola ... à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome do Senhor Jesus, Senhor deles e nosso (I Co. 1:2). Será por demais pretensioso afirmar que os males que afligiam aquela igreja jamais ocorreriam em outras. O Espírito Santo orientou Paulo nesse sentido a fim de que as demais igrejas aprendessem com os erros cometidos por aqueles irmãos e evitassem os mesmos procedimentos.

Sabemos que apesar dessas admoestações, esses erros não deixaram de ser praticados, pois, ainda hoje, cometem-se os mesmos pecados apesar das advertências contidas nessa carta. Dizer-se que assuntos correlatos à ordem nos cultos, a participação na ceia, o ordenamento dos dons espirituais, a sublimidade do amor, a ressurreição dos mortos, e os assuntos pertinentes à coleta, seriam específicos à igreja em Corinto, no mínimo é por desconhecimento bíblico, pois, se for de caso pensado é de má fé.


O ARGUMENTO CULTURAL:

O uso do véu seria um costume social da época em Corinto. Pelo fato de Paulo fazer uma referência quanto ao costume social do tamanho do cabelo a ser usado por homens e mulheres (I Co. 11:14-15), isto não significa que ele estivesse fazendo o mesmo com o véu.A comparação é uma figura de linguagem que facilita o ensino ou a explicação sobre determinado aspecto. Um quilo de ilustração vale por uma tonelada de explicações, porém, quando o espírito farisaico prevalece não há ilustração que dê jeito. Lembremo-nos das parábolas de Cristo e a rebeldia dos judeus.

Se a afirmação que o uso do véu para as mulheres é coisa do passado e era aplicado somente naqueles dias, isto vale dizer que o inverso também é verdadeiro, ou seja, os homens de hoje deveriam orar com as suas cabeças cobertas, pois Paulo teria determinado somente para aquela época que o homem devia, ao contrário das mulheres, orar com a cabeça descoberta (I Co. 11.4). Teriam, porventura, os homens de hoje usar o "tallith" (um xale de quatro pontas) sobre suas cabeças como faziam e fazem atualmente os judeus que oram com a cabeça coberta nas sinagogas, tendo em vista que o costume da cabeça descoberta seria somente para aquela época?

Percebem o absurdo dessa interpretação! Se não bastasse isso, se o uso fosse válido somente para aquela época, isto equivale dizer que hoje em dia os anjos do Senhor não mais estariam ao redor daqueles que O temem. O verso 10, de I Coríntios 11, é claríssimo, a mulher deve trazer a cabeça coberta por causa dos anjos. Se ensinarmos que a mulher não deve usar véu, é o mesmo que dizer que os anjos não existem ou não atuam mais!

O escritor aos Hebreus não deixa dúvida quanto ao ministério dos anjos junto à igreja ... são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação (Hb. 1:14). Os anjos do Senhor não podem contemplar a desobediência das servas, pois o uso do véu pela mulher é um sinal da sua submissão, assim como eles são submissos e se cobrem com as suas asas ao comparecerem perante o Trono de Deus (Is. 6:2).Com base nesse mesmo trecho de Isaías 6:2, há afirmações incorretas de que o homem também deveria cobrir a cabeça em suas orações a Deus. A Palavra de Deus é claríssima a esse respeito ... na verdade, o homem não deve cobrir a cabeça por ser ele imagem e glória de Deus... (I Co. 11:7).

Convém ressaltar que o citado verso 10, de I Coríntios, contém uma profunda sabedoria. O vernáculo grego "exousia" significa "o direito de fazer alguma coisa", ou seja, a cabeça coberta da mulher lhe outorga autoridade para orar, adorar e exercer os seus dons espirituais, e, com essa atitude, ela se legitima perante os anjos e concomitantemente perante a igreja, conforme versos 13 e 16 de I Coríntios 11. Portanto, fica extremamente claro que essa legitimidade é manifestada pelo véu que a mulher trouxer na sua cabeça, pois, o exercício da sua autoridade está sendo demonstrado pelo sinal da sua submissão. Isto é sabedoria de Deus!

É lamentável a errônea interpretação de que a sujeição das mulheres pelo uso do véu é um sinal de que elas são inferiores aos homens. Isto é ignorância! Submissão não é sinônimo de inferioridade. Jesus sujeitou-Se ao Pai, porém, jamais Lhe foi inferior porque Ele - assim como o Pai - é Deus. Jesus deixou claro isso ao afirmar que enquanto ele aqui estivesse o Pai seria maior e não melhor que Ele. Isto diferencia sujeição de inferioridade (Jo. 10:30; 17:11,21-23). Qualquer outra interpretação fica por conta do inimigo das nossas almas.


O ARGUMENTO DA SUBSTITUIÇÃO:

O cabelo comprido substitui o uso do véu na igreja. Jamais Paulo fez tal afirmação. O uso da figura de linguagem do cabelo comprido das mulheres, que para elas era uma glória, pois a cabeleira lhe fora dada em lugar da mantilha (I Co.11.15), é uma explicação à sua própria indagação ... julgai entre vós mesmos: é conveniente que uma mulher ore com a cabeça descoberta a Deus? (I Co. 11.13). Essa figura de linguagem em hipótese nenhuma anula a obrigatoriedade do cumprimento do verso 10.

É erro grotesco afirmar-se que o cabelo comprido do verso 15 substitui o véu do verso 6, pois os vernáculos usados no original grego para essas vestimentas não são os mesmos, ou seja, no verso 6 trata-se realmente de um véu, peça de tecido mais leve, e no verso 15 de mantilha, vestimenta feminina mais pesada.

Aprendemos em Hermenêutica que em nenhuma hipótese devemos fixar uma doutrina ou norma tendo como base uma figura de linguagem, pois ela serve somente para ilustrar. Aquilo que está sendo ilustrado é que deverá prevalecer.


O ARGUMENTO DA AUSÊNCIA:

Se não houver varão presente às reuniões, a mulher pode orar sem véu. Outra afirmação improcedente. O que é que tem a ver uma coisa com a outra? A mulher não usa véu por causa do homem, mas por causa dos anjos, como sinal da sua autoridade e submissão à ordenança contida na Palavra de Deus. Os versos 5 e 6, de I Coríntios 11, são extremamente claros ... toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque é a mesma coisa como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também; se, porém, para a mulher é vergonhoso ser tosquiada ou rapada, cubra-se de véu.

Paulo ilustra a cabeça descoberta com a punição que era dada às mulheres devassas. O Espírito Santo levou Paulo a ser extremamente enérgico nessas colocações. De fato ele está afirmando que seria vergonhoso para a mulher orar com a sua cabeça descoberta porque, desta forma, estaria se colocando no mesmo nível daquelas que, por viverem no pecado, eram excluídas da sociedade.


O ARGUMENTO INDECOROSO:

Paulo não gostava de mulher. Sem dúvida essa afirmação vem do inferno. O movimento feminista infiltrado em algumas igrejas denominacionais tem lançado essa leviandade, com a maldosa insinuação de que Paulo era casto por não gostar de mulher.

Quanta maldade somente para justificar o não uso do púlpito e do véu pelas mulheres nas reuniões públicas da igreja local! As revelações contidas na Palavra de Deus não são de entendimento humano, mas por inspiração do Espírito Santo. Paulo afirma em II Tim. 3:16... Toda Escritura é divinamente inspirada. Pedro reafirma em II Pe. 1:20-21... nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo.

Portanto, quem manda as mulheres se cobrirem nas reuniões públicas da igreja com o véu não é Paulo, mas o Espírito Santo que é de Deus. A maledicência lançada contra Paulo é indecente, pois ele jamais se desagradou das mulheres ou as menosprezou como ele mesmo escreve em Gl. 3:28 ... não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois de Cristo Jesus.

Propositadamente as feministas se esquecem da menção que Paulo faz em suas epístolas às valorosas e dedicadas servas que como ele gastaram suas vidas em prol do Evangelho, e que por certo oravam com as suas cabeças cobertas. É torpeza colocar dúvida sobre a masculinidade de Paulo pelo fato dele praticar a castidade (I Co. 7:7-9). Por trás de toda essa desavença criada pelas feministas em torno do uso do véu, está o velado descontentamento das mulheres em usá-lo por entenderem que Paulo teria sido extremamente injusto com elas na medida que as colocou em sujeição ao homem. Essa ideia é absurdamente errada! A sujeição da mulher ao homem vem desde a criação e não se trata de uma "invenção" de Paulo, mas uma determinação de Deus.

Desde o princípio da criação a liderança do homem e a sujeição da mulher são determinados por Deus, tendo em vista que o homem é a imagem e glória de Deus e a mulher a glória do homem (I Co. 11:7). O homem foi colocado no mundo como representante de Deus para exercer domínio sobre a terra e a sua cabeça descoberta é um testemunho silencioso desse fato.

Portanto, o homem não deve cobrir a cabeça, pois tal ato seria um grande insulto a Deus porque estaria cobrindo a Sua glória. À mulher nunca foi dada essa liderança, Deus a colocou como ajudadora do homem. O diabo, em sua astúcia, induziu Eva a usurpar a liderança que pertencia a Adão na medida em que ela, sozinha, decidiu manter aquele fatídico diálogo. Por isso Deus determinou à mulher: ele (o homem) te dominará (Gn. 3:16). Eliminar essa sujeição é coisa do diabo, desde o princípio ele persiste nisso.


O ARGUMENTO DO PARADIGMA:

Nas igrejas denominacionais históricas as mulheres não usam véu. Se somos como somos é porque entendemos que assim devemos ser como igreja de Cristo que somos, ou seja, se nos reunimos dessa forma é porque cremos que devemos ter por modelo a igreja primitiva, que é algo sobremodo difícil em nossos dias em virtude das muitas tradições que foram criadas no meio tido como evangélico.

Assim como ocorreu no judaísmo e no catolicismo, o protestantismo se tem conduzido mais pelas tradições humanas do que propriamente pelas revelações contidas na Palavra de Deus. Amamos os irmãos denominacionais, porém, se nos reunimos procurando o padrão autêntico das igrejas neo-testamentárias, isto significa que não devemos aceitar tradições humanas misturadas ao ajuntamento solene.

As mesmas vozes que evocam o costume das denominacionais históricas pelo não uso do véu pelas mulheres são as mesmas vozes que não concordam, dentre tantas outras coisas, com a diferenciação que é feita entre o clérigo e o leigo cujo princípio eclesiástico nega, de fato, a unidade de todos os crentes. O vocacionamento clerical é estranho aos ensinamentos contidos na Palavra de Deus, pois ... como pedras vivas, somos edificados, casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo (I Pe. 2:5). Portanto, todos os cristãos nascidos espiritualmente de novo possuem o mesmo sacerdócio.

Que diremos então acerca das distorções doutrinárias? Por que então somente determinada prática nos serve, como o não uso do véu, e não há concordância para com as demais? Não seria uma hipocrisia pensarmos dessa forma, ou seja, naquilo que atende aos anseios das mulheres, as tradições das igrejas denominacionais devem ser seguidas? Creio que Paulo nos dá essa resposta em I Coríntios 11:16 ... se alguém quiser ser contencioso (ao permitir que a mulher ore sem véu), nós não temos tal costume, nem tampouco as igrejas de Deus.


O ARGUMENTO DOUTRINÁRIO:

A obrigatoriedade do uso do véu não é um ponto doutrinário por estar revelado em apenas uma passagem da Palavra de Deus. É sobremodo estranho o ensino que surgiu em nosso meio que uma doutrina bíblica somente é válida quando existe no mínimo mais de uma passagem que confirme a sua condição como tal.O nosso assunto aqui não é o de abrir um debate sobre hermenêutica, porém, se essa afirmação fosse verdadeira, a maioria das citações escatológicas não seria doutrinária. Basta lermos o Apocalipse e veremos que grande parte dos assuntos nele contidos somente lá estão revelados, ou ainda, afirmarmos que os mortos não serão arrebatados antes dos vivos simplesmente pelo fato que isto está revelado somente em I Ts. 4:15-17.É impressionante como inventam tanto por causa de algo tão simples que é o uso do véu pelas mulheres.


O ARGUMENTO DA CONCORRÊNCIA:

O tamanho e a cor do véu promovem um desfile de moda na igreja. Por último, justifica-se o não uso do véu pelo fato que poderá haver entre as mulheres uma concorrência ou desfile de moda pela multiplicidade de cores e tamanhos dos véus. Justificar que o uso do véu criaria uma disputa de moda entre as irmãs é uma afirmação temerária. Os vestidos, as calças compridas (por vezes coladas ao corpo), as saias (por vezes curtas demais), as blusas, os sapatos, as meias, os brincos, os anéis, os colares, os esmaltes, os batons etc. não geram concorrência, mas o véu promoverá isso?!? Não devemos subestimar a Deus dessa forma, pois é o Espírito Santo que determina o uso do véu.

Quanto ao tamanho gerar um modismo pelo fato de quanto menor o véu mais elegante a mulher fica, particularmente pode-se entender que se é ruim usar um véu pequeno, pior será não usar nenhum. Porém, é verdadeiro que está havendo um abuso em nossos dias pelo uso de minúsculos véus que os descaracterizam como a cobertura estabelecida na Palavra de Deus.

Pelo fato do seu tamanho não ser determinado explicitamente no citado trecho, isto não significa que qualquer coisa que se coloca sobre a cabeça estar-se-ia cumprindo com a divina determinação. Convém lembrar que o uso do véu ordenado por Deus não é uma mera vestimenta, mas um sinal (I Co.11:10), e por inferência sabemos que qualquer que seja um sinal ele somente atinge o seu objetivo na medida que revela nitidamente aquilo que ele se propôs mostrar.

A prudência e a moderação são virtudes recomendadas para cercear qualquer tipo de exagero tanto para mais como para menos, pois, há que se ter acentuado cuidado com as posições extremistas.

Segundo o consagrado servo do Senhor, William MacDonald (The Believer's Bible Comentary), "...o véu somente é válido quando o seu uso exterioriza a graça interior da mulher. A coisa mais importante no uso do véu deve ser a certeza de que o coração está realmente submisso; o véu sobre a cabeça das mulheres possui esse real significado...".

Portanto, o tamanho e a cor não são coisas fundamentais, o que verdadeiramente importa é a sujeição das mulheres às determinações contidas na Palavra de Deus. As cores e tamanhos serão adequados por elas próprias segundo a graça que interiormente possuem pela habitação do Espírito Santo.

Isto equivale dizer que o não uso do véu significa a inexistência de reverência e temor a Deus, e é uma questão definitiva e incontestável na Palavra de Deus. A recusa ou omissão das mulheres com respeito ao uso do véu nas reuniões públicas da igreja são demonstrações de rebeldia a Deus. As vozes discordantes são por conta das interpretações de particular elucidação, não por revelação divina. Que diremos, pois, à vista destes argumentos? Atentemos para o convite de Paulo: Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo (I Co.11:1). Permita Deus que assim seja!

Por José Carlos Jacintho de Campos

3. O lugar da mulher na igreja local

Nestes dias em que os movimentos feministas estão proliferando por todos os cantos, e quando as mulheres estão assumindo, cada vez mais, papéis de liderança em todas as áreas da vida, o lugar das mulheres cristãs nas assembleias locais é verdadeiramente distintivo. Consideraremos o assunto sob três aspectos:

  • 1. O seu serviço.
  • 2. O seu silêncio.
  • 3. A sua submissão.

1. O SEU SERVIÇO.

As mulheres cristãs sempre realizaram muitos serviços valiosos em conexão com as assembleias. Na verdade, não é exagero dizer que as assembleias não seriam o que são, nem poderiam realizar o que fazem, sem as irmãs. Sem tentarmos avaliar a importância relativa das várias esferas de serviço nas quais as irmãs ministram, alistemos algumas delas:

  • 1. Frequência - Em muitas assembleias, senão em todas, a frequência às reuniões baixaria pelo menos cinquenta por cento se as irmãs estivessem ausentes. O efeito prejudicial de tal perda pode ser facilmente imaginado.
  • 2. Suporte financeiro - Ninguém a não ser o Senhor sabe perfeitamente quem realmente contribui, e o que dão. Mas, podemos facilmente assumir que uma grande porção do suporte financeiro para a obra do Senhor provém das irmãs, particularmente das mulheres solteiras que trabalham fora de casa. Isto será revelado, reconhecido e recompensado no Tribunal de Cristo (Marcos 12:41-44; Mateus 6:3, 4).
  • 3. Oração - A oração é a fonte do poder do testemunho das assembleias, e muitas mulheres cristãs são verdadeiras guerreiras da oração. Invisível aos olhos humanos, seus labores diante do trono da graça são bem conhecidos por Deus. O futuro, sem dúvida, revelará que muitos dos progressos da assembleia, e o poder e ganhos dos irmãos pregadores foi atribuído diretamente às orações das irmãs.
  • 4. Hinos - Seria algo muito estranho em uma assembleia a ausência da voz feminina na hora de cantar os hinos. Pois são elas que dão aquele contraste tão belo e necessário a melodia. Os membros femininos geralmente são mais numerosos que os masculinos, e, frequentemente, encontramos melhores vocalistas entre as irmãs que entre os irmãos.
  • 5. Trabalhos com as crianças - Muitos adultos salvos recordam-se com gratidão das primeiras influências em favor de Deus recebidas de mulheres cristãs piedosas que fielmente lhes incentivaram e ensinaram em suas meninice.
  • 6. O ensino das mulheres - "As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem; Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada." (Tito 2:3-5)
  • 7. Atividades gerais - Quando se trata de preparar comida, as irmãs têm um papel muito importante, pois os esforços dos membros masculinos de uma assembleia geralmente estão limitados a organizar cadeiras, limpar e servir nas reuniões do povo de Deus (Conferências, Festinhas das Crianças, etc). Para a limpeza do salão, depende do trabalho voluntário das irmãs. Comida para os enfermos, os carentes, os idosos, para casamentos e chás-de-cozinha, piqueniques, jantares de confraternização, etc., são todos preparados pelas irmãs. É uma tragédia quando uma igreja local transforma-se num mero clube social, mas uma assembleia verdadeiramente espiritual pode (e deve) prover atividades espirituais para os cristãos, e isto requer muitas vezes um toque e trabalho feminino, como já mencionamos.
  • 8. Visitação - "Estava.. .enfermo e me visitastes" (Mateus 25:36). "A religião pura e sem mácula, para o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações" (Tiago 1:27). Eis aqui um ministério sem limites, tanto em possibilidades como em bênçãos. E está aberto a todos: evangelistas, pastores, ensinadores, anciãos, e irmãs. A visita simpática e gentil de uma irmã piedosa pode abrir mais corações que muitos longos sermões.

2. O SEU SILÊNCIO

Após este breve sumário da multiplicidade do serviço das irmãs na assembleia local (e muito mais ainda poderia ser dito), poderá chegar como uma surpresa àqueles não acostumados com os princípios e práticas das assembleias neo-testamentárias saber que, nas reuniões da igreja, as mulheres permanecem silenciosas. Elas não oram publicamente nem pregam em reuniões onde os homens estão presentes. Isto, obviamente, é obediência às instruções claras estabelecidas pelas Escrituras.

  • "...conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina" (1 Coríntios 14:34).
  • "A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine..." (1 Timóteo 2:11,12).
  • "...para a mulher é vergonhoso falar na igreja" (1 Coríntios 14:35).

Aqueles que recusam submeter-se a este ensino claro da Palavra de Deus têm feito enormes esforços para evitar estas imposições.

Alguns nos dizem que o problema é a "tagarelice" - burburinho barulhento feito pelas mulheres. Embora tal tipo de conduta jamais devesse ser permitida, pois mancharia a reunião dos santos em qualquer época, este não é o significado aqui. A palavra grega traduzida "falar" é a mesma nas vinte e uma vezes em que é usada neste capítulo, inclusive na instrução: "Tratando-se de profetas, falem [tagarelem?] apenas dois ou três" (v. 29). Reductio ad absurdum! (Extremo dos absurdos!)

Alguns já tentaram transformar o "silêncio" do versículo 34 numa proibição contra as mulheres falarem em línguas, mas isto não cabe no contexto, e seria uma redundância, uma repetição desnecessária das instruções nos versículos 27 e 28.Um dos frutos amargos produzidos pela negação atual nos círculos neo-evangélicos da inerrância das Escrituras é a tentativa feita por alguns autores de contrariar Paulo em suas instruções sobre as mulheres, dizendo que seus ensinos contradizem as palavras do Senhor sobre o mesmo assunto. Para cristãos que creem na Bíblia este argumento enganador não tem nenhum peso, já que a inspiração verbal e a inerrância descartam quaisquer declarações contradizentes.
A declaração em Gálatas 3:28: "...nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus," tem sido extraída completamente de seu contexto e aplicada à força à participação feminina nos cultos da igreja. Mesmo uma leitura superficial da passagem em Gálatas indica claramente que o assunto em discussão é filiação na família de Deus e não serviço na assembleia. A salvação não é afetada pelas distinções raciais, sociais, ou sexuais. Há uma salvação "comum" a todos (Judas 3) e as bênçãos espirituais que são nossas em Cristo (Efésios 1:3) são propriedade de todos igualmente. Mas, na igreja, obviamente, temos "homem e mulher", caso contrário as exortações aos maridos e esposas não teriam qualquer significado (veja Efésios 5:22-33).

Existem outros que creem que as palavras de Paulo em 1 Coríntios 11:5,13 negam o comando do silêncio no capítulo 14.

Nestes versículos lemos:

  • "Toda mulher, porém, que ora, ou profetiza, com a cabeça sem véu, desonra a sua própria cabeça" (v. 5).
  • "Julgai entre vós mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu?" (v. 13).

Mesmo que analisemos o texto desprezando a sua inspiração, ainda assim será evidente a qualquer pessoa pensante que Paulo era sábio demais para escrever uma coisa, e logo após, deliberadamente contradizer-se a si próprio. Mas, ambas as declarações, nos capítulos 11 e 14, são os ditos inspirados de Deus e, portanto, ambos corretos. A resposta à aparente contradição é que no capítulo 11 Paulo não está escrevendo sobre quem pode orar e profetizar, como o faz no capítulo 14 (veja 14:15,27, 28,29, 30, 32, 35). O assunto objeto em 1 Coríntios 11:1-16 é liderança. A ordem divina é Deus-Cristo-homem-mulher (v. 3). Como a mulher não está no lugar de liderança, quando o homem está presente na assembleia, ela deve usar uma cobertura sobre sua cabeça (v. 10). Descobrir sua cabeça e usurpar o lugar do homem é desonrar sua cabeça, o homem (v. 5). O versículo 5, então, não tem o propósito de conceder à mulher cristã o privilégio de orar ou profetizar nas reuniões da igreja, mas, pelo contrário, tem a intenção de mostrar a incongruência de uma mulher deixar a posição de silêncio e sujeição dada a ela por Deus, e aparecer diante dEle com a cabeça descoberta. A verdade acima é esclarecida ainda mais em 1 Timóteo 2, onde lemos:

  • "A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o marido; esteja, porém, em silêncio" (vs. 11,12).

É significativo que a palavra para "marido" ou "homem", no grego, no versículo 12, como também no versículo 8, seja a palavra para "varão" (homem); enquanto que nos versículos 1, 4, 5, é "humanidade", incluindo tanto o homem como a mulher. Assim, o versículo 8 lê: "Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar."


3. A SUA SUBMISSÃO

Nestes dias, quando o Movimento dos Direitos Iguais está cada vez mais envolvido com o status da mulher, até mesmo a simples menção da palavra "submissão" toca um nervo sensível por todo o mundo feminino. Mas, afinal de contas, não é o que o mundo diz, mas o que a Palavra diz que deveria governar e guiar o pensamento das mulheres cristãs. E o que ela diz?

  • "A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão" (1 Timóteo 2:11).
  • "...estejam submissas como também a lei o determina" (1 Coríntios 14:34).

Deus é um Deus de ordem, e obediência à Sua ordem traz Sua benção. A desobediência traz o caos e a disciplina divina. No assunto de liderança, com sua inerente autoridade (como já vimos) a ordem divina é claramente declarada em 1 Coríntios 11:3:

  • "Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem o cabeça da mulher, e Deus o cabeça de Cristo."


A declaração final deste versículo claramente indica dois pontos importantes:

  • Primeiro, sujeição não significa subjugação forçada, mas submissão por livre escolha. Pelo propósito da redenção do homem, Cristo livremente escolheu submeter-Se em todas as coisas à vontade do Pai, e assumir o lugar de obediência do servo. "Porque eu desci do céu não para fazer a minha própria vontade; e, sim, a vontade daquele que me enviou" (João 6:38). Que exemplo perfeito para todas as mulheres cristãs! Que privilégio seguir Seu exemplo!
  • Segundo, sujeição não indica inferioridade. Embora assumindo a forma do servo (Filipenses 2:7), e vivendo uma vida de obediência perfeita e dependência do Pai, Cristo não era de maneira alguma inferior ao Pai durante Sua vida de sujeição na terra. Ele era sempre Deus.

Ao aceitar o lugar de sujeição à liderança do homem, as mulheres cristãs recebem a alta honra de emular o Filho de Deus. E ao fazê-lo, demonstram aos observadores angelicais a restauração da ordem divina de liderança que havia sido violada pela presunção de Lúcifer (Isaías 14:12-15), e pela desobediência de Adão e Eva (Gênesis 3).

"Portanto, deve a mulher, por causa dos anjos, trazer véu na cabeça, como sinal de autoridade" (1 Coríntios 11:10).

A posição assumida pelas assembleias neo-testamentárias que se conduzem pelos ensinamentos das Escrituras é que ter mulheres na posição de pregadores, pastores, ensinadores ou anciãos, ou qualquer outra posição de autoridade na igreja está fora da vontade de Deus.


Por H. G. Mackay

4. A verdade sobre o aborto!

No dia 9 de agosto de 1974, na sala oriental da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford, dirigiu-se à nação. Seu discurso é lembrado pela sua frase inicial, uma frase que, na opinião de muitos, foi o seu pronunciamento oficial mais memorável: "Nosso longo pesadelo nacional acabou". O presidente Ford referia-se ao caso Watergate, a questão política e legal que resultou na primeira renúncia na história presidencial daquele país. Apesar da sinceridade das palavras do sr. Ford, ele provavelmente não sabia que o grande pesadelo nacional dos americanos havia começado poucos meses antes.


No século 19, os estados americanos seguiam-se um ao outro na promulgação de leis que protegiam as crianças antes do seu nascimento. Até 1966, o aborto era ilegal em todos os estados, a não ser que fosse, do ponto de vista médico, absolutamente necessário. No século 20, o aborto começou a ser mais comum nos países europeus. No final dos anos 60 e começo dos anos 70, Nova York tornou-se o primeiro estado americano a liberalizar suas leis quanto ao aborto. Finalmente, em 22 de janeiro de 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos, no infame caso Wade contra Roe, permitiu o aborto, praticamente indiscriminado, nos primeiros seis meses de gestação, e por motivos médicos nos últimos três meses. O pesadelo começara, e ainda continua.


Cada dia, nos Estados Unidos, mais de quatro mil abortos são realizados. Por ano, mais de 1.5 milhão de gestações são interrompidas. O aborto é o segundo procedimento cirúrgico mais comum naquele país. Há um aborto para cada dois partos. Tragicamente, 29% são casos reincidentes.
Cristãos sentem uma repulsa interior só ao pensar em tirar a vida de uma criança que ainda não nasceu. Este instinto espiritual é extremamente valioso, especialmente nesses dias quando enfrentamos tantas questões que não tem, aparentemente, uma resposta pronta e rápida das Escrituras. Este instinto, porém, precisa ser apoiado em fatos bíblicos, para que não se degenere em simples retórica intransigente. Para aqueles que perseverarem pacientemente na leitura deste capítulo, a base bíblica será examinada.


Quando um ancião querido soube que eu tentaria escrever sobre esta questão, a sua resposta foi perspicaz. Ele falou sobre a dificuldade que o assunto apresenta: "Você não vai encontrar esta palavra em nenhuma concordância bíblica!" E é verdade. A razão disto é, possivelmente, tão óbvia que a perdemos de vista, e deixamos de apreciar um dos maiores argumentos que as Escrituras nos fornecem. A grande lamentação do Velho Testamento era por causa de esterilidade, não de gravidez. Filhos eram considerados uma herança do Senhor (Sal. 127:3); o fruto do ventre era Sua recompensa e sinal de bênção. Nenhum dos santos do Velho Testamento contemplou o aborto. Raquel ameaçou tirar a sua própria vida se não tivesse filhos (Gên. 30:1). "Sede fecundos e multiplicai-vos" era o desejo de Deus do Éden em diante (Gên. 1:28).


Antes de examinar algumas das Escrituras que falam mais diretamente sobre este assunto, deveríamos examinar, cuidadosamente, a filosofia que gerou e legalizou este método moderno de controle da natalidade.


Dezoito anos atrás, junto com mais de cem colegas de classe, eu recitei o juramento Hipocrático. Aquele juramento continha uma promessa de nunca interferir com uma gravidez. Aqueles que eram culpados disso eram desprezados pelos seus colegas de profissão, e tratados com rigor, tanto por sociedades legais quanto médicas. Tão terrível era este crime, poucos anos atrás, que aqueles que o cometiam eram descritos da forma mais humilhante possível pelos seus colegas médicos. O que é que causou uma virada de 360˚ na opinião da sociedade? Como é que algo tão odiado tornou-se tão aceito, em apenas quinze anos?
Nenhuma razão isolada poderia responder a esta pergunta tão complexa. Há, porém, duas filosofias óbvias que controlam o pensamento dos homens desde o final dos anos 60, e que influenciam, em grande parte, a opinião atual das massas. Reconheço que talvez não sejam tão importantes aos principais pensadores, atualmente, mas seus efeitos ainda controlam a mente das multidões, mesmo depois de tanto tempo.


A primeira destas filosofias foi aquela que gerou a geração "Eu" — a justificativa de cuidar de si mesmo, do Número Um. A lei da selva voltou à civilização, e era cada um por si. O resultado desta linha de raciocínio foi que cada um tinha o "direito" de fazer o que fosse melhor para si.
Ligado a isto, houve a tentativa de separar as consequências das ações; acabar de uma vez com a necessidade de preocupar-se que cada ato traz resultados inevitáveis. Ciência, tecnologia, dinheiro, ou na pior das hipóteses, os seus contatos influentes poderiam cuidar dos resultados. A lei inviolável de Deus, de que colhemos aquilo que semeamos, foi desprezada.


Estas duas linhas de pensamento não são, de forma alguma, novas; elas tiveram seu início no Éden. O presente século, porém, aprimorou estas ideias, tornando-as aceitáveis, sem constrangimento, aos homens.
A união destas duas linhas de pensamento levou a uma nova maneira de encarar a gravidez. Agora, não é mais o simples caso de aceitar uma gravidez. Cada um tem o "direito" de decidir se é bom, naquele momento, ter um filho. Se a criança for inconveniente, ou se o seu nascimento for interferir com uma carreira, é perfeitamente justificável "terminar" uma gravidez. Começou, assim, a retórica da criança indesejada, do direito de controlar o meu corpo, e uma multidão de outros eufemismos criados para encobrir a atitude clara de egoísmo e irresponsabilidade.


Olharemos para a futilidade destas coisas mais adiante. Por enquanto, permita-me salientar o fato que, se não houvesse nenhuma razão bíblica para condenar o aborto (e há várias), as atitudes antibíblicas que promoveram a aceitação do aborto deveriam nos alertar de que é obra de corações depravados e de egoísmo.
Mas e as Escrituras? Elas nos oferecem alguma luz sobre este assunto? Qualquer artigo que mencione aborto deve confrontar as palavras tão citadas de Êxodo 21:22-25. Muitos usam estas palavras numa tentativa de mostrar que a criança, ainda não nascida, é inferior a um ser humano. Olhemos para o versículo no seu contexto:
"Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, porém, não havendo outro dano, certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher… Mas se houver morte, então darás vida por vida."


Há várias maneiras de entender estes versículos. Os eruditos diferem quanto ao significado exato, como veremos; não diferem, contudo, nas lições morais aqui contidas. Alguns, que seguem a tradução de Spurrel, entendem a expressão "for causa de que aborte" como referindo-se a um nascimento prematuro que sobrevive, "não havendo outro dano". Assim não haveria pena de morte, pois nenhuma vida foi perdida. Outros eruditos, igualmente competentes na língua hebraica, entendem que significa que ela perde a criança, mas ela permanece com vida. Alguns aproveitam-se disso para criar uma diferença de valor entre a vida da criança no ventre, e a vida da mãe. Argumentam, então, que como a morte da criança era paga com dinheiro, e a morte da mãe com outra vida, que a criança tem um "valor" menor do que a mãe, e é, portanto, menos "humana" que a mãe. O contexto do capítulo destrói este raciocínio. O assunto do capítulo todo é responsabilidade e intenção, não valores relativos da vida. 

No v. 13, se um homem matasse outro por acidente, ele não deveria ser morto; poderia escapar para a cidade de refúgio. No v. 28, se um boi escorneasse um homem ou mulher, matando-os, o dono não morreria, mas o boi seria morto. Será que Deus estava dizendo que o boi e o homem que ele matou tinham o mesmo valor? Mas se o dono soubesse que o "boi dantes era escorneador" e não o prendeu, então o boi e o dono deveriam ser mortos para compensar pelo crime. No v. 32, se o boi escorneasse um escravo, o seu dono pagaria 30 siclos de prata, e o boi seria apedrejado. Em todos estes exemplos, não há qualquer intenção da parte de Deus de colocar valores relativos nas vidas de escravos, homens, mulheres ou crianças prematuras. É uma questão de intenção, premeditação e motivo.


Venha agora ao Salmo 139. Antes de pular diretamente para os versículos que nos interessam diretamente, vamos dar uma olhada no Salmo todo. Seu propósito é detalhar a grandeza de Deus. Seus atributos são descritos para nossa admiração, levando-nos a adorá-lO. Os primeiros seis versículos falam da Sua onisciência; os próximos seis falam da Sua onipresença; e os próximos quatro, como esperado, falam da Sua onipotência. É impressionante, porém, que quando o Espírito de Deus quer nos dar um exemplo do poder de Deus, Ele não fala da majestade e grandeza da Criação. Pelo contrário, Ele nos leva a contemplar um pequeno feto em desenvolvimento — a maravilha da criação de uma vida.
O que podemos aprender do Salmo 139:13-16? 

Uma verdade óbvia se destaca mesmo numa leitura superficial do Salmo: a personalidade se estabelece no útero. O salmista se refere ao interesse de Deus por sua pessoa, seus ossos, seu corpo ainda informe (v. 16). Deus o considerou como pessoa desde aquele tempo. Havia ali identidade; havia personalidade, com todo o seu valor, ali no útero. Um dos grandes argumentos do movimento que prega a liberdade de escolha é que toda criança deveria ser uma criança "desejada". Em outras palavras, se você não quer este bebê, não gere-o. 

Pense nisso por um momento. Isto faz o valor de um ser humano ser dependente do desejo de outro. O embrião só tem valor se eu decidir que ele deve viver. Este argumento, na realidade, reduz o bebê a um valor não apenas sub-humano, mas desumano. Tradicionalmente, queremos coisas e amamos pessoas. Mas agora somos ensinados que a mãe deve decidir se ela quer que o bebê nasça; ela pode decidir se ele tem valor ou não. Fica evidente que houve uma grande mudança na atitude da sociedade para com todos aqueles que são indesejados, imperfeitos ou inconvenientes. É apenas uma questão de tempo até que o valor de todo ser vivente seja determinado por outro.


O Salmo que estamos considerando deixa claro que, para Deus, a substância ainda informe, o embrião nos primeiros estágios de desenvolvimento, possui identidade e personalidade.
Às vezes, as decepções que encontramos ao examinar as Escrituras são mais proveitosas do que uma busca frutífera. Eu examinei as palavras que Lucas, o médico, usa na sua narrativa do Evangelho, certo de que, nos primeiros capítulos, ele usaria palavras diferentes para descrever as crianças nos ventres de Maria e Isabel. Para minha surpresa, ele usa uma única palavra, brephos, para descrever o feto, o bebê, e até a criança pequena. Sem saber bem o que fazer com esta informação, já que não era o que eu tinha pensado (eu imaginei que Lucas usaria uma palavra especial, demonstrando que o feto é uma pessoa), eu a deixei de lado. Mas o fato óbvio é tão destacado que precisa ser dito. Lucas usou a mesma palavra para todos estes estágios da vida, porque todos eram "brephos". 

Não havia nenhuma distinção na quantidade de humanidade que cada um possuía. Dr. Lucas, o escritor sábio na medicina, não fez nenhuma distinção, ao escolher suas palavras, entre a criança antes ou depois do nascimento.
Na concepção, uma unidade genética completa é formada. Nada será acrescentado para tornar o embrião mais humano ou uma pessoa. Serão acrescentados tempo e tamanho, mas não a essência da vida.
O Salmo 139 também retrata o interesse de Deus no desenvolvimento pré-natal de um embrião. Alguns podem achar que é apenas linguagem poética, hipérboles que jorram da pena deste escritor de livros poéticos. Devo lembrar os leitores, porém, que o Senhor Jesus nos mostrou que o Pai tem um interesse na morte de cada pardal. Quão mais apropriado, então, que Ele tenha um interesse no nascimento de cada bebê. 


No Salmo 139:16, o escritor mostra o interesse de Deus no desenvolvimento do feto, desde a concepção até ao nascimento. Nos vs. 17-18, este interesse estende-se até a morte e o além. Lembre-se que o salmista está, em primeiro lugar, celebrando a grandeza e glória de Deus; este não é um salmo poético sobre a beleza da vida. Ele está nos falando, em primeiro lugar, de Deus.
Se Deus tem tamanho interesse no feto em desenvolvimento, como é trágico que os simpatizantes e defensores do aborto veem-no simplesmente como "produtos da concepção", uma "não-pessoa", e outros termos semelhantes. O interesse próprio substituiu e suplantou o interesse de Deus no bebê. Somos informados que cada mulher tem o direito de controlar o que acontece com o seu próprio corpo. Isto não é verdade nem mesmo em outros aspectos da vida. Há muitas leis que regulam o que podemos fazer com os nossos corpos. Mas deixando isto de lado por ora, considere o seguinte. Uma criança antes do nascimento é uma pessoa com um corpo. A criança tem, igualmente, o direito de controlar o seu corpo ou, pelo menos, ter seus direitos respeitados. O único meio de escapar desta situação é atribuir, à criança, algo menos do que personalidade. É isto que os defensores do aborto fazem.


Longe de ser uma manifestação de controle, o aborto é, frequentemente, uma ação tomada por um corpo que esteve fora de controle. A escolha está na atividade que levou à gravidez. Depois disto, consequências devem ser esperadas e aceitas.
A criança ainda não nascida, além de possuir uma identidade e ser o objeto do interesse de Deus, também demonstra a inteligência de Deus. As expressões dos vs. 14-15 mostram isto: "de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito". O desenvolvimento do corpo humano é uma das obras de arte de Deus.


Mas há diversas outras questões que precisam ser encaradas num estudo desta natureza. Uma questão frequentemente levantada, e que a Suprema Corte, aparentemente, recusou-se a responder, é: "Quando começa a vida? Quando é que a alma entra no corpo?"
A maioria das pessoas surpreende-se ao saber quão cedo começa o desenvolvimento físico do feto. O coração começa a funcionar 14 a 18 dias depois da concepção; no final do primeiro mês, todos os órgãos já começaram a ser formados; os braços e as pernas movimentam-se a partir da sexta semana; pode-se detectar atividade de ondas cerebrais com 43 dias. Hoje está incluído, na definição de morte cerebral, a ausência de ondas cerebrais. Sua presença já pode ser detectada num feto com apenas um mês e meio de vida.


Há muito tempo os teólogos e pais da Igreja debatem sobre a questão do momento em que a alma incorpora-se no corpo. Algumas das primeiras ideias incluíam o conceito de que era depois de quarenta dias para os homens, e depois de oitenta para as mulheres, uma teoria muito estranha!
Depois de analisar todos os argumentos, há uma pergunta básica que permanece: se não acontece na concepção, então quando poderia ser? Será que as Escrituras podem nos ajudar nesta questão?
Considere o caso singular da encarnação de Cristo. Todo cristão concordaria que era Cristo no ventre de Maria; Sua alma já estava ali. Alguns poderiam argumentar que este é um caso singular. É verdade. Mas e João Batista? Será que a criança saltando no ventre de Isabel foi mera coincidência? Se alguém acha isto imaginação, saiba que há muitas evidências de pensamento e atividade intrauterina.


Perceba, também, a expressão no Salmo 51:5: "Em pecado me concebeu a minha mãe". Se a natureza caída de Adão estava presente na concepção, como poderíamos dizer que a alma não estava? Não há nada na Bíblia para sugerir que Deus dá uma alma a cada um, pouco antes do nascimento. Apenas uma vez na Bíblia encontramos Deus dando uma alma a alguém: "Deus … soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem foi feito alma vivente" (Gên. 2:7). A opinião do autor é que a alma é transmitida na concepção.


Outro aspecto que precisa ser enfrentado, apesar de ser muito difícil, é a gravidez resultante de um crime, totalmente contra a vontade da vítima. Devemos afirmar, primeiro, que a exceção nunca governará a prática geral. Este tipo de aborto representa, hoje, uma fração de um por cento dos abortos praticados nos Estados Unidos, mas devemos encarar a questão francamente. Quando um ato violento gera uma gravidez, há uma vítima; quando a gravidez é terminada pelo aborto, há agora duas vítimas. Acabar com o resultado do crime não diminui a ofensa ou o seu mal; nem começa a reverter o trauma sofrido pela mulher. Apenas acrescenta outro trauma à sua vida.


Não há soluções fáceis para o pecado. Cada pecado, cada ato ímpio, somente traz tristeza. As opções que o pecado apresentam serão sempre uma escolha entre o menor dos males. O aborto, por ser um grande mal, nunca poderá solucionar o problema com justiça.


O texto acima é a íntegra do cap. 9 do livro "Casamento e Família", escrito pelo médico A. J. Higgins e publicado pela Editora Sã Doutrina em 1997. O livro tem 146 págs. 

5. O aborto e a Bíblia

1. NOÇÕES BÁSICAS
Convém definir o que se entende por «aborto». Aborto é a morte espontânea ou provocada do produto da concepção dentro do ventre materno e antes do início do parto. Da definição surge uma primeira distinção: há abortos espontâneos, ou seja, que surgem por efeitos naturais, exteriores à vontade humana, geralmente por doença da mãe ou por deficiências cromossômicas do feto; e os provocados, quando o aborto é intencionalmente criado. Relativamente ao primeiro tipo de aborto, não se põe qualquer problema ético ou bíblico, na medida em que ele surge, geralmente, contra a vontade da mãe e em circunstâncias naturais. Mas já se põem problemas quanto ao segundo, sendo dele que importa fazer uma análise bíblica.

Por outro lado, é importante saber quais as razões que geralmente são apresentadas para recorrer ao aborto provocado - violação, incesto, proteção física da mãe, defeitos físicos da criança. Diremos, porém, e desde já que segundo as recentes estatísticas em Portugal e nos EUA, 95% dos abortos são feitos por razões de conveniência e não pelas anteriores referidas. Devemos, por outro lado, notar que mesmo que um bebê seja concebido através de violação, a sua destruição não apagará o trauma da mulher nem tão pouco dissuadirá o criminoso de cometer outra violação. 

Além disso, o argumento de que o aborto é um direito da mulher, tem como contrapartida o direito à vida do bebê, o qual é tão válido como aquele. Finalmente, é de considerar que quanto mais nova é a mãe, maior é a probabilidade de que ela fique estéril se fizer um aborto (no Canadá, 30% das meninas de idade entre 15 e 17 anos que fizeram abortos ficaram estéreis).


2. ALGUMAS OPERAÇÕES ABORTIVAS

  • 1. SUCÇÃO - Este é um dos métodos legalmente autorizados para abortar: é semelhante a um aspirador: o bebê é sugado do ventre da mãe e posteriormente feito em pedaços.
  • 2. EMBRIOTOMIA - É um método que já está em desuso, mas que consiste em o médico cortar o bebê dentro do ventre da mãe (com instrumentos especialmente concebidos para este fim).
  • 3. OPERAÇÃO CIRÚRGICA - É utilizado em estados de maior desenvolvimento do feto. Consiste em retirar o bebê do ventre materno e matá-lo quando ele já está cá fora.
  • 4. SOLUÇÃO SALINA - Cada vez em maior uso, consiste em injetar solução salina no saco embrionário. O bebê morre queimado devido ao sal da solução.

Além destes métodos, existe hoje a possibilidade de provocar o aborto durante as primeiras semanas através de um fármaco (medicamento) especialmente receitado pelos médicos, cujo nome, evidentemente, não nos é lícito nem conveniente indicar neste artigo.


3. O ABORTO NA LEGISLAÇÃO PORTUGUESA
Com a Lei n.º 6/84, e a partir desse ano, o aborto foi despenalizado em Portugal. Significa que a mulher pode abortar legalmente se preencher os requisitos exarados na Lei e no Código Penal sem sofrer qualquer punição. Entretanto, desde essa data, o artigo 142.º do Código Penal, que se refere à interrupção voluntária da gravidez, tem vindo a sofrer várias alterações.

Atualmente, e de acordo com a última alteração introduzida pela Lei 90/97, de 30.07, a interrupção voluntária da gravidez não é punida nos seguintes casos:

  • a) Por motivo terapêutico, ou seja, quando constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, e ainda
  • b) Se essa interrupção se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física, psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez.
  • c) Pelo motivo eugênico, ou seja, se houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congênita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, exceptuando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção pode ser praticada a todo o tempo, e finalmente;
  • d) Pelo motivo criminológico, ou seja, quando a gravidez tenha resultado de violação ou crime contra a autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas.

A legislação portuguesa, portanto, não permite o caso do aborto para efeitos de planejamento familiar, o qual se for realizado, constitui um crime punido com prisão até 3 anos para a mulher e para quem a fizer abortar.

No dia 28 de junho de 1998 realizou-se em Portugal um referendo que visava a despenalização absoluta do aborto até às 10 semanas. A pergunta era a seguinte: Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas 10 primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado? Embora tenha havido cerca de 55% de abstenção, 51% dos portugueses que votaram responderam «não» e 49% «sim», tendo em consequência sido abandonada a intenção legislativa de despenalizar o aborto até às 10 semanas de vida do feto.


4. O QUE DIZ A BÍBLIA
Deus criou o homem e a mulher, abençoou-os e disse-lhes: «Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a... E viu Deus tudo quanto tinha criado, e eis que era muito bom» (Gn 1:28, 31). Verificamos desde logo que a reprodução era um dos propósitos da criação do homem por Deus. Por outro lado, não lemos em passagem alguma que o homem tenha o direito de matar o seu semelhante - aliás, um mandamento é «não matarás» (Êxodo 20.13, Rom.13:9). 

Ora, a criança que está no ventre da mãe é um ser com identidade própria. Sabia que o primeiro órgão a ser formado no feto é o coração? E que o coração começa a bater 21 dias após a concepção? Neste sentido, quem aborta está a assassinar um ser humano criado por Deus.


4.1. A VIDA: DIREITO INVIOLÁVEL

Quem tem poder para tirar a vida? É porventura o homem quem pode decidir o futuro de um outro seu semelhante quanto ao momento da sua morte? Lemos em 1.ª Samuel 2:6 que a autoridade para decidir o momento da morte de alguém pertence exclusivamente a Deus: «O Senhor é que tira a vida e a dá: faz descer à terra e faz tornar a subir dela».

Lemos, por outro lado no Salmo 139:13 que é o Senhor Quem opera a formação de um ser vivo, e que o faz mover no ventre de sua mãe: «Pois Tu formaste o meu interior; Tu entreteceste-me no ventre da minha mãe».

Neste verso, a proteção e a possessão de Deus e o Seu poder criativo são extensivos à vida pré-natal. Este ensino torna impossível considerar o embrião ou feto como «simples pedaço de tecido». O mínimo que alguém pode dizer é que no momento da concepção já existe um ser humano em potencial (melhor, um ser humano com potencial), o qual é sagrado e de valor, à vista de Deus, evidenciado pelo Seu envolvimento pessoal.


4.2. A PASSAGEM DE ÊXODO 21:22,23

«Se alguns homens pelejarem e ferirem uma mulher grávida, e forem causa que, aborte, porém, se não houver morte, certamente será multado... Mas se houver morte, então darás vida por vida».

Esta é a única passagem que na Bíblia aborda diretamente o tema do aborto. e tem sido apresentada como justificação para a aceitação do aborto. Trata-se de um caso em que o aborto é provocado, mas como que acidentalmente. Se uma mulher perdesse o filho, havia apenas uma indemnização: se a mulher morresse também, quem a ferisse teria de pagar com a sua vida. 

Para quem defenda o aborto, a dedução que é feita é que, visto só haver indemnização no caso de aborto, isso significaria que o feto não teria alma, que apenas seria ganha ao nascer. Levando um pouco mais adiante este pensamento, concluiríamos que o aborto induzido seria biblicamente permitido. 

Ora, isso seria forçar a aplicação da lei do Êxodo, que trata de um aborto acidental, e não induzido, o que são duas coisas absolutamente distintas: uma, é acidentalmente alguém provocar o aborto a outrem, outra, e com consentimento da mãe, provocar-se o aborto. Todavia, mesmo acidental, lemos que em tal caso havia uma sanção, o que denota a gravidade desse aborto acidental, precisamente porque estava em causa a vida.


4.3. E SE... NASCER... DEFORMADO?

Esta é uma desculpa apresentada para se considerar a hipótese do aborto, que, aliás, a nossa Lei atualmente já prevê.

Em primeiro lugar importa notar que Deus criou o homem com características tais que, mesmo em condições à primeira vista adversas, consegue sobreviver e adaptar-se. Por outro lado, quando essa vida e impossível, a morte vem por si própria. Assim sucede, por exemplo, quando a criança nasce com deformações encefálicas anormais (cérebro). Geral-mente, a criança morre passados poucos minutos depois do parto.

Mas, mesmo que haja seguros motivos de que a criança venha a nascer deficiente, será esse um motivo para se aceitar o aborto? Vejamos o que a Palavra de Deus nos diz a este respeito: «Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo ou o que vê, ou o cego? Não Sou Eu, o Senhor?» (Êxodo 4:11). 

«E passando Jesus, viu um cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: "Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" Jesus respondeu: "Nem ele pecou, nem seus pais, mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus"» (S. João 9:1-3).

A resposta da Bíblia é clara. Aceitar a morte de crianças ainda não nascidas, conduz a aceitar também a eutanásia infantil, isto é, o homicídio de bebês recém-nascidos que sejam doentes ou deficientes. E a aceitar isto, não faltaria muito para aceitar também a eutanásia dos inválidos, idosos e todos os que, independentemente da sua idade, não possam cuidar de si mesmos ou se sintam à parte da sociedade. 

Se se entender que o universo se formou por acaso e que o homem é descendente duma criatura pré-histórica, não há razão para se preocupar com a vida humana. Mas, sabendo que o homem foi criado e que tem um destino especial diante do Seu Criador, então concluiremos que a defesa da dádiva divina, que é a vida humana, é de facto inalienável.


4.4. O FETO TEM ESPÍRITO

A questão é polêmica e misteriosa. Por muito que se argumente, é difícil chegar a uma conclusão do momento exato em que o ser vivo passa a ter alma e espírito. Antes de mais, é importante não confundir alma com espírito. Aquela é a vida, capacidade de reação e entendimento. O espírito é a consciência, o elo de ligação com o mundo espiritual? É deste que se põe o problema, pois se tem espírito, se for morto no aborto, terá um destino eterno (certamente o céu).

A este propósito, pode dizer-se que a criança já no ventre da mãe tem vida, «dá pontapés» e reage. Será essa uma evidência de alma ou de espírito? 

Independentemente de tal fato, importa atender para o que a Bíblia diz: «Antes que te formasses no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei» (Jer.1:5). 

«Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe» [ora, para ser em iniquidade, tinha que ter espirito; se assim é, mesmo morrendo por aborto, só pela obra de Jesus pode ir para o céu !...] (Salmo 51:5). 

«O Senhor me chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome;... O Senhor me formou desde o ventre para seu servo...» (Isaías 49:1,5). 

Lemos ainda no Salmo 139: "Pois Tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Os Teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no Teu livro foram escritos todos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles".


4.5. OPÇÃO ENTRE MÃE E FILHO

Há situações extremas na vida de escolha entre duas coisas igualmente importantes. Qual deve ser a reação de um crente se o médico disser que, havendo parto, uma vida cederá? Ou a da mãe, ou a da criança. Por qual optar? 

Há duas vidas em jogo: a vida tem igual valor. Perante uma situação destas, muitos não hesitariam em optar pela vida da mãe em vez da criança. 

É uma opção lógica, lícita e mais racional. Na vida de um cristão, se isso suceder, creio sinceramente que é seguramente uma provação da sua fé em Deus. Mas, de qualquer forma, qualquer que seja a decisão, ela deve ser obtida em comum pelo casal, e pela mesma serão responsáveis perante Deus, porque pertencente ao foro individual de cada um.

Não nos é lícito indicar qual a «melhor» escolha, porque ela na prática é difícil e envolve uma situação psicológica terrível. Muitos têm enfrentado esta situação, e entregue tudo nas mãos de Deus, e sucede que nem a mãe, nem o filho morrem, se assim for a Vontade de Deus. Contudo, como já referido, essa é uma questão do foro individual e com a consequente responsabilidade perante Deus, não nos sendo lícito dogmatizar nem reprovar qualquer escolha.


4.6. Planejamento FAMILIAR

Suponhamos que há um casal, de poucos rendimentos econômicos, com 7 filhos e a mulher se encontra grávida. Deverá aceitar-se o aborto nesse caso? A resposta já foi dada. É contrário à Palavra de Deus em qualquer caso. Já problema diferente é se deve haver planejamento familiar. Antigamente, os casais tinham muitos filhos, os quais tinham uma função de auxílio (agricultura, por exemplo). 

Não encontramos na Palavra de Deus nenhuma passagem que condena o planejamento familiar. Alguns tentam usar a passagem de Gênesis 38:7-10, porém sendo certo que Onã fez planejamento familiar, tinha por motivo o seu pensamento que se gerasse, o filho seria imputado ao seu irmão já falecido. Mas Onã morreu, não porque fez «planejamento», mas porque desobedeceu a uma ordem de Deus.

Naturalmente que o planejamento familiar não contraria o mandamento do Senhor - aliás, tudo deve ser planejado com o Senhor, quer na oração, quer na informação sexual, no conhecimento do corpo humano dado pelo Senhor. Se Deus fosse contra o planejamento familiar, não teria dado à mulher períodos férteis em que pode conceber e outros em que tal é impossível.


4.7. QUESTÕES SUBSIDIÁRIAS

4.7.1. Surgindo uma jovem solteira grávida, qual deve ser a posição da Igreja?

É um fato que 70% das mulheres que recorrem ao aborto não são casadas. Na situação em que uma jovem solteira se encontre grávida, evidentemente que não se deve aconselhar o aborto, antes o mal deve ser remediado na medida do possível. 

Em primeiro lugar, a jovem deve arrepender-se do pecado cometido e, se possível, casar-se para evitar outros problemas. A Igreja neste ponto tem um papel importante no aconselhamento com a Palavra de Deus e com informações das mulheres casadas experientes e ainda no conforto e acompanhamento.


4.7.2. Relações sexuais antes do casamento

São biblicamente ilícitas. Mesmo quando o casamento já está marcado e os jovens se encontram noivos. Lemos que quando Isaque encontrou Rebeca, não a levou para a sua tenda, antes levou-a para a tenda de sua mãe. Só quando se casaram é que Isaque a levou para a sua tenda (Gênesis 24:67). 

Relativamente à data do casamento, devemos obedecer às autoridades, pelo que 2 jovens encontram-se casados perante DEUS, não quando considerem ou quando haja cerimônia religiosa, mas quando se encontram casados oficialmente, perante as autoridades. Se, contudo houver uma cerimônia religiosa, devem esperar até à mesma onde ali são apresentados perante DEUS.


5. PARA QUEM JÁ ABORTOU
No Salmo 32, Davi expressou a miséria e profunda tristeza que sentiu enquanto tentava esconder o seu pecado em vez de o confessar. Depois ele disse: "Confessei-Te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Confessarei ao Senhor as minhas transgressões e Tu perdoaste a maldade do meu coração». Reconhecendo que era o único meio de escape, Davi confessou o seu pecado ao Senhor. 

Foi uma confissão de confiança, dado que Davi sabia que havia perdão em Deus (Salmo 130:4!

O apóstolo João escreveu para crentes que disse: "o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado... se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça» (I João 1:7,9). 

Notemos que Ele não disse que «nos perdoava à excepção do pecado, da imoralidade e do aborto», mas de todo o pecado.

Deus não nos trata segundo os nossos pecados, antes tira completamente da Sua Mente os nossos pecados confessados (Salmo 103:10-12). Porém, Deus perdoa apenas a quem esteja arrependido e confesse o seu pecado. O perdão de Deus não é, todavia, justificação para, sabendo que é pecado, abortar para depois pedir perdão.

Quando o filho de Davi, o resultado da sua relação imoral com Batseba morreu, Davi não receou que o filho estivesse à espera para o acusar. Antes, pelo contrário, o filho tornou-se um símbolo de esperança de que um dia os dois, pai e filho, seriam unidos nos céus na presença de Deus. 

Davi declarou em 2 Samuel 12:23 - "Eu irei a ele". Deus perdoa, sim, e com o perdão de Deus, "temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5:1).

6. Casamento e Divórcio

Antes de considerar esta pergunta diretamente, vamos examinar o conceito do casamento, de uma perspectiva bíblica. Afinal de contas, a instituição do casamento originou-se com Deus.Livrarias, especialmente as evangélicas, estão cheias de livros sobre o casamento e assuntos vinculados a isso. Eles se concentram nos métodos empregados na escolha de um cônjuge idôneo, na solução dos problemas matrimoniais, e em como ter um casamento durável e feliz. 

Há também conselheiros matrimoniais descrentes que fornecem suas opiniões e soluções alternativas, que eles consideram que satisfarão os desejos e caprichos de muitos na nossa sociedade moderna. O conceito bíblico sobre o casamento está sendo comprometido, atacado e condenado por muitos hoje em dia, e por esta razão é importante considerar a origem da instituição do casamento.

O livro de Gênesis, o livro dos "princípios", nos dá informações vitais sobre a origem de todas as coisas e, portanto, sobre o significado de todas as coisas, informações essas que, de outro modo, seriam completamente desconhecidas. O estado universal e estável do casamento e do lar, numa cultura social monogâmica patriarcal, é descrito em Gênesis como sendo ordenado por Deus. 

É exatamente isto que o Senhor Jesus afirmou quando lhe fizeram a pergunta sobre divórcio e novo casamento:"... mas no princípio não foi assim" (Mt 19:8).Outra pergunta relacionada com o título deste capítulo é: Deus reconhece a união matrimonial entre duas pessoas descrentes? À luz das Escrituras, a resposta é sim. Em I Coríntios, Paulo lembrou os crentes em Corinto da sua vida pecaminosa antes da conversão, e incluído na lista dos pecados que ele mencionou está o adúltero."

Nem os devassos [fornicadores], nem os idólatras, nem os adúlteros ... herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido, mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus" (I Co 6:9- 11).

O adultério é a violação deliberada do contrato matrimonial por qualquer um dos cônjuges, através de uma relação sexual com uma terceira pessoa. E esta palavra "adultério" (moicheia) que encontramos em relação a homens, em Mt 5:32, e em relação a mulheres em Mc 10:12.

Em Mt 14:1-12 vemos uma ilustração disso na ação cruel e covarde de Herodes Antipas. Depois de casar-se com uma filha de Aretas, rei da Arábia, ele fez propostas imorais a Herodias, que era esposa do seu irmão Filipe. 

Ela o aceitou, e começaram a viver juntos, em pecado. João Batista corajosamente reprovou este relacionamento ilícito, e repreendeu Herodes por ter tomado Herodias, "mulher de seu irmão Filipe", e por causa disto, ele sofreu uma morte violenta. 

É muito importante observar como João se refere claramente a Herodias como sendo ainda a mulher do seu irmão, provando que Deus reconhece o casamento entre descrentes e também condena qualquer violação do casamento. A condenação pública deste relacionamento adúltero é feita na afirmação: "Não te é lícito possuí-la" (Mt 14:4).

Consideremos agora alguns aspectos do casamento, baseados especificamente no livro de Gênesis.


1. O matrimônio e sua instituição
"E disse o Senhor: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora ... Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu ... formou uma mulher e trouxe-a a Adão" (Gn 2:18, 21-22). "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea" (Mc 10:6).
Note a ênfase na identificação de masculinidade e feminilidade. No sexto dia da criação, Deus formou o homem "do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente" (Gn 2:7). 

O barro sem vida se tornou vivo pelo sopro de um Deus Criador.Entretanto, o Seu plano não estava completo ainda, e lemos: "Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele" (Gn 2:18). Isso mostra claramente que a instituição do casamento, por Deus, foi pela união de um homem e uma mulher, os dois (e somente dois) se tornando um.


2. O matrimônio e sua união
"E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada Mulher (Issah, no hebraico), porquanto do Homem (Issah, no hebraico) foi tomada. Portanto, deixará o homem, o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gên 2:23-24). "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mc 10:9). "Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne" (Ef 5:31).
Estas passagens clássicas estabelecem o conceito bíblico e a natureza do casamento. Este é o plano de Deus para o estado matrimonial. 

Quando Adão acordou do seu profundo sono, ele abriu seus olhos e viu o rosto da mulher que Deus havia providenciado especialmente para ele. Deus poderia ter suprido uma infinidade de mulheres para Adão, mas foi o intento de Deus fazer desta forma.As primeiras palavras de Adão, faladas talvez com surpresa, gratidão e êxtase, foram estas: "Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne, esta será chamada Mulher, porquanto do Homem foi tomada". 

Literalmente, ele disse: "Esta finalmente osso - meu osso! Carne - minha carne! Esta será chamada mulher porque do homem foi tornada" (Gn 2:23). 

Quando perguntaram ao Senhor Jesus, tentando-o: "E lícito ao homem repudiar a sua mulher?" (Mc 10:2), Ele respondeu fazendo-os lembrar do que aconteceu no princípio da criação, destacando três afirmações impressionantes: "Deixará pai e mãe ..."Isto não significa abandonar os pais, pois as Escrituras claramente afirmam: "Honra a teu pai e a tua mãe ... " (Mt 15:4). 

Entretanto, significa mais do que sair de casa. Para os pais, significa abrir mão da sua autoridade sobre seus filhos. Para os filhos, significa aceitar plenamente esta liberdade. Assim, a noiva, pelo consentimento de ambos os lados, deixa uma liderança para aceitar outra. A mulher está sempre sob autoridade. Este é o plano divino. O

 momento quando a noiva é dada em casamento, pelos seus pais, é sempre um momento emocional importante na cerimônia de casamento.


"Apegar-se-á à sua mulher"
Isso inclui um relacionamento que é exclusivo, especial e recíproco. A expressão significa "ser colados um ao outro" em casamento. É visto como um relacionamento permanente, até a morte. Infelizmente, hoje, este aspecto do casamento está sendo desprezado e abandonado por muitos.


"Serão uma só carne"
Isto aconteceu no jardim do Éden quando Deus trouxe a mulher ao homem, e disse: "Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra ... " (Gn 2:28). 

Não há dúvida que Adão e Eva eram "uma só carne" antes da sua união física. É importante notar que Adão chamou Eva de sua mulher quatro vezes antes de lermos que ele a conheceu.Deus estabeleceu esta ordem para toda a humanidade, assim assegurando a dignidade do casal e a segurança das crianças nascidas deste casamento.As referências nas Escrituras a "uma só carne" são muito significativas, e dão um ensino precioso sobre a indissolubilidade do casamento. 

Encontramos estas referências em Gn 2:24; Mt 19:5-6; I Co 6:16-17 e Ef 5:31-32."... e serão dois numa carne" (Ef 5:31).

Assim como marido e mulher, no sentido físico, formam os elementos de uma pessoa completa, um sendo o complemento do outro, assim também a Igreja, na esfera espiritual, é o complemento de Cristo.A Igreja, que é o Seu corpo, compartilha uma união de vida e energia com Ele.Os salvos gozam de unidade orgânica, vital e indissolúvel com Cristo, o Cabeça. 

A Igreja é descrita como sendo "a plenitude daquele que cumpre tudo em todos" (Ef 1:23). Ela é o complemento dEle. Sem a Igreja, que é o Seu corpo, o Senhor Jesus estaria eternamente sem uma noiva. Esta Escritura estabelece, não somente, a intimidade da união espiritual, mas também a sua indissolubilidade.

As três expressões em I Coríntios 6 ("um corpo", "uma só carne" e "um mesmo espírito") têm diferenças que devemos observar:


i) "Um corpo" é uma união física" (v.16);


ii) "Uma só carne" é uma união matrimonial" (v.16);


iii) "Um mesmo espírito" é uma união espiritual" (v. 17).



i) "... o que se Junta com a meretriz, faz-se um corpo" (I Co 6:16). 

 Isto fala de uma união proibida e impura. A ausência de amor puro e lealdade são evidentes. É impossível encontrar uma união instigada e promovida por afeição genuína neste relacionamento ilícito e degradante. Nada mais é do que uma união física, fornecendo gratificação torpe entre um macho e uma fêmea.


ii) "Porque serão, disse [Deus], dois numa só carne" (I Co 6:16). 

Isso apresenta um aspecto completamente diferente sobre a união de duas pessoas. A palavra "carne" realmente significa "pessoa", embora cada parte retenha a sua identidade individual, e responsabilidades diferentes no relacionamento. 

As duas pessoas até começam a pensar, agir e sentir como uma só pessoa. Ef 5:28-31 indica que o relacionamento é tão íntimo que o que o marido faz (seja de bom ou de mal) para sua esposa, ele faz também para si mesmo, visto que os dois são uma só carne. A união sexual não é a mesma coisa que a união matrimonial. 

O casamento é uma união que indica uma união sexual, como uma obrigação e prazer importantes (I Co 7:3-5), mas o casamento tem de ser visto como algo diferente de, e maior do que, mas que inclui, a união sexual. 

Entretanto, as duas coisas não são sinônimas. A afirmação original feita por Deus na criação deixa este fato bem claro. Quando Deus trouxe Eva a Adão Ele disse: "Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2:24). Obviamente, Deus tinha em mente as gerações futuras, pois Adão e Eva não tiveram pais.


iii) "Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito" (I Co 6:17). 

Isto se refere, sem dúvida, à união incomparável entre o Senhor Jesus e a Igreja, que é o Seu Corpo. Esta união é, necessariamente, mais profunda e mais íntima do que qualquer união física ou matrimonial.


No livro de Rute lemos dos dois casamentos dela. Seu primeiro casamento aconteceu na terra idólatra de Moabe, onde ela se tornou a esposa de Malom, filho de Elimeleque e Noemi. Este casamento terminou com a morte de Malom. 

Mais tarde, e pouco tempo antes do seu casamento com Rute, Boaz diz: "também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom" (Rt 4:10). 

Deus reconheceu ambos os casamentos de Rute.Embora não lemos de qualquer cerimônia de casamento, é evidente que muitas pessoas testemunharam a união em matrimônio santo entre Boaz e Rute. A formação deste novo relacionamento de marido e mulher foi confirmada e testemunhada pelos anciãos e pelo povo. É evidente que Boaz satisfez todas as exigências legais e, visto que Malom estava morto, Boaz estava livre para agir desta maneira, em amor puro e abnegado para com Rute.
Em Rt 4:13 vemos três aspectos importantes referentes ao casamento:
"Assim tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher."
Tendo tomado-a, Deus os ajuntou, e isto é exclusivo à união matrimonial. Quão apropriadas as palavras do Senhor Jesus,em Mateus: "Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne. Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem"(Mt 19:5-6).
"E ele a possuiu...,"
Esta é uma referência clara à união física, que é permitida somente dentro do relacionamento matrimonial. É importante observar, porém, que este ato nunca deve ser considerado como o início da união matrimonial, senão, qualquer ato de fornicação constituirá um laço matrimonial e, portanto, cada novo ato de fornicação com o mesmo parceiro se tornará lícito. 

Quando estes dois atos distintos, de tomá-la como esposa e depois possuí-la, são vistos numa perspectiva correta, torna-se claro que a união física não faz, nem desfaz, o laço matrimonial. I Co 6:18 e 7:10-11 não indicam que a fornicação desfaz o laço matrimonial. Estes versículos não fornecem uma base para o argumento que a "cláusula de exceção" permite o divórcio."

E O Senhor lhe fez conceber, e deu à luz um Alho," Aqui Deus é visto como o Doador da vida humana. Além disto, como vemos: neste caso específico, a Sua bênção foi evidenciada no nascimento de um filho. Foi a intenção de Deus que a instituição do casamento produzisse filhos, e para cada casal judaico temente ao Senhor, sempre havia a alegre expectativa do Messias prometido.

Desta bela união matrimonial, o Messias prometido finalmente viria: "E Boaz gerou a Obede, e Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi" (Rt 4:21-22). Desta linhagem, mais de um milênio depois, veio o Messias-Salvador.Uma coisa preciosa é dita sobre Boaz e Rute, em relação à sua conduta antes de se ajuntarem em união matrimonial e física: " ... e levantou-se antes que pudesse um conhecer o outro" (Rt 3:14). Nada indecente aconteceu, provando a maturidade do caráter dos dois. Eles tiveram domínio próprio sobre o que poderia ter-se tornado uma situação muito perigosa. 

Portanto, estavam em condições ideais para se casarem, com todo o potencial para desenvolverem um relacionamento durável e feliz. Vivemos num tempo quando muitas pessoas estão propagando ideias diferentes sobre o casamento. 

Alguns dizem que o casamento convencional é restritivo, que as crenças tradicionais sobre o casamento são antiquadas, e que somente ao escapar da armadilha do casamento é que uma pessoa pode estar livre para se desenvolver como indivíduo. Nós insistimos que o casamento foi instituído por Deus, com a intenção de que fosse permanente e desfeito somente pela morte.


3. O matrimônio e sua violação
"E tomou Lameque para si duas mulheres ..." (Gn 4:19).
Lameque, um descendente de Caim, e a sétima geração depois de Adão, foi o homem que levou os seus descendentes a se rebelarem abertamente contra Deus. Ele começou por desafiar o princípio estabelecido por Deus sobre a monogamia, em Gênesis 2. Lameque mudou a instituição e composição de Deus para o casamento, porque ele teve duas mulheres ao mesmo tempo. Isto insultou o plano de Deus para a vida matrimonial.Sua ação foi uma negação nítida da instituição de Deus do casamento, e uma violação deliberada da constituição criatorial de um homem e uma mulher. 

À luz da sua rejeição do plano de Deus, e da tendência atual na nossa sociedade, seria conveniente sublinhar a forte menção achada em Hebreus: "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará" (Hb 13:4).
O matrimônio é uma instituição e um relacionamento santo, feliz e honroso.
Foi estabelecido por Deus no Jardim do Éden, santificado pela presença do Senhor Jesus no casamento em Cana da Galileia e pronunciado como venerado pelo Espírito Santo (Hb 13:4). Este versículo revela que devemos guardá-lo de qualquer mancha de impureza e lascívia. 

O casamento não é certidão de respeitabilidade para aqueles que são casados, mas uma obrigação de se usar o relacionamento de maneira que honre a Deus, pois Deus julgará qualquer violação da sua santidade, quer seja por negligência ou pelo uso incorreto. 

O casamento exige lealdade e sinceridade, e também amor e afeição, e não deve ser contraído de maneira frívola e irresponsável.


Todos serão responsáveis perante Deus.
Talvez seria apropriado registrar aqui "A cerimônia do Casamento" de acordo com a lei australiana'. ( Extraído de um documento oficial publicado pelo governo da Austrália. país de residência do autor. Handbook (or Marriage Celebrants, Canberra, Australian Government Publising Services. 1979. p26.)
"Quando um casamento for realizado por, ou na presença de, uma pessoa autorizada para realizar casamentos, a pessoa autorizada dirá aos cônjuges, na presença de testemunhas, as seguintes palavras: "Eu estou devidamente autorizado pela lei para realizar um casamento de acordo com a lei. 

Antes de vocês serem unidos em casamento, na minha presença e na presença destas testemunhas, eu tenho de lembrá-los da natureza solene e permanente do relacionamento em que vocês estão para entrar. 

O casamento, de acordo com a lei da Austrália, é a união de um homem e de uma mulher, com a exclusão de todos os outros, assumida voluntariamente e para toda a vida".Esta declaração reflete, com clareza, a natureza e o caráter criacionista do casamento, como estabelecido em Gn 2:18-25, e como afirmado pelo Senhor Jesus em Mc 10:6.


4. O matrimônio e seu procedimento
''Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 19:6).

"Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem" (Mc 10:9).

"... sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança" (Ml 2: 14).
O plano de uma união permanente é outra dimensão do casamento na Bíblia.A intenção divina é que o casamento seja para a vida toda. Em Mateus, o Senhor Jesus afirma isto claramente: "... o que Deus ajuntou, não o separe o homem" (Mt 19:6).

Às vezes a Palavra de Deus ilustra esta união usando a figura de uma "aliança".Malaquias visualiza Deus como uma "testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança" (Ml 2:14).

Citamos agora o que E. H. Merill escreveu, ao tratar deste versículo no seu comentário sobre Malaquias: "A impressão que temos aqui é que muitos judeus tinham se divorciado de suas mulheres para se casarem com mulheres pagãs. Isso, diz Malaquias, é agir com 'deslealdade' (v. 14). 

O mesmo verbo 'desleal' (bagad no hebraico) já foi usado várias vezes pelo profeta, e uma análise cuidadosa do seu uso esclarece a questão toda aqui. No v. 10, onde a palavra é traduzida 'agimos aleivosamente' ('desleais', ARA), ela é usada no sentido de quebrar a aliança, neste caso, as estipulações da aliança Mosaica, que proibia casamentos com as nações pagãs. 

O v. 11 confirma esta ligação por associar a deslealdade com a profanação do santuário (da aliança), o qual Deus ama. Portanto, a 'deslealdade' mencionada no v. 14 deve também estar ligada à violação de uma aliança, e de fato está, como o v. 16 prova, além de qualquer dúvida. Mas aqui não é mais a deslealdade à aliança recebida por Moisés, mas, deslealdade à aliança feita pelo casamento, que uniu marido e mulher.Tal aliança, embora não seja especificamente estipulada no VT, é um acordo legal de união entre um casal, tendo Deus como Testemunha. 

Para o judeu abandonar sua mulher e casar-se com outra, especialmente uma estrangeira, não era apenas moralmente repugnante, mas legalmente proibido. 'A mulher da tua mocidade', continua o profeta, não é alguém que pode ser levianamente deixada, mas é, de fato, uma 'companheira', uma 'consorte' (habereth no hebraico), ligada inextricavelmente ao seu marido pela garantia de uma aliança."

A intenção divina sobre a permanência do matrimônio é também afirmada pelo Senhor Jesus no Evangelho de Lucas: "Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adúltera e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera também"(Lc 16:18). 

Neste versículo Ele resume a intenção criacionista em relação à união matrimonial. Em Mc 10:6-9. Ele novamente enfatiza a natureza e caráter criacionista do casamento como estabelecido em Gn 1:27; 2:24, ao dizer: "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne ... Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem".

Alguns comentaristas desconsideram completamente Lc 16:18, outros têm dificuldades em reconhecer o seu significado contextual, e ainda outros o aplicam somente à experiência dos salvos. 

Contudo, Lucas especificamente relata que o Senhor falava aos Seus discípulos (Lc 16:1) e também aos fariseus (Lc 16:14-15), mostrando claramente que tanto os discípulos (salvos)como os fariseus (descrentes) estão incluídos neste discurso.Surgem, deste discurso, certas questões morais e espirituais que têm uma relação positiva com a afirmação do Senhor Jesus no v. 18, onde Ele diz que o divórcio conduz ao adultério. Incluídas neste capítulo estão as questões morais e éticas de mordomia, responsabilidade, compromisso, lealdade, auto justificação, cobiça, a necessidade de integridade em relação à lei, e a autoridade suprema das palavras do Senhor Jesus Cristo. Tais fatores estabelecem a ligação entre os três temas principais abordados por Ele neste capítulo.
i) Responsabilidade quanto à mordomia (vs, 1-17);
ii) Responsabilidade quanto ao casamento (v. 18);
iii) Responsabilidade quanto às possessões materiais (vs, 19-31).


Lc 16:16-18 enfatiza a grande importância de autoridade e de valores. Os fariseus deliberadamente deixaram de lado a lei para seguirem sua conduta, e zombavam do ensino de Cristo. A Sua declaração autoritária, proibindo o divórcio que conduz ao adultério, é uma indicação clara desta autoridade. 

Ele também mostra que a justiça rejeita os atos imorais e não éticos nos relacionamentos matrimonias.Sua referência ao reino enfatiza o valor do compromisso com Deus e com os outros.

Ele revela o padrão da ética, dizendo, com efeito, que se alguém faz um voto de se casar e ser fiel ao cônjuge perante Deus, e depois desfaz este voto ao entrar em outro relacionamento matrimonial, ele comete adultério porque o voto original não foi cumprido.O divórcio é a violação de uma aliança tripla entre Deus, o marido e a mulher.

Enquanto a essência da justiça é integridade, a essência do pecado, neste caso, é a violação da promessa feita a Deus e a outros.Resumindo, as Sagradas Escrituras enfatizam que o casamento é um estado permanente para todos os que têm contraído matrimônio. Devemos lembrar que a união do casamento é formal, pública, legal', sagrada e um contrato permanente.


5. O matrimônio e sua intenção
"E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele" (Gn 2:18).

"Salvar-se-à, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação" (I Tm 2:15).

"Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido" (I Co 7:2).


Este assunto pode ser tratado de três maneiras:
i) O matrimônio é para companheirismo 

"...far-lhe-ei uma ajudadora idônea" (Gn 2:18).

Esta frase significa que ela está em harmonia com ele, ou se aproxima dele. O casamento é uma parceria. Deve haver união de propósito, atitude e compromisso. Para muitos, o casamento resolve o problema da solidão. Companheirismo deve ser a essência do casamento. 

A vida, sem o casamento, seria difícil e enfadonha para muitas pessoas. Por esta razão, consideração e não comentários insensíveis e imprudentes devem ser oferecidos aos solteiros. As viúvas idosas (como Ana em Lucas 2) e os viúvos que se abstém de casar de novo devem receber a nossa admiração. Não que seja errado para viúvos ou viúvas casarem novamente, pois Paulo encoraja as viúvas mais novas a se recasarem, assim evitando a possibilidade do adversário de maldizer (I Tm 5:14).


ii) O matrimônio é para a reprodução 

"...macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra" (Gn 1:27-28). 

"Salvar-se-à, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação" (I Tm 2:15).Macho e fêmea os criou; não macho e macho, ou fêmea e fêmea. Os estilos alternativos que estão sendo propagados hoje, junto com o aumento nos divórcios e novos casamentos, só podem resultar numa sociedade instável e degenerada. A procriação de filhos é o resultado normal do casamento, e Deus planejou que os filhos fossem nascidos e criados num ambiente estável e carinhoso, onde cuidado e disciplina pudessem ser aplicados. Nos casamentos desfeitos são as crianças que mais sofrem, e este fato deve receber a devida consideração.


iii) O matrimônio é para preservação 

"Por causa da prostituição [imoralidade] cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido" (I Co 7:2).

Este ensino serve para salvos e descrentes. O propósito de Deus, desde a criação, continua o mesmo. 

A obra de Cristo no Calvário tratou do pecado resultante da queda e suas consequências, mas não mudou as leis morais de Deus em relação ao casamento e aos relacionamentos matrimoniais. Este versículo está ensinando sobre o casamento monógamo - um homem e uma mulher, suprindo a proteção contra a imoralidade sexual. 

Uma união matrimonial saudável não somente é uma grande ajuda, mas é uma necessidade absoluta. 

Esta injunção mostra que a satisfação das necessidades sexuais dentro do casamento é correta, que somente a monogamia deve ser praticada, que a fidelidade sexual é obrigatória para cada cônjuge e que o celibato não é o normal para a maioria das pessoas.
Citamos agora A. W Pink, no seu comentário sobre Hebreus: "A instituição divina do matrimônio ensina que o estado ideal, tanto do homem como da mulher, não é em separação, mas em união, que cada um é feito para o outro, e que o ideal de Deus é que haja esta união, baseada em amor e lealdade, durante toda a vida, isento de qualquer concorrência ou outras associações".

Um Criador sábio e amável instituiu o matrimônio para o bem estar da humanidade.

Na Bíblia, o casamento é visto como o laço primordial da sociedade, o alicerce da vida social. O matrimônio é o vínculo entre duas pessoas, um macho e uma fêmea. O desígnio sábio do Criador para um relacionamento matrimonial é heterossexual e monógamo, não polígamo. A injunção reprodutiva obviamente exclui "casamentos" homossexuais. 

A exclusividade perfeita de Deus de "uma só carne" proíbe qualquer outro relacionamento como homossexualidade, poligamia, fornicação, adultério, concubinato, incesto, bestialidade e prostituição cultual. Estas, e outras perversões sexuais, são violações da união íntima do relacionamento matrimonial, e eram frequentemente punidas com morte (Lv 20:1-19; Dt 22:13-27).

Em vista de tudo o que foi exposto neste capítulo, é bom lembrar que Deus ajuntou o homem e a mulher quando estavam num estado de inocência. Portanto, o matrimônio é a intenção divina original para o homem e a mulher, e não a Sua solução por causa da entrada do pecado. 

O matrimônio é parte da criação e é o ideal exclusivo de Deus para o bem estar da humanidade.


(O ensino do Senhor sobre o divórcio - Por William M. Banks)


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Agora analisaremos algumas passagens bíblicas que faz referência ao divórcio:

Mateus 19:1-15

O contexto (vs. 1-2)

O contexto de Mateus 19 é interessante e instrutivo. "Concluindo Jesus estes discursos" (v. 1). (Veja 13:53 e 26:1, onde a mesma expressão é usada, e também 7:28, e 11:1, onde uma expressão parecida é usada.) 

O assunto do cap. 18 é duplo: humildade (vs, 1-19) e perdão (vs.21-35). 

Estas qualidades são fundamentais para se ter um casamento bem sucedido, que é o assunto dos versículos no começo do cap.19.

Além disso, a localização geográfica é significante. Ele "saiu da Galileia e dirigiu-se aos confins da Judeia, além do Jordão". 

Este era o território de Herodes, onde o assunto de um casamento impróprio já tinha sido tratado por João Batista. João falou corajosamente a Herodes: "Não te é lícito possuir a mulher do teu irmão" (Mc 6:18).

Apesar de Herodes ter "casado com ela" (Mc 6:17), ela ainda era "a mulher de teu irmão". 

O segundo casamento não tinha desfeito o primeiro vínculo matrimonial.O corajoso João sofreu a morte por ter falado fielmente sobre a indissolubilidade da união matrimonial e denunciado o infrator, Herodes. 

Portanto, a região da Judeia, além do Jordão, era um território hostil para se falar sobre divórcio. Os pensamentos de muitos, hoje em dia, também são desfavoráveis a este assunto.

As opiniões prevalecentes na Judeia, e em Israel em geral, eram muito divergentes.

Os seguidores de Hillel permitiam o divórcio por razões triviais, enquanto que os seguidores de Shamai somente permitiam o divórcio em casos de adultério.Assim, quando os fariseus perguntaram ao Senhor sobre o divórcio, pensavam que qualquer resposta Lhe traria problemas.Um ministério de cura (v.2) era necessário em tais circunstâncias de confusão e desânimo matrimonial. 

Quão mais necessário é nos nossos dias!Foi neste contexto que surgiu a sessão de perguntas e respostas entre o Senhor e os fariseus. Não havia nenhum interesse real da parte deles - eles estavam simplesmente "tentando-o"! 

Infelizmente, muitos que fazem perguntas sobre este importante assunto, hoje em dia, não o fazem por ter um desejo sincero de aprender a verdade, mas meramente para apresentar assuntos para uma discussão inútil, semelhante às "fábulas e genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé" (I Tm 1:4).


A primeira pergunta e sua resposta (vs. 3-6)

A primeira pergunta é muito geral: "É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?" 

Não importa qual a resposta dada, com certeza haveria oposição - pensavam que a armadilha colocada por eles era perfeita!Contudo, a resposta revelou seu problema fundamental: "Não tendes lido?" (v. 4). Uma leitura cuidadosa das Escrituras teria eliminado a necessidade da pergunta.

Quantas vezes este é o caso hoje em dia! Mas, a qual Escritura o Senhor se referiu?Ele não os levou aos livros proféticos (que teriam servido para dar ajuda prática ou experimental) nem aos livros históricos (que teriam revelado exemplos sobre o que tinha acontecido com a nação, no passado). 

Não, Ele os levou ao Livro dos princípios (Gênesis), à doutrina fundamental sobre o matrimônio; de fato os levou à primeira cerimônia de casamento e ao primeiro sermão sobre casamento, dado, não por homem algum, mas pelo próprio Criador."

Aquele que os fez no princípio ... disse" (vs. 4-5). O Criador os fez e lhes deu ordens sobre as condições do casamento.Deus está falando: "Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne" (v.5). O princípio é claro - uma unidade indivisível está sendo estabelecida - dois estão se tornando um só.

Citamos aqui J. D. Pentecost:"Os fariseus consideravam o casamento como uma instituição social governada pelas leis de homens. Mas Cristo considerou o matrimônio como uma instituição divina governada pelas leis de Deus".

Observe a ordem "deixar ... unir ... ser ... ". O matrimônio inclui uma nova esfera de vida resultando do "deixar"; uma nova associação exemplificada pelo "unir" (permanentemente unidos como cola); e um novo relacionamento ao ser "uma só carne."
Repare que "serão dois numa só carne" é parte da citação do Criador "no princípio".Esta citação é de Gn 2:24. 

A ideia de que mais do que dois podiam ser "uma só carne" não é contemplada. O Senhor conclui: ''Assim, não são mais dois, mas uma só carne" (v. 6).Vemos claramente que este era o caso de Adão e Eva em Gênesis 2, antes de qualquer consumação física da união. Tais relações conjugais não começaram até Gn 4:1. Portanto, o relacionamento "uma só carne" está em vigor desde o momento do término da cerimônia matrimonial, que hoje é a declaração de que são marido e mulher. 

Não é a união física que a estabelece, aliás, a união física só é permitida porque o casal já é uma só carne, que é uma união emocional e indissolúvel. Esta ideia é confirmada pelo Senhor, na Sua conclusão e no Seu resumo desta resposta à primeira pergunta: "Portanto, o que Deus "Juntou não o separe o homem".

É incrível os esforços mentais e linguísticos que alguns fazem para tentar fazer esta frase simples significar algo diferente. A verdade é clara - Deus une, o homem separa. Contudo, esta atitude é completamente contrária à vontade de Deus e, com certeza, receberá um juízo severo.


A segunda pergunta e sua resposta (vs. 7-9)

Sendo silenciados pela referência do Senhor à ordem primitiva e divina na criação, que é claramente uma ordem permanente, os fariseus então resolveram fazer mais perguntas. Desta vez eles também mencionam as Escrituras, e agem de uma maneira que muitos fazem hoje - questionando: "Por quê?" Agora fazem um apelo à "experiência". Havia um caso prático. Não foi assim que aconteceu no passado?Agora pensavam que o Senhor não teria nenhuma saída."

Por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?" Eles conheciam bem Deuteronômio 24 - este texto era mais agradável para eles do que Gn 2:24! Não estava aqui uma saída? Não estava o divórcio incluído na lei de Moisés?

É interessante ver que eles não citaram a profecia de Malaquias: "O Senhor, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio" (Ml 2:16). Eles perguntaram: "É lícito ao homem repudiar sua mulher?" - Deus o odeia! Mas este texto era muito doloroso para eles, e pensavam que Deuteronômio 24 lhes daria a saída procurada.

A resposta do Senhor foi devastadora ao pensamento deles. Devemos notar alguns aspectos desta resposta:
i) Era uma "permissão",não um "mandamento".Moisés vos "permitiu" repudiar vossas mulheres! Não há nenhuma desculpa para o uso dos fariseus da palavra "mandou". Deuteronômio 24 nunca é visto como um mandamento para divorciar-se (nem mesmo em Marcos 10); foi somente uma permissão, e com uma razão. A razão é dada pelo próprio Senhor, e mais conclusões podem ser deduzidas de Deuteronômio 24.


ii) Foi por causa "da dureza dos vossos corações"! A razão fundamental pela permissão dada foi a "dureza ... de coração". O homem que divorciou a sua mulher em Deuteronômio 24 era um homem" duro". Ele não tinha compaixão pela condição emocional da sua esposa. Seu único pensamento era gratificação egoísta. Certamente o Senhor está dizendo que isto não serve como argumento em favor do divórcio. 

O divórcio em Deuteronômio 24 é uma indicação de um espírito inflexível, com pouco respeito para com os sentimentos dos outros (e por isso era algo que Deus odiava). Mas, por que, então, Moisés o permitiu? A razão é clara. Foi para proteger a dignidade da mulher. 

O divórcio foi permitido para que a mulher fosse salva de uma situação de abuso arrogante de um homem de coração duro. Em Deuteronômio 24 o casamento não fora consumado, senão o divórcio não teria sido possível (veja Dt 22:29) e, nessas circunstâncias, a mulher era inocente (e continuava virgem) depois do primeiro processo de divórcio (veja também o Capítulo 1 deste livro).

iii) Era contrário à intenção divina para o casamento. O uso da palavra "mas" é importante. Moisés permitiu, por causa da "dureza dos '" corações"; mas, em contraste com isso, o Senhor diz que "no princípio não foi assim" (v. 8). 

Este é o ideal divino. Doutrina nunca é baseada numa "permissão", mas nos padrões imutáveis que Deus decretou desde o princípio. Nunca foi a intenção de Deus que o divórcio fosse contemplado. Ele achou necessário regular o que nunca aprovou. Isso é visto claramente na próxima frase.


iv) Agora foi suplantada pela palavra autoritária de Cristo. "Eu vos digo".A Sua Palavra é final. Deuteronômio 24 não é mais a base do mandato doutrinal, e, portanto, do mandato devoto para relacionamentos matrimoniais nesta dispensação presente (embora permaneça com autoridade no seu contexto). Eis aqui a afirmação final, autoritária, imutável e invariável do Filho de Deus: "Qualquer que repudiar sua mulher ... e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério". Esta afirmação é simples, absoluta e clara. O novo casamento é proibido para os que estão num relacionamento matrimonial. Mesmo que a separação (por qualquer motivo) seja uma possibilidade, o novo casamento não é. Aparentemente, a construção da gramática grega confirma esta conclusão, e os primeiros ensinadores, quase todos, tinham esta opinião. Isso é também plenamente consistente com o que foi dito antes, nesta passagem.
Mas existe uma exceção!A cláusula de exceção, traduzida aqui "não sendo por causa de fornicação" contém somente três palavras na língua original, e não existem outras três palavras que tem produzido tão grandes montanhas de papel! 


Uma grande estrutura tem sido construída sobre um alicerce muito fraco. Mesmo se aceitarmos esta frase como base para o divórcio, há dois fatores que precisamos notar:


i) Um novo casamento de quem se divorciou não é aprovado nesta passagem, e isto é consistente com todos os outros trechos do NT que tratam deste assunto, como Rm 7:1-3 e I Co 7:10-11.


ii) Baseado nesta passagem, somente o homem teria direito de divorciar a sua esposa; a passagem não dá licença para a mulher divorciar o seu marido.


O que, então, significa a cláusula de exceção?
Precisamos notar o uso das palavras "fornicação" ou "prostituição" (porneia) e "adultério" (moicheia) na mesma passagem. 

Não há dúvida de que a palavra porneia, quando usada sozinha, é uma palavra geral para pecados sexuais de vários tipos.

Contudo, quando é usada no mesmo contexto que a palavra moicheia (veja também Gl 5:19, Hb 13:4), obviamente é importante fazer uma diferença. É claro que este é o caso aqui em Mt 19:9. 

Fornicação (porneia) é infidelidade sexual antes do casamento, e adultério é infidelidade sexual depois do casamento. Isso é consistente com o uso pelo Senhor da palavra porneia em outras passagens, como Mt 5:32, 15:19 e Mc 7:21. 

O Senhor usou somente a palavra porneia para indicar infidelidade pré-nupcial. (Nas Bíblias em português, a palavra grega porneia é traduzida de diversas formas: "prostituição", "fornicação", ou "relações sexuais ilícitas".(N. do E.).


Mas, se é infidelidade pré-marital que está em vista, por que a palavra é usada aqui no contexto de casamento e divórcio? O contexto geral nos ajuda este ponto.

Quase todos concordam que Mateus escreveu tendo em mente o judeu, e com um pano de fundo dispensacional. O período ao qual o Senhor se refere é, sem dúvida, o período que os judeus chamavam de "desposamento". 

O primeiro capítulo deste Evangelho nos ajuda neste sentido. Aparentemente, este período no noivado judaico durava mais ou menos um ano. Durante este tempo, embora as relações sexuais eram proibidas até depois da cerimônia formal de casamento, o casal era considerado como marido e mulher (veja Mt 1:19-20). Infidelidade sexual durante, ou antes, deste período permitia que o marido repudiasse sua "mulher". 

José pensou que este era o caso com Maria, e "intentou deixá-la secretamente" (v. 19).Portanto, considerando o contexto de Mateus 19, a única exceção que o Senhor tinha em mente era, obviamente, a imoralidade antes ou durante o período do desposado.Isto explica o uso da palavra "fornicação" e não "adultério". 

Esta infidelidade permitiria que o "desposado" fosse desfeito, deixando o parceiro inocente livre para se casar (não casar de novo, pois o casamento formal ainda não tinha acontecido).

Um novo casamento (assim como o divórcio), nunca é contemplado no NT, enquanto o primeiro cônjuge ainda vive. Um novo casamento nestas circunstâncias conduz ao estado de adultério perpétuo, quer a pessoa envolvida seja crente, crente professo ou descrente. Este estado de adultério perpétuo somente pode ser mudado se os envolvidos se separarem.


A reação dos discípulos (vs. 10-12)A indissolubilidade absoluta do matrimônio, ensinada pelo Senhor, claramente surpreendeu os discípulos, até ao ponto de dizerem: "não convém casar". Se fosse tão permanente, então, talvez seria melhor ficar "eunuco"! Contudo, o Senhor indicou que permanecer sem se casar não é uma condição que "todos" poderiam aceitar. 

Há alguns que têm esta capacidade; e estes se dividem em três grupos: aqueles que nasceram assim, aqueles feitos eunucos por homens, e aqueles que, para viver uma vida separada para o serviço divino, estavam preparados a fazer o sacrifício necessário.
Vemos aqui, com clareza, que os discípulos não ficaram com nenhuma dúvida sobre as restrições colocadas pelo Senhor sobre pessoas casadas. Nem divórcio, nem um novo casamento eram uma possibilidade.


As crianças (vs. 13-15)Talvez estranhemos que crianças sejam mencionadas aqui no contexto de matrimônio e divórcio. Não é o caso que as crianças, e especialmente as "criancinhas", são as que mais sofrem como resultado de um casamento desfeito? Com certeza o melhor ambiente para a criação dos filhos é um lar unido e carinhoso onde o ambiente de acolhimento e boas vindas e afeição é visto e conhecido. "Deixai os meninos e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus" (vs. 14-15).


Marcos 10:1-16
Está é uma passagem paralela àquela de Mateus 19. Embora haja muitas semelhanças nas duas passagens, também há algumas diferenças importantes. Estas diferenças serão enfatizadas agora ao examinarmos o trecho.


O contexto 

(v. 1) No fim do cap. 9, o Senhor focaliza algumas coisas que podem causar ofensa aos discípulos: 

"se a tua mão te escandalizar, corta-à" - V. 43

"se o teu pé te escandalizar, corta-o" - V. 45

"se o teu olho te escandalizar, lança-o fora" - V. 47 

O Senhor está mostrando a importância daquilo que fazemos ("tua mão"), de onde vamos ("teu pé") e do que vemos ("teu olho"). 

Todo este ensino importante é dado no contexto de casamento e divórcio, e a última, especialmente, é a causa de cobiça que conduz a muitos outros pecados. A falta de cuidado com aquilo que vemos, ou lemos, também pode causar relacionamentos errados. "Tende sal ... e paz uns com os outros" (v.50). Estas coisas previnem muitos problemas!

Perguntas e respostas (vs. 2-9)

A localização geográfica é a mesma que em Mateus 19, e com as mesmas implicações.Contudo, a primeira pergunta é um pouco mais geral do que aquela em Mateus: "E lícito ao homem repudiar sua mulher?" (v.2). 

Em outras palavras: será que o divórcio é uma possibilidade?

A resposta do Senhor é interessante: "Que vos mandou Moisés?" O Senhor está Se referindo aos escritos de Moisés como Ele fez em outros lugares nos Evangelhos, como Jo 8:5 e Lc 5:14.

Já sabemos pelas palavras do Senhor em Mateus 19, que a linguagem de Deuteronômio 24 não foi um "mandamento", mas uma "permissão". Então, o que foi que Moisés "mandou"? 

Os vs. 6-8 deixam claro que o Senhor está se referindo a Gênesis 2 (que foi escrito por Moisés). O mandamento era bem claro! "Deixar ... unir ... ser uma só carne"!

A resposta dos fariseus à pergunta do Senhor indicou que eles pensavam que tinham uma base bíblica suficiente para praticar o divórcio. "Moisés permitiu escrever carta de divórcio e repudiar". Sim, estavam certos! Moisés permitiu o divórcio por causa da dureza dos seus corações, não por causa de um mandamento. 

O Senhor volta para o "mandamento" que veio do "princípio da criação", e chega à mesma conclusão relatada por Mateus: "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem". Assim, a pergunta do v. 2 foi respondida conclusivamente, e baseada num mandamento divino!
As perguntas dos discípulos (vs. 10-13)Há outro ponto em que o relato de Marcos é diferente ao de Mateus. Esta sessão de perguntas e respostas ocorreu em casa! Os discípulos aqui em Marcos procuraram mais elucidação sobre o que o Senhor tinha falado em Mt 19:9.

Talvez a restrição absoluta fosse pesada demais para eles (veja Mt 19:10-12) - será que ainda podiam descobrir uma base para reduzir a força do mandamento do Senhor?

Se estavam pensando assim, o Senhor iria desapontá-los, Ele não apenas repetiu a restrição registrada em Mateus, mas Ele fez isto sem a cláusula de exceção, e também estendeu a restrição! Estes detalhes não foram falados a um grupo específico.

Sendo que o matrimônio é criacionista e não exclusivamente cristão, os princípios têm aplicação universal:"Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adúltera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera" (vs, 11-12).


Alguns detalhes que devemos notar:

i) O novo casamento é totalmente proibido para pessoas casadas enquanto o cônjuge está vivo. A linguagem não deixa qualquer dúvida, é fácil de entender e absolutamente clara. Não pode existir dúvida sobre a importância desta afirmação do Senhor. Isso também nos ajuda a entender Mateus 19. 

É uma regra sadia de interpretação; devemos usar o que é muito claro em Marcos e Lucas, como base para entender o que é aparentemente menos claro e mais difícil de entender em Mateus. 

Assim, a passagem em Mateus tem de ser entendida como somente permitindo o término do noivado durante o período do desposado, isto é, um relacionamento fora da esfera do casamento formal. Se não, a passagem em Marcos é contraditória. Além disto, a autoridade a que Paulo se refere em I Coríntios 7, só pode ser uma referência a Marcos 10.


ii) Diferentemente da passagem em Mateus, aqui a possibilidade de uma mulher divorciar seu marido é mencionada. Não há menção desta possibilidade em Mateus, no contexto judaico. Marcos está escrevendo para outros leitores.Ele escreve para os romanos. No contexto romano aparentemente era comum a mulher divorciar o seu marido e casar-se novamente. O Senhor está indicando que isto não é permissível - o novo casamento produz o estado do adultério perpétuo.


iii) Não há uma cláusula de exceção. A razão é óbvia - não existe exceção! O período do desposamento, tão bem conhecido pelos leitores judaicos do evangelho de Mateus, simplesmente não se aplicava aos leitores gentios de Marcos.Não haveria contratos formais de noivado a serem desfeitos, porque tais contratos não existiam. No mundo dos gentios, os que estavam noivos não eram conhecidos como "marido" e "mulher" e, portanto, "divórcio", como exceção, não seria apropriado. A linguagem dos vs. 11-12 nunca foi anulada para a dispensação presente. 

É permanente e não deixa lugar para dúvidas. Aqueles que usam a exceção para permitir o divórcio para os legalmente casados, fazem isto contra o ensino claro desta passagem. Além disto, é improvável que aqueles que ensinam a possibilidade do divórcio, por causa de adultério, ficarão apenas com esta única exceção. Já em igrejas do povo de Deus muitas outras razões, como deserção e incompatibilidade, estão sendo usadas para justificar o divórcio, e com consequências devastadoras. Uma vez que a porta se abre, é quase impossível parar a inundação de pecado.

As crianças (vs. 13-16).Como em Mateus, as crianças são mencionadas aqui e pela mesma razão. É lindo ver que embora pudessem ser maltratadas pelas crueldades de divórcio e novo casamento, o Senhor "tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou" (v. 16).


Mateus 5:27-32
O Contexto

A passagem tem um contexto duplo. É parte do primeiro "Sermão do monte" no Evangelho de Mateus. Este "sermão", obviamente, tem conotações judaicas, embora naturalmente contendo princípios para todos. É, sem dúvida, o "Manifesto do Rei". 

Os detalhes todos somente serão cumpridos quando o Rei reinar. Isso quer dizer que a interpretação dos versículos tem de ser feita tendo em mente este contexto.

Adicionalmente, os detalhes dos versículos imediatamente precedendo os vs. 31 e 32 são semelhantes àqueles achados no final de Marcos 9.
"se teu olho direito te escandalizar, arranca-o" - v. 29

"se tua mão direita te escandalizar, corta-à' - v. 30.
A razão da necessidade de se arrancar o olho é dada nos vs. 27 e 28 - o olho pode ser usado para olhar com desejo impuro, causando adultério no coração e, sem dúvida, conduzindo também ao ato de adultério. A mão também pode ser usada para cumprir o desejo impuro do olho. Qual o significado disto no contexto de casamento e divórcio? Lamentavelmente, estas coisas podem conduzir ao estado de adultério perpétuo, como resultado do divórcio. O Senhor deseja que isto seja evitado.


O contraste 

(vs. 31-32)"Também foi dito ... Eu, porém vos digo". 

A permissão ("dê lhe carta") agora é substituída. Foi dada por razões particulares, detalhadas no cap. 19.

A situação é diferente agora. Nenhuma carta de desquite é possível. A única base para deixá-la é a infidelidade pré-marital durante o período do desposado judaico - exatamente como temos visto nos detalhes do cap. 19.


Há, porém, quatro detalhes importantes aqui:

i) A construção do versículo prova que "fornicação" ou "prostituição" (porneia) não pode ser "adultério", caso contrário a expressão "faz que" seria totalmente inapropriada: "Qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de adultério, faz que ela cometa adultério". Isto seria uma tautologia.("Vício de linguagem que consiste em dizer, por formas diversas, sempre a mesma coisa" (Dicionário Aurélio) - ou seja, uma repetição sem sentido e incoerente (N. do E.). 

Como ela poderia ser levada a cometer aquilo que já estava cometendo? Se fornicação ou prostituição é o mesmo que adultério, ela simplesmente iria continuar a cometer o que já estava cometendo, em vez de entrar numa nova esfera de atividade proibida. Obviamente, "fornicação" ou "prostituição" aqui não pode ser "adultério".

O Senhor sempre usou palavras precisas. Compare o Seu uso da palavra "adúltera" em Mt 12:39; 16:4 e Me 8:38, em relação à situação espiritual da nação, "transferindo suas afeições de Deus". 

Poderíamos pensar que "fornicação" seria a palavra mais apropriada aqui. Contudo, o Senhor somente usou a palavra "fornicação" quando Se referia exclusivamente ao pecado pré-marital, nos Seus discursos públicos. Este uso é também confirmado pelo seu uso pelos adversários em João 8. 

A mulher foi pega em "adultério" (moicheia) no v. 3. Todavia, no v. 41, eles acusam o Senhor, sugerindo que Ele nasceu fora do matrimônio quando dizem "nós não somos nascidos de prostituição" (porneia).


ii) A mulher que é repudiada é levada a cometer adultério junto com a pessoa que casa com ela. Esta é a única vez, no ensino do Senhor, que a mulher divorciada é chamada adúltera. Isto completa o quadro. As pessoas culpadas de adultério nas quatro passagens onde o Senhor se refere ao divórcio são as abaixo mencionadas:
O marido que repudia.... Mt 19:9; Mc 10:11; Lc 16:18

A mulher que repudia.... Mc 10:12

A mulher que é repudiada... Mt 5:32

A pessoa que se casa com a mulher repudiada... Mt 5:32; 19:9; Lc 16:18
Portanto, o ensino de Mateus 5 está em perfeita harmonia com o de Mateus 19 e o de Marcos 10, indicando a natureza indissolúvel do vínculo matrimonial.


iii) Não há possibilidade de um novo casamento para o cônjuge "inocente". É possível que a mulher que é repudiada, no v. 32, seja totalmente inocente de qualquer má conduta. Talvez ela foi repudiada por causa da"dureza do coração do seu marido, mas, mesmo neste caso, o novo casamento simplesmente não é considerado como uma possibilidade.


iv) A iniciativa do divórcio se aplica exclusivamente ao homem. Se o Evangelho de Mateus fosse usado para justificar o divórcio, ou novo casamento, então apenas o homem poderia iniciar o processo! Para uma mente equilibrada, a conclusão é claríssima - nem o divórcio, nem o novo casamento, é permitido!


Lucas 16:18
Este versículo em Lucas é a última referência que temos ao ensino do Senhor sobre este assunto. Há dois fatores importantes a destacar:


O contexto 

Este versículo parece fora de contexto. Contudo, há três coisas que devem ser observadas. A primeira é que, no contexto, o Senhor está enfatizando impossibilidades, por exemplo:


i) "Não podeis servir a Deus e a Mamom" (16:13);

ii) "... os que quisessem passar daqui para vós não poderiam" (16:26).

iii) Também, é impossível "cair um til da lei" (v. 17).

iv) Assim, também o divórcio é impossível!


O segundo assunto enfatizado é o contraste entre o que é de "grande estima" e o que é de "pouca estima" Os fariseus "que eram avarentos" (v. 14) claramente enalteciam a busca pela riqueza e possessões. Mas isto era "abominação perante Deus" (v. 15). 

Nos vs. 16-18 o que eles estimavam pouco em relação à lei e ao matrimônio, era o que Deus elevava. Eles desprezavam a lei e os profetas e o padrão divino para o matrimônio. Porque davam pouco valor ao casamento, o divórcio e novo casamento eram comuns entre eles. O que eles desprezavam, Deus elevava.

O que segue também enfatiza este mesmo contraste. O que os homens estimam muito é agora representado pelo homem rico que perece. O mendigo pobre e pouco estimado pelos homens, representando a fé na Palavra de Deus (ilustrado pela referência ao seio de Abraão, o pai dos fiéis) é abençoado.O terceiro aspecto do contexto imediato é a ligação com "a lei" (vs, 17-18).

Aqui no v. 18 a lei do matrimônio está implícita: não pode falhar! Vem desde o "princípio", como vemos em Mateus 19 e Marcos 10, assim dando a base para os princípios que indicam a continuidade e a estabilidade do relacionamento matrimonial.
A ausência da cláusula de exceção Lucas (um gentio) está escrevendo para gentios - assim não há a cláusula de exceção. O ensino deste versículo é imutável e, portanto, pertinente e permanente nesta presente dispensação. Não poderia haver uma afirmação mais clara sobre a indissolubilidade do vínculo matrimonial.


Leia mais sobre este assunto, no livro "Divórcio", publicado pele editora: Sã Doutrina
Por James D. McColl