Espírito Santo

07/05/2024

1. Dom de línguas

"Falarão novas línguas" ( Mc 16.17).

Entre as promessas que o Senhor Jesus deixou, talvez seja esta a que mais tem chamado atenção nestes últimos tempos. De facto, é uma promessa notável que merece a nossa séria meditação, porque era uma coisa completamente nova que ainda não acontecera nem mesmo durante o ministério do Senhor Jesus aqui na terra.Embora não encontremos o dom de línguas no Velho Testamento, seria bom lembrar que sempre houve línguas na terra. A Bíblia afirma que desde a criação até o tempo da torre de Babel havia no mundo uma só língua (Gn 11.1-9). Por causa do orgulho dos homens ímpios, Deus confundiu a linguagem de toda a terra e dali os dispersou por toda a superfície dela. Depois daquele dia, se alguém quisesse falar outra língua, teria de estudá-la, como até hoje acontece. Veja, por exemplo, como Daniel estudou a língua dos caldeus durante três anos (Dn 1.4-6). Até hoje vemos o grande trabalho que as línguas dão aos homens. A "Missão Internacional das Escrituras", com sede em Londres, publica atualmente as Escrituras em 350 línguas diferentes para uso em 150 países diferentes! Isto representa muito trabalho, estudo e despesa.


1. AS LÍNGUAS NOS EVANGELHOS.

O dom de línguas não foi concedido antes da morte de Cristo. A placa que foi colocada na cruz foi escrita em três línguas e serviu para que todos, judeus, gregos e romanos soubessem, nas próprias línguas deles que Quem estava morrendo naquela cruz era o Rei dos judeus.É somente no fim do Evangelho de Marcos que encontramos a promessa de Cristo — "falarão novas línguas"— e é aqui onde tem início uma nova "confusão de línguas"! Podemos ter a certeza de que quando o Senhor Jesus Cristo fez esta promessa Ele não queria causar confusão. Vamos, então, examinar as Escrituras sobre o assunto, pedindo a Deus que nos dê conhecimento da Sua vontade e não confiando em nosso coração enganoso.Em primeiro lugar devemos notar que a promessa das línguas foi feita com referência à pregação do Evangelho, e que não foi mencionada quando Cristo enviou os Seus discípulos a ensinar os novos convertidos (Mt 28-18-20). Devemos notar, também, que a outra promessa — "até à consumação do século" — constante do texto acima mencionado, não foi feita com referência aos sinais, mas ao ensino dos discípulos.Em segundo lugar, é importante observar com cuidado o tempo dos verbos nos últimos dois versículos de Marcos 16. A única interpretação gramaticalmente correta do que Marcos afirma é que a promessa de Cristo sobre sinais e línguas fora cumprida antes de ter ele escrito o seu Evangelho.


2. AS LÍNGUAS NO LIVRO DE ATOS.

O que encontramos no livro de Atos é uma coisa inteiramente nova. Certas pessoas, pelo poder de Deus, receberam capacidade de falar em "novas línguas", ou seja, que não eram suas línguas maternas, sem as terem estudado. Há três destes casos mencionados no livro: um em 2.5-13, outro em 10.44-48 e outro em 19.1-7. Possivelmente tenha ocorrido mais um caso em 8.14-19, mas ali não é explicado o que realmente aconteceu naquela ocasião. Seria necessário ter conhecimento destes casos antes de prosseguirmos em nossa meditação.
Não pode existir dúvida quanto ao fato de que o primeiro destes casos constitui-se em padrão para os demais, porque os outros casos despertaram lembranças daquele primeiro caso ( veja At 10.47 c/ 11.17). Voltando para o caso de Atos 2, vamos considerar três perguntas importantes: 

Pergunta 1. QUEM FALOU EM NOVAS LÍNGUAS? 

Resposta: Os apóstolos "galileus" (Atos 1.11; 2.7).

Pergunta 2: QUE FOI QUE OS APÓSTOLOS FALARAM?

Resposta: "As grandezas de Deus" (Atos 2.8-11).

Pergunta 3: COMO FOI QUE PEDRO EXPLICOU AS NOVA S LÍNGUAS?

Resposta: Veja Atos 2.17-21.

Para explicar aquele acontecimento, Pedro citou a profecia de Joel 2.26-28, concernente a Israel, que eles, sendo judeus, conheciam muito bem. Ele demonstrou por este trecho do Velho Testamento que o sinal das novas línguas fora dado com o propósito de levá-los a "invocarem o Nome do Senhor para serem salvos". Notemos aqui que Joel não falou de "novas línguas", mas de outros sinais que não aconteceram naquele dia, nem até hoje. 

Todos os sinais que Joel profetizou somente acontecerão no tempo da grande tribulação, quando estiver bem próxima a vinda do Senhor "em poder e grande glória" (Mt 24.29-30), o que acontecerá depois da era da Igreja na terra (Ap 3.10). Temos de lembrar que Joel não escreveu para a Igreja, mas para a nação de Israel, e que a sua profecia ainda será plenamente cumprida para aquela nação. Notemos que quando os judeus incrédulos, atraídos pelas línguas, ouviram o Evangelho e, reconhecendo o seu pecado, perguntaram: "Que devemos fazer?", não foram instruídos a falar em novas línguas, nem há qualquer evidência de que isto tenha acontecido. Eles simplesmente reconheceram os seus pecados, aceitaram a Palavra, foram baptizados em água e perseveraram no ensino dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (At 2.41-43). 


Os apóstolos ainda faziam sinais, mas as línguas não aparecem mais nas listas dos sinais praticados (At 4.16; 8.7).
Passando, agora, para os outros casos relatados em Atos, podemos facilmente observar que o sinal das novas línguas era muito raro, mesmo naqueles dias. O livro relata a história dos primeiros trinta anos da Igreja (aproximadamente), durante os quais aparecem apenas três referências e, possivelmente, mais uma, conforme já mencionamos. Há fatos importantíssimos ligados a cada um destes casos, que provam o caráter especial de cada um deles. 

A ocorrência do capítulo 8 foi por ocasião da conversão dos PRIMEIROS SAMARITANOS. 

No capítulo 10 o fato deu-se no dia da conversão dos PRIMEIROS GENTIOS. 

E no caso do capítulo 19 temos a conversão dos DISCÍPULOS DE JOÃO BATISTA que, por causa das suas circunstâncias especiais, não tinham ouvido da existência nem do Espírito Santo, nem da Igreja. 

Se conhecêssemos a situação social que naquele tempo prevalecia entre judeus, samaritanos e gentios, poderíamos entender melhor a necessidade que estes três grupos tinham de receber da parte de Deus este mesmo sinal, mediante o qual ficaria provado que TODOS eram aceitáveis em Cristo e, portanto, dignos da comunhão como irmãos no Senhor. A "parede de separação" que existia naquele tempo entre os judeus e as outras raças era um grande obstáculo ao plano divino de salvar "até aos confins da terra", e a Igreja em Jerusalém demorou anos para compreender este plano que foi apresentado pelo Senhor em Atos 1.8. Notamos como Pedro, depois de ter pregado aos primeiros gentios, foi arguido pela liderança da Igreja em Jerusalém (At 11). 


Realmente foi só no tempo de Paulo que o plano divino chegou a ser amplamente praticado, mas mesmo ele, por causa de pregar aos gentios, sofreu muita perseguição por parte dos judeus (At 21.17-40).Pode ser que o dom de línguas tenha sido concedido em outras ocasiões durante o período de Atos, mas temos muita razão em pensar que o dom das novas línguas não era comum naquele tempo e que era um sinal absolutamente necessário no início da Igreja, enquanto o plano divino para a mesma não era bem entendido. É bom notarmos também que em cada um dos casos mencionados em Atos, o dom foi concedido acompanhando a salvação das almas, como o Senhor prometera em Marcos 16. Notemos mais, que em nenhum daqueles casos alguém procurou o dom de línguas, pelo contrário, as pessoas agraciadas receberam-no com surpresa.

3. AS LÍNGUAS NAS CARTAS DOS APÓSTOLOS.

Depois do livro dos Atos temos vinte e dois livros no Novo Testamento. A maior parte destes são cartas escritas pelo apóstolo Paulo às igrejas em Roma, Corinto, Galácia, Filipos, Colossos e Tessalônica e para amigos pessoais como Filemom, Timóteo e Tito. Estas cartas não foram escritas exatamente na ordem em que as encontramos na Bíblia, e os eruditos, especializados neste assunto, baseando-se em referências em Atos e nas cartas, como também em informações arqueológicas, informam-nos que as duas cartas à igreja em Tessalônica são as primeiras que foram escritas (51 a.D.), vindo a seguir Gálatas, 1ª e 2ª Coríntios e Romanos (entre 53 e 57 a.D.). Depois disto ele escreveu Filipenses, Efésios, Colossenses e Filemom (entre 60 e 62 a.D.). 

Finalmente, Paulo escreveu 1ª Timóteo, Tito e 2ª Timóteo (entre 63 e 67 a.D.), quando estava próximo à sua morte. Não sabemos com certeza quem escreveu a carta aos Hebreus, mas parece ter sido escrita entre 63 e 68 a.D.. Os outros oito livros do Novo Testamento foram escritos por Pedro (2 cartas), João (3 cartas e Apocalipse), Tiago e Judas. 

Quase todos estes livros foram escritos depois dos que foram escritos por Paulo, exceção feita a Tiago, que parece ter escrito bem mais cedo, entre 49 e 52 a.D..
Esta informação é importante porque é somente em um destes vinte e dois livros que aparece o assunto das "novas línguas". Isto traz logo à tona uma pergunta importante: Se as línguas foram planejadas por Deus para a Igreja até à vinda de Cristo, por que há tão pouca menção do assunto nas cartas dos apóstolos? Outra consideração importante é que 1ª Coríntios, a única carta que trata do assunto, é uma das primeiras entre as cartas que foram escritas.


Agora podemos examinar o que Paulo escreveu sobre as línguas nos capítulos 12 a 14 daquela carta. Ao lermos os três capítulos podemos facilmente constatar que há uma sequência importante: no capítulo 12 encontramos a lista dos dons concedidos à Igreja Primitiva e somos informados sobre quem os concedeu; no capítulo 13 verificamos que estes dons só têm valor quando são usados com amor verdadeiro; e, no capítulo 14, vemos a necessidade de controle e ordem no exercício dos dons, principalmente o dom de línguas, para que haja edificação e, não, confusão. Não duvidamos de que estes três capítulos foram escritos para corrigir a maneira como o dom de línguas estava sendo exaltado e a falta de ordem e reverência como ele estava sendo exercido na igreja em Corinto. Quem duvidar disto deve ler os três capítulos de uma só vez.
Alguns afirmam que o dom de línguas em Corinto devia ser diferente daquele de Atos, que temos considerado. Assim afirmam baseados em 1 Co 13.1, onde lemos: "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos...". Contudo, um pouco de atenção na leitura deste texto leva-nos a entender sem a mínima dificuldade que Paulo não afirmou que falava línguas de anjos. 


O que ele ensina é que, sem o amor, ainda que pudesse falar na língua dos anjos, nada seria. De igual maneira diz ele no versículo 2: "Ainda que tenha eu tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei". Ninguém imagina que Paulo estivesse falando literalmente em transportar os montes pela fé, mas qualquer um entende sem a mínima dificuldade que ele usa aquela expressão em sentido figurado para dar ênfase à necessidade do amor.
O que podemos dizer é que a maneira de exercer o dom de línguas em Corinto é que era diferente do que vemos em Atos e foi exatamente por causa desta diferença que Paulo achou necessário escrever estes três capítulos. Os irmãos da igreja em Corinto não estavam entendendo o propósito de Deus em conceder aquele dom. Eles pensavam que o dom de línguas manifestava uma espiritualidade superior e era, por isso, o mais importante de todos os dons. 


Paulo usa vários argumentos para corrigir este pensamento. Em 12.10 ele mostra que o dom de línguas não foi concedido a todos, mas somente a uns poucos. Nos versículos 8 a 10 aparece sete vezes a expressão "a outro", demonstrando como, mesmo naquele tempo, somente uma pequena fração dos salvos possuía o dom de línguas, fato este que ocorria igualmente com relação a todos os outros dons mencionados. Nenhum deles era concedido a todos, mas cada um deles era outorgado a um pequeno número dos fiéis. Portanto, seria inútil alguém procurar um dom que não tinha recebido. Isto é reforçado nos versículos 28 a 30, onde podemos observar também que na lista dos dons há uma ordem demonstrada. Tal ordem não pode ser cronológica porque no livro dos Atos o dom de línguas não foi o último, mas o primeiro dom manifestado. Contudo, notamos que, ao tratar do assunto em 1ª Coríntios, onde os dons são apresentados em ordem sequencial de acordo com a importância de cada um para a edificação da igreja, o dom de línguas aparece em último lugar.


Em 1 Co 13.8 Paulo deu-lhes uma outra razão para que não dessem às línguas um valor exagerado, além do propósito de Deus: "Havendo línguas, cessarão". Alguns entendem que isto acontecerá numa ocasião futura, quando o Senhor Jesus voltar e, em defesa deste argumento, invocam o versículo 10: "Quando vier o que é perfeito ..." . Para os tais, a palavra "perfeito", ali, refere-se à perfeição do céu. 

Portanto, no entender dos tais, as línguas continuarão a existir até chegarmos ao céu. É verdade que somente no céu haverá perfeição absoluta, mas na Bíblia a palavra "perfeito" geralmente tem outro significado. Lendo, por exemplo, Mt 5.48, 19.21, 21.16; Cl 1.28, 4.12; 2 Tm 3.17; Hb 6.1, etc., verificamos que a palavra "perfeito", naqueles versículos, expressa claramente o sentido daquilo que é "completo", sem faltar nada. 

Também a expressão "face a face", no versículo 12, poderia levar-nos a pensar naquele dia glorioso quando veremos nosso Senhor Jesus face a face. De fato, isto vai acontecer, mas não é este o sentido da palavra neste versículo. Paulo a emprega em contraste com a expressão "agora vemos como em espelho". "O "espelho", aqui, não tem sentido real, mas figurativo, e significa que quando ele escreveu havia muitas coisas concernentes ao plano de Deus e à Igreja que ainda não tinham sido claramente reveladas. 

Os espelhos nos dias de Paulo eram de bronze polido e refletiam uma imagem de qualidade inferior aos espelhos de hoje, que, em comparação, mostram a nossa imagem "face a face". Assim, esta expressão deve ser também entendida figurativamente e significa que viria o tempo quando haveria uma revelação exata sobre o plano de Deus para a Sua Igreja. Esta revelação só pode ser a Palavra de Deus, a Escritura do Novo Testamento, que não existia naquele tempo. Havia apenas dois ou três livros do Novo Testamento quando Paulo escreveu a carta aos coríntios. Podemos imaginar a dificuldade que isto trazia para as igrejas que ainda dependiam das palavras faladas pelos apóstolos e profetas. Quantas perguntas e dúvidas existiam nas mentes dos novos convertidos. Mesmo Paulo nunca teve o privilégio de ler o Novo Testamento completo como nós temos! 

Mas em 1 Co 13 há mais uma razão para nos convencer de que a expressão "línguas cessarão" refere-se aos dias imediatamente após aqueles em que Paulo estava escrevendo. No versículo 13, lemos: "Agora permanecem a fé, a esperança e o amor". Perguntamos: Até quando haverá necessidade de fé e de esperança? Será que precisaremos destas coisas depois da vinda de Cristo? Cremos que não. Concluímos, então, haver neste texto duas coisas que Paulo considerava permanentes, mas que, sabemos, continuarão até à vinda de Cristo. 

Deve ser bem claro, então, que quando disse que "as línguas cessarão", ele referiu-se a um tempo bem anterior à vinda de Cristo. Devemos notar que há três grupos de coisas no capítulo que têm durações diferentes:

1) Três coisas que cessarão logo após o tempo em que a carta foi escrita: profecias, línguas e ciência (v.8).

2) Duas coisas que permanecerão até à vinda de Cristo: fé e esperança (v. 13).

3) Uma coisa que dura para sempre e por isso é "excelente" — o amor (v.13).

Pensando em 1 Co 14, vemos como Paulo exortou aquela igreja a ter uma atitude mais madura com respeito aos dons espirituais, especialmente o dom de línguas. Notemos os seguintes pontos do seu argumento:

Vs. 1-9 — A inutilidade de falar línguas desconhecidas na igreja sem a devida interpretação. Esta ação é comparada a instrumentos mal executados, que só fazem barulho e não têm qualquer sentido.

Vs. 10-11 — As "novas línguas" não são vozes de outro mundo, mas são vozes usadas em outras partes do mundo, embora sejam "novas" para quem as fala.

Vs. 12-19 — A necessidade de ser a língua falada entendida por quem a fala, a fim de poder dar a interpretação. Nisto vemos um progresso em relação ao que lemos em 12.10, onde era OUTRO quem dava a interpretação. Agora Paulo exorta a que o mesmo irmão que fala explique aos presentes o que falou na nova língua. Note, também, que CINCO palavras entendidas valem mais do que DEZ MIL palavras em outra língua. Talvez a carta inteira de 1ª Coríntios nem chegue a dez mil palavras! Seria muito grande o esforço despendido para falar tudo isso, mas seria tudo em vão se não fosse compreendido.

Vs. 20-25 — O propósito das "novas línguas" era sempre convencer os incrédulos presentes na reunião, como aconteceu em Atos 2. A tentativa de modificar este propósito certamente resultará em confusão.

Vs. 26-35 — A necessidade de controle e limite na reunião a fim de manter a ordem e a reverência. Somente dois devem falar em outra língua, cada um por sua vez, e com interpretação. Aqueles que falam devem estar controlados pela sua mente e, não, pela emoção. As mulheres devem ficar caladas na igreja.

Vs. 36-40 — Estes ensinos não são ideias particulares de Paulo, mas são a Palavra do Senhor para a Sua igreja, não só em Corinto, mas em toda parte.

Depois de receber exortação tão forte alguém poderia facilmente proibir totalmente o uso deste dom, mas tal não era o propósito de Paulo, pois àquela altura o Evangelho era pregado sem o auxílio dos livros do Novo Testamento que agora temos, e aquele dom era ainda muito útil para convencer os incrédulos da verdade do Evangelho.Cremos que a igreja em Corinto obedeceu às exortações recebidas, porque o assunto línguas não é mencionado na segunda carta que foi escrita logo depois. De facto, não aparece mais na Bíblia. Em vão procurará alguém mais referência a este dom nos vinte e um livros restantes do Novo Testamento. O aparecimento das "línguas" entre os "crentes" é coisa comparativamente nova, pois disto não há nenhuma menção na História da Igreja durante muitos séculos. Por isso, devemos perguntar se o que está acontecendo em nossos dias é realmente a manifestação do dom de línguas mencionado na Bíblia, ou o cumprimento das profecias que anunciam que nos últimos dias haverá na igreja imitações que, se fosse possível, enganariam aos próprios eleitos (Mt 24.24; 1 Jo 4.1; Apo 16.13-14).

Há fundamentadas razões que nos conduzem a esta última conclusão. Nesta questão de línguas há uma acentuada diferença entre o que lemos na Bíblia e a confusão que atualmente se verifica onde se supõe existir quem fale em "outras línguas". Nesses grupos as pessoas são encorajadas a procurar o dom e ensinadas a começar a falar repetindo palavras muitas vezes até que venham a perder o controle sobre si mesmas. Mas o que vemos na Bíblia é que o dom nunca foi procurado, ao contrário, sempre veio como surpresa. Afinal, se for necessário trabalhar e estudar para obter o dom, já não é mais dom!Além disto, o facto de que este "sinal", assim como outros, tem aparecido em grupos de pessoas reconhecidamente incrédulas também confirma esta conclusão. Cremos que a tendência atual continuará e aumentará com o aparecimento contínuo de novos "sinais" entre a cristandade e que, mesmo após o arrebatamento da Igreja verdadeira, eles continuarão com o propósito satânico de seduzir o mundo e levá-lo a confiar no anticristo. Por isso é necessário alertar os irmãos mais novos na fé sobre o grande perigo de participar em grupos que procuram estas coisas (Jd 22-23).

Em conclusão, é precioso observar que, como lemos em Apo 5.9, no céu não haverá nada de confusão de línguas: "E entoavam novo cântico, dizendo: "Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação ...". Todos os salvos deste mundo louvarão e adorarão o Senhor sus Cristo em uma só voz. Não sabemos qual será aquela língua, mas quão bom é saber que não haverá mais confusão, porque não haverá mais pecado, que é a raiz de toda confusão nesta terra.


Por Samuel R. Davidson

2. Dom de milagres

Os signatários do presente documento, conscientes das mais diversas ameaças que se desenvolvem contra a integridade e pureza da Palavra de Deus e a Unidade dos crentes, sentem-se no dever de definir a sua posição clara e publicamente perante as Igrejas e os crentes individuais.


Nesta conformidade declaramos que:
1 - Cremos no batismo pelo Espírito Santo, no EXATO momento da conversão do pecador a Cristo, conforme está explicito nas Sagradas Escrituras (Ef. 1:13 - 2 Cor. 1:22 -Jo. 7:39). Isto prova ser errado procurar ou esperar posteriormente um batismo do Espírito Santo, porque Ele já habita em cada crente salvo. (1 Cor. 3:16, 6:19, 12:13)


2 - Cremos que o Espirito Santo concede dons espirituais de acordo com a Sua vontade (1 Cor.12:11). Entretanto, alguns dos dons que vigoraram no início da Dispensação da Graça não são repartidos nos nossos dias, dos quais destacamos:

a)- APÓSTOLOS E PROFETAS. Estes dons foram necessários somente no início da Igreja para o lançamento e confirmação do Fundamento, que é Jesus Cristo - Ef. 2:20-I Cor. 3:9-13. 

Os Apóstolos representaram a autoridade e os Profetas a revelação dos desígnios de Deus. Por no tempo presente termos a Revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo completa no Novo Testamento, não necessitamos mais de Profetas e Apóstolos (Rom. 16:26-Co. 1:25 - 2 Tm. 3:16 - 1 Cor. 13:8 Apoc. 22:18-19) nem tão pouco de visões, sonhos e revelações.

b). OPERAÇÕES DE MILAGRES E PODER. Estes dons foram repartidos pelo Espírito Santo no principio para confirmação da veracidade do Cristianismo (1 Cor. 12:7-11, 1 Cor. 12:28)


DOM DE CURAS:

É claro que o dom de curar se esvaziou quando Paulo ainda vivia - 2 Cor.12:7-10-l Tm 5:23 - 2 Tm. 4:20. Todavia Deus pode curar nos dias presentes, em resposta à oração, segundo a Sua vontade (Tiago 5:14-16)Não Como nos dias apostólicos - Então, bastavam a sombra de Pedro e o simples contacto de peças de vestuário com o corpo de Paulo, e "as enfermidades fugiam e os espíritos malignos saíam". Numa palavra: "Todos eram curados". ( At. 5:15 - 16 -12).

Em nossos dias, o Poder de Deus não pode ser manipulado em indecorosos espetáculos de "cura divina", que só servem para desacreditar o Evangelho. Este Poder atua agora como nos dias do Antigo Testamento, esporadicamente e em situações específicas e isoladas, sempre segundo a Soberana vontade de Deus.

A intervenção de Deus, para efeitos de cura, não se cinge unicamente ao domínio espiritual. A medicina, a cirurgia e também o uso de plantas, são alguns dos meios diversificados de que Deus está a servir-se com resultados confirmados e surpreendentes. O Senhor dispõe de todos os recursos para atender as orações dos crentes, quando está no seu propósito curá-los. Em tudo isto cremos nós e damos graças ao Senhor pelo uso que Ele faz de tantas coisas para o nosso bem.


DOM DE LÍNGUAS, SONHOS E REVELAÇÕES:

O dom de línguas que foi no princípio um sinal na descida do Espírito Santo (At. 2:3-4) e serviu para evangelizar no dia de Pentecostes (At. 2:6-1 2), foi também usado como dom para edificação (1 Cor. 14:4-5-26) sendo obrigatório a co-existência com o dom de interpretação de línguas (1Cor.14:27) e teve também um período bastante curto com o agravamento de ser considerado pelo Apóstolo dos Gentios como um dom de pequena escala (I Cor. 14:1-9, 23 e 1 Cor. 13:8).


Todos estes dons e sinais foram oportunos e úteis, segundo a pré-determinação de Deus, nos primórdios da Igreja, com Início no Pentecostes. Mas, diga-se o que se disser, o Pentecostes aconteceu uma vez e nunca mais se repetirá na Dispensação da Graça. Hoje em dia, cada missionário enviado a outros povos tem de estudar as línguas deles, antes de lhes poder falar. Não há dom que lhe valha. As línguas estranhas, usadas então nas Igrejas, já não são necessárias para impressionar os infiéis, como no princípio (1 Cor. 14:22). No tempo presente, se "os Judeus pedem um sinal e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado" (1 Cor. 1:22-23).


Temos no Novo Testamento a revelação completa dada à Igreja. Podemos, por isso mesmo, dispensar todas as outras "revelações". Sabemos que vão aparecendo aqui e ali, os presumidos que pretendem deslumbrar os menos prevenidos com os seus "dons de línguas" e outros. Mas também conhecemos os que, dentre esses, têm voltado para o mundo e acabado por alinhar com os inimigos da Palavra de Deus. Agora, ainda que se levante alguém afalar uma língua estranha autêntica, que não seja de sua invenção, isso não chegará para provar a sua proveniência divina. Está inegavelmente demonstrado que muitos já profetizam, expulsam demônios e fazem maravilhas em Nome do Senhor, sem que, todavia, sejam conhecidos d'Ele. (Mat. 7:21-23).

Tudo isto é confirmado pelo que está acontecendo nas reuniões dos carismáticos católicos, nas sessões espíritas e nos cultos de algumas religiões orientais e africanas. Aí também já falam línguas estranhas e relatam sonhos, visões e revelações. E não só isto, pois expulsam demônios e curam enfermidades. Ora, sabendo nós, que Deus nada tem com isto, como o explicaremos? Paulo responde: "O mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado Aquele que agora o detém" (2 Tess. 2:7- Scofield).

3 - Cremos que Espírito Santo, nestes dias, dá dons aos crentes, quando se convertem, nomeadamente: - O dom de Doutor ou Ensinador, o de Socorros, o de Exortar, o de Repartir, o de Presidir, o de exercer misericórdia, o de Pastor, o de Evangelista, e outros mais. (Rom. 12:7-8, 1 Cor. 12:8-10, Ef. 4:1 1).

3. Como Deus cura hoje?

Em Filipenses 2:25-30 lemos que Epafrodito um crente daquela igreja - e que Paulo chama de seu irmão e cooperador e companheiro nos combates -, esteve muito doente, mesmo bem perto da morte. Deus se apiedou dele e curou-o. O que a passagem bíblica não diz é como Epafrodito foi curado. 

Seria apenas pela fé? 

Pela oração e imposição das mãos de Paulo? 

Com a ajuda de alguma medicina?

O que sabemos pelo ensino das Escrituras, é que Deus tem e usa vários meios para curar. Vamos, então, considerar os meios, ou modos como Deus cura nos nossos dias.


1.PELA ORAÇÃO SOMENTE

No Salmo 34:6 e 17, David afirma: "Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu e o livrou de todas as suas angústias. Os justos clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas tribulações".

Nós cremos no valor da oração. Nós temos os nossos cultos de oração, onde intercedemos pelos doentes. E podemos afirmar que o Senhor tem respondido as nossas orações.

Tiago 5:14 diz: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e orem sobre ele ungindo-o com azeite em nome do Senhor". Note-se o que aqui se diz: "chame os presbíteros da igreja". Não diz para se chamar um pregador que afirma ter o dom de curar, e muito menos ir a uma campanha, ou reunião, de curas divinas. O doente aqui é aquele que está de cama e, por isso, deve chamar os presbíteros (anciãos) da igreja local.

Em tempos passados estivemos afazer um trabalho evangelístico com literatura numa certa área do nosso país. Visitamos algumas igrejas de certa denominação, onde vimos alguns crentes doentes. Pediram-nos até para orarmos por eles. Em conversa com um irmão responsável tivemos o seguinte diálogo:

- Irmão Carlos, nós temos irmãos com o dom de curar. 

- Aonde, perguntei, têm algum aqui nesta área? Não, respondeu. 

- Então, têm algum em Portugal? Parece-me que não, respondeu ainda. 

- Então, onde têm? Na América, afirmou. 

Eu respondi-lhe: Não acredito, irmão. Porque se eu acreditasse, eu mesmo contribuiria para que ele viesse imediatamente e curasse os vossos doentes.

Irmãos, não vos deixeis enganar. 

Os milagres de cura que o Senhor Jesus e Seus Apóstolos operaram eram sinais para uma época - o começo da Igreja. Eram sinais temporários e, por isso, não continuaram. Aqueles que, em nossos dias, dizem ter o dom de curar, como nosso Senhor e Seus Apóstolos, falham redondamente. E têm sido motivo de grande desonra para o Evangelho. Nós temos sido testemunhas disso já de há longos anos.

Vejam agora o que disse recentemente o conhecido professor das Escrituras e presidente da Aliança Evangélica Mundial, Dr. Theodore Williams, e que veio publicado na revista "AIM" do passado mês de Maio: "Estou preocupado com muitos desvios e diluições da verdade na Índia. É como uma doença o fato dos autoproclamados profetas e obreiros de milagres estarem a atrair muitas pessoas no pais. Muitos crentes nas nossas igrejas vão atrás de pregadores que afirmam ter dons de profecia e de cura e acabam por se tornar discípulos mortos, cujas vidas são inúteis para Deus e para o Seu reino".


2. PELA MEDICINA

O Senhor Jesus disse que os doentes necessitam de médico (Lucas 5:31). Lucas era um médico muito amado e fiel no Senhor (Col. 4:14). Jesus contou uma história em que certo homem encontrou outro caído na berma da estrada, bastante ferido, pois tinha sido pelos salteadores despojado, espancado e deixado meio morto. Este abeirou-se dele, atou-lhe as feridas deitando-lhes azeite e vinho (Lucas 10:34). Era uma espécie de enfermagem daquela época.

Um profeta de Deus, aconselhou a porem uma pasta de figos sobre a chaga de um rei que estava que morrer e ele sarou (2Reis 20:7).

Paulo, que operara tantas curas pela fé, pois tinha dom de curar, agora, que no fim da sua vida terrena aconselha a Timóteo a usar um pouco de vinho, por causa do seu estômago e das suas frequentes enfermidades (1Tim. 5:23). Era um medicamento da época, e que sabe se orientado pelo médico Lucas.


3. PELA CIRURGIA

A cirurgia também está Bíblia. Deus serviu-se dela ao cortar a carne de Adão, tirar-lhe uma costela para formar a primeira mulher (Gen. 2:21).

Os sacerdotes de Israel foram ordenados por Deus rasgarem a pele do leproso para se certificarem c veracidade da cura (Lev. 1 3:56).

A cirurgia dos nossos dias está maravilhosamente desenvolvida e os filhos de Deus devem usá-la, se precisarem. Quem vos escreve precisou dela há 33 anos; pela segunda vez há 26 anos e ultimamente, e mais precisamente há 3 meses, como é de conhecimento de muitos. Deus foi servido de curar seu servo por meio da cirurgia, glória ao Seu Nome.


4. PELO ABANDONO DO PECADO

O pecado origina a doença e por fim a morte (Rom.6:23) Ananias e Safira, devido ao pecado da mentira, foram mortos (Atos 5:4,5,10). 

Geazi, por causa do pecado da mentira e da cobiça, ficou leproso (II Rei. 5:27).

Também Miriã ficou leprosa por murmurar contra' Moisés, seu irmão (Num. 12:10).

Havia na igreja de Corinto muitos fracos e doentes e outros que tinham sofrido a morte, devido ao pecado de participarem da Ceia do Senhor indignamente (1Cor. 11:28-30)


5.POR MEIO DE SUGESTÕES MENTAIS

Muitos crentes andam tristes e desanimados devido aos problemas materiais. Há situações difíceis, como os estudos, o emprego, a família, etc., e tudo isto traz sofrimento e até doenças. A Palavra do Senhor ensina-nos a lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade porque Ele tem cuidado de nós (1 Ped.5:7).

Vamos colocar a nossa mente no Senhor (Col. 3:1 -4). Há muitos exemplos na Bíblia, de crentes que passaram tempos bem difíceis, mas tudo isso contribuiu para o aperfeiçoamento da fé, e eles ainda experimentaram dias de gozo e felicidade.


6.PELA ALEGRIA DO ESPÍRITO SANTO

O fruto do Espírito é alegria (Gal. 5:22). Paulo, mesmo na prisão, em Roma, escreveu aos crentes de Filipos para se regozijarem sempre no Senhor (Fil. 4:4). Também, quando o povo de Israel, que voltara do cativeiro, ouvia a Palavra do Senhor lamentava-se e chorava de arrependimento. Então Neemias e Esdras animaram o povo e disseram-lhes que não estivessem tristes, porque "a alegria do Senhor é a vossa força" (Neem. 8:10).

Se pensarmos mais nas bênçãos que o Senhor já nos concedeu, como o perdão de todos os nossos pecados, a certeza de irmos para a presença do Senhor, que Ele está conosco e habita em nós, que tudo quanto Ele permite vir à nossa vida é para o nosso bem, então não andaremos tristes, nem desanimados. E isso nos livrará de muitas enfermidades.


7. A CURA FINAL - UM CORPO IMORTAL

Embora o Senhor nos possa curar de várias enfermidades, usando estes meios que aqui mencionamos, temos que reconhecer que algumas enfermidades; nos acompanharão até que o Senhor nos chame para a Sua presença. Estou a pensar que temos irmãos deficientes, cegos coxos, paralíticos, etc. Alguns movem-se em cadeiras de rodas, outros estão retidos nos seus leitos de dor. Temos, porém, a gloriosa esperança de que; quando Cristo vier buscar-nos, "transformará este corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso" (Fil. 3:21). 

Na Vinda do Senhor para arrebatar a Sua Igreja, "os nossos corpos corruptíveis serão revestidos de incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestirá de imortalidade. Então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está ó morte, o teu aguilhão?" (1 Cor. 15;1-55).

"Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação, produz para nós um peso eterno de glória mui excelente" (2 Cor. 4:16,17).


Por Carlos Alves


1. Os Cristãos concordam no fato de que todas as doenças, duma forma geral, são resultados do pecado no mundo. Se o pecado nunca tivesse entrado, não haveria doenças.


2. Algumas vezes as doenças são resultado direto do pecado na vida de uma pessoa. Em 1 Cor. 11.30, lemos que determinados Coríntios se encontravam enfermos por terem participado na Ceia do Senhor sem julgarem o pecado nas suas vidas, isto é, sem o terem confessado e abandonado.


3. Nem todas as doenças são resultado direto do pecado na vida duma pessoa. Jó ficou enfermo a despeito do fato de ter sido o homem mais justo (Jó 1.8). O homem que nasceu cego não estava a sofrer por pecados que tivesse cometido (João 9.2,3). Epafrodito adoeceu devido à sua atividade incansável na obra do Senhor (Fil. 2.30). Gaio era espiritualmente saudável, embora fisicamente aparentasse encontrar-se menos bem (III João 2).


4. Por vezes a doença é resultado de atividade satânica. Foi Satanás que fez com que o corpo de Jó fosse coberto com uma chaga maligna (Jó 2.7). Foi Satanás que encurvou de tal modo que esta não se conseguia endireitar: "mulher que tinha um espírito de enfermidade, - pense nisto - havia já dezoito anos" (13:16). Paulo teve uma enfermidade física provocada por Satanás. Ele denominou-a de "um espinho na carne... um mensageiro de Satanás, para me esbofetear" (2 Cor. 12.7).


5. Deus pode curar e cura. De facto, toda a cura é verdadeiramente divina. Um dos nomes de Deus no VT é Jeová-Rofeka - "o Senhor que te cura" (Êxo. 15.26). Nós devemos reconhecer Deus em todo o caso de cura. E claro nas Escrituras que Deus usa diferentes meios no alto de curar. Por vezes cura por intermédio de processos orgânicos naturais. Ele colocou no corpo humano tremendos poderes de recuperação. Os médicos sabem que a maior parte dos pacientes encontram-se melhores pela manha. Outras vezes cura por meio de medicamentos. Por exemplo, Paulo aconselhou Timóteo a usar "um pouco de vinho, por causa do estômago e das ... frequentes enfermidades" (1 Tim. 5.23). Outras, cura através da libertação de temores, ressentimentos, preocupações, e culpas, que produzem doenças. Outras ainda, cura por meio de médicos e cirurgiões. O Senhor Jesus ensinou explicitamente que os doentes necessitam de médico (Mat. 9.12). Paulo falou de Lucas como "o médico amado" (Col. 4.14), reconhecendo a necessidade de médicos entre os Cristãos. Deus usa médicos no ministério da cura. Como Dubois, o famoso cirurgião Francês disse, "O cirurgião veste a ferida; Deus cura-a".


6. Mas Deus também cura miraculosamente. As Escrituras contém disto muitas ilustrações. Seria incorreto afirmar que Deus cura desta forma dum modo geral, mas também não devemos afirmar que nunca o faz. Não há nada na Bíblia que nos desencoraje da crença que Deus hoje pode curar miraculosamente.


7. No entanto, também deve tornar-se claro que a cura nem sempre é da vontade de Deus. Paulo deixou Trófimo doente em Mileto (2 Tim. 4.20). O Senhor não curou Paulo do seu espinho na carne (2 Cor. 12.7-10). Se fosse sempre da vontade de Deus curar, alguns nunca envelheceriam nem morreriam!


8. Deus não prometeu curar em todos os casos; por conseguinte, a cura não é algo que possamos exigir d'Ele. Em Fil. 2.27, a cura é falada como sendo uma misericórdia, não algo que tenhamos o direito de esperar.


9. Apesar de, num sentido geral, ser verdade que a cura se encontra abrangida pela "Expiação", também é verdade que nem todas as bênçãos que a Expiação abarca nos foram já concedidas. 

Por exemplo, a redenção do corpo está incluída na obra de Cristo por nós, mas não a experimentaremos antes da Sua vinda para os Seus santos (Rom. 8.23). Então seremos completa e finalmente curados de todas as doenças.


10. Não é verdade que o insucesso da cura indicie falta de fé. Se assim fosse, tal significaria que alguns viveriam indefinidamente; mas não há nenhum exemplo disso. Paulo, Trófimo, e Gaio, não foram curados, mas apesar disso a fé deles foi viril e ativa.


Por William McDonald

 4. O Batismo no Espírito Santo


"Todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer Judeus quer Gregos, quer escravos quer livres" (1 Coríntios 12:13).


I. A Personalidade e Divindade do Espírito Santo

O Espírito Santo, tal como a Palavra de Deus no-Lo apresenta, não é apenas uma influência, a força ativa de Deus, mas sim uma Pessoa divina, assim como o Pai e o Filho. Ele tem todos os atributos da divindade:

  • A omnisciência - (1 aos Coríntios 2:10);
  • A omnipotência - (Zacarias 4:6);
  • A omnipresença - (Salmo 139:7);
  • A eternidade - (Hebreus 9:14).


Estas passagens nos elevam a sua personalidade mostrando-nos, ao mesmo tempo, a Sua divindade:

  • O batismo pela água é dado em nome do Espírito Santo, tal como em nome do Pai e do Filho (Mateus 28:19).
  • O Espírito Santo fala por nós. E uma Pessoa que fala (Marcos 13:11).
  • É um outro Consolador. Tem de ser uma Pessoa, tal como o primeiro Consolador, Jesus Cristo (João 14:16) [Note-se que a mesma palavra grega, "Parakletos", é empregada tanto para o Espírito Santo, como podemos ver em João 14:16 e 26; 15:26; 16:7, como para Jesus - 1 de João 2:1. Aliás, este epíteto (cognome) não se aplica senão a uma pessoa].
  • É preciso ser alguém para fazer lembrar, ensinar, etc. (João 14:26).
  • "Ele testificará de mim. E vós também testificareis" (João 15:26-27). Este paralelismo mostra claramente a Personalidade do Espírito Santo.
  • "Convém-vos que eu vá, porque se eu não for o Consolador não virá a vós" (João 16:7). Que vantagem poderia haver se, perdendo a Pessoa bendita do Senhor Jesus, ela fosse substituída por uma simples influência?!
  • "Quando vier aquele Espírito de verdade..." (João 16:13) [Note-se também que, no grego, sempre se emprega o pronome masculino quando se trata do Espírito Santo embora o nome "pneuma" (espírito) seja neutro].
  • Mentir ao Espírito Santo (v.3) é mentir a Deus (v.4)" ,(Atos 5:1-10);
  • "Disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo..." (Atos 13:2). Temos aqui a Personalidade absoluta, pois uma influência não fala;
  • "Não entristeçais o Espírito Santo de Deus" (Efésios 4:30);
  • "O Espírito intercede por nós" (Romanos 8:26);
  • "Cristo está à direita de Deus e também intercede por nós" (Romanos 8:34). Temos, portanto, a interceder por nós, na Terra, uma Pessoa divina, o Espírito Santo, e no Céu, outra Pessoa divina, o Senhor Jesus;
  • "A intenção do Espírito" (Romanos 8:27);
  • "Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo, em todos. Um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo a cada um, como quer" (1 Coríntios 12:5-6 e 11).

Em Apocalipse 1:4 - O Espírito Santo, sob a forma de sete espíritos, é colocado na mesma posição que O Eterno e o Cristo. Finalmente, "a graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos!" (2 Coríntios 13:13).


II. Diferentes Características sob os quais o Espírito Santo é Apresentado na Palavra de Deus

O Espírito Santo é apresentado como o Espírito de verdade, de vida, de poder, de amor, de conselho, de graça, de glória, de promessa, de adaptação (1); Ele é o Espírito Santo, o Espírito de Deus, do Eterno, do Senhor, do Pai, de Jesus, de Cristo (2); Mas também é considerado como:

  1. Selo - O verbo selar é empregado pelo Senhor em João 6:27 e três vezes para os crentes em 2 Coríntios 1:22, Efésios 1:13 e 4:30. E a passagem de João 3:33 nos dá o sentido da palavra assim empregada: "Aquele que aceitou o Seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro". Assim, quando Deus sela um crente, dando-lhe o Espírito Santo, certifica a veracidade da sua fé. O selo é a marca que Deus aplica sobre um crente, reconhecendo-o como propriedade Sua, separando-o para Ele;
  2. Unção - O verbo ungir é empregado pelo Senhor em Atos 10:38 (e também em Lucas 4:18 e em Atos 4:27) no sentido de uma consagração para o serviço. Empregada quatro (4) vezes para o crente (2 Coríntios 1:21 e 1 de João 2:20, 27, 27), esta expressão caracteriza a capacidade da inteligência espiritual para compreender as coisas de Deus (ler 1 Coríntios 2:6-16);
  3. Penhor - Empregada três (3) vezes (2 Coríntios 1:22; 5:5 e Efésios 1:14), esta expressão indica a certeza das coisas que estão ainda em esperança. É, por assim dizer uma prestação sobre os bens que nos pertencem na glória;
  4. Batismo - O verbo baptizar não foi empregado quando o Espírito Santo desceu sobre o Senhor; e nas seguintes passagens da escritura, ele sempre é utilizado num sentido colectivo: em relação com a vinda inicial do Espírito Santo (Mateus 3:11; Marcos 1:8; Lucas 3:16; João 1:33), vindo baptizar Judeus (Atos 1:5) e Gentios (Atos 11:16), para serem um só corpo (1 Coríntios 12:13).

Assim, pela unção, temos o conhecimento; pelo selo, temos a segurança; e, tendo os penhores nos nossos corações, gozamos, por antecipação, da bênção, conhecida e em vista da qual fomos batizados do Espírito Santo.


III. Algumas Funções do Espírito Santo.

  1. É o Consolador dos crentes (João 14:16);
  2. Ensina e recorda as palavras do Senhor (João 14:26);
  3. Dá testemunho do Senhor (João 15:26);
  4. Convence o mundo do pecado, da Justiça e do Juízo (João 16:8-11);
  5. Guia em toda a verdade (João 16:13);
  6. Anuncia as coisas que hão de acontecer (João 16:13);
  7. Testifica que somos filhos de Deus (Romanos 8:16);
  8. Derrama o amor de Deus nos nossos corações (Romanos 5:5);
  9. Recebe do que é de Cristo e no-Lo anuncia (João 16:14);
  10. Inspira os autores sagradas (1 de Pedro 1:11 e 2 Pedro 1:21);
  11. Ajuda-nos nas nossas orações (Romanos 8:2&27; Efésios 6:8 e Judas 20);
  12. Distribui dons aos homens (l Coríntios 12:11).

Todas as funções do Espírito Santo parecem poder ser resumidas nesta declaração do Senhor Jesus: "Ele me glorificará" (João 16:14).


IV. Expressões que não devem ser confundidas.

  • O Espírito Santo - Pessoa divina, eterna, como o Pai e o Filho;
  • Atividade do Espírito Santo desenvolve-se em relação com a Terra, desde a primeira à última página da Bíblia (Gênesis 1:2; Apocalipse 22:17). Pode-se extinguir a atividade do Espírito, especialmente numa igreja (1 Tessalonicenses 5:19);
  • O Dom do Espírito Santo - É da máxima importância compreender que é o próprio Espírito Santo quem constitui o dom. (Veja-se, por exemplo, Atos 10:44-46). Este Dom caracteriza exclusivamente o Cristianismo. Pelo Espírito Santo, vindo a este mundo como Pessoas divina, Deus vem selar a fé em Cristo, e, além disso, o Espírito Santo faz a Sua morada nos crentes. Junta-os também num só corpo para formar "uma habitação de Deus pelo Espírito" (Efésios 2:22);
  • Os Dons do Espírito Santo - São talentos, são capacidades outorgadas livre e soberanamente pelo Espírito Santo aos crentes, em vista do serviço cristão, para a salvação dos pecadores e para a edificação da Igreja;
  • A Plenitude do Espírito Santo é a livre e inteira ação do Espírito Santo no crente, dando-lhe o pleno gozo das coisas celestiais, ou uma capacidade e um poder particular para um determinado serviço;
  • O Fruto do Espírito é a manifestação da vida divina no crente. Os frutos que ele dá são a demonstração da nova vida que ele recebeu de Deus e da atividade do Espírito Santo nele.


V. O Que Significa a Expressão "Ser Batizado"?

Certas pessoas falam de "ser batizado" no sentido de ser batizado do Espírito Santo. Esta expressão presta-se a criar confusão, pois não é nunca empregada nas Sagradas Escrituras com esse sentido, mas sempre no sentido de ser batizado com água, ou num sentido particular facilmente discernível (Ex. Marcos 10:38-39 e Lucas 12:50). Com efeito, nos 96 empregos do termo "batismo/batizado" no Novo Testamento, não há senão sete (7) que se referem diretamente ao batismo do Espírito Santo, com uma única excepção, que, aliás, apenas se aproxima (1 Coríntios 12:13), e todas estas estão colocadas para estabelecer um paralelismo com o batismo da água. Quando a Escritura diz que uma pessoa é batizada (sem precisar mais nada), ela sempre está evidenciado que esta é batizada com água - e nada mais. Quanto à recepção do Espírito Santo, a Palavra de Deus exprime-se assim:

  • Dom do Espírito Santo - (Atos 2:38; 10:45; 15:8; Romanos 5:5. Ver ainda l aos Tessalonicenses 4:8 e l de João 3:24);
  • Receber o Espírito Santo - (Atos 10:47; 19:2, Romanos 8:15; 1 Coríntios 2:12);
  • Ser selado do Espírito Santo - (Efésios 1:13; 4:30)
  • Ser baptizado do Espírito Santo - (l Coríntios 12:13).

Estas expressões apresentam diferentes aspectos de um mesmo fato; são equivalentes, mas as duas primeiras são mais explícitas.Notemos ainda, embora de passagem, que a Bíblia não fala nunca de uma "primeira experiência" e nem de uma "segunda experiência"; a própria palavra, no sentido que atualmente se lhe dá, é totalmente estranha ao Novo Testamento.

VI. Deve-se ser Batizado de Fogo?

Nota sobre Mateus 3:11 e passagem paralela: Nenhum outro, além de João Batista, fala de se ser batizado com o Espírito Santo e com fogo. Vejamos em que contexto (ler atentamente os versos 5 a 12, que formam um conjunto): Esta narrativa fala de duas espécies de indivíduos, dos verdadeiramente arrependidos (v.6) e dos hipócritas (v.7). são sucessivamente comparados a árvores que umas dão bons frutos e outras maus (v. 10), e também ao trigo e à palha (v.12). Fala-no também, e mui claramente, do julgamento que se abaterá sobre os maus, sendo os justos poupados (v.10) e recolhidos no celeiro (v.12). É assim que nos é dito no verso sete (7) acerca de "ira futura"; no verso 10, da "árvore cortada e lançada no fogo", e, enfim, no verso 12, da "eira limpa" e da "palha queimada num fogo inextinguível". É, pois, entre dois versos que falam de Julgamento que se situa esta declaração de João Batista, que anuncia, da maneira mais transparente, o ato oficial que devia inaugurar as duas dispensações que iam seguir-se:

  • A da Graça - batismo do Espírito Santo;
  • E a do Juízo - batismo de fogo (ver Isaías 61:2 e Malaquias 3:2-3 e 4:1).

João não apresenta aqui o Messias como o Salvador vindo em graça, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29), mas sim como o Chefe do Reino. Aquele que devia executar o Julgamento sobre aqueles que não se arrependessem.Significado do Fogo na Palavra de Deus: É o emblema do Julgamento que consome, e esta passagem bem o demostra. Citemos, porém, mais alguns versículos para o confirmar:

  • "Porque um fogo se acendeu na minha ira e arderá até ao mais profundo do Inferno e consumirá a Terra" (Deuteronômio 32:22);
  • "Do Senhor dos Exércitos serás visitada com trovões... e labareda de fogo consumidor" (Isaías 29:6);
  • "Porque, eis que o Senhor virá em fogo; e os seus carros como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo. Porque, com fogo e com a sua espada, entrará o Senhor em Juízo com toda a carne" (Isaías 66:15-16);
  • "Porque o fogo se acendeu em minha ira, e sobre vós arderá" (Jeremias 15:14);
  • "Ó casa de Davi... Julgai justamente, e livrai o espoliado da mão do opressor, para que não saia o meu furor como fogo, e se acenda, sem que haja quem O apague, por causa da maldade de vossas ações" (Jeremias 21:12);
  • "Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação; com o fogo do meu furor os consumi" (Ezequiel 2:31);
  • "O meu Juízo é ajuntar as nações e congregar os remos, para sobre eles derramar a minha indignação, e todo o ardor da minha ira, porque toda esta Terra será consumida pelo fogo do meu zelo" (Sofonias 3:8; ver também 1:18);
  • "Sim ,o nosso Deus, o Deus de graça, é também um fogo consumidor." (Hebreus 12:29).

Uma expressão inusitada: Esta expressão, empregada uma vez por João Batista, só é relatada por Mateus e Lucas, em relação com o carácter dos seus Evangelhos. Mateus apresenta o Messias, O Ungido, que, após ter sido suprimido, instaurará o Seu Reino para o Julgamento (Daniel 9:25-26; Salmo 2).Lucas nos apresenta o Filho do homem, que, por causa da Sua humilhação e da sua obediência até à morte, recebeu a autoridade de julgar (João 5:27; Filipenses 2:8-11).

Além de Mateus 3:11 e de Lucas 3:16, esta expressão nunca é empregada. O próprio Senhor tinha ordenado aos Seus discípulos que ficassem em Jerusalém até serem revestidos do poder do Alto; que esperassem a promessa do Pai, que Ele enviaria (Lucas 24:49). Em Atos 1:5 Ele precisa: "Vos sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias". E impressionante o paralelismo entre Atos 1:5 e Mateus 3:11, mas aqui o Senhor não acrescenta: "e com fogo", pois a promessa do Pai não é o Julgamento - que é "a sua estranha obra e o seu estranho ato" (Isaías 28:21), mas sim o DOM do Espírito Santo.

A descida do Espírito Santo é um Batismo de Fogo?A forma sob a qual o Espírito Santo veio batizar os crentes é característica: Sobre Jesus, o Espírito Santo desceu sob a forma de uma pomba, símbolo da pureza, para selar Aquele que era sem pecado; em Atos 2 são línguas repartidas como que de fogo (Não nos é dito: línguas de fogo). E o poder de Deus em testemunho, é o Espírito descendo sobre pessoas que tem uma natureza pecadora (Em Levítico 23:17, os pães do Pentecostes tinham fermento, símbolo do mal - Lucas 12:1 e 1 aos Coríntios 5:7) Mas este não é um batismo de Julgamento, porque o pode; era em graça, visto que toda a criatura em Jerusalém pode entender, na sua própria língua, as coisas magníficas de Deus. 

Não é notável ver, alguns anos depois, o apóstolo Paulo fazendo alusão a esta circunstância e dizer "E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente baptizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo (Atos 11:16)? Tendo vivido a circunstância inesquecível de Atos 2, afirma que este é o batismo do Espírito Santo, mas guarda-se bem de o chamar um batismo de fogo!Sintamo-nos felizes por nosso Deus e Pai não responder às orações dos Seus, quando pedem: "Dá-nos um batismo de fogo!" Não!... O Juízo dos verdadeiros crentes, Cristo o levou sobre a Cruz, e agora todo aquele que, do coração, crê nEle tem a vida eterna; não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida (João 5:24). O verdadeiro crente já não terá batismo de fogo.


VII - O QUE É O BATISMO DO ESPÍRITO SANTO ?
Por vezes, ouve-se dizer: "Vocês tem o Espírito Santo, mas não são batizados do Espírito Santo"! A narrativa de Atos 10 e 11 nos mostra bem o contrassenso de uma tal afirmação. É evidente que Cornélio e os seus não tinham o Espírito Santo antes de Pedro ir lhes pregar, pois o Espírito Santo cai sobre eles enquanto ouviam a Palavra (Atos 10:44). A própria Escritura afirma que há:

  1. O DOM do Espírito Santo (Atos 10:45);
  2. A RECEPÇÃO do Espírito Santo (Atos 10:47);
  3. O BATISMO com o Espírito Santo, prometido pelo Senhor (Atos 11:16).

Os três outros casos relatados em Atos são de igual modo claros. Todos estão de acordo em que se trata mesmo do batismo do Espírito Santo; vejamos:

  • Em Atos 2, embora o poder esteja presente, trata-se antes de mais nada da recepção do Espírito Santo, que Jesus glorificado envia do Céu (Atos 2:33). É bem o DOM do Espírito Santo (Atos 2:38);
  • Em Atos 8:15-17 é bem o Espírito Santo que é dado. Até mesmo Simão, o mágico, o tinha compreendido (v. 19);
  • Em Atos 19:1-7 é bem o Espírito Santo que vem sobre eles.

O Espírito Santo é apresentado na Palavra de Deus como um espírito de adoção e como um espírito de poder, mas de modo nenhum é como se houvesse dois espíritos santos, ou como se o Espírito Santo dado não o fosse imediata e completamente. São simplesmente dois aspectos, duas consequências da Sua presença no crente.
Como apóstolo Paulo, queremos pôr a seguinte questão: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Coríntios 3:16).


VIII- COMO QUE NÓS FAZEMOS PARTE DO CORPO DE CRISTO?
A Escritura é clara: "Todos nós fomos batizados em um Espírito (ou: no poder de um só Espírito), formando um corpo, quer judeus quer gregos, quer escravos quer livres, e todos temos bebido de um Espírito" (1 Coríntios 12:13).

É pelo batismo do Espírito Santo, pela recepção do Espírito Santo que os crentes formam um só corpo, e por nenhum outro meio. A Igreja, corpo de Cristo, não existe senão depois da descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Dizer a um verdadeiro Cristão que não foi baptizado do Espírito Santo é dizer que ele não 'faz parte do corpo de Cristo. Nós não reconhecemos nessas afirmações a voz do Bom Pastor. Quando o Espírito Santo é dado para unir os crentes, verifica-se que uma certa doutrina relativa ao batismo do Espírito Santo tenta dividi-los. Virá isso de Deus? Não!... "Um inimigo fez isso" (Mateus 13:28).

Será preciso fazer notar que este verso fundamental se encontra no mesmo capítulo que a lista dos 9 dons ditos espirituais? Aliás, nos é dito com grande precisão que esses dons são distribuídos soberanamente pelo Espírito (l Coríntios 12:11), e não a todos (1 Coríntios 12:28-30). 

A Sagrada Escritura afirma: "Nós fomos todos batizados em um só Espírito, para sermos um só corpo" (v. 13). No corpo humano há apenas um nariz, uma boca uma língua, mas há dois ouvidos, duas mãos, uma multidão de nervos, etc. E o mesmo se dá no Corpo de Cristo: "Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis" (v. 18). 

Quem ousará contestar o lugar que Deus deu a cada remido? Quem ousará dizer: Porque não és nariz, ou boca, ou língua, não fazes parte do corpo (v. 14-27)? Vamos tentar definir esses "cristãos" que não fariam parte do corpo de Cristo (ler todas às vezes o contexto):

  • Romanos 12:4-5 - Nenhuma exortação deste capítulo seria válida para eles;
  • 1 Coríntios 12:13-27 - Não teriam nem os dons da graça e nem ministérios;
  • Efésios 1:23 e Colossenses 1:18 - O Senhor não seria o seu Chefe ou a sua Cabeça;
  • Efésios 2:16 - Não seriam aproximados de Deus pelo sangue de Cristo; não conheceriam a paz e não seriam concidadãos dos santos, pessoas da Casa de Deus;
  • Efésios 3:6-Não seriam participantes da promessa em Cristo, pelo Evangelho;
  • Efésios 4:4 - Não teriam esperança;
  • Efésios 4:12 - Não seriam santos e não poderiam aproveitar dos ministérios que o Senhor deu especialmente para a edificação do Seu Corpo;
  • Efésios 4:15-16 - Não poderiam crescer e nem ser edificados;
  • Efésios 5:29-30- Não seriam alimentados nem amados por Cristo;
  • Colossenses 2:19 - Não seriam alimentados uns pelos outros, nem estariam unidos uns aos outros;
  • Colossenses 3:15 - A paz não reinaria em seus corações, e, verdadeiramente, não se poderia pedir que fossem reconhecidos!

Quais são, pois, esses Cristãos sem Consolador, sem poder para o testemunho, sem Guia para os conduzir na Verdade, não fazendo parte do Corpo de Cristo? Os apóstolos nunca os reconheceriam como Cristãos! (Ver Judas 19).


IX- O ESPÍRITO SANTO "EM VÓS" E O ESPÍRITO SANTO "SOBRE VÓS"
Por vezes, ouve-se falar de Cristãos "na montanha" (tendo recebido o Espírito) e de Cristãos "no vale" (não tendo recebido o Espírito), o que faz eco às falsas doutrinas das "Testemunhas de Jeová" que dizem que há uma classe de "ungidos" (tendo recebido o Espírito), e uma classe de "outras ovelhas" (não tendo recebido o Espírito). Outros dizem que se pode ter o Espírito Santo "em si" sem tê-Lo "sobre si", designando assim duas "experiências" diferentes. 

Examinemos isto, porque é importante: Nos 4 grupos de pessoas mencionados em Atos, sempre é dito: "O Espírito Santo sobre vós" (Atos 1:8; 8:16; 10:44; 19:6); e acabamos de ver que era a realização da promessa do Pai (Lucas 24:49), a consequência da exaltação de Cristo (João 7:39), e que esse batismo era o Dom do Espírito Santo, a vinda do Espírito Santo para batizar judeus e gentios num só Corpo (1 Coríntios 12:13). 

Ora em João 14:16-17, nos é dito claramente: "O Pai vos dará outro Consolador... O Espírito de Verdade... e estará em vós." Vemos claramente que as duas expressões são equivalentes. Ninguém põe em dúvida que os Coríntios tenham sido batizados com o Espírito Santo, e a Palavra de Deus afirma: "Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus?" (l Coríntios 6:19). 

O Espírito Santo em vós ou o Espírito Santo sobre vós são dois aspectos de uma só e mesma verdade: a recepção do Espírito enquanto Pessoa divina. Para tentarem firmar a falsa distinção acima mencionada, apoiam-se na passagem de João 20:22: "E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo", afirmam então que receberam o Espírito Santo neles (João 20) antes de O receberem sobre eles (Atos 2). (Note-se que as versões portuguesas mais correntes traduzem já, em 20:22, "sobre eles", e não "neles").Convém fazer notar, desde já, o carácter excepcional e único da cena de João 20. Só os discípulos conheceram historicamente a Antiga Aliança, a presença do Messias vivendo sobre a Terra, a Sua morte, a Sua ressurreição, a Sua ascensão e a descida do Espírito Santo, iniciando o período da graça. O pormenor da sua experiência e, pois, particular e não geral. Por outro lado, não se trata da recepção do Espírito Santo segundo João 14:17, porque: O Espírito Santo não podia descer sobre a Terra na qualidade de Pessoa divina, segundo a promessa do Pai, senão em virtude da redenção e como consequência da glorificação de Cristo (João 7:39). Aliás, a confirmação disto é dada pelo próprio Senhor Jesus, quando diz, em Atos 1:4-8, após a circunstância de João 20: "... que esperassem a promessa do Pai... o Espírito Santo". Pedro dá o mesmo testemunho em Atos 2:33. 

João 20 não poderia ser a realização da promessa da divina; também não trata do novo nascimento, porque os discípulos já eram nascidos de novo. A Escritura também é categórica sobre este ponto. O Verbo "assoprar", empregado aqui no original, é único no Novo Testamento, e não é empregado senão duas vezes no Antigo (versão grega dos Setenta): Gênesis 2:7 - "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente"; Ezequiel 37:9 - "Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam"!

Nós pensamos que em João 20 o Senhor Jesus comunica, sobre a base de uma obra realizada, a Sua vida de ressurreição. Da mesma maneira como o assopro do Eterno tinha introduzido Adão na primeira Criação, o assopro de Jesus ressuscitado introduz os crentes na Nova Criação, conforme está escrito: "O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante (1 Coríntios 15:45).Esta passagem sublinha a grandeza e a glória do Cristo ressuscitado. É ele que traz a paz, é Ele que envia os Seus discípulos, é Ele que comunica a Sua vida de ressurreição, é Ele que confere autoridade aos apóstolos!Por outro lado, temos nos versículos 19 a 29 de João 20 um quadro profético notável. Com efeito, encontramos ali:

  • Os crentes reunidos no domingo, apesar da oposição. O Senhor Jesus aparecendo do meio deles e lhes trazendo a paz (v.19);
  • A missão da Igreja, testemunha da ressurreição de Cristo (v.20 e 21);
  • O Espírito Santo dado como consequência da obra da redenção (v.22);
  • O privilégio e a responsabilidade da Igreja (v.23);
  • A ausência de Tomé (tipificando o povo judeu, que faltou a bênção) (v.24);
  • O testemunho da Igreja ao povo judeu, que recusa crer (v.25);

Jesus manifestando-Se ao povo Judeu "oito dias depois", quer dizer, quando uma semana inteira (o período da Igreja) tiver decorrido (v.26-27); O povo Judeu que crerá quando vir o seu Messias (v.28);A parte privilegiada da Igreja que - só ela - terá recebido o Espírito de adoção (v.29).


X- O BATISMO DO ESPÍRITO SANTO DEPENDE DO BATISMO DA ÁGUA?
Ouve-se, por vezes, dizer: "Não podeis receber o Espírito Santo se não tiverdes sido batizados em primeiro lugar com água, e por imersão". Pensamos que não é este o ensino das Sagradas Escrituras: Em Atos 2:38 Pedro diz aos Judeus: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o Dom do Espírito Santo; "Pode alguém, porventura, recusar a água, para que não sejam batizados estes que também receberam, como nós, o Espírito Santo?" (ver Atos 10:44-48). E o mesmo apóstolo que fala, mas aqui referindo-se aos gentios.Não procuramos estabelecer um princípio, e ainda menos uma ordem cronológica, mas afirmamos, de acordo com as Escrituras, que o Dom do Espírito Santo não depende do batismo com água (e ainda menos de um método de administração), e que a graça de Deus não se deixa encerrar em princípio humanos. 

O batismo com água é o selo humano (embora divinamente ordenado), colocado sobre a profissão de fé; o batismo do Espírito Santo é o selo divino colocado sobre a fé de coração.Em Atos 8:13 vemos que Simão, o mágico, creu, e sobre esta confissão de fé ele foi baptizado; mas quando Pedro e João oraram para que o Espírito Santo descesse sobre esses novos crentes, Simão, o mágico, não o recebeu. E a razão desse fato nos é dada nos versos 21 e 23: Simão não tinha realmente parte nem sorte naquele ministério. O seu coração não era recto perante Deus. Ele estava em fel de amargura, e em laço de iniquidade. Pode-se enganar o homem, mas a Deus nunca ninguém O enganará.


XI - MODOS SEGUNDO OS QUAIS O ESPÍRITO SANTO FOI DADO NO LIVRO DE ATOS
O fato de o Espírito Santo ter sido dado em duas ocasiões pela imposição das mãos, tem sido desnaturado de tal maneira, que se tornou a base de todo um sistema. Mas vejamos o que dizem as Escrituras:

Caso Geral - Nos dois solenes acontecimentos em que o Espírito Santo veio batizar judeus (Atos 2) e gentios (Atos 10), unindo-os em um só corpo (1 Coríntios 12:13), o Espírito Santo caiu sobre os dois grupos de pessoas, sem pedido e sem imposição de mãos. Nenhum caso particular poderia enfraquecer ou invalidar, e ainda menos substituir o princípio geral aqui estabelecido: É Deus quem dá o Espírito Santo, sem ter necessidade de um intermediário humano Este Dom é a porção de todos os crentes, confirmada pelo caso das 3.000 pessoas de Atos 2:41, pelo de Atos 4:4, e pelo de todas as epístolas (2 Coríntios 1:21-22; Efésios 1:13-14; Romanos 8:15; Gálatas 3:2). Não é, pois, questão de se pedir o Espírito Santo nem de imposição de mãos. Portanto, permaneçamos fiéis às Sagradas Escrituras, que é o que mais importa;

Casos Particulares - Em Atos 8:15-19 trata-se de samaritanos, povo mesclado (2 Reis 17), com o qual os judeus não tinham relações (João 4:9). A questão podia pôr-se, e muito seriamente, se Filipe não tivesse feito um trabalho pessoal, independente da obra de Deus, independente daqueles que o Senhor tinha estabelecido para cuidarem dos Seus interesses. Deus, na Sua sabedoria, a fim de que a obra permaneça una, dá o Espírito Santo por intermédio de Pedro e de João, pondo desse modo o selo da Sua aprovação sobre o ministério de Filipe, mostrando a plena identidade com a obra de Jerusalém e sublinhando a autoridade dos apóstolos.Em Atos 19:6 trata-se de discípulos de João Batista que, criam que o Messias batizaria como Espírito Santo (Marcos 1:8), mas que não sabiam que essa promessa já havia sido realizada.Paulo, não se considerando em nada inferior aos mais excelentes apóstolos (2 Coríntios 11:5), demonstra a validade do seu apostolado impondo as mãos a esses crentes e o Espírito Santo vem sobre eles. Atualmente, todos os crentes se ligam ao caso geral, fazendo parte, quer do povo judeu, quer do gentio, recebendo o Espírito Santo sobre o princípio da fé, sem pedido e sem imposição de mãos. Não poderiam, de modo nenhum, ligar-se aos casos particulares acima referidos, porque não são nem Samaritanos nem discípulos de João Batista!


XII- PARA QUEM É O DOM DO ESPÍRITO SANTO?
Se não é para o mundo (João 14:17), é, certamente:

  • Para aqueles que creem (João 7:39; Atos 11:17);
  • Para os filhos de Deus (para os que tal se tornam pela fé (Gálata);
  • Para todos, isto é, para todos os que creem (1 Coríntios 12:13);
  • Em Atos 2:1-4 vemos que são TODOS os que estão reunidos que recebem o Espírito Santo (trata-se, bem entendido, de crentes);
  • Em Atos 8 vemos que o Espírito Santo ainda não tinha descido sobre nenhum (v. 16), mas à oração de Pedro e de João, e seguindo-se a imposição das mãos dos apóstolos, eles receberam o Espírito Santo. Quem O recebeu? TODOS, excepto aquele que não tinha a fé do coração - Simão, o mágico. Sim, o Espírito Santo é para todos os que creem, mas para aqueles que verdadeiramente criem do coração;
  • Em Atos 10 vemos que são TODOS os que ouvem a Palavra de Deus (e a recebem!) que se beneficiam do Dom do Espírito Santo (v.44);
  • Em Atos 19 são TODOS os que Paulo ensina e a quem impõe as mãos que recebem o Espírito Santo (v.6-7).

Ao lado destes 4 casos há muitos outros, no mesmo livro, onde não se põe a questão da recepção do Espírito Santo, dado que a sua recepção era normal, como consequência da fé: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o Dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e A TODOS OS QUE ESTÃO LONGE, A TANTOS QUANTOS DEUS NOSSO SENHOR CHAMAR" (Atos 2:38-39). Quem não compreenderia tais palavras? Foi o que se passou com aqueles 3.000 convertidos de Atos 2:41, com os 5.000 de Atos 4:4, e com todos os outros (1). E o mesmo se deu com todos os Coríntios (1 Coríntios 2:12; 2 Coríntios 1:21-22), com todos os Efésios (Efésios 1:13-14), com todos os Romanos (Romanos 8:15), com todos os Gálatas (Gálatas 3:2).Resta-nos considerar um versículo muitas vezes citado para afirmar que, se certas pessoas não têm ou não podem ter o Espírito Santo é porque não obedecem a Deus. 

Com efeito, Atos 5:32 diz-nos "nós somos testemunhas... nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que LHE obedecem".Vejamos agora um pouco mais atentamente o ensino geral das Escrituras: Todos os homens são naturalmente "filhos da desobediência" (Efésios 2:2), mas todos são responsáveis perante Deus para se arrependerem (Atos 17:30) e crerem (João 3:16 1 Timóteo 2:4), para se tornarem "filhos da obediência" (l Pedro 1:14). De modo que não crer é desobedecer a Deus.(Ver 1 João 3:23).A obediência e a fé estão intimamente ligadas nas Escrituras, que falam várias vezes da "obediência da fé" (Romanos 1:5; 16:26).

O Versículo mais elucidativo encontra-se em João 3:36: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece". Note-se que as palavras "crer", "desobedecer" ou "não crer" (João 3:36) e "obedecer" (Atos 5:32) têm a mesma raiz grega. Este verso mostra bem que aqueles que obedecem a Deus são simplesmente os que creem, mas também que a obediência não está apenas ligada ao Dom do Espírito Santo, mas também à salvação. É, pois, falso dizer que uma pessoa salva não tem o Espírito Santo, porque não obedece a Deus; se ela não tem esta "obediência da fé", certamente não está salva.Note-se que a afirmação deste fato fundamental não se opõe, de modo nenhum, a este outro fato: Um crente, filho de Deus, selado do Espírito Santo, pode, infelizmente, nem sempre se mostrar como um filho obediente. É por isso que ele é incessantemente exortado a essa obediência filial (os inconvertidos não podem sê-lo). Por outro lado, se ele não reconhece os direitos do Senhor sobre a sua vida, o Espírito Santo é entristecido.


XIII- QUANDO, ATUALMENTE, SE RECEBE O ESPÍRITO SANTO?

  • A Sagrada Escritura diz:
  • Após ter crido (Efésios 1:13);
  • Quando somos filhos (Gálatas 4:6).

Se o Novo Nascimento é a comunicação da vida de Deus a um inconvertido (João 3:3-5; Mateus 18:3), o selo do Espírito Santo é o sinete que Deus apõe sobre o crente (João 7:39; 14:17). As duas coisas podem ocorrer simultaneamente, não ficando menos distintas por causa disso. O livro de Atos nos apresenta dois casos em que o Espírito Santo não é dado imediatamente: Atos 8- Deus, por esse atraso (de alguns dias apenas!,) mantém a unidade da obra. É um caso muito particular; era a primeira vez que o Evangelho era anunciado fora dos estreitos limites de Jerusalém (Atos 8:1); Atos 19 - Aqui o atraso é devido a uma falta de conhecimento acerca de um ponto fundamental da doutrina cristã. Esses "certos discípulos" que tinham sido instruídos por João Batista e que viviam agora a 1.600 km de Jerusalém não sabiam que a obra da redenção já estava consumada. Eram "crentes", eram discípulos", mas a fé em um Messias que devia reinar não era suficiente para fazer deles Cristãos; era preciso crer na morte, na ressurreição e na glorificação de Cristo. A partir daí já não havia obstáculo a que eles recebessem o Espírito Santo.Desde que uma alma conheça Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, e descanse sobre a obra perfeita da Cruz, o Espírito Santo lhe é dado. E Ele dá ao crente O gozo da sua Salvação, o poder para andar segundo Deus, a certeza da sua adoção como filho.

  • Em Atos 2:37-41 vemos que os 3.000 judeus receberam o Espírito Santo no mesmo dia;
  • E em Atos 2:47 vemos que "todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar". Ora, é pelo batismo do Espírito Santo que se faz parte da Igreja, que é o Corpo de Cristo (Efésios 4:4; 1 Coríntios 12:13).
  • Em Atos 10:44, no mesmo instante em que Cornélio e os seus ouvem a Palavra, anunciando-lhes a remissão dos seus pecados, o Espírito Santo cai sobre eles.


XIV - COMO O ESPÍRITO SANTO É DADO EM NOSSO DIAS?
Alguns dizem: "Pedindo-O e procurando-O com jejum e oração"; outros afirmam: "Pela imposição das mãos na reunião de espera do Espírito Santo"; Mas a Sagrada Escritura diz:

  • Pela pregação da fé (Gálatas 3:2);
  • Pela fé (Gálatas 3:14).
  • Pedido do Espírito Santo:

Até ao Pentecostes, os crentes podiam pedir o Espírito Santo (Lucas 11:13), porque a promessa ainda não tinha sido cumprida (João 7:39). De igual modo, o Senhor orou ao Pai a fim de que o Consolador, o Espírito Santo, fosse enviado (João 14:16), mas seria contrário às Escrituras dizer que o Senhor continua a orar atualmente com esse fim, uma vez que em Atos 2:33 lemos que Jesus recebeu, da parte do Pai, a promessa do Espírito Santo.Após a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecoste, já não se põe mais a questão de pedir o Espírito Santo, nem nos Atos, nem em nenhuma das epístolas. Façamos fé na Palavra de Deus, porque ela nos basta para nosso esclarecimento. Quanto aos verdadeiros Cristãos, podem dar graças a Deus, porque, segundo a Sua promessa, já "receberam o Espírito que provém de Deus" (l Coríntios 2:12). De duas, uma: Ou sois cristãos e recebestes o Espírito Santo, segundo a promessa divina, ou não sois absolutamente nada Cristãos (Romanos 8:9), e o que vos falta não é pedir o Espírito Santo, mas sim CRER! Apropriar-vos dos resultados da obra de Cristo e realizar a verdadeira posição cristã.


Imposição das mãos para a recepção do Espírito Santo:

O Livro de Atos relata-nos 2 casos (2) em que o Espírito Santo é dado após a imposição das mãos. Vamos considerá-los:

  • Então (Pedro e João) lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo (Atos 8:17);
  • E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo (Atos 19:6).

Nestes dois casos, como, aliás, lemos em Atos 8:18, o Espírito Santo é dado após a imposição das mãos dos Apóstolos. Quem não veria ali uma importante precisão? Bastará fazer estudos de Teologia, ou querer consagrar-se ao Ministério, ou ser aceito como Pastor por uma congregação para que o "crente" se torne apóstolo? (3) As epístolas nos dão algumas indicações nesse sentido? NENHUMA!


Reunião de espera do Espírito Santo:

Estão em flagrante oposição com os ensinamentos da Sagrada Escritura. É certo que os discípulos, após a ascensão do Senhor, deviam esperar em Jerusalém a realização da promessa do Pai, isto é, a vinda do Espírito Santo (Atos 1:4-5), e foi, certamente, o que eles fizeram; mas trata-se de um caso único. Pela primeira vez o Espírito Santo ia descer sobre os crentes para formar a Igreja de Deus, e isto como consequência da glorificação de Cristo (João 7:39; Atos 2:33). 

No dia de Pentecostes "estavam todos reunidos no mesmo lugar" (Atos 2:1). Oravam? A Palavra de Deus não no-lo diz. Estavam simplesmente juntos. Esperavam as manifestações que acompanharam e seguiram o derramamento do Espírito? Não! Ignoravam-nas simplesmente. Por um lado, as novas línguas de Marcos 16:17 eram para aqueles que iam crer, e não para aqueles que, crendo já, iam receber o Espírito Santo (João 7:39); por outro lado, a primeira epístola aos Coríntios ainda não tinha sido escrita. E haverá por aí alguém que pense que se passavam entre eles as mesmas coisas que se podem ver nas chamadas reuniões de espera? Haverá quem creia que eles se estimulavam uns aos outros, dizendo: "Vamos... Vamos lá!... Está quase!... Dizei: Aleluia!"? 

Haverá quem creia que se pode arrancar a Deus, por uma encenação tão mortificante como contrária às Escrituras, aquilo que tanto o Pai como o Filho Se comprometeram a dar?! (4)Como alguém disse, não se pode exprimir a dor que um verdadeiro Cristão sente quando vê os seus irmãos e irmãs "esperar horas e horas... orando, chorando, agonizando, gritando e transpirando a fim de receberem o batismo do Espírito Santo; e após toda essa espera, voltarem para suas casas vazios, desapontados, para na semana seguinte voltarem a orar, a cantar, louvar, agonizar de novo e de novo partir, mais uma vez desapontados - para tentarem mais uma vez noutra semana. E isto durante semanas, meses, e até anos!... Poderemos encontrar nas Sagradas Escrituras algo relacionado com esta procura e esta falência, com esta espera e esta falta de decoro, com estas idas e vindas, sempre vazios, sempre insatisfeitos, e sempre procurando? Poderá alguém encontrar um simples versículo que dê o menor encorajamento para este interminável desencorajamento?".

Nós dizemos, com Paulo: "Temo que, assim como a serpente enganou Eva, com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo" (2 Coríntios 11:3).

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Notas de Rodapé

1) Atos 5:14; 6:7; 9:35; 9:42; 11:21 e 24; 13:12 e 48; 14:1 e 21; 17:4, 12 e 34; 19:18, etc.

2) Dificilmente se pode levar em conta Atos 9:8-18 como apoiando esta tese, porque, por um lado, é sobre uma ordem precisa do próprio Senhor que a imposição das mãos tem lugar, por outro lado, esta parece estar unicamente em relação com a cura (v.12).

3) ver 1 Coríntios 4:9 e 2 Coríntios 12:12.4) João 14:16 e 26; 15:26; Atos 2:33, etc.


XV - O FALAR EM LÍNGUAS É O SINAL CARACTERÍSTICO DA RECEPÇÃO DO ESPÍRITO?
Que o falar em línguas, vindo de Deus, possa ser, em certos casos, um sinal da recepção do Espírito, não o contestaremos. A Escritura o diz (Altos 10:46); mas que seja o sinal inicial, o sinal característico, nós o negamos, pois a Bíblia afirma justamente o contrário: Com efeito, no capítulo 12 da primeira epístola aos Coríntios, Paulo, diz, no verso 13: "Todos nós fomos baptizados em um Espírito", mas no verso 30 põe a questão: "Falam todos diversas línguas?". Esta questão reclama uma resposta negativa. Se as línguas podem ser dadas a alguns, elas, contudo, não são a única demonstração da recepção do Espírito.Mas, para se desembaraçar deste versículo, alguns ainda invocam estes dois argumentos:

  • 1) Tratar-se-ia do dom de falar "outras línguas" concedido somente a alguns, e não do sinal das línguas, concedido a todos. Mas este argumento é falso, porque o versículo engloba, de forma evidente, tudo o que se pode chamar "falar em línguas". Aliás, em Atos 2:4 trata-se de falar "outras línguas" (ou seja, idiomas conhecidos);
  • 2) Tratar-se-ia de um falar em línguas na igreja a (ver 1 Coríntios 14:27). O verso 28 do capítulo 12, sobre o qual se apoiam, não diz que esses dons (apóstolos, profetas, doutores, variedade de línguas) devem, obrigatoriamente, ser exercidos na igreja, mas, que foram colocados por Deus na igreja, o que é totalmente diferente. E o verso 18 confirma: "Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis". A função dos diferentes membros pode e deve se exercer em benefício de todo o corpo (v.25), mas, tal como no corpo humano, sempre em perfeita harmonia e clareza.

Nos capítulos 14,15 e 16 de João, onde o Senhor que estava próxima fala com os Seus discípulos acerca da Sua partida que estava próxima e da vinda do Espírito Santo, Ele não falou de um sinal cuja ausência signifique que certa pessoa não recebeu o Espírito Santo! Se um tal sinal existisse, se poderia dizer que o Senhor tinha Se esquecido de lhes dizer o essencial! Mas, pelo contrário, são dadas numerosas consequências da vinda do Espírito Santo, das quais queremos sublinhar duas:

  1. Conduzir os crentes em toda a verdade;
  2. Glorificar a Cristo.

É assim que os erros doutrinais e as desordens entre um grupo de crentes demonstram, sem a menor sombra de dúvida, que o Espírito Santo não tem ali a Sua livre ação.Ainda que todos os Cristãos devessem falar uma língua incompreensível, isso não seria um sinal que os caracterizaria, que os identificaria como tais, visto encontrarmos o mesmo "fenômeno" nos

  • Sacerdotes budistas,
  • Dervixes maometanos,
  • Zulus (indígenas de Bornéu),
  • Médiuns espiritas,
  • Numerosos doentes mentais,
  • Etc., etc.

Com efeito, a linguagem pessoal desses doentes (termos por eles fabricados, frases incoerentes) corresponde estranhamente ao "falar em línguas" que se observa em certas igrejas. Isto não está precisamente de acordo com os ensinamentos ministrados por certos "pastores"? Vamos escutá-los um pouco: "Deixai ir a vossa língua; dizei, não importa o quê; pronunciai as sílabas que vos vierem à cabeça, repeti-as, fazei descer a vossa inteligência até ao Zero!". Ou ainda: "Eu vou dizer algumas palavras e vocês vão repetir. Misturá-las também, e não se inquietem com isso. Continuem repetindo muitas dezenas de vezes e dentro em pouco falarão em línguas!". E é isto o que se verifica!...Bastará dizer que o verdadeiro "dom de línguas", comunicado pelo Espírito de Deus, não tem nada a ver com essas aberrantes técnicas de desnaturação.Citam quatro passagens para afirmarem que "o falar em línguas é o único testemunho dado pela escritura do batismo do Espírito". São elas:

  • Atos 2: Aqui notamos, porém, que as manifestações são espontâneas (v.4), e não provocadas. Trata-se de um dom do Espírito, segundo 1 Coríntios 12:10. A utilidade desse dom é demonstrada imediatamente (v.5). A misericórdia divina neutraliza o julgamento caído sobre as nações em Gênesis 11:6-9, de maneira que todos puderam entender, na sua própria língua, as coisas magníficas de Deus (v.11);
  • Atos 10:46: O dom de línguas comunicado soberanamente por Deus a esses crentes mostrava à evidência a recepção do Espírito. São os mesmos sinais que tinham sido dados em Atos 2, e assim Pedro pôde testemunhar perante os apóstolos que os gentios tinham mesmo recebido o Espírito Santo. Notemos, porém, que Pedro não diz simplesmente que o Espírito Santo caiu sobre eles, nem mesmo que caiu sobre eles de modo habitual, mas sim "como também sobre nós ao princípio" (Atos 11:15), e liga o fato à promessa que o Senhor tinha lembrado aos Seus discípulos justamente antes do Pentecostes (Atos 11:16; 1:5). Como alguém disse: "As línguas eram um sinal, não porque fossem esperadas, mas precisamente porque eram inesperadas, não pedidas, nem habituais - tal como no Pentecostes - e destinavam-se sobretudo a convencer os judeus, mesmo os mais opositores, que Deus queria tão bem os pagãos como os judeus entre o Seu povo";
  • Atos 19:6: Eles falaram em línguas e profetizaram. São dois dons do Espírito Santo, mostrando, desse modo, que eles também tinham recebido o Espírito. Este Espírito Santo, cuja presença eles ignoravam, lhes foi então manifesto e confirmado por estes sinais incontestáveis.

Nestes três casos, que nos relata o livro de Atos (1), os dons do Espírito (falar em línguas, profetizar) mostram a recepção do Espírito Santo por esses diferentes grupos de crentes. Mas, teremos nós o direito de generalizar? (2) Por que calar os milhares de outros casos individuais que também são relatados pelas Escrituras? E estes dons nunca são abordados em relação com a recepção do Espírito Santo. Ou Deus se comprometeu a dar o dom de línguas a todo o crente?! No capítulo 16 do Evangelho segundo. Marcos temos a reposta. Examinemos, pois, esses versículos:Marcos 16:17-18: Se quiséssemos afirmar, segundo esta passagem, que todos os crentes devem falar outras línguas, seria preciso afirmar ao mesmo tempo que:

  • Todos os crentes devem expulsar demônios;
  • Todos os crentes podem pegar em serpentes sem sofrerem algum dano (3):
  • Todos os crentes podem beber qualquer veneno mortal, sem que este lhes faça mal (4);
  • Todos os crentes devem impor as mãos aos doentes, e os doentes devem ficar curados!...

Bem entendido, todos os crentes podem facilmente impor as mãos aos enfermos, mas o sinal dado não está na imposição das mãos, mas sim na cura dos doentes! E não um de tempos a tempos, nem mesmo nove em cada dez, mas sim TODOS os enfermos curados! (5).Ora, o que verificamos hoje? O desaparecimento, mais ou menos completo, desses sinais, que foram dados segundo a sabedoria de Deus, quando da implantação do Cristianismo.Quando um crente é mordido por uma víbora ou por qualquer outra serpente cujo veneno seja mortal, o que ele faz? Apressa-se a procurar soro antiofídico, para evitar uma morte certa e terrível; e, se bebe veneno morre. A sabedoria de Deus teve o cuidado de retirar esses sinais, quando já não eram indispensáveis, dando, porém, ao homem inteligência bastante para se defender.Em relação com esta passagem bíblica, julgamos dever fazer notar ainda:

  • Que se trata de sinais, e não de dons do Espírito;
  • Que esses sinais não eram prometidos aos apóstolos (os apóstolos tinham recebido a missão de pregar - verso 15), mas sim àqueles que iam crer por intermédio deles;
  • Que esses sinais são apresentados como consequência da fé (v. 17), e não como consequência de uma hipotética "segunda experiência".

Embora a Escritura afirme que "as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas sim para os infiéis" (1 Coríntios 14:22), este "falar em línguas" tornou-se um sinal para os crentes. Mas mais uma vez devemos notar que um tal ensino está à margem da Palavra de Deus.


XVI- QUAIS SÃO OS SINAIS ESCRITURÍSTICOS DA RECEPÇÃO DO ESPÍRITO?
Dizer aos crentes que não têm o Espírito Santo, porque não falam em línguas, porque não são o que poderiam ser, porque se ressentem do cansaço no caminho, é enganá-los! Fazer duvidar das promessas de Deus e perturbar as almas mal firmadas tem sido sempre a obra predileta do Inimigo e dos seus agentes (Gênesis 3:1-5). Edificar, fortificar, firmar na fé, tais são as atividades que procedem de Deus. Alimentemos da Pessoa de Cristo essas ovelhas fraquinhas e as ensinemos a andar pela fé - e não pela vista. (Mas, atenção: A fé que assenta em milagres não é a fé que salva!). 

Mostremos a elas que, se a sua vida é triste é porque não dão ao Senhor o primeiro lugar, é porque o Espírito, que está nelas, está entristecido (6), é porque toleram pecados não julgados, hábitos carnais ou mundanos. Lembremos-lhes que o sangue de Jesus Cristo purifica de todo o pecado e que a comunhão perdida pode ser reencontrada. Falemos-lhes da libertação do "EU", da carne, do pecado, do mundo; ensinemos-lhes qual é a verdadeira posição do crente em Cristo, mas não insistamos nunca para que elas façam ainda mais do que já faziam: ocupar-se delas próprias, das suas fraquezas, das suas insuficiências. Ocupar as almas delas próprias não é ministério que venha de Deus.Muitos há que se servem da questão posta por Paulo aos discípulos de João Batista para perturbar os cristãos autênticos: "Recebestes vós já o Espírito Santo, quando crestes?" (Atos 19:2). Não fariam muito melhor se estabelecessem as almas sobre o fundamento da Palavra de Deus e pusessem antes estas questões:

  • - Sabeis o que possui o crente que aceitou a Jesus Cristo com seu Salvador pessoal? - E a vida eterna! (E não como se ouve muitas vezes dizer: "uma vida eterna, que pode não ser eterna"!);
  • - Sabeis o que foi que Deus prometeu àqueles que puseram ~ sua confiança na obra da Cruz, que compreenderam que, se Cristo morreu por eles, também eles estão mortos com Cristo; àqueles que crerem no que a Bíblia chama "o Evangelho da nossa salvação"? - Foi o Espírito Santo! Escutai: "Depois que ouvistes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo" (Efésios 1:13);
  • - Tendes consciência de estardes "em Cristo?"
  • - Tendes consciência de que "Cristo está em vós"? (Romanos 8:1 e 10);
  • - Sabeis que isto está ligado à presença do Espírito Santo em vós? (João 14:15-23);
  • - Podeis chamar a Deus vosso Pai?
  • - É pelo Espírito de adoção que recebestes, que podeis conhecer esta relação filial, e é o mesmo Espírito que presta testemunho com o vosso espírito que sois filhos de Deus! (Romanos 8:14-16). [Muitos crentes oram a Deus chamando-Lhe SENHOR. É justo, mas é de recear, se isso se torna habitual, que eles não cheguem a realizar a sua verdadeira relação filial - de filhos (legítimos) para O Pai];
  • - Há amor puro e santo no vosso coração? Amor a Deus, amor pelos vosso irmãos, amor pelas almas que perecem? Se sim, podemos afirmar que o amor de Deus foi derramado no vosso coração. Sabeis como? "Pelo Espírito Santo, que vos foi dado" (Romanos 5:5; 1 João 4:12-13). Que preciosa segurança!
  • - A árvore é reconhecida pelo fruto que dá. Manifestais vós o "fruto do Espírito"? Bons frutos nunca poderão provir de uma árvore ruim! (Mateus 7:16-18) Vede também em Gálatas 5:22 quais são os frutos do Espírito.

Pudemos ler numa brochura que os três efeitos do batismo do Espírito Santo (provado pelo falar em línguas) são: Uma vida de adoração renovada; Um gosto ainda desconhecido pela Palavra de Deus; Uma alegria transbordante. É indiscutível que a presença do Espírito Santo num crente produz normalmente louvor, apetite espiritual e alegria, mas receamos que os adjetivos empregados conduzam a uma análise interior doentia e desencorajante. Nos interrogamos como reagirão às pessoas que dizem às outras que não têm o Espírito Santo, quando encontram crentes que realizam melhor do que elas:

  • A adoração;
  • O gosto pela Palavra de Deus;
  • A alegria que dá a certeza da salvação.

Como, com efeito, gozar da certeza da salvação, quando, segundo o mesmo falso ensino, a salvação se pode perder, tal como o Espírito Santo! Se é certo que temos de perseverar, dia após dia, isto não seria atacar o valor da obra de Cristo, dizendo com outras palavras que: "Cristo dá ao crentes uma vida eterna que, praticamente, não é eterna (visto que se pode perder!), embora possa vir a sê-lo, mas somente se formos fiéis até o fim". Não será isto rebaixar odiosamente o valor do sangue de Cristo? Não será isto pregar uma salvação pelas obras? Em outras palavras: A obra de Cristo já não salva; é apenas suficiente para nos colocar num caminho onde poderemos obter a salvação pela nossa fidelidade! Nunca um crente conhecerá a paz enquanto a fizer depender das suas experiências, das suas emoções ou da sua fidelidade. O único fundamento da nossa paz, da nossa alegria, da nossa salvação presente e eterna, da presença do Espírito Santo em nós, é a fé nas declarações da Palavra Deus, a fé no valor da obra de Cristo. Que nunca o esqueçamos!"Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz, em crença, para que abundeis em esperança, pela virtude do Espírito Santo" (Romanos 15:13).


XVII- A PLENITUDE DO ESPÍRITO SANTO
As expressões "cheio do Espírito Santo" e "pleno do Espírito Santo" encontram-se 15 vezes no Novo Testamento. A primeira destas expressões está quase sempre ligada a um testemunho oral, muitas vezes num contexto de oposição. Parece ser uma capacidade excepcional para um serviço ou um testemunho particulares (7). A segunda nos faz pensar mais naturalmente num estado caracterizando certos crentes, mas que todos devem anelar (8).A expressão "a plenitude do Espírito Santo" não se encontra na Bíblia, e nós não a empregamos aqui senão como caracterizando um crente em quem o Espírito Santo não é bloqueado pela carne.Há quem ensine que o falar em línguas é o sinal característico da plenitude do Espírito - o máximo de um coração que transborda. E nós pomos as questões:

  • - Porquê João, Isabel, Zacarias não falaram em línguas, uma vez que foram cheios do Espírito Santo, mesmo antes de o Espírito Santo descer de forma definitiva sobre os crentes? (Lucas 1:15, 41, 47);
  • - Porquê nunca nos é dito que o Senhor Jesus falava em línguas, uma vez que Ele conhecia melhor que ninguém essa plenitude? (Lucas 4:1);
  • - Porquê o fato de "falar outras línguas" não é mencionado, senão uma vez em ligação com a plenitude do Espírito Santo? (Atos 2:4);
  • - Porquê, em todas as outras passagens, encontramos muitas outras manifestações como, por exemplo, a proclamação do Evangelho (Atos 4:8, 31), a contemplação de Jesus na glória (Atos 7:55), ou mesmo o discernimento de um mau estado espiritual (Atos 13:9)? Estando também intimamente ligada à alegria cristã (Atos 13:52).
  • Que esta "plenitude" pode ser recebida ou realizada no momento em que o Espírito Santo vem fazer a Sua morada no crente, é conforme as Escrituras (Atos 2:4; 9:17), mas a sua constância não é garantida; pode se renovar (Atos 4:31) e deve se renovar. É, ao mesmo tempo, privilégio e a responsabilidade do Cristão:
  • - Não vos embriaguez com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;
  • - Falando entre vós em salmos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor, no vosso coração;
  • - Dando sempre graças por tudo ao nosso Deus e pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo;
  • - Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus (Efésios 5:18-21).

Trata-se de uma imposição, bem precisa, e dirigida a todos os Cristãos, e que deve ser posta em prática com todo o cuidado, para se evitar a exaltação.Não nos é dito: "Orai para serdes cheios do Espírito", porque isso não depende de Deus, mas sim de nós. Se estivermos cheios de nós mesmos, plenos de coisas que bloqueiam tão facilmente os nossos corações, o Espírito Santo está, por assim dizer, impossibilitado, de nos encher: todo o espaço está já ocupado! O sentido em que isto nos é dito também não é "enchei-vos", mas sim: "sede cheios". Confessemos tudo o que nos falta, apresentemo-nos perante Deus como vasos vazios. 

Ele nos encherá de Cristo, Ele nos encherá do Seu Espírito, não uma vez por todas, não algumas vezes, mas sim de modo contínuo: "Se alguém tem sede - disse Jesus - venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre" (João 7:37-38). E se não provamos esta plenitude, isso é devido a um obstáculo apenas: o pecado. Se o Espírito Santo estiver ocupado a fazer-nos julgar faltas e erros não confessados, Ele é em nós um Espírito de repreensão, e não pode, ao mesmo tempo, ocupar-nos de Cristo. Coloquemo-nos, pois, na luz de Deus, confessemos os nosso pecados, os nossos erros, com a certeza de que o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica (em grego: continua a purificar-nos) de todo o pecado (1 João 1:7).Três consequências decorrem da plenitude do Espírito:

  • O louvor;
  • O reconhecimento ou gratidão
  • A submissão

Que esta seja a porção de todo o remido!


XVIII - O FRUTO DO ESPÍRITO
São todas as qualidades amáveis da nova natureza, que Deus nos comunicou, são os deliciosos frutos do Espírito Santo que nela opera.A Epístola aos Gálatas nos dá a lista, hão limitativa, dos frutos que dão as duas naturezas do crente (e nós somos responsáveis de não deixarmos desenvolver senão os da nova natureza):

  • As obras da carne: "Prostituição, impureza, lascívia, (sensualidade) idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas" (Gálatas 5:19-21);
  • Os frutos do Espírito: "Amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gálatas 5:22).

Nesta última lista os três primeiros caracteres nos apresentam os resultados da atividade do Espírito em nós, relativamente a Deus; os cinco seguintes, relativamente aos homens - e o último relativamente a nós mesmos. E a questão que se põe é esta: QUE FRUTOS NÓS PRODUZIMOS?

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Notas:

1. As línguas não são mencionadas nos capítulos 8 e 9. Não devemos, pois, introduzi-las artificialmente por raciocínio humano.

2. Considerando a questão XXI, dissemos que os capítulos 2 e 10 ilustravam o caso geral, mas tratava-se então do dom do Espírito Santo, que é, manifestamente, para todos os crentes (Efésios 1:13), enquanto que aqui se trata de dons que são distribuídos soberanamente pelo espírito de Deus, mas não a todos (l Coríntios 12:28-30).

3. Como foi, por exemplo, o caso de Paulo em Atos 28:5.

4. Note-se que não é dito: "Quando lho tiverem feito beber", mas sim "quando tiverem bebido".

5. Atos 5:16 e 28:8-9. Depois do Pentecostes a Bíblia não nos relata nenhum caso de insucesso na cura de um doente.

6. E como o não estaria quando, por um falso ensino, do qual os promotores hão de dar contas um dia, Lhe fazem a injuria de O ignorar?

7. empregos: Lucas 1:15,41,67;Atos 2:4;4:8 e 31;9:17; 13:9.8. 

7 empregos: 5 vezes o adjectivo: Lucas 4:1; Atos 6:3, 7:55; 11:24. Duas vezes o verbo: Atos 13:52; Efésios 5:18 (traduzido por "encher").


Por Pierre Oddon

Perguntas frequentes

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