Ver a Glória de Cristo como Filho do Homem

"Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo"
(Hb 1:1,2)


"Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos falando; antes, alguém, em certo lugar, deu pleno testemunho, dizendo: Que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras das tuas mãos. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas; vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem. Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso é ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Eu porei nele a minha confiança. E ainda: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu. Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão. Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados. Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus"
(Hb 2:5-3:1).

"Mas, se o nosso Evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus"
(II Co 4:3-5).

No capítulo anterior vimos a glória e a importância de Cristo como o Filho de Deus, pois a Ele foram conferidas as prerrogativas de Deus: o poder da vida, o poder da luz e o poder do senhorio. Neste capítulo vamos nos dedicar a outro aspecto da glória de Cristo, a saber, a glória e a importância peculiar de Cristo como o Filho do Homem. Aqui também precisamos de visão espiritual. Se os homens pudessem realmente ver do ponto de vista de Deus, com o próprio conhecimento e entendimento de Deus, o Senhor Jesus Cristo como Filho do Homem, todos os problemas deste mundo seriam resolvidos. Porque, em certo sentido, realmente todos os problemas são resolvidos quando vemos. E a solução de Deus é Seu Filho. Seja esta a nossa atitude: ver Jesus de uma forma interior, com os olhos do coração iluminados e recebendo o Espírito de sabedoria e revelação no conhecimento dEle. Permita-me expressar aqui uma convicção pessoal. Eu sinto que o encargo do nosso coração deve ser que os olhos do povo de Deus devem ser abertos primeiro. Se os seus olhos fossem abertos, que atitudes diferentes eles tomariam, que grandes possibilidades haveria para Deus, que quantidade enorme de coisas que desonram o Senhor desapareceriam! Se eles apenas vissem! Oremos muito para que os olhos do povo de Deus sejam abertos. E depois, a fim de que os olhos dos homens em geral sejam abertos, oremos para que haja um ministério de abrir os olhos como foi o de Paulo: "...livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz. (At 26:17, 18). Oremos continuamente neste sentido.
O PROTÓTIPO DE UMA NOVA HUMANIDADE
Creio que existem alguns aspectos principais de Cristo como o Filho do Homem. Primeiramente, este é o título humano de Cristo e nos lembra imediatamente que Ele foi gerado como homem, ou como humanidade. O que precisa ser visto sobre o Senhor Jesus é o significado divino em Sua humanidade. Ser Filho do Homem não significa apenas que Ele Se colocou ao nosso lado, recebendo carne e sangue, tornando-se assim um homem e estando aqui como um homem entre os homens. Não, não é isso. Além do mais, isso é perigoso e só nos permite avançar apenas um pouco1. Verdadeiramente Ele é homem, tornou-Se participante de carne e sangue, mas existe uma diferença, uma diferença vasta e infinita. Humanidade, é verdade, mas não exatamente a nossa humanidade. A importância de Cristo como o Filho do Homem é que Ele é um protótipo de uma nova humanidade. Agora, no universo de Deus, existem duas humanidades, e antes havia apenas uma. A humanidade de Adão era a única, mas existe outra humanidade agora, uma humanidade diferente, de carne e sangue, mas sem a natureza pecaminosa da primeira humanidade, isenta de tudo aquilo que alienou e separou essa humanidade de Deus e a colocou sob o juízo de Deus, uma humanidade para a qual Deus, em Sua infinita santidade e perfeição, pode olhar com prazer e total satisfação: "Meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3:17). E um homem, mas um homem tal que não é comum entre os homens, mas totalmente diferente. A importância de Cristo como Filho do Homem é que Deus deu início a uma nova humanidade segundo Sua própria mente e perfeito propósito. Em Seu Filho está o protótipo da nova humanidade, à qual Deus vai conformar a raça, "conformes à imagem do Seu Filho" (Rm 8:29). A grande realidade sobre um verdadeiro cristão é que ele está progressivamente sendo mudado em outro, está se tornando diferente. Não é apenas uma questão objetiva de fé em Cristo como algo exterior. E mais do que isso. E viver por Cristo interiormente. Desse modo Deus entrou nesta esfera da humanidade na Pessoa do Seu Filho, representando uma ordem totalmente nova, uma nova ordem de humanidade, e, pela união vital com Cristo, uma nova raça está brotando, uma nova ordem. Uma nova espécie de humanidade está crescendo secretamente e avançando para aquele dia mencionado pelo apóstolo, quando haverá a manifestação dos filhos de Deus. Aí a maldição será dissipada e a própria criação será libertada da escravidão da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Rm 8:19-21). A questão agora é a tremenda importância da encarnação, da Palavra Se tornando carne e fazendo Seu tabernáculo entre nós; a tremenda importância de Cristo como o Filho do Homem, estabelecendo entre os homens um novo tipo de ser, um novo tipo e forma de humanidade.
1 No que diz respeito à experiência de todas as implicações da humanidade do Senhor (N. do E.).
Não há esperança para a criação a não ser nesse novo tipo, nessa nova ordem. Se os homens vissem isso, não seriam solucionados todos os problemas dessa era? Sobre o que eles estão falando? Qual é a frase mais comum e importante nos lábios dos homens hoje? Não é uma nova ordem, uma nova ordem mundial2? Eles são cegos e falam nas trevas; estão tateando em busca de algo, mas não podem ver. A única nova ordem é a ordem do Filho do Homem. A única esperança para este mundo é que haja lugar para a nova criação em Cristo Jesus.
A VERDADE PREFIGURADA NA HISTÓRIA DE ISRAEL
Poderíamos falar extensamente sobre a humanidade do Senhor Jesus. Há muito mais na Bíblia sobre isso do que se possa imaginar. Mas observe que Deus colocou isso de forma profunda bem nos fundamentos da história. Tomemos Israel como o grande objeto de ensino de Deus para as eras passadas - e a história do passado deles ainda permanece como o grande livro de ilustrações dos princípios de Deus - e descobriremos que a própria vida nacional do Israel do passado foi fundada sobre estas coisas que estabelecem a perfeita humanidade do Senhor Jesus. Volte ao livro de Levítico e observe as festas. Veja que lugar a humanidade (simbolizada pela flor de farinha) tem naqueles símbolos e prefigurações. Você vê que Deus disse, por meio de ilustrações, que a vida de um povo que O satisfaz é baseada numa natureza, numa humanidade, não a velha e falida humanidade de Adão, mas outra. Bem nos fundamentos da vida de tal povo essa realidade é lançada. Existe uma humanidade que é perfeita e incorruptível. E dessas festas deve-se erradicar qualquer sugestão ou suspeita de fermento, que simboliza a corrupção, o fermento da velha natureza. Ele não tem lugar quando a questão é a própria base da vida de Israel em sua relação com Deus. Existe muito sobre isso, mas não vamos fazer aqui uma exploração exaustiva do tema. Quero apenas salientar o fato de que a humanidade do Senhor Jesus como Filho do Homem manifesta uma nova espécie, um novo tipo, uma nova ordem no universo de Deus que satisfaz a Ele.
2 É importante lembrar que este texto foi publicado em 1943! Quanto mais real e atual é isso hoje! (N. do E.)
Aqui reside o significado tremendo e maravilhoso da união com Cristo através da fé, levando-nos diretamente para dentro do que Ele é em Sua aceitação por Deus. A conseqüência prática disso deve ser que você e eu devemos mais e mais abandonar o terreno do velho Adão, da natureza, nosso terreno, e habitarmos em Cristo. Isso significa apenas agarrar pela fé aquilo que Ele é e deixar ir o que somos, e assim o prazer de Deus será encontrado ali. Se permanecermos em nosso terreno, no que somos por natureza, levarmo-lo em consideração e procurarmos fazer algo bom disso, ou mesmo gastar nosso tempo deplorando tal natureza por sua miséria, perdemos toda a glória de Deus. A glória de Deus está em outra humanidade. Habite em Cristo, ocupe-se de Cristo, deixe que sua fé se firme fortemente em Cristo, faça sua morada nEle, e a glória estará lá. E a glória de Cristo como o Filho do Homem. Quais são as horas mais abençoadas e gloriosas na experiência cristã? Não são as horas em que passamos contemplando e arrebatados com aquilo que Cristo é?
O PARENTE RESGATADOR
A glória de Cristo como Filho do Homem também deve ser vista nEle como o Parente Resgatador. Primeiro, como o protótipo de uma nova humanidade; segundo, como o Parente Resgatador. Seu pensamento se voltará imediatamente para aquele pequeno clássico, o livro de Rute. Não preciso contar a história de Rute com detalhes, mas é dali que extraímos as grandes verdades e princípios da atividade redentora do Senhor. O resumo da história é este. A herança fora perdida. O dia chega quando aquela herança se tornou uma questão solene e triste, mas de ardente preocupação para os corações dos que a perderam. Eles reconhecem que a herança saiu do controle e direito deles e por isso lamentam muito pela perda. Só existe uma forma, segundo a lei, para readquirir a herança: deve haver um parente. Deve ser um parente homem, da mesma família, que tenha o direito de resgatar, a capacidade para resgatar e esteja disposto a fazer isso. Os que perderam a herança e agora se preocupam muito com sua recuperação, estão em busca do parente resgatador que tivesse o direito, a capacidade, o recurso e a disposição para resgatar a herança perdida.
Você sabe como Rute entrou em contato com Boaz. Ela pensava ser ele o parente resgatador, reconhecendo que ele tinha os recursos caso desejasse fazer o resgate. Mas Rute descobriu que ele não tinha o direito, pois existia outro antes dele. Um apelo precisava ser feito ao que tinha o direito. Descobriu-se que, embora tendo o direito, este não tinha nem capacidade nem recursos, e, por isso, passa o direito a Boaz. Desse modo, no final quem está plenamente capacitado para o negócio é Boaz. Ele agora tem o direito, o recurso, a capacidade e o desejo de fazer isso.
Mas existe uma outra coisa na história. De acordo com a lei, o parente resgatador tinha que tomar a esposa daquele em favor de quem ele resgatava a herança e o caminho devia estar livre para isso. O outro parente não poderia fazer isso porque o caminho não estava livre para ele3; Boaz, entretanto, tinha o caminho totalmente livre. Estes são os elementos da história. Não vamos considerar todos os detalhes agora, mas apenas o quadro geral. Vemos como Deus colocou a glória de Cristo como o Parente Resgatador, por meio de uma ilustração estranha. A herança foi perdida. "Que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras das tuas mãos. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés" (Hb 2:6-8).
3 O resgatador mais próximo concordou em pagar o preço de compra da terra de Elimeleque, até descobrir que isso envolvia a responsabilidade de desposar e sustentar a viúva, Rute. Isso iria prejudicar sua própria herança, sendo um fardo financeiro duplo, pois (1) o campo comprado pertenceria ao herdeiro de Rute, não aos filhos do resgatador, e (2) ele teria que arcar com o sustento de Rute e sua família (Bíblia anotada, Ed. Mundo Cristão, 1991). A palavra em inglês, forfeited, não significa simplesmente perder, mas perder por uma lei ter sido quebrada ou um erro, cometido, como uma punição (N. do E.). 4 A palavra em inglês, forfeited, não significa simplesmente perder, mas perder por uma lei ter sido quebrada ou um erro, cometido, como uma punição (N. do E.). 5 O verbo to crave, traduzido aqui por "buscar", significa também "almejar, desejar, suspirar por; pedir, suplicar; necessitar, precisar" (N. do E.).
Mas onde está esse homem? A herança foi perdida e tudo o que Deus pretendia para o homem se perdeu4. O homem, por causa do pecado de Adão, perdeu a herança. Em Adão ele não é mais o herdeiro de todas as coisas; a herança se foi. A tragédia dessa humanidade em Adão é: uma vez foi herdeiro, feito para herdar, mas agora está arruinado, sem esperança, tendo perdido tudo. Essa é a tragédia desta humanidade. E onde estamos por natureza. Temos isso escrito em nossos seres.
Nossa própria natureza testemunha o fato de que algo está faltando, algo que se perdeu, algo que devia ser e não é. Estamos tateando em busca disso. Está em nossa própria essência buscar5, anelar por isso. Toda ambição, toda busca e paixão do homem é o clamor que sai da sua natureza anunciando que ele deveria ter algo que não consegue ter. Ele acumula tudo o que este mundo pode oferecer e morre dizendo: "Não, eu não alcancei; não encontrei o que procurava". Ele é um herdeiro com uma herança perdida.
O DIREITO DE REDIMIR
E para um mundo assim, para uma raça como essa, Deus, em Seu Filho, em Sua humanidade, vem de fora como o parente redentor. Ele, em primeiro lugar, tem o direito para redimir. Por quê? Porque Ele é o primogênito de toda a criação. Ele tem o primeiro lugar. Não é um parente de segundo grau. "Ele é antes de todas as coisas" (Cl 1:17). Ele é o primogênito; Ele tem o direito por causa do lugar que ocupa, o primeiro lugar. Pense novamente em tudo o que diz respeito ao Senhor Jesus por Ele ter vindo primeiro, por estar no primeiro lugar, por ser o primogênito, e você verá que isso constitui Seu direito. Pois está na essência da própria Bíblia que é o primogênito que leva sempre consigo os direitos. Aqui está Jesus, o Filho do Homem, o primeiro por ter sido designado e estabelecido por Deus. Ele tem o direito de redimir.
O PODER PARA REDIMIR
Ele também tem o poder para redimir. Quer dizer, Ele tem os recursos para redimir. Consideremos o que é exigido. O que é, essencialmente, exigido para redimir? A herança tem que ser redimida não apenas para nós, mas para Deus. Do nosso lado, somos herança de Deus, somos possessão de Deus por direito, e não apenas perdemos nossa herança, mas Deus também perdeu a Sua herança em nós, e aquilo que poderia nos satisfazer nunca poderá satisfazer a Deus. Se Deus vai receber de volta em nós aquela herança que Ele mesmo perdeu através do pecado e obstinação do homem, a redenção da herança deve ser de acordo com Deus, algo que Lhe satisfaça. Deus não pode ser satisfeito com qualquer coisa. Deve ser algo que responda plenamente a Sua própria natureza. Por isso devemos dizer de imediato "que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento... mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula" (I Pd 1:18, 19). O que é que satisfaz a Deus? E algo incorruptível, incontaminável, sem mácula ou mancha. Essas são palavras que sempre se relacionam com a prefiguração de Cristo: um cordeiro sem mancha, sem mácula.
Essa é a fonte da redenção, o poder da redenção. Redenção significa resgatar a herança perdida, e Ele redimiu por Seu Sangue, porque esse Sangue representa Sua vida, que é uma vida incorruptível, uma vida sem pecado, uma vida que satisfaz plenamente um Deus inteiramente reto e santo. Este é o preço da redenção. Ver a humanidade do Senhor Jesus em sua incorruptibilidade é ver seu tremendo poder para redimir. Ponha de lado o Senhor Jesus e todo o poder de redenção e todo o direito de redenção são postos de lado; não haverá esperança de redenção. Nunca poderemos ser redimidos para Deus com coisas corruptíveis como prata e ouro. Ser redimido para Deus significa que uma vida deve ser acessível e de acordo com a própria natureza de Deus. Você tem isso? Eu tenho isso? Se pudermos achar isso em nós mesmos, então poderemos ser a nossa própria redenção e redentor. Mas quem pode dizer isso? E aqui que está toda a cegueira. Falamos no capítulo anterior da terrível cegueira que é manifestada na teoria da evolução. Todavia, aqui está a terrível cegueira daquele "evangelho" horrível, que não é Evangelho de modo algum, mas está sendo pregado como se o fosse: o humanismo. Humanismo significa que o homem tem poder em si mesmo para se tornar como Deus. Ele ensina que as raízes e sementes da perfeição estão bem no profundo do ser do homem; ele só precisa cavar bem fundo para achá-las. Não há necessidade alguma de intervenção externa. Deus não precisa intervir enviando Cristo ao mundo. O homem tem como se levantar e melhorar a si mesmo. Ele é uma criatura maravilhosa no profundo do seu ser. Quanta cegueira! Você diz: "É surpreendente, à luz dos atuais acontecimentos e condições do mundo presente, que alguém possa crer nisso, para não mencionar a pregação disso. E surpreendente que, num momento, se fale das terríveis atrocidades que são piores do que as da Idade Média e, no seguinte, afirma-se que o poder para ser como Deus está no homem!". Cegueira! A despeito de tudo que possamos dizer sobre a coragem do homem (a grande coragem dos nossos homens nas Forças Armadas, por exemplo, e toda a prontidão deles para sofrer dificuldades e muito mais, e não temos a intenção de desvalorizar tudo isso), a questão real é: os homens são moralmente mais nobres hoje? Os homens estão melhorando moralmente? Quem pode dizer "Sim!" à luz do que conhecemos hoje? E mesmo assim estão pregando esse evangelho do humanismo, segundo o qual o homem está se levantando firmemente, e a utopia está no horizonte; porque o homem pode se elevar por si mesmo! Isso é cegueira, terrível cegueira.
Mas ver o Filho de Deus, o Filho do Homem, é ver a esperança, a direção na qual se encontra a redenção. Porque a redenção está na direção de outro tipo de humanidade e num poder para redimir, e porque há algo lá que satisfaz a Deus; e qualquer coisa que não O satisfaça inteiramente nunca pode ser um poder redentor. O Senhor Jesus tem o poder? Aqui clamamos a uma só voz: "Sim, Ele tem o poder, Ele tem os recursos para fazer isso".
A LIBERDADE PARA REDIMIR
Mas outra questão se levanta: Ele é livre para redimir? Uma coisa é certa nesta questão do parente resgatador: ele só pode ter uma esposa. Se ele já for casado está desqualificado porque não pode casar com a mulher daquele a favor de quem ele redime a herança. Esse foi o problema com o outro parente, no caso de Rute. Ele não estava livre; era casado e tinha família. Mas Boaz era solteiro, era livre e podia tomar Rute como esposa. O caminho estava perfeitamente livre. Agora chegamos ao reino espiritualmente sublime. Cristo amou a igreja e Se deu por ela, para redimi-la de toda a iniqüidade (Ef 5:25; Tito 2:14). "Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela." O redimido deve ser unido ao Senhor, e o Senhor Jesus - digo com todo a reverência - só vai ter uma esposa. A ceia de casamento do Cordeiro será apenas uma. A igreja é a Sua única Noiva. Seus redimidos são os únicos a serem levados a esse relacionamento com Ele mesmo, e o caminho está livre. Ele não está de modo nenhum compromissado e permanece inteiramente livre para redimir e assumir as conseqüências da redenção, ou seja, casar-se com aquela por quem a herança é redimida. A redenção não nos coloca numa posição muito sagrada com o Senhor Jesus? Esse é o verdadeiro significado do título que Lhe é atribuído como nosso Parente Resgatador, cujo objetivo é que sejamos unidos a Ele. Não redimidos como um escravo, como uma coisa, mas redimidos para sermos unidos a Ele no mais sagrado de todos os vínculos. Casados com o Senhor! Esse é o significado do Filho do Homem. Sim, Ele é livre; Ele pode fazer isso.

Por Theodore Austin-Sparks

 

 

 

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Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
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