Reconciliação

Um estimado expositor afirma: ―A palavra do Novo Testamento que descreve melhor o propósito da expiação é reconciliação‖. Sir Robert Anderson diz: ―Reconciliação é um passo além da redenção na sua plenitude ao incluir tanto a justiça como a santidade. Reconciliação é … o cumprimento do propósito da redenção‖.

As ocorrências


O uso da palavra ―reconciliação‖ no Velho Testamento não ajuda muito na exegese dos termos no Novo Testamento. Em Levítico 6:30; 8:15; 16:20; Ezequiel 45:15, 17, 20; Daniel 9:24, a palavra hebraica kaphar é traduzida ―reconciliação‖ na versão AV (em inglês), mas nas versões RV e JND, esta palavra é traduzida ‗expiação‘, que melhor transmite o significado da palavra original.
Há aqueles que usam de maneira errada esta tradução da palavra, nas passagens mencionadas, pois eles pressupõem que os tradutores da King James entenderam reconciliação como tendo um aspecto relacionado com Deus, sugerindo que Deus necessitava ser reconciliado, uma interpretação que vamos contestar firmemente, mais adiante.
Em II Crônicas 29:24 (ARC) onde ocorre a palavra ―reconciliação‖, ela é a tradução de outra palavra hebraica. Aqui, novamente, a RV (em inglês) se adapta ao significado geral da palavra hebraica e a traduz ―oferta pelo pecado‖, ou ―purificação‖ (JND). I Samuel 29:4 é uma passagem onde ainda outra palavra hebraica é traduzida ―reconciliar‖. Infelizmente aqueles que propagam o fato que Deus precisava ser reconciliado, como nós precisávamos, usam esta passagem para ilustrar o seu conceito do assunto.
Embora nem todos vão concordar, é necessário mencionar aqui as seguintes passagens da Apócrifa, porque é especialmente nestes versículos que muitos encontram apoio para o seu argumento que Deus precisava ser reconciliado. As passagens são II Macabeus 1:5; 5:20; 7:33; 8:29. O judaísmo não é diferente da religião helenística, nas quais é sempre o ser humano que procura a restauração do favor do seu deus, através de tudo quanto o respectivo sistema determina.
No Novo Testamento há duas passagens não-doutrinárias onde a palavra ―reconciliação‖ ocorre; uma em Mateus 5:24 e a outra em I Coríntios 7:11. Na passagem onde Mateus escreve: ―vai reconciliar-te primeiro com teu irmão‖, temos uma das ocorrências de uma de suas palavras-chave: ―primeiro‖. É uma tragédia da comunhão o fato de que podemos falar com Deus e dar-Lhe adoração e ações de graças e, ao mesmo tempo, termos relações cortadas com nossos irmãos. Em seguida temos o teste da comunhão: ―vai reconciliar-te primeiro com teu irmão‖. Não importa quem é o responsável pelo problema, eu ou meu irmão, é preciso obedecer a Palavra e a ordem do Salvador e sermos reconciliados. Tendo feito isto, então os termos da comunhão estarão verdadeiramente concretizados: ―depois, vem e apresenta a tua oferta‖.
Na passagem em I Coríntios 7:11, Paulo usa a palavra chave relacionada com reconciliação ao falar sobre a suposta situação de uma esposa que está separada do seu marido, e é aconselhada a permanecer sem casar ou a reconciliar-se com seu marido. Aqui, novamente, é o caso de obediência aos requisitos de Deus e da Sua Palavra que levarão à situação desejada e aprovada por Deus, e Ele sempre supre a graça para obedecer.
Vamos agora considerar em mais detalhe as referências doutrinárias à ―reconciliação‖ no Novo Testamento.
Estas referências doutrinárias são as seguintes:
a) II Co 5:18-21 Sua Pessoa ―em Cristo‖;
b) Rm 5:10-11 Sua Paixão ―pela morte de Seu Filho‖;
c) Ef 2:16 Seu Padecimento ―pela cruz‖;
d) Cl 1:20-22 Seu Preço ―pelo sangue da sua cruz‖.
a) II Co 5:18-21 — Sua Pessoa (“em Cristo”)
v. 18 O Autor ―Tudo isto provém de Deus‖;
O ato ―que nos reconciliou consigo mesmo‖;
O Auxiliador ―por Jesus Cristo‖;
A anunciação ―o ministério da reconciliação‖.
Paulo é o único escritor no Novo Testamento que usa o substantivo katallage (―reconciliação‖) e o verbo katallassõ (―reconciliar‖). O significado básico destas palavras gregas é ―mudar‖ ou ―fazer diferente‖. Nos escritos do apóstolo, Deus é sempre o Reconciliador. Só Deus, em graça maravilhosa e grande poder, pode mudar um relacionamento de inimizade para amizade. Isto Ele realizou ―por meio de Cristo‖. O uso da preposição grega dia (―por meio de‖) nos dá a certeza de que a reconciliação é algo completo. Às vezes cantamos: ―Sua graça não oferece nada pela metade‖, que expressa bem a verdade afirmada pelo uso desta preposição. A Bíblia de Estudo Newberry mostra como dia sempre significa algo completo, como na palavra ―diâmetro‖, que significa a medida total de um círculo. Este ato de Deus não somente é permanente, mas também é precioso, pois é ―por meio de Cristo‖. Como o único Mediador entre Deus e o homem, o Senhor Jesus é Aquele que fez a grande obra e pagou o enorme preço da reconciliação. A força vital deste versículo é poderosa e incomparável, porque Deus fez ainda outra coisa que produz nosso louvor, como há também uma contínua proclamação. Temos este vasto ministério de amor para proclamar a todos os homens, como Paulo faz mais adiante no seu apelo: ―Rogamo-vos, pois … que vos reconcilieis com Deus‖.
v. 19 O Iniciador ―Isto é, Deus estava‖
O Intermediário ―em Cristo reconciliando‖;
O alvo ―o mundo‖;
O anunciador ―pôs em nós a palavra da reconciliação.‖
A repetição não deve ser ignorada, embora multidões o façam: é Deus que reconcilia. Ele é o Iniciador desta majestosa obra de graça, não o Alvo. Ao lermos a próxima expressão: ―Deus estava em Cristo‖, poderíamos pensar que Paulo estava se referindo à encarnação de Cristo, mas o presente escritor pensa que temos aqui o que podemos chamar o aspecto soteriológico do assunto: que Deus usou a morte de Cristo para efetuar a reconciliação. Assim, a expressão poderia ser traduzida: ―Deus estava reconciliando o mundo consigo mesmopor meio de Cristo‖. Obviamente, então, o Senhor Jesus verdadeiramente é o Intermediário; é por meio da Sua morte que a reconciliação é realizada. A reconciliação existe não com base em Deus imputando a nós os nossos pecados. ―Lhes imputando‖ (logizomenos autois), na linguagem moderna comercial, é calcular o valor devido (como é comum, por exemplo, em encargos com cartões de crédito) que o dono tem a responsabilidade legal de pagar. Note o uso da palavra ―transgressões‖ (ARA), que especifica a natureza dos pecados cometidos. Por exemplo, a oferta pelo pecado expiava os pecados em geral, mas a oferta pela culpa
expiava pecados específicos. Obviamente, nossa falha específica pode ser vista na nossa negligência em pagar o que devemos e, pior do que isso, nossa incapacidade de fazê-lo. Paulo reconhece o impacto de tudo isto em que nele, e em todos os reconciliados, Deus ―pôs a palavra (logos) da reconciliação‖. O verbo themenos (―pôs‖) indica uma nomeação divina, demonstrando novamente a sabedoria e graça de Deus, para que esta mensagem da graça reconciliadora de Deus possa ser anunciada deliberadamente, universalmente e com autoridade a todos os homens.
v. 20 Responsabilidade digna ―embaixadores … de Cristo‖;
Ministério distinto ―Deus por nós rogasse‖;
Identificação divina ―Rogamos … da parte de Cristo‖.
Como Paulo, cada pessoa salva possui esta responsabilidade distinta e divina. Vamos corresponder, dando ao mundo algo do caráter da nossa vocação digna, enquanto anunciamos a palavra da reconciliação, sabendo que ninguém precisa perecer, todos podem viver porque Cristo morreu. Não negligenciemos os termos usados pelo Espírito Santo, como é especialmente essencial na palavra ―reconcilieis‖ neste versículo. O que é de valor essencial nesta palavra é que está na voz passiva; portanto, não é que nós temos de nos reconciliar com Deus, mas temos que aceitar o que Deus já realizou na obra do Seu Filho. Também, o verbo está no modo imperativo, indicando como a mensagem que temos de anunciar e afirmar é vital e essencial. Este versículo nos apresenta a dignidade, a realidade e o ministério da reconciliação. Amado leitor, lembre-se de que a provisão é universal e que a necessidade é tão real quanto a notícia é vital.
v. 21 A angústia da mensagem Ele ―O fez pecado por nós‖
Seu sacrifício redentor;
O alicerce da mensagem Ele ―não conheceu pecado‖
Sua santidade real;
O amor da mensagem ―fôssemos feitos justiça de Deus‖
Nosso status recebido.
Romanos 8:3 concorda com a verdade expressa no início deste versículo: ―Porquanto, o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando seu próprio Filho em semelhança da carne pecaminosa e no tocante ao pecado, e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado‖ (ARA). Compare também Isaías 53:10: ―Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado ….‖. Certamente é isto que Paulo, pelo Espírito, está afirmando: o Santo, impecável Filho de Deus Se tornou responsável, e pela Sua morte pagou as nossas dívidas e limpou a nossa conta não paga (e, humanamente falando, impossível de pagar) com Deus. ―Para que nele fôssemos feitos justiça de Deus‖ confirma a natureza objetiva da nossa posição, isto é, uma posição justa perante Deus.
b) Rm 5:10-11 — Sua paixão (“pela morte de Seu Filho”)
v. 10 Um epíteto acrescentado ―inimigos‖;
Um propósito realizado ―reconciliado com Deus‖;
Um preço reconhecido ―a morte do Seu Filho‖;
Um proveito reafirmado ―seremos salvos pela Sua vida‖
A palavra-chave que resume o tema dos versículos anteriores (vs. 1-9) é trocada, no v. 10, de justificação para reconciliação. Esta mudança é necessária por causa do quarto epíteto que Paulo acrescenta ao terminar a sequência que começou com a palavra ―fraco‖ no v. 6, afirmando a nossa impotência; em seguida temos ―ímpios‖ (v. 6), que
mostra nossaimpiedade, seguida por ―pecadores‖, que mostra nossa imperfeição, e agora ―inimigos‖, mostrando nossa impropriedade. Éramos insubordinados, rebeldes, hostis à vontade de Deus e opostos a tudo que Ele é em Si Mesmo. Toda a evidência aponta para a natureza ativa da palavra que temos aqui (―inimigos‖), como também em 8:7 e Colossenses 1:21. A palavraechthroi é usada também em Romanos 11:28, onde é colocada ao lado de ―amados‖. O que mais enfatiza a generosidade de Deus em tomar a iniciativa, é a inimizade que manifestamos para com Ele.
A justificação muda a nossa posição perante Deus, enquanto a reconciliação muda a nossa condição. Sendo justificado, o pecador não é mais culpado perante Deus; sendo reconciliado, a sua inimizade contra Deus é removida. A base em ambos os casos é a morte de Cristo. Em nenhum lugar nas Escrituras é afirmado, ou sugerido, que Deus precisava ser reconciliado conosco. Nenhum dos atributos divinos está em conflito, nem podemos concluir que a inimizade era mútua, como muitos fazem, sugerindo, e até afirmando, que Deus precisava ser reconciliado com o pecador. Se concluirmos, por nós sermos inimigos, que Deus precisava ser reconciliado, então o que vamos fazer com as palavras ―fracos‖, ―ímpios‖ e ―pecadores‖? Com gratidão, reconhecemos firmemente que a sequência decrescente que descreve a nossa condição sem esperança, está em contraste total com o amor de Deus manifestado e dirigido ao homem, através da morte expiatória do Seu Filho.
Embora haja diferença entre justificação e reconciliação, as duas coisas são paralelas porque ambas trazem a certeza da salvação futura. As frases ―pelo Seu sangue‖ e ―pela Sua vida‖ não se contradizem, mas se complementam.
Devemos notar que a preposição ―por‖ neste versículo é en no original (traduzida ―mediante‖ na ARA). Assim, esta preposição é instrumental, e demonstra a preciosa segurança que a vida presente de Cristo nos dá, agora, e dará até ao Dia da Redenção. Deus efetuou uma obra poderosa em nos reconciliar pela morte do Seu Filho, e certamente podemos acrescentar, reverentemente, que é relativamente fácil para Deus efetuar a salvação final e completa dos reconciliados por meio daquele mesmo Cristo, mas agora ressurrecto e glorificado.
v. 11 Um motivo adicional para louvar ―nos gloriamos em Deus‖;
Um Mediador aceito para louvar ―por nosso Senhor‖;
Uma dádiva assegurada para louvar ―a reconciliação‖.
Paulo agora ajunta os elementos chave dos versículos anteriores em uma única frase, usando os termos fundamentais do começo e do final do parágrafo, que são: ―nos gloriamos‖ (ou ―nos regozijamos‖, vs. 2-3) e ―reconciliados‖ (v. 10), e acima de tudo, ele repete a verdade gloriosa que tanto este regozijo, como a reconciliação, são por intermédio do Senhor Jesus (veja o uso de dia [por, pela, pelo] nos vs. 1-2, 9-11). Podemos perguntar: o que motiva esta jactância de Paulo em Deus? Sem dúvida alguma, a resposta é que quando consideramos tudo que Ele fez para nosso bem espiritual e eterno, certamente podemos regozijar na esperança da glória de Deus. Contudo regozijar em Deus certamente vai além das grandes e vastas bênçãos recebidas, e encontra gozo absoluto no Deus que nos tem abençoado.
Tendo chegado ao clímax do parágrafo, que termina em adoração a Deus, o apóstolo repete suas referências ao ministério mediador do Senhor Jesus com mais uma menção de ―por‖ (dia). O retorno ao título completo do nosso Senhor Jesus Cristo enfatiza a Sua função em nosso favor. A palavra ―agora‖ nos faz lembrar de Romanos 3:21 e 5:9, e indica como a morte do Salvador produziu muito fruto. Todos os salvos que, pelo ato decisivo de fé no Senhor Jesus, agora estão se regozijando historicamente e pessoalmente nas bênçãos da reconciliação, se regozijarão eternamente nela. A palavra
―alcançamos‖, estando no tempo aoristo, representa a grandeza destas abençoadas realidades. A expressão usada em Romanos 11:15, ―a reconciliação do mundo‖, sem dúvida se refere também ao que o apóstolo está expondo nestes versículos.
c) Ef 2:16 — Seu padecimento (“pela cruz”)
A paz ―fazendo a paz‖ (v. 15b);
O propósito ―reconciliar‖;
O povo ―ambos‖;
O preço ―a cruz‖;
O prêmio ―matando com ela as inimizades‖.
Neste versículo achamos, novamente, a palavra ―reconciliar‖, e aqui ela está rodeada de muitas outras verdades cuja exposição seria útil e proveitosa. Contudo, sendo que não se tratam especificamente do tema da nossa consideração, vamos somente notar o contexto e alguns títulos descritivos sugeridos pelo escritor.
Nossa identificação passada: ―sem Cristo‖ — sem perdão;
―estranhos‖ — sem privilégios;
―sem esperança‖ — sem perspectiva;
―sem Deus‖ — sem poder;
Nossa inclusão presente ―mas agora‖; ―chegastes perto‖; ―em‖;
Nossa indescritível paz ―Ele é a nossa paz‖; ―fazendo a paz‖;
Nossa inimitável posição ―de ambos fez um‖.
O aspecto duplo da reconciliação, neste versículo, apresenta ricas áreas da verdade. Tanto o judeu como o gentio, de quem Paulo fala aqui, conheciam a reconciliação, não somente com Deus, mas também uns com os outros. O verbo apokatallasso, que significa ―reconciliar‖, é encontrado somente aqui e em Colossenses 1:20, 22, e confirma que uma fidelidade absoluta às palavras das Escrituras evitará qualquer sugestão de Deus precisar ser reconciliado. Devemos notar bem a palavra ―um‖ nos vs. 14-16. Esta palavra, nos vs. 14 e 16, está no gênero neutro, indicando que Paulo está se referindo à obra de Cristo, que transformou duas posições em uma. Mas no v. 15 a palavra ―um‖ é masculina, indicando que aqui as duaspessoas, o judeu e o gentio, são uma. Assim, no v. 14 não há diferença entre os reconciliados; no v. 15 não há diversidade, e no v. 16 não há distância. Enquanto nós nos regozijamos na sabedoria maravilhosa e na bondade de Deus em efetuar estas grandes mudanças, não devemos esquecer o grande preço de tudo isto, pois aqui somos novamente lembrados de que a obra foi realizada por Cristo na cruz. Que grande preço Ele pagou! Note também que é ―pela cruz‖, ou ―por intermédio da cruz‖ (dia). No v. 13, a obra do Senhor Jesus na cruz é mencionada como ―o sangue de Cristo‖, e no v. 15 é ―na Sua carne‖. É muito claro que a reconciliação exigiu um preço que nenhum recurso humano poderia satisfazer. Finalmente, a expressão ―matando com ela as inimizades‖, não deve ser entendida como sendo a mesma inimizade mencionada no v. 15. Ali, fala da inimizade que existia entre judeus e gentios, mas no v. 16 se refere à inimizade ou hostilidade entre Deus e os seres humanos. Devemos entender claramente e aceitar prontamente que Paulo está se referindo à cruz.
d) Cl 1:20-22 — Seu preço (“pelo sangue da Sua cruz”)
v. 20 O Mediador ―e por meio dEle‖;
O ministério ―reconciliasse‖;
O material ―todas as coisas‖;
A misericórdia ―havendo … feito a paz‖;
O meio ―pelo sangue da Sua cruz‖;
A medida ―por ele … coisas … na terra … nos céus‖.
Paulo está novamente enfatizando o trabalho do Salvador como Mediador. Ele é o meio Divino pelo qual a obra da reconciliação, tão vasta e fundamental, é efetuada com justiça. Como já mencionamos, a palavra aqui traduzida ―reconciliação‖ é a mesma que Paulo usou em Efésios 2:16. É uma palavra profunda, e como W. E. Vine explica, significa ―mudar de uma condição a outra, para assim remover toda a inimizade e não ter nenhum impedimento à unidade e paz‖. Em Efésios 2 reconhecemos a natureza étnica da reconciliação relacionada com pessoas, mas em Colossenses é a sua natureza cósmica, por isso temos a expressão ―todas as coisas‖. A paz foi alcançada, mas a um preço tremendo: o ―sangue da Sua cruz‖. Esta é uma de cinco menções que Paulo faz da cruz nas suas epístolas de prisão. Estas cinco referências são:
Ef 2:16 — ―a cruz‖ sua distinção;
Fp 2:8 — ―a morte de cruz‖ sua dimensão;
Fp 3:18 — ―a cruz de Cristo‖ sua dignidade;
Cl 1:20 — ―o sangue da Sua cruz‖ sua demanda;
Cl 2:14 — ―Sua cruz‖ sua devoção.
v. 21 O povo ―a vós‖;
O problema ―éreis estranhos e inimigos‖;
O processo ―agora, contudo vos reconciliou‖.
O apóstolo está afirmando que os colossenses compartilharam das bênçãos da reconciliação quando receberam Cristo. A palavra ―estranhos‖ (apellotriomenous) testifica da Queda. Quando Adão pecou, ele se afastou de Deus (compare Ef 2:12-13, ―separados‖). A palavra ―inimigos‖ expressa hostilidade (compare Mt 13:38 e Rm 8:7). A mente (dianoia) é a fonte; as obras (ergois) a esfera, e o mal (ponerois) é a força. Parece haver bastante autoridade textual para iniciar o v. 22 depois da palavra ―obras‖ (veja JND). Contudo, prontamente reconhecemos que Deus é o Reconciliador. A palavra ―agora‖ indica que é o tempo presente da graça que está em vista. Não o exato momento presente, mas a época presente, caracterizada pela graça salvadora de Deus, constantemente apresentada no Evangelho.
v. 22 O canal da reconciliação ―no corpo da Sua carne‖;
O custo da reconciliação ―pela morte‖;
A consumação da reconciliação,
―apresentar-vos santos‖ além de contaminação;
―irrepreensíveis‖ além de crítica;
―inculpáveis‖ além de culpa;
A centralidade da reconciliação ―perante Ele‖.
Esta referência, com sua menção especial de ―corpo‖ e ―carne‖, cumpre um propósito duplo:
i) Distingue entre o corpo físico de Cristo (como em Rm 7:4) e o corpo místico de Colossenses 1:18.
ii) Combate o erro:
a) Os Gnósticos consideravam toda matéria como má.
b) O erro Docético postulava que o Senhor Jesus Cristo existiu na terra somente como um fantasma.
A verdade da Encarnação é estabelecida aqui sem deixar qualquer dúvida, e propositadamente, pois o Espírito de Deus previu os erros que iriam confundir os santos de então, e de hoje. O relacionamento íntimo entre a encarnação de Cristo e a Sua morte sacrificial é também declarado nesta passagem incomparável. Ela nos conta:
i) Que o corpo de Cristo era real — não era um fantasma;
ii) Que o corpo de Cristo estava sujeito à morte, tendo em vista Filipenses 2:6-9.
iii) Que Sua morte reconciliou o homem com Deus.
O infinitivo parastesai (―apresentar‖) revela o propósito final de Deus na Sua obra de reconciliação. Ele nos colocará perante Si mesmo, livres de qualquer sinal ou mancha de pecado. Três adjetivos são usados para descrever nossa posição completa e perfeita perante Ele. William Lincoln os descreve como: ―santos perante Deus, inculpáveis perante os outros, e irrepreensíveis perante Satanás‖. Embora isso possa ser verdade, o assunto central e principal que Paulo, pelo Espírito de Deus, enfatiza, é “perante Ele”.
Enquanto consideramos estas verdades maravilhosas podemos cantar com mais inteligência:
Sou mensageiro aqui de um grande Salvador, Que me livrou do mal e fez-Se meu Senhor; E manda me falar do Seu amor sem par Aos companheiros meus aqui.
Proclamo o nome de Jesus, Que me remiu por Sua cruz. Há nEle salvação, paz, reconciliação; Há nEle vida, graça e luz.
Desejo anunciar a todo pecador Que salvação do mal, por Cristo, o Redentor, Já pode desfrutar, querendo confiar NAquele que morreu na cruz.
É graça singular, é bênção sem igual, Que aos homens, pela cruz, Deus dá perdão real Quando contritos vêm a Cristo, o Sumo Bem, Pra salvação obter por fé.
E. T. Cassel (H. e C. nº 124)

Por Thomas Bentley, Malásia

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