Pecado

Basicamente, o conceito bíblico de pecado é um relacionamento incorreto com Deus, por causa de uma ofensa contra Ele. Qualquer coisa, seja um pensamento, uma palavra ou uma ação, que interrompa o relacionamento do homem com Deus, é pecado. Este relacionamento interrompido pode ser o resultado de transgressão voluntária, ou uma falta de apreciação de Deus, deixando de aceitar a Sua salvação. Isso é enfatizado no significado básico da palavra pecado: carecer, perder o alvo, como é traduzida mais ou menos 200 vezes. O pecado é qualquer coisa que interrompe o nosso relacionamento com Deus, por causa do nosso fracasso em atingir o padrão divino. O pecado é também descrito como o desvio do homem dos caminhos de Deus. ―Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho …‖ (Is 53:6). O caminho correto é aquele que tem Deus como seu centro e que conduz a Ele. O homem, no seu estado natural como pecador, não consegue permanecer neste caminho e se desvia para os seus próprios caminhos, e por isso sofre as consequências. ―Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte‖ (Pv 16:25). Nós podemos ver em Lúcifer, e também na tentação de Eva, que há a tentativa de competir com Deus. Lúcifer queria um lugar para si mesmo (Is 14:13). Eva foi tentada com a oferta de ter um conhecimento igual ao de Deus: ―E sereis como Deus, sabendo o bem e o mal‖ (Gn 3:5).

A essência do pecado é vista na Palavra de Deus como a mente, o coração e a vontade do homem, todos, colocados em rebelião ativa contra Deus. Jeremias 17:9 afirma: ―Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso‖, mostrando a profunda e corruptível concentração do pecado. O Senhor Jesus disse: ―Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias‖ (Mt 15:19).
Nas Escrituras, isto é evidenciado no homem como:
• Andando contrariamente para com Deus (Lv 26:21);
• Rejeitando o Senhor (Nm 11:20);
• Negando a existência de Deus (Sl 14:1);
• Rebelando contra Deus (Is 1:2);
• Contendendo com seu Criador (Is 45:9);
• Levantando-se como inimigo de Deus (Mq 2:8);
• Resistindo a Deus (At 7:51);
• Aborrecendo a Deus (Rm 1:30);
• Blasfemando contra Deus (Tg 2:7).
O dr. C. Ryrie, citado por Lehman Strauss em The Doctrine of Sin, fornece uma lista bem útil de palavras gregas e hebraicas que descrevem o pecado.
―No hebraico do Velho Testamento há pelo menos 8 palavras básicas usadas: ra, mau (Gn 38:7); rasha, injusto (Êx 2:13); chata, pecar (Êx 20:20); avon, iniquidade (I Sm 3:13); pasha, transgressão (I Rs 8:50); taah, extraviar (Ez 48:11); shagag, desencaminhar (Is 28:7); asham, culpado (Os 4:15).
No grego do Novo Testamento há 13 palavras básicas usadas para descrever o pecado. Elas são: enochos, culpa (Mt 5:21); poneros, mau (Mt 5:45); agnoein, ser ignorante (Rm 1:13); asebes, impiedade (Rm 1:18); parabates, ofensa (Rm 5:14); hamartia, destituídos (Rm 3:23); kakos, obras más (Rm 13:3); planan, pecar (I
Co 6:18); adikia, injustiça (I Co 6:9); paraptomai, ofensa (Gl 6:1); anomos, impiedade (I Tm 1:9); hypocrites, hipocrisia (I Tm 4:2).‖
O pecado no homem evolui e desenvolve, contaminando a vida, destruindo o corpo, fazendo o incrédulo perecer, até que ―o pecado, sendo consumado, gera a morte‖ (Tg 1:15).
Como foi que esta terrível epidemia se manifestou e criou uma condição de separação entre o homem e seu Criador? Não foi o homem criado na inocência? Embora o pecado fizesse a sua entrada dramática no mundo ―por um só homem‖ (Rm 5:12), onde foi a sua terrível presença primeiramente manifestada?
A entrada do pecado
A expressão do pecado no Universo — “Eu”
Se pudéssemos voltar no tempo e olhar para dentro do Céu e ver as hostes de Deus, os seres angelicais, um anjo se destacaria de todos os outros. De acordo com Ezequiel 28, Lúcifer (como é chamado somente em Isaías 14) é o mais elevado dos seres criados por Deus. Este capítulo é uma das poucas passagens que nos falam da origem do Diabo e do mal, retratado na ilustração do rei de Tiro. Que quadro de perfeição e beleza: ―toda a pedra preciosa era a tua cobertura‖ (Ez 28:13). A resplendente pompa desta criatura deve ter sido uma evidência majestosa do poder criador de Deus. Seu nome significa ―estrela brilhante‖, e ele é descrito como a ―estrela da manhã [Lúcifer], filha da alva!‖ (Is 14:12). Não era somente uma pompa visível, mas também audível! Ezequiel escreve sobre a perfeição dos seus tambores e pífaros; de fato parece pelo que vemos nesta descrição, que Lúcifer era não somente músico, mas a música personificada! Ele era o querubim ungido para cobrir (proteger) o trono de Deus, perfeito em seus caminhos desde o dia em que foi criado (Ez 28:14-15). Quanta glória, posição, poder e presença — no entanto, o Senhor Jesus descreve um acontecimento que Ele testemunhou quando o pecado surgiu. ―Eu via Satanás, como raio, cair do céu‖ (Lc 10:18). Outra tradução diz: ―vi Satanás caído‖ (indicando algo já passado); entretanto, isto pode ter uma aplicação profética ao dia de Apocalipse 12:9. O que foi que causou este ato irrevogável? Ezequiel 28:15-16 registra a mudança: ―até que se achou iniquidade em ti … e pecaste‖. Qual foi o pecado desta criatura mais elevada do que qualquer outra?
Em Isaías 14:13-14 lemos as cinco vezes que Lúcifer disse “eu”. Ele colocou a sua vontade acima da vontade de Deus. ―Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus [eu] exaltarei o meu trono; no monte da congregação [eu] me assentarei. [Eu] Subirei sobre as alturas das nuvens, [eu] serei semelhante ao Altíssimo‖. Esta evidência sugere que Lúcifer tinha livre arbítrio — ele podia escolher. Ele desejou ser como Deus. Como o homem mais tarde faria, ele desviou-se pelo seu caminho (Is 53:6). O grande pecado de Lúcifer foi o orgulho. Ele obstinadamente foi contra a vontade de Deus. Ele foi criado como um anjo de luz: ele era o ―filho da alva‖, mas as trevas do pecado permearam a esfera do Céu, e ele caiu. Ele se elevou tanto que seu verdadeiro desejo foi, não somente ser como Deus, mas realmente ser Deus. Ao colocar a sua vontade acima e além da vontade de Deus, ele desejou colocar-se no lugar de Deus, e por esta razão se colocou sob o juízo de Deus. Além do pecado de orgulho, podemos acrescentar os pecados de cobiça (agarrando-se àquilo que não era seu) e mentira (reivindicando ser o que não era). Para aquele que procura subir acima do seu estado permitido, Deus só tem um juízo: ―levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo‖ (Is 14:15). Aquele cujo desejo era habitar nas alturas das nuvens (aos lados do norte), habitará no mais profundo do abismo. Aquele que era ―a estrela, a filha da alva‖ antes da criação do homem, será o grande dragão, a antiga serpente, Satanás (o adversário de tudo que é de Deus), o Diabo (o acusador, o enganador de todo o mundo — Ap 12:9). Lançado fora, mas ainda retendo o título de ―Príncipe das potestades do ar‖ (Ef 2:2). Lançado fora da presença de Deus. Lançado abaixo para ―rodear a terra, e passear por ela‖ (Jó 1:7), para ser amarrado por mil anos (Ap 20:2), solto por um pouco de tempo, mas finalmente lançado dentro do lago de fogo para ser atormentado para sempre (Ap 20:10). ―O príncipe deste mundo está julgado‖ (Jo 16:11). A sua destruição é o resultado daquele desejo desenfreado, que se desenvolveu e se transformou na sua ambição resoluta: ―Eu serei‖.
Em Ezequiel 28 parece que há uma resposta de Deus para a vontade própria de Lúcifer. Seis vezes Deus relata a Sua vontade em juízo contra Satanás, deixando-o, finalmente, em cinzas sobre a terra.
―[Eu] Trarei sobre ti estrangeiros, os mais terríveis dentre as nações, os quais desembainharão as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria, e mancharão o teu esplendor‖ (Ez 28:7). ―[Eu] te lançarei, profanado, do monte de Deus‖(v. 16, ARA). ―[Eu] te farei perecer, ó querubim cobridor‖(v. 16, ARA). ―por terra [Eu] te lancei‖ (v. 17). ―diante dos reis [Eu] te pus‖ (v. 17). ―[Eu] te tornei cinzas sobre a terra‖ (v. 18).
Junto com o poderoso Lúcifer havia, obviamente, um grupo de seres angelicais que seguiram o seu exemplo ou se envolveram no pecado, o que fez com que Deus agisse. ―Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo‖ (II Pe 2:4). Judas acrescenta: ―E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia‖ (v. 6).
A entrada do pecado no mundo — “por um homem”
As atividades de Satanás, como ele mesmo as descreve em Jó 1:7 são quase como as de alguém que faz a ronda da Terra. O uso da expressão ―em‖ ao invés de ―sobre‖ a Terra é interessante, sugerindo o envolvimento de Satanás nos assuntos dos homens. É na Terra, no jardim, que ele é mencionado pela primeira vez nas Escrituras.
Novamente, a cena é maravilhosa; perfeição, agora na Terra. Seis dias de criação resultaram numa profusão de vida vegetal, numa abundância de animais do campo, o potencial da raça humana no homem e na mulher, a aprovação de Deus de tudo, e Seu dia de descanso. A perfeição seria estragada, o descanso despedaçado, a terra amaldiçoada, o homem arruinado, o relacionamento destruído, a morte transmitida a todos. Por que tal mudança catastrófica numa condição perfeita? A resposta é encontrada novamente naquele que foi lançado fora, que apareceu no Jardim de Éden, e que na sua sutileza começou uma obra de tentação que derrubaria e arruinaria o homem, por causa do seu pecado de desobediência (Rm 5:12, 19). O pecado surge na Terra na forma ostentadora de serpente.
Vale a pena observar que a queda do homem refuta as teorias de evolução propostas pelos homens. Por exemplo, o Darwinismo teoriza que o homem começou de uma forma inferior e foi evoluindo (de forma ascendente), mas as Escrituras mostram, em Gênesis 1-3, que o homem começou em perfeição, direto da mão do Criador, e que ele caiu (de forma descendente). Estes primeiros capítulos da história do homem também mostram que não é o ambiente social do homem que causa o seu desvio, mas sim é o seu pecado que causa a decadência no seu ambiente social. A narrativa bíblica é a única explicação possível para a condição da raça humana. Nenhuma outra explicação poderia ser apresentada para a universalidade do pecado quando, independentemente de cultura, educação e orientação, lembramos, diariamente, que ―não há quem faça o bem‖ (Sl14:3). ―Pois não há homem que não peque‖ (I Rs 8:46). ―Não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque‖ (Ec 7:20). ―Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só‖ (Rm 3:12).
Esta entrada do pecado no mundo está ligada diretamente a Satanás. Ele aproximou-se da mulher, desmentiu a palavra de Deus, diluiu o mandamento de Deus e, em efeito,duvidou da autoridade de Deus. Embora a palavra pecado não seja mencionada no relato de Gênesis 3, o fato do pecado certamente é, como vemos em Romanos 5:12. O resultado é um processo que aparece através de todas as eras, desde o ato inicial de Eva.
Ela viu ―que aquela árvore era boa para se comer‖ (Gn 3:6). É interessante notar que foi somente depois da sua conversa com Satanás que ―ela viu‖. Parece que a sutileza e o engano de Satanás despertaram algo na sua mente inocente, fazendo-a questionar o que ela já sabia, e fazendo germinar a semente da dúvida. Será que a sugestão da mesma ambição de Satanás foi implantada na mente da mulher quando ela ouviu as palavras ―e sereis como Deus‖ (v. 5)? Não havia nada inerentemente vil na árvore ou no fruto, mas Deus havia dito: ―dela não comerás‖ (2:17). Embora ela conhecesse a Palavra de Deus e poderia tê-la repetido a Satanás, houve uma alteração daquilo que ela ouviu diretamente de Deus junto com seu marido, ou que foi repassado a ela depois pelo seu marido. Vemos isso nas cinco alterações da palavra de Deus registrada em Gênesis 2:
i) Ela alterou a capacidade da provisão ao omitir ―toda‖ (3:2).
ii) Ela reduziu a condição da provisão ao omitir ―livremente‖ (3:2).
iii) Ela deslocou o centro do jardim — a árvore da Vida é que estava no centro (2:9).
iv) Ela acrescentou à comunicação ao incluir ―nem nele tocareis‖ (3:3).
v) Ela diluiu a condenação ao omitir a palavra de Deus ―certamente morrerás‖ (2:17).
Mesmo sabendo o que Deus havia dito, ela não estava preparada para prender-se a isso, e seu olhar fomentou um desejo — ―árvore desejável‖ (3:6). O seu desejo transformou-se em ação — ―tomou … e comeu, e deu também a seu marido [primeira menção de marido na Bíblia], e ele comeu com ela. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram …‖ (3:6-7). Embora fosse a mulher quem foi tentada, Adão voluntariamente compartilha com ela do fruto proibido. Há uma estranha qualidade passiva no seu comportamento no v. 6 e também no v. 12. O pecado da cobiça é manifestado, e ele sempre começa com um olhar, seguido por um desejo, depois apropriação, e finalmente a morte. Este princípio é visto em todas as Escrituras relacionadas com a cobiça. Para achar exemplos, o leitor deve considerar Ló, Acã e Davi.
Adão comeu o fruto em desobediência total à instrução de Deus, e como resultado começou a morrer. Quão trágico! Este é aquele que recebera o próprio sopro de Deus quando era um objeto inanimado, e ―foi feito alma vivente‖ (Gn 2:7). Agora, entretanto, com a entrada do pecado no homem, e consequentemente no mundo através da descendência de Adão, rompeu-se aquele relacionamento e iniciou-se o processo da morte. Adão se tornou o possuidor de uma natureza caída. Não somente ele se tornou um pecador, mas cada um dos seus descendentes herdou a mesma natureza. Romanos 5:12 é claro: ―por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram‖.
Porém, alguns podem perguntar: ―Como poderia existir pecado quando a lei ainda não fora dada?‖ No sentido exato da palavra, não poderia haver pecado individual até que houvesse uma lei para ser quebrada, mesmo embora possamos ver evidências de
consciência em Adão, e ele soube que seus atos tiveram consequências. Antes da instituição da lei, a morte obviamente prevaleceu, e isto é a prova e a consequência da presença do pecado. Assim, o pecado de Adão, como homem, trouxe a morte sobre toda a humanidade, ―porque … todos morrem em Adão …‖ (I Co 15:22). O pecado que então prevaleceu, com efeitos tão grandes e desastrosos, foi o de Adão.
Portanto, entendemos que, como diz Romanos 5:12: ―por isso que todos pecaram‖, não é realmente o ato do pecador individual, mas a implicação de todos no pecado de Adão. Paulo afirma em Romanos 5:15-19 que a universalidade do pecado e da morte é devido ao pecado de um só homem. Como o representante da raça, o agente causador nele foi distribuído a todos que o seguiram: ―assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram‖ (em Adão). Vemos a confirmação disso pelo fato que crianças pequenas inocentes, que nunca pecaram conscientemente, também morrem. Este é o resultado do pecado de Adão sendo imputado à sua descendência. O efeito disso é mais graficamente descrito em outra Escritura: ―Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras‖ (Sl 58:3). Também: ―e vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também‖ (Ef 2:1-3). Que descrição conclusiva do homem não regenerado! Esta condição não pode ser mudada, o Senhor Jesus disse: ―o que é nascido da carne é carne‖ (Jo 3:6). Jó entendeu o problema progressivo do pecado. ―Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para ser justo?‖ (Jó 15:14).
As boas novas que se desenvolvem deste assunto são que, embora um só ato trouxesse o pecado e a morte sobre todos, o ato único do Redentor trouxe vida e graça sobre todos os que crêem. ―Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos‖ (Rm 5:19). O Redentor viria na Pessoa do Senhor Jesus Cristo, ―o qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade‖ (Tt 2:14).
O pecado no mundo não somente afeta o mundo dos homens, mas também é visto no mundo físico, ou seja, na Terra em que estamos. A perfeição sumiu; a Terra está sob a maldição (―maldita é a terra por causa de ti‖, Gn 3:17); os Céus estão impuros à vista de Deus (―nem os céus são puros aos seus olhos‖, Jó 15:15); o melhor da humanidade é vaidade (―todo homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade‖, Sl 39:5); toda a criação geme (―porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora‖, Rm 8:22). Tudo isso é o efeito direito do pecado no mundo.


O efeito do pecado
O efeito do pecado no Soberano
A essência do pecado é maldade. É contrário à santidade de Deus, pois Deus é santo. ―Deus é luz, e não há nele trevas‖ (I Jo 1:5).
Sua santidade significa que Ele mesmo não pode pecar, e que Ele não é a causa do pecado em qualquer outro. Ele não manda que o pecado seja cometido, pois isto seria contrário à Sua natureza. Ele não aprova o pecado de ninguém; alias, Ele o odeia com ódio santo. ―Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal‖ (Hc 1:13). O pecado, portanto, é contra o próprio caráter de Deus e Sua santidade. Ele o odeia, e precisa castigá-lo, portanto Ele o expulsa da Sua presença para sempre. Se não fosse pela obra sacrificial de Cristo, Deus não poderia tratar com o homem pecador, a não ser para expulsá-lo eternamente da Sua presença para o Lago de Fogo.
O pecado faz Deus sofrer
Sofrer no sentido de afligir o Seu santo caráter. Deus revela o Seu ódio contra o pecado por prometer um castigo severo contra ele. Deus disse a Adão: ―dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás‖ (Gn 2:17). O pecado da desobediência era tão sério aos olhos de Deus que Ele deu um aviso muito solene, que foi implementado imediatamente depois do homem pecar. Nesta ocasião o homem se separou de Deus e foi banido do Jardim. Que tristeza foi para Deus, o Criador, olhar para Sua criatura agora arruinada pelo pecado e exilada da Sua presença. Na época do dilúvio foi a maldade do homem que entristeceu a Deus de tal forma que Ele se arrependeu de tê-lo feito. ―Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração‖ (Gn 6:6). Há quatro palavras que enfatizam como esta condição do homem pesou no coração de Deus. ―E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente‖ (Gn 6:5). Tal era a corrupção da humanidade por causa do pecado; e a profunda tristeza de Deus é vista na inundação que seguiu. Nós nunca devemos nos esquecer neste contexto da longanimidade de Deus, mesmo num mundo de tanto pecado. Enquanto Metusalém, o filho de Enoque vivesse, o mundo estaria seguro e Deus reteria a Sua mão. Novecentos e sessenta e nove anos, que grande demonstração da misericórdia de Deus!


O pecado faz Deus buscar os pecadores
A posição de Deus é buscar os pecadores. Não pode ser diferente. ―Não há ninguém que busque a Deus‖ (Rm 3:11). Não foi Adão que procurou a Deus, mas Deus procurou Adão: ―onde estás?‖ (Gn 3:9). Foi Deus que procurou e chamou Abraão quando ele ainda era um idólatra (Gn 12:1). Do meio da sarça Ele chamou Moisés enquanto ele estava em Midiã (Êx 3:4). Cristo buscou os discípulos nas suas várias localidades, e também nos buscou, até virmos a Ele. ―Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido‖ (Lc 19:10). Assim Ele pode dizer: ―Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi‖ (Jo 15:16). Embora Deus busque, o homem ainda tem a responsabilidade de aceitar ou não as ofertas de Deus.


O pecado fez Deus providenciar um Salvador
Mais será escrito sobre esta Pessoa abençoada, o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, mas não podemos deixar de mencionar Aquele que é Deus, mas também veio de Deus, quando ―vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei‖ (Gl 4:4). O propósito daquela vinda, como veremos mais detalhadamente, foi ―para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo‖ (Hb 9:26). Paulo novamente exulta no propósito dAquele que foi enviado: ―Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores‖ (I Tm 1:15).


O efeito do pecado no pecador
A presença do pecado
Depois que Adão pecou, os olhos do homem e da mulher foram abertos e eles se viram como a sua desobediência os fez ver, nus e envergonhados. Eles sucumbiram à tentação de Satanás, e à perspectiva de serem ―como deuses‖, que realmente os impeliu às profundezas da destruição. Que compreensão de vergonha eles devem ter sentido. Seu pensamento imediato foi cobrir a sua nudez com aventais de folhas de figueira. Contudo, esta tentativa de restaurar a pureza foi inútil para fazê-los voltar ao estado em que foram criados. Eles não somente sentiram a vergonha, mas eles entenderam, pela
primeira vez, que eram culpados de desobedecerem a Deus. A verdadeira culpa emana do reconhecimento de violar as leis de Deus.
O pecado que mergulhou a humanidade no pecado foi o de desobediência. Isso mostra que o homem não era capaz de decidir o que era bom e mal, mas precisava confiar em Deus neste assunto.
Deus, como Criador, tem o direito de estabelecer leis, tanto espirituais como materiais. Guardar ou quebrar estas leis é a escolha do homem, por causa do seu livre arbítrio. Nesta primeira ocasião o homem escolheu desobedecer a Lei de Deus. Portanto, ele precisa arcar com as consequências.
Imediatamente depois de pecar, o efeito do pecado foi evidenciado, primeiramente no seu entendimento, depois na sua separação de Deus (Gn 3:8-10). Quando Deus veio, na viração do dia como era Seu costume, o homem se escondeu. O efeito do pecado não foi que Deus afastou a Sua presença do homem, mas sim que o homem se afastou de Deus. ―E temi, porque estava nu, e escondi-me‖ (Gn 3:10). O homem, é claro, não pode se separar do seu Criador. O pecador perante a face de Deus está totalmente indefeso. ―Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos‖ (Is 6:5).


O problema do pecado
Os resultados do pecado. Os resultados do pecado no mundo são vistos cedo na história do homem. Em Gênesis cap. 3 temos a primeira menção de medo (v. 10); de auto justificação (vs. 12-13); dos sofrimentos multiplicados à mulher ao dar à luz filhos (v. 16); da sua sujeição ao seu marido decretada por Deus; da tristeza também para o homem no seu trabalho na terra (vs. 17-19); do homem lançado fora do lindo jardim por Deus (v. 24), e da resultante separação que durará não somente por todo o tempo, mas também por toda a eternidade, se não houver reconciliação.
A revelação do pecado. O pecado é revelado pela mente, pela boca e pelo intento moral do coração: ―Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias‖ (Mt 15:18-19). De fato todas as faculdades físicas do homem são usadas na prática do pecado. O homem pragueja com sua boca, engana com suas ações, olha com concupiscência, tem orgulho no seu coração, fecha seus ouvidos à Palavra de Deus, comete atos maus com suas mãos, anda nos caminhos errados com seus pés. A descrição dada em Romanos 3:10-18 é conclusiva: ―Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos‖.
A repugnância causada pelo pecado. Vemos isto ao nosso redor no mundo inteiro. Não precisamos entrar em detalhes aqui para descrever a natureza repugnante do pecado praticado e gozado pelo homem no mundo. A falta de padrões morais no mundo é a evidência do pecado desenfreado e da complacência do homem com tal condição. A atitude desta era causa preocupação ao verdadeiro crente, mas quanto mais Deus sente repulsa deste pecado ostensivo. Romanos 1:21-32 é suficientemente descritivo do caráter degradado do homem, chegando ao seu clímax no v. 32: ―não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem‖. Nada pode ultrapassar a enormidade desta
afirmação final à lista anterior. Os homens gostam do pecado simplesmente porque é vil, e têm prazer em ver outros no mesmo estado de condenação em que eles mesmos estão. ―Que se alegram de fazer o mal, e folgam com as perversidades dos maus‖ (Pv 2:14). ―Porque o ímpio gloria-se do desejo da sua alma; bendiz ao avarento, e renuncia ao Senhor‖ (Sl 10:3).
Nos Evangelhos, a figura do leproso é usada para descrever a natureza repugnante do pecado. Era uma condição que precisava do poder purificador do Senhor Jesus, e que sob a lei precisava ser provada, indicando a obra da Santificação que Ele mesmo efetuaria. A importância de purificação será desenvolvida mais adiante neste livro; entretanto, em nossos dias, vale a pena perguntar se uma vida de práticas impuras pode ter, algum dia, provado uma santificação inicial?
A posição remota do pecador. Esta posição foi vista primeiramente no Jardim quando o homem se escondeu de Deus (Gn 3:10). Paulo se refere àqueles que ―chegaram perto‖, ou foram reconciliados, mas que antes ―estavam longe‖ (Ef 2:13). A razão desta distância entre Deus e o homem é devido à condição do pecador: ―morto em ofensas e pecados‖ (Ef 2:1). O distanciamento de Deus não é devido somente ao pecado do homem, mas à ira de Deus contra o pecado. ―Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias‖ (Sl 7:11). O efeito do pecado é que os pecadores são cortados do contato íntimo com Deus. Pode haver reconciliação pelo arrependimento do pecado e fé no Senhor Jesus Cristo, mas fora de Cristo, o pecado rompe o relacionamento do homem com Deus.
A recompensa do pecador. A recompensa do pecado é o triste destino da morte. Já temos visto que o pecado traz a morte. Esta morte é tanto espiritual quanto física. Quando o homem pecou ele morreu espiritualmente, separando-se da fonte de vida, que é Deus. Com o tempo o pecado faz o seu trabalho, e finalmente todos os homens morrem. ―O salário do pecado é a morte‖ (Rm 6:23). Depois da morte vem o juízo de Deus: ―como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo‖ (Hb 9:27). Este juízo, sob o olhar justo dAquele que se assenta no trono (Ap 20:11), é seguido pela ―segunda morte‖ (Ap 20:14), que é a perda eterna e a separação de Deus, e de tudo que é bom, e o sofrimento no lago de fogo. Entretanto, também há o sentido em que a prática contínua das ações pecaminosas do homem, e dos vícios resultantes, traz uma recompensa à sua vida. O caráter repulsivo do pecado é visto nas vidas de tantas pessoas que têm rejeitado a misericórdia de Deus, preferindo o lamaçal dos pecados da carne que resultam na sua destruição física.


A progressão do pecado
O pecado na raça humana logo se tornou evidente na próxima geração. O pecado de Caim começou como qualquer outro pecado, com uma atitude hostil para com Deus. Quando Caim viu que Abel estava adorando a Deus corretamente, ele ficou zangado e com inveja. Ele odiou seu irmão e o matou (I Jo 3:12). Embora o seu clamor fosse de remorso, não era verdadeiro arrependimento, mas era o resultado do seu egoísmo e temor de vingança (Gn 4:15).
As gerações passaram e o pecado abundou em toda a parte. ―E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra… porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra‖ (Gn 6:5, 12).
Assim através de 6.000 anos o pecado continua, tocando e contaminando tudo, ―porque todos pecaram‖ (Rm 3:23), afetando todos, porque ―a morte passou a todos os homens‖ (Rm 5:12), até que no final haverá o juízo: ―vindo depois disso o juízo‖ (Hb 9:27). Veja também Apocalipse 20:15. O tema do juízo pelo pecado também pode ser traçado através das Escrituras, desde o jardim, através do dilúvio, nas chamas que consumiram as cidades da planície, e através de muitos outros exemplos, inclusive do juízo de crentes que pecaram (At 5:1-11; I Co 11:30), até que finalmente a morte, o inferno, o descrente e o próprio Satanás serão lançados no Lago de Fogo, como já descrevemos. ―E o pecado, sendo consumado, gera a morte‖ (Tg 1:15).
Isso é, finalmente, a penalidade do pecado.


O efeito do pecado no Salvador
Precisamos enfatizar cuidadosamente a verdade fundamental que nosso Senhor Jesus Cristo não tinha a capacidade de pecar. É extremamente fraco somente afirmar que Ele não pecou, sem enfatizar o fato da Sua impecabilidade. As Escrituras são claras: ―Aquele que não conheceu pecado‖ (II Co 5:21), ―nele não há pecado‖ (I Jo 3:5), ―o qual não cometeu pecado‖ (I Pe 2:22).
Ao seguirmos os Seus passos através dos relatos da Sua vida, nos Evangelhos, vemo-lO entrar em contato com a morte, a doença, os demônios e os que estavam mergulhados no pecado. Estas eram circunstâncias que, sob a lei, teriam tornado o homem imundo, mas nosso bendito Senhor não foi contaminado pelo ambiente em que se achava, por causa do Seu caráter santo e impecável.
Se a reconciliação precisa ser efetuada e a justiça imputada, então precisa ser pela Sua obra realizada na cruz. Jerusalém e ―a morte da cruz‖ estavam sempre diante do Senhor, durante a Sua trajetória aqui na Terra. Ele ―manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém‖ (Lc 9:51). A cada passo na Sua caminhada aqui na Terra, diante dEle estava a lembrança terrível de que o pecado teria que ser tratado e que Ele seria feito pecado. Depois da consumação da obra do Calvário, Paulo escreveu: ―Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus‖ (II Co 5:21). Os sofrimentos de Cristo foram profetizados, em figuras e pelos profetas, e o evento aconteceria quando chegasse a hora. Embora Ele fosse feito pecado, o Salvador conservou em Si mesmo a perfeição intrínseca que sempre teve como Deus.
Ele Se fez pecado
Esta afirmação de que Ele Se fez (foi feito) pecado é muito profunda:
Ele se fez pecado — para a satisfação de Deus. Ele se fez pecado por nós — uma substituição completa.
―Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus‖ (II Co 5:21).
O Senhor Jesus é apresentado nas Escrituras como Um que Deus contemplava como isento de pecado. A afirmação feita neste versículo é o fato que Ele era sem pecado. Esta era uma condição indispensável para que Ele fosse feito pecado por nós. Ele somente se fez pecado no sentido que Ele carregou a culpa do pecado. O grande contraste neste versículo é entre o pecado e a justiça. Ele Se fez pecado, enquanto nós fomos feitos justos. Ele foi condenado para que nós pudéssemos ser justificados. O único sentido em que nós somos feitos justiça de Deus é que somos constituídos justos em Cristo. Portanto, o sentido em que Cristo Se tornou pecado é que Ele foi considerado e tratado como pecado. Os sofrimentos de Cristo foram profetizados muito antes, nos tipos e pela palavra profética, mas estes foram cumpridos quando ―o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos‖ (Is 53:6).
Através desta obra, os que crêem são agora feitos justos, e se tornam a justiça de Deus em Cristo. A justiça de Deus, aqui e em Romanos 3:21-22, não é somente a justiça que Ele dá e aquela que Ele exige, mas também é aquela que pertence a Ele como parte
essencial do Seu caráter. Como crentes em Jesus Cristo, nós somos feitos participantes desta justiça providenciada por Deus.
Este versículo em II Coríntios 5 enfatiza a verdade da obra de Cristo como Substituto ―por nós‖, isto é em prol de nós, ou em nosso lugar. A verdade de substituição é: aquilo que alguém faz no lugar de outro e que tem o mesmo valor como se fosse feito pelo outro. Ele foi condenado para que pudéssemos ser justificados. Ele foi desamparado para que pudéssemos ser perdoados. A bendita verdade é que o propósito de Deus, na morte expiatória de Cristo, não foi somente para que os homens pudessem escapar do juízo, mas que eles se tornassem justos.
Ó, ouça que penetrante brado! Quem entenderá tal clamor? Deus Meu! Deus Meu! Porque Me desamparaste em Teu furor? Foi porque sobre Ele Deus nosso pecado lançou; Quem não podia pecar, pelos pecadores pecado Se tornou.
T. Haweis (tradução literal)
Ele levou nossos pecados
―Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados‖ (I Pe 2:24).
Temos visto que o pecado está na natureza; contudo, a evidência de uma natureza pecaminosa é revelada nos pecados na vida. Visto que a fonte é corrupta, segue-se que tudo que procede daquela fonte estará manchado com aquela corrupção. Portanto, assim como Cristo morreu para tratar da questão do pecado, Ele ―padeceu pelos pecados‖ (I Pe 3:18), e ―os levou no madeiro‖ (I Pe 2:24). Esta afirmação explícita é uma das verdades fundamentais do Evangelho. O fato que Cristo levou nossos pecados significa que Deus atribuiu os nossos pecados a Ele e ―fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos‖ (Is 53:6). ―Ele foi contado com os transgressores, mas ele levou sobre si o pecado de muitos‖ (Is 53:12). O propósito de Cristo levar o nosso pecado foi para que nós, tendo morrido para o pecado, pudéssemos viver para a justiça.
A verdade que Cristo levou nossos pecados é repetida em muitos lugares no Novo Testamento: ―Assim, também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos‖ (Hb 9:28). ―Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós‖ (Gl 3:13). Quão pessoal é a linguagem de I Pedro 2:24: ―Ele mesmo … em seu corpo … nossos pecados‖. Tão certo como foi Cristo mesmo que sofreu na cruz, foram também os nossos próprios pecados que Ele levou no Seu corpo no madeiro. Neste versículo, parece que Pedro está lembrando seus leitores da maldição associada com o castigo judicial pelo pecado em Deuteronômio 21:23: ―porquanto o pendurado é maldito de Deus‖. A maldição daquele que levou o nosso pecado é enfatizada por Paulo: ―maldito todo aquele que for pendurado no madeiro‖ (Gl 3:13), e foi pregado por Pedro em Atos 5:30, 10:39, 13:29.
Esta expiação é final e completa. Ele levou, mas não leva mais. O pecador e o Fiador do pecador ambos estão livres. A lei foi vindicada. Deus está satisfeito. O sacrifício substituinte foi consumido inteiramente. Ele terminou a Sua obra. O clamor ―está consumado‖ (Jo 19:30) foi enfaticamente afirmado. O pecado foi tratado de uma vez por todas.
Ele sofreu pelos pecados
―Também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus‖ (I Pe 3:18). Seu sofrimento na cruz, pelos pecados, foi uma única vez. Cristo sofreu para tratar da separação e alienação causadas pelo pecado, e assim nos
conduzir a Deus. Este fato se torna ainda mais claro quando Pedro acrescenta ―o justo pelos injustos‖. Sendo justo, Cristo não tinha culpa Sua a pagar, portanto Ele podia ser o Substituto que morreu em nosso lugar, sofrendo o castigo que nós merecíamos.
Seu sofrimento pelos pecados é uma parte básica e essencial da nossa pregação, como Paulo afirma: ―Expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos. E este Jesus, que vos anuncio, é o Cristo‖ (At 17:3). O lugar do Seu sofrimento foi fora da cidade, isto é em separação total do mundo político, e fora do arraial, isto é longe do mundo religioso — as duas esferas que O haviam rejeitado. ―E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta‖ (Hb 13:12).
O efeito benéfico do Seu sofrimento é repetido em I Pedro 2:24: ―e pelas suas feridas fostes sarados‖. A palavra ―feridas‖ usada aqui e em Isaías 53:5 está no singular (no original), enfatizando que Deus administrou juízo pelo pecado, durante o terrível período de trevas, desde a hora sexta até a hora nona. Este juízo foi profetizado no Velho Testamento: ―Todavia, ao Senhor agradou moê-lo‖ (Is 53:10). Pedro usa esta idéia do efeito curativo da ferida em Isaías 53:5, e aplica a palavra no sentido moral: pela ferida de Cristo nós fomos sarados do pecado. Aqui, de novo, temos a idéia do castigo de um substituto. Cristo tomou sobre Si o castigo que nós merecíamos, e assim nos fez, moral e espiritualmente, sadios.
A Sua espada Deus chamou; Ó Cristo, contra Ti alçou! Teu sangue sua lâmina banhou, Teu coração bainha se tornou, Tudo foi por mim, para me dar paz, E a espada agora no sono jaz.
A. R. Cousin (tradução literal)


O efeito do pecado no salvo
Embora tenhamos o perdão dos pecados, somos justificados pela fé, reconciliados com Deus, santificados, constituídos justos, e remidos pelo Seu precioso sangue, ainda lutamos com o problema do pecado. Quanto ao pecado, gozamos do benefício da obra judicial de Cristo, e por causa da Sua obra sacrificial, nunca seremos condenados, pois ―quem crê nele não é condenado‖ (Jo 3:18). ―Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus‖ (Rm 8:1). Contudo, as Escrituras nos fazem lembrar que o pecado ainda é um poder que temos que enfrentar na nossa vida, diariamente. Paulo resume isto da seguinte maneira: ―Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim‖ (Rm 7:18-20).
Pecados confessados são pecados perdoados. ―Se confessamos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça‖ (I Jo 1:9).
O pecado na vida do salvo merece a mão disciplinadora de Deus, como explica Hebreus 12:1-11. A falta de discernimento na Ceia do Senhor é pecado, e o seu juízo em Corinto era que havia ―muitos fracos e doentes, e muitos que dormem‖ (I Co 11:30).
O pecado na vida de um salvo também precisa ser tratado na igreja local onde ele reúne. Temos exemplos disto. Pecado moral (I Co 5:1-8); pecado doutrinário (Hb 3:12-13); pecado pessoal (Mt 18:15-20).


Conclusão
O pecado é, portanto, uma força problemática no Universo, no mundo, e nas almas das pessoas. Tem existido no mundo desde que Adão pecou, e tem criado caos de geração em geração, deixando um resultado permanente no homem e no Universo. Deus revelará o pecado nas vidas das pessoas, e julgará o pecador impenitente, no Seu devido tempo. Como então pode este problema do pecado ser resolvido? Como pode o homem escapar do poder do pecado, evitar a penalidade do pecado que é a morte e o juízo, e finalmente se ver livre da presença do pecado?
A resposta só pode ser encontrada no Salvador dos pecadores, no bendito Filho de Deus. Por intermédio dEle, Deus pode ser justo na justificação dos pecadores. Uma obra plena, completa e meritória pelo pecado foi efetuada, e agora o crente não é somente perdoado, mas justificado, e isto nos dá ―paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo‖ (Rm 5:1).
Pela morte do Santo Salvador Minha alma vil liberta foi, E Deus, o Justo, tem prazer Em ver a Cristo e me salvar.
C. L. Bancroft (tradução literal)

Por James Patterson Jnr., Escócia.

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Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
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