PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO

 Introdução à Bíblia (Um Panorama de J. N. Darby)

 

 

Antigo Testamento

 

Gênesis

O livro de Gênesis coloca as bases e apresenta todos os grandes princípios das relações do homem com Deus: a criação, Satanás, a queda em pecado, o sacrifício, a separação dos santos desse mundo, o julgamento domundo, o governo que impõe um freio ao mundo, o chamado de Deus logo após a introdução da idolatria, as promessas, a semente divina; os fiéis, peregrinos e estrangeiros na terra, mas rendendo um culto regular a Deus, sem alguma outra instituição religiosa; a ressurreição (visto em Isaque);os judeus, o povo terrestre, visto em Jacó.

 

Êxodo

No livro de Êxodo encontramos a redenção, a Lei, o tabernáculo, um povo de Deus, a presença de Deus ligada ao Seu trono na terra, a antiga aliança e o sacerdócio.

 

Levítico

No livro de Levítico vemos os detalhes com respeito aos sacrifícios, as prescrições em relação à pureza ceremonial e, em particular, como lidar com a lepra; vemos o grande dia da expiação, as festas; temos o ano sabático e o do júbilo quando todos foram reintroduzidos em sua herança e, finalmente, as ameaças proféticas em caso de desobediência por parte do povo.

 

Números

No livro de Números nos é relatado o censo do povo, a separação dos levitas, a lei do ciúme, o nazariado, a história da travessia do deserto com a núvem como guia e o povo debaixo do sacerdócio; e encontramos, ligado à história da conduta dos filhos de Israel durante aquela travessia, a bezerra ruiva. O povo, salvo dois homens e as crianças pequenas, perece no deserto. É pronunciada a apreciação final de Deus quanto a Israel, conforme a Sua graça soberana, por Balaão. No livro de Números também se encontra os detalhes dos sacrifícios para os dias de festa e, particularmente, para a festa dos tabernáculos. Temos ali a lei referente aos votos e à tomada de posse da terra ao leste do Jordão. São apresentadas a serpente de metal, a herança dos levitas e as cidades de refúgio. Em todos esses livros, não apenas os ritos e as ceremônias são de caráter tipológico, mas a própria história em si o é. Tudo isso representa coisas espirituais, como Paulo nos diz: “…tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Co 10:1-13). Com excepção de Levítico 8 e 9 não temos nenhuma prova que um único sacrifício tivesse sido oferecido senão o a Moloque e a Renfã.

 

Deuteronômio

O livro de Deuteronômio ocupa um lugar à parte: ele supõe que o povo esteja na terra de Canaã, e lhe chama à memória a sua desobediência insistindo na obediência devida ao SENHOR. O alvo desse livro é manter o povo leal a Seu Deus. Um lugar deverá ser designado no país, onde a arca deveria ser colocada e culto estabelecido, onde todas as festas seriam celebradas, para onde todas as ofertas e dízimos seriam levados, exceto aquilo que deveria ser dado ao levita no terceiro ano no lugar onde morava6. Quase não se menciona os sacerdotes nesse livro; o povo está em relação direta com o SENHOR. A bênção é prometida caso houvesse obediência, e o julgamento seria resultado da 6 Historicamente, isso encontramos nos livros apócrifos (veja Tobias 1:6-8). desobediência. O livro termina com um cântico profético anunciando a apostasia do povo e o julgamento de Deus — julgamento esse que também seria aplicado às nações que teriam oprimido a Israel. Nos livros de Êxodo e  Levítico a questão em pauta é como se aproximar de Deus — no livro de Deuteronômio como usufruir da bênçãos do SENHOR, que manifesta um espírito de graça para com aqueles que estão em necessidade. Também trata-se o assunto de que foram colocados diretamente debaixo da mão do SENHOR, para observar com fidelidade a Lei que Ele lhes dera. Várias ordenanças são repetidas com relação às festas e cidades de refúgio, mas o que caracteriza o livro é um povo sem rei, sem profeta (como mencionado, os sacerdotes basicamente não aparecem), destinado à possessão da terra para servir ao SENHOR que lha dera. Na época a qual esse livro se refere, somente Deus suscita, quando Ele o acha necessário, homens extraordinários para restabelecer o povo caído em decadência por conseqüência de seus pecados. Porém, como dissemos, o livro de Deuteronômio fala essencialmente do SENHOR e do povo.

 

 

Josué

O livro de Josué conta como o povo toma posse da terra de Canaã. A responsabilidade do povo é colocada em evidência, mas, de modo geral, Deus está com ele: nenhum inimigo pode se manter durante a guerra contra Israel. Deus esteve com Josué todos os dias da sua vida, e isso continuou nos dias dos anciãos que haviam sido testemunhas oculares das obras maravilhosas do SENHOR.

 

Juízes

Não muito tempo depois (como se vê no livro dos Juízes), o povo cai em idolatria. Não exterminaram as nações sobre as quais Deus iria executar o juízo conforme a Sua medida. Vê-se os votos iníquos e idólatras do povo. Ele cai debaixo do juízo de Deus, e é entregue nas mãos de diversos tiranos e perseguidores. De tempo em tempo Deus suscita um juiz para libertar Israel, e havia alívio e bênção durante a vida dele. Depois da sua morte, o povo cai novamente na mesma desobediência e é outra vez entregue a seus inimigos.

 

1 e 2 Samuel

Finalmente, no tempo de Samuel, Eli, juiz e sacerdote, morre. A sua família é exterminada, a arca é tomada e as relações de Israel com Deus debaixo de sua própria responsabilidade chegam a um fim. Deus, contudo, cumpre os seus votos, e a tomada da arca se torna em uma ocasião para pô-los em evidência. Cristo é o centro: Ele é Profeta, Sacerdote e Rei. O sumo sacerdote serve de ponto de contato entre o povo responsável e Deus. A arca era o lugar onde esse contato podia ser mantido. Mas a arca é tomada. Daquele dia em diante não havia mais um dia de expiação, nem o trono de Deus no meio do povo e nem a espersão de sangue conforme a ordem da Casa de Deus! Aquele que estava assentado debaixo dos querubins — onde Ele estava? Sem dúvida, Ele ferira o falso deus por meio de Seu grande poder, contudo isso não aconteceu em Israel, mas com os filisteus. Tudo chegou a um fim para um Israel debaixo de sua própria responsabilidade; mas a soberanidade de Deus e a Sua soberana bondade não podiam ser lançadas de lado nem ser limitadas. Ele intervém por meio de um profeta: Ele levanta Samuel, como outrora havia feito o Seu povo subir do Egito, até mesmo antes que a arca existisse. O profeta enviado por Deus em Sua soberanidade devia ser o laço entre o povo e Deus. Deus mesmo era Rei de Israel; mas o povo, querendo se assemelhar às outras nações e andar por vista e não mais pela fé, estabelece para si um homem como rei — Saul. Em geral, Saul é bem sucedido. Porém, Deus havia de abandoná-lo por causa de sua desobediência (que era a de Israel), e ele cai pela mão dos mesmos inimigos, cuja destruição era a razão dele ter sido levantado. Mas Deus, visando já a Cristo, queria um rei, e Davi era esse rei. O sacerdote, o profeta e o rei revelam o pensamento de Deus a respeito de Seu Ungido. Mas quando o filho de Davi, Salomão, tão abençoado como foi, falhou, como sempre tem acontecido com o ser humano, então o reino é dividido. Há algumas observações a fazer com respeito à realeza em si. A realeza propriamente dita é o poder eficaz em exercício. No reinado de Deus, isso era assim com Deus. O rei, que reina da parte de Deus em Israel, em seu poder, é o instrumento da intervenção de Deus no meio de Seu povo. Temos visto o andar do ser humano em sua responsabilidade debaixo do sacerdócio e, ao lado do mesmo, vimos o profeta agindo da parte de Deus pela Palavra. Isso já era graça; mas agora o poder se une à graça para cumprir as intenções de Deus. Deus bem soubera Se livrar e vingar dos falsos deuses sem fazer uso do ser humano, mas queria então reinar por meio do homem: é esse o terceiro caráter de Cristo depois daqueles do sacerdote e do profeta — o Príncipe da paz — isto é Salomão, figura do Senhor —, contudo era em Davi, sofredor e libertador de Seu povo, que se mostrava de uma maneira característica o exercício de Seu poder. Será esse o meio do restabelecimento de Israel nos últimos dias ( no salmo 71 temos o rei e o filho do rei). Davi, pois, leva a arca de volta a Quiriate-Jearim, porém ele não mais a põe no tabernáculo ao qual é ligada a forma exterior do culto, mas no monte Sião escolhido por Deus como a sede da realeza (veja Sl 132, 2 Sm 6 e 1 Cr 16). Naqueles dias, pela primeira vez (e isso por causa da graça e graça exercida em poder), Davi canta o cântico: “A sua benignidade é para sempre”. Esse cântico foi cantado de novo nos dias de Neemias — ocasião maravilhosa para tal — e o se ouve com vistas aos últimos dias nos salmos 106, 107, 118 e 136. Ainda que, historicamente, a realeza fosse colocada debaixo da responsabilidade, o grande e infalível princípio da graça agindo em poder é então estabelecido — a bondade de Deus é assegurada para com Israel na pessoa do Cristo: “A sua benignidade é para sempre”. Davi havia recebida a promessa de uma semente e de uma casa que jamais lhe faltaria (2 Sm 7:12-16; 1 Cr 17:11-14).O Cristo, o verdadeiro filho de Davi tem uma posição perfeitamente assegurada da parte de Deus, contudo, por aquele momento, a casa de Davi foi colocada debaixo da responsabilidade e logo falhou (2 Sm 23:5; compare Hb 12:18-22). O templo construído no monte Moriá, a morada de Deus, não tinha uma promessa de duração eterna.

Resumo

Em resumo, o livro de Josué, começando com Gilgal através da morte, da qual o Jordão e a circuncisão são figuras, nos apresenta o poder espiritual de Cristo — Chefe e Guia de Seu povo. Os Juízes nos mostram a queda do povo, mas também a intervenção de Deus em graça. Em seguida vem Samuel, o último dos juízes, e então a realeza.

 

 

Os livros dos Reis e das Crônicas

Israel, a saber as dez tribos, logo abandonou ao SENHOR, embora prevalecesse o Seu nome; Judá declinou menos rapidamente. É essa a história que nos é contada nos livros dos Reis e de Crônicas. Os últimos, os dois livros de Crônicas, foram escritos ou pelo menos acabados depois da volta do remanescente da Babilônia. Os livros dos Reis concentram-se, sobretudo, na história de Israel (depois da divisão do reino). Nós vemos ali a internvenção do SENHOR por meio de Elias e Eliseu. Contudo, a história de Judá é, nesses livros, relatada até o cativeiro. Os livros das Crônicas contêm essencialmente a história da família de Davi. O Davi das Crônicas difere muito daquele dos livros de Samuel. Esses últimos apresentam Davi no seu caráter histórico — Davi sujeito à prova e responsável. O memso princípio encontramos nos livros dos Reis que contêm a história do povo e a conduta de seus reis sob o ponto de vista de sua responsabilidade. Ao contrário, o primeiro livro de Crônicas nos mostra o Davi da graça e da bênção conforme os conselhos de Deus. Compreende-se, então, por que esse livro passa em silêncio por cima da história de Urias e de Bate-Seba e também a dos últimos dias de Salomão. O mal não é mencionado a não ser que a compreensão da história o faça expressamente necessário. Israel, estabelecendo o culto dos bezerros de ouro, rompeu com o templo e, de fato, com o SENHOR. Sem dúvida, a  responsabilidade é intimamente ligada à função do rei, mas o próprio Israel não saiu mais de sua posição errada. Seja para Israel, seja para Judá — aquela época é carcaterizada pelo ministério dos profetas enviados por Deus. Deus pensa nos fiéis que se encontram em Israel, embora o profeta não os ache mais. Que tocante testemunho de sua graça! Deus ainda sabia de sete mil homens, quando Elias, esse grande profeta que nem mesmo passou pela morte, não vendomais ninguém senão a si mesmo, disse: “eu fiquei só” (1 Rs 19:10 e 14). Notamos que os profetas em Israel e aqueles que renderam testemunho em Judá tinham caráteres bem distintos. Grande parte do livro dos Reis conta a história de Elias e de Eliseu. O seu testemunho se referia aos direitos do SENHOR no meio de um povo apóstata, e servia para manter, no coração dos fiéis escondidos nesse povo, a fé nAquele que Israel em sua totalidade abandonara. Eles não deram testemunho referente ao Messias que havia de vir7, nem às promessas de Deus em geral; mas eles fizeram milagres que não se vê com os profetas de Judá (salvo o sinal dado a Ezequias), porque a profissão do culto do SENHOR mantinha-se sempre viva. Elias e Eliseu mantinham, em suas pessoas, o testemunho do SENHOR no meio do povo apóstata e, como na época de Moisés logo quando foi estabelecido esse testemunho, faziam milagres por mantê-lo pessoalmente. Os profetas de Judá insistiram na fidelidade que um povo que professava servir ao Deus verdadeiro e possuir o Seu templo devia guardar para com o SENHOR. Eles encorajavam a fé pessoal, não por meio de milagres reveladoras do poder do SENHOR, mas por meio da promessa dada ao povo de acordo com o amor de Deus e com a Sua fidelidade que não pode ser desmentida. 7 O olho espiritual, durante esse tempo, pode observar na história deles um testemunho escondido. Elias no Horebe substitui, por assim dizer, a Lei violentada nas mãos do SENHOR; pois ele faz lembrar cada passo de Israel: Gilgal, onde este foi colocado à parte para Deus; Betel, o lugar da promessa feita a Jacó com respeito à terra; em seguida Jericó, o lugar da maldição; finalmente o Jordão ou a morte, pois Elias é arrebatado ao céu. De lá em diante Eliseu atravessa outra vez a morte e entra na sua carreira de serviço. Mas os milgares de Elias são milagres de julgamento, os de Eliseu, porém, salvo o segundo, são milagres de bondade e de graça. Israel, levado cativo pelos Assírios, continua perdido entre as nações; mas não o será para sempre: o Messias, quando vier, o trará de volta. Aliás, os caminhos de Deus são seguidos publicamente na história de Judá. O ministério dos profetas tem continuado até que não havia mais remédio — como disse Jeremias —, isto é até o cativeiro babilônico, e até mesmo além desse. O cativeiro na Babilônia tinha, porém, quanto à terra, um significado imenso: o trono de Deus cessou estar na terra. O tempo das nações, do poder das “bestas”, do qual falara Daniel havia começado e continuará até a destruição da última besta por meio do poder do Senhor Jesus por ocasião de Sua vinda.

Somente o Cristo podia ser apresentado aos judeus como rei: é essa a mensagem do Evangelho no que diz respeito a eles. Tendo O rejeitado, desde então são “vagabundos” sobre a terra, mas têm sobre si a marca de Deus, para serem conservados (sem estarem, como Israel, perdidos no meio das nações) para os dias da bênção que os aguardam. Então se arrependerão — pelo menos um remanescente dentre eles — e verão Aquele que traspassaram. As expressões “o Deus dos céus” “o Deus de toda a terra” não são mais confundidos ou usado em paralelo na profecia. A história de Israel debaixo da antiga aliança quando a bênção dependia da obediência do ser humano é levado a um fim; mas a promessa permanece mais ainda, a promessa do Messias e da nova aliança. Deus, na sua benignidade, coloca no coração de Ciro, que abandonou a idolatria grosseira de Babilônia e detestou os ídolos, que fizesse regressar ao menos um remanescente de Israel para a terra da promessa e até mesmo ajudasse a reestabelecer o templo do Deus verdadeiro e de seu culto. Foi no meio desse remanescente que, a seu tempo, veio o Messias prometido, mas pelos desígnios ainda muito mais gloriosos do que o restabelecimento de Israel, o ser humano é submetido a uma última prova. Vindo em humilhação para ser em tudo igual ao homem (com excepção do pecado), demonstrou por suas palavas e por suas obras o que Ele era e como era acima de todos. Mas veio em graça e bondade para com o ser humano, acessível a todos, abolindo todos os efeitos do pecado. Ainda assim, Ele reencontrou o pecado manifestado em seu verdadeiro caráter no ser humano, que rejeitou a Deus na pessoa do Salvador. 

 

Resumo

Em resumo, tentado pelo inimigo logo na sua inocência, o ser humano caiu. Ele foi provado sem lei e o pecado reinou. Debaixo da Lei, o ser humana a transgrediu. Finalmente, quando o ser humano já se encontrou na condição de pecador e transgressor, Deus veio em sua bondade, não lhe imputando os seus pecados, mas ele não queria receber a Deus. A história do ser humano sob responsabilidade então termina. Israel, no mesmo tempo, perdeu todo o direito ao cumprimento das promessas, aliás dadas incondicionalmente, porque rejeitou Aquele em Quem o cumprimento delas aconteceria.

 

 

Os Profetas

Resta-nos agora fornecer alguns dados sobre os profetas para facilitar a compreensão dessas revelações de Deus e, depois, passar rapidamente sobre os hagiógrafos.

 

Isaías

De todos os profetas, Isaías é aquele que abraça o horizonte mais estendido. Também ao longo do tempo em que Israel é reconhecido por Deus, o Assírio se constituia em inimigo. Ele o será também nos últimos dias; mas enquanto que aquilo que os profetas dizem dele encoraja os seus contemporâneos, aquilo que anunciam não encontrará o seu pleno cumprimento senão naqueles dias vindouros. Uma breve análise de Isaías nos dará o quadro completo da profecia. Os demais profetas fornecem os detalhes que não exigem mais muitas palavras. Os primeiros quatro capítulos são um prefácio que constata a ruína moral de Jerusalém e de Judá, os juízos que os sobrevirão e a sua restauração, trazendo a paz, aniquilando o homem e sua glória e revelando em Cristo a glória do remanescente. No capítulo 5, o juízo é baseado no abandono, pelo povo, da posição inicial recebida da parte de Deus. No capítulo 6, a base do juízo é a incapacidade do povo de se manter na presença desse Deus que havia de vir. Essas são as bases do julgamento do homem, de Israel e da Igreja; mas em meio da cegueira geral do povo, Ele tem que ter um remanescente fiel. Finalmente, encontramos Emanuel, o filho da virgem e o firme fundamento para a fé. Por outro lado temos a Assíria, a vara de Deus. Também achamos (até o final do versículo 7, capítulo 9) o efeito da presença de Emanuel, pedra de tropeço para o povo, do qual Deus esconde o seu rosto. Também temos um santuário e, finalmente, Emanuel é o restaurador do povo em glória. Os capítulos 7 a 9:7 são um parêntesis que introduz Cristo. O versículo 8 do capítulo 9 retoma o fio da história do povo em suas diversas fases (vv. 8-12; 13-17; 18-21 e 10:1-4). Depois vem a Assíria com que os castigos chegam ao fim. Os capítulos 11 e 12 revelam a plena bênção do fim: O Santo de Israel está novamente no meio de Seu povo. Isso completa a panorâmica dos grandes elementos da profecia. Os capítulos 13 a 27 anunciam o juízo sobre os gentios e sobre Babel — cidade onde Israel estava em cativeiro —, que caracteriza os tempos dos gentios e o cativeiro de Israel. O juízo sobre a Assíria vem depois daquele sobre a Babilônia, o que mostra que se trata aqui dos últimos dias, porque, historicamente, a grandeza e o império babilônico foram fundadas sobre a queda da Assíria. Depois da Babilônia vêm os demais países; somente, no capítulo 18, se vê Israel restabelecida na sua terra, mas saqueado pelas nações até o momento de sua floração pública. Jerusalém e seu chefe sofrem o julgamento; em seguida o mundo todo é perturbado e o Senhor, que acode os fiéis, entra em cena. Os poderes do mal nos lugares celestiais são julgados, e os reis da terra sofrem o mesmo destino sobre a terra (veja Is 24:21). O véu que impedia as nações verem é removido, o opróbrio do ovo será abolido e a primeira ressurreição acontecerá. O poder da Serpente entre os povos será destruído; o SENHOR dirige a Sua atenção a Israel como a uma vinha que Lhe traz o Seu deleite (Is 25 a 27). Nos capítulos 28 a 35, nós temos uma série de profecias especiais que desenvolvem o último assalto das nações contra Israel. Edom e Assíria se acham em evidência, mas cada uma dessas profecias termina com a plena bênção de Israel e a presença do Rei (Cristo). Depois vêm quatro capítulos que se concentram na história de Senaqueribe — a razão gerador dessa profecia —, mas em que Ezequias é curado — figura de Cristo ressuscitado. A libertação dos assírios prefigura os acontecimentos dos últimos dias. Depois, do capítulo 40 até ao fim, encontramos a controvérsia do SENHOR com Israel, que abandonara o seu Deus por causa dos ídolos, e achamos o julgamento do grande centro da idolatria na terra, Babel, do qual Ciro, mencionado aqui por seu nome (veja Is 44:28; Is 45:1), se apoderará. Em uma palavra: é o juízo sobre a idolatria. Depois vem a rejeição de Cristo. A primeira parte chega até o fim do capítulo 48, a segunda, da qual Cristo é o tema, vai do capítulo 49 até ao fim do capítulo 57. Depois desse último capítulo, vemos Deus reclamando para Si o exercício da justiça e, então, depois de algumas repreensões feitas a Israel, assistimos a Sua glória nos últimos dias.Nós nos prolongamos um pouco sobre o livro de Isaías, porque ele contém toda a cadeia da profecia e também os pensamentos de Deus para com Israel são novamente reconhecidos. Enquanto isso, Daniel nos dá a história dos poderes gentílicos figurados pelas “bestas”; logo os judeus são levados cativos, e por conseqüência se encontram fora do governo direto de Deus. Os demais profetas tratam de detalhes: Jeremias, do lado de dentro (o trono de Deus está ainda em Jerusalém), se ocupa com a ruína de Judá; Ezequiel, com Israel já rejeitado, considera tudo do lado de fora.

 

Jeremias

Jeremias insiste na iniqüidade que trouxe a ruína, mas, no capítulo 31, ele anuncia a graça e uma nova aliança com Judá e Israel; e, nesse capítulo bem como nos dois seguintes, profetiza da plena bênção de Judá e Israel. Encontramos, em seguida, o juízo das nações.

 

Ezequiel

Ezequiel introduz o próprio SENHOR exercendo o juízo sobre Jerusalém, que havia abandonado, já não mais estando o Seu trono ali. Judá e Israel se encontram, então, na mesma posição diante de Deus — assim Ezequiel se ocupa tanto com um como outro. Nos capítulos 34 a 37, vemos Deus restabelecendo a Israel e o purificando. Judá e Israel são unidos juntos para nunca mais serem separados. Cristo (davi) se acha ali, e o santuário de Deus está no meio deles. Nos capítulos 38 a 39, o poder do Norte — Gogue, príncipe de Rós, Meseque e Tubal — sobe para desolar a terra de Israel. O juízo que o SENHOR executa sobre ele faz conhecer o nome do SENHOR e mostra também que Israel estava no cativeiro por causa de suas iniqüidades. Ezequiel, em seguida, dá o plano do novo templo.

 

Daniel

A Daniel, cativo na Babilônia, mas se guardando de toda mancha, é confiada revelação daquilo que diz respeito aos quatro impérios das nações. Os seis primeiros capítulos de seu livro contam a história desses impérios como sendo a história do mundo: Daniel, ali age como um intérprete. Os seis últimos capítulos nos mostram os mesmos impérios em relação ao Israel cativo. Como em toda a profecia, a libertação de Israel é anunciada no final, bem como o julgamento de seus opressores. Daniel terá a sua parte nessa bênção.

 

Oséias

Oséias prediz a deportação das dez tribos. Depois anuncia que, em conseqüência do cativeiro de Judá, não haveria mais um povo de Deus reconhecido sobre a terra, mas que, no fim, Judá e Israel teriam um só chefe (Cristo) e que essa jornada de bênção seria grande. Israel havia de ficar por muito tempo sem o verdadeiro Deus e sem falsos deuses, sem sacrifício e sem ídolos, mas reconheceria nos últimos dias ao SENHOR e a Davi (Cristo); o seu arrependimento é desenrolado no último capítulo.

 

Joel

Joel anuncia, ocasionado por uma fome, a destruição do exército do Norte. Depois, prediz o dom do SENHOR a toda carne antes que chegue o dia grande e terrível do SENHOR.

 

Amós

Amós, depois de ter anunciado o julgamento que acometerá várias nações de Canaã, declara que a paciência de Deus não suportará mais a iniqüidade de Israel. Porém, ele também proclama, como todos os profetas, o retorno e a bênção do povo, acrescentando que nunca mais seria arrancado de seu país.

 

Obadias

Obadias profetiza contra Edom, cujos inveja e ódio implacáveis contra Jerusalém se encontra freqüentemente no decorrer da profecia. Depois anuncia o dia do SENHOR, julgando as nações e, como sempre, a libertação de Sião.

 

Jonas

Jonas porta um caráter especial. Se o SENHOR escolhera Israel para ser um povo particular a fim de conservar o conhecimento de Seu Nome na terra, Ele não é menos oDeus das nações — e um Deus de bondade e misericórdia. Quando os privilégios que Deus concede obscurecem o conhecimento daquilo que Ele é em Si mesmo, a possessão desses privilégios fazem nascer um duro espírito de partido. É isso que se vê claramente com os judeus. É notável que no livro de Jonas, o testemunho da misericórdia divina é dirigido ao grande inimigo do povo de Deus. Vê-se nesse profeta os caminhos de Deus ali, onde o arrependimento se manifesta. Sob certos aspectos, Jonas é um tipo conhecido do Salvador. O assunto do capítulo 4 está em contraste com a bênção especial dos judeus no fim: Deus também é Deus das nações.

 

Miquéias

A profecia de Miquéias tem em certos aspectos alguma semelhança com a de Isaías, mas o desenrolar dos planos de Deus é muito menos completo em seu livro que se dirige mais prolongadamente à consciência do povo. Ele encerra a sua profecia afirmando que as promessas feitas a Abraão e a Jacó serão cumpridas.

 

Naum

Naum mostra a indignação de Deus se levantando contra a arrogância do poder e do domínio humano. Anuncia a destruição de Nínive (a Assíria) que jamais se levantará de novo, e Judá será finalmente libertado.

 

Habacuque

No livro de Habacuque se acha a expressão da fé no SENHOR apesar de tudo e também os caminhos de Deus na história do povo. O profeta lamenta a iniqüidade que rodeia Israel, e Deus o faz ver os caldeus os quais prepara para castigar o país por causa dessa iniqüidade. Então o afeto do profeta pelo povo se revela e ele se queixa dos caldeus. Deus lhe mostra que deve viver pela fé: Ele puniria esse inimigos violentos, cujas paixões Lhe serviram de vara para castigar Israel. O fiel, porém, deve esperar. O dia do SENHOR virá e a terra será cheia do conhecimento da glória do SENHOR tal como o fundo do mar é coberto pelas águas. O profeta recorda a libertação antiga de Israel e se regozija no SENHOR, bem que nenhuma bênção aparece ainda de Sua parte.

 

Sofonias

Sofonias anuncia o julgamento sobre o país que não deixa escapar nenhuma iniqüidade: o dia do SENHOR, o dia da ira, da tribulação e da aflição, em que o país será devorado pela ira do SENHOR. Os mansos devem procurar o SENHOR, a fim de serem “escondidos” (So 2:3). Israel primeiro, depois os gentios — todos serão julgados. A Assíria é chefe desses últimos (porque aqui Israel é reconhecido). Em seguida temos o que diz respeito a Jerusalém. Deus a havia advertido como havia dito: “Certamente me temerás”, mas ela se corrompeu, indo de mal ao pior (veja So 3:7). O profeta se aproveita dessa ocasião para convidar o remanescente a esperar no SENHOR, que ajuntará todas as nações para julgá-los na Sua ira. Então a cena muda completamente: todas as nações invocarão o SENHOR de um coração puro e Israel será restabelecido de coração ao SENHOR. Iniqüidade não se acha mais nele. O SENHOR fará dele um povo de renome e de glória entre todas as nações. Esse é o fecho harmônico de todos os caminhos de Deus, dos quais os profetas haviam falado. Os profetas que ainda seguem, profetizaram depois do retorno da Babilônia e portam outro caráter.

 

Ageu

Ageu, embora seja simples e breve, apresenta um grande interesse. Ele insiste que o povo pense no SENHOR e não em seus negócios passageiros. Ele faz um apelo ao povo para continuar a construção do templo interrompida por seus inimigos. Os chama a confiar no SENHOR e a continuar a obra sem esperar a permissão do rei da Pérsia. Os judeus obedecem a essa palavra, e de fato, logo que agem pela fé, são ajudados providencialmente o rei lhes concedendo a sua autorização. Mas é pela fé que Deus dirige tudo, porque ele dispõe dos corações dos reis. Isso sempre é assim quando a fé age conforme a Palavra de Deus, que, no caso a considerar, veio por intermédio dos profetas Ageu e Zacarias. O profeta anuncia, em seguida, que Deus sacudiria os céus e a terra de sorte tal que cada poder humano seria lançado de lado bem como os poderes espirituais que estão nos céus. Então terá lugar aquilo que a multidão dos discípulos deu para entender por inspiração quando Jesus entrou em Jerusalém: “Paz nos céus”. O poder de Cristo, chefe de Israel, identificado com o do SENHOR, será estabelecido.

 

Zacarias

Zacarias se ocupa com o restabelecimento de Jerusalém naquele tempo, mas relatando a história da cidade até a primeira vinda de Cristo e até mesmo até a segunda. Ele não fala senão ocasionalmente da destruição das nações que assolaram Jerusalém. Ela é justificada e beneficiada pela administração da graça conforme a ordem perfeita e divina. Os maus são desterrados e encontram o seu lugar com a Babilônia; depois, Cristo é introduzido. Uma segudna profecia começa no capítulo 7 e introduz, no capítulo 11, a rejeição de Cristo por ocasião de Sua primeira vinda. Israel, nessa ocasião, é entregue nas maõs de um mau pastor. Depois, Jerusalém deve ser o lugar onde as nações serão julgadas e o espírito da graça e de suplicas está sendo derramado sobre o povo. Esse se arrependerá de ter levado à morte o homem que é o companheiro do SENHOR. A cidade será tomada, mas o SENHOR sairá para julgar os inimigos dela, e tudo será santificado em Jerusalém.

 

Malaquias

Malaquias nos faz ver a decadência moral do povo depois de seu retorno da Babilônia. Mas há um remanescente no meio da ruína. A missão de João Batista é predito, o dia do SENHOR vem e a vinda de Elias é anunciada. O povo é reconduzida à Lei. Notemos bem que o cristianismo não aparece aqui, mas Cristo e sua rejeição. O Pastor é ferido e as ovelhas são dispersadas (Zc 13); depois chega o juízo. Nessas três profecias pronunciadas após a volta da Babilônia, quando um dos impérios representados pelas “bestas” de Daniel já havia sucumbido, e ainda que seja feita alusão às nações (porque era o seu tempo, elas possuíam o mundo), constata-se um encolhimento notável dacadeia da profecia, e ali encontra-se muito mais detalhes de aplicação direta a Cristo. Encontra-se aqui, é verdade, o Egito e a Assíria (Zc 10) — esses grandes atores entre as nações. Vê-se eles julgados, mas ainda assim novamente à espera dos últimos julgamentos. Eles fazem parte das bestas de Daniel, todas associadas ao cativeiro dos judeus, pois esse cativeiro caracteriza a posição do povo. Logo que a Assíria entra em cena, o trono de Deus se encontra no meio do povo em Jerusalém. Aqui, bem que o  cativeiro sob o poder das nações subsista ainda e seja reconhecida, o horizonte, como havemos dito, se estreita e a cena é daqui em diante enchida pelo próprio Cristo e pelos detalhes que se relacionam com a Jerusalém restaurada. Depois vem o grande dia do SENHOR.

 

 

Os Hagiógrafos

Nos resta apenas dizer algumas palavras sobre os hagiógrafos.

 

Daniel

Daniel faz parte desses livros conforme os judeus. Nós falamos de seu livro no caráter de profecia, embora tenha um caráter a parte: o trono de Deus desapareceu da terra e o profeta está na Babilônia. Mas ele porta também o mesmo caráter dos demais hagiógrafos que contêm discursos morais ou histórias de detalhes enquanto Israel é rejeitado, e que apresentam a expressão da afeição de Cristo por Israel. Encontram-se ali as relações de Deus com o homem, e as atenções providenciais que Ele dá a Seu povo, logo que não trata mais deles na condição de “Seu povo” e não os reconhece mais como tal.

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Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
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