O Testemunho do Candelabro

 

Por Theodore Austin-Sparks

Êx. 25:31-40; Zac. 4:1-7.
 
Vamos aqui dizer bem sucintamente uma palavra quanto aos dois lugares que este candelabro está apresentado. Em Êxodo temos o início das coisas; o Senhor está estabelecendo o Seu testemunho originariamente, trazendo-o pela primeira vez. Em Zacarias, como em todo o ministério profético, é uma questão de recuperação, o testemunho tendo estado mais ou menos perdido. O candelabro de ouro é o completo e original plano de Deus a ser recuperado quando aquela Sua mente plena tem sofrido perda no meio do Seu povo, e no meio das nações. Apenas menciono isto, porque o Senhor está sempre reagindo ao que é original e básico, sempre buscando recuperar, nunca satisfeito em prosseguir com algo que seja menos do que aquele Seu propósito original revelado. É em conexão a essa idéia de resgatar que temos sentido através dos anos que o Senhor colocou a Sua mão sobre nós e nos levou a sermos como um ministro, e como uma parte do vaso _ para buscar mostrar novamente, de uma forma prática, qual é o Seu plano quanto ao testemunho na terra; e de voltar lá, bem no início, foi este „candelabro todo de ouro‟ que o Senhor tornou básico para este ministério.
 
O TESTEMUNHO - A PLENITUDE DE CRISTO
 
Em nossa meditação anterior, estávamos falando sobre a forma deste candelabro, e há algumas outras coisas que precisam ser ditas a respeito disso. Aqueles que têm estado conosco através dos anos, irão reconhecer essas coisas como tendo sido trazidas a diferentes estágios, particularmente à nossa vista. Eu penso que há três fases representadas por três linhas de consideração deste candelabro. Concernente à história espiritual, aquilo que foi terceiro para nós chegou a ser visto como primeiro pelo Senhor. O Senhor não começou conosco no Seu próprio início, mas Ele nos levou para o Seu início. Chegamos finalmente a duas linhas distintas, por meio de duas fases distintas, àquele início. Não irei mencionar os outros dois agora, mas falarei sucintamente a respeito do aspecto primário e dominante do testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo – a plenitude de Cristo.
 
(a) O CRISTO É TODO DE DEUS
 
Numa meditação anterior, dissemos que o fato de o candelabro ser todo de ouro significa que ele representa algo que é todo de Deus; e, considerando este candelabro com Cristo, a primeira coisa com que temos que ficar impressionados é quão absolutamente de Deus Ele era e é; todo de Deus _ plenitude, a plenitude de Deus.
Há primariamente dois números neste candelabro, e eles são os números „três‟ e „sete‟, os números da plenitude Divina e da plenitude espiritual, respectivamente. Há três braços de cada lado da haste, e com a haste eles formam sete. Aí está a plenitude de Deus e a plenitude do que é espiritual. Isto é uma chave para a vida de nosso Senhor Jesus. Ele esteve aqui em Seus dias de Sua carne entre os homens como o candelabro de Deus, revelando como por uma chama viva o que significa ser todo de Deus. Você sabe que na descrição do candelabro, ele era para estar em sua própria luz, que a luz era pra brilhar sobre ele mesmo - "as quais se acenderão para iluminar sobre si" (Ex. 25:37); sobre as outras coisas, sim, mas sobre si mesmo. Ele era pra permanecer em sua própria luz, e sua luz era pra se derramar sobre si mesmo; e o Senhor Jesus era encontrado, de tempo em tempo, dizendo coisas que correspondiam a isso. O testemunho podia ser visto como nEle mesmo, dava testemunho dEle. Ele, consistentemente, podia caminhar na luz de Deus; no que dizia respeito a Ele, não havia absolutamente nada a ser encoberto da luz Divina. O testemunho era verdadeiro nEle, por que nEle tudo era de Deus, como podia ser visto nos incontáveis detalhes. Você tem que estudar bem de perto a Sua vida interior e exterior, para ver como ela era toda de Deus, como Ele estava constantemente rejeitando tudo aquilo que poderia ser dEle mesmo, ou para Ele mesmo, qualquer coisa que podia vir de qualquer outra fonte, que podia ministrar a qualquer outro objeto. Era tudo de Deus, completamente.
O que é o testemunho de Jesus? Oh, novamente vamos nos livrar de todas aquelas idéias falsas que pertencem a algum sistema particular de ensino. Não, o testemunho de Jesus o qual é pra estar aqui, o qual Deus teria em Sua casa, no meio do Seu povo, no meio das nações em razão do Seu povo _ em primeiríssimo lugar é que aqui está algo que é completa e absolutamente livre de qualquer consideração e interesse, e objeto, e ambição, que não seja o próprio Deus. Jamais alguém pode ser capaz de explicar corretamente e verdadeiramente alguma coisa no terreno do homem, ou em qualquer outro terreno, seja o que for, a não ser Deus. Foi dito: „Isto é de Deus; isto é todo de Deus; isto é do Senhor‟.
Como dizíamos anteriormente, o fogo produz este ouro. Oh, que obra este fogo realiza para eliminar a impureza, a mistura, a escória, para que finalmente possa ser dito: „Isto é todo de Deus, não há nada de humano nisto, nada pode realizar isso a não ser o Senhor‟. Estou muito certo de que à luz de uma afirmação como esta você pode entender o significado dos caminhos de Deus. O que Ele está fazendo? Ele está buscando produzir um testemunho no qual a força, a sabedoria, a resistência, a capacidade de prosseguir, de toda maneira, é de Deus e não do homem. Toda de Deus _ sim, a plenitude de Cristo é isto.
Oh, as nossas idéias sobre a plenitude de Cristo! 'Oh, para a plenitude de Cristo!' Nós dizemos. Isto possivelmente não pode acontecer sem que haja um absoluto vazio. Se for pra Ele encher todas as coisas, tudo tem que sair. Não será „todas as coisas‟, e não será „tudo em todos‟ se ainda houver algo. A plenitude de Cristo exige o espaço todo. Mas o ponto é este: a plenitude de Cristo é algo para envolver, para ser experimentada. Que plenitude! Tenho visto a face de Jesus, não me fale nada além disso. - O que você quer dizer? Sentimentos, hinos, poemas! Você está certo que eles são verdadeiros? Ah, nós somos provados nisso _ o que queremos além dEle. Não conhecemos os nossos próprios corações. Contudo, o testemunho verdadeiro é todo de Deus. Foi assim no caso do Senhor Jesus, e é o Senhor Jesus quem está sendo contemplado.
 
(b) UNIVERSAL : A SATISFAÇÃO DO CÉU E DA TERRA
 
A próxima coisa é a plenitude de Cristo na questão da universalidade. Isto é apenas dizer a mesma coisa de uma outra maneira. Você tem este candelabro representado assim em dois lugares. Em Êxodo ele está no santuário, no santo lugar. O que representa o santo lugar do tabernáculo? É o lugar entre o céu e a terra. Do lado externo do santo lugar está o mundo, o lado exterior do testemunho. É o mundo que traz você para o santo lugar. Diante do santo lugar está o santo dos santos, que é o próprio céu; “no próprio céu” (Heb 9.24), como disse o apóstolo. O santo lugar é o elo entre o céu e a terra, as fronteiras da terra e do céu ali se encontram. A pessoa do Senhor Jesus os une. Ele permanece como o Filho do homem entre o céu e a terra, e os une, e os abrange em sua totalidade. A plenitude, celestial e terrena, é encontrada nEle em um lugar que não é totalmente de um nem de outro, mas que une a ambos, que satisfaz a ambos.
Ele não é totalmente desta terra, deste mundo; Ele é separado; e, contudo, por assim dizer, Ele tem a Sua mão sobre a terra. Ele está representativamente relacionado a ela, ela se une a Ele, se completa nEle - Ele está no ponto onde todas as nações encontram a sua plenitude. O mundo encontra no Senhor Jesus a resposta para todas as coisas. Não existe nenhuma nação, nenhuma tribo, nenhum povo, nenhuma língua, nenhuma constituição, nacional ou temperamental, em toda esta criação, em todos os tempos, que não possa encontrar a resposta para sua necessidade, sua real necessidade, nEle. Ele está fora do tempo, Ele está acima do tempo, Ele é tão bom para o século vinte quanto para o primeiro século, e para todos os séculos compreendidos entre eles - igualmente apropriado, igualmente adequado. Todas as condições de todas as eras deste mundo são preenchidas nEle.
Por outro lado, o Céu está satisfeito com Ele, toda plenitude do Céu é encontrada nEle. O céu tinha uma necessidade em um ponto; o céu esperou ansiosamente enquanto algo era realizado sobre o qual, num certo sentido, sua própria existência parecia depender. O céu estava tremendamente e solenemente interessado naquele drama da Cruz; muito mais do que isso, no completo drama de Sua vida terrena. O céu está sempre acompanhando, interessado; os anjos estão atentos. O céu se reuniu nEle, e agora todo o céu está satisfeito por causa dEle.
Assim, o Senhor Jesus está exatamente lá, entre o céu e a terra, satisfazendo a todas as necessidades. Quão universal é o testemunho de Jesus para responder a toda necessidade!
Encontramos o candelabro mencionado novamente na Escritura _ no livro de Apocalipse; e descobrimos lá uma confirmação daquilo que tenho acabado de dizer. Se você quisesse mostrar dois quadros do candelabro, como em Êxodo e em Apocalipse respectivamente, você colocaria o primeiro no lugar santo do tabernáculo. Onde você colocaria o segundo? Você teria que ter um mapa de toda área, então conhecida como Ásia, como representante da criação, o mundo, as nações, e lá você colocaria um candelabro em Eféso, e outro em Esmirna, e outro em Tiatira, e em Pérgamo, e assim por diante; e ainda você veria um Homem cobrindo toda aquela área _ os candelabros, por assim dizer, sendo trazidos dentro daquele único Homem. É Cristo em testemunho em todas as nações. Agora não mais centralizado em um único lugar, no lugar santo; está agora em todas as nações. O primeiro está no lugar santo _ tudo está nEle. Mas, quando Ele é visto como os sete candelabros nas nações, é Ele em tudo - um quadro da última intenção de Deus, para que a plenitude que está nEle seja encontrada em todo lugar, nas nações, em toda criação. Paulo diz: “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. (Rom. 8:19-22). A criação geme. Sobre o que ela está gemendo? Por que nós gememos? Porque, de alguma forma, queremos algo que não temos. Se estamos em dor, gememos porque queremos
ficar livres da dor. Nós gememos se as coisas saem erradas _ queremos que elas fiquem corretas. A criação está gemendo porque ela não possui algo que é necessário para ela. O que ela precisa? - Cristo, isto é tudo. Ele preenche a necessidade da criação. Cristo em todas as nações _ esta é a última visão. A universalidade de Cristo _ este é o testemunho. Todas as necessidades do céu, todas as necessidades da terra, todas as necessidades do homem, todas as necessidades da criação, são satisfeitas na plenitude de Cristo Jesus. Esta é uma declaração abrangente, mas ela é um desafio para nós. É este o testemunho que do qual estamos falando?
 
UM IMPACTO VITAL DE CRISTO, NÃO UM ENSINO
 
O que queremos dizer por testemunho? É Cristo em plenitude conhecido desta forma por nós? Você diz: „Bem, o que há de particularmente diferente sobre isso no que diz respeito a este vaso? Não é assim que é pra ser todo o Cristianismo? Não está todo ele centralizado em Cristo? Não é seu testemunho de que Cristo é tudo, para ser tudo, e que Cristo supre todas as necessidades?‟ Sim, é muito verdadeiro quanto à linguagem, muito verdadeiro quanto a termos do Cristianismo; mas há muita coisa fora de Cristo no cristianismo _ quanto não sabemos. Muitos de nós fortemente afirmaríamos que, em relação a nós, Cristo é tudo, porém nós não conhecemos os nossos próprios corações. O Senhor tem apenas que colocar o Seu dedo sobre algo muito precioso para nós e uma grande batalha ocorre; não é tão fácil, então, dizer: „Cristo é mais do que isto para mim‟. A questão se torna muito prática e pessoal. Mas você pode colocar isso numa área maior _ todas as coisas fora de Cristo que há no cristianismo do centro à circunferência; e somente o fogo de Deus pode descobrir quais são essas coisas que nós, cristãos e o cristianismo, podemos ter. Oh, olhe para o cristianismo de hoje como o conhecemos neste mundo! Não temos que dizer que há muita coisa que é chamada de cristianismo que não é Cristo? Há muita coisa adicionada. Não há esta obra de fogo de separação entre o puro ouro e a escória. É um testemunho do puro ouro trabalhado no fogo que Deus procura, e somente os Seus olhos conhecem o que precisa ser tratado com o fogo. Há uma diferença entre o geral e ostensivo testemunho cristão acerca do Senhor Jesus e o testemunho espiritual efetivo _ uma grande diferença. Eu não sei se nesta vida nós iremos alcançar o ponto onde o testemunho seja absolutamente Cristo, de modo que não haja absolutamente mais nada, porém Deus está trabalhando neste sentido. Todo de Deus; todo espiritual, nada carnal; todo celestial, nada terreno. O que está em vista não é um movimento, uma missão, uma obra, uma seita, uma „irmandade‟ como uma instituição, algo aqui sobre esta terra. É algo que está por trás da própria pessoa que constitui o corpo físico de tudo, algo intangível, porém muito real. Há algo a respeito desse candelabro que é mais do que ele próprio. É sua natureza espiritual e celestial. Numa palavra, você não precisa de uma coisa absolutamente, você precisa do Senhor. Você não fica impressionado com uma coisa, com a organização, com a companhia das pessoas, ou com o lugar, ou com qualquer coisa parecida; você simplesmente precisa do Senhor. 'O Senhor está aqui‟ - este é o testemunho de Jesus. Você não deseja isso para você mesmo? Certamente se as pessoas fossem capazes de dizer de nossa passagem desta maneira _ um caminho que passaremos apenas uma vez _ que trouxéssemos a presença do Senhor conosco, que houvesse algo da fragrância de Cristo em nós, algo que sugerisse o Senhor, não seria isso a maior coisa que possivelmente seria dito? Não seria isso a resposta para os desejos mais profundos do nosso coração? Se, pelo nosso estar juntos como povo do Senhor, qualquer pessoa que entrasseem contato conosco pudesse dizer: „Não é o povo, nem a fraseologia, nem o peculiar ensino, mas de uma forma ou outra, é o Senhor que você encontra ali‟ - Bem, não há final maior do que este. Para que o Senhor faça isso é necessário um profundo trabalho de fogo. Este é o candelabro todo de ouro. É o Senhor Jesus. O Senhor nos dá graça para buscar, que seja assim, que a nossa presença aqui seja a Sua presença.
 
 
Devo contribuir?
Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
Array
Desenvolvido por Palavras do Evangelho.com