Isaura Lima Lopes, 75 anos

 

Turbinas de avião, rodinhas de mala, avisos da Infraero. Nada acordava a velhinha dormindo sobre cadeiras do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, terça-feira à tarde, em Florianópolis.

Sono dos justos! — brincou alguém que passava e via o corpo frágil espremido e ao lado o carrinho de metal decorado de cartazes com mensagem bíblicas.

Em três horas, só uma pessoa sentou-se ao seu lado sem receio de acordá-la. Mas bastou levantar-se para que muitos ouvissem sua voz. Isaura Lima Lopes, 75 anos, vive da aposentadoria e há 19 anos escolheu os aeroportos brasileiros para pregar uma fé e que, garante, não ser atrelada a nenhuma religião.

A cena no maior e principal aeroporto de SC mexeu com as pessoas.

— Está aí o profeta Gentileza de saias — comparou um rapaz, lembrando o pregador que usava túnica branca e barba comprida e que fazia inscrições em muros, viadutos e prédios abandonados no Rio.

Enquanto Isaura dormia, seus sapatos e meias descansavam embaixo dos assentos. Na cabeça de cabelos branquinhos, um lenço da mesma cor. Por baixo de um camisão em tons de areia, um vestido claro com detalhes e renda colorida. Sobre a mala, no carrinho, uma almofada. Sobre ela, uma bíblia. Como travesseiro, uma bolsa e folhas de papel.

Pregadora passa 20 dias em cada terminal

Isaura desembarcou em um voo noturno chegado de Brasília no dia 5. Primeira vez em Florianópolis e com o próximo destino marcado, o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, passa 20 dias em cada terminal. Quando a jornada termina, volta para Brasília, a base, onde planeja nova viagem. Antes de desembarcar em SC, esteve em Recife, no terminal do Guararapes.

— Venho para os aeroportos por que chegou a hora dos ricos se converterem — conta ela, que é de um tempo que voar era para poucos.

Isaura Lima Lopes nasceu em 5 de novembro de 1937. É pernambucana de Goiana, mas escolheu Brasília para morar. Seu título eleitoral é de lá. Além desse documento, carrega a identidade e o CPF. É conhecida da rede Infraero por suas passagens, como em Guarulhos (SP). Para a estatal, é apenas uma passageira, que chegou com passagem e tem bilhete marcado. É vista como um viajante comum, como todos os outros que, em trânsito, dormem nos terminais. A preocupação é com a sua saúde. Se tiver problemas, será atendida pelo serviço do aeroporto. Isaura tem problema de audição, por isso a melhor forma de se comunicar com ela é escrevendo as perguntas.

Diz não ter marido e filhos. Além da aposentadoria, conta com ajuda espontânea nos terminais. Quando se tornou "missionária", como diz, venceu o medo de voar e, depois, deu início a sua peregrinação.

 

Vida de Isaura lembra o filme O Terminal, de Spielberg

A permanência de Isaura em um aeroporto lembra o filme O Terminal, de Steven Spielberg (2004). Nele, Tom Hanks vive um homem preso em um aeroporto depois de ter sua entrada nos EUA negada. Ele também não pôde retornar ao seu país de origem devido a uma revolução. Isaura lançou-se nessa viagem antes de Spielberg. Ela, como diz, por orientação de Deus. Navorski, o personagem do filme, por uma revolução dos homens.

 

Fonte: Jornal Diário Catarinense, Ângela Basto, Alvarélio Kurossu / Agencia RBS. 12/09/2012

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