DAVI, E A CIDADE DE ZICLAGUE

 Ao tratarmos da história que temos agora perante nós, a qual, necessàriamente, apresenta muito fracasso e fraqueza, é bom recordarmos o que nós próprios somos, não seja o caso de apontarmos as faltas de outros num espírito de complacência. O escritor divino põe diante de nós, com fide- lidade resoluta, todas as imperfeições daqueles cuja história relata. O seu objetivo é apresentar Deus à alma em toda a plenitude e diversidade dos Seus recursos, e em toda a Sua competência para valer ao pecador desamparado em toda a sua necessidade. Ele não escreveu a história de anjos, mas de homens «sujeitos às mesmas paixões» que nós pró- prios; e é isto que torna as narrativas do Velho Testamento tão instrutivas para nós: são-nos apresentados fato que falam ao coração; somos conduzidos por cenas e circuns- tâncias que nos descrevem, com simplicidade tocante, as fontes ocultas da nossa natureza, e bem assim as fontes da graça.

Aprendemos que o homem é o mesmo em todos os sé- culos; no Éden, em Canaã, na Igreja e na glória do Milênio, ele mostra ser feito dos mesmos materiais humilhantes; mas aprendemos também, para nossa alegria e encorajamento, que Deus «é o Mesmo ontem, hoje e eternamente» (Heb. 13:8): Paciente, Gracioso, Poderoso e Santo - Paciente para suportar as nossas muitas provocações; Gracioso para apagar os nossos repetidos pecados e restaurar as nossas almas errantes; Poderoso para nos libertar dos ardis de Satanás e da energia da natureza e do mundo; Santo para exercer juízo na Sua casa e castigar os Seus, para que eles possam ser participantes da Sua santidade. É assim o Deus com Quem temos que tratar; e vemos as manifestações ma- ravilhosas do Seu caráter nos esboços profundamente inte- ressantes com que a história do Velho Testamento abunda, e talvez, em nenhum deles, melhor do que naquele que temos agora perante nós. São poucos os caráteres que exi- bem mais variedade de experiência do que David. Ele co- nhecia verdadeiramente os altos e baixos que caracterizam a carreira do homem de fé. Numa ocasião vêmo-lo tirar da sua harpa os acordes mais sublimes; noutra, mostrando a mágoa de uma consciência contaminada, e um espírito magoado. Esta variedade de experiências tornou David um objecto apropriado para a ilustração da graça de Deus.
É sempre assim. O filho pródigo nunca teria conhecido uma tão elevada comunhão com seu pai, se não houvesse co- nhecido as humilhantes profundidades do país distante. A graça que o vestiu com o melhor vestido não teria sido ma- nifestada tão brilhantemente se ele não tivesse sido coberto de trapos imundos. A graça de Deus ê engrandecida por meio da ruína do homem; e quanto mais sinceramente for sentida essa ruína, tanto mais a graça será apreciada. O filho mais velho nunca teve um cabrito para se alegrar com os seus amigos; e porquê? porque julgava que o merecia. «Eis que te sirvo há tantos anos» - diz ele - «sem nunca transgredir o teu mandamento» (Luc. 15:29). Presunçoso! Como poderia ele esperar o anel, o melhor vestido, ou o bezerro cevado? Se os tivesse obtido teriam sido apenas os ornamentos da própria justiça, e não as vestes com que a graça cobre o pecador contrito.
Assim aconteceu com Davi e Saul. Saul nunca reconhe- ceu a sua necessidade como David a sentiu, nem tão-pouco nós temos o relato de pecados tão flagrantes, no seu caso; pelo menos, aquilo que o homem chamaria flagrante.          LER MAIS...
 

 

 

 

 

 

 

 

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