CIÊNCIA CRISTÃ

Existe abundância de evidência incontestável de que a autora da seita relígio-médica conhecida por Ciência Cristã foi, até o fim de sua vida de oitenta-e-nove anos, achacada de moléstias tanto da mente como do corpo; que, nos seus últimos anos, foi, "pelo pavor da morte, sujeita à escravidão"; e que através de tudo permaneceu tão autocêntrica como a seita que propagara.
Afirmava possuir, entretanto, tal inspiração divina e semelhança com Deus, que essas afirmações se revelavam absolutamente incompatíveis com a impressão que ela dava à maioria de 'Seus contemporâneos. E desde que seus seguidores têm divinizado tanto sua personalidade como seus ensinos, é quase necessário que eles apaguem o quadro da Sra. Eddy deixado por aqueles que viveram na sua época.
Nesse ingente esforço, o tempo, como seria de se esperar, mostrou-se cooperador das Comissões de Publicação que foram organizadas em cada estado e província onde a Ciência Cristã conseguiu implantar-se. As obras primitivas, escritas por contemporâneos da fundadora, estão agora quase todas esgotadas; grandes quantidades de "literatura inconveniente" foram reunidas e destruídas; a vida da Sra. Eddy foi re-escrita, e tudo que se considerou pouco amistoso foi prontamente eliminado como "não autêntico".
Em um esforço para pôr em prática sua alegação de que a Ciência Cristã é uma religião que segue rigorosamente à Regra Aurea, os Cientistas Cristãos remetem gratuitamente literatura aprovada aos que têm escrito contra o Eddyismo, solicitando cortesmente a tais escritores que mudem sua avaliação de acordo com dita literatura.
Foi essa a experiência de Charles S. Braden, F. E. Mayer, Lloyd M. Wallick e, ultimamente, do presente escritor. (Braden: These Also BeZieve (Estes Também Crêem), págs. 180, 181; Mayer: The Religious Boâies 01 America (As Entidades Religiosas da América), pág. 524; Wallick, em The Luttieran. Quarterly (Jornal Trimestral Luterano) de outubro de 1954; van Baalen: correspondência particular com Will B. Davis, relator, Comissão de Publicação, Boston, 1958.
Acontece, porém, que nenhum desses escritores modificou sua avaliação da Ciência Cristã nem de sua autora, em virtude dessa correspondência. O livro The Life of Mary Baker G. Eddy and the History of Christian Science (A Vida de Mary Baker G. Eddy e a História da Ciência Cristã), 1909, da Srta. Milmine, permanece como fruto de esforços tão esmerados e de tantas viagens por cidades em que a Sra. Eddy morou, que não é possível desprezar tudo isso ou pô-lo de lado. E a biografia de Dakin: Mrs. Eddy, the Biography of a Virginal Mind (A Sra. Eddy: a Biografia de uma Mente Virginal), 1929, é tão bem documentada que não se pode desconhecer. Desse sucesso de livraria, críticos célebres e sem preconceitos como R. L. Duffus (New York Times), Heywood Broun (Book of the Month Club News), H. L. Mencken (American Mercury) fizeram as melhores referências.
Gilbert Seldes em The New York Herald Tribune escreveu:
"A nobreza da atitude do autor, sua fina percepção, seu equilíbrio e bom senso, tornam sua obra inteiramente louvável."
E Lewis Mumford afirmou em The New Republic:
"Sr. Dakin cometeu uma ofensa imperdoável contra a Sra. Eddy: fez-lhe justiça."
Deixam por isso de ser muito convincentes: as declações da Ciência Cristã a respeito dessa obra erudita e clássica na matéria, de que "foi escrita sem dados dignos de confiança"; esforços oficiais para boicotar o livro e suprimir-lhe a venda.ê e asseverações posteriores de que esses esforços partiram apenas de uns poucos entusiastas hipersensíveis. (Ver "The Blight that Failed" (A Praga que Fracassou), panfleto que conta a história de tentativas dos Cientistas Cristãos para suprimir o livro de Dakin.)
O que é mais, as biografias oficialmente recomendadas de Mrs. Eddy, pelo fato de apresentarem um retrato evidentemente unilateral no interesse de exaltar a fundadora, não merecem fé como material. hístórico. (Dr. James H. Snowden declara como conclusão sua em The Truih. about Christian Science que, na biografia oficial da Srta. Wilbur, "mesmo os fatos mais desesperados são retocados, se bem que a feia verdade nem sempre é passível de negação ou de explicação plausível. A adulação pessoal da Sra. Eddy, que se aproxima- do culto a uma divindade, é simplesmente nojenta" (pág. 10). Mary Baker, A Lile Size Portrait \Mary Baker Eddy: um Retrato em Tamanho Natural) de Lyman Powell, escrito como reação ao livro de Dakin, nem ao menos menciona o nome de Augusta Stetson, apesar de ter sido o episódio stetson indubitavelmente uma das pechas mais negras no caráter e métodos da Sra. Eddy.)
A bem da caridade, vamos concluir esta introdução dolorosa de nosso assunto com duas observações.
Primeiro, é sem dúvida difícil encarar com absoluta objetividade uma pessoa cujos ensinos nos trouxeram grande benefício - e não se pode negar que os 'ensinos da Sra. Eddy têm trazido benefício a alguns que tomam o "grão de verdade" do "alqueire de erro" que é o sistema do Eddyismo.
Segundo, uma vez que a própria experiência da Sra. Eddy contradisse tão violentamente seus ensinos, não é de se admirar que algumas vezes a verdade seja espichada ou mesmo sofra distorção a fim de fazer com que os fatos concordem com a teoria firmemente mantida.
 
Verdades Inegáveis
 
Reunidas todas as evidências, o que passamos a relatar está fora de qualquer dúvida. A Sra. Eddy, nascida a 16 de julho de 1821 em Bow, Estado de New Hampshire, muito sofria de uma fraqueza da espinha que a afetou não só física mas também mentalmente. Isso perdurou durante boa parte de sua vida e prejudicou tanto seu primeiro como seu segundo matrimônio. Seus sofrimentos levaram-na a consultar o então famoso P. P. Quimby em Portland, Estado de Maine, que seguia as pegadas do francês Charles Poyen, célebre mesmerista.
Por duas vezes a Sra. Eddy, então conhecida por Sra. Patterson, consultou Quimby. Passou períodos consideráveis com ele em particular, discutindo seus ensinos e métodos.
Após as consultas sentava-se horas a fio escrevendo suas conclusões. Isso deu origem a muitos relatos confusos.
Uns afirmam que a "Bíblia" da Sra. Eddy, Science and Health (Ciência e Saúde), publicada primeiro em 1875, contém muitas dessas anotações, inclusive material de Quimby que ela levou para casa. A Sra. Eddy, porém, sustentava que seu livro foi resultado de inspiração divina, direta, e que divergia radicalmente das conclusões de Quimby.
Os Cientistas Cristãos, corno é natural, dão crédito à Sra. Eddy. Srta. Wilbur vai ao ponto de afirmar que nunca houve manuscritos de Quimby. Mas reímpressões de documentos oficiais e atestações juradas provam o contrário. (A causa da dependência da Sra. Eddy de Quimby, posteriormente negada por ela, bem como sua dependência do Rev. J. H. Wiggins, seu editor literário e escritor fantasma ("Sinto muitas vezes como se o Senhor me falasse por seu intermédio") tem sido argumentada recentemente, partindo de fontes inatacáveis, por W. Martin e N. Klann: The Christian Science Myth (O Mlto da Ciência Cristã), 1954.)
O que permanece inegável é que a Sra. Eddy era, inicialmente, eloqüente em seus elogios ao Dr. Quimby (ele "cura os doentes corno Jesus o fazia"); que ela insistia sempre em repetir: "Aprendi ísso de Dr. Quimby"; e que, com o decorrer do tempo e aos poucos, ela passou não só a atacar essa fonte de suas teorias mas chamou de mero mesmerísta, ao homem que de início elogiara, aos passo que ela preconizava a cura por meio da mente.
Podemos passar por cima de perguntas corno: Até que ponto a Sra. Eddy era inspirada por motivos egoístas? Chegou ela mesma a ser curada de algum mal orgânico? For que foi que ela, a profetisa divinamente inspirada de urna nova Bíblia, revisou repetidamente o seu livro através dos anos? Que explicação plausivel pode ser dada do fato de que as edições posteriores, revisadas, contém linguagem muito mais pura e gramatical do que as anteriores? O que de certo não podemos levar a sério é a sua própria explicação, que ela foi de tal modo inspirada por Divina Ciência quando escreveu a primeira edição, que "a gramática sofreu eclipse." E por que será que mesmo as edições ulteriores de Ciência e Saúde com Chave das Escrituras deixam a impressão de terrivel confusão para os leitores inteligentes, tanto no que se refere à organização e reorganização dos capítulos corno no fato de não se cingirem a seus respectivos assuntos?
Os Cientistas Cristãos têm sempre feito objeção indignada às tentativas dos jornalistas de Nova Iorque para conseguirem urna entrevista com a Sra. Eddy no decorrer dos anos de seu declínio em Chestnut Hill. E têm negado ousadamente as declarações quase idênticas de nove dos jornalistas, que encontraram a idosa senhora em condições precaríssimas, tanto física corno mentalmente.
Os Cientistas Cristãos devem, entretanto, lembrar que a Sra. Eddy durante muitos anos vinha negando a realidade da doença e da morte. Todo o seu sistema dependia completamente da "demonstração" da exatidão dessas negativas.
Conseqüentemente, os boatos de que a própria Sra. Eddy estava envidando esforços frenéticos porém infrutiferos para demonstrar essa exatidão na face de crescente fraqueza e da aproximação da morte, justificavam perfeitamente uma tentativa honesta de informar o público em geral daquilo que acontecia dentro e ao redor de Chestnut Hill. Seria verdade que a Sra. Sargeant desempenhava o papel de sósia da Sra. Eddy nos passeios diários em sua sege porque a Sra. Eddy estava disfarçando a deterioração de seu próprio estado físico?
O que é verdade é que a Sra. Eddy, em 2 de dezembro de 1910e com a idade de oitenta-e-nove anos e meio, morreu corno todos morreram antes dela, apesar de seu ensino que "Deus é Tudo, Deus é Vida, e portanto a Doença e a Morte não existem."
 
Frutos Terapêuticos da Ciência Cristã
 
A biografia da Sra. Eddy escrita por Powell contém um capítulo intitulado: "Por seus Frutos," e da nossa parte estamos de acordo com o julgamento do Eddyismo por seus frutos.
Esses frutos não são exclusivamente maus. Se o fossem, o sistema não podia ter sobrevivido como de fato o fez. O bem que o Eddyismo tem a seu favor está nas muitas curas que tem efetuado e que demonstram o poder do pensamento sobre a matéria. E não deixa de ser um benefício prestado pela Sra. Eddy o ter ela, bem como numerosos outros ensinadores da cura pela fé e a cura mental, (A diferença entre as duas categorias, em geral, é que a primeira dirige a mente a um poder exterior e supostamente divino, o qual cura em resposta à oração; ao passo que a segunda categoria sust enta que a própria mente humana é capaz de expulsar a enfermidade pelo raciocínio. Ambas, porém, pressupõem a receptívidade mental.) ter chamado a atenção da humanidade para esse poder. A ciência médica deve, talvez mais do que quer admitir, a Mrs. Eddy pela redes coberta da importantíssima interação do físico com o espiritual no ser humano. Os males "psicossomáticos" têm sido reconhecidos principalmente na esteira da Ciência Cristã. (W. W. Sweet, em seu admirável estudo The storu of Religion in America (A História da Religião na América) sugere de modo semelhante: "E é muito possível que o crescente interesse na psiquiatria como nova técnica não deixe de ter alguma relação com a Ciência Cristã" (3.a edição, pág. 377).)
 
Mas em confronto com algum benefício que o Eddyismo tem feito temos de colocar o grande mal que tem causado.
 
1. Mrs. Eddy, bem como seus inúmeros seguidores, têm feito repetidamente afirmações que não puderam ser comprovadas. Não somente eles têm recusado a orientação do diagnóstico competente, como fazem todos os adeptos da cura pela fé, mas também têm alegado possuir a capacidade para curar quando na realidade essa capacidade não se demonstrava absolutamente. Em resumo, a Ciência Cristã não pode remover males orgânicos. A própria Sra. Eddy acabou concedendo, ainda que depois de muita relutância, a viabilidade de invocar a ajuda do círurgíão." Uma das alegações não comprovadas que a Sra. Eddy fez foi esta: "Curei a difteria tubercular maligna e ossos cariosos que cediam à pressão do dedo, salvando-os quando os instrumentos do cirurgião jaziam sobre a mesa prontos, para efetuar a amputação. Curei em uma visita um câncer que tinha corroído de tal forma a carne do pescoço que a veia jugular ficava exposta de modo a salientar-se como uma corda.:" A literatura oficial da Ciência Cristã quer convencer-nos de que a Sra. Eddy repetidamente levantava aqueles que estavam nas garras da morte.? Tais afirmativas despropositadas encontram-se a miúdo nos próprios escritos da Sra. Eddy.
 
2. Há grande cópia de literatura que trata de casos autênticos em que praticantes da Ciência Cristã foram condenados
nos tribunais dos Estados Unidos por terem desnecessariamente ocasionado mortes pela sua recusa de chamar médico ou cirurgião. Relatórios desses casos encontram-se em livros que se acham disponíveis nas bibliotecas públicas, se não nas Salas de Leitura da Ciência Crístã."
 
3. Quer tenha morrido o Sr. Eddy de enfermidades físicas vulgares ou de "envenenamento pelo arsênico mentalmente administrado" conforme asseverava a Sra. Eddy, o que é certo é que esta não pôde dar conta dos resultados das forças malignas cuja realidade ela própria negava. O mesmo acontece com os praticantes que a têm seguido.
Nas melhores das hipóteses eles têm atribuído os resultados de forças maléficas a "erro da Mente Mortal," o qual, ao que parece, mostrou-se demasiado forte para que o "Bem Onipotente" o pudesse remover. Apesar de negar a existência do diabo, a Sra. Eddy foi acossada em grau incomum, na velhice, pelo terror mortal, por aquele diabo real de seu sistema e que ela teve por bem chamar de "Magnetismo Animal Maligno." M. A. M. representa os pensamentos maliciosos e hostis dirigidos contra a pessoa. M. A. M. tornou-se o pesadelo da Ciência Cristã e é o verdadeiro diabo dessa filosofia que nega a existência de Satanás.
 
Filosofia da Ciência Cristã
 
Em primeiro lugar o Eddyismo é o resultado da busca da saúde física pela Sra. Eddy. Quando julgou ter encontrado esta para si por intermédio de P. P. Quimby, pensou em achá-la para outros) influenciando seus pensamentos contra a existência de seus males físicos. Através de um período de muitos anos ela desenvolveu o sistema que se divulgou através de certas regiões dos Estados Unidos e Canadá, bem como de muitas outras terras. (A influência da Ciência Cristã permaneceu 'circunscrita em grande parte a comunidades urbanas e à classe média próspera. Isso se vê, por exemplo, em Seattle, onde a décima-oitava Igreja de Cristo, Cientista, foi oficialmente dedicada em abril de 1959) .
Pouco importa se esse sistema teve sua origem com Quimby ou com a Sra. Eddy, e se remonta a 1862 ou a 1866.
A Sra. Eddy passou indubitavelmente adiante de Mesmer, de Poyen e de Quimby, embora o produto acabado contenha elementos dos sistemas deles e ainda elementos que lembram fortemente o "Shakerismo", hipnotismo, idealismo filosófico, c talvez outros sistemas de pensamento que eram populares nos dias e no ambiente dela. O produto final, entretanto, foi além de todos eles, tendo-se tornado o que agora é e que tem sido chamado "precisamente panteísmo acósmico - isso, tudo isso e mais nada do que iSSO." (B. B. Warfield: Miracles Yesterday and Today (Os Milagres, Ontem e Hoje) , pág, 217.)
Como a Sra. Eddy foi essencialmente uma mulher de pouca instrução e uma autodidata que lidava com problemas muito além de seu alcance, seu livro, o hoje notório Science and Health (Ciência e Saúde), é uma confusão tremenda.
Desde a primeira até a última edição, contém uma aglomeração de idéias confusas. Sua popularidade deve-se em medida não pequena ao fato de as afirmações confusas e constantemente repetidas deixarem, com certos leitores, impressão de grande profundidade. Os leitores inteligentes percebem, naturalmente, seu gosto raro pela divagação ilógica e pela insistência em ficar batendo em uma única tecla.
Contudo, a Sra. Eddy enfrentou graves dificuldades para manter sua idéia única em face dos fatos de um universo preponderantemente material. Poucos panteístas iriam tão longe quanto foi a Sra. Eddy, pois ela sustentava que, uma vez que Deus é Tudo e que Deus é Bem Onipotente, portanto tudo que não é Deus deixa simplesmente de possuir realidade objetiva. E, não podendo negar que o mal em suas múltiplas formas espirituais e físicas nos cerca de todos os lados, a Sra. Eddy viu-se forçada a postular algo que ela denominou "Mente Mortal" que existe, segundo ela afirmou, em oposição a Deus e ao Bem. Essa mente está repleta de erro, devendo ser-lhe atribuído todo o aparente mal. Uma vez que o mal é mental, deve ser alijado pelo raciocínio e silenciado pela Mente Divina. O fato de realmente não caber tal "Mente Mortal" errônea em uma teoria que estipula a existência de um Deus bom e onipotente com a exclusão de todo o mal, é a simples verdade insuperável que destrói por completo toda a filosofia da Ciência Cristã.
A dificuldade prática que a Ciência Cristã encontra aqui está no fato de nem a própria Sra. Eddy ter-se tornado tão repleta da "Ciência" que pudesse demonstrar a ínexístência do mal, da tristeza, da dor e da morte. O homem em seu estado atual é capaz de remover pelo racíocínío apenas determinadas moléstias e males, permanecendo até o fim de sua carreira terrestre sujeito à "tirania da Mente Mortal". Só ulteriormente poderá a humanidade demonstrar a veracidade do pensamento fundamental único da Sr Eddy, de que Deus e a Verdade e a Saúde e a Opulência representam a única realidade.
 
É esse fato, de má vontade reconhecida, que:
1) torna toda a literatura da Ciência Cristã tão difícil de ser entendida pelos não iniciados; que -
2) flagelava cruelmente a Sra. Eddy com seu terror mortal e que durou toda a sua vida, do M. A. M.; e que -
3) leveu um célebre doutor em filosofia de uma geração atrás a acusar a Sra. Eddy de "o truque de duas linguagens", afirmando que a chave da Ciência Cristã -e da compreensão de seu manual está no reconhecimento do fato de serem empregadas as mesmas palavras com dois sentidos diferentes: um, o da "Ciência", e o outro, o da "Mente Mortal".
 
Dr. Snowden resumiu o apelo popular da Ciência em um capítulo final sob os seguintes títulos:
1) O Apelo da Saúde;
2) O Apelo do Conforto;
3) O Apelo do Idealismo;
4) O Apelo da Revolta Liberal.
 
Ele ainda acrescenta:
"Embora seja a Ciência Cristã um sistema filosófico pretensioso e falaz que não goza de reputação nem de respeito nas escolas! contudo esse próprio aspecto do sistema tem servido de atrativo para determinado tipo de mente iletrada e superficial. As vagas idéias místicas, as estranhas doutrinas, a afirmativa e aparência de ser uma nova 'revelação', os termos e as frases peculiares de seu calão, e principalmente os compridos polissílabos, empolados e sonoros, até mesmo palavras desengonçadas como "allness" (qualidade do que é tudo) e "somethingness" (qualidade do que é alguma cousa) e os períodos rebolantes e reverberadores, têm uma espécie de efeito hipnótico, fascinando e atraindo as mentes que não são dadas à atenção cuidadosa e ao pensamento refletivo, tal como as luzes elétricas brilhantes atraem enxames de besouros e maríposas.
 
A Ciência Cristã como Religião
 
De início a Sra. Eddy pensava somente na cura. Foi somente em 1879 que ela organizou sua "igreja". A primeira edição de seu livro não continha nenhuma "Chave das Escrituras," e mesmo esta nunca passou de umas poucas observações sobre os primeiros capítulos do Gênesís.
Nessa parte a Sra. Eddy não brilha. Acusa de falsidade as Escrituras onde não consegue conciliá-las com suas próprias idéias (por exemplo. "Há de ser mentira" - nota sobre Gn 2.7), e afirma que seu livro que está repleto de declarações contraditórias, possui inspiração verbal.
Isso, entretanto, está excluído pelas suas inúmeras alterações e emendas em cada nova edição, e por sua declaração de que cada nova edição é a única autorizada. Contudo sua noção de ser inspirada levou-a a declarar que era ela a mulher de Apocalipse 12; a proibir a seus seguidores que chamassem de "mãe" qualquer pessoa sobre a terra exceto sua própria mãe segundo a carne e à fundadora da "Primeira Igreja de Cristo, Cientista"; e a alterar o destinatário do Pai Nosso para "Pai-Mãe Deus Nosso."
Como religião, a Ciência Cristã embala os homens, arnortecendo-lhes a consciência mediante a negação de todos os males que as Escrituras afirmam existir e mediante o silêncio que conserva a respeito da retribuição a ser proporcionada no porvir àqueles que "não confessam Jesus Cristo vindo em carne" nem sua vida entregue em resgate por muitos sobre o lenho amaldiçoado.
 
Conclusão
 
Os Cientistas Cristãos colocam manual da Sra. Eddy acima da Bíblia, quando o Primeiro Leitor em seus ofícios de culto lê um trecho de Ciência e Saúde, seguido pelo Segundo Leitor, que escolhe uma passagem bíblica que supostamente confirma a teoria da Sra. Eddy.
Por isso mesmo os Cientistas Cristãos possuem forte aliado na mentalidade moderna que já foi emancipada da fé nas Escrituras. Durante todo um século os homens vêm sendo ensinados a considerar a Bíblia como livro que tanto contém verdade como erro. Despreza-se o fato de ter Cristo aceitado o Antigo Testamento como sendo plenamente inspirado e de ter sido seguido nesse particular por seus apóstolos, que por sua vez consideravam inspirados os escritos uns dos outros. Não é verdade que todos os homens são filhos de seu dia, errando e conhecendo apenas em parte? Não foi o Mestre e seus apóstolos tecidos do mesmo pano, ainda que ultrapassassem em muito os homens de seu tempo na percepção inspiracional e intuitiva da verdade? Além disso, os esforços laboriosos, conscienciosos e esmerados da Igreja Primitiva para formular os ensinos das Escrituras são postos de lado como tendo sido "o melhor que havia em seu tempo."
Por conseguinte, muitas doutrinas bíblicas que são ofensivas aos não renascidos são rejeitadas sem mais nem menos, e mesmo pessoas dentro das igrejas se vêem desorientadas, apalpando atrás da autoridade e da verdade.
Cada "eis aqui" e "eis acolá" encontra quem lhe dê ouvidos, e obras monstruosas como "Ciência e Saúde" e o "Livro de Mórmon" conseguem prontos seguidores, pois alegam falar com autoridade divina.
Ademais, em uma terra da qual Henry Van Dyke afirmou há muitos anos: "Existem indivíduos que respeitam muito pouco o preparo especial e confiam demasiadamente em sua própria capacidade para resolver extemporâneamen-te os problemas da filosofia e da arte do estadista" qualquer interpretação errônea da verdade bíblica, quer seja seu autor Charles Taze Russell, a Sra. Ellen G. White, Joseph Smith Júnior,o Vidente, ou a Sra. Mary B. G. P. Eddy, tem garantido seu auditório e seus adeptos. Desde que o ensino faça lembrar de longe a traseología bíblica e a fé cristã histórica e, sobretudo, que seja de visão amplamente apreciadora de outras interpretações que satisfazem a outros que aleguem ter Cristo em alta estima, provavelmente conseguirá ser ouvido, seja aual for a espécie de Cristo fictício que apresenta.

 

A Bíblia e a Ciência Cristã

 

Anjos
 
"Anjos são puros pensamentos vindos de Deus, alados de Verdade e Amor, seja qual for seu individualismo..."
Meus anjos são pensamentos exaltados." - Sra. Eddy.
 
Expiação
 
"Um único sacrifício, por maior que seja, é insuficiente para pagar a dívida do pecado. A expiação requer constante auto-imolação por parte do pecador. Que a ira de Deus fusse desabafada em seu Filho amado é contra a natureza divina. Semelhante teoria foi inventada pelos homens.
A expiação não deixa de ser um problema difícil da teologia, porém sua explicação científica é que o sofrimento é um erro do sentido pecaminoso que a Verdade destrói."
"A eficácia da oferta espiritual de Jesus é infinitamente maior do que possa ser expressa por nosso senso de sangue humano. °sangue material de Jesus não foi mais eficaz para purificar do pecado quando foi derramado sobre o "amaldiçoado lenho" do que era quando percorria suas veias ao entregar-se diariamente aos negócios de seu Pai. Sua verdadeira carne, seu verdadeiro sangue, era a sua Vida; e comem verdadeiramente sua carne e bebem seu sangue aqueles que participam daquela Vida divina." _ Sra. Eddy.
 
A Morte
 
"Aquilo que, aos sentidos, parece morte, é apenas uma ilusão mortal, pois para o verdadeiro homem e o verdadeiro universo não existe processo mortal."
"Morte: Uma ilusão, a mentira da vida na matéria; o irreal e inverdade."
"Seus discípulos acreditavam que Jesus estava morto enquanto estava oculto na sepultura, ao passo que Ele estava vivo, demonstrando dentro do estreito túmulo o poder do Espírito para sobrepor-se ao senso mortal e material." _ Sra. Eddy.
 
O Diabo
 
"A Ciência Cristã ensina-nos que 'o maligno' é apenas outro nome para a primeira mentira e todos os mentirosos."
"DIABO, mal, mentira, erro, nem corporalidade nem mente." - Sra. Eddy.
 
O Mal
 
"Se Deus, ou o bem, é real, então o mal, a dessemelhança de Deus, é irreal."
"Todo pecado é loucura em diferentes graus."
"O homem é incapaz do pecado, da doença e da morte." - Sra. Eddy.
 
A Queda do Homem
 
"Se o homem foi uma vez perfeito mas agora perdeu sua perfeição, então os mortais jamais contemplaram no homem a imagem reflexa de Deus. A imagem perdida não é imagem nenhuma. A verdadeira semelhança não pode ser perdida na reflexão divina (a saber, no homem). Compreendendo isto, Jesus disse: "Sede pois perfeitos como é perfeito vosso Pai que está no céu." - Sra. Eddy'".
 
Deus
 
"Deus é Tudo-em-Tudo," (ou, "Tudo-em-Todos").
"Deus é Mente, Espírito, Alma, Princípio, Vida, Verdade, Amor incorpóreo, divino, supremo, infinito."
"Vida, Verdade e Amor constituem a Pessoa trina chamada Deus, ou seja, o Princípio triplamente divino, o Amor... o mesmo em essência, embora multiforme em ofício: Deus o Pai-Mãe; Cristo a idéia espiritual de filiação; divina Ciência ou Santo Consolador."
"A teoria de três pessoas em um só Deus (ou seja, uma Trindade ou Tri-unidade pessoal) dá mais idéia de politeísmo do que do único e sempre-presente Eu Sou." - Sra. Eddy.
 
Inspiração das Escrituras
 
"A Bíblia tem sido minha única autoridade. Não tive nenhum outro guia no 'caminho reto e estreito' da Verdade."
"Gênesis 2. 7. Esse acréscimo a sua criação é real ou irreal? É a verdade, ou é mentira no tocante ao homem e a Deus? Há de ser mentira, porque depois Deus amaldiçoa a terra." - Sra. Eddy.
 
Jesus Cristo
 
"Deus é indivisível. Uma parte de Deus não podia entrar no homem; nem podia a plenitude de Deus ser refletida por um único homem, pois ao contrário Deus seria manifestamente finito, perderia o caráter deífico e se tornaria menos do que Deus."
"Jesus é o homem humano, e Cristo é a divina idéia; daí o dualismo de Jesus o Cristo."
"O Cristo permaneceu sempre uma idéia no seio de Deus, o Princípio divino do homem Jesus, e a mulher percebeu essa idéia espiritual, embora de início desenvolvida pàlidamente."
"Cristo, Verdade, foi demonstrado através de Jesus para provar o poder do Espírito sobre a carne... Jesus representava Cristo, a verdadeira idéia de Deus."
"A Virgem-mãe concebeu essa idéia de Deus, e deu a seu ideal o nome de Jesus."
"Jesus foi o fruto da comunhão auto-consciente de Maria com Deus."
"A concepção de Jesus por Maria foi espiritual, pois somente a pureza podia refletir a Verdade e o Amor."
"Jesus levou .em seu corpo nossos pecados. E!le sabia os erros mortais que constituem o corpo material, e podia destruir esses erros; mas, na ocasião em que Jesus sentiu nossas enfermidades, 11:lenão tinha vencido todas as crenças da carne nem seu senso da vida material, nem se tinha elevado à demonstração final de poder espiritual."
"Nosso Mestre demonstrou plena e finalmente a Ciência divina em sua vitória sobre a morte e a sepultura... Os perseguidores fracassaram na tentativa de ocultar em um sepulcro a Verdade e o Amor imortal." - Sra. Eddy.
 
A Justüicação pela Fé
 
"A libertação final do erro, mediante a qual nos regozijamos na imortalidade, liberdade ilimitada e senso isento de pecado, não se alcança através de veredas de flores nem fixando-se a fé sem obras nos esforços vicários de outrem." - Sra. Eddy.

Casamento
 
"Até que o tempo amadureça, o crescimento humano, os casamentos e a prole continuarão sem proibição na Ciência
Cristã." - Sra. Eddy-
"Até que se discirna a criação espiritual e se apreenda a união dos sexos no senso de sua alma, esse rito deve continuar." - Sra. Eddy.
"Até que se aprenda que a geração não repousa em base sexual, continue o casamento." - Sra. Eddy.
"Até que se aprenda que Deus é Pai de todos, o casamento continuará." - Sra. Eddy.
 
Oração
 
"Desejo é oração. Semelhante desejo pouca necessidade tem da expressão audível. Expressa-se melhor no pensamento e na vida."
"Iremos pedir ao Princípio divino de toda a bondade que faça seu próprio trabalho? Seu trabalho está realizado."
"Deus não sofre influência da parte do homem."
"O mero hábito de se suplicar à mente divina, como se suplica a uma criatura humana, perpetua a crença em Deus como sendo humanamente circunscrito - erro esse que impede o crescimento espiritual."
 
"Aqui me seja permitido apresentar o que entendo ser o sentido espiritual do Pai Nosso:
 
Pai nosso que estás nos céus,
Pai-Mãe Deus nosso, todo-hannonioso,
Santificado seja o teu nome;
Ser adorável;
Venha o teu reino,
Teu reino já veio; Tu estás sempre presente,
Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
Faze-nos saber - como no céu, assim também na terra - Deus é onipotente, supremo;
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
Dá-nos graça para o dia de hoje; alimenta as afeições famintas;
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos
perdoado aos nossos devedores;
E o Amor é refletido no amor;
E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos domal;
E Deus não nos conduz à tentação; Ele nos livra do pecado, da enfermidade e da morte;
Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre.
Pois Deus é infinito, todo-poder, todo Vida, Verdade, Amor, sobre tudo, e Tudo." - Sra. Eddy.
 
Os Sacramentos
 
"Nosso batismo é uma purificação de todo o erro."
"Batismo: Purificação por Espírito; submersão em Espírito."
[Nota: (De acordo com os ensinos de Eddy) o batismo não é sinal e selo; o batismo em si é removido, espiritualizando- se. - V.B.]
O verdadeiro sentido é espiritualmente perdido, se o sacramento é limitado ao uso do pão e do vinho... Jesus orava; retirava-se dos sentidos materiais a fim de refrescar o coração com visões mais radiantes, mais espirituais..., e essa ceia encerrou para sempre o ritualismo de Jesus ou suas concessões à matéria. Seus seguidores participavam do maná celestial, que na antigüidade alimentara no deserto os perseguidos seguidores da Verdade. Seu pão realmente vinha do céu. Era a grande verdade do ser espiritual, curando os doentes e expulsando o erro... eles tinham levado esse pão de casa em casa, partindo (explicando a outros), e agora os confortava a eles mesmos.
"Por essa verdade do ser espiritual, seu Mestre estava prestes a sofrer violência e esgotar até à borra seu cálice de tristeza... Cristãos, estais bebendo seu cálice? Partícípastes do sangue do Nuvo Pacto, as perseguições que assistem a uma nova e mais elevada compreensão de Deus? Caso contrário, podereis então dizer que comemorastes a Jesus em seu cálice? Estão todos os que comem pão e bebem vinho em memória de Jesus dispostos verdadeiramente a beber seu cálice, tomar sua cruz, e tudo deixar pelo princípio de Cristo? Então porque atribuir essa inspiração a um rito morto... ?
"Que contraste entre a última ceia de nosso Senhor e seu último almoço espiritual com seus discípulos nas radiantes horas matinais no jubiloso encontro à margem do Mar Galileu...
"Esse encontro espiritual com nosso Senhor no raiar de uma nova luz é a refeição matinal que os Cientistas Cristãos comemoram. Curvam-se perante Cristo, a Verdade, para receberem mais de seu reaparecimento e silenciosamente comungar com o Princípio divino, o Amor. Celebram a vitória de seu Senhor sobre a morte,... e sua ascensão espiritual acima da matéria, ou a carne, quando Ele subiu para fora da visão material." - Sra. Eddy.
 

 

Devo contribuir?
Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
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