A onisciência de Deus o Pai

Ana nada sabia sobre a sabedoria de Zoã, o lugar egípcio de conhecimento onde os Faraós buscavam conselho (Nm 13:22; Is 19:11-13), mas Ana conhecia o Deus onisciente que ela chamou de “o Deus de conhecimento” (I Sm 2:3). Aqui a palavra “conhecimento” é um substantivo hebraico plural, e o plural indica plenitude e supremacia. Assim o plural hebraico “conhecimentos” pode enfatizar a supremacia de Deus em relação ao Seu conhecimento, comparado com o conhecimento ostentado pelas pessoas excessivamente orgulhosas que falavam arrogantemente contra ela. O conhecimento deles era minúsculo comparado com o conhecimento do Deus de Ana, o “Deus dos conhecimentos”. Tal era o Seu conhecimento que Ele podia pesar os atos dos orgulhosos e quebrar os arcos dos poderosos. Ana cria, como fazia o salmista anônimo do Salmo 147:5, que “o seu entendimento é infinito”. Sua teologia imputa a Deus o atributo da onisciência; como João, ela cria que “Deus … conhece todas as coisas” (I Jo 3:20). Ficamos com Ana quando confessamos que Deus sabe todas as coisas. O substantivo “onisciência”, do adjetivo latim “todas” e do verbo latino “saber”, é usado frequentemente em relação ao conhecimento que Deus tem de todas as coisas.

A mulher samaritana, que o Senhor viajou para encontrar junto ao poço que ela frequentava, sabia muito pouco sobre os oráculos de Deus confiados aos judeus (Rm 3:2). Provavelmente ela nem sabia que Ana tinha falado do “Deus dos conhecimentos”. Entretanto ela reconheceu que Aquele que ela supunha ser um judeu era um Homem que lhe dissera tudo quanto tinha feito (Jo 4:29); ela sabia que Ele só podia ser o Cristo enviado de Deus, que era onisciente.

O reconhecimento de que Deus é “o Deus dos conhecimentos”, e que Ele sabe todas as coisas que nós já fizemos, é uma verdade revelada diante da qual todo cristão deveria se curvar solenemente. É uma verdade que é tanto confortadora quanto desafiadora. Encontramos grande conforto nas expressões que nos fazem lembrar que nosso “Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas” (Mt 6:32). Precisamos também lembrar que estamos sujeitos “ao Pai dos espíritos, para vivermos” (Hb 12:9), pois Ele é o Pai que “conhece os corações” (At 15:8), até de apóstolos. Como Paulo testifica: “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto” (II Co 11:31). Ele sabe o caminho que escolhemos, os ideais que acatamos, as ambições que temos, os feitos que realizamos e as palavras que pronunciamos, pois Ele é onisciente. Não dizemos, como os ímpios blasfemadores dizem: “Como o sabe Deus? Há conhecimento no Altíssimo?” (Sl 73:11).

Reconhecemos que o Criador conhece “o equilibro das grossas nuvens” que Jó precisou reconhecer como uma das “maravilhas daquele que é perfeito nos conhecimentos” (Jó 37:16). O Criador é capaz de enumerar e nomear as estrelas (Sl 147:4) — um feito além da inteligência humana, até auxiliado pelos mais potentes telescópios. Ele também conhece “todas as aves dos montes, e todas as feras do campo” (Sl 50:11). Entretanto o Seu conhecimento não se limita ao exterior e óbvio. Enquanto o “homem vê o que está diante dos olhos … o Senhor olha para o coração” (I Sm 16:7). Os escritores inspirados do Velho Testamento se curvam diante destas manifestações do poder e glória do Criador. Somente quando o Senhor Jesus revelou o Pai é que o cuidado do Onisciente se tornou evidente, até mesmo na Criação. O Senhor Jesus falou de Um que conhecia os pardais que os homens, despreocupados, vendiam por um ceitil. Seu conhecimento infinito e Seu cuidado infinito até mesmo dos pardais é tal que “nenhum deles cairá por terra sem a vontade de vosso Pai” (Mt 10:29).

O Velho Testamento também contém declarações da onisciência de Deus em relação ao conselho e revelação, nas profecias das Escrituras. Jeová se revelou à geração de Isaías em termos que revelaram Seu conhecimento de todas as coisas, e o Seu poder de mudar todas as coisas que os homens consideram imutáveis. “Eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade; … porque assim o disse, e assim o farei vir; eu o formei, e também o farei” (Is 46:9-11). O Novo Testamento também revela o Pai como fonte de conselho e propósito; veja Atos 4:27, 28; Romanos caps. 8 e 9; Efésios caps. 1 e 3 e II Timóteo 1:7-10.

Deus o Pai — Seu conhecimento da Criação

As dezessete referências ao Pai no relato de Mateus do Sermão do Monte, revelam algo do conhecimento do Pai relacionado a assuntos do universo físico e moral, e também a assuntos que afetam o cristão, individualmente.

 

Mateus

Universo físico

Reino de Deus

Necessidades pessoais

1

5:16

 

Glorificando o Pai pelas boas obras

 

2

5:38-48, duas
referências

O nascer do Sol e o cair da chuva

Imparcialidade para com o justo e o injusto; amor para com todos os homens

Satisfazendo necessidades por meio de boas obras

3

6:1-4, duas
referências

 

Dando esmolas em secreto

 

4

6:5-6, duas
referências

 

Orando em secreto 

 

6:7-8

   

Orando sobre necessidades pessoais

6

6:9-13

 

Orando sobre o reino de Deus e a vontade de Deus

Orando sobre as necessidades diárias, o alimento e o perdão

7

6:14-15, duas
referências

   

Perdoando ofensas

8

6:16-18, duas
referências

 

Jejuando em secreto

 

9

6:19-35, duas
referências

Alimentando as aves do Céu; o lugar do homem na Criação; a beleza dos lírios e da erva que cresce

Dando prioridade à justiça e recebendo todas as coisas que os ímpios gentios buscam

Alimento, bebida e vestes 

10

Mateus 7:1-12

 

Consistência de vida e o dar de coisas boas 

 

11 

7:13-27

 

Fazendo a vontade do Pai

 

 

O conhecimento e a operação do Pai no Universo físico

A revelação da onisciência do Pai destaca o Seu conhecimento do Universo físico, mas a ênfase está também no que Ele vê e sabe que é feito “em secreto” (Mt 6:4, 6, 18). Com relação à Criação física, Ele é visto como Aquele que faz “Seu sol” nascer. A sua regularidade é tal que, com surpreendente precisão, o nascer do Sol (e o por do Sol) podem ser preditos com anos de antecedência. Mesmo assim, o Senhor Jesus não fala de um Universo físico mecânico independente de qualquer inteligência, mas de um Universo onde o Pai, que tudo sabe, está associado com a Criação contínua. Ainda é o “Seu sol” que brilha no Céu, pois Ele não abriu mão de Seus direitos de propriedade sobre a criatura. Em outro lugar aprendemos que todas as coisas foram criadas pelo poder criatorial, e permanecem criadas pelo poder sustentador do Seu Filho (Cl 1:16). Os sistemas de clima que os homens estudam para prever a chuva — pouca chuva e muita chuva — ou granizo ou neve são mencionados em Jó caps. 36-38 (e em outros lugares daquele livro importante). Em Mateus 5:45 é o Pai quem manda a chuva. Tanto o Seu conhecimento como o Seu cuidado são evidentes no Seu interesse, não somente por aqueles a quem o Senhor disse que Ele é “seu Pai”, mas para com toda a humanidade, “sobre maus e bons … sobre justos e injustos”. Ele faz o bem, dando chuva do Céu e as estações frutíferas, enchendo os corações com alimento e alegria (At 14:17).

Enquanto o Senhor chama a atenção às aves do Céu e aos lírios e à erva do campo (Mt 6:26, 28, 30), Ele contrasta Seus discípulos com a Criação inferior (v. 26) e com os gentios (v. 32). A criação inferior não tem a capacidade de entender o propósito que “vossa vida” deveria ter, nem o plano (vs. 25, 26, 28); o gentio não salvo não compartilha das prioridades que deveriam ser vistas no estilo de vida de um discípulo (vs. 24, 32, 33). O Pai não equipou as aves para ter parte na sequência de eventos associados com o crescer do alimento; os lírios e a erva não são consultados sobre como devem ser vestidos; e para os homens — salvos ou não salvos — há acontecimentos que eles não podem mudar. Por que deveriam eles lamentar sobre fatos que eles não podem influenciar, como reconhecidamente não podem acrescentar nada à sua estatura (v. 27)? Todas estas coisas estão além do alcance da criatura, mas “vosso Pai celeste sabe” (v. 32).

Que consolação para os que têm comunhão com o Pai saber que a Criação física não é uma entidade mecânica sobre a qual ninguém tem controle, nem é controlada por uma divindade distante que se importa muito pouco com a Criação ou com as criaturas que nela habitam. Que consolo saber que tudo está nas mãos do Pai!

O conhecimento e a operação do Pai no Reino

Quem pode duvidar que Aquele que sabe o que fazemos em secreto (Mt 6:1-6, 16-18) é Onisciente? Aprendemos do Senhor que o Pai vê as coisas secretas que fazemos (vs. 4, 6, 18); e ouve o que falamos em secreto (vs. 7-8). Em outro lugar aprendemos também, novamente através do Senhor, que os Céus ouvem o pensamento não pronunciado do nosso coração (Lc 12:17). Prostramo-nos diante de tal onisciência! Quão cuidadosos deveríamos ser. Como Hagar, precisamos aprender que “Tu és Deus que me vê” (Gn 16:13). Como o rei da Síria precisamos aprender que o Pai ouve as palavras que falamos no nosso quarto (II Rs 6:12). Como Davi precisamos aprender que Ele, que sabe nosso assentar e nosso levantar, entende todos os nossos pensamentos de longe (Sl 139:2).

O conhecimento infinito do Pai inclui as maravilhas do Universo físico que os sábios têm estudado durante séculos, mas enquanto Ele considera cada cristão no universo moral, o mesmo conhecimento deste Pai dá a devida prioridade ao bem que ele ou ela faz, como vemos na consideração de Mateus 5:15; 6:1-4; 7:1-12. Ele espera que uma árvore boa produza bons frutos (7:18). Ele vê nossa atitude para com o mal e os injustos (5:38-48); Ele tem um profundo interesse na nossa vida de oração (6:5-13); Ele observa a disciplina que caracteriza as nossas vidas — o jejum que nega a si mesmo para que possamos conhecer melhor o nosso Deus e fazer a Sua vontade com mais consistência (6:6-18). Como nosso Senhor mais tarde iria mostrar, na parábola dos dois devedores (Mt 18:15-35), o grande indicador da nossa alma é nossa prontidão de perdoar; o Pai espera que tenhamos um Espírito perdoador (5:21-26; 6:9-15; Ef 4:32). Ele sabe quão dispostos, ou não, estamos a perdoar.

Tal é a onisciência do Pai que o Senhor fala da recompensa por fidelidade (Mt 5:12; 6:4, 6, 18). Ele também usa a palavra “aliás” onde não haverá galardão (6:1), e nos vs. 2, 5 e 16 Ele enfatiza que não há recompensa futura para os que desejam parecer fieis diante dos homens, uma atitude que revela hipocrisia. O Senhor avisa sobre a possibilidade da luz no discípulo ser trevas (6:23); e de ser julgado e medido pelos nossos próprios padrões (7:2). O Pai onisciente sabe, pois “… todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4:13). Ele é o Pai que “conhece os corações” (At 15:8). Ele recompensará Seus servos de acordo com as suas obras. Sua recompensa será um reflexo exato do seu valor, pois Ele é onisciente. Diferentemente dos tribunais deste mundo, a avaliação do Pai leva em conta os motivos e fatores escondidos do observador humano; e obviamente Ele não está propenso a fazer distinção de pessoas, como é muito comum na nossa sociedade. Sua avaliação revelará Sua onisciência e ao mesmo tempo será em amor, pois Ele é nosso Pai.

O Pai celeste é descrito como “perfeito” pois a Sua reação a toda humanidade é sincera e imparcial, como já temos notado. Ele tem olhos puros e não contempla a iniquidade, não pode ser tentado pelo pecado e não pode mentir (Hc 1:13; Tg 1:13; Tt 1:2). Estas características morais essenciais do Pai devem ser o enfoque para os discípulos imitarem. O discípulo deve também ser “perfeito” em

[…] integridade e sinceridade de caráter … (o resultado da) maturidade em piedade ou atingir o alvo de conformidade com o caráter de Deus. Embora perfeição sem pecado seja impossível, piedade, no seu conceito bíblico é atingível.

Outros podem interpretar mal os nossos motivos ou subestimar nossa estatura espiritual, mas não o Pai onisciente.

O conhecimento do Pai e as necessidades dos Seus

No Seu maravilhoso desenrolar da onisciência do Pai no Sermão da Montanha, o Senhor Jesus mostra que a esfera do cuidado do Pai leva em conta os que são Suas criaturas, não somente os que são Seus filhos. É Sua intenção que algumas das necessidades deles sejam supridas pelas boas obras do Seu povo, e que assim o Seu nome seja glorificado (Mt 5:16). Outras necessidades Ele supre enviando chuva e estações frutíferas, que deveriam encher “de mantimento e alegria os vossos corações” (Mt 5:45; At 14:17). Entretanto a grande ênfase do Sermão da Montanha é o conhecimento que o Pai tem das necessidades dos Seus. Aprendemos que Ele pretende que, da nossa parte, haja um exercício definido sobre as coisas que o mundo toma como certo, e assim oremos: “o pão nosso de cada dia nos dá hoje” (Mt 6:11). Embora estas bênçãos sejam geralmente recebidas diariamente, a regularidade da provisão não deve diminuir a nossa gratidão. “O pão nosso de cada dia” deve ser “recebido com ações de graças, porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada” (I Tm 4:4-5). Devemos fazer isto não apenas no contexto de agradecer a habilidade evidente do Pai de vestir e alimentar (Mt 6:26, 30), mas também pela Sua Onisciência, pois “… vosso Pai celeste bem sabe que necessitais de todas estas coisas” (Mt 6:32). A sociedade moderna do século XXI não admite que seja o Pai que envia as chuvas e as estações frutíferas. Não é de surpreender, portanto, que poucos curvam suas cabeças para agradecer ao Doador pelos alimentos que Ele dá.

Mais adiante o Senhor irá revelar que o conhecimento do Pai sobre as necessidades dos Seus não se limita à vestes e alimento. Seu olhar não está somente sobre os pardais que são vendidos por um ceitil, ou cinco por dois ceitis (Mt 10:29, Lc 12:6); mas Seu olhar está sobre os que valem mais “do que muito passarinhos” (Mt 10:31). Nenhum pardal “cairá em terra sem a vontade de vosso Pai” (Mt 10:29). Alguém disse: “Deus está presente no funeral de cada pardal”. Quanto mais Ele cuida dos que o mundo considera como ovelhas para o matadouro (Rm 8:36)? Ele sabe que eles precisam de mais do que alimento e vestes. Para eles, Ele é “o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação”, bem ciente das suas necessidades e capaz de confortar em qualquer dificuldade (II Co 1:3-4). Devemos interceder pelos cristãos que sofrem e que necessitam do terno cuidado do Pai. Não falamos com Ele acerca deles porque Ele não sabe, nem hesitamos em falar por temer que Ele necessite de muita persuasão para se importar. Falamos com Ele porque Ele é o nosso Pai e ama ouvir os Seus filhos quando os seus corações estão tocados e eles desejam contar-lhe das necessidades dos outros. Ele Se deleita com compaixão, e ama encontrar compaixão em nossos corações.

Deus o Pai — a fonte de todo conselho

O mundo ocidental do século XXI permanece obstinadamente cético a existência de Deus. Mesmo que não haja uma negativa direta acerca de um Deus Criador, há objeções claras sobre qualquer sugestão do envolvimento divino na Criação, e veemente oposição ao Seu envolvimento potencial nos afazeres dos homens e das nações. O ponto de vista que prevalece na sociedade caída e arrogante do mundo ocidental é que o homem é capaz de planejar e desenvolver um futuro sustentável de paz e prosperidade – uma tarefa considerada difícil demais para um Deus distante, que eles imaginam não estar interessado nos afazeres da terra, e pouco familiarizado com as diversas sociedades através do mundo, e os problemas complexos que enfrentam. Mas este não é o Deus revelado na Bíblia. Como vimos acima, Sua auto revelação afirma enfaticamente: “O meu conselho será firme e farei toda a minha vontade … porque assim o disse, e assim o farei vir; eu o formei, e também o farei” (Is 46:10-11). Mesmo que esta descoberta seja constrangedora para muitos, a Bíblia ensina em ambos os Testamentos que o conselho do Pai é imutável e executado por um poder irresistível, de sorte que até poderes como Herodes e Pôncio Pilatos podem somente fazer “… tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” (At 4:28). O Pai trabalha de acordo com “o conselho da sua vontade” (Ef 1:11). Ele não somente determinou no passado, mas está operando efetivamente no presente para realizar o que Ele planejou. Homens incrédulos não podem negociar melhorias para aquilo que o Pai “propusera em si mesmo” (Ef 1:9); nem podem evitar que a realização deste propósito seja “segundo o seu beneplácito” (Ef 1:9). Tão profunda é a desconfiança deles no Pai, que os homens falharam em perceber que o prazer do Pai está em relação a como Ele irá abençoar aqueles que vierem a Ele, culminando com eles sendo semelhantes ao Seu Filho.

Na sua grande exposição dos relacionamentos de Deus com Israel, especialmente à luz da sua rejeição do Messias, o apóstolo Paulo mostra que os dons e vocação de Deus são sem arrependimento, e que Ele cumprirá o Seu propósito para Israel (Rm 11:29). Ele também revela um mistério (Rm 11:25), no qual os homens ainda tropeçam, que a queda de Israel se tornou na “riqueza do mundo, e a riqueza dos gentios” (Rm 11:12). O desenrolar desta sabedoria levou Paulo a adorar: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os teus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! … Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois a ele eternamente. Amém!” (Rm 11:33-36). Paulo ficou maravilhado com o revelar daquele mistério e humilhado pela forma como o plano de abençoar judeus e gentios estava sendo realizado nos nossos dias e num dia vindouro. Para Paulo havia sido revelado que até a incredulidade de Israel não poderia frustrar os planos do Pai.

O conhecimento do Pai sobre o futuro

Muitas referências a profecias em ambos os Testamentos são seguidas dos detalhes do seu cumprimento. Lembramos que Noé, um pregador da justiça, foi avisado por Deus sobre um diluvio que aconteceu (Hb 11:7). A reforma de Josias o trouxe a Betel, onde Jeroboão havia edificado o seu altar. Talvez ele conhecesse a profecia do profeta sem nome que identificou Josias com os atos que ele realizou trezentos e cinquenta anos depois da morte do profeta (I Rs 13:2; II Rs 23:14-18). Quase dois séculos se passaram desde que Isaías profetizou que Ciro traria os judeus de volta do cativeiro, com ordens para reconstruir o templo em Jerusalém, até que o fato aconteceu (Is 44:28; 45:13; Ed 1:1-3). O próprio Senhor explicou de Moisés e os profetas “o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lc 24:27). Os Evangelhos contém muitas evidências do cumprimento destas profecias. A fé aceita que Deus fala infalivelmente sobre o futuro. A incontestável evidência de profecias cumpridas enfraquece qualquer tentativa dos sépticos de prover explicações plausíveis. As Escrituras contém muitas ocasiões onde os profetas são mencionados: Isaías, Jeremias, Jonas, Zacarias, João, Daniel, Davi, e até o nosso Senhor Jesus. Os profetas também são mencionados como um grupo. Outras referências incluem “a lei e os profetas”, “Moisés e os profetas”, e “as Escrituras”. Todas estas eram exemplos do Espírito Santo falando pela boca do homem (At 1:16); Ele estava testificando com antecedência (I Pe 1:11). Estas referências provam sem sombra de dúvida a onisciência do Espírito Santo. As ocorrências no Novo Testamento se referem a uma variedade de assuntos com respeito a primeira e a segunda vinda de Cristo, e sobre a nação de Israel. Mateus 24:25 e Marcos 13:23 destacam a onisciência do Senhor. A estas poderíamos acrescentar João caps. 13-16, onde o Senhor revelou assuntos que Ele queria que eles soubessem sobre o futuro, enquanto ainda estava com eles (Jo 13:19; 14:25; 16:4 etc.). A revelação do Novo Testamento também fala enfaticamente sobre a presciência de Deus onde não ligaríamos este conhecimento com o Senhor Jesus ou o Espírito Santo. Mais tarde consideraremos em mais detalhes a presciência de Deus.

O conhecimento do Pai sobre o futuro não somente é completo, também é Seu direito determinar como isto deve ser comunicado. Alguns têm tropeçado no fato de que o Senhor Jesus, que também é onisciente, como Pedro testificou, era incapaz de revelar o dia e a hora de acontecimentos relacionados à Sua manifestação em poder e glória. Na verdade, o comentário de Pedro sobre a onisciência do Senhor foi inapropriado; mas em certo sentido, era e ainda é verdadeiro: “… Senhor, tu sabes tudo” (Jo 21:17). Mesmo assim, não era responsabilidade do Senhor revelar o dia e a hora: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai” (Mc 13:32). Também não competia aos discípulos saber o dia e hora, como eles aprenderam quando o Senhor apareceu entre eles em Jerusalém; o Senhor enfaticamente declarou: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (At 1:7). O próprio Pai escolheria como e por meio de quem Ele comunicaria revelações destas coisas secretas que pertencem a Ele (Dt 29:29).

Marcos 13:32 enfatiza o conhecimento detalhado que pertence ao Pai, no caso de acontecimentos futuros. Ele sabe o dia e a hora “daquele dia”, e cada detalhe dos acontecimentos futuros sobre os quais o Senhor Jesus tinha falado. O Pai revelou muito a homens como Moisés (Dt 18:15), Davi (Sl 16), Isaías (Is 53), Pedro (Mt 16:16), Paulo (I Ts 4:15). Em relação a alguns acontecimentos, que eram então futuros, os anjos também foram usados como mensageiros para anunciá-los (Dn 7:16; 8:16; 9:21; 10:10 etc.). Nosso Senhor Jesus também foi o meio de comunicação através de quem muitas coisas concernentes ao futuro foram reveladas (Mt 13:3; 16:18-19; 24:4; Jo 13:19; 14:25; 16:4 etc.). Quem pode ler estas grandes revelações do futuro e duvidar que elas vem do trono de Deus? O Pai sabe estas coisas com relação ao futuro e tem determinado quando e para quem e como elas serão reveladas.

Quando o Senhor Jesus apareceu aos Seus “depois de ter padecido” (At 1:3) Ele respondeu às perguntas deles sobre a restauração do reino a Israel: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (At 1:7). Nosso Senhor estava indicando que o Pai sabia quando e como o reino seria restaurado a Israel. Estes grandes acontecimentos futuros das profecias do Velho Testamento, que mexeram com as mentes dos homens, tiveram um significado ainda mais amplo do que antes, devido as explicações do próprio Senhor. Entretanto não pertencia a Ele, o Enviado de Deus, falar sobre aquele dia e hora. A frase explícita “não vos pertence saber…” deveria ser o suficiente para corrigir qualquer tendência de especular sobre aquilo que Deus não tem revelado. A revelação divina não é somente necessária para a vida cristã, ela é suficiente. Devemos reconhecer a suficiência das Escrituras como sendo obra do Pai, para de uma forma muito mais completa que Balaão podermos dizer e compreender: “não poderia ir além da ordem do Senhor meu Deus” (Nm 22:18). Que ninguém se atreva a “acrescentar alguma coisa” àquilo que o Pai tem revelado nos livros proféticos, (Ap 22:18); nem absorver o ensino dos homens que pode levar ao “culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu” (Cl 2:8, 18); nem desejar conhecer “as profundezas de Satanás” como faziam alguns em Tiatira (Ap 2:24). O Pai sabe não somente as coisas das quais temos necessidade, mas também de qual revelação precisamos; a revelação que Ele nos deu nas Escrituras. Estes assuntos estão no poder do Pai — nisto descansamos, sabendo que Ele sabe e é capaz de cumprir o Seu conselho.

A presciência do Pai

Um aspecto especial da onisciência do Pai que devemos considerar é Sua presciência. A palavra não é usada em relação a um conhecimento geral do futuro, mas do conhecimento específico de Deus daqueles com quem Ele se relacionará em graça. E. C. James comenta: “Poucas palavras bíblicas tem mais significado do que a palavra presciência”. No Novo Testamento encontramos dezesseis raízes gregas com o prefixo grego pro (“antes”), cada uma das quais está num contexto relacionado com o conhecimento de Deus. Estas palavras se referem a propósito, profetizar, predizer, saber de antemão, mostrar antes, indicar antes, prometer antes, preparar antes, determinar antes, escrever antes, e pregar antes.

Sete vezes no Novo Testamento encontrarmos a palavra “presciência” — o substantivo duas vezes (At 2:23; I Pe 1:2), e o verbo cinco vezes (At 26:5; Rm 8:29; 11:2; I Pe 1:20; II Pe 3:17). Nem Atos 26:5 nem II Pedro 3:17 se referem a Deus. A referência em Atos 26:5 é para aqueles que haviam conhecido Paulo antes da sua conversão; II Pedro 3:17 se refere aos santos e o seu conhecimento prévio, que os salvaria do “engano dos homens abomináveis”. As outras cinco referências se referem claramente à presciência de Deus. I Pedro 1:2 fala especificamente da “presciência de Deus Pai”. Atos 2:23; Romanos 8:29 e I Pedro 1:20 todos falam da presciência de Deus em contextos que falam de Deus e de Jesus de Nazaré (At 2:23), Seu Filho (Rm 8:29) e Cristo (I Pe 1:19-20). Vamos considerar estas referências como exemplificando a presciência de Deus o Pai.

Sabemos que o Deus onisciente que servimos conhecia desde o princípio do mundo todas as Suas obras (At 15:18). Apesar da palavra “presciência” não ser usada aqui, fica claro que Deus sabia tudo o que Ele faria no decorrer dos séculos, desde a fundação do mundo. Com igual certeza asseguramos que Deus conhecia toda criatura que apareceria, mesmo que por pouco tempo, sobre, ou até mesmo debaixo, da Terra. Devemos notar que em cada uma destas cinco referências à presciência divina temos pessoas em vista, não simplesmente acontecimentos; e as pessoas de quem é dito que Deus tinha presciência são todas aquelas que Ele abençoaria:

At 2:23 — “… este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus”;

Rm 8:29 — “… os que dantes conheceu também os predestinou para serem conforme a imagem do Seu Filho”;

Rm 11:2 — “Deus não rejeitou a seu povo que antes conheceu”;

I Pe 1:1-2 — “… estrangeiros dispersos … eleitos segundo a presciência de Deus Pai”;

I Pe 1:19-20 — “Cristo … o qual na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor a vós”.

Estas passagens, claramente, não se referem a conhecimento de acontecimentos ligados somente a Cristo; Rm 8:29, 11:2 e I Pe 1:2 descrevem uma pluralidade de pessoas. Notamos também que estas passagens não tratam dos homens em geral. A linguagem destas passagens é usada somente daqueles que são queridos ao coração de Deus, o Pai. Com a exceção de Romanos 11:2, que iremos considerar separadamente mais tarde, esta presciência era desde um “passado distante e sem data”. A linguagem usada sugere o prazer que estes trazem, ou irão trazer, ao coração do Pai.

O que, então, a presciência de pessoas indica? Todos reconheceriam que o Onisciente saberia tudo acerca deles — suas circunstâncias, os acontecimentos que moldariam as suas vidas, e Seu relacionamento com eles. Em I Coríntios 8:3 o apóstolo Paulo considera os que tem conhecimento. Nem todos permanecem humildes e demonstram amor. No contexto, a falta de amor seria vista no desprezo para com aqueles que não entendem a realidade da idolatria. Onde há amor para com outros cristãos, especialmente um irmão fraco, há amor para com Deus. Paulo então comenta: “… se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele”. Este homem de conhecimento e amor era conhecido de Deus. O fato dele ser conhecido de Deus indicaria aprovação do amor que ele estava demonstrando. Semelhantemente, a presciência de Deus das pessoas sobre quem Paulo e Pedro estavam escrevendo significa que os Seus olhos tinham estado sobre eles para abençoar. C. B. Bass comenta: “Presciência é o sinônimo de pré-amor”. Também observamos que nas referências à presciência de Deus dos Seus santos, não há sugestão alguma de que todos os seus atos mereçam aprovação divina.

Em Romanos 11:2, Paulo descreve Israel como “seu povo que antes conheceu”. O fato de Paulo estar descrevendo Israel fica evidente a partir de v. 1 daquele capítulo, onde ele usa novamente a expressão “Seu povo” antes de acrescentar: “também eu sou israelita”. Apesar de encontrarmos a expressão “antes da fundação do mundo” em Ef 1:4; I Pe 1:20, não temos uma expressão semelhante em Rm 11:2. Vemos uma expressão diferente — “desde a fundação do mundo” — em Mt 13:35; 25:34; Ap 13:8; 17:8. Estas duas expressões registradas por Mateus se referem ao reino onde Israel será reconhecido como cabeça das nações (Dt 28:13). Apocalipse 13:8 e 17:8 falam do livro da vida escrito desde a fundação do mundo. As cenas destas passagens em Apocalipse acontecem depois do Arrebatamento da Igreja e portanto as partes envolvidas não são membros do corpo de Cristo. Podemos concluir, a partir de I Pedro 1:1-2; Efésios 1:4, que temos autoridade bíblica para falar dos salvos da era da Igreja como “eleitos segundo a presciência de Deus o Pai”, “antes da fundação do mundo”. Também temos autoridade Bíblica para falar do mistério do reino como tendo sido guardado em segredo “desde a fundação do mundo”, mas a Palavra de Deus não revela se seria apropriado falar de Israel e das nações que compartilharão aquele reino terrestre como tendo sido conhecidos antecipadamente “desde a fundação do mundo”.

O propósito do Pai

O Novo Testamento usa o substantivo “propósito” cinco vezes em relação a Deus: Rm 8:28; 9:11; Ef 1:11; 3:11; II Tm 1:9; e o verbo cognato (“propor”) em Rm 3:25; Ef 1:9. Embora somente Ef 3:11 usa a expressão “eterno propósito”, Paulo nos assegura que nenhum ser criado foi Seu conselheiro: “… propusera em si mesmo” (Ef 1:9). Foi um assunto sobre o qual “o homem não teve voz nem escolha”. Diferentemente do homem, cuja direção estratégica requer ajustes constantes para levar em consideração acontecimentos não previstos, os propósitos eternos do Deus onisciente são tão imutáveis quanto Ele mesmo. Grandes forças se opõem ao Seu propósito eterno, tanto humanas quanto demoníacas, mas Ele continua a operar “todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1:11). Ele também escolheu revelar no Novo Testamento aspectos do Seu propósito, nos mistérios revelados através de nosso Senhor Jesus e Seus apóstolos Paulo e João. O substantivo “mistério” é usado vinte e sete vezes no Novo Testamento falando do plano divino escondido, não nas Escrituras, mas no próprio Deus (Ef 3:9). Estes mistérios foram revelados no tempo escolhido por Deus; eles nunca precisarão de revisão, pois não representam aspirações que nunca poderão ser realizadas. A onisciência nos assegura que o propósito do Pai não precisa de revisão; Sua onipotência nos assegura que nunca falhará.

O Pai e a predestinação

Entre as dezesseis palavras no vocabulário do Novo Testamento que se referem à presciência do Pai, temos o verbo “predestinar”. Simplesmente significa “indicar de antemão” (W. E. Vine). Pode ter o sentido de demarcar uma linha divisória de antemão (Kittel, Friedrich and Bromiley). Todas as seis ocorrências do verbo se referem a Deus: At 4:28; Rm 8:29, 30; I Co 2:7; Ef 1:5, 11. O uso do verbo no Novo Testamento também nos dá provas de que predestinação não é sinônimo de “conhecimento prévio”. Na verdade Romanos 8:29 contém ambos os verbos “conhecer antes” e “predestinar”. Lemos “… os que dantes conheceu também os predestinou”, assim claramente diferenciando presciência e predestinação. Predestinação não está focado em pessoas, tanto quanto no que o Pai tem determinado antes que será deles. Com respeito ao Senhor Jesus, Atos 4:28 revela que o Pai determinou de antemão o tipo de morte que Ele haveria de morrer. Em Romanos cap. 8 a predestinação dos santos é para serem filhos; em I Coríntios 2:7 a sabedoria de Deus determinou que deveríamos ser associados com o Senhor da glória “para nossa glória”, uma glória ainda a ser revelada publicamente. Em Efésios 1:5 novamente os santos deste período — um período que tem continuado desde a descida do Espírito Santo na exaltação do Senhor e continuará até o Arrebatamento (I Ts 4:14-17) — são predestinados a filhos, enquanto que em Efésios 1:11 estes mesmos filhos que obtiveram uma herança são predestinados “para o louvor da sua glória”.

Fica claro que a predestinação divina também pertence aquele “tempo distante e sem data” ao qual os apóstolos Paulo e Pedro se referem quando usando a expressão “antes da fundação do mundo” (Ef 1:4; I Pe 1:20). Quando nos referimos ao Pai onisciente levamos em conta “o conselho da Sua vontade”, “a sabedoria de Deus” expressa no propósito que está sendo executado para Sua própria glória eterna (Ef 1:11; I Co 2:7). Tanto a presciência como a predestinação são facetas daquele atributo de Deus que chamamos de Onisciência. Presciência leva em conta pessoas, predestinação o lugar que estas pessoas terão. O propósito do Pai sempre foi que deveríamos ocupar o lugar de filhos.

Prostramo-nos diante da Tua face,

Filhos de Deus. Ó lugar maravilhoso!

Grandes as riquezas da Tua graça;

Pai, nós te adoramos.  (S. Trevor Francis)

Teria sido uma grande honra ser como um de Seus empregados, mas isto não teria sido “segundo o beneplácito da sua vontade” (Ef 1:5, 11). Entre as “palavras … que o Espírito Santo ensina” (I Co 2:13) notamos a expressão “beneplácito da sua vontade”. Agradou ao Pai que fossemos filhos “diante dele em amor” (v. 4). Maravilhamos ainda mais quando recordamos que estas palavras se referem ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, a Quem pertence a onisciência. Ele sabia do nosso pecado e nosso estado rebelde no qual nos gloriávamos, e mesmo assim “nos salvou … não segundo as nossas obras, mas segundo o Seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (II Tm 1:9). Em nos salvar Ele nos deu o Espírito de adoção, onde clamamos “Aba Pai” (Rm 8:15). Agradou ao Pai enviar o Espírito para habitar em cada um dos que são Seus filhos.

 A palavra grega traduzida “beneplácito” em Ef 1:5, 9 é usada do Pai declarando do Senhor Jesus: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo”, e uma vez em Mateus 12:18 onde, citando Isaías 42:1-4, Jeová em aprovação do Seu servo diz: “… o meu amado, em quem a minha alma se compraz”. Mateus afirma claramente que na obra do Senhor Jesus foi cumprido “o que fora dito pelo profeta Isaías” (Mt 12:17). Esta linda palavra “beneplácito” e seu verbo cognato aparecem desessete vezes no Novo Testamento. É uma das palavras mais lindas do Novo Testamento. Kittel, Friederich and Bromiley comentam que a palavra grega traduzida “beneplácito” não é uma palavra clássica. Aparece pela primeira vez na Bíblia grega. Seu significado seria mais ou menos compreendido pelo seu uso na Septuaginta, mas muito mais pelo Novo Testamento. Escrevendo acerca desta palavra “beneplácito”, William Kelly comentou que “é linguagem adequada ao amor especial do soberano … para manifestar o Seu favor”. Reconhecemos que isto é linguagem do amor descrevendo atos do amor. Nas palavras do Senhor em Mt 11:26; Lc 10:21 o beneplácito do Pai é associado com a substituição dos “sábios e inteligentes” pelas criancinhas e pelos pequeninos “sem o poder da palavra”. Para estes homens que os judeus consideravam “sábios e entendidos”, o Pai não tinha nada a dizer, mas aos que eram desprezados pelo mundo religioso do seu dia, o Pai revelaria Cristo. Ef 1:9-10 nos ensina que aos que eram desprezados pelo mundo religioso o Pai agora revela “o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas na dispensação da plenitude dos tempos”. Visto que o Pai é onisciente, Ele sabia em quem Ele congregaria todas as coisas — em Cristo. No Seu beneplácito Ele escolheu revelar o mistério da Sua vontade àqueles a quem Ele conferiu o direito de filhos.

Pesamos cuidadosamente estas palavras e reconhecemos por que Paulo podia fazer a pergunta retorica: “… quem foi seu conselheiro?” (Rm 11:34). Associamos conselho com o Pai, e notamos como isto destaca a Sua onisciência. Reconhecemos “… a sabedora de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque se a conhecessem, nunca teriam crucificado ao Senhor da glória” (I Co 2:7-8).

Conclusão

Ao elevarmos o nosso coração ao Pai, podemos usar as palavras que Pedro usou na sua resposta a Cristo em João 21:17: “… Tu sabes tudo!” Revelar o Pai é a obra específica do Seu Filho. Durante o Seu ministério público Ele revelou a nós o Pai onisciente, para que não precisemos orar como Filipe: “… mostra-nos o Pai” (Jo 14:8). Na Sua ascenção, Cristo tem revelado a nós, através dos apóstolos, grandes mistérios escondidos em Deus antes da fundação do mundo. Estas revelações tem expandido grandemente a nossa compreensão da grandeza do Pai onisciente.

- Por Tom Wilson, Escócia

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