A Apresentação do Espírito Santo

“Poderás descobrir as coisas profundas de Deus?” perguntou Zofar o naamatita na sua primeira resposta a Jó (Jó 11:7, VB). Ele disse mais, observando que tal sabedoria é “como as alturas dos céus”, e por isso totalmente inacessível ao homem; é insondável, sendo “mais profunda que o inferno”; e tão incompreensível no seu âmbito que “mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar”. O homem precisa curvar-se perante a grandeza de Deus, reconhecendo que somente o que Ele revela de Si mesmo pode ser conhecido do homem.
A auto revelação é exclusiva à Deidade. Foi o nosso Senhor Jesus que revelou o Pai e nos falou do Espírito Santo. Foi o Pai que identificou o Senhor Jesus como o Seu Amado Filho, uma declaração com a qual o Espírito Santo se identificou na ocasião do batismo do Senhor Jesus por João (Mt 3:16-17). O Espírito Santo nos tem revelado muito sobre a Sua Pessoa, caráter e obra nas Sagradas Escrituras; nelas encontramos diversas apresentações dos nomes e títulos que Ele em graça nos tem revelado (I Co 2:13; II Tm 3:16; II Pe 1:20-21). Auto revelação pertence a Deus, e assim ao Espírito Santo. Sem revelação, até mesmo o pesquisador mais diligente não descobrirá o Espírito Santo.
O nosso Senhor Jesus proclamou: “… ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho O quiser revelar” (Mt 11:27). Ele estava identificando a Si mesmo
como o Revelador do Pai. O Senhor também falou do Espírito como o Revelador do Filho: “Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar” (Jo 16:14). E quem é, então, o Revelador do Espírito Santo? Nosso Senhor não veio a este mundo como Revelador do Espírito, embora Ele falasse do Espírito. Ele indicou que o Espírito seria “enviado do céu” (I Pe 1:12), isto é, ao mundo. Sua missão era específica: “… não falará de Si mesmo, mas dirá tudo que tiver ouvido” (Jo 16:13). Nosso Senhor Jesus não disse que o Espírito não falaria sobre Si mesmo, e sim que Ele não falaria de (por) Si mesmo. Ele não falaria “por Sua própria autoridade pessoal”, mas em comunhão com o Pai e o Filho. Uma vez que o Senhor estava exaltado no Céu, o Espírito revelou-Se ao Seu povo como o Intérprete do Velho Testamento e o Inspirador das Escrituras do Novo Testamento. O Novo Testamento revela muito acerca do Espírito Santo, na medida em que o próprio Espírito nos transmitiu, através de vasos escolhidos como Paulo e João, aquelas coisas que o Senhor revelaria para a edificação do Seu povo. Os títulos usados pelo Espírito apresentam muito sobre Sua Pessoa e obra da maneira como o Senhor quer que entendamos. Estas coisas estão entre as muitas que o Senhor tinha ainda para dizer aos Seus quando estava com eles, coisas que eles não podiam, naquela ocasião, suportar (Jo 16:12).
John Ritchie sugeriu que há, nas Escrituras, pelo menos trinta nomes e títulos do Espírito; e acrescentou: “… cada um com seu próprio significado”. No entanto, a centralidade de Cristo na Bíblia, que é fruto da obra do Espírito cujo prazer é glorificar a Cristo (Jo 15:13-14), é evidente quando notamos que mais de duzentos nomes e títulos são atribuídos a Cristo. Mesmo assim, J. E. Cummings menciona oitenta e seis referências ao Espírito no Velho Testamento, e duzentas e sessenta e uma no Novo Testamento; entre essas referências se encontram Seus nomes e títulos. Na primeira referência, Ele é chamado “o Espírito de Deus” (Gn 1:2); a última está em Apocalipse 22:17, onde o nome “o Espírito” é usado. Aquele que é o Espírito Eterno não teve princípio e Se movia sobre a face das águas (Gn 1:2). Na última referência, Ele está associado com a Noiva, a Igreja. Entre a primeira e a última referência ao Espírito Santo, há muitos títulos e nomes que devem ser considerados em espírito de oração, alguns dos quais O apresentam na Sua glória singular, enquanto outros revelam Sua condescendência em habitar naqueles que conhecem o Salvador e em usá-los para a glória de Cristo.

Tão numerosos são os nomes e títulos associados com o Espírito Santo que o autor decidiu separá-los em três categorias para os propósitos deste artigo:
• Nomes que pertencem ao Espírito por causa da Sua Divindade essencial;
• Nomes que enfatizam Seu relacionamento com o Pai e o Filho;
• Nomes e títulos relacionados à Sua obra.

Essas categorias não são mutuamente exclusivas, mas permitem que alguns temas associados sejam desenvolvidos.

Nomes que pertencem ao Espírito porque Ele é Deus
• O Espírito Santo — Sl 51:11; Mt 1:20; I Co 6:19;
• O Santo — I Jo 2:20;
• O Senhor, o Espírito — II Co 3:18 (ARA);
• O Espírito Eterno — Hb 9:14;
• O Espírito da glória — I Pe 4:14;
• O Espírito de vida — Rm 8:2; Ap 11:11;
• O Espírito de santificação — Rm 1:4;
• Um só Espírito — Ef 4:4;
• Os Sete Espíritos — Ap 1:4; 3:1; 4:5; 5:6.

A revelação desta bendita Pessoa nada deixa a desejar em relação a tudo que associamos com o Pai e o Filho. Reconhecemos o “eterno Deus”, que é eterno no Seu ser (Rm 16:26), e portanto com alegria conhecemos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são eternos. O nome “o Espírito eterno” confirma essa gloriosa verdade sobre o Espírito de Deus. Ele é, num sentido absoluto, santo, e disto dão testemunho três dos títulos acima listados: “o Espírito Santo”, “o Santo”, e o “Espírito de santificação”. Sendo Deus, ninguém pode lhe negar glória; Ele é o Espírito da glória. Sendo Deus, o próprio Espírito de vida é vida para o cristão “por causa da justiça” (Rm 8:10). Como é apropriado associar Senhorio com o Filho, assim o é também com o Pai em Atos 4:29, e com o Espírito, como mostra II Coríntios 3:18 (ARA). Podemos encontrar mais confirmações do Senhorio do Espírito no diálogo entre Pedro e aquele cuja voz Pedro ouviu na sua visão (At 10:13, 15). Os vs. 19-20 claramente identificam a voz como a voz que anteriormente dissera: “Vai com eles … Eu os enviei”. Não há razão para duvidar que a primeira voz foi a voz do Espírito Santo. Podemos concluir, a partir de um breve estudo dessas Escrituras, que o Espírito bendito é igual ao Pai e ao Filho.

O Espírito Santo, o Santo, o Espírito de santificação
O prejuízo será nosso se ignorarmos os três nomes associados à santidade. O mundo em que vivemos é corrompido e, no entanto, o Espírito Santo habita em nossos corpos (I Co 6:19). Reconhecemos que “o Santo” nascido de Maria foi “concebido pelo Espírito Santo” (Lc 1:35; Mt 1:20) e compreendemos porque o poder do Altíssimo cobriu com Sua sombra o vaso escolhido, através de quem o Filho do Altíssimo entraria no mundo (Lc 1:32, 5). Não estranhamos quando o Senhor Jesus descreve Seu corpo como “este templo” (Jo 2:19), mas nos maravilhamos quando o mesmo Espírito tem feito do corpo do cristão o Seu templo. Que exigências isto cria na nossa vida! Quão sensível Ele é a tudo que é impuro! O Espírito de Deus é santo e por isso cada santo deve estar consciente de que Ele também escolheu fazer da igreja local o Seu templo. Quem ousaria “destruir [“corromper”] o templo de Deus … porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (I Co 3:16-17). Seja através de comportamento carnal ou de associações corruptas, o Espírito Santo pode ser entristecido (Ef 4:30). A expressão paulina “o Espírito [ou “espírito”] de santidade” pode se referir tanto ao espírito do Senhor Jesus quanto ao Espírito Santo. Pode destacar a santidade que sempre caracterizou o Santo de Deus que exerceu poder ressuscitador ao sair de entre os mortos; ou pode nos fazer pensar acerca do Santo sobre Quem o próprio Espírito agiria em poder ressuscitador para apresentar a este mundo a “evidência irrefutável de que Jesus Cristo … é verdadeiramente o Filho de Deus”.

O Espírito Eterno
O Espírito de Deus é também conhecido como “o Espírito eterno”. Temos o registro de muitas das atividades do Espírito no período abrangido pelos dois Testamentos, mas aceitamos o testemunho das Escrituras de que Ele não teve princípio. Nos conselhos eternos Ele, juntamente com o Pai e o Filho, projetou o grande plano de salvação.
Observamos Suas atividades no tempo e confessamos que tudo o que o Espírito Eterno faz, é para sempre (Ec 3:14). Quão animador era para aqueles judeus, que compreenderam o fato solene de que as cerimônias envolvendo bodes e bois eram meramente temporárias, reconhecer que a obra do Calvário foi eternamente planejada e trazida à plena fruição, visto que “Cristo … pelo Espírito eterno Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus” (Hb 9:14). Nascemos de novo do Espírito, fomos selados pelo Espírito e Ele é, para nós, o Espírito de adoção. A respeito da Sua obra confessamos: “… nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar” (Ec 3:14).

O Espírito da glória
O Espírito da glória nos faz lembrar que a glória pertence a Deus. Sabemos que quando Herodes Agripa I tomou para si honras divinas, “feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus” (At 12:23). Admira-nos o fato que este juízo não vem mais frequentemente sobre aqueles que consideram que sua voz é a “voz de Deus, e não de homem”.
Mas honras divinas pertencem ao Espírito. Ele é o Espírito da glória.
O título completo em I Pedro 4:14 — “o Espírito da glória e de Deus” — não deixa dúvida de que é o Espírito Santo que está em vista. A estrutura do texto grego coloca os dois genitivos (“a glória” e “o Deus”) entre o artigo definido “o” e o substantivo “Espírito”, e literalmente diz: “o da Glória e o de Deus Espírito repousa sobre vós”. Isso enfatiza as características deste que repousa complacentemente sobre os santos perseguidos, sobre quem o mundo lança o opróbrio e consequentemente rejeita. Quão evidente Ele torna o veredito do Céu sobre aquilo que os homens dizem! Que glória pertence àqueles que sofrem desprezo por Cristo! Tão importante quanto notar que Ele, como o Espírito da glória, tem o direito de honrar estes santos, é igualmente importante notar que Ele supre os afligidos com uma amostra da glória que eles um dia compartilharão. Sofreram com Cristo, e terão a glória de reinar com Cristo (II Tm 2:12). Para estes, que foram participantes dos sofrimentos de Cristo, o Espírito da glória revela a verdade que um dia eles compartilharão da glória da Sua aparição (I Pe 4:12-14).

O Espírito de vida
A apresentação do Espírito como o Espírito de vida é usada em relação à vida espiritual do cristão em Romanos 8:2, mas com relação à vida física em Apocalipse 11:11. Falamos, corretamente, do Senhor Jesus como o Doador da vida (Jo 5:40; 6:33; 10:28; 17:2), e do Senhor ressuscitando os mortos fisicamente (Jo 6:39-40). O Espírito é o poder daquela vida que o Senhor, o Doador, nos concedeu na Sua infinita graça. Sem o Seu poder jamais poderíamos entrar na plenitude desta vida. O princípio fixo operativo no qual o Espírito age garante que cada cristão tenha o potencial de viver sem ser dominado pela lei do pecado (Rm 8:2). Aquele mesmo capítulo revela que a vivificação dos nossos corpos mortais será através do Espírito (Rm 8:11). Mais tarde, depois que estivermos na glória, Ele vivificará os corpos das duas testemunhas, três dias e meio depois de serem martirizados (Ap 11:11). Ele é o Espírito de vida, porque Ele é Deus. Sabemos que, pelo Espírito, João revela que “o Verbo era Deus” e “nEle estava a vida” (Jo 1:1, 4). Sabemos que o Pai tem vida em Si mesmo (Jo 5:26). Associamos, corretamente, a vida com o Espírito de vida.

O Um só Espírito, os Sete Espíritos de Deus
As duas referências finais na lista parecem, à primeira vista, ser contraditórias.
Confessamos: “há … um só Espírito … um só Senhor … um só Deus e Pai de todos, o Qual é sobre todos, e por todos e em todos vós” (Ef 4:4-6). Somos batizados “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito” (Mt 28:19). A obra do “um só Espírito” que habita em cada cristão está relacionada no contexto de Efésios 4 ao “um só corpo”.
“Há um só corpo e um só Espírito”. Sem a Sua obra o “um só corpo” não teria vida, nem formaria um todo. Mas a apresentação do Espírito, em Apocalipse, se contrasta grandemente com Seu poder unificador no “um só corpo”. Apocalipse é o livro do Novo Testamento em que não encontramos o nome “Pai” depois do cap. 3, mas encontramos as frases “Aquele que estava assentado [“se assenta”] sobre o trono” (4:2-3; 5:1, 7, 13; 6:16; 7:10, 15; 19:4; 20:11; 21:5); e “o Senhor Todo-Poderoso, que é, e que era, e que há de vir” (1:4, 8; 11:17). Apocalipse é o livro onde o nome “Senhor Jesus” ou “Senhor Jesus Cristo” não é usado até 22:20, mas o título “Cordeiro” é usado vinte e oito vezes. O próprio Senhor fala “Eu, Jesus” (22:16). Não nos surpreende à luz das referências ao Pai e ao Filho, que em Apocalipse encontramos uma fraseologia diferente daquela usada em outros lugares do Novo Testamento, quando lemos quatro vezes dos “sete Espíritos de Deus”. O número sete é muito destacado em Apocalipse desde a sua primeira menção (“as sete igrejas”, Ap 1:1) até à última (“das últimas sete pragas”, Ap 21:9). Mas a ênfase no número sete não explica o sentido da frase “os sete espíritos de Deus”, nem a razão para o seu uso. Na Revelação de Jesus Cristo alguns dos fios das Escrituras do Velho Testamento são entrelaçados na tecelagem de uma magnífica tapeçaria das glórias de Cristo. Lembramos que em Isaías 11:2-3 o Messias é caracterizado como Aquele em Quem “repousará o Espírito do Senhor”. A plenitude daquela efusão sobre este Renovo das Raízes de Jessé é explicada em mais seis expressões, fornecendo uma explicação sétupla: “E repousará sobre Ele o Espírito do Senhor … o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. A plenitude do poder do Espírito pertence a Ele. Apocalipse nos revela este ministério sétuplo do Espírito em ação:
• ao enriquecer as cenas associadas com o trono (1:4);
• ao energizar as sete estrelas para brilharem na igreja sem vida de Sardes (3:1);
• ao iluminar as mentes dos que estão em redor do trono (4:5);
• ao garantir que seja conhecida a sabedoria do Cordeiro vencedor (5:6).

Concluímos que, visto que o Espírito é, em todos os aspectos, igual ao Pai e ao Filho de Deus, a apresentação do Espírito no Novo Testamento engloba eternidade, santidade, vida, Senhorio e plenitude de poder; e nós regozijamos em notar que assim como há unicamente um Pai e um Senhor, há também um Espírito.

Nomes que enfatizam o relacionamento do Espírito com o Pai e o Filho John F. Walvoord* cita dezesseis referências que enfatizam o relacionamento do Espírito com o Pai e o Filho, mas parece omitir “o Espírito de vosso Pai” (Mt 10:20). As referências bíblicas são muitas, e podem ser colocadas na seguinte ordem:
• O Espírito de Deus — Gn 1:2; Mt 3:16;
• O Espírito de Jeová — Jz 3:10 (VB);
• O Espírito do Senhor — Lc 4:18; At 5:9; 8:39;
• O Espírito do nosso Deus — I Co 6:11;
• O Espírito do Deus vivo — II Co 3:3;
• O Espírito de vosso Pai — Mt 10:20;
• O Espírito Daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus — Rm 8:11;
• Meu Espírito — Gn 6:3;
• Seu Espírito — Nm 11:29; Ef 3:16;
• Teu Espírito — Sl 139:7;
• O Espírito de Jesus — At 16:7 (VB);
• O Espírito de Cristo — Rm 8:9; I Pe 1:11;
• O Espírito de Jesus Cristo — Fp 1:19;
• O Espírito de Seu Filho — Gl 4:6.

O Espírito de Deus, o Espírito de Jeová, o Espírito do Senhor,o Espírito do nosso Deus, o Espírito do Deus Vivo Os primeiros cinco nomes que falam do relacionamento do Espírito com o Pai e o Filho não deixam dúvida na mente esclarecida de que o Bendito, chamado o Espírito de Deus, ou por qualquer dos outros quatro nomes, procedia de Deus para que o propósito de Deus pudesse ser revelado, quer em relação à Criação (Gn 1:2); ou à unção e aprovação do Servo de Jeová, o Filho Amado de Deus (Mt 3:16); ou à energização do Seu povo contra um inimigo feroz (Jz 3:10); ou ao pregador das boas novas aos pobres (Lc 4:18); ou na santificação de um santo (I Co 6:11); ou na escrita de uma epístola de Cristo no coração, não em pedra, uma carta viva, não mandamentos que não podiam vivificar (II Co 3:2-6).
Tudo aquilo em que o Espírito tem se ocupado durante os milênios desde Gênesis 1, é reconhecido por Deus e carrega o timbre da perfeição, assim como a obra do Pai e do Filho.
O leitor cuidadoso irá observar que o mesmo Espírito Santo, cuja igualdade com o Pai e o Filho estamos considerando, introduz ênfase na quarta e na quinta destas referências. Tais distinções não são meramente estilísticas ou a terminologia privilegiada do escritor humano, mas são as palavras “que o Espirito ensina” (I Co 2:13). O apóstolo Paulo se refere a Deus, o “nosso Deus”, em I Coríntios 6:11, a única referência deste tipo nas duas cartas à igreja em Corinto. Em cada uma das duas cartas ele fala uma vez do “meu Deus” (I Co 14:18; II Co 12:21). No contexto de I Coríntios 6 o apóstolo considera os pecados chocantes que caracterizaram os santos em Corinto, antes do Senhor salvá-los (I Co 6:9-10). Não teríamos ficado surpreendidos se o nome usado para o Espírito fosse o “Espírito Santo” em contraste com a corrupção deles, mas as palavras do Espírito são “o Espírito do nosso Deus”. O Deus que nos “chamou à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo nosso enhor”, esse Deus, nosso Deus, nos trouxe ao benefício da obra de Cristo pela fé e pelo Espírito do nosso Deus. Tal é o valor do sangue de Cristo que Ele pode fazer isso sem comprometer Sua natureza santa operou nas nossas almas para nos conferir a santificação para que possamos ter comunhão com o nosso Deus. Como já notamos acima, o uso do nome “o Espírito do Deus vivo” é um contraste flagrante com a letra morta da Lei que os falsos mestres recomendavam a qualquer gentio que se voltava para Cristo. Em contraste com aquilo que apenas servia para condenar, “o Espírito do Deus vivo” opera no coração do salvo. Para os primeiros destinatários daquela carta a Corinto, haveria também um contraste evidente com os ídolos mortos que eles haviam adorado. O Espírito de vosso Pai, o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus As referências ao “Espírito de vosso Pai” e ao “Espírito Daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus” ligam, de uma forma muito evidente, o Espírito com os interesses do Pai. A única outra referência, no Novo Testamento, que identifica o Espírito tão intimamente com o Pai está em Efésios 3:14-16 “… o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo… segundo as riquezas da Sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo Seu Espírito”. Todos estes títulos indicam o prazer que o Pai tem em vindicar a Cristo, seja num santo acusado perante governadores ou reis, ou gentios ignorantes e idólatras (Mt 10:19-20); ou em triunfo ao ressuscitar Cristo perante as hostes derrotadas do inferno (Rm 8:11); ou na experiência diária de um cristão exaltando Cristo ao lugar de preeminência no coração (Ef 3:14-16). As referências aos santos de Deus sendo acusados perante as autoridades judaicas são um incentivo para todos que são perseguidos pelos judeus ou gentios. O interesse do Pai está claramente evidente no nome que o Senhor Jesus emprega: “O Espírito de vosso Pai” (Mt 10:20). Já notamos que, escrevendo sobre o mesmo assunto, Pedro usa o nome “o Espírito da glória e de Deus” (I Pe 4:14). Numa passagem paralela, em alguns aspectos, à Mateus 10, o Senhor promete aos acusados: “Eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem” (Lc 21:15). Estêvão provou a verdade dessa promessa ao enfrentar a agressividade dos judeus, e Paulo também, diante dos poderes romanos: “O Senhor assistiu-me e fortaleceu-me” (II Tm 4:17).
Evidentemente os recursos celestes estão a favor do santo. Mesmo que o resultado seja o martírio, os interesses do Pai serão garantidos pelo Espírito (Rm 8:11). O fato dEle habitar no santo garante que ele será ressuscitado de entre os mortos. Pode parecer que ele morreu uma morte ignominiosa, mas o seu corpo será um corpo de glória.

Meu Espírito, Seu Espírito, Teu Espírito
Nos três nomes do Espírito que trazem os pronomes pessoais “Meu”, “Seu” e “Teu”, há um reconhecimento evidente do Espírito e Sua obra. Eu reconheço, diz Deus, esse Obreiro Divino como “Meu Espírito” (Gn 6:3). Ao repreender Josué que queria silenciar Eldade e Medade quando profetizavam, Moisés declarou que os que falam por Deus são aqueles sobre quem o “Espírito repousou” (Nm 11:25-26); “… o Senhor pusesse o Seu Espírito sobre ele” (Nm 11:29). Moisés estava reconhecendo que o Espírito fora enviando por Deus para inspirar os Seus profetas. Davi também sabia que havia sido favorecido com o Espírito Santo vindo sobre si, e ele se refere a isto no Salmo 51:11, onde ele fala do “Teu Espírito Santo”. O Salmo 139:7 revela algo do Espírito buscando e operando no errante. Davi reconhece que essa é uma obra de Deus e que atingirá o seu propósito, pois é o próprio Espírito quem o efetua. Inerente também à pergunta de Davi: “Para onde me irei do Teu Espírito” (Sl 139:7) está o reconhecimento de que o Espírito é, não somente onipotente e onisciente, mas também onipresente (Sl 139:8-7). Davi reconhece que o exercício das prerrogativas divinas do Espírito é para o seu bem.

O Espírito de Jesus
As quatro afirmações que estão tão claramente relacionadas ao próprio Senhor Jesus merecem a nossa meditação. Elas expressam nitidamente a associação do Espírito com Cristo em humanidade, e sem dúvida captam o prazer que Ele encontrou em associação com o Homem que trouxe prazer a Deus. Escrevendo sobre a expressão “o Espírito de Jesus”, Alford* destaca que as palavras “de Jesus” não são empregadas desta forma “em nenhuma outra parte, com base doutrinária”. Kelly destaca a expressão:
“O Espírito de Jesus” mescla o interesse pessoal do Homem glorificado (cujo Nome, em sujeição à Sua vontade, era o desejo dos seus corações e o grande objetivo de suas vidas tornar conhecido) com o poder do Espírito que é o poder do novo homem.
Mas devemos ver também na expressão que o Espírito que guiava o Senhor Jesus como Homem dependente, fazendo-O ir a outras cidades (Lc 4:43); também O fez parar para que Bartimeu pudesse ser trazido a Ele (Lc 18:40); e O fez deter-Se junto a um poço para que uma mulher pudesse vir e falar com Ele (Jo 4:6). O Espírito de Jesus fez com que o apóstolo e seus cooperadores se detivessem, e esperassem para ouvir novas instruções (At 16:6-7). Essa direção veio numa visão noturna de um homem da Macedônia; e assim o Evangelho chegou à Europa.
Características daquele Homem adorável eram evidentes em Paulo e seus conservos nesta e em outras ocasiões. Paulo e os seus companheiros se curvaram à vontade do Espírito de Jesus, que “não lho permitiu” (At 16:7). Mais tarde, o mesmo Paulo teve a experiência de ser impedido pelos discípulos de se apresentar à multidão enfurecida em Éfeso (At 19:30). É mais fácil discernir a vontade dos santos do que a de Deus, mas precisamos estar conscientes de ambas, como Paulo evidentemente estava. Que glória é para Deus quando somos sensíveis à direção do Espírito e sabemos quando não é da vontade de Deus que caminhemos numa determinada direção.

O Espírito de Cristo
O Espírito de Cristo é mais uma associação do Espírito com o Senhor Jesus. Aprendemos de I Pedro 1:11 que isto envolvia a revelação de Cristo através das Escrituras do Velho Testamento, que tão plenamente revelaram “anteriormente … os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que lhes havia de seguir”. Reconhecemos também que Ele foi o Revelador de Cristo através do Novo Testamento.
I Pedro 1 não trata deste aspecto bíblico da revelação de Cristo, mas continua a falar do Espírito Santo “enviado do céu” como o poder por trás da pregação do Evangelho. Este mesmo nome do Espírito ocorre em Romanos 8:9, numa declaração absoluta: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle”. Estes termos inequívocos deixam claro que todo cristão é habitado pelo Espírito. Se um homem não é habitado pelo Espírito, “esse tal não é dEle”; ele não é um cristão, não é salvo. Deveríamos ser capazes de ver a evidência dessa habitação na maneira como o indivíduo vive. O Espirito de Cristo, que revelou Cristo nas Escrituras, sempre deseja revelar Cristo na vida do cristão. Albert Leckie comentou: “Não podemos ver o Espirito de Deus um no outro, mas podemos ver o Espirito de Cristo na medida em que Ele reproduz Cristo em mim”.

O Espírito de Jesus Cristo
Escrevendo aos filipenses Paulo usou a frase “o socorro do Espírito de Jesus Cristo” (Fp 1:19). É certo que aquela frase poderia se referir aos suprimentos futuros que Cristo disponibilizaria a Paulo, mas também deve ser levado em consideração que talvez o próprio Paulo fosse encorajado pelo mesmo poder que tão ricamente supriu o próprio Senhor. O Espírito de Jesus Cristo é tanto o Dom como o Doador! Lembramo-nos da declaração de João: “… não Lhe dá Deus o Espírito por medida” (Jo 3:34). Não nos admira que as características daquele Homem bendito, tanto em público como em particular, deleitavam o Céu. Parece que havia na igreja dos filipenses muito que dava prazer ao coração do Senhor. Todas essas características são produzidas pelo “socorro do Espírito de Jesus Cristo” (Fp 1:19); não são o resultado de uma disposição natural.

O Espírito de Seu Filho
Escrevendo aos gálatas, Paulo descreve a experiência judaica anterior à vinda de Cristo como a de um menor colocado, pelo seu pai, sob um pedagogo. Os judeus permaneceram nessa posição até que “Deus enviou Seu Filho … para remir” (Gl 4:4-5). Essa obra era essencial para remir os que estavam debaixo da Lei, como também era essencial o envio do Espírito para habitar nos judeus e gentios que se convertessem a Cristo. Lemos em outras partes do Pai enviando o Espírito, e do Filho enviando o Espírito (Jo 14:16, 26; 15:26; 16:7), mas aqui o Pai que enviou Seu Filho envia o Espírito, que é chamado o Espírito de Seu Filho (Gl 4:6). No contexto, Ele dá o poder para que o santo tenha comunhão com o Pai. A grandeza deste privilégio é destacada na própria linguagem que o filho será capaz de usar; Ele poderá se dirigir a Deus com a mesma linguagem que o próprio Senhor usou: “Aba, Pai” (Mc 14:36). Entretanto a linguagem de comunhão não revela plenamente por que é usado o nome “o Espírito de Seu Filho”. Reconhecemos, com base na ressurreição, que o Senhor Jesus demonstrou o pleno alcance do privilégio da filiação quando Ele anunciou: “Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus” (Jo 20:17). O ministério da filiação foi inicialmente revelado pelo Filho que Deus enviou ao mundo. É o Espírito do Seu Filho que faz o coração responder ao privilégio de sermos filhos.

Nomes e títulos relacionados à obra do Espírito Santo
São inúmeras as obras do Espírito Santo. Em Gênesis 1:2, como já notamos, o Espírito está associado com a Criação, quando Ele Se movia sobre a face das águas, quando a densa “escuridão” era como “faixas” (Jó 38:9). O verbo “movia” está associado com o instinto maternal de uma ave pairando sobre o ninho onde estão os seus  filhotes. São muitas as obras espirituais que associamos com o Espírito de Deus. Sabemos que dEle é a obra de regeneração, quando uma alma nasce “da água e do Espírito” (Jo 3:5), assim como o ministério de convicção de pecado (Jo 16:8-11), e o da santificação (I Co 6:11). Somamos a essas operações iniciais na alma a Sua direção (Rm 8:14); Seu testemunho (Rm 8:16); Sua unção (II Co 1:21); Seu selo (II Co 1:22; Ef 1:13; 4:30); e Seu “encher” (Ef 5:18). Ele é também o penhor da nossa herança (II Co 1:22; 5:5; Ef 1:14), e o Consolador (João 14:16, 26; 16:7). A inspiração das Escrituras é uma obra Sua, em ambos os Testamentos (II Tm. 3:16).
Chafer lista dezessete ministérios que pertencem ao Espírito de Deus, associados com os quais estão os nomes que revelam a Sua glória.
Algumas das tarefas do Espírito, listadas por Chafer, serão abordadas em outras partes desse volume. Nesta seção notaremos dez nomes importantes, alguns dos quais já foram destacados nesse capítulo.
• O Espírito de santificação — Rm 1:4;
• O Espírito de verdade — Jo 14:17;
• O Espírito de graça e de súplicas — Zc 12:10; Hb 10:29;
• O Espírito de vida — Rm 8:2;
• O Espírito de adoção — Rm 8:15;
• O Espírito da promessa — Ef 1:13;
• O Espírito da glória e de Deus — I Pe 4:14;
• O Espírito de sabedoria — Is 11:2;
• O Consolador — Jo 14:16, 26; 15:26; 16:7;
• O Espírito voluntário (ou “livre”) — Sl 51:12.

Já havíamos considerado acima que, como o próprio Deus, o “Espírito de santidade” pode ser uma referência ao Espírito Santo. Também já comentamos sobre o “Espírito da glória e de Deus”, o “Espírito de vida” e o “Espírito de sabedoria”.

O Espírito de verdade
Poderíamos ter considerado o título “o Espírito de verdade” junto com o grupo de títulos que pertencem ao Espírito por Ele ser Deus. Somente Deus poderia ser descrito como “… o Espírito é a verdade” (I Jo 5:6). Lembramos que o Senhor Jesus declarou com autoridade: “Eu sou … a verdade” (Jo 14:6). A totalidade da verdade revelada está incluída nas palavras “a verdade”.
A gloriosa designação do Espírito Santo como “o Espírito de verdade” não está simplesmente dizendo que Ele não mente — isso já sabemos, porque “Deus … não pode mentir” (Tt 1:2). Quando a verdade é revelada em forma escrita, o Espírito de verdade é a fonte de toda essa revelação. Essa designação também nos faz lembrar que Ele molda nossos afetos de acordo com a verdade; no contexto de João 14 vemos que Ele nos motivaria a guardar os mandamentos de Cristo (Jo 14:21).
Por serem habitados pelo Espírito de verdade, os cristãos têm os lombos do seu entendimento cingidos com a verdade (I Pe 1:13). Visto que o Espírito da verdade nos regula pela verdade, o Seu interesse explicito é fazer-nos semelhantes a Cristo. Para isso temos que absorver a verdade exposta nas Escrituras, para que a obra de transformação possa prosseguir em nossas almas. João 14:17 rejeita qualquer ideia de que essa obra de transformação possa incluir homens não regenerados. O mundo não pode receber o Espírito de verdade porque “não O vê”. Como observa William Kelly*: “Ele não é objeto de vista ou de conhecimento, e o mundo não tem fé, senão não seria o mundo”.

O Espírito de graça e de súplicas
Em ambos os Testamentos, o Espírito Santo é identificado como uma verdadeira fonte de graça. Em Zacarias 12 aprendemos sobre as provações que sobrevirão a Israel no final da Grande Tribulação. Eles serão trazidos a um ponto onde o extermínio parece certo, ponto esse em que o Senhor intervirá pessoalmente em seu favor: Ele procurará * KELLY, W. An Exposition of the Gospel of John. London: C. A. Hammond, 1966. “destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém” (Zc 12:9). Ele não somente trabalhará por Israel, mas neles através do Seu Espírito. Naquele dia, a nação que endureceu o seu coração contra Ele no Seu primeiro advento se derreterá em súplicas e lamentos e amargura. O Espírito os moverá, tribo por tribo, família por família. Eles reconhecerão que a sua nação obstinadamente interpretou mal passagens como Isaías 53, porque não havia nenhuma beleza naquele que é descrito naquela passagem, para que O desejassem (Is 53:2). Essa nação há de necessitar graça para suplicar; caso contrário seria devorada de demasiada tristeza (II Co 2:7). Haverá graça para os quebrantados de espírito. Em Hebreus 10, entretanto, não se trata da necessidade dos quebrantados de espírito e arrependidos. Encontramos ali aqueles que abandonam a obra de Cristo em apostasia. Eles pisam o Filho de Deus, o sangue do concerto e o Espírito da graça. A obra do Espírito da graça que encontrariam estaria em contraste total com as obras da Lei que os afastavam de Cristo. Como o Espírito da graça, Ele operaria naqueles que deixaram o ritual do Templo pela realidade de Cristo. Teria sido uma obra de consolidação, estabelecendo aqueles que foram atraídos a Cristo em graça. Nossas circunstâncias podem ser diferentes das que Zacarias e o escritor aos Hebreus tinham em mente, mas o ministério do Espírito da graça ainda é necessário, levando-nos à súplicas, e garantindo a consolidação da obra de Deus nas nossas almas.

O Espírito de adoção, o Espírito da promessa
Duas apresentações no Novo Testamento, muito agradáveis a todos os que se regozijam na salvação, são: “o Espírito de adoção” (Rm 8:15), e o “Espírito Santo da promessa” (Ef 1:13). A primeira revela um privilégio presente que pertence aos filhos de Deus, e a segunda também está relacionada ao período presente, antes da entrada dos herdeiros da
promessa na sua herança. O Espírito veio para que pudéssemos manter o gozo do relacionamento que pertence a filhos, uma relação que nem mesmo os santos mais piedosos do Velho Testamento conheceram; eles eram mais como servos do que filhos (Gl 4:1-7). Eles não tinham o direito de se dirigir a Deus como “Aba Pai”. Num lar rico do primeiro século, onde havia servos, um filho tinha privilégios que os servos não tinham. Se, com o coração transbordando de gratidão, o filho quisesse expressar a sua gratidão, ele podia fazê-lo. Se o filho sobrecarregado de problemas quisesse ouvir o conselho do seu pai, ele podia falar livremente como nenhum servo poderia. Da mesma forma, os filhos de Deus podem se dirigir ao Pai e clamar: “Aba Pai”. Entre os motivos para render graças está a promessa de glória futura. No Espírito da promessa os filhos de Deus têm o penhor da sua herança. O Espírito foi prometido aos santos; de fato, o Senhor Jesus falou dEle como “a promessa do Pai”, que eles receberiam “não muito depois” da Sua ascensão (At 1:4-5). Entretanto, o nome “o Espírito da promessa” não relembra a promessa de que o Espírito seria enviado, mas aguarda a herança que o Senhor Jesus conquistou (Ef 1:15). Ele é o penhor, isto é, o primeiro pagamento que nos assegura que somos herdeiros e que herdaremos com Cristo. De fato, o Espírito nos selou como aqueles que foram adquiridos para poderem herdar. Que ministério rico o Espírito fornece!

O Consolador
O título que muitos cristãos gostam de mencionar é “o Consolador”, ou “outro Consolador” (Jo 14:16, 26; 15:26; 16:7). Este título declara que o Espírito disponibiliza aos santos a orientação e proteção que os discípulos encontraram no Senhor, quando Ele estava com eles. É um título no qual João se gloria pelo Espírito. É com razão que a maioria relutaria em limitar o alcance de um ministério se o ensino do Senhor enfatiza a sua permanência, seu ensino, seu poder para lembrar, suas revelações de coisas futuras, seu testemunho a Cristo e sua censura do mundo. Que ministério universalmente abrangente pertence ao Consolador!

O Espírito voluntário
Foi na sua hora mais negra que Davi clamou: “Restitui-me a alegria da minha salvação, e sustenta-me com um espírito voluntário” (Sl 51:12). No v. 10 do Salmo, o “espírito reto” claramente se refere ao espírito do penitente, enquanto o apelo de Davi, no v. 11, para que o Espírito Santo não fosse retirado dele, é uma referência igualmente clara à pessoa do Espírito Santo. Não nos surpreende que haja certa divisão entre os comentaristas sobre o sentido ser “Teu Espírito voluntário” ou “um espírito voluntário”. O adjetivo hebraico traduzido “voluntário” também é usado em outras partes em relação às ofertas, logo, enfatiza espontaneidade, generosidade, disposição de agir sem relutância nem coerção. Esse tipo de espírito sustentaria Davi, evitando a sua queda.
A ausência do pronome “teu” não contradiz a sugestão de que seja uma referência direta ao Espírito Santo. Somente o Espírito Santo poderia equipar o espírito de um homem que havia desrespeitado Bate-Seba e seu marido, para que ele não vivesse mais para agradar a si mesmo ou ceder às suas paixões; somente Ele é o Espírito que Se compraz em tornar um filho de Deus disposto a obedecê-lO e bençoar outros. As glórias do Espírito Notamos acima que o Senhor ensinou que o Espírito não falaria por Si mesmo: “… não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16:13). Notamos que nosso Senhor Jesus não disse que o Espírito Santo não falaria sobre Si mesmo. Ele disse, sim, que o Espírito não falaria “por Si mesmo”, isto é, Ele não falaria por Sua própria autoridade independente, mas em comunhão com o Pai e o Filho. Visto que Ele não fala independentemente, temos a garantia de que toda glória que Ele revela de Si mesmo é Sua por direito, e que toda revelação é feita em comunhão com o Pai e o Filho. Nós regozijamos, e com razão, na apresentação do Espírito de Deus nas Escrituras. Ela é necessária e suficiente para o crescimento espiritual e o viver uma vida cristã. Esta apresentação da Pessoa e da obra do Espírito é necessária porque nenhum homem pode decifrar o Espírito de Deus por meio de pesquisa. Ela é suficiente porque a partir da apresentação das Escrituras podemos confessar: “Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga que o mar” (Jó 11:7-9).

 

por Tom Wilson, Escócia

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Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
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