“O Deus de …” no Velho Testamento

No Velho Testamento há aproximadamente quatrocentas ocorrências da expressão “O Deus de … ”. Certamente não vamos considerar todas elas neste capítulo, mas esperamos que aquelas que abordarmos serão para a edificação e incentivo de cada leitor.

Uma destas ocorrências é “O Deus da glória” (Sl 29:3). Já que o nosso livro tem o título de “A glória de Deus o Pai”, talvez seja apropriado começar pensando neste título. Ao meditar na “glória de Deus”, é sempre bom nos recordarmos que Ele é o “Deus da glória”, o que indica que aquela glória pertence a Ele; a glória vem dEle; e a glória é atribuída a Ele. Que estas poucas linhas nos ajudem a apreciar mais a Sua glória, e dar a Ele a glória que Lhe é devida.

Apesar de lermos “Deus de … ” cerca de quatrocentas vezes, a maior parte não são referências singulares — muitas são repetidas, especialmente “Deus de Israel”, que é responsável por aproximadamente metade do total das referências. Via de regra, quando a expressão “Deus de …” é citada neste capítulo, a primeira referência será dada, mas o leitor deve ter em mente que nem sempre esta é a única ocorrência da expressão. As outras referências podem ser facilmente obtidas usando uma concordância Bíblica (ou um programa de computador!).

A pequena palavra “de” (ou “da” ou “do”) é a palavra chave do capítulo. No nosso contexto indica associação, posse, identificação. Assim quando vemos as palavras “Deus de …” temos um vislumbre daquilo com o qual Deus tem prazer de Se identificar; aquilo com o qual Ele está preparado a Se associar. Portanto aprendemos muito acerca de Deus através daquilo que Ele é “Deus de”, pois vemos o que está de acordo com o Seu caráter. Hebreus 11:16 afirma: “Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus”. Portanto ao considerarmos de que, quem e onde Ele é Deus, ganhamos conhecimento sobre o próprio Deus.

Como o título do capítulo indica, estamos lidando com referências do Velho Testamento. Obviamente, não vivemos no tempo do Velho Testamento, e precisamos sempre ter isto em mente. O Velho Testamento é para nós, mas não é sobre nós. Por exemplo, enquanto a expressão “Deus de Israel” ocorre cerca de duzentas vezes no Velho Testamento, ela ocorre somente duas vezes no Novo Testamento, indicando o fato que a Igreja não é Israel! Tendo dito isto, veremos que embora os tempos e as dispensações mudam, Deus é imutável, e as referências do Velho Testamento contém muitas lições verdadeiras, independentemente de quando, onde e para quem foram escritas. Assim, há muito para nos incentivar, como também houve muito para incentivar os primeiros cristãos que leram estas palavras; ou melhor, há ainda mais para nos incentivar, pois à luz da revelação do Novo Testamento, conhecemos a Ele como “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Vamos considerar as referências ao “Deus de …” sob quatro subtítulos, que incluirão a maioria das expressões:

Deus de princípios;

Deus de lugares;

Deus de pessoas;

Deus de provisões.

Deus de princípios

A expressão “Deus de …” nos apresenta alguns grandes princípios divinos, que pertencem a Deus totalmente, supremamente e imutavelmente.

Vamos considerar quatro. Em cada caso, o contexto é o fracasso do homem, apresentado em contraste com o caráter infalível de Deus. Isto deveria nos encorajar nos nossos dias, quando a infidelidade abunda, a lembrar da Sua fidelidade.

“Deus da verdade” (Dt 32:4)

Moisés descreve as pessoas que “corromperam-se” como “uma geração perversa e distorcida” (v. 5). Em contraste, Deus é apresentado como o Deus da verdade, “e não há nele injustiça; justo e reto é” (v. 4). Não há falsidade nEle. Ele é caracterizado pela verdade, em todos os seus aspectos. Assim podemos confiar na Sua Palavra. Num dia quando a Palavra de Deus está sofrendo ataques, não somente por parte dos incrédulos, mas também por muitos que se dizem cristãos, nunca façamos concessões sobre a total confiabilidade das Escrituras da verdade, que são as próprias palavras do “Deus da verdade”.

 “Deus de conhecimento” (I Sm 2:3)

Estas palavras são encontradas na oração de ação de graças de Ana. Ela fala dos que falam “palavras de altivez” e “coisas arrogantes” (v. 3). Será que já houve um tempo pior do que o nosso, com homens se vangloriando do seu “conhecimento” e demonstrando todo seu orgulho e arrogância? Como é verdade o que lemos em Romanos 1:28: “Não se importaram de ter conhecimento de Deus”, e vemos o resultado sórdido de tal loucura. A reação de Ana a estas pessoas também é muito apropriada para os dias de hoje: “O Senhor é o Deus de conhecimento, e por Ele são as obras pesadas na balança”. Como Paulo diz: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos” (I Co 3:20). Que não sejamos intimidados pela assim chamada “sabedoria” de homens ímpios, e que possamos descansar Naquele “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2:3).

“Deus de justiça” (Is 30:18, ARA)

Mais uma vez o contexto é de fracasso humano: aqueles que confiam “na opressão e perversidade” (v. 12) — pessoas caracterizadas por falsos julgamentos. Como isto é característico dos nossos dias, quando muitas vezes parece que o criminoso recebe mais consideração que a vítima, quando o “politicamente correto” é tal que alguém pode ser processado por citar um versículo da Bíblia; quando uma enfermeira que oferece orar por um paciente pode ser demitida. Precisamos ser lembrados, como o povo dos dias de Isaías, “que o Senhor é um Deus de justiça”. Diferentemente das Suas criaturas caídas, Ele sempre julgou, e sempre julgará, retamente. É evidente que o julgamento tem um lado negativo e um lado positivo e, na verdade, aqui em Isaías 30:18 é o lado positivo que é enfatizado: “Bem-aventurados todos os que nele esperam”. Podemos ficar confiantes que Deus faz a avaliação correta de cada situação e ação — boa ou ruim — e podemos confiar nEle para fazer o que é correto.

“Deus das recompensas” (Jr 51:56)

Mais uma vez o contexto é de fracasso humano — neste caso, é o pecado da Babilônia, que Deus diz que irá “recompensar” (v. 6). Por quê? “Porque o Senhor, Deus das recompensas, certamente lhe retribuirá” (v. 56). As pessoas ainda pensam que podem viver como querem com impunidade, mas Deus “recompensará” a cada um conforme ao que tiver feito. Para os incrédulos, o terrível juízo do Grande Trono Branco será “cada um segundo as suas obras” (Ap 20:13); para os salvos, a salvação é garantida, mas “o que tiver feito por meio do corpo” será avaliado (II Co 5:10), e ele “receberá”. Isto é um grande conforto para todos — tudo o que é efeito em Seu nome, de acordo com a Sua palavra, com um motivo verdadeiro, será recompensado (I Co 3:14); mas também é solene, pois quando não for assim, haverá “detrimento” (I Co 3:15). Que Deus nos ajude, para que as atividades da nossa vida sejam tal que recebam a Sua aprovação naquele dia.

Assim, ao considerarmos os princípios divinos, a mensagem é clara; vivemos num mundo ímpio que está sempre mudando; mas temos um Deus imutável e justo, em quem podemos confiar. É nossa responsabilidade viver à luz destas grandes características de Deus.

Deus de lugares

A lista dos lugares com os quais Deus tem prazer em Se associar (no Velho Testamento) é extremamente ampla. Podemos ver isto mesmo dentro dos limites do primeiro livro da Bíblia; por um lado Ele é o “Deus dos céus” (Gn 24:3), e por outro lado Ele é o “Deus de Betel” (Gn 31:13) — um posto fronteiriço obscuro.

Poderíamos aprender muito acerca de Deus dos lugares com os quais Ele se associa, mas precisamos nos contentar com apenas um pensamento sobre cada um:

“Deus dos céus” (Gn 24:3): Sua deidade

A expressão “Deus dos céus” ocorre vinte e uma vezes no Velho Testamento. Os Céus materiais e a habitação de Deus são diferenciados, por exemplo em I Reis 8:27: “… os céus, e até o céu dos céus”, mas frequentemente fica difícil distinguir um do outro quando a palavra “céus” é usada. Entretanto isto não deve nos preocupar demasiadamente, pois Ele é, com certeza, o Deus de ambos. O fato de Deus ser o Deus dos próprios Céus nos faz lembrar da Sua deidade — Ele era, é, e sempre será o Deus que “habita na luz inacessível, a quem nenhum dos homens viu ou pode ver” (I Tm 6:16). Ele é um Deus que transcende tudo o que está associado ao tempo e espaço — verdadeiramente digno de nossa reverência e adoração. O fato dEle ser o Deus dos Céus materiais também mostra a Sua deidade: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos” (Sl 19:1). Em dias quando a Sua glória é negada, e os homens creem em qualquer história, independentemente de quão ridícula seja, para negar que Ele seja o Criador, nunca nos esqueçamos, ao olharmos para os Céus, que ali temos uma declaração poderosa dAquele que os criou. Como Paulo diz: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” (Rm 1:20).

 “Deus dos céus e da terra” (Ed 5:11): Sua universalidade

Quando lemos “os céus e a terra”, isto indica todo o Universo, e quando lemos “Deus dos céus e da terra”, isto nos faz lembrar que Ele é o Deus de tudo. Ele criou tudo, Ele controla tudo, Ele preenche tudo. “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também” (Sl 139:7-8). O politeísta pensa que há muitos deuses, cada um com a sua esfera e influência no Universo; o panteísta vê “deus” na matéria do Universo; o deísta pensa que Deus não tem nenhum interesse presente, ou envolvimento, no Universo; o ateu pensa que pode existir um Universo sem qualquer Deus. Nós rejeitamos completamente todas estas, e quaisquer outras, desilusões: há um só Deus; Ele criou tudo; tudo pertence a Ele, e somente a Ele. Ele está ativamente e intimamente envolvido em cada aspecto do funcionamento do Universo. Ele está em toda parte: “Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o Senhor” (Jr 23:24).

“Deus de toda a terra” (Is 54:5): Sua soberania

Ao mesmo tempo em que Deus é Deus de todo o Universo criado, as Escrituras mostram que a Terra é o alvo do Seu interesse e envolvimento supremo. Ele criou a Terra, e Ele tem o direito de domínio universal sobre ela. Infelizmente, Ele não é reconhecido pela grande maioria da Sua Criação. Entretanto Ele será reconhecido, e Sua soberania será incontestável. É interessante que a passagem de onde tiramos esta expressão, Isaías 54, fala do tempo futuro do milênio quando, como resultado da obra de Cristo (cap. 53), a esterilidade de Israel será removida (v. 1), e Aquele que é seu “Criador … Marido, o Santo de Israel, o Redentor …” (v. 5) também será chamado “o Deus de toda terra”. Que pensamento bendito — Aquele que hoje é “desprezado e … rejeitado” (Is 53:3) — não somente por Israel, mas pelo mundo todo em geral — será reconhecido como o Soberano: “O Deus de toda a terra”.

“Deus dos montes … Deus dos vales” (I Rs 20:28): Sua competência

Israel havia derrotado seus inimigos, os sírios, numa batalha nos montes (I Rs 20:19-21). Os sírios planejavam outro ataque, pensando erroneamente que Deus era somente “Deus dos montes”, e não “Deus dos vales” (vs. 23, 28), e que assim, se a batalha fosse nos vales, eles, os sírios, obteriam a vitória. Entretanto, quando a batalha aconteceu, os sírios foram derrotados (vs. 29, 30). A razão é dada no v. 28: para que Israel saiba “que eu sou o Senhor”. Ao dar-lhes a vitória no vale, e nos montes, Deus estava mostrando ao Seu povo (e aos seus inimigos também) que Ele não tem “pontos fracos”. Esta é uma lição que nós faríamos bem em aprender; nós homens mortais temos nossos “pontos fortes” e nossos “pontos fracos” — não é assim com Deus. Não há limite para o Seu poder, para Sua habilidade; nenhuma área é difícil demais para Ele. E para espiritualizarmos “os montes e os vales”: não importa onde estivermos espiritualmente, no “topo do monte” ou no “vale” da tristeza, Deus está ali conosco em toda e qualquer circunstância, e Ele é capaz de nos ajudar, seja qual for a nossa necessidade.

 “Deus da terra” (II Rs 17:26): Sua pureza

Esta expressão nos mostra que enquanto Deus é de fato o “Deus de toda terra”, há um aspecto em que Ele está associado especificamente com a terra de Israel. O contexto desta citação é sobre o rei da Assíria trazendo estrangeiros para as cidades da Samaria (II Rs 17:24). Estes “não temeram ao Senhor”, e Deus enviou leões entre o povo que mataram alguns deles (v. 25). O povo reconheceu o motivo: eles não sabem “o costume do Deus da terra”. Eles haviam chegado a um país onde Deus era totalmente diferente dos “deuses” das nações de onde eles tinham vindo. Ele era um Deus puro, um Deus de justiça, que exigia um viver puro e santo daqueles sob a Sua jurisdição. As pessoas sugeriram uma solução: que alguém que conhecia o Deus da terra viesse e lhes ensinasse “o costume do Deus da terra” (v. 27). Assim um sacerdote veio e lhes ensinou “como deviam temer ao Senhor” (v. 28) mas, infelizmente, eles continuaram seu estilo de vida impuro. Aqui temos uma lição para nós: embora não habitamos na “terra” literal, realmente representa os “lugares celestiais” onde habitamos com Ele. Deus é um Deus puro e santo, e se Ele esperava daqueles que viviam na terra literal um padrão de pureza compatível com o Seu caráter, certamente nada menos do que isto é o que Ele espera de nós, que habitamos na Sua herança espiritual.

“Deus de Jerusalém” (II Cr 32:19): Sua identidade

Não há dúvida que Jerusalém era o lugar com o qual o nome de Deus era associado. Muito antes de Davi conquistar Jerusalém e fazer dela a capital, enquanto Israel ainda estava no deserto, Moisés falou do lugar “que o Senhor vosso Deus escolher de todas as tribos, para ali por o seu nome” (Dt 12:5, 11, 21; 14:23, 24; 16:2, 6, 11; 26:2). Várias referências em I Reis (5:5; 8:16, 18, 19, 29; 9:3, 7) e muitas outras em II Reis e Crônicas mostram, sem sombra de dúvida, que este lugar, onde o Senhor colocaria o Seu nome, era a cidade de Jerusalém, onde seria construído o Seu Templo. Um exemplo disto está em II Reis 21:7: “Nesta casa, e em Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre”. Muitas coisas faziam de Jerusalém um lugar diferente de qualquer outro lugar na Terra, mas nenhuma era mais importante do que este: era o lugar escolhido por Deus, o lugar com o qual o Seu nome estava ligado.

Jerusalém tem uma longa história de identificação com o Seu nome, e terá um futuro glorioso de identificação com Ele. No passado, Jerusalém tinha um templo, e terá um templo no futuro; entretanto no presente Jerusalém não tem templo, nem altar, nem sacrifício. Isto significa que hoje não há nenhum lugar identificado com o Seu nome? Não! Lemos as seguintes preciosas palavras de Mateus 18:20, as palavras dAquele que é Deus manifesto em carne: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai estou eu no meio deles”. A igreja local é aquilo com o qual o nome de Deus está associado hoje. É o “templo de Deus” (I Co 3:16) — um lugar santificado, onde Ele habita, e onde Ele recebe a adoração que Lhe é devida.

Assim, enquanto a igreja local não é vista no Velho Testamento, temos figuras dela, e uma das figuras é a cidade de Jerusalém e o Templo; o lugar onde Deus escolheu para colocar o Seu nome. Que privilégio era para o povo daqueles dias estar associado com a cidade de Jerusalém; que privilégio ainda maior é o nosso, estarmos associados com um ajuntamento reunido de maneira bíblica, da qual Jerusalém é uma figura.

“Deus de Betel” (Gn 31:13): Sua generosidade

A principal referência a Betel está em Gênesis 28:10-22, onde Deus apareceu a Jacó enquanto ele dormia, e lhe fez maravilhosas promessas. Até este ponto havia pouco na vida de Jacó para elogiar, quanto ao seu caráter. Certamente não foi nenhum mérito seu que fez com que ele recebesse este privilégio; mas foi a graça de Deus. E que bondade Deus lhe manifestou! Deus lhe prometeu a terra (v. 13); prometeu que sua semente seria muito numerosa, espalhada por todos os lados, e seria a fonte de bênção para todas as famílias da terra (v. 14); que Deus estaria com ele e o guardaria onde quer que ele fosse, e que Ele o traria de volta em segurança, e nunca o abandonaria (v. 15). A reação de Jacó (vs. 16-22) mostra a sua apreciação da generosidade de Deus para com ele, ao chamar o lugar de “Betel”, que significa “casa de Deus”. Assim, muitos anos mais tarde, quando Deus disse a Jacó: “Eu sou o Deus de Betel” (Gn 31:13), e: “Levanta-te, sobe a Betel” (Gn 35:1), Jacó imediatamente sabia que Deus estava se referindo ao lugar onde tinha aparecido a ele, quando ele fugia da face de Esaú, seu irmão. Deus o estava relembrando da difícil situação em que ele estava quando o encontrou ali; das benditas promessas que lhe fizera, e das responsabilidades que isto trouxera a Jacó. Assim, na expressão “Deus de Betel” lembramos do favor e da bondade imerecida de Deus para conosco, e como Jacó, nosso corações deveriam ser sempre gratos a Deus pelas muitas bênçãos que Ele tem derramado sobre nós.

O escritor não tem conhecimento profundo da geografia de Israel mas, pelo que ele pode entender, não há nada especificamente importante sobre a localização de Betel hoje. Tenho a impressão que a sua localização exata nem é conhecida. Não sabemos se o “travesseiro de pedra” continua ali ou não. Entretanto podemos desfrutar da verdade de Betel, não somente nas suas lições sobre a bondade de Deus, que é imutável, mas também sobre aquilo do qual Betel é uma linda figura: uma igreja local que se reúne conforme o modelo bíblico. Não estamos dando asas à imaginação aqui; Paulo escreve a Timóteo: “Mas se tardar, para que saibais como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (I Tm 3:15). Somente uma recusa proposital de aceitar o ensino bíblico sobre a igreja pode fazer com que não vejamos na expressão “casa de Deus” uma alusão a “Betel”, que significa exatamente isto. Betel — o lugar da presença divina (Gn 28:16); de atividade angelical (v. 12); de governo divino (v. 17); de santidade (v. 17) — tem sua aplicação hoje na igreja local, onde o Senhor está (Mt 18:20), que os anjos observam (I Co 11:10), onde há governo divino (I Tm 3:5), e que é um lugar santo (I Co 3:17).

Além disto, I Timóteo foi escrito para que Timóteo e os outros cristãos em Éfeso pudessem saber qual comportamento é apropriado em relação à “casa de Deus”. A conduta de Jacó, com relação à Betel, nos dá ilustrações de comportamento adequado para nós em relação à igreja; reverência e respeito diante do reconhecimento da presença de Deus (Gn 28:16-17); testemunho de quem Ele é (a coluna de pedra em Gn 28:18 e 35:14 eram, sem dúvida, diferentes da “coluna” de I Tm 3:15, que sugere uma coluna que suportaria o peso de um prédio — mas a ideia de testemunho está presente em ambos); Deus recebendo a Sua porção (Gn 28:22); a incompatibilidade de associação com a casa de Deus e associação com os ídolos (Gn 35:1-2); adoração a Deus (Gn 35:3, 7, 14); a necessidade dos membros terem um caráter e uma vida limpos (Gn 35:2); e a ausência de adornos mundanos (Gn 35:4).

Deus de pessoas — coletivo

Assim como com os lugares dos quais Ele é “Deus de”, também temos Deus se associando com muitas pessoas. Vamos considerar alguns dos grupos coletivos dos quais Ele é “Deus de”, antes de focalizarmos em indivíduos:

“Deus dos Exércitos” (II Sm 5:10): o Deus conquistador

É interessante que a primeira referência a este título está relacionada com Davi conquistando a cidade de Jerusalém, tirando-a das mãos dos jebuseus, seu subsequente engrandecimento, e o comentário “o Senhor Deus dos exércitos era com ele”. Vemos, sem sombra de dúvida, que não foi devido à sua própria inteligência ou poder que Davi ganhou esta vitória e estabeleceu o seu trono em Jerusalém, mas foi devido ao poder do “Deus dos Exércitos”.

Quem são os “exércitos”? Com certeza a palavra não se refere a um mero exército terrestre, mas sim aos exércitos celestiais, à grande hoste de anjos, que fazem a Sua vontade. Lemos deles no primeiro livro da Bíblia: “Jacó também seguiu o seu caminho, e encontraram-no os anjos de Deus. E Jacó disse, quando os viu: Este é o exército de Deus” (Gn 32:1-2). Lemos deles também no último livro: “E houve batalha no céu; Miguel e seus anjos batalhavam contra o dragão” (Ap 12:7). Também lemos deles em outras partes, por exemplo, o grande exército que cercou e protegeu Elias (II Rs 6:17).

Assim vemos a grandeza do poder de Deus. Enquanto há muitos seres humanos com os quais Ele tem prazer em Se identificar, Ele não Se limita aos herdeiros de Adão — há legiões de anjos que estão sob Suas ordens, que correm para fazer a Sua vontade; um grande exército que nunca será derrotado. Não importa quantos sejam os nossos inimigos espirituais, podemos aplicar as palavras de Elias a nós mesmos: “Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (II Rs 6:16).

“Deus dos espíritos e de toda carne” (Nm 16:22): o Deus compassivo

Esta expressão ocorre somente duas vezes – ambas no livro de Números (a outra é em 27:16). Em ambos os casos o povo de Israel está em grande perigo devido a uma crise de liderança; o perigo de todos eles morrerem devido a rebelião de Coré (cap. 16), e o perigo de ficarem como ovelhas sem pastor, porque Moisés não iria entrar na terra prometida com eles (cap. 27). Em ambos os casos Moisés apela a Deus, como o “Deus dos espíritos e de toda carne”, para agir em misericórdia, e poupar o Seu povo. Parece que ao se referir aos “espíritos”, Moisés está enfatizando que os seres humanos são mais do que mera “carne”, são seres espirituais, singulares na Criação de Deus, e baseado nisto Moisés faz seu apelo a Deus para que sejam preservados.

Nos nossos dias, quando vozes poderosas do mundo tentam doutrinar as pessoas a pensarem que os seres humanos são simplesmente o ápice de um longo processo de evolução, é bom lembrar que não é assim — o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, tem um Espírito, que o diferencia dos outros seres criados na Terra, e faz dele o objeto especial do amor e cuidado de Deus.

 “Deus de Israel” (Êx 5:1): o Deus da aliança

Sem dúvida alguma esta é a expressão com o maior número de referências. Fala do relacionamento de Deus com o Seu povo da aliança — os filhos de Abraão através de Isaque e Jacó. Várias outras expressões que incluem “Deus de …” também descrevem o Seu relacionamento com aquela nação:

Êx 3:6 “Deus de Abrão”, “Deus de Isaque”, e “Deus de Jacó”;

Êx 3:13 “Deus de vossos pais”;

Êx 3:18 “Deus dos hebreus”;

Dt 26:7 “Deus de nossos pais”;

Dt 29:25 “Deus de seus pais”;

I Sm 17:45 “Deus dos exércitos de Israel”;

Jr 31:1 “Deus de todas as famílias de Israel”.

Deus fez uma aliança com Abraão (Gn 15:18-21), e posteriormente a confirmou com ele (Gn 17:4-8; 22:15-18), com Isaque (Gn 26:2-5), e com Jacó (Gn 28:13-14). Apesar da nação que descendeu deles ter falhado, Deus frequentemente lhes diz que, embora Israel será severamente castigada pelos seus pecados, no entanto Ele não os abandonará (por exemplo, Sl 89:31-34). Hoje em dia, Deus está separando dentre os gentios “um povo para o seu nome” (At 15:14), mas quando “a plenitude dos gentios haja entrado” (Rm 11:25), então a cegueira de Israel será removida, e Israel será salva (Rm 11:25-26). A razão que Paulo dá para isto é muito interessante: “amados por causa dos pais” (Rm 11:28). Deus é o Deus que guardará todas as promessas que fez.

Isto é claramente ilustrado na ocorrência da expressão “Deus de Israel” (ou melhor, pela falta da ocorrência dela) no Novo Testamento; ocorre somente duas vezes, e ambas as vezes nos Evangelhos — nunca ocorre em Atos ou nas Epístolas. Entretanto, muitas das suas ocorrências no Velho Testamento são com relação ao futuro (por exemplo, Is 52:12). Para Israel, no presente, pode-se dizer: “Não sois meu povo”, mas num dia futuro será dito: “Vós sois filhos do Deus vivo” (Os 1:10).

Embora a Igreja não seja Israel, podemos ser encorajados por saber que temos um Deus que cumpre as Suas promessas, e da mesma forma que Ele irá cumprir as Suas promessas a Israel, Ele cumprirá as Suas promessas a nós. 

Deus de pessoas — individual

Cada um dos indivíduos com quem Deus identifica o Seu nome merece um estudo completo. Entretanto, vamos somente observar um aspecto principal de cada indivíduo; uma característica com a qual Deus estava disposto a Se associar — uma característica que devemos procurar imitar. Vamos considerá-los na ordem em que são mencionados nas Escrituras.

 “Deus de Sem” (Gn 9:26): um homem circunspecto

O pano de fundo desta citação é desagradável; Noé estava embriagado e nu na sua tenda. Seu filho Cão o achou assim, talvez por acaso, mas ele certamente falhou na sua reação: ele deixou de cobrir a nudez de seu pai, e ainda foi comentar com os outros. Sem e Jafé se comportam de forma louvável, no que poderíamos chamar de uma atitude para “minimizar o dano”; eles cobrem a nudez de seu pai evitando ver o seu estado. Noé pronuncia uma bênção sobre o “Deus de Sem”, assim indicando a aprovação de Deus com a atitude de Sem.

Certamente podemos aprender com o comportamento respeitoso de Sem. É um bom exemplo em situações familiares. Ele respeitou e honrou o seu pai, mesmo que Noé estivesse em falta. É sempre desagradável, por exemplo, ouvir alguém falar mal de seus próprios pais, mesmo se ele tiver motivos para isto. Sem nos dá um bom exemplo também para a vida na igreja local: como povo de Deus, todos temos as nossas faltas, e o pecado não deve ser “varrido para debaixo do tapete”, mas quando há falhas, então o amor e consideração cristã deveriam nos motivar a limitar ao máximo o estrago que inevitavelmente será causado. Uma aplicação simples e prática é evitar falar sobre o assunto com aqueles que não precisam saber. Lembremos: “o amor cobrirá a multidão de pecados” (I Pe 4:8).

“Deus de Abraão” (Gn 24:27): um homem chamado

Há muita coisa que poderíamos aprender com o exemplo de Abraão, mas vamos nos limitar ao primeiro ponto mencionado em Hebreus cap. 11: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (v. 8). Todas as suas bênçãos subsequentes foram resultado disto, e sua vida, a partir deste ponto, foi vivida em conformidade com a decisão que ele tomou.

Isto nos faz lembrar que somos um povo chamado. Nós fomos “chamados das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pe 2:9). Nós fomos chamados pelo evangelho (II Ts 2:14). Falta espaço para pensarmos na esperança da Sua vocação (Ef 1:18); na vocação celestial (Hb 3:1); na vocação santa (II Tm 1:9); e na vocação soberana (Fp 3:14), mas é suficiente notar que todas as nossas bênçãos resultam de termos respondido ao chamado do Evangelho, e nossas vidas devem ser vividas de maneira consistente com isto: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (I Pe 1:15-16).

“Deus de Isaque” (Gn 28:13): um homem contente

De muitas formas a vida de Isaque não foi tão “dramática” quanto a de seu pai e de seu filho mais novo. Ele não viajou tanto e teve menos “crises” na sua vida, apesar de ter vivido mais do que eles. Ele se contentou em viver sua longa vida da forma e no lugar que Deus desejou. Isto é indicado na primeira menção que temos dele em Hebreus 11: “… habitou na terra da promessa, como em terra alheia” (v. 9). Nós o vemos contente em se submeter a seu pai, até mesmo à morte (Gn 22), contente em deixar seu pai encontrar uma esposa idônea para ele (Gn 24); ele não insistiu nos seus “direitos” quando outros disputaram os poços que ele cavara — ele simplesmente foi adiante e continuou cavando (Gn 26); ele se contentou com a esposa que Deus lhe deu — sua vida é um exemplo brilhante de uma longa vida de fidelidade a uma esposa — algo que não podia ser dito de seu pai, seus filhos, e de mais do que um de seus netos.

Não é que ele não teve tristezas; a morte de sua mãe (Gn 24:67); a escolha das esposas de Esaú (Gn 26:34-35); o engano de Jacó (Gn 27:33), todas estas experiências foram dolorosas para ele. Entretanto, como mostram as suas últimas palavras registradas, ele descansou nas promessas de Deus (Gn 28:2-4).

Nisto ele tem algo a nos ensinar: o valor para Deus de uma vida quieta, piedosa, exemplar, vivida em contentamento, no gozo das bênçãos de Deus, sabendo, mesmo no meio das tristezas, que Deus está em controle, e que as Suas promessas nunca falharão. Deus se apraz em ser chamado o Deus de tais pessoas.

“Deus de Jacó” (Gn 49:24): um homem transformado

Um das coisas que chama a atenção, ao considerarmos Jacó, é que ele foi um homem complemente transformado por Deus. Seu nome foi mudado de Jacó (“Suplantador”) para Israel (“Príncipe com Deus”, Gn 32:28). Esta mudança de nome provocou uma mudança de caráter. Vemos seu caráter de “Jacó” desde o ventre, quando ele lutou com o seu gêmeo (Gn 25:22); através de seus planos para obter a primogenitura (Gn 25:29-34), e a bênção (Gn 27:1-46). Uma série de encontros com Deus mudariam a sua vida, especialmente em Betel (Gn 28:10-22) e Peniel (Gn 32:24-32), além das muitas tristezas por que passou — distante do lar, enganado pelo seu tio, a morte de Raquel, desapontamento com os seus próprios filhos, a angústia pela longa separação de José — resultaram num homem completamente transformado; um homem poderoso para Deus que, no final da sua vida, podia falar com tanta dignidade e autoridade aos seus doze filhos (Gn 49), e ao chegar ao final da sua mensagem podia falar do “Valente [Deus] de Jacó” (v. 24).

Nenhum de nós irá provar a variedade de situações que Jacó conheceu na sua vida; mas deveríamos ser profundamente gratos a Deus pelas mudanças que ele operou em nós. Em Efésios 2, Paulo menciona aos seus leitores o que eles eram antes, e fala da grande mudança que a salvação operou na vida deles, no presente e no futuro. O mesmo é verdade acerca de nós. Que possamos sempre procurar andar de acordo com esta mudança; uma mudança que “não vem das obras” (v. 9), mas que tem em vista produzir uma vida de “boas obras” (v. 10).

“Deus de Elias” (II Rs 2:14): um homem corajoso

Quanta coragem vemos na vida de Elias! Ele estava disposto a enfrentar um rei perverso e cruel em diversas ocasiões (I Rs 17:1; 18:17-19; 21:17-24), desafiar os profetas de Baal, a quem o povo estava servindo, e desmascará-los em público (I Reis 18). Verdadeiramente ele é um exemplo de coragem piedosa. Não é que ele era imune ao medo e outras fraquezas (I Rs 19:3, 10, 14 e Tg 5:17), e isto deveria nos encorajar ainda mais: é um lembrete que dependemos não da nossa própria força, mas de Deus. Vivemos em dias difíceis, quando a sociedade procura marginalizar aqueles que defendem a Deus. Que aprendamos com Elias a lição de coragem, pois nossa confiança está em Deus.

“Deus de Davi” (II Rs 20:5): um homem compassivo

Muito poderia ser dito acerca de Davi, mas vamos escolher somente um ponto: a primeira ocasião em que o vemos nas Escrituras (I Sm 16:11), ele estava cuidando das ovelhas de seu pai. Isto nos mostra também o cuidado que ele tinha com o povo, como vemos demonstrado frequentemente na sua vida: seu cuidado pela nação (I Sm 17:26); pelos seus pais (I Sm 22:3-4); por Saul e Jonatas (II Sm 1:17-27); pelos seus filhos (II Sm 12:16; 18:33); e por Mefibosete (II Sm 9).

Não é de se admirar que Samuel descreve Davi como “um homem segundo o seu [de Deus] coração” (I Sm 13:14), pois ele certamente tinha algo daquele coração cuidadoso de pastor que Deus tem pelo Seu povo. Que nós também possamos ter um coração assim — um cuidado pelo povo de Deus, que sempre busca o seu bem, e um cuidado por aqueles que ainda estão nos seus pecados, para que sejam ganhos para Cristo.

 “Deus de Ezequias” (II Cr 32:17): um homem vencedor

O contexto desta citação, o cap. 32 de II Crônicas, é o ataque verbal de Senaqueribe contra Ezequias e o seu povo, que estavam sitiados em Jerusalém. Senaqueribe estava reforçando a sua ameaça de um ataque militar, tentando desmoralizar o povo de Judá, usando as palavras do seu servo, e também por carta, na qual ele se gabava: “Assim como os deuses das nações das terras não livraram o seu povo da minha mão, assim também o Deus de Ezequias não livrará o seu povo da minha mão” (v. 17). Ezequias e Isaías reagiram da forma correta; eles oraram a Deus (v. 20), e no versículo seguinte vemos Senaqueribe, não somente derrotado, mas morto. “Assim livrou o Senhor a Ezequias, e aos moradores de Jerusalém” (v. 22).

Portanto, em Ezequias, vemos um homem que venceu não pelo seu próprio poder, mas em dependência a Deus. Paulo nos diz: “… fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6:10), e nisto podemos ter a vitória sobre o nosso inimigo, Satanás, de quem Senaqueribe é uma figura.

“Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego” (Dn 3:28): homens consistentes

Aqui temos três homens que recusaram se prostrar diante da imagem do rei. Entre as suas muitas qualidades admiráveis, vamos considerar apenas uma: sua constância. Havia muitas tentações para que eles agissem de forma diferente: eles eram jovens; estavam longe de casa; estavam num ambiente completamente hostil à sua fé; havia um preço alto a ser pago por recusar se conformar; o argumento “mas todo mundo está fazendo” poderia ser apresentado; poderiam argumentar que se encurvar diante da estatua “não faria mal a ninguém”. Havia muitas desculpas em potencial para comprometer os seus padrões. No entanto nenhuma destas coisas os abalou. As circunstâncias não mudaram sua posição. Isto ganhou grande respeito, não somente para eles mas também para o seu Deus: “Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego” foram às palavras do rei Nabucodonosor (3:28).

Quão grande é a tentação para nós comprometermos os nossos princípios — mudarmos de acordo com as circunstâncias em que nos encontramos. Deus fica feliz em se identificar com aqueles que, como estes três homens, são constantes. Não é fácil, mas isto produzirá respeito, e fará com que os homens glorifiquem a Deus.

“Deus de Daniel” (Dn 6:26): um homem incontaminado

É claro que tudo o que falamos dos seus três amigos poderia ser dito de Daniel, mas vamos nos concentrar na primeira coisa dita sobre ele: “E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção do rei, nem com o vinho que ele bebia” (Dn 1:8).

A provisão do rei é uma figura das coisas que nos contaminariam. Há muito neste mundo hoje que contamina — tal como os seus padrões, seus valores, seus entretenimentos, e sua literatura. Que possamos, como Daniel, propor em nossos corações não nos contaminarmos. A maneira de evitar a contaminação é evitar se expor, da mesma maneira como Daniel evitou tomar parte naquilo que o rei fornecia. Seus “legumes e água” (1:12) sem dúvida não eram apetitivos aos babilônios, mas eles tiveram que reconhecer que Daniel e seus amigos estavam com semblantes melhores devido a esta alimentação (vs. 15-16). Assim também a nossa “dieta” da Palavra de Deus não é atrativa para as pessoas deste mundo, mas é para o nosso bem — não há nenhum sustento neste presente mundo mau.

Ao considerar as qualidades admiráveis em todas estas pessoas, precisamos ter em mente que foi Deus quem efetuou estas coisas neles, e ao Se chamar “seu Deus”, Deus está indicando que são características que O agradam, pois refletem algo do Seu próprio caráter. Nisto, todos eles são um exemplo para nós seguirmos.

Deus de provisões

Ao encerrar, vamos considerar algumas citações do livro dos Salmos, onde, diversas vezes, temos a expressão “Deus da minha [do meu] …”. Evidentemente o salmista tem uma apreciação de que este grande Deus é Aquele que tem um interesse pessoal nele, e que supre abundantemente para ele. Podemos regozijar que isto é assim para cada um de nós também, e vamos brevemente aplicar cada uma destas citações a nós. Vamos considerá-las na ordem em que elas aparecem:

“Deus da minha justiça” (Sl 4:1)

Nós éramos injustos; agora somos justos. Não foi nossa própria justiça, nem a justiça pessoal de Cristo, mas uma justiça concedida por Deus em justiça, porque “estamos nEle”. Como diz Paulo: “… não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fp 3:9).

“Deus da minha salvação” (Sl 18:46)

Que bênção é a salvação que temos! E tudo isto vem de Deus: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9).

“Deus da minha vida” (Sl 42:8)

Será que o salmista se refere à sua vida física ou à sua vida espiritual? Será que significa que Deus é o Doador da vida, ou que Ele é o Sustentador dela, ou que Ele é Aquele que é Senhor dela? Não precisamos perder tempo discutindo isto, pois todos são verdadeiros. Assim deve ser conosco. Deus não é somente o Doador e Sustentador da nossa vida, Ele é também Senhor da vida; na verdade Cristo “é a nossa vida” (Cl 3:4).

“Deus da minha fortaleza” (Sl 43:2)

Não podemos viver para Deus na nossa própria força. Paulo diz: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Fp 4:13).

“Deus da minha misericórdia” (Sl 59:10)

Deus é verdadeiramente “rico em misericórdia” (Ef 2:4), e esta misericórdia está disponível a nós.

“Deus do meu louvor” (Sl 109:1)

Em vista de todas estas provisões, Davi sabia que o Senhor era digno do seu louvor. Ele também é digno do nosso louvor: “Portanto, ofereçamos sempre por Ele a Deus sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome” (Hb 13:15).

E assim, precisamos encerrar o capítulo, com mais uma citação de “Deus de …”: “Bendito seja o Senhor que de dia em dia nos carrega de benefícios; o Deus da nossa salvação (Selá)” (Sl 68:19).

 - Por David McAllister, Zâmbia

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