O Espírito Santo em Apocalipse

A importância da Pessoa e da Divindade do Espírito Santo é vista no fato que Sua primeira aparição nas Escrituras está no segundo versículo de Gênesis 1, e a última se encontra nos versículos iniciais do parágrafo final de Apocalipse 22. Entre esses dois pontos das Escrituras há muitas referências à Sua Pessoa Divina. Isso tem sido enfatizado através de todo este livro, enquanto cada um dos capítulos tem explorado a grande variedade de contextos e circunstâncias nas quais Ele é apresentado na Palavra de Deus. Nesse livro final da Bíblia, há vários aspectos fascinantes da Sua obra ainda a serem considerados, em relação à importância da Pessoa, presença e poder do Espírito Santo no futuro.

Encontramos um assunto de grande importância dispensacional no livro de Apocalipse, notando as passagens exatas onde a Pessoa ou ministério do Espírito Santo são mencionados. Uma leitura cuidadosa revela que há longas seções no livro onde a pessoa do Espírito Santo ou Sua atividade não são descritos nem mencionados. Esta característica é única entre todos os outros livros do Novo Testamento, e está em contraste com outras seções do livro, onde há contextos precisos onde encontramos claramente Seu nome e função. Vemos um exemplo conhecido disto ao contrastar as duas primeiras seções do livro com a terceira. Essas seções são mencionadas em Apocalipse 1:19, onde o escritor é instruído a dividir seus escritos em três partes, que são: cap. 1, que descreve “as coisas que tens visto” (e inclui a bem-conhecida visão de Cristo naquele capítulo); a segunda parte vai do começo do cap. 2 até o final do cap. 3 — ela descreve “as [coisas] que são” (incluindo a descrição e detalhes das mensagens às sete igrejas); a terceira parte começa em 4:1, que se inicia com o convite celeste para João: “Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer”.

Outro fator introdutório a ser considerado é o fato que o ministério do Espírito Santo é uma característica exclusiva da era presente, na qual aqueles que são salvos fazem parte da Igreja que é o Corpo de Cristo.

Essa grande verdade não era conhecida nos dias do Velho Testamento.

Vemos isso claramente nas palavras do apóstolo Paulo: “O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos Seus santos apóstolos e profetas” (Ef 3:5). O Corpo em si foi formado no Dia de Pentecostes: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, e todos temos bebido de um Espírito” (I Co 12:13). Um fato semelhante a esse é que o Espírito Santo habita pessoalmente em cada cristão de hoje. Isso não acontecia nos tempos do Velho Testamento, mas vai continuar até o Arrebatamento da Igreja. E não são somente os santos da Igreja que desfrutam dessa grande perspectiva, mas o próprio Espírito Santo: “E o Espírito e a esposa dizem: vem” (Ap 22:17).

Uma razão clara, mas simples, que explica esses fatos é vista imediatamente se reconhecermos que o principal motivo para a existência do livro de Apocalipse é indicado no seu título, que significa “revelação”.

A palavra grega apokalupsis significa literalmente “desvendar”. Durante os dias da vida e do ministério terrestre do Senhor Jesus houve uma revelação clara da Sua glória moral, mas embora os aspectos oficiais da Sua glória foram mencionados, eles estavam, em grande parte, ocultos. Assim, o motivo e o significado do livro de Apocalipse é revelar a Pessoa e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo, como Ele será visto nos dias futuros da Sua manifestação. Já aprendemos em outras partes desse volume que um ministério específico do Espírito Santo é glorificar e dar honra à Pessoa de Cristo. É compreensível, portanto, que neste último livro da Bíblia haja seções especiais em que esse ministério acontece.

A terceira e maior seção deste livro é dedicada às descrições dos juízos finais que serão derramados desde os Céus durante o período de sete anos comumente descrito como a “septuagésima semana de Daniel”. Os últimos capítulos apresentam cenas da vindicação de Deus e de Cristo, e da realização do propósito divino no Céu e na Terra.

O ministério singular do Espírito junto às igrejas

As menções ao Espírito Santo nestes três primeiros capítulos do Livro de Apocalipse são muito significativas na sua terminologia. O primeiro termo pelo qual essa Pessoa divina é apresentada é “os sete Espíritos que estão diante do Seu trono” (1:4). Uma consideração cuidadosa do contexto em que essa expressão aparece mostra que ela é, em primeiro lugar, uma evidência da divindade do Espírito Santo. Embora em muitas referências das Escrituras a ordem da divina Trindade seja Pai, Filho e Espírito Santo, a importância da mudança nestes versículos não deve ser ignorada. A inserção do Espírito Santo antes de Jesus Cristo evidencia claramente Sua igualdade e divindade. Se tivesse sido colocado em terceiro lugar, sua posição na frase seria usada por alguns como um apoio para a rejeição da verdade da Sua divindade. Com clareza, a introdução e saudação de João às sete igrejas invoca a bênção da parte de cada Pessoa divina dentro da Trindade, e o Espírito Santo é mencionado como estando no centro deste círculo divino. Uma apreciação disto mostra que o uso de termos tais como primeira e segunda Pessoa da Divindade é uma contradição da harmonia, unidade e igualdade que existe na Trindade.

Cada Pessoa divina é igualmente eterna e possui todos os atributos divinos.

Não há a menor indicação nas Escrituras de qualquer aspecto de inferioridade ou superioridade entre as Pessoas Divinas. A expressão singular, usada aqui dos sete Espíritos, não deve ser meramente ligada com o uso geral do número sete no livro de Apocalipse.

Ela traz a ideia da completa plenitude e fecundidade do Espírito de Deus. Isso pode ser traçado até no Velho Testamento, onde há menção clara do caráter sétuplo desta Pessoa Divina. Talvez a vidência

mais forte no Velho Testamento esteja no livro de Zacarias, quando o profeta viu o castiçal de ouro com as sete lâmpadas e os sete canudos junto com as duas oliveiras e perguntou: “Senhor meu, que é isto?”

A linguagem da explicação dada pelo anjo ao falar com o profeta foi bem clara: “Não sabes tu o que é isto? … Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:5-6). A passagem em Zacarias é também a base principal para ver o “azeite” como uma figura do Espírito Santo em várias partes das Escrituras. Outra menção do caráter sétuplo desta Pessoa Divina é a profecia de Isaías 11:2, onde é feita uma referência profética à vinda futura do Messias de Israel. Ali a unção da presença do Espírito Santo e Seu poder são prometidos para ungir o Cristo vindouro, e são delineados de uma maneira sétupla, e acerca disso J. Riddle* diz: “O versículo também explica a expressão ‘os sete espíritos de Deus’ (Ap 4:5). Sete é o número de plenitude e perfeição”.

A próxima menção do Espírito Santo se encontra em 1:10, onde é usado um termo mais familiar: “Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor”. Esta expressão tem sido interpretada de muitas maneiras, mas o ponto de vista mais comum é vê-la como uma descrição do dia da semana em que João recebeu a grande visão do cap. 1. É de conhecimento geral que o apóstolo João estava na ilha solitária de Patmos nesta ocasião, e é bom apreciar que, apesar da ausência de companhia humana, João estava vivendo no gozo de uma contínua comunhão com Deus.

Sem dúvida ele se lembraria dAquele em cujo seio ele havia reclinado, assim como das Suas palavras: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós” (Jo 14:18), e “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos enviará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14:16). Foi João quem lembrara e escrevera as muitas promessas dadas acerca do Espírito Santo.

Assim, João “estava no* Espírito” naquele dia. O ensino do Novo Testamento relativo ao cristão e ao Espírito Santo revela a proximidade e a intimidade deste relacionamento. Estes aspectos já foram tratados em outras partes deste livro, e agora só nos resta enfatizar o fato que se espera que cada cristão, hoje, viva e ande no Espírito e seja guiado pelo Espirito (Gl 5:16, 25). J. Allen† disse o seguinte sobre isso: A condição normal que se espera encontrar em todos os salvos é que estejam “no [em] Espírito” (Rom. 8:9), mas quando Deus usa homens como meios de comunicação, uma aptidão especial é dada, como vemos em Ef. 3:5: “agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” (literalmente “em Espírito”). A expressão “em Espírito” descreve aquela exaltação e separação de espírito efetuada pelo Espírito Santo, que capacitou João a tornar-se um meio de comunicação divina. Outra questão a ser considerada é em relação ao “dia” que está em vista. 

As duas principais alternativas são que esta expressão descreve o “primeiro dia da semana”, ou que descreve João sendo projetado, na sua visão, para o “Dia do Senhor”. Preferimos a primeira sugestão pelas seguintes razões:

• O adjetivo usado para descrever o dia do Senhor está expressando, literalmente, a ideia de um dia “senhoril". Não é sem importância que o único outro uso semelhante deste adjetivo numa construção gramatical como esta, no Novo Testamento, se encontra nas palavras escritas pelo apóstolo Paulo, descrevendo a Ceia do Senhor, que também é literalmente uma ceia “senhoril”. É bom notar a ligação entre as duas descrições, nas palavras escritas por Lucas: “E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão” (At 20: 7).

• O caráter da visão e suas circunstâncias estão mais intimamente ligados ao testemunho de Deus e Seu povo nesse dia da Graça, do que o Dia do Senhor, que é mencionado tanto no Velho quanto no Novo Testamento. O Dia do Senhor será caracterizado por juízo, em contraste com graça.

• As sete igrejas não são sinagogas judaicas, mas igrejas neotestamentárias.

Isso pode ser provado pelo uso da palavra grega ecclesia, como também pelo fato que Éfeso, o primeiro lugar mencionado e Laodicéia, o último, ambos eram lugares onde havia uma igreja local neotestamentária. Vemos Laodicéia mencionada duas vezes em Colossenses (2:1; 4:16).

Nos caps. 2 e 3 há uma série de sete mensagens específicas a sete igrejas neotestamentárias situadas na Ásia Menor. Elas geralmente são chamadas as cartas às sete igrejas. Cada uma e todas as mensagens completas às sete igrejas incluem uma aplicação que é única à circunstância e condição daquela igreja específica. No início do livro de Apocalipse fica claro que o livro todo é uma revelação do Senhor Jesus Cristo, que a recebeu de Deus, e a enviou por um anjo ao apóstolo João, acompanhada de sinais. A presente consideração não pretende expor tudo sobre cada carta, mas notar que nos dois capítulos temos oito referências específicas ao Espírito Santo. Sete aparecem exatamente no mesmo formato e são uma mensagem idêntica a cada igreja. Essa mensagem específica é dada uma vez a cada uma das sete igrejas endereçadas. A referência extra é dirigida exclusivamente à igreja em Sardes, e iremos considerá-la separadamente.

A mensagem a cada igreja é breve, mas muito importante: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (2:7, 11, 17, 29; 3:6, 13, 22). Essa exortação sétupla enfatiza dois pontos específicos; primeiro, que embora a carta seja dirigida à igreja toda, cabe a cada cristão na igreja local dar ouvidos ao ministério perscrutador, e segundo, que a mensagem é a voz do Espírito de Deus a todas as igrejas. Estas duas questões devem ser muito importantes a qualquer cristão exercitado; é muito importante, em toda a leitura pública e ministério da Palavra de Deus, que cada indivíduo esteja atento. Essa frase está enfatizando que o ouvido humano é apenas o instrumento através do qual a mensagem é recebida, mas a exortação é para que haja um exercício ativo de um verdadeiro ouvir e acatar aquilo que está sendo dito pelo Espírito de Deus.

Essa exortação, dada logo no início do dia da graça, ainda é importante para aqueles que estão vivendo agora, perto do seu final.

A segunda parte desta exortação é igualmente importante. Aqui é ensinado o fato importante que todo ministério bíblico é a voz do Espírito de Deus, portanto nenhum aspecto dele deve ser negligenciado. Ao filho de Deus não é permitido selecionar as verdades nas quais vai crer, e quais vai praticar, já que “toda Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (II Tm 3:16-17). Além disso, a frase que estamos considerando encerra com outra questão importante relacionada com ouvir a voz do Espírito Santo nas Escrituras. É o fato que, embora cada igreja individualmente tenha recebido uma mensagem específica, elas são instruídas a dar ouvidos a todas as sete mensagens. Isso torna cada carta importante a todos. Isso também destaca a importância de toda a Escritura inspirada. Cada parte da Bíblia completa deve ser lida e apreciada como a Palavra de Deus. A referência extra, mencionada mais cedo, é dirigida unicamente à igreja de Sardes: “E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz O que tem os Sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto” (Ap 3:1). Sabemos que o Senhor Jesus Se apresenta de uma forma diferente, com títulos diferentes, a cada uma das sete igrejas. Bem no começo da mensagem à igreja de Sardes, há uma ênfase específica no ministério e presença do Espírito Santo. Vemos isso na apresentação do Senhor Jesus à igreja como “O que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas”.

A condição da igreja em Sardes é dada como “prestes a morrer”. Havia pouca vida e pouco poder nesta igreja do Novo Testamento, e Aquele que a estava analisando o fazia no poder e sabedoria do Espírito de Deus. Foi somente a essa igreja que esse lembrete foi dado. Esse ministério poderoso a uma igreja local é revelado e explicado nos capítulos finais da primeira epístola aos Coríntios. Ali aprendemos que a igreja é a esfera da atividade e do ministério do Espírito. Isso já foi exposto neste livro, e sua importância deveria ser sempre apreciada por todo cristão que se reúne ao nome de nosso Senhor Jesus Cristo. É uma maravilha que não pode ser explicada, que nas reuniões da igreja podemos observar um dos fóruns do ministério do Espírito Santo na Terra. Devemos acrescentar que outra esfera importante do Seu ministério é o corpo físico de cada cristão.

O Dia do Senhor

Já notamos que o livro de Apocalipse se divide em três partes, uma divisão feita pelas palavras do Filho do Homem em 1:19. A primeira seção se cumpriu quando João viu a importante visão do Filho do Homem andando no meio dos sete castiçais. A segunda seção abrange o período do testemunho da igreja, descrito nos caps. 2 e 3; e embora as sete igrejas estejam em vista, fica claro que os dois capítulos descrevem o testemunho terrestre das igrejas locais do Novo Testamento nos dias de hoje. A terceira seção, a partir do cap. 4, começa depois do arrebatamento dos santos, e coincide com, e descreve, o Dia do Senhor. Este termo descreve o programa de eventos de juízo que acontecerão na Terra, afetando Israel e as nações. É predito no Velho Testamento e mencionado também no Novo Testamento. Na compreensão do presente escritor, um programa celeste também começa precisamente no mesmo tempo. É o Dia de Cristo, que é um período caracterizado por eventos que acontecerão no Céu. Estes acontecimentos incluirão o Tribunal de Cristo, seguido pelas Bodas do Cordeiro.

Logo percebemos que, imediatamente depois da Igreja deste período presente ser arrebatada para os Céus, Deus retomará Seus planos com a nação de Israel e com as nações em geral. Os caps. 4 e 5 do livro de Apocalipse proporcionam vislumbres do Céu e do Cordeiro glorificado, assim como dos santos da era presente, já que estes estarão com o Senhor depois do Arrebatamento. Há somente três menções do Espírito Santo nesta porção das Escrituras. A primeira, em 4:2, está simplesmente enfatizando o fato que a experiência espiritual na qual João estava ocupado era uma obra do Espírito Santo de Deus. A segunda e a terceira menção estão em 4:5 e 5:6. Ambas reforçam o fato anteriormente mencionado que, depois do Arrebatamento, a localização do Espírito Santo será o Céu e não a Terra, como é agora no período presente.

A frase “no Espirito” aparece quatro vezes no livro de Apocalipse, e cada referência revela uma experiência e revelação espiritual especificamente importante dada a João. A primeira está em 1:10, onde João recebe a grandiosa visão do Filho do Homem no meio dos sete castiçais de ouro. A segunda está em 4:2, onde João contempla a visão dos caps. 4 e 5, onde ele vê o Cordeiro no meio do trono, dos quatro animais e dos vinte e quatro anciãos. A terceira menção aparece em 17:3, onde ele vê a mulher assentada sobre a besta de cor de escarlata representando a Babilônia, a mãe das prostituições. A referência final é em 21:10, onde é concedido a João uma visão prévia da Noiva, a esposa do Cordeiro. Cada uma destas referências a estar “no Espírito” se referem a João na sua experiência de revelação divina. Depois da referência no cap. 5, não há menção direta do Espirito Santo, a não ser por uma menção em 11:3-4, onde lemos das duas testemunhas que aparecerão em algum momento perto da metade da septuagésima semana da profecia de Daniel 9. As testemunhas são descritas como “as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra” (Ap 11:4). A grande importância dessa passagem está relacionada ao fato que, durante um período de quarenta e dois meses, nos quais os gentios pisarão o solo sagrado do templo em Israel, Deus terá dois homens que manifestarão características sacerdotais em suas vidas e testemunho, e nenhum poder, satânico ou terreno, será capaz de resisti-los.

A menção indireta ao Espírito Santo está na referência às oliveiras e aos castiçais. O paralelo direto e óbvio está no Velho Testamento, em Zacarias 4:1-14, onde encontramos a única outra referência bíblica a duas oliveiras. Naqueles tempos sombrios em Israel, Deus levantou dois ungidos (Josué e Zorobabel, Zc 4:14), e o poder não era deles mesmos, mas vindo do Espírito Santo. Assim, no dia em que a habitação do Espírito Santo será os Céus, haverá dois homens na Terra cujo ministério será dado pela mesma Pessoa Divina. Naquele dia eles viverão suas vidas diante do Deus da Terra, e no poder e plenitude do Espírito Santo. O mesmo capítulo continua descrevendo muitos detalhes do que caracterizará esses homens e seu ministério singular naquele dia vindouro, e mais tarde, no v. 11, descreve o “espírito [“sopro”, NVI] de vida, vindo de Deus” entrando nas duas testemunhas, depois de haverem estado mortas por “três dias e meio”. Alguns veem nisso outra menção do Espírito Santo, mas é pouco provável que Ele esteja em vista aqui. Parece mais certo pensar que foi um milagre direto de Deus, ao devolver a estes homens a sua vida humana. A próxima referência ao Espírito Santo é quando João ouve a Sua voz falando desde o Céu: “E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem” (Ap 14:13). Sempre é interessante observar as sete bem-aventuranças do livro de Apocalipse, a primeira das quais está em 1:13, e a última em 22:14. Cada uma é de grande interesse, estando intercaladas entre as várias passagens proféticas. É bom saber que nos dias negros da experiência amarga de Israel, há bênçãos prometidas para aqueles que vencerem. A bem-aventurança no presente capítulo é a segunda da série completa, e embora essas palavras sejam muitas vezes aplicadas ao momento da morte do povo de Deus hoje, sua beleza e poder realmente pertencem àqueles de um período futuro. Muitos terão sido martirizados durante o reino da Besta. Isto é indicado nas palavras “Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor: Sim, diz o Espírito”. A própria característica de não estarem em Cristo distingue estes indivíduos futuros dos santos do presente. O Espírito Santo está aqui, do Céu, falando estas palavras de conforto e encorajamento para aqueles que hão de sofrer e servir e morrer, e suas obras certamente os seguirão. A referência final ao Espírito Santo no livro de Apocalipse se encontra em 22:17. A narrativa geral da parte central do livro já terminou no v. 5, e até o final do capítulo temos uma seção sobremaneira bendita, onde a voz do Senhor que está para vir é claramente ouvida, quando três vezes soa a gloriosa promessa: “Cedo venho” (vs. 7, 12, 20). O v. 17 se refere à grande antecipação da vinda do Senhor Jesus Cristo até os ares para o Arrebatamento. Ele descreve um notável desejo duplo pela Sua vinda, primeiro da parte do Espírito Santo, e depois da noiva do Cordeiro. Esta última claramente se refere aos santos do presente dia da graça, aguardando ansiosamente a chegada de Cristo aos ares. A primeira parte do versículo ensina, de forma igualmente clara, que o mesmo desejo é expresso pelo próprio Espírito Santo. Aquele que opera sobre a Terra na Igreja também anela pelo dia em que Ele mesmo será arrebatado. Esse será para Ele o dia glorioso da sua vitória ao entregar a Noiva ao Noivo. A figura de Gênesis 24 será então completa, e assim como o servo trouxe Rebeca em segurança a Isaque, assim também o Divino Servo de hoje terminará a Sua obra, cumprindo o propósito divino. Assim os santos do presente podem cantar em expectativa:

Ele e eu na glória excelsa Compartilharemos um profundo gozo;

Eu, de estar para sempre com Ele

Ele, de me ter ali!

E.F. Bevan

Por James R. Baker, Escócia

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