O ANTICRISTO

Depois de estabeleceu as almas dos Tessalonicenses na verdade no capítulo um da sua 2ª epístola, o apóstolo aborda o tema do erro no capítulo 2, mostrando o que tinha ocasionado as suas dúvidas. 
Respondendo ao erro e prevenindo os Tessalonicenses dos esforços enganadores dos sedutores, Paulo põe aqui tudo no seu lugar, apelando para as preciosas verdades de que tinha já falado. A reunião dos santos com Cristo, no ar uma prova inequívoca de que era impossível que o Dia de Cristo já estivesse vindo. Aliás, Paulo apresenta a tal respeito duas considerações: Primeira, o Dia não podia ter chegado, porque os Cristãos ainda não estavam reunidos com o Senhor - e, nesse dia, eles deviam vir com Ele; segunda, o Iníquo, que devia ser julgado, ainda não tinha aparecido, e, por isso, o Julgamento ainda não podia ser executado.
O apóstolo já tinha instruído os Tessalonicenses no que concerne ao Iníquo, quando estava em Tessalônica, e acerca do arrebatamento da Igreja, na sua epístola precedente. Para que o Senhor venha como Juiz, a iniquidade deve ter atingido o seu cúmulo, e a oposição aberta contra Deus deve ter sido manifestada. Mas a verdade tem um lado bem mais precioso do que este: Os santos devem estar na mesma posição que Cristo, devem estar reunidos com Ele, antes de Ele Se manifestar em glória aos de fora. Estas verdades exigem um exame mais pormenorizado.
A reunião com Cristo, antes de Ele ser manifestado, era uma verdade conhecida dos Tessalonicenses. Não é revelada aqui, mas é empregada como argumento. O Senhor Jesus deve vir, mas é impossível que Ele venha em glória sem a Sua Igreja. O Rei, sem dúvida, puniria os Seus súditos rebeldes; mas, antes de o fazer, queria levar para junto de Si aqueles que lhe tinham sido fiéis no meio dos infiéis, para os juntar Consigo e os honrar publicamente no meio dos rebeldes. Mas aqui o apóstolo não fala senão do próprio arrebatamento, e conjura os Tessalonicenses, por esta verdade, a não se deixarem perturbar nos seus pensamentos, como se o Dia já tivesse chegado. Esta verdade devia constituir, para os Cristãos, uma absoluta certeza, para que o apóstolo pudesse apelar para ela como para uma coisa bem conhecida e sobre a qual o coração se podia apoiar! A relação da Igreja com Cristo, a necessidade de ter uma posição semelhante à Sua, fazia do pensamento que o Dia já tinha vindo uma verdadeira loucura. 
Em segundo lugar, o fato, já conhecido, é confirmado, que, primeiro, deve vir a apostasia, e depois deve ser revelado o homem de pecado. Que solene verdade! Cada acontecimento toma o seu devido lugar. As formas e o nome do Cristianismo foram mantidos durante muito tempo, e os verdadeiros Cristãos foram desconhecidos; mas, por fim, deve haver um abandono público da fé - uma apostasia – e os verdadeiros Cristãos terão o seu verdadeiro lugar no Céu. 
Mas, além disso, deve erguer-se um personagem que realizará em pleno, no pecado, o carácter do homem sem Deus. 
E o homem de pecado - faz a sua própria vontade. E o Adão plenamente desenvolvido. E, incitado pelo Inimigo, opõe-se a Deus. O seu comportamento é uma inimizade declarada contra Deus. Eleva-se acima de tudo o que usa esse Nome, e apresenta-se como Deus no templo de Deus. Há, pois, apostasia, quer dizer abandono abertamente declarado do Cristianismo em geral, e um indivíduo que resume na sua pessoa, quanto ao princípio de iniquidade, a oposição contra Deus.
Notar-se-á que o carácter do Iníquo, aqui, é religioso, ou antes, antirreligioso, e não se fala de um poder secular, de um poder do mundo, seja qual for a sua iniquidade. O homem de pecado dá-se um carácter religioso, exalta-se a si próprio contra o verdadeiro Deus; apresenta-se a si próprio como sendo Deus, no templo de Deus. Note-se que tudo aqui tem ligar sobre a Terra. O Iníquo não pretende ser um Deus de fé. Mostra-se como um Deus para a Terra. A profissão do Cristianismo fui abandonada. Em seguida o pecado caracteriza um indivíduo, um homem que leva ao máximo a apostasia da natureza humana e que, como homem, proclama a sua independência de Deus. O princípio do pecado no homem é a sua vontade própria. Procede, como vimos já, da rejeição do Cristianismo. Sob este aspecto também o mal atinge o seu cúmulo.
Esse homem de pecado exalta-se acima de Deus, e, assentando-se no templo de Deus, como Deus, lança o desafio ao Deus de Israel. Este último traço revela-nos o carácter formal desse personagem. Está em conflito com Deus, colocando-se publicamente na posição de Deus – a presentando-se a si próprio como sendo Deus no templo de Deus. É o Deus de Israel quem fará justiça, quem mostrará a verdade, quem tomará vingança sobre ele. 
Cristianismo, Judaísmo, religião natural, tudo será rejeitado. 
O homem toma um lugar na Terra, exalta-se acima de tudo, em oposição a Deus, e, em particular, arrogar-se (porque o homem tem necessidade de um Deus, de qualquer coisa para adorar) o lugar e as honras de Deus - e do Deus de Israel! (1).
 
Estes versos apresentam-nos o Iníquo em conexão com o estado espiritual do homem e com as diversas relações em que o homem se tem encontrado com Deus. Em todas essas relações ele se mostra apóstata, até se arrogar o lugar do próprio Deus - o primeiro objeto da ambição humana e a primeira sugestão de Satanás para se apossar do homem. 
A seguir encontramos não o estado de apostasia acerca das posições em que Deus colocara o homem, mas o homem simplesmente, insubordinado, e a obra de Satanás. O homem é o vaso do poder do Inimigo. 
O homem em quem se encontra a plenitude da divindade, o Senhor Jesus, e o homem cheio da energia de Satanás estão em oposição um com o outro. Antes havia o homem mau, exaltando-se a si mesmo, que abandonava a Deus; agora há oposição contra Deus da parte do homem insubordinado, inspirado pelo próprio Satanás. Por consequência é-nos apresentado, não como "o Mau", mas como o Iníquo "aquele que é sem lei, insubordinado". O princípio que se encontra expresso nestas duas denominações é o mesmo, porque o pecado é ser insubordinado (ver Ia de João 3:4). 
Mas, sob o nome de "Mau", o homem é considerado no seu abandono de Deus e na sua culpabilidade; sob o nome de Iníquo" é considerado como não conhecendo senão a si próprio.
Há ainda uma barreira para obstar ao desenvolvimento desse estado em que todo o obstáculo será removido. O apóstolo tinha já falado aos Tessalonicenses da apostasia e da aparição do homem de pecado. Diz-lhes agora que eles deviam conhecer o impedimento que era posto ao progresso do mal, para impedir que ele fosse manifestado antes do tempo determinado. Paulo não nos diz que lhes tivesse dito qual era esse obstáculo, mas eles deviam sabê-lo. Conhecendo o carácter do Iníquo, a barreira revelava-se por si mesma. O ponto capital aqui é que havia um impedimento, uma barreira. O princípio do mal operava já; apenas um obstáculo impedia o seu pleno desenvolvimento, seria uma vontade sem limites - vontade que se exalta e se opõe a tudo (2).
 
Sendo a vontade própria e sem limites o princípio do mal, o que reprime essa vontade é a barreira que lhe é oposta. 
Ora o Iníquo exalta-se acima de tudo o que usa o Nome de Deus, ou a que seja prestada homenagem; portanto, o que reprime é o poder de Deus atuando em governação neste mundo, como tendo autoridade da parte de Deus. Nem o maior abuso do poder o pode privar deste último carácter.
Cristo pôde dizer a Pilatos: "Nenhum pode terias contra mim, se de Cima te não fosse dado" (João 19:11). Por muito mau que Pilatos fosse, o seu poder é reconhecido como vindo de Deus. Assim, embora os homens tivessem rejeitado a crucificado o Filho de Deus, de sorte que a sua iniquidade parecia ter atingido o cúmulo, a barreira subsistia ainda em pleno. Depois, tendo Deus enviado o Seu Espírito, forma a Igreja, e, embora o mistério da iniquidade ente imediatamente em ação, misturando a vontade do homem com o culto de Deus em Espírito, Deus tem sempre tido e tem ainda o objeto dos Seus cuidados sobre a Terra. 
O Espírito Santo tem estado aqui, na Terra; a Igreja, seja qual for o seu estado, está ainda na Terra, e Deus tem mantido a barreira. E como o porteiro tinha aberto a porta a Jesus, apesar de todos os obstáculos, Ele mantém tudo agora, sejam quais forem a energia e o progresso do mal. O mal está refreado; Deus é a fonte da autoridade sobre a Terra. 
Há alguém que se opõe, até que se retire. Ora quando a Igreja (quer dizer, a Igreja formada pelos verdadeiros membros de Cristo) tiver deixado a Terra, e, por consequência, o Espírito aqui, a apostasia tomará lugar (3), e é chegado o tempo de levantar a barreira; o freio que restringia o mal será tirado, e finalmente, embora nos não seja dito quando tempo tomará o desenvolvimento do mal, este formula-se no seu chefe: A Besta sai do abismo. Satanás (e não Deus) dá-lhe a sua autoridade; e, na segunda Besta, concentra-se toda a energia de Satanás. O homem de pecado está ali.
Trata-se, nesta epístola, de um poder exterior e secular; mas, do lado religioso, de energia de Satanás.
Quando aos instrumentos individuais que formam a barreira, podem mudar a todo o momento, e o Espírito Santo não tinha o propósito de os nomear. O que constituiria um obstáculo quando Paulo escreveu que teria um valor significativo agora; assim, se ele tivesse nomeado o que representava então o obstáculo, isso não nos serviria de nada no tempo presente. O que a Palavra de Deus tem em vista é ensinar-nos que o mal, que havia de ser julgado, operava já naquele tempo e que não havia esperança de o curar; havia apenas uma barreira, levantada por Deus, que impedia o pleno desenvolvimento do mal - princípio este sumamente importante para a História do Cristianismo.
A apostasia dos homens que abandonam a graça, seja qual for a forma que ela tome, é necessariamente, mais absoluta do que qualquer outra. Uma tal apostasia é a oposição contra o Senhor. Os que dela são culpados têm o carácter de inimigos. Os outros princípios de iniquidade humana por qualquer coisa entram no seu desenvolvimento, mas esta oposição é a causa da "destruição". Rejeitam a bondade de Deus; são Seus inimigos! "O que detém", em geral, é um instrumento, um meio que impede a revelação do homem de pecado, do Iníquo. 
Enquanto a Igreja estiver na Terra, a pretensão de ser Deus no templo não pode ter lugar, ou, pelo menos, não teria nenhuma influência. Satanás tem a sua esfera de ação, e é forçado a encontrá-la no mistério da iniquidade. Mas já não haverá mistério quando o Iníquo se apresentar abertamente como Deus no Seu templo. O que detém está ainda aí, mas há uma Pessoa ativa para manter essa barreira. Efetivamente, penso que é Deus, na Pessoa do Espírito Santo, que durante o tempo chamado "as coisas que são detém o mal a garante a autoridade divina no mundo. Enquanto esta autoridade subsistir, a exaltação sem limites da iniquidade não poderá Ter lugar. Por conseguinte, não duvido de que o arrebatamento dos santos não seja a ocasião de levantar a barreira e o freio que até então tinha contido o homem - embora depois haja caminhos de Deus que se desenvolvem antes da plena manifestação do mal. 
Este pensamento não assenta somente sobre grandes princípios; a própria passagem que agora estudamos fornece elementos que mostram qual será o estado de coisas quando o poder do mal se desenvolver. Primeiro, a apostasia já terá chegado. Isto não poderia ser dito, se o testemunho da Igreja subsistivesse, como no passado, ou o seu testemunho fosse ainda mais belo, despojado já de todo o elemento falso e corruptor. Segundo, a autoridade, considerada como estabelecida por Deus, já não reprime a vontade do homem em Nome de Deus; desapareceu de cena, porque o Iníquo se exalta contra tudo o que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.
Ver o Salmo 82, onde Deus se mantém entre os deuses (juízes), para o julgar, antes de herdar de todas as nações.
Antes de chegar essa hora solene em que Deus julga os juízes da Terra, esse Iníquo, desprezando toda a autoridade que vem de Deus, se arroga o lugar do próprio Deus - e isto sobre a Terra, onde o Julgamento se manifestará. E depois, terceiro, em lugar do Espírito Santo e do Seu poder manifestado
sobre a Terra, encontramos o poder de Satanás, e encontramo-lo precisamente com os mesmos sinais que prestaram testemunho à Pessoa de Cristo. De sorte que a própria passagem, quer no que diz respeito ao homem quer no que concerne ao Inimigo, nos apresenta, nos três pontos de que falámos, a plena confirmação dos pensamentos que acabamos de expor.
A Igreja os poderes estabelecidos por Deus sobre a Terra, o Espírito Santo aqui presente, como Consolador em lugar de Jesus, têm todos (pelo que respeita à manifestação do governo e da obra de Deus) dado o lugar ao homem voluntarioso, sem freio, e ao poder do Inimigo.
Ao dizermos isto, falamos da esfera da profecia que agora estudamos e que, aliás, abarca a esfera do testemunho público de Deus sobre a Terra.
Definitivamente, encontramos, pois, aqui o homem e a sua própria natureza, tal como ela se revelou no abandono de Deus, levando até ao fim a ação da sua vontade em rebelião contra Deus - o homem voluntarioso. A posição assim tomada pelo homem progride como resultado da apostasia em que ele cai ao abandonar a posição que lhe foi dada por graça e na qual a Igreja se encontrava colocada.
Esse progresso tem lugar pelo desprezo de toda a autoridade governamental de Deus sobre a Terra. E uma vez que essa autoridade se tinha mostrado direta a propriedade na Judeia, esse desprezo e o espírito de rebelião no homem que se eleva acima de tudo (mas que não pode ser celestial, porque o Céu e toda a pretensão ao Céu são abandonados pelo homem e perdidos por Satanás) revelam-se no facto de o homem tomar o lugar de Deus no Seu templo, sob a forma mais avançada da apostasia e da blasfémia judaicas. Ao mesmo tempo, Satanás, a quem Deus lançou o freio, atua com um poder, certamente enganador, mas que diante dos homens, lhe prestará um testemunho semelhante àquele que as obras de Cristo prestaram ao salvador. Ele atua ao mesmo tempo com toda a habilidade que a iniquidade tem para seduzir. É no Iníquo, no homem sem lei, que Satanás opera estas coisas. O progresso da última parte desta cena tão solene será tratado, se Deus quiser, em Apocalipse. Podemos, no entanto, acrescentar que ali se encontra esse Iníquo como sendo o falso Messias, e em particular como falso profeta, na forma do seu reino - tendo dois chifres semelhante aos de um cordeiro. Satanás fora precipitado do Céu, onde tinha sido anti-sacerdote; e agora arroga-se os títulos de Cristo sobre a Terra, como rei e sacerdote. Em Daniel 11, aparece como rei; aqui aparece como o homem insubordinado, e em particular como resultado da apostasia (4) e da manifestação do poder de Satanás. 
 
Numa Palavra, sem lugar da Igreja, a apostasia; em lugar do Espírito Santo, Satanás; e em lugar da autoridade de Deus, como freio a reprimir o mal, o homem insubordinado apresenta-se como sendo Deus sobre a Terra.
Uma outra circunstância, já mencionada, requer um pouco mais de atenção. Eu disse que o Iníquo se apresenta como Messias, quer dizer, sob dois caracteres do Messias, o Rei e o de Profeta, que são só Seus caracteres terrestres.
No Céu, Satanás já não tem mais nada a fazer, pois foi expulso dali, de sorte que não se trata da imitação do Sumo Sacerdócio do Senhor. A este respeito Satanás tinha, na sua própria pessoa, desempenhado um outro papel: Tinha estado anteriormente no Céu como acusado dos irmãos, mas estando a Igreja em Cima, esse acusador é dali expulso para nunca mais lá voltar. É então que ele se faz profeta e rei num homem por ele inspirado. Ora, nesse carácter, ele faz, embora mentindo, coisas semelhantes àquelas que têm demonstrado perante os homens a verdade da missão de Jesus da parte de Deus - as mesmas coisas pelas quais ficava provado que a missão de Jesus era divina (ver Atos 2:22).
No Grego, as palavras são idênticas (5).
 
Recordarei aqui um outro solene facto para completar este quadro. Na história de Elias encontramos que a prova da divindade de Baal ou de Jeová assenta no facto de que os seus respectivos servos farão descer o fogo do Céu. Ora, no capítulo 13 de Apocalipse aprendemos que a segunda Besta faz descer o fogo do Céu diante dos homens. De modo que encontramos aqui as maravilhas que legitimaram a missão do Senhor, e ali o que demonstrou que Jeová era o verdadeiro e único Deus. E agora Satanás imita-Os para enganar os homens.
Isto pode dar-nos uma ideia do estado em que os homens se encontrarão e indica-nos também que esses acontecimentos terão lugar entre os Judeus, sob a dupla conexão da sua relação com Jeová, por um lado, e, por outro, da sua rejeição de Cristo e da recepção do Anticristo.
Assim, graças a Deus, é abundantemente confirmada a verdade de que não se trata da Igreja, mas sim daqueles que tendo tido ocasião de aproveitarem da verdade, a rejeitaram, e amaram a iniquidade. Já não se trata dos Pagãos, mas sim daqueles em cujo meio a verdade foi precedentemente anunciada (6).
 
(Aqui indico apenas a relação entre o abandono do Cristianismo e o pregresso do Judaísmo apóstata, os quais estão unidos na rejeição do verdadeiro Cristo e na negação do pai e do Pai e do Filho. São estes dos traços dados na Primeira Epístola de João como características do Anticristo. E estou convencido de que quanto mais a Palavra de Deus foi examinada mais se verá, talvez com espanto, que este fato se confirma. Aliás, o retorno ao Judaísmo e a tendência para a Idolatria, pela introdução de outros mediadores e patronos, pelo esquecimento da nossa união com a Cabeça e também da nossa perfeição e libertação e libertação da lei em Cristo, têm sempre caracterizado o ministério de iniquidade e o princípio de apostasia. É o que apóstolo teve de combater incessantemente. Aquilo de que falamos mais acima é disso a plena manifestação).
Não quiseram aceitar a Verdade e agora Deus envia-lhes na mentira e uma energia de erro, para que eles creiam na mentira. Faze-o em Julgamento. Fê-lo a respeito das nações (Romanas 1:24,26,28); fê-lo a respeito dos Judeus (Isaías 6:9-10); faze-o aqui a respeito dos cristãos nominais. Somente, esta passagem da Epístola aos Tessalonicenses aplica-se aos Judeus (considerados como nação) que rejeitaram a Verdade o testemunho do Espírito Santo (Atos 7) – mas ainda mais aos cristãos (de nome) e a todos aqueles a quem a Verdade tiver sido apresentada.
No caso dos cristãos nominais, o seu estado toma necessariamente o carácter de apostasia, ou, pelo menos, liga-se a essa apostasia e dela é a consequência, tal como o verso 3 no-lo ensina. Vem a apostasia e em seguida é revelado o homem de pecado.
Em relação com o seu carácter de homem de pecado, ele apresenta-se insubordinado, como sendo Deus no templo de Deus (7). 
 
Em relação com o poder enganador de Satanás e o seu eficiente trabalho, apresenta-se sob o carácter de Cristo - é o Anticristo. Reveste, por conseguido, um caráter judaico. Não é só o orgulho do homem, erguendo-se contra Deus, mas também o poder de Satanás no homem, seduzindo os homens e em particular os Judeus, por meio de um falso Cristo, e isto de tal modo que, se fosse possível, os próprios eleitos seriam enganados. Podemos notar que todos os traços do carácter do Iníquo são precisamente o oposto de Cristo: Mentira em lugar de Verdade; iniquidade em lugar de Justiça; perdição em lugar de Salvação. E a um tal poder de mentira e de destruição que o homem, tendo abandonado o Cristianismo e tendo-se exaltado orgulhosamente contra Deus, será entregue. A apostasia (isto é, o abandono do Cristianismo) será a ocasião desse mal; a Judéia e os Judeus será a cena onde esse mal amadurecerá e se expandirá positivamente. 
O Anticristo negará o Pai e o Filho, quer dizer, o Cristianismo negará que Jesus seja o Cristo - é a incredulidade judaica. Tendo sobre ele o peso do pecado contra o Cristianismo, contra a graça e contra a presença do Espírito Santo, aliar-se-á com a incredulidade judaica para que não haja só toda a expressão do orgulho do homem, mas também por um tempo a influência satânica de um falso Cristo que firmará o trono de Satanás entre os Gentios, ocupado pela primeira Besta à qual foi dada a autoridade do dragão; e ele erguerá o seu próprio trono, subordinado ao da primeira Besta, no meio dos Judeus, apresentando-se como sendo o Messias, que a incredulidade deles espera. Ao mesmo tempo introduzirá a idolatria, o espírito impuro, saído há muito tempo, e que volta agora à sua casa, vazia de Deus.
Quando à sua destruição, o Senhor Jesus o consumirá pelo sopro da Sua boca e o aniquilará pela manifestação da Sua presença ou da sua Vinda. O primeiro meio empregado pelo Senhor caracteriza o Julgamento; é a Palavra de Verdade aplicada em Julgamento, segundo o poder de Deus. 
A espada sai da Sua boca, diz o livro de Apocalipse. Aqui o Senhor não é apresentado sob o aspecto de um guerreiro, como no capítulo 19 de Apocalipse. "O sopro da Sua boca" é este poder interior e divino que inflame, que executa o Julgamento. Não é um instrumento, é a fonte divina de poder. Executa o Julgamento por uma palavra (ver Isaías 30:33). Mas há um outro aspecto desse Julgamento: O Senhor, o Homem Jesus volta. O Seu regresso tem duas partes: A chegada, para juntar a Si a Sua Igreja, e a manifestação pública, em glória, desse regresso.
No primeiro verso deste capítulo lemos acerca da sua vinda e da nossa reunião com Ele, e agora, no verso 8, trata-se da manifestação pública da Sua presença na Criação. Quando tiver lugar essa manifestação pública da Sua vinda Ele aniquilará toda a obra e todo o poder do Iníquo. O Homem, outrora obediente sobre a Terra, exaltado por Deus, efeito Senhor de tudo, aniquila o homem insubordinado que se elevou a si mesmo acima de tudo e se fez Deus, em lugar de obedecer a Deus.
Este mal, pelo que concerne à influência de Satanás, operava já no tempo do apóstolo; simplesmente, essa influência foi reprimida e contida até que. Aquele que a reprimia esteja fora de cena. Então o Iníquo será revelado.
Em resumo, é preciso primeiramente que a Igreja seja arrebatada e que a apostasia se concretize; depois esse homem apresentar-se-á como um apóstata judeu, e o poder de Satanás desenvolver-se-á nele (8). 
 
Não digo que o seu primeiro aparecimento seja a apostasia do Judaísmo; não o creio. Ele há-de apresentar-se aos Judeus como sendo o cristo, mas segundo as suas próprias esperanças e as suas próprias paixões. E depois será uma apostasia mesmo judaico, como já, embora parcialmente, tinha tido lugar nos dias dos Macabeus. No capítulo 11 de Daniel, o Espírito usa a apostasia, que se desenvolveu no tempo dos Macabeus, como uma imagem precursora do tempo do Anticristo. Este é, desde o seu início, incrédulo e inimigo de Deus, apóstata quanto à Igreja e negando que Jesus seja o Cristo. 
João ensina-nos de modo claro e inequívoco que a negação do Cristianismo e a incredulidade judaica se reuniam no Anticristo.
Parece que a apostasia, quanto ao Cristianismo, e a incredulidade judaica se aliam entre si e caminham juntas. 
Depois a apostasia judaica e a rebelião aberta contra Deus produzem o grito do Remanescente - e o Senhor vem; tudo será então acabado. Ora, o apóstolo (capítulo 2:3-4) apresenta o quadro completo da iniquidade do homem desenvolvida a seguir à apostasia, quanto à graça do Evangelho (a saber, que o homem se eleva até se fazer Deus), sem tocar o lado judaico, nem o manifestado poder de Satanás. Os versos 3 e 4 apresentam-nos o homem de pecado e seguir à apostasia, que rebentará no seio da Cristandade. O verso 9 começa um ensinamento à parte, onde o apóstolo anuncia que a vinda desse Iníquo está também em relação imediata com um poderoso desenvolvimento da energia de Satanás, que seduz os homens por meio de sinais e pela eficácia do erro a que Deus os terá entregado, e de que já falamos. É o homem e Satanás que nos são especialmente apresentados nesta epístola, com elementos que bastam para nos mostrarem a ligação do Iníquo com o Judaísmo, nos últimos dias - como o ministério da iniquidade se ligava ao Judaísmo, no tempo do apóstolo, sem que a alusão a esses elementos seja a ocasião de dar pormenores acerca do progresso judaico do mal. É preciso procurar os pormenores noutro lado, onde eles estão no seu lugar, por exemplo no Livro de Daniel. O Apocalipse e a Primeira Epístola de João fornecem-nos os meios de que carecemos para juntarmos esse elementos humanos, judaicos e satânicos. Nós, aqui, apenas indicamos essa ligação.
Ora, essa influência satânica exerce-se sobre aqueles que rejeitaram a Verdade. O apóstolo pensava de modo muito diferente acerca dos Tessalonicenses, aos quais ele tinha dado cabais explicações acerca do Dia que eles pensavam ter já chegado. Deus tinha, desde o princípio, escolhido esses "irmãos amados do Senhor" para a salvação na santidade do Espírito e na fé da Verdade, para que Ele nos tinha chamado pelo Evangelho de Paulo e dos seus companheiros, para que obtivessem a glória do Senhor Jesus.
Que diferença entre este estado espiritual dos Tessalonicenses e a visita terrível do Dia do Senhor e as circunstâncias de que o apóstolo tinha falado! Nesse dia os Tessalonicenses serão do número dos companheiros do próprio Senhor Jesus. 
Não há nada de muito particular nas exortações do apóstolo. O que sobretudo lhe. interessava era dar-lhes a explicação que nós acabamos de considerar. Ele pede agora que Deus e o próprio Senhor Jesus, que tinham dado aos santos de Tessalônica as certas e eternas consolações do Evangelho, os consolassem e os confirmassem em toda a boa obra e em toda a boa palavra.
 
1) Em 1ª João 2, vemos o duplo caráter do Anticristo em relação ao Cristianismo e ao Judaísmo. Nega o Pai e o Filho, rejeitando por isso o Cristianismo; nega que Jesus é o Cristo, o que implica a incredulidade judaica. O seu poder e a operação de Satanás, como vemos aqui. Como homem, arvora-se em Deus, de sorte que a sua impiedade é manifesta de toda a maneira. Como a questão dizer respeito de toda a maneira. Como a questão diz respeito sobretudo à Terra, Aquele que o julga é o Deus da Terra, que é ao mesmo tempo o Homem vindo do Céu.
 
2) Repare-se no que nos é dito aqui. Tudo estava já pronto e completo no tempo do apóstolo, havendo apenas um travão. De igual modo Cristo estava pronto para julgar. Somente a paciência de Deus espera enquanto é o tempo agradável.
 
3) Este princípio pode ser ativo num grande número de indivíduos, porque, em Ia de João 2, a apostasia tinha começado, mas a manifestação aberta e pública ainda está para vir. Judas fala da sua introdução furtiva entre os fiéis para produzir a corrupção. João fala da sua surtida no mundo como caracterizando o Anticristo. 
 
4) Poderemos notar que a apostasia se desenvolve segundo as três formas sob as quais o homem tem estado em relação como Deus: Segundo a natureza ele é o homem de pecado, insubordinado, que se exalta; no Judaísmo - ele coloca-se como Deus no templo de Deus; pelo que respeita ao cristianismo - é a este que o termo "apostasia" se aplica diretamente nesta passagem.
 
5) Somente a palavra para "milagre" ou "poder" está no plural em Atos 2.
 
6) Dada a sua extensão, incluímos esta nota no texto, já a seguir, entre parêntesis.
 
7) Este é o ponto culminante do seu carácter como apóstata que abandonou a graça. Os versos 9 e seguintes desenvolvem a sua atividade positiva e enganadora para ganhar os homens. Esta atividade explica a mistura (mistura que, de resto, se encontra mui vulgarmente) de ateísmo e de superstição.
 
8) Também aqui, dada a sua extensão, incluímos esta nota no texto, já a seguir, mas entre parêntesis retos.
 
 
Por John Nelson Darby
 
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