Depois que alguém descobre que esteve participando de uma comunhão cristã cuja ordem é em grande parte inventada pelo homem, e se separa dela, sua pergunta pode muito bem ser: "Aonde ir?". Depois de vermos todos os nomes e divisões na desordem existente na cristandade, é esta a pergunta que nos aflige. Mas, sem dúvida alguma, a resposta é: "a Deus e à palavra da sua graça" (At 20:32). 
É na Palavra de Deus que devemos procurar a Sua vontade. Se concordarmos que a Palavra de Deus deve ser o guia do Cristão, então devemos buscar a Sua Palavra a fim de encontrar a ordem bíblica.
Em vista disso, perguntamos: "Em que denominação a Palavra de Deus diz que devo ingressar?" A resposta é óbvia: em nenhuma, pois a Palavra de Deus não nos fala de ingressarmos em denominações! Portanto, fica bem claro que não posso pertencer a uma denominação, seja ela qual for, pois ao fazê-lo eu estaria me colocando em uma posição na qual a Palavra de Deus não me colocou.
 
O padrão da igreja apostólica 
Quando nos voltamos a Deus e à Palavra da Sua graça, descobrimos que Ele não nos deixou sem luz acerca do assunto. "Aos retos nasce luz nas trevas" (Sl 112:4; Sl 119:105; 130). Se estivermos verdadeiramente retos neste sentido, Ele irá nos mostrar. A Sua Palavra nos diz: "E o amor é este: que andemos segundo os Seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, que andeis nele" (2 Jo 6).
Este é um grande princípio que irá nos guiar neste assunto. Ele indica que em um dia de abandono e confusão, quando a má doutrina e as práticas nocivas permeiam o testemunho cristão (pois é este o contexto da Segunda Epístola de João – veja os versos 7-11), devemos retornar àquilo que era "desde o princípio" – aos primeiros fundamentos do cristianismo. Precisamos buscar a Palavra de Deus e vermos como a igreja se reunia para a adoração e o ministério nos dias dos apóstolos, e adotarmos isso como nosso padrão. A igreja NÃO aparece no Antigo Testamento Quando buscamos a Palavra de Deus para estudar a ordem e função da igreja, devemos nos ocupar do Novo Testamento, e particularmente das epístolas. É ali que a verdade da igreja é revelada. Uma das principais chaves para se entender o que é a igreja está em perceber que ela não faz parte da revelação do Antigo Testamento. Cristo e Sua igreja formam o grande mistério de Deus (Ef 5:32). O sentido bíblico de um "mistério" não é de algo misterioso e difícil de entender, mas sim de um segredo que Deus manteve escondido desde antes que o mundo fosse formado (Rm 16:25).
Agora que o segredo foi revelado, não é algo difícil de se entender.
O grande segredo do propósito eterno de Deus era que, quando Israel viesse a rejeitar o Messias, e consequentemente fosse deixado de lado por algum tempo nas disposições governamentais de Deus, o Espírito Santo reuniria, por meio do evangelho, crentes judeus e gentios de todas as nações para formar uma nova companhia celestial de santos. Estes estariam unidos a Cristo como Seu corpo e noiva. Isso ficou escondido no coração de Deus, e não foi revelado no Antigo Testamento (Ef 3:9). Aqueles que viveram em outras épocas desconheciam isso por completo, pois era algo que só começaria no dia de Pentecostes (Mt 16:18; At 2:1-3, 47; 11:15). Esse se-gredo, portanto, não foi levado ao conhecimento dos homens até a época do Novo Testamento, e isso através do ministério especial do apóstolo Paulo (Ef 3:2-5, 9; Cl 1:24-27). 
O mistério não está na Pessoa de Cristo, nem em Sua vida perfeita como Homem neste mundo, nem em Sua morte e ressurreição, e tampouco em Sua vinda para reinar neste mundo em poder e glória. Todas estas coisas foram mencionadas nas Escrituras do Antigo Testamento. O maravilhoso segredo, que agora foi revelado, é que Cristo teria um complemento (a igreja – o Seu corpo e noiva) ao Seu lado em um dia vindouro quando Ele iria reinar publicamente sobre este mundo. Do dia de Pentecostes até a vinda de Cristo (Arrebatamento), Deus está chamando pessoas para fora de todas as nações por intermédio do evangelho, para que façam parte deste maravilhoso privilégio (At 15:14). 
Portanto, ao enxergarmos que a verdade da igreja não tem qualquer parte no Antigo Testamento, não nos voltamos a ele para aprender como a igreja deve adorar e nem como deve funcionar administrativamente, já que ela não aparece ali. Este é um ponto extremamente importante. Trata- e de algo que muitos cristãos não percebem. 
 
Para o cristão o Antigo Testamento é um livro de tipos e figuras 
Não queremos dizer com isto que o Antigo Testamente não deva ser lido pelos cristãos, muito pelo contrário. 
"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça" (2 Tm 3:16). O Novo Testamento deixa claro que "tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Rm 15:4). Isto nos mostra que apesar do Antigo Testamento não ter sido endereçado a nós cristãos, ele foi escrito para nós. É da maior importância vermos que, além das questões morais (pois para Deus elas nunca mudam), a maneira como os cristãos devem ler e aplicar o Antigo Testamento é como tipo e figura. As coisas que foram registradas nas Escrituras do Antigo Testamento são agora tipos e figuras para nós cristãos (1 Co 10:11; Hb 8:5; 9:9, 23-24; 10:1; 11:19; 1 Co 9:9-10; Gl 4:24; Rm 4:23; 5:14; Jo 5:39; Lc 24:27, 44). Somos instruídos pelo Antigo Testamento através do aprendizado dos princípios básicos que ele contém. 
 
O judaísmo NÃO É um padrão para a adoração cristã 
Apesar de o judaísmo não ser um padrão para a adoração cristã, as igrejas na cristandade têm ignorado o ensino claro das Escrituras que mostra que o tabernáculo é uma figura do verdadeiro santuário ao qual agora temos acesso pelo Espírito (Hb 9:8-9, 23-24). Mesmo assim, as igrejas têm usado o tabernáculo como um padrão para suas construções. As igrejas emprestaram muitas coisas do Antigo Testamento para introduzi-las literalmente em seus lugares de adoração e cultos religiosos, perdendo de vista o verdadeiro significado delas. A cristandade erigiu magníficos edifícios e catedrais usando o padrão do templo do Antigo Testamento. É comum essas construções receberem o nome de "Templo" ou "Tabernáculo" para permanecerem alinhadas ao judaísmo do Antigo Testamento. Algumas denominações chegaram ao ponto de separar uma parte dessas construções como se fosse um lugar mais santo do que o resto da construção, chamando-o de "Santíssimo" ou "Santuário", como acontecia no tabernáculo do Antigo Testamento. Tudo isso mostra que há muito tempo os cristãos perderam de vista o fato de que hoje a casa de Deus é uma "casa espiritual" construída de pessoas redimidas (1 Co 3:9; Ef 2:19-22; Hb 3:6; 1 Pd 2:5), e não uma casa material no sentido literal da palavra. 
 
Esta é uma lista de algumas coisas que a igreja emprestou do judaísmo:
 
• O uso literal de templos e catedrais como lugares de adoração
• Uma classe especial de homens que exercem seu ofício a serviço da congregação
• O uso de instrumentos musicais para ajudar na adoração
• O uso de um coral
• O uso de incenso para criar uma atmosfera espiritual O uso de vestes religiosas pelos "Ministros" e membros do coral
• O uso de um altar literal (sem sacrifícios) A prática do dízimo 
• A observância de dias santos e festas religiosas
• Um rol de membros com os nomes dos que estão congregados
 
É verdade que muitos desses elementos judaicos foram alterados de alguma forma para se adaptarem ao contexto cristão, mas eles continuam carregando os adornos do judaísmo. Esse tipo de influência judaica, com seus princípios e práticas, per meou a igreja. Muito disso tem estado associado ao cristianismo há tanto tempo que já foi aceito pelas massas como se viesse de Deus. A maioria das pessoas acha bom ter essa mistura judaico-cristã. Infelizmente, misturar essas duas ordens distintas de se aproximar de Deus destruiu a distinção original que existia em cada uma delas, fazendo com que o resultado dessa mistura não fosse nem judaísmo, nem cristianismo. 
 
Igrejas de pedras e tijolos ajudam ou atrapalham o evangelho?
O público em geral ficou tão acostumado com as construções chamadas de igrejas e catedrais que acredita ser este o ideal de Deus. Na opinião da maioria das pessoas essas construções são um sinônimo de cristianismo. Mas o Novo Testamento nem sequer as menciona entre as coisas que Deus deseja para a igreja. Existem pelo menos cinco boas razões para esses edifícios associados ao cristianismo mais atrapalharem do que ajudarem o evangelho.
 
1) Eles não são bíblicos. Conforme já demonstramos, simplesmente não existe qualquer fundamento para isso no Novo Testamento.
 
2) Eles transmitem ao mundo uma mensagem errada. As pessoas podem muito bem ser levadas a pensar que o cristianismo é uma continuação do judaísmo, apenas com algumas novas alterações cristãs. Elas podem erroneamente concluir que Deus habita em "templos feitos por mãos", e que só pode ser adorado neles (At 17:24-25). Portanto, daí vem a falsa ideia de que alguém precise ir a um edifício chamado "igreja" para orar e aproximar -se de Deus.
 
3) Eles não são econômicos. Dar tal ênfase a edifícios luxuosos enquanto milhões de pessoas padecem de fome em todo o mundo, tanto no sentido espiritual como material, é simplesmente utilizar mal o dinheiro.
A maior parte dos fundos que a igreja recebe em suas coletas deveria ser usada para permitir a pregação do evangelho e a disseminação da verdade, não para financiar modernas construções e organizações para-eclesiásticas. O pesado ônus desses investimentos e de seus juros faz com que os líderes eclesiásticos peçam ofertas cada vez mais generosas a fim de pagarem pela construção e por sua manutenção. Com isso as pessoas podem ser levadas a acreditar que Deus só está interessado em dinheiro.
Com milhões sendo coletados todas as semanas, parece que a maior dificuldade dos cristãos não está em dar, mas em direcionar os fundos que são arrecadados. Hudson Taylor disse: "O problema da igreja não é a falta de fundos, mas a falta de consagração de fundos!". 
 
4) Esses edifícios são uma hipocrisia. Ao construírem esses imensos edifícios, enquanto dizem ao mundo que amam as pessoas e se interessam profundamente por suas almas, a mensagem que os cristãos passam não é muito convincente. Se a igreja está tão interessada nas pessoas necessitadas deste mundo, por que não sacrifica um pouco do esplendor de suas edificações? Ao construir seus edifícios a igreja está demonstrando que está mais preocupada com a própria glória e conforto do que com as pessoas necessitadas. 
 
5) Esses edifícios intimidam. É difícil fazer com que as pessoas que tiveram pouco ou nenhum contato com o cristianismo compareçam às reuniões nessas luxuosas construções associadas com o cristianismo. Edifícios cheios de pompa tendem a espantar, e não atrair essas pessoas. Tudo lhes parece muito opressor. (As pessoas do mundo parecem ter um senso melhor que os cristãos daquilo que convém ao cristianismo 16:8). Existe uma forte reação contra o formalismo, especialmente entre os jovens. As pessoas também têm medo de serem convidadas a contribuir com dinheiro. Mesmo assim, muitas dessas pessoas estariam prontas a ir a um estudo bíblico na forma de uma conversa numa casa ou em um salão menos pretensioso. Elas se sentem mais à vontade em uma atmosfera informal e não profissional, ficando assim mais receptivas a receberem o evangelho.
Portanto esses grandes edifícios são um empecilho ao evangelho, e tão somente mostram que não somos mais sábios do que a Palavra de Deus. O padrão simples que Deus nos deu em Sua Palavra é sempre o melhor caminho, pois "o caminho de Deus é perfeito" (Sl 18:30).
 
O cristianismo é tipicamente celestial 
Se quisermos entender o que é o verdadeiro cristianismo, devemos perceber que existe um contraste entre judaísmo e cristianismo, duas ordens de adoração totalmente distintas – ambas estabelecidas por Deus. O judaísmo é a maneira terrenal de se aproximar de Deus em adoração, e foi dada por Deus para um povo terrenal, com esperanças terrenais e uma herança terrenal. O cristianismo, por sua vez, é uma ordem celestial, dada por Deus para o Seu povo celestial, o qual possui esperanças celestiais e uma herança celestial (Hb 3:1; Cl 1:5; Fp 3:20; 1 Pd 1:4).
Por esta razão, no verdadeiro cristianismo não existe a guarda de dias santos ou festas religiosas, coisas que pertencem à religião terrenal. Quando os gálatas passaram a se ocupar com os elementos fracos e pobres da religião terrenal, o apóstolo Paulo os advertiu, dizendo: "Como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos" (Gl 4:9-10).
Israel observava religiosamente os dias santos e especiais por possuir uma religião terrenal. Aquilo estava correto e apropriado para eles, mas a igreja, que pertence ao céu, não possui essas coisas. 
Mesmo assim, as denominações em geral perderam de vista a vocação celestial da igreja e inventaram dias religiosos especiais como Sexta Feira Santa, Dia de Todos os Santos, Quaresma etc. Não encontramos essas coisas em lugar algum da Bíblia. Colossenses 2:16-17 nos diz: "Ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras". Existe apenas um dia que deveria ter algum significado para o cristão, e este dia é "o dia do Senhor" – o primeiro dia da semana (Ap 1:10).
 
O verdadeiro cristianismo está "fora do arraial"
O Novo Testamento indica que a igreja primitiva, predominantemente formada por judeus convertidos, foi encorajada a abandonar a ordem judaica de coisas para seguir o verdadeiro cristianismo. O objetivo da epístola aos Hebreus é mostrar que a adoração cristã contrasta com a adoração judaica, e não é uma extensão desta última.
Após a epístola apresentar muitos pontos neste sentido, a conclusão de toda a questão está em exortar a igreja a abandonar totalmente a ordem judaica de coisas, pois o Senhor Jesus Cristo está agora fora disso tudo! Ela diz: "Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o Seu vitupério" (Hb 13:13). O "arraial" é um termo que diz respeito ao judaísmo e a todos os seus princípios e práticas. Um judeu não teria qualquer dificuldade para entender o significado do termo, já que ele era usado no Antigo Testamento em conexão com Israel. A igreja primitiva saiu "fora do arraial". Por intermédio do ensino de Paulo os cristãos foram levados a enxergar que o cristianismo não era um adendo ou uma alteração do judaísmo, como muitos cristãos hoje acreditam, mas era uma forma totalmente "nova" de se achegar a Deus em adoração (Hb 10:20). Inicialmente os judeus convertidos tiveram dificuldade para aceitar isso, e Deus os tratou com paciência. Foi esta justamente a razão pela qual foram escritas as epístolas cristãs aos hebreus. Estas epístolas (Hebreus, Tiago e 1 Pedro) são particularmente destinadas a levar o judeu convertido para fora do judaísmo e firmá-lo no cristianismo. Elas também são perfeitamente aplicáveis à igreja hoje, a qual mergulhou em uma ordem de coisas quase judaica e precisa desesperadamente livrar-se dessas coisas.
Já que as assim chamadas igrejas na cristandade adotaram muitas coisas judaicas e as misturaram em seus sistemas de adoração, chegando a fazer dessas coisas uma parte integral de seus cultos, o princípio mostrado em Hebreus 13:13 serve de exortação muito necessária para os dias de hoje. 
Devemos sair "fora do arraial" sempre que o detectarmos, seja ele representado pelas sinagogas judaicas, seja pelas igrejas denominacionais criadas pelo homem na cristandade. Este versículo também nos dá outra razão para nos separarmos das igrejas denominacionais e não denominacionais. 
Ele nos exorta a irmos a Cristo, que agora está fora dessa ordem terrena de coisas, já que o judaísmo, apesar de ter sido originalmente estabelecido por Deus, é agora uma ordem de adoração que foi deixada de lado. 
A adoração cristã é em "espírito e verdade" Esta mudança na forma de se aproximar de Deus em adoração foi primeiramente anunciada pelo Senhor Jesus à mulher samaritana à beira do poço de Sicar. Ele indicou a ela que cessaria aquela ordem terrenal de adoração. "Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai" (João 4:21). Aquele "monte" (Gerizim) era o lugar onde os samaritanos adoravam, e "Jerusalém" era o lugar onde Israel adorava a Jeová. Mas agora tudo aquilo daria lugar a uma forma totalmente nova de adoração e de se achegar a Deus. (Em outras passagens aprendemos que, após a igreja ser chamada para habitar no céu na vinda do Senhor – no Arrebatamento –, o judaísmo voltará a ser praticado na terra por Israel e pelos gentios convertidos, pois é esta a maneira adequada para o povo terrenal adorar a Deus. Veja Ezequiel 40-48. Isto mostra que o judaísmo não é ruim, mas que apenas foi colocado de lado temporariamente enquanto Deus chama para si um grupo celestial – a igreja).
O Senhor também disse à mulher samaritana que outra mudança iria ocorrer. Enquanto Israel adorava a Jeová, os cristãos agora adorariam "o Pai". Trava-se de algo novo e de uma revelação claramente cristã, pois aproximar-se de Deus como Pai era algo desconhecido no Antigo Testamento. 
Além disso, o Senhor também mostrou à mulher que haveria uma mudança no caráter da adoração. Ele disse: "Mas a hora vem, e agora é em que os verdadeiros adoradores  adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade". (João 4:23-24). A adoração "em espírito e em verdade" é uma adoração espiritual que está em conformidade com a revelação cristã da verdade. Uma adoração assim não era a característica da adoração de Israel, pois o Senhor indicou claramente que se tratava de algo que estava para começar; não era algo praticado por Israel naquela ocasião. A adoração que Israel prestava a Jeová era por meio de ritual e cerimônia. O povo tinha uma religião que havia sido designada – como se isso fosse possível – a induzir o homem na carne a adorar a Deus. Precisava ser assim, pois o homem naquele tempo ainda estava sendo provado (de Adão até a cruz de Cristo são 40 séculos – 40 é o número que nos fala de prova). Por esta razão praticamente todos os meios ex-ternos eram empregados em nome da religião para se atingir tal fim. 
Mas os cristãos não precisam de uma religião ritualística e cerimonial para adorar a Deus como era o caso de Israel, pois agora temos acesso pelo Espírito à própria presença de Deus (Ef 2:18; 3:12; Hb 10:19-22). No cristianismo a adoração é auxiliada pelo fato de o Espírito Santo habitar no crente, e não pelos esforços de mãos humanas (Fp 3:3; At 17:24-25). Israel não possuía tal privilégio. A adoração cristã é o "novo e vivo caminho" (Hb 10:20). Ele é "novo" porque não é uma reciclagem do judaísmo, e é "vivo" porque é necessário que o  adorador possua uma nova vida (que seja nascido de novo) para se aproximar de Deus desta maneira celestial.
 
Sacrifícios espirituais ou um 'ministério de música'?
Consequentemente, os sacrifícios cristãos não são literais e exteriores como no judaísmo, mas sim "sacrifícios espirituais" (1 Pedro 2:5; Hb 13:15; João 4:23; Fp 3:3). Já que o cristão adora "em espírito e em verdade", ele poderia sentar-se em uma cadeira sem se movimentar, e mesmo assim poderia ser produzido em seu espírito um verdadeiro louvor e adoração a Deus por meio do Espírito Santo que habita nele. Esta é a verdadeira adoração celestial. O cristão não necessita de uma orquestra ou de um coro para extrair adoração de seu coração, como era o caso de Israel no judaísmo. 
Adorar com o auxílio de instrumentos musicais é adorar da forma judaica. Misturar o conhecimento e a revelação inerentes ao cristianismo com a ordem judaica de adoração (a qual é essencialmente o que a maioria das assim  chamadas "igrejas" fazem) não é  cristianismo autêntico. No céu não haverá necessidade de um auxílio mecânico e exterior à adoração a Deus, e os cristãos tampouco precisam deles agora, pois já estão adorando a Deus do modo celestial. 
Por esta razão não encontramos no livro de Atos ou nas epístolas qualquer referência de cristãos adorando ao Senhor usando instrumentos musicais. Não existe uma menção sequer nas epístolas do Novo Testamento de uma adoração cristã auxiliada por instrumentos musicais. Os únicos dois instrumentos que os cristãos têm para adorar a Deus são o "coração" (Cl 3:16; Ef 5:19) e os "lábios" (Hb 13:15). No cristianismo tudo o que encontramos é "cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Ef 5:19; Cl 3:16). Somos instruídos a oferecer "sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome" (Hb 13:15). Mesmo assim a distinção entre a adoração cristã e o judaísmo tem sido ignorada nas denominações. Bandas e até grandes orquestras passaram a fazer parte integral dos "cultos de adoração" de nossos dias. Isso é chamado de "ministério de música", mas o objetivo parece ser mais voltado ao entretenimento da audiência do que ao ministério. Não somente inexiste qualquer direção na Palavra de Deus para os cristãos adorarem dessa maneira, como a própria história mostra que a música instrumental não teve virtualmente qualquer parte no cristianismo durante os primeiros 1.400 anos! (Há uma total ausência de música instrumental na igreja nos primeiros 700 anos, seguidos de uma ferrenha oposição a ela durante os próximos 700 anos). Foi somente nos últimos séculos que a música instrumental passou a ser aceita e usada na adoração e na atividade evangelística. A questão é: Se o chamado "ministério de música" é tão importante para a vida da assembleia, como a igreja hoje a considera, por que o apóstolo Paulo não exortou as assembleias às quais escreveu a adotarem um "ministério de música" em suas reuniões? E por que não existe qualquer menção disso no Novo Testamento? Cremos que o uso de instrumentos musicais na adoração – além de muitas outras coisas inventadas pelo homem que acabaram sendo introduzidas – é uma evidência do distanciamento que as Escrituras nos alertam que ocorreria com a igreja. À medida que as coisas no testemunho cristão foram se afastando da ordem dada por Deus, a música instrumental foi pouco a pouco conquistando um lugar (porém não sem oposição), até acabar sendo aceita como normal para a adoração cristã. Ela pode ter sido até introduzida com boas intenções, mas mesmo assim não tem lugar na adoração cristã. 
Não queremos com isso dizer que o cristão não possa tocar música instrumental, mas apenas que ela não tem lugar na adoração cristã. J. N. Darby escreveu: "Se eu puder fazer um pobre pai enfermo dormir com música, tocarei a música mais bela que puder encontrar; mas ela irá estragar qualquer adoração ao introduzir o prazer dos sentidos naquilo que deveria ser fruto do poder do Espírito de Deus". 
 
Vinho novo em recipientes novos 
Apesar de tudo, muitos cristãos rejeitam a ordem de Deus e insistem que o modo de Israel aproximar -se de Deus em adoração é o verdadeiro padrão para a adoração cristã. 
Mas se o modo de Israel adorar no Antigo Testamento for o padrão para a adoração cristã, então por que razão as Escrituras dizem que a adoração cristã é um "novo" caminho de adoração? (Hb 10:20). O Senhor sabia que haveria uma tentativa de se vincular a velha ordem de coisas à nova ordem do cristianismo, e alertou que fazer isso seria como colocar remendo novo em pano velho, e vinho novo em odres ou recipientes velhos (Lc 5:36-39). Isso acabaria por estragar a ambos. É exatamente o que tem acontecido na profissão cristã. O Senhor continuou ensinando que "vinho novo" é para ser colocado em "odres novos". Isto significa que as coisas novas relacionadas à adoração cristã devem ser encontradas em uma nova configuração, adequada a essa adoração. O Senhor também disse que quando alguém se acostuma com o vinho velho das coisas judaicas, e experimenta o vinho novo do cristianismo, acaba achando inicialmente que o velho é melhor (Lc 5:39). Por estar sentimentalmente ligada àquela ordem exterior de adoração, que tem um forte apelo para os sentidos, não é fácil para a pessoa desvencilhar-se disso.
Como já dissemos, a epístola aos Hebreus trata detalhadamente deste problema. Ela toma uma característica do judaísmo após outra e as compara com aquilo que agora temos no cristianismo, concluindo, quase que em todos os seus capítulos, que agora temos algo "melhor" (Hb 1:4; 6:9; 7:7, 19, 22; 8:6; 9:23; 10:34; 11:4, 16, 35, 40; 12:24). 
 
Os cristãos devem se reunir em nome do Senhor Jesus Cristo para adoração e ministério e aguardar a direção do Espírito 
Quando fazemos do Novo Testamento o nosso guia para o funcionamento de uma assembleia de cristãos, vemos que o grande propósito de Deus é exaltar Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Aprendemos que Deus dá tamanha importância a Seu Filho que exaltou tremendamente o Seu nome. A Bíblia diz que Deus "lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra [os seres infernais]" (Fp 2:9-10; Ef 1:20). 
O Senhor Jesus disse aos Seus discípulos que após Sua morte, quando a igreja fosse formada (no dia de Pentecostes), o Seu NOME seria o ponto central de reunião. Ele disse: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18:20). A igreja no princípio fazia assim. Os cristãos se reuniam nesse nome exaltado do Senhor Jesus quando congregavam para adoração, ministério e responsabilidades administrativas (1 Co 5:4). Eles não adotavam qualquer outro nome que não fosse o nome de Jesus. Este ainda é o padrão de Deus para a igreja hoje!
O que devem pensar os anjos, que conhecem e têm prazer no nome exaltado de Jesus Cristo, quando veem cristãos se reunindo para adoração neste mundo adotando todo tipo de nome denominacional ou não denominacional? Enquanto Deus dá o maior valor ao nome de Jesus, os homens dizem que não importa que nome você representa! Acaso no céu o povo de Deus irá levar esses nomes? Será que ali haverá presbiterianos, batistas, cristãos reformados, metodistas, pentecostais etc.? Não, quando chegarmos lá não haverá qualquer nome assim. No céu o nome de Cristo é supremo, e assim deveria ser na terra também! O Senhor Jesus ensinou a Seus discípulos que Deus quer que a Sua vontade seja feita assim na terra como no céu.
Eles deviam orar neste sentido. "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mt 6:10).
Todavia, mesmo assim os cristãos na terra continuam insistindo em se reunir sob todo tipo de nome sectário, apesar de admitirem que esse tipo de coisa não existirá no céu! Se nós orássemos com sinceridade "seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu", deveríamos então abandonar qualquer nome ou seita na terra simplesmente por não ser assim no céu. 
Certamente o Senhor Jesus é digno de congregarmos em Seu nome e em nenhum outro. 
Que diferença vemos hoje do que era feito nos dias dos apóstolos. Naquele tempo o Senhor Jesus Cristo era o Nome exaltado no qual os cristãos estavam congregados. 
Exaltar outro nome, fosse o de Paulo ou Cefas, era considerado pelo Espírito de Deus com carnalidade e sectarismo (1 Co 1:12; 3:3-5). Que triste abandono da ordem estabelecida por Deus vermos tantos cristãos hoje se identificando por todo tipo de nome denominacional.
Se nós, por fé, simplesmente reconhecêssemos nossa fraqueza e assumíssemos nosso lugar de clara dependência de Deus, nos reunindo em nome do Senhor Jesus somente, sob a direção do Espírito, descobriríamos que Cristo estaria no meio, conforme prometeu.
Mesmo que fossem apenas dois ou três que procurassem agir com base nesta Palavra, eles experimentariam o gozo da Sua presença com eles. Talvez fossem repreendidos por outros cristãos por se reuniram de uma maneira tão simples, pois a Palavra de Deus diz que se saíssemos "do arraial" certamente sofreríamos o Seu "vitupério" ou desonra (Hb 13:13). Mas eles desfrutariam também da feliz confiança de estarem congregados em conformidade com a Palavra de Deus. Isto porque existe um gozo em se fazer a vontade de Deus que só é conhecido daqueles que a colocam em prática. 
 
A prática bíblica para cristãos congregados para adoração e ministério 
Além de estar congregada para o nome do Senhor Jesus Cristo, aprendemos também do Novo Testamento que a igreja no princípio se reunia para quatro objetivos principais. Lá vemos que eles "perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" (At 2:42). Estas são as mesmas razões pelas quais a igreja hoje deveria se reunir. Podemos chamá-las de "quatro âncoras" da vida em assembleia.
Primeiramente, a igreja no princípio se reunia para o aprendizado da "doutrina dos apóstolos".
Também precisamos de reuniões específicas para o aprendizado da verdade das Escrituras, porém muitos cristãos não dão a devida importância à doutrina. Para muitos parece que contanto que estejamos juntos e tenhamos amor pelo Senhor, o que cada um professa em termos de doutrina não é muito importante. O ensino bíblico nas denominações geralmente reflete uma atitude assim. O foco da maioria dos sermões costuma ficar em algum detalhe prático da vida cristã. A consequência disso é que as pessoas não se firmam na verdade. Muitos cristãos amados passam a vida inteira "levados em roda por todo o vento de doutrina" que venha a cruzar seu caminho (Ef 4:14).
Como acontecia com a igreja no princípio, precisamos de reuniões que sejam lideradas pelo Espírito, nas quais dois ou três possam se dirigir aos santos com uma palavra de exortação ou com a apresentação da verdade. Paulo disse: "Falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados. E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" (1 Co 14:29-32).
Além disso, a leitura bíblica – quando a Bíblia é lida e os irmãos têm a oportunidade de discorrer sobre uma passagem para a edificação da assembleia – também é uma forma viável de se comunicar a verdade aos santos. Esta era a prática dos irmãos no princípio da igreja quando se reuniam para a leitura das Escrituras. A exortação de Paulo a Timóteo foi, "persiste em ler (literalmente,"persiste nas leituras"), exortar e ensinar" (1 Tm 4:13). 
A leitura da qual Paulo falava não era o estudo pessoal da Bíblia, mas a leitura pública das Escrituras a outros. O fato de "exortação" e "ensino" estarem associados à leitura das Escrituras naturalmente sugere que existia a oportunidade para aqueles que, como Timóteo, estavam capacitados a comentar as passagens lidas para a edificação dos demais. Estes são elementos básicos de uma reunião de leitura. É a maneira que Deus determinou para os cristãos permanecerem fundamentados na verdade. No princípio a igreja também se reunia para a "comunhão" cristã. Muitos cristãos enxergam a comunhão como nada além de se encontrarem com outros cristãos para recreação e atividades esportivas. Não há nada de errado com a recreação, mas a comunhão cristã é a comunhão nas coisas cristãs. Trata-se de comunhão nas coisas divinas que temos em comum com todos os membros do corpo de Cristo. No princípio da igreja não há dúvida de que isso ocorria quando eles estavam juntos para o aprendizado da doutrina dos apóstolos, pois no próprio versículo este aprendizado está intimamente conectado à comunhão. Todavia, não deveríamos limitar a comunhão com outros crentes apenas quando estamos reunidos para o aprendizado da verdade. Precisamos também visitar uns aos outros.
Além destas atividades, a igreja no princípio também se reunia para o "partir do pão".
Depois que a igreja foi estabelecida, a cada primeiro dia da semana (o dia do Senhor) eles se reuniam para partir o pão (At 20:7). Este é um privilégio do qual nós também desfrutamos, já que o Senhor pediu "fazei isto em memória de mim "(Lc 22:19). todavia, esta é mais uma prática que aparentemente não é muito importante para os cristãos hoje, já que a maioria dos grupos cristãos celebra a ceia do Senhor uma vez por mês ou a cada três meses. A maneira como ela é celebrada também chega a ter apenas uma vaga semelhança com o que encontramos nas Escrituras. Mesmo quando é celebrada, a ceia costuma durar poucos minutos e é encaixada no "culto" da igreja. Ela costuma também ser celebrada entre crentes e incrédulos misturados, embora o Senhor, ao instituir a ceia, indicou que apenas os verdadeiros crentes deveriam partir o pão em Sua memória (Jo 13:30; Lc 22:19; 1 Co 11:23-26).
Ele deseja que aqueles que Ele redimiu separem um tempo para se ocupar com Sua Pessoa – para apreciarem o imenso custo que teve a sua redenção. Não gostaríamos de ser dogmáticos a respeito, mas tudo indica que quando o Senhor instituiu a ceia, foi um momento separado especificamente para aquele objetivo (Lc 22:14).
Finalmente, eles se reuniam regularmente para "as orações" (At 4:23-31; 12:12-17). No idioma original, a expressão "as orações" indica que eles separavam ocasiões específicas para estarem juntos com este objetivo. Portanto, a igreja no princípio promovia reuniões de oração, quando podia expressar publicamente sua dependência do Senhor quanto às suas necessidades. Mais uma vez, isto é algo que infelizmente hoje faz falta na igreja.
Muitos grupos de cristãos promovem apenas cultos dominicais. Uma reunião de oração no meio da semana é uma prática que desapareceu em muitos lugares. E aqueles que mantêm reuniões de oração, geralmente não contam com uma grande frequência. Isso tão somente prova que os cristãos atualmente não consideram as reuniões de oração importantes. Todavia, o Senhor gostaria que o Seu povo se reunisse regular mente para as orações.
Estes são os principais tipos de reuniões que ocupavam a igreja no princípio, quando esta estava reunida, e são as mesmas que precisamos ter hoje. Elas são essenciais para a saúde espiritual da assembleia, e é por esta razão que Deus deixou um registro delas para nós em Sua Palavra. A "doutrina dos apóstolos" forma nossa "comunhão", o "partir do pão" expressa essa comunhão, e "as orações" a mantém. Estas quatro coisas têm sido chamadas de quatro âncoras da vida em assembleia. (Existe outro tipo de reunião da assembleia que é indicada nas Escrituras – a reunião para disciplina; mas ela tem um caráter diferente – 1 Co 5:4-5).
Tendo estas quatro coisas básicas em mente, voltamos a perguntar: Acaso precisamos de algum acessório extra, dentre os muitos encontrados hoje na cristandade, para colocar em prática estas coisas tão simples? Não, a igreja no princípio não precisava de acessórios e tampouco nós precisamos deles! Então por que não voltar simplesmente ao puro e simples cristianismo que encontramos na Bíblia, a fim de descobrirmos a bênção que é procedermos assim? 
Consequências práticas de se abandonar as "quatro âncoras" Quando deixamos de lado qualquer uma dessas "âncoras", sentimos sérias consequências práticas em nossa vida. Um exemplo disso está em Atos 27:40- 1.
Quando os marinheiros se livraram das "quatro âncoras" (At 27:29), acabaram logo atingindo as rochas e naufragaram. Assim como aconteceu com aqueles marinheiros, alguns cristãos acham que podem se livrar dessas quatro importantes práticas e que não haverá consequências. Porém, cedo ou tarde acabam perigosamente à deriva espiritual e "naufragam" (1 Tm 1:19). Sem reuniões especificamente designadas para esses propósitos, ficamos à deriva em uma ou outra área de nossa vida cristã. Uma boa pergunta que devemos fazer a nós mesmos é: "Quantas dessas âncoras conservo em minha vida?". Sem a "doutrina dos apóstolos" não permaneceremos "confirmados na presente verdade" (2 Pd 1:12). Consequentemente, seremos "levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente" (Ef 4:14). Alguns cristãos pensam que doutrina é algo que deve ser deixado a cargo do "Pastor" de sua igreja, porém as Escrituras dizem que a verdade foi entregue por intermédio dos apóstolos aos santos – todos eles, não apenas um grupo especialmente qualificado entre os santos (Jd 3). Ela não foi entregue aos apóstolos, mas por intermédio dos apóstolos aos santos. Os apóstolos não eram os destinatários finais da verdade; eles eram apenas os canais através dos quais ela chegaria até nós. A doutrina cristã, portanto, é algo que todo cristão deve conhecer, desfrutar e andar nela. J. N. Darby disse que "nenhum cristão conhece seu verdadeiro lugar sem ela". Portanto, devemos prestar atenção à doutrina, pois existe uma salvação prática conectada a ela (1 Tm 4:15-16). Não podemos viver bem sem ela. 
Se ficarmos sem "comunhão" com outros cristãos nas coisas divinas, não seremos corrigidos e ajustados em nossos pensamentos acerca da doutrina e de quaisquer faltas e peculiaridades de nossa vida pessoal. Isto é resolvido quando estamos com outros cristãos. Além do mais, se não andarmos em uma comunhão prática com nossos irmãos, ficaremos sujeitos a interpretações errôneas, as quais com frequência nos levam a equívocos e contendas (Fp 2:2-3).
Sem o "partir do pão" nosso coração pode esfriar. A ceia do Senhor é uma ocasião quando recordamos o Senhor em Sua morte; quando relembramos o Seu amor por nós, que O levou a sofrer na cruz em nosso lugar. A meditação nesse amor eleva nosso coração a Ele em verdadeira adoração (2 Co 5:14, Ct 1:2-4). Sem a "oração" nossa vida se torna independente dEle, que é nossa Cabeça. 
Começaremos a escolher nosso próprio caminho de vida, sem depender da Cabeça (Cl 2:19). Sem a de pendência do Senhor certamente acabaremos dando passos que nos levarão para fora da senda cristã. 
Três ou quatro coisas tangíveis no cristianismo Se praticarmos o cristianismo simples, do modo como é encontrado na Bíblia, descobriremos que existem poucas coisas tangíveis em toda a nova ordem da adoração cristã. 
• A ordenança do batismo.
• A ordenança da ceia do Senhor.
• A Bíblia.
• A cobertura para a cabeça.
Talvez exista mais uma, se acrescentarmos a esta lista a coleta (1 Co 16:1-2). Mas já que isto costuma acontecer por ocasião da ceia do Senhor, nós já a consideramos incluída ali.
A razão pela qual o cristianismo tem tão poucas coisas visíveis é que se trata de um sistema baseado em fé. As Escrituras dizem que "andamos por fé, e não por vista" (2 Co 5:7). Por possuirmos uma nova vida (pelo novo nascimento) e por sermos habitados pelo Espírito de Deus, não precisamos de outras coisas para praticar o cristianismo. Os cristãos poderiam se reunir para a adoração e o ministério em uma casa, cozinha, garagem etc.; e se isso fosse feito em conformidade com a Palavra de Deus e o Espírito de Deus, teriam o Senhor em seu meio. A ceia do Senhor foi inicialmente instituída em uma sala de estar de uma residência em Jerusalém (Lc 22:7-20). A presença do Senhor em seu meio era tudo o que eles precisavam. Baseados nisso, perguntamos: Onde, neste padrão simples dado aos cristãos para se reunirem para a adoração e o ministério, estão todos os adereços adotados pela religião profissional da cristandade? Onde está a necessidade de se construir imensas catedrais e complexas organizações denominacionais? Onde está a necessidade das orquestras, do entretenimento, e do dinheiro que frequentemente caracteriza as igrejas na cristandade? 
Ora, tudo isso perde imediatamente o sentido! Se for verdade que o cristianismo possui apenas estas poucas coisas tangíveis, então tudo o mais fica imediatamente descartado. 
Mas onde está Cristo nesta forma simples de congregar? Ele está no meio, onde prometeu que estaria! (Mt 18:20). E se temos a Cristo, temos tudo que precisamos. 
 
APRESENTAÇÃO
Há alguns anos li o livro "God's Order", escrito por Bruce Anstey, um irmão canadense com o qual tenho comunhão por estarmos congregados somente ao nome do Senhor Jesus, ele no Canadá e eu no Brasil. O que chamou minha atenção foi que o autor
conseguia colocar em ordem os principais tópicos que todo cristão sincero deveria buscar nas Escrituras para saber se está congregado segundo a ordem estabelecida por Deus, ou se apenas segue tradições criadas por homens.
O livro em inglês está agora na quarta edição, e recebi do autor autorização para traduzilo para o português. A fim de assumir um compromisso comigo mesmo de dedicar algum tempo à tradução, decidi criar este blog. Um blog público é uma excelente forma de eu me lembrar de que há pessoas esperando por novos trechos do livro, e isso me motiva a continuar traduzindo.
Espero que o livro "A Ordem de Deus" seja de auxílio para muitos irmãos e irmãs emCristo, e também se transforme em um instrumento a mais para glorificar a Deus, que não apenas "quer que todos os homens se salvem", mas também que "venham ao
conhecimento da verdade" 1 Tm 2:4.
Mario Persona
 
EXTRAÍDO DO LIVRO: A ORDEM DE DEUS - PARA OS CRISTÃOS CONGREGAREM PARA ADORAÇÃO E MINISTÉRIO
 
Autor: BRUCE ANSTEY
 
Tradução: MARIO PERSONA – 2011
 
Revisão: MARIA CRISTINA MARUCCI
 
A Resposta Bíblica à Ordem Eclesiástica Tradicional
 
Traduzido do original inglês: GOD’S ORDER FOR CHRISTIANS MEETING TOGETHER
 
FOR WORSHIP AND MINSTRY
 
Edição em inglês publicada por: CHRISTIAN TRUTH PUBLISHING 12048 – 59th Ave.
 
Surrey, BC V3X 3L3 CANADA
 
Primeira Edição (Inglês) - Junho 1993
 
Segunda Edição (Inglês) - Abril 1998
 
Terceira Edição (Inglês) - Março 1999
 
Quarta Edição (Inglês) - Julho 2010
 
Os versículos citados são da Bíblia Versão Almeida Corrigida Fiel ou Almeida Revista e
 
Atualizada.
 
Literaturas em formato digital:
 
www.acervodigitalcristao.com.br
 
Literaturas em formato Impresso:
 
www.verdadesvivas.com.br
 
Evangelho em 03 Minutos:
 
www.3minutos.net
 
O que respondi:
 
www.respondi.com.br

 

Devo contribuir?
Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
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