RECONDUZINDO O DESVIADO AO LAR

Uma das mais belas histórias que sempre deve ser contada é aquela que saiu dos lábios de nosso Salvador, a qual está registrada para nós no décimo quinto capítulo do Evangelho de Lucas. Publicanos e pecadores aproximaram-se para ouvir Àquele de quem foi dito: "Este recebe pecadores e come com eles" (Lucas 15:2). Eles foram as primeiras pessoas a ouvir essa simples e contudo, agora, bem conhecida parábola da ovelha perdida.
"Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na  sobre os ombros, cheio de júbilo. 
E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos  comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento" (Lucas 15:3-7).
Quão agradecidos somos pelo fato "deste Homem" ainda hoje receber pecadores!
Frequentemente os pregadores do Evangelho usam essa bela parábola para ilustrar, com eficácia, até onde o Bom Pastor vai a fim de "buscar e salvar o perdido" (João 10:11; Lucas 19: 10). Mas talvez essa parábola pode ser vista de outra maneira.
 
QUEM É O DESVIADO?
 
Já no final de sua eficaz, poderosa e pessoal Epístola, Tiago chama a nossa atenção para uma necessária obra que precisamos pensar sobre. "Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado, salvará da morte a alma dele, e cobrirá multidão de pecados" (Tiago 5: 19-20). Não é somente os pecadores perdidos que precisam ser alcançados pela graça salvadora de Deus, mas também aqueles que se desviam da verdade, esses precisam ser restaurados. Observem cuidadosamente que esta palavra é dirigida aos cristãos. Alguém "entre" os crentes, os "irmãos", pode se desviar da verdade - e isto pode acontecer a qualquer um. Pedro considerava-se perfeitamente seguro, acima da linha de perigo. Qualquer outro podia negar o Senhor - não ele!
Num espaço de poucas horas a auto-confiança de Pedro havia se evaporado ao perceber repentinamente que ele tinha se desviado d'Aquele que é, em Pessoa, a Verdade.
No bem conhecido Salmo Pastoral, Davi escreveu: "(Ele) refrigera a minha alma" (Salmo 23:3). Aprendemos aqui que o próprio Deus se ocupa com a restauração daqueles que se desviam de Seus caminhos. Se Davi escreveu este Salmo ainda nos seus primórdios como pastor, provavelmente ele tinha pouca ideia do quanto ele mesmo precisaria desta restauração um dia. Depois de sua vergonhosa queda em adultério e homicídio, o Senhor enviou-lhe o profeta Natã para restaurá-lo. Davi havia escrito acerca do consolo recebido por meio do instrumento de restauração de Deus - a vara e o cajado. Às vezes nós só apreciamos esse consolo muito novamente do sóbrio aviso de Tiago de que qualquer um dentre os filhos de Deus pode se desviar da verdade.
 
QUEM FAZ A RESTAURAÇÃO?
 
Voltemos a essa bela parábola da ovelha perdida. Tiago nos diz que podemos ser como um pastor buscando trazer de volta à verdade aquele que se desviou. Um crente pode ter-se desviado moralmente da verdade e ser culpado de pecado sexual. Ou talvez ensinamentos anti-bíblicos podem ter confundido-o, levando-o a desviar-se doutrinalmente da verdade.
Além do mais, pode ser simplesmente que seu coração se esfriou para Deus. Existe muitas maneiras nas quais isso pode acontecer. Contudo, quando um irmão ou uma irmã se desviar, como podemos levá-los à restauração?
O apóstolo Paulo nos dá bons conselhos na Epístola aos Gálatas. "Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o, com o espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado" (6:1).Apossibilidade está sempre ali: um crente pode ser surpreendido numa transgressão.
Quando isto acontece, é fácilpara nós apontar o dedo acusativamente ou pensar: "Eu nunca teria feito isso!" Raramente uma atitude como esta resultaria na restauração de um irmão ou irmã.
Em vez, deveríamos imediatamente pensar: "Se não fosse a graça de Deus, poderia ter sido eu". Somente quando compreendemos que isso pode acontecer é que buscamos corrigi-lo (restaurá-to), "com o espírito de brandura". W. E. Vine salienta que esta "brandura" é uma graça trabalhada na alma. Ela está intimamente associada à palavra "humildade" e é, antes de mais nada, um estado de mansidão diante de Deus. Ela significa, portanto, irem busca do desviado com toda a compaixão e a ternura que o Senhor Jesus manifestou.
Ugado a isto, haverá uma transparente honestidade, a qual nos levará a admitir que em nós está esse mesmo pendor ao desvio.
Um outro aspecto da obra de restauração talvez implica em ajudar a levar o fardo daquele que tem se desviado.
Naturalmente, algumas vezes a vara se faz necessária. Um caso de flagrante imoralidade na igreja em Corinto não poderia ser ignorado. O pecado era tão sério que o irmão transgressor teve de ser excomungado da comunhão cristã. Não é nada agradável aplicar este tipo de disciplina. Contudo, o objetivo deve ser sempre o de restaurar o transgressor. Mais tarde Paulo escreve aos corintios dizendo-lhes que a punição aplicada tinha sido suficiente. Obviamente que tal pessoa tinha se arrependido de seu pecado, e portanto, foi dito aos coríntios que o recebessem em amor outra vez. Se a figurativa "vara de disciplina" tem de ser usada hoje em dia, isso deve ser feito com a motivação correta. Deve ser mantida a santidade na casa do Senhor por honra a Seu nome. Pecado sério ainda pode levara excomungação.
Se tal passo for necessário, ele deve ser, contudo, dado em piedosa humildade e seguido das orações do povo de Deus a fim de que o desviado seja restaurado ao Senhor. Outras questões em Corinto merecia atenção, mas Paulo preferiu ir "com amor" em lugar de permitir a vara de disciplina. Esse espírito de amor deve caracterizar todas as nossas ações disciplinárias hoje em dia.
 
POR QUE NOS ENVOLVER?
 
Nenhuma só palavra de Gálatas 6:1 deve ser desprezada.
Somente aqueles que são "espirituais" podem restaurar os desviados. Para que o Senhor nos use, precisamos estar vivendo bem próximos a Ele e ter Sua mente em nosso serviço. Mas para aqueles que promovem a volta do pecador para o Senhor, é prometida uma dupla bênção. A todo que se engaja neste ministério vital de restauração é assegurado duas coisas: que" salvará da morte a alma dele, e cobrirá multidão de pecados" (Tiago 5:20). Às vezes, Deus, em Sua providência, permite um cristão desobediente experimentar uma morte prematura. Nunca se perde a salvação - isso não pode acontecer - mas a vida sobre a Terra pode ser abreviada. A promessa é que o irmão que pecou e foi restaurado será salvo desta punição e sua "multidão de pecados" será completamente ocultada da vista  de Deus.
Elias, esse homem que tinha a mesma natureza que nós, foi usado por Deus para restaurar, ou seja, converter, uma nação toda de seu afastamento de Deus. Isso deveria nos encorajar. Deus pode nos usar também, se os nossos corações e as nossas atitudes forem corretas, para trazer de volta a Ele os desviados.
 
Versículos que podem ajudar neste assunto:
 
1) Marcos 14:29-31
2) João 14:6
3) Salmo 23:4
4) 2 Samuel 6
5) 2 Samuel 7
6) 2 Samuel 8-10
7) Tiago 5: 19
8) Gálatas 6:2
9) 1 Coríntios 5:1, 13
10) 2 Coríntios 2:6-8
11) 1 Coríntios 4:21
12) Tiago 5:17-18
 
Por Martin Girard
 

 

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