Arrependimento

Arrependimento
 
Walter A Boyd, Irlanda do Norte.
 
 
Introdução
O Senhor Jesus colocou grande ênfase no assunto do arrependimento quando afirmou: ―se não vos arrependeres, todos de igual modo perecereis‖ (Lc 13:3). Com a mesma ênfase Paulo, pregando no Areópago, disse: ―Deus … anuncia agora a todos os homens, e em todo lugar, que se arrependam‖ (At 17:30). De fato, no livro de Atos o arrependimento é muito destacado na pregação de todos os servos do Senhor. Por causa desta ênfase bíblica sobre este assunto, é importante que entendamos o que a Bíblia quer dizer com a palavra arrepender-se, nas suas várias formas. Há opiniões diferentes sobre o que o arrependimento significa, e isto acrescenta à confusão nas mentes daqueles que procuram conhecer a verdade.
A doutrina bíblica do arrependimento forma uma ponte entre o pecado e o perdão. Não existe outro caminho para se obter o perdão de pecados a não ser pelo arrependimento. O pecado é um assunto muito popular; nenhum outro é mais discutido, amado ou praticado pela raça humana. Transcende todas as barreiras conhecidas da humanidade: raciais, geográficas, sociais, ou religiosas. Lamentavelmente, muitos cometem pecado sem qualquer consideração do Santo Deus que coloca exigências sobre Suas criaturas: eles não sentem qualquer responsabilidade para com Deus. Outros, que são mais responsáveis, procuram exercer algum domínio moral nas suas vidas. Os que lêem, ou têm algum conhecimento da Bíblia, conhecem, até certo ponto, o que Deus chama de pecado. A única fonte confiável de informação sobre o pecado e suas consequências é a Palavra de Deus. Se as pessoas não cometessem pecados, não existiria necessidade de arrependimento. Contudo, estamos cercados, diariamente, pelo pecado, e sem arrependimento não há livramento dos seus efeitos mortíferos. Cada pecado, qualquer que for a sua magnitude, é uma afronta grave contra Deus. No entanto, Deus, que é tão gravemente ofendido pelo nosso pecado, planejou um caminho pelo qual pecados podem ser perdoados. É aqui que o arrependimento se encaixa no esquema da bênção divina. O arrependimento é essencial para o perdão, portanto precisamos aceitar a exigência que Deus faz dela e a sua definição na Bíblia.
O que é o arrependimento?
O arrependimento aparece tanto no Velho como no Novo Testamento, principalmente nas seguintes palavras:
Velho Testamento:
Nachan (Êx 13:17) — suspirar, respirar profundamente. Significa lamentar ou entristecer-se.
Shuwb (I Rs 8:47) — recuar, voltar atrás.
Novo Testamento:
Metanoia (Mt 3:8) — mudar de opinião.
Metanoeo (Mt 3:2) — pensar diferentemente depois.
Seja como substantivo ou como verbo, a idéia predominante no arrependimento bíblico é pensar posteriormente, ou reconsiderar. Vale a pena notar que esta reconsideração nem sempre é sobre o pecado, mas é às vezes uma mudança de mente em relação a uma maneira de agir (Gn 6:6, Êx 13:17). Contudo, durante os séculos, uma série de idéias e confusões sobre traduções levou à idéia subjetiva de tristeza, ou sentir arrependimento pelos pecados cometidos. Os Pais Latinos traduziram metanoia como paenitentia, que veio a significar penitência, ou atos de penitência. Assim, a doutrina bíblica do arrependimento se tornou ofuscada e confusa, a
tal ponto que chegou ao erro total, quando pecadores foram ensinados a sentir tristeza e praticar atos de penitência para obter o perdão dos seus pecados. No verdadeiro arrependimento há um elemento de remorso pelos pecados, que leva a uma mudança definitiva de atitude e de ação. Mas a atividade associada ao arrependimento não é a prática de um ato religioso para remediar os pecados. Antes, é uma mudança de opinião sobre atos pecaminosos, parando de fazê-los imediatamente. O conceito fundamental do Novo Testamento é que o arrependimento é uma mudança de opinião em relação aos pecados. Esta mudança de opinião resultará num modo de vida em harmonia com a atitude ao pecado vista em Mateus 3:8: ―Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento‖. Contudo, desviar-se do pecado não é o suficiente para a salvação; é necessário aproximar-se de Cristo pela fé, como Paulo menciona em Atos 20:21: ―Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo‖.
A prioridade do arrependimento no NT
Um leitor atento do Novo Testamento não pode deixar de ver a prioridade dada ao assunto do arrependimento.
1. João Batista
Em Mateus 3:1-2 vemos que a mensagem de João dá prioridade ao arrependimento, que é mencionado em primeiro lugar. ―E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus‖. A pregação de João sobre o arrependimento era o cumprimento da promessa do anjo, dada a Zacarias seu pai, antes do seu nascimento. ―Mas o anjo lhe disse: Zacarias não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João … E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus‖ (Lc 1:13, 16). Seu ministério de converter muitos ao Senhor foi visto no arrependimento deles; eles mudaram de opinião em relação ao seu pecado e às exigências de Deus nas suas vidas.
2. O Senhor Jesus Cristo
―E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho‖ (Mc 1:14). Devemos notar a grande semelhança entre a pregação de João Batista e a do Senhor Jesus. Ambos ligaram o arrependimento com o reino, mas o Senhor agora introduz o conceito adicional da fé, com as palavras ―Arrependei-vos, e crede no evangelho‖. Atualmente há dois reinos; o reino de Deus e o reino de Satanás. Um é caracterizado pela justiça, luz e Cristo; o outro é caracterizado pelo mal, trevas e Satanás. A cidadania num reino é obtida por se nascer nele. Nós nascemos no reino deste mundo, e por natureza o nosso caráter é mau e injusto. Aqueles que são salvos nasceram no reino de Deus, e agora têm uma natureza que manifesta luz e justiça. O novo nascimento é pelo Espírito Santo: ―na verdade, na verdade, te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus‖ (Jo 3:3); e é, exclusivamente, o resultado da fé: ―para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna‖ (Jo 3:15).
Devemos entender claramente que o arrependimento não é a entrada no reino de Deus; é a renúncia, pelo pecador, do reino onde o pecado reina. Como cidadãos daquele reino mau nós não temos condições de sermos súditos do reino da justiça; temos de renunciar nossos pecados. O arrependimento do pecado e a fé em Cristo, como Salvador, são coisas simultâneas. A fé e o arrependimento são dois lados da mesma moeda, ou os dois pés no passo da conversão. Além de ser o primeiro tema na pregação do Senhor Jesus, o arrependimento foi também o tema final na Sua pregação. Depois da
Sua ressurreição Ele estava falando com Seus discípulos, e ―abriu-lhes o entendimento para compreenderam as Escrituras. E lhes disse: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém‖ (Lc 24:45-47).
3. Os discípulos
Em Marcos 6:12 temos o relato dos doze enviados para pregar. ―E, saindo eles, pregavam que se arrependessem‖. A prioridade da sua pregação foi exatamente aquela do Senhor Jesus, que substituiu a pregação sobre o arrependimento feita pelo Seu precursor João Batista. Eles seguiram os passos de todos os pregadores enviados por Deus, com sua mensagem clara de arrependimento, que também estava ligada a uma proclamação do reino: ―E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus‖ (Mt 10:7).
4. O apóstolo Pedro
No dia de Pentecostes, em Jerusalém, Pedro pregou a primeira mensagem desta presente dispensação da graça. Sua mensagem foi simples, objetiva e no poder do Espírito Santo, ao ponto de seus ouvintes serem compungidos em seus corações e perguntarem: ―Que faremos, homens irmãos‖ (At 2:37). A resposta de Pedro começou com a palavra toda importante,arrependei-vos. ―E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo‖ (At 2:38). Mais tarde, quando Pedro e João foram ao templo para orar, eles curaram um homem paralítico, e houve grande alvoroço entre o povo. A sua curiosidade e admiração forneceu uma boa oportunidade para Pedro pregar o Evangelho, e ao fazê-lo ele disse: ―Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor‖ (At 3:19). Perto do final do ministério de Pedro no Novo Testamento, temos a sua última menção deste mesmo tema em II Pedro 3:9: ―O Senhor não retarda a sua promessa; ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se‖. Através de toda a sua vida de serviço útil como pregador do Evangelho a mensagem de Pedro não mudou, e ela continuará a mesma até a consumação do século.
5. O apóstolo Paulo
Pregando no Areópago, Paulo manifesta a ignorância do coração do homem não regenerado, e diz: ―Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo lugar, que se arrependam‖ (At 17:30). A reação dos corações de alguns à sua mensagem foi uma reação de fé: ―todavia, chegando alguns homens a ele, creram. Entre os quais foi Dionísio, areopagita, uma mulher por nome Damaris, e com eles outros‖ (At 17:34). Mais tarde, quando Paulo chama os anciãos de Éfeso a Mileto, ele relata a sua vida e ministério na Ásia, e ele lhes diz: ―Nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas, testificando, tanto a judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo‖ (At 20:20-21). Em Romanos 2:3-4, Paulo escreve: ―E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?‖ A bondade e benignidade de Deus deve fazer o pecador reconsiderar a sua atitude para com Deus e para com o seu pecado contra Deus.
6. O apóstolo João
João não menciona o arrependimento no seu Evangelho ou nas suas epístolas, mas em Apocalipse caps. 2 e 3 ele repassou a mensagem de arrependimento, enviada pelo
Cristo ressurrecto, a cinco das sete igrejas locais. Para elas, o arrependimento não era para obter entrada no reino, por meio da salvação, mas mesmo assim, era para o perdão dos pecados. O perdão tanto para o incrédulo como para o salvo exige arrependimento e o abandono do pecado.
O elo entre o arrependimento e a fé
Como é que o arrependimento e a fé estão ligados? Qual é mais importante? Será que um produz o outro? Perguntas como estas têm ocupado a mente de ensinadores e comentaristas durante séculos. Alguns têm colocado mais ênfase em um do que no outro, causando confusão onde deveria haver clareza e convicção. Colocar um em oposição ao outro, ou priorizar um mais que o outro, é falhar no ensino das Escrituras. As duas verdades são inseparáveis na experiência da conversão. O verdadeiro arrependimento está intimamente ligado à verdadeira fé — nenhum dos dois se mantém sozinho. O pecador não pode deixar o pecado e voltar-se ao nada; isso não seria verdadeiro arrependimento. Também, o pecador não pode voltar-se a Deus em verdadeira fé sem mudar a sua opinião sobre o pecado, de outra forma não seria verdadeira fé. É necessário voltar de para poder voltar para. Quando um pecador se arrepende, ele vira as costas a si mesmo e ao pecado; e quando ele crê em Cristo, ele confia inteiramente nEle como Salvador. Deixar o pecado sem confiar em Cristo seria somente uma reforma; e chegar-se a Cristo sem arrependimento nada mais é do que emoção religiosa.
Alguns versículos mencionam somente o arrependimento, ou somente a fé em Cristo. Isso significa que o pecador é salvo somente pelo arrependimento sem fé em Cristo? Ou será que alguns versículos ensinam que o pecador pode ser salvo somente pela fé em Cristo, sem arrependimento? Se adotarmos este raciocínio, então a Bíblia apresenta dois caminhos de salvação — um pela fé e outro pelo arrependimento! Mas não é assim, e precisamos prestar atenção ao ensino completo das Escrituras sobre a salvação. As palavras do Senhor: ―Arrependei-vos e crede no Evangelho‖ (Mc 1:15), e a afirmação clássica de Paulo: ―Arrependimento para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo‖ (At 20:21, ARA), colocam ambos os conceitos juntos, porque ambos são essenciais para a salvação. Como já foi mencionado, são os dois pés necessários no passo único da conversão que tira o pecador das trevas e o conduz à luz. Onde somente a fé é mencionada, o contexto revela por que a verdade do arrependimento é omitida. Por exemplo, em Atos 16: 30-31, o carcereiro tremulo perguntou: ―Que devo fazer para que seja salvo?‖ Paulo e Silas responderam: ―Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo‖. Por que eles não mencionaram o arrependimento? O apóstolo podia ver, claramente, que o carcereiro estava convicto do seu pecado e não precisava ser instruído a deixá-lo. O Espírito Santo já lhe havia revelado a corrupção do seu coração. Foi por isso que ele clamou ―que devo fazer para que seja salvo?‖ Ele queria ser salvo da terrível calamidade e castigo do seu pecado.
Algumas observações sobre o arrependimento
Visto que o verdadeiro arrependimento e a verdadeira fé são necessários para a salvação, não nos surpreende ver que Satanás procura subverter aquele que sinceramente busca a salvação. Ele é o mestre das falsificações, e tem conseguido iludir muitos e levá-los a aceitar o erro em relação ao arrependimento. A maior tragédia pessoal é crer em algum erro propagado por Satanás para a salvação eterna, portanto vamos agora identificar, resumidamente, alguns dos erros comuns relacionados com o arrependimento.
1. Reforma de vida não é arrependimento
Um sentimento de responsabilidade moral leva muitos a desejarem viver uma vida melhor, não importa qual a sua crença religiosa. Muitos que negam a Bíblia têm um desejo inato de ser pessoas melhores. Por isso eles deixam alguns dos seus hábitos indesejáveis e conseguem, até certo ponto, melhorar o seu comportamento. Qualquer pessoa pode ―mudar de vida‖, e renunciar alguns pecados aqui e ali durante a vida — isso não requer a ajuda de Deus, mas isso não transforma o pecador numa pessoa melhor. Não importa quanto as pessoas tentam reformar o seu caráter, isso não é arrependimento.
2. Remorso não é arrependimento
O autor se lembra que uma das primeiras lições que aprendeu na escola foi que arrependimento significa sentir tristeza pelos seus pecados. Embora seja verdade que em cada caso de arrependimento verdadeiro há tristeza por causa do pecado, é possível sentir grande tristeza e ainda não estar arrependido. Às vezes a tristeza é por causa das consequências, e não por causa do pecado em si. Frequentemente, a tristeza é porque um pecado específico foi descoberto e a pessoa fica envergonhada. Em II Coríntios 7:10, Paulo nos mostra a função da tristeza no arrependimento: ―Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, do qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte‖. Tristeza produz arrependimento, mas não o substitui.
3. Penitência não é arrependimento
Para muitos, a tristeza por causa dos pecados produz um desejo profundo de fazer algo para reparar o dano, e afligir-se por causa daquele pecado. No século XV, a igreja de Roma já tinha introduzido o sacramento da penitência como doutrina formal e prática. Este terrível erro se aproveita das emoções daqueles que sentem a necessidade de fazer algo por causa dos seus pecados. Ensina que pela contrição, confissão e castigo de si mesmo, a pessoa se torna apta a receber a absolvição do sacerdote. Até mesmo os escribas no tempo de Cristo, que eram Seus inimigos, sabiam melhor, como vemos pela sua pergunta: ―Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?‖ (Mc 2:7). A tradução ―Douay-Rheims‖ das Escrituras, feita pela Igreja Católica Romana, troca a palavra ―arrependimento‖ pela palavra ―penitência‖. Isso apóia o seu grande erro, que tem sido responsável por levar milhões a seguir uma vida de boas obras na tentativa de ganhar o perdão e o céu. Penitência é como pesar, não chega a reconhecer a posição do pecador perante Deus — culpado e depravado. O pesar leva o pecador a pensar que, por meio de tristeza suficiente, ele pode pagar pelos seus pecados. Penitência leva a igreja e seus sacerdotes a pensarem que eles podem perdoar pecados. Ambos são erros fundamentais que negam o âmago da mensagem do Evangelho, de que o perdão vem somente pela graça de Deus. Não existe base bíblica para apoiar a idéia de penitência. A Bíblia afirma claramente que a salvação é pela graça de Deus somente, com base somente na fé, e somente em Cristo. ―Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie‖ (Ef 2:8-9). ―Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo‖ (Tt 3:4-5). O perdão não pode ser comprado com boas obras, indulgências, ou dinheiro.
4. Arrependimento é um ato único e uma atitude contínua
Quando uma pessoa é convencida de um pecado específico, há uma necessidade de deixar imediatamente aquele pecado. Mas, além daquele ato de arrependimento por um pecado específico, há também a necessidade de uma atitude de arrependimento em
relação à sua atitude para com o pecado. No momento da conversão, um ato inicial de arrependimento e fé em Cristo produz uma atitude contínua de fé e arrependimento. Com alguns, parece haver uma repetição continua de arrependimento, sem nunca estarem verdadeiramente arrependidos — eles continuam a voltar aos seus velhos caminhos. O verdadeiro arrependimento exige uma mudança de atitude permanente, uma completa mudança de direção, que se manifesta num novo estilo de vida.
5. Arrependimento significa abandonar o que sou e o que tenho feito
Depois de Natã, o profeta, ter confrontado Davi com o seu pecado, e depois dele receber o perdão porque se arrependeu, Davi, no Salmo 51:3, 5, escreveu as seguintes palavras: ―Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim … Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe‖. Davi sentiu profundamente o que ele era (v. 5) e o que ele fizera (v. 3). Por isso ele clamou por misericórdia pelo que tinha feito: ―Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve‖ (v. 7). Seus pecados precisavam de purificação e perdão, que somente Deus podia dar. Sua convicção de pecado também o levou a declarar o que ele era: ―Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto‖ (v. 10). O fato dele ser pecador também precisava ser corrigido por Deus; seu homem interior (―coração‖ e ―espírito‖) também precisava ser mudado. Davi reconheceu que todo pecado é a expressão de uma natureza pecaminosa. O verdadeiro arrependimento precisa ir além de reconhecer o que fiz; precisa também incluir um reconhecimento do que sou — um pecador por nascimento e por natureza. O arrependimento é ter novos pensamentos sobre a raiz e também sobre o fruto do pecado. Eu não mais aprecio e amo os meus pecados; eu também odeio o que sou como uma pessoa pecadora. Escondidos debaixo dos pecados estão as raízes do orgulho, egoísmo e incredulidade. Estas raízes perniciosas produzem uma variedade de frutos venenosos, e enquanto as raízes não forem tratadas em arrependimento perante Deus, elas produzirão fruto em abundância. Este aspecto do arrependimento desafia o próprio cerne dos pensamentos modernos sobre o homem. O homem não regenerado é enaltecido como o exemplo perfeito de tudo que é bom e louvável, e deve pensar muito bem de si mesmo. A maioria dos conselhos sobre como progredir na vida incluem muitos elogios de si mesmo e maneiras de aumentar a auto estima, mas tudo isso é estranho ao conceito das Santas Escrituras sobre o homem caído e em necessidade de perdão.
Evidências de arrependimento
Em II Coríntios 7 o apóstolo Paulo dá um relato analítico do verdadeiro arrependimento da igreja em Corinto. Na sua primeira epístola ele identificou os seus vários pecados, e apresentou como deveriam ser tratados. Ele diz, em II Coríntios 7:8-9, que sua carta anterior causou-lhes tristeza, mas que ele estava satisfeito com isto: ―Porquanto, ainda que vos contristei com a minha carta, não me arrependo, embora já me tivesse arrependido por ver que aquela carta vos contristou, ainda que por pouco tempo. Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma‖. Ele não estava contente pela tristeza que sentiram quando foram convictos através da sua primeira epístola; mas ele estava alegre porque sua tristeza produzira o arrependimento. Ele também mostra que há um tipo de tristeza causada pelo pecado que é experimentado pelo mundo; mas que não é o resultado da convicção do pecado. É simplesmente tristeza por causa das consequências do pecado, e não por causa do pecado. Há uma grande diferença! Quer seja na salvação do pecador ou na restauração do salvo desviado, é necessário haver arrependimento, e em ambos os casos as evidências serão as mesmas. Há princípios fundamentais vistos em todo caso
de arrependimento; estes são listados em II Coríntios 7:11: ―Porque, quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio‖. Os sete princípios que são as evidências do verdadeiro arrependimento são: cuidado, apologia, indignação, temor, saudades, zelo e vingança.
Cuidado (―diligência‖, JND). Os coríntios foram sinceros no seu arrependimento; eles deram atenção diligente ao arrependimento dos pecados que tinham cometido. A tristeza de coração criada pelo Espírito Santo produziu uma determinação de colocar as coisas em ordem com diligência e cuidado. O arrependimento não pode ser leviano ou relaxado.
Apologia (―desculpas‖, JND). Todo sinal de culpa precisava ser removido — eles queriam ser justos. Isso não era auto defesa, mas colocar as coisas em ordem para que nenhuma acusação contra os seus pecados anteriores pudesse ser mantida.
Indignação. A tristeza de Deus produziu neles uma profunda ira contra os seus pecados. Indignação significa sentir ira ao ponto de tristeza inconsolável. Eles se tornaram tão cônscios das suas ações pecaminosas que odiaram o seu pecado.
Temor. Quando a gravidade do seu pecado se apoderou das suas almas, isso produziu neles um santo temor do Senhor e uma repulsa daqueles pecados. Este temor agiria como um preservativo contra outros pecados ou pecados repetidos.
Saudades (―desejo ardente‖, JND). Enquanto estes aspectos precedentes foram prendendo seus corações, eles desenvolveram um desejo ardente de corrigir as coisas que estavam erradas. Eles estavam com pressa de se arrepender e fazer mudanças. O verdadeiro arrependimento nunca é negligente ou indolente — ele quer retificar o que está errado o mais rápido possível.
Zelo. Zelo significa colocar este ―desejo ardente‖ em prática. Quando começaram a se arrepender eles continuaram até o fim, não pararam no meio. Eles saíram à procura de cada pecado e buscaram o perdão completo e total.
Vingança. Seu zelo os levou a um sentimento de punição contra si mesmos, no sentido de desejarem colocar tudo em ordem, até mesmo satisfazer qualquer exigência por restituição, que seu pecado tivesse causado.
O arrependimento em Corinto se manifestou desta maneira sétupla e resultou numa mudança no seu comportamento, assim evitando que mais acusações pudessem ser feitas contra eles.
Como é que o arrependimento é efetuado?
Sendo que o arrependimento é tão essencial ao perdão e bênção divina, como pode ser produzido? A Bíblia apresenta quatro princípios que devemos considerar.
1. É preciso haver convicção
Se a pessoa não sabe que é pecador, não haverá nenhum sentimento de precisar fazer algo. Se ela não for convencida de que cometeu pecado, não verá a necessidade de arrependimento. Convicção é o sentimento de necessidade pessoal, criado pela consciência do pecado. Em Romanos 1, Paulo mostra que os gentios pagãos são pecadores porque são culpados de pecado contra Deus, como Ele é revelado na criação e nas suas próprias consciências. Em Romanos 2, ele mostra que os judeus que têm a revelação de Deus nas Escrituras têm pecado contra elas. Então ele pergunta em 3:9: ―Pois que? Somos nós [judeus] mais excelentes [que os gentios]?‖ Ele também dá a resposta: ―De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado‖. Para enfatizar esta declaração da culpa
universal, ele continua, nos vs. 10-18, citando as Escrituras do Velho Testamento como testemunha destas acusações: ―Como está escrito: Não há justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nenhum só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos‖.
Que lista de acusações! Elas são apresentadas ―para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus‖ (Rm 3:19). Quando o Espírito Santo aplica estas verdades ao coração não regenerado, o resultado é convicção do pecado, sem a qual não pode haver arrependimento.
2. É preciso haver contrição
Quando uma pessoa está profundamente convencida do seu pecado e da sua necessidade de perdão, há contrição genuína perante Deus. Davi fala disto no Salmo 51:17: ―Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus‖. Contrição é um sentimento de quebrantamento perante Deus. É a ausência do orgulho e auto estima. Em Mateus 5:3 o Salvador fala de contrição como um meio de bênção: ―bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus‖. O verdadeiro arrependimento nunca será visto numa pessoa que tem um sentimento de orgulho quando confrontada com os seus pecados.
3. É preciso haver um espírito humilde
A convicção do pecado produz contrição e a contrição produz humildade. ―A soberba do homem o abaterá, mas a honra sustentará o humilde de espírito‖ (Pv 29:23). Não há evidência de arrependimento no pecador orgulhoso que recusa se prostrar e chegar a Deus com um espírito de humildade: ―Ainda que o Senhor é excelso, atenta todavia para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de longe‖ (Sl 138:6). ―Aquele que murmura do seu próximo às escondidas, eu o destruirei; aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não suportarei‖ (Sl 101:5). Provavelmente o orgulho é o maior obstáculo à bênção e ao perdão, quer na salvação de pecadores ou na restauração dos salvos. Não podemos obter misericórdia se não nos humilharmos perante Deus. A humildade é obrigatória para o arrependimento e o perdão.
4. É preciso haver confissão
Através do Velho e do Novo Testamentos, há uma constante exigência de confissão dos pecados para se obter o perdão. Quando o pecado entrou no jardim do Éden, as perguntas de Deus a Adão e Eva pretendiam provocar confissão: ―Onde estás? Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?‖ (Gn 3:9-11). Será que Deus não conhecia as respostas? Claro que sim! Ele estava, em graça, confrontando-os com os seus pecados e dando-lhes uma oportunidade para confessá-los. ―O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia‖ (Pv 28:13). Esta exigência de confissão se aplica também ao salvo que pecou. Cometer pecados ocultos requer uma confissão pessoal a Deus, depois da qual o perdão e purificação são dados: ―Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça‖ (I Jo 1:9). O pecado público precisa ser confessado, em primeiro lugar a Deus e depois àqueles que foram prejudicados pelo nosso pecado: ―Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis‖ (Tg 5:16). Tanto nos casos de pecado pessoal ou público a retribuição precisa ser feita quando exigida, como parte do ato de arrependimento. Vemos isso no caso de Zaqueu, quando ele disse:
―Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado‖ (Lc 19:8). A confissão deve ser feita com cuidado e consideração para não causar obstáculo a outros, e precisa ser completa e total.
Uma parábola sobre arrependimento
Provavelmente a parábola tríplice em Lucas 15 é a mais bem conhecida de todas as parábolas do Senhor. É também a mais extensa, e dá mais ensino detalhado do que qualquer outra. É necessário incluí-la aqui, pois o seu tema principal é o arrependimento. A parábola foi em resposta às murmurações dos escribas e fariseus: ―E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles‖. Eles reclamavam da associação do Salvador com pecadores. Através de uma parábola, o Senhor explicou que Ele tinha prazer em estar na companhia daqueles que os líderes religiosos desprezavam. Há três casos no Evangelho de Lucas que falam da murmuração dos escribas e fariseus. A reação do Senhor nestas três ocasiões nos fornece o Seu ensino sobre o arrependimento.
Em 5:30 eles ―murmuravam contra seus discípulos, dizendo: por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?‖. Jesus respondeu a esta murmuração dizendo que ―não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos. Eu não vim para chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento‖. Em 15:2, a murmuração é diretamente contra o Senhor Jesus mesmo, quando eles disseram: ―Este recebe pecadores, e come com eles‖. O Senhor respondeu a esta reclamação explicando novamente que Sua aceitação de pecadores é com base no seu arrependimento. No cap. 19, quando Zaqueu se arrependeu, novamente houve murmuração; mas aqui foi por ―todos‖ que ―vendo isto murmuravam‖ (v. 7). A murmuração dos líderes tinha, como o fermento, se espalhado a todo o povo.
Em cada um destes três trechos há uma reclamação contra o Senhor e Seus discípulos:
5:30 — ―Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?‖
15:2 — ―Este recebe pecadores e come com eles‖.
19:7 — ―… entrara para ser hóspede de um homem pecador‖.
Na Sua resposta a cada reclamação, há uma afirmação clara do Salvador para explicar o ato de amor e misericórdia divina para com os que se arrependem.
5:32 — ―Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento‖.
15:7 — ―Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende‖.
19:10 — ―Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido‖.
Em cada resposta o Senhor coloca uma ênfase diferente, mas todas falam sobre o arrependimento. No cap. 5 Ele enfatiza a necessidade do pecador; no cap. 15 é a alegria do pecador e do Pai; e no cap. 19 é a bênção do pecador.
Não há nenhuma outra parábola tão cheia de detalhes sobre a verdade evangélica como esta parábola tríplice em Lucas 15. Seria além do alcance deste artigo expor tudo, mas escolheremos os princípios salientes relacionados com o arrependimento. Não há dúvida de que temos de interpretar a parábola como falando da salvação de um pecador, e não da restauração de um salvo. Embora haja semelhanças no arrependimento de ambos, o contexto e conteúdo aqui mostram que o ensino é sobre o arrependimento para a salvação. A platéia nesta ocasião era composta de ―publicanos e pecadores‖ (15:1). O pecado do filho o levou a uma terra distante onde ele é descrito como estando ―perdido e morto‖ (v. 32). Seu arrependimento o trouxe a um lugar de gozo e bênção onde ele foi ―achado e vivo‖ (v. 32). Estas descrições são apropriadas à salvação, e não à restauração.
Ao tratar da ovelha perdida e da moeda de prata perdida, o Senhor não fala nada sobre qualquer ação por parte do perdido; toda a atividade é dos donos enquanto buscam o que é realmente seu. O pastor vai atrás da ovelha perdida, caso contrário ela morreria. A mulher procura diligentemente até que encontra a moeda perdida, senão ela ficaria no escuro. O ensino é claro: Se Deus não agir primeiro em misericórdia para com o pecador perdido, não haverá salvação. Um pecador nunca se arrependerá, nem sentirá o desejo de se arrepender, se Deus não começar a trabalhar no coração através do Espírito Santo. Contudo, para completar o quadro, a ênfase muda na parábola do filho perdido. Não é somente Deus que precisa trabalhar no coração em convicção, mas o pecador precisa responder à convicção. Se o pecador não quiser se arrepender, não haverá bênção. O filho era responsável pelos seus pecados, e também era responsável pelo seu próprio arrependimento.
Os problemas do filho pródigo começaram com a sua cobiça, quando disse ―dá-me‖ (15:12). Os problemas da raça humana começaram quando uma cobiça semelhante surgiu no coração de Adão e o levou a comer do fruto de uma árvore proibida por Deus. Tanto para Adão como para o filho pródigo, o problema rapidamente os mergulhou em trevas e desespero. Para o Pródigo não poderia haver bênção até que ele começasse a desejar uma mudança. Na descrição do Salvador sobre os pensamentos do pródigo sobre si mesmo, seu pecado, e seu pai, temos uma explicação do que é arrependimento.
O arrependimento do pecador é exatamente isso — uma mudança de pensamento sobre si mesmo, sobre seu pecado, e sobre Deus. A mente do rapaz começou a funcionar — ―tornando em si‖ (v. 17); ele mudou suas opiniões sobre suas escolhas passadas e para onde o levaram. Sua memória começou a funcionar e ele se lembrou da casa do seu pai (v. 17); ele mudou sua opinião sobre a grande provisão que havia na casa do pai. Sua miséria começou a operar — ―eu aqui pereço de fome‖ (v. 17); ele mudou sua opinião sobre a sua condição atual. Isso nos mostra onde começa o verdadeiro arrependimento: na mente. Envolve uma mudança de mente. Mas, se ele não agisse em relação aos seus novos pensamentos, ele teria morrido no campo; é preciso haver também uma mudança de coração em relação ao seu pai. Ele resolveu se levantar e voltar ao seu pai e confessar o seu pecado (v. 18). Que momento quando a mudança de mente e do coração foi manifestada numa mudança de direção, e ―ele levantando-se, foi para seu pai‖ (v. 20). No começo da história ele ―partiu para uma terra longínqua‖ (v. 13), mas agora ele está de volta. Ele resolveu ser honesto com seu pai sobre:
Suas obras — ―pequei …‖ (v. 13).
Seu valor — ―não sou digno de ser chamado teu filho‖ (v. 19).
Seu desejo — ―faze-me como um dos teus jornaleiros‖ (v. 19).
Entretanto, quando seu pai correu ao seu encontro, e o rapaz expressou sua confissão sobre suas obras e indignidade (v. 21), a coisa parou por ali. Ele não teve oportunidade de expressar seu desejo de ser um jornaleiro. Ele foi acolhido pelo abraço amoroso e pela expressão de graça do seu pai. Há uma interrupção bendita do pai, no v. 22: ―Mas o pai disse aos seus servos …‖. Este é o grande princípio da graça no perdão. O pai não escutará propostas; a bênção não pode ser negociada ou trocada por penitência. Semelhantemente, a bênção é nos termos de Deus, inteiramente: não é para o pecador arrependido dizer a Deus o que ele está preparado a fazer para ser aceito. O arrependimento traz o pecador da ―terra longínqua‖ para confessar aos pés do Pai, onde a remissão é concedida sem retribuição, a graça é estendida sem relutância por Deus, e o
pecador arrependido é colocado na esfera de bênção sem qualquer condição. A bênção é sempre de acordo com ―as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus‖ (Ef 2:7). O Pai se deleita em receber de volta o pecador ―são e salvo‖ (Lc 15:27).
Esta parábola nos dá um retrato completo do verdadeiro arrependimento. Não foi no momento quando ele mudou sua opinião sobre si mesmo e sobre o seu pecado que ele foi abençoado. O arrependimento exige uma mudança de coração sobre Deus o Pai, e uma mudança de direção que nos leva a Ele. Todos estes aspectos eram necessários para completar o seu arrependimento.
Finalmente, o Salvador ensina que quando um pecador se arrepende isso produz alegria no céu, para os anjos (v. 7), para o Pai; e para o pecador arrependido (vs. 23-24). O arrependimento é ter novos pensamentos sobre o pecado e sobre Deus, que resultam em convicção, contrição, humildade e confissão.