A Magestade da Sua Ascensão

 

Quando nos referimos à ascensão de Cristo estamos falando da Sua retirada gloriosa em relação à Sua presença corporal da Terra, e Sua entrada no próprio Céu.

O assunto será considerado sob os seguintes cabeçalhos:

• Profecia quanto à Sua ascensão.
• Pronunciamentos do Senhor Jesus sobre a Sua ascensão.
• A realidade da Sua ascensão.
• Os resultados da Sua ascensão:
Para o próprio Senhor Jesus
Para os crentes.
• Nossa resposta à Sua ascensão.
Profecia quanto à Sua ascensão

No Velho Testamento vemos ilustrações típicas de um verdadeiro homem em glória, e Davi, por exemplo, podia falar profeticamente da exaltação de Cristo à destra de Deus: “Disse o Senhor ao meu Senhor:
Assenta-Te à Minha mão direita, até que ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés” (Sl 110:1). No entanto, parece haver apenas uma profecia direta, no Velho Testamento, sobre a ascensão do Messias, e esta se encontra no Salmo 68.
O Salmo 68 é o “Salmo da Vitória”. Este Salmo magnífico traça a marcha de Deus para a vitória, ligando vitórias passadas relacionadas com Israel à vitória futura e final de Deus. A passagem Messiânica é o v. 18: “Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse entre eles”. Historicamente é uma referência ao dia quando Davi “trouxe a arca de Deus para cima, da casa de Obede-Edom, à cidade de Davi, com alegria” (II Sm 6:12). A expressão “subiste ao alto” inicialmente tinha em vista a Arca da Aliança sendo conduzida ao cume do Monte Sião. Mas embora o Salmo tenha suas raízes históricas no Velho Testamento, seus frutos doutrinários são vistos no Novo Testamento. Assim, Paulo, em Efésios 4:8, interpreta as três afirmações da seguinte maneira:
• “Subindo ao alto” — a ascensão do Cristo vitorioso;
• “Levou cativo o cativeiro” — a derrota do inimigo, a anulação da oposição;
• “E deu dons aos homens” — a distribuição de dons para a Igreja.

Nesta terceira frase há uma pequena mudança nas palavras do Salmo 68. Entretanto, a linguagem de Pedro no dia de Pentecostes corresponde diretamente com as palavras do Salmo: “recebeste dons”, pois ele declara que Cristo, exaltado, recebeu “do Pai a promessa do Espírito Santo” (At 2:33). O Homem exaltado, Cristo Jesus, recebeu dons que seriam distribuídos entre os homens.

Pronunciamentos do Senhor Jesus sobre a Sua ascensão

É o Evangelho de João que nos dá as afirmações do próprio Senhor a respeito da verdade da Sua ascensão. O Senhor Jesus diz aos Seus discípulos murmuradores: “Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?” (Jo 6:62). Em breve, o Filho de Deus retornaria àquela esfera de absoluta bem-aventurança, mas Ele voltaria na qualidade de “Filho do homem”. Devemos notar que o Senhor Jesus não declarou categoricamente que estes murmuradores iriam “vê-Lo” quando ascendesse, mas Ele meramente lhes perguntou se eles se sentiriam ofendidos com tal visão: “Que seria, pois, se vísseis?”. É interessante notar como a ascensão de Cristo é evidenciada, em tipo, na primeira parte de João 6, onde lemos: “Jesus subiu ao monte” (v. 3) e “tornou a retirar-Se, Ele só, para o monte” (v. 15).
Depois da Sua ressurreição Ele disse a Maria Madalena: “Não Me detenhas, porque ainda não subi para Meu Pai” (Jo 20:17). Essas palavras são frequentemente mal interpretadas e erroneamente aplicadas a uma ascensão secreta, da qual as Escrituras nada dizem. Insistir que essa é uma referência à apresentação do valor da Sua obra perante o trono de Deus, antes da Sua ascensão “oficial”, quarenta dias mais tarde (para se cumprir o tipo do Dia da Expiação), não combina com o ensino do restante do Novo Testamento. No contexto, o Senhor mesmo indicou a Maria Madalena que Sua ascensão aconteceria em breve, mas não “ainda”, e que isso mudaria a sua relação com Ele. Não seria mais uma presença física tangível (“não Me toques”), mas uma presença espiritual.
“Eu subo [devemos notar que aqui no Evangelho de João é na virtude do Seu próprio poder intrínseco] para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus”. Ele não disse: “Eu subo para nosso Pai”, já que a Sua Filiação é distinta e única. Os detalhes relativos à ascensão de Cristo não são dados por João, a razão sendo, talvez, que no seu Evangelho Cristo é visto como estando “no seio do Pai” (Jo 1:18) e como habitando no Céu enquanto ainda na Terra (Jo 3:13).

A realidade da Sua ascensão

A ascensão de Cristo foi real, literal e visível. Não há nenhuma referência no Evangelho de Mateus à Sua ascensão. Mateus fala somente da Sua morte, Seu sepultamento e Sua ressurreição. Este Evangelho retrata um Rei e o Seu reino; portanto é apropriado que Mateus conclua seu Evangelho com o Rei na Terra entre o Seu povo. Todavia, Marcos no seu Evangelho nos leva um passo adiante e relata a ascensão de Cristo; ele o resume numa breve afirmação: Ele “foi recebido no céu, e assentou-Se à direita de Deus” (Mc 16:19). A palavra “recebido” poderia ser traduzida “levado”; no entanto, Paulo diz que Ele foi “recebido acima na glória” (I Tm 3:16).
A primeira parte da declaração, “foi recebido [levado] no céu”, estava acessível à observação visual dos discípulos; já a segunda parte: “e assentou-se à direita de Deus” precisou ser recebida pela fé. É um fato bem conhecido que o objetivo de Marcos, no seu Evangelho, é apresentar Cristo como o Servo Perfeito de Jeová, e poderíamos perguntar se “à direita de Deus” é o lugar de um Servo, mas certamente é o lugar do Filho! Entretanto, Marcos escreve com muito cuidado, sob a direção do Espírito Santo, preservando a Filiação de Cristo, e ele inicia o seu Evangelho com as palavras: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (1:1). Realmente somente os verdadeiros filhos de Deus podem servir. Marcos, de acordo com o tema do seu Evangelho, acrescenta no final: “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram” (16:20). Embora elevado ao Céu, Ele é ainda o Servo ativo.
O relato de Lucas, no seu Evangelho, é cheio de sugestões espirituais.
Como o Pastor, Ele “levou-os fora até Betânia” (Lc 24:50). As memórias deste lugar devem ter sido fragrantes para o Senhor Jesus; foi ali que Ele fora amado e adorado. Parece haver uma ênfase nas palavras: “levou-os fora”; Sua última ação foi mostrar aos Seus que Ele não estaria mais associado com o sistema que O mandara à cruz.
Ele, como um Sacerdote, “levantando as Suas mãos, os abençoou” (Lc 24:50), sugerindo para eles o serviço que Ele estava para assumir na Sua posição nas alturas. Cristo não se tornou oficialmente Sacerdote até ocupar Seu lugar à destra de Deus, mas havia traços sacerdotais nEle, enquanto Ele estava aqui sobre a Terra, e é apropriado que este ato seja registrado por Lucas, já que este é o Evangelho sacerdotal. Por isso também é muito apropriado que há neste Evangelho mais referências ao Senhor em oração do que nos outros Evangelhos.
Assim, “abençoando-os Ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”.
Repare como é empregada a voz ativa: “Se apartou”. A palavra grega traduzida “elevado” indica o ato de conduzir uma pessoa a um lugar mais elevado. A ascensão do Senhor Jesus produziu adoração: “E adorando-O eles” (Lc 24:52). Devemos observar que a presença corporal de Cristo não é necessária para que Seu povo possa adorá-lO. Sua ascensão também gerou gozo: “tornaram com grande júbilo à Jerusalém” (Lc 24:52). Uma apreciação correta da ascensão de Cristo terá os mesmos
efeitos sobre o povo do Senhor, hoje.
Lucas nos dá mais detalhes no seu tratado posterior, o Livro dos Atos. É nele que aprendemos que um período de quarenta dias (que nas Escrituras frequentemente significa um período de provação, teste ou aprovação), se passou entre Sua ressurreição e Sua ascensão: “sendo visto por eles no espaço de quarenta dias” (At 1:3). Quatro vezes em Atos Lucas diz que Ele foi “recebido”; em cada caso é a mesma palavra grega usada por Marcos em 16:19, mas traduzida “recebido em cima”.
Os pensamentos dos discípulos sobre o estabelecimento imediato de um reino visível (“Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?”, At 1:6), foram eclipsados pela promessa de poder presente (“recebereis a virtude do Espírito Santo que há de vir sobre vós”, At 1:8), e pelo esboço do plano para seu trabalho futuro (“e ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”, At 1:8). Havia também a perspectiva do retorno de Cristo em glória: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu O vistes ir” (At 1:11). De fato Zacarias havia profetizado: “E naquele dia estarão os Seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente” (Zc 14:4).
Lucas nos diz que “uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos seus olhos” (At 1:9) e isso quer dizer literalmente que “uma nuvem O levou”.
Não era uma nuvem qualquer, era a nuvem Shekinah da presença de Deus. Devemos notar que a palavra aramaica Shekinah não se encontra nas Escrituras, mas significa literalmente “residência”, e era usada posteriormente pelos judeus para expressar a Presença Divina invisível.
O livro dos Atos registra a pregação de três homens principais: Pedro, Estêvão e Paulo, e sua pregação confirma o grande acontecimento da ascensão de Cristo à destra de Deus. Pedro, no dia de Pentecostes, pregou que o Senhor Jesus fora exaltado à mão direita de Deus: “De sorte que, exaltado pela destra de Deus” (At 2:33). Novamente diante dos líderes de Israel Pedro declarou: “Deus com a Sua destra O elevou a Príncipe e Salvador” (At 5:31).
A mensagem de Estêvão chega ao seu clímax com a grande verdade de um Homem na glória: “Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem que está em pé, à mão direita de Deus” (At 7:56). Paulo, ao recontar sua conversão, testifica do fato que “chegando perto de Damasco … de repente me rodeou uma grande luz do céu. E caí por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que Me persegues? … Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues” (At 22:6-8). Paulo, como Estêvão, viu o Cristo glorificado, assim ele podia dizer aos coríntios: “Não vi eu a Jesus Cristo, Senhor nosso?” (I Co 9:1).
Na Epístola aos Hebreus, pouco é dito sobre Cristo saindo da morte, embora o escritor fale do “Deus de paz, que pelo sangue da aliança eterna tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus, grande Pastor das ovelhas” (Hb 13:20), mas muito mais é dito sobre a Sua ascensão da Terra, Sua entrada no Céu e o fato dEle estar assentado à destra de Deus.
A nuvem ocultou aos olhos dos discípulos a passagem do Senhor enquanto Ele ascendia (“e uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos seus olhos”, At 1:9). Entretanto, o escritor aos Hebreus nos permite acompanhar Sua jornada: “temos um grande Sumo Sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus” (Hb 4:14). É importante notar que a preposição grega dia, traduzida “nos”, significa “através”. Existem três céus: a atmosfera, o Céu estrelar e o “terceiro Céu” (II Co 12:2), a habitação eterna de Deus. Cristo somente, entre todos os sacerdotes que Hebreus conheceu, é chamado de o Grande Sumo Sacerdote. Assim como Arão no passado passava através do pátio externo do Tabernáculo, depois através do Lugar Santo, e uma vez por ano entrava no Santo dos Santos pelo povo, assim Jesus, o Filho de Deus, passou através do Céu atmosférico e estrelar. Assim, Cristo não somente ascendeu, mas Ele atravessou os Céus para além dos limites do espaço.
No capítulo inicial da nossa Bíblia lemos: “E fez [isto é, Deus] as estrelas” (Gn 1:16), mas “todas as coisas foram feitas por Ele [o Verbo]” (Jo 1:3). Faríamos bem em considerar a vastidão dos Céus estrelados; há estrelas a tantos anos-luz de distância da Terra, que sua luz ainda não chegou até nós, mas quando Ele ascendeu, Ele passou “através dos céus”.
Sim, Ele é “feito mais sublime do que os céus” (Hb 7:26), e isso significa que Ele está exaltado acima dos céus. Nenhuma mente humana pode compreender plenamente a declaração de Paulo: “Aquele que desceu é também O mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas” (Ef 4:10). Podemos somente nos curvar e adorar.
Enquanto o Céu se regozijou com a Sua chegada, nós na Terra nos regozijamos sabendo, pela fé, que Ele ali está: “por Seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário” (Hb 9:12). Embora haja uma distinção entre o lugar santo (“o santuário”, Hb 9:2) e o “Santo dos Santos” (Hb 9:3), em relação ao Tabernáculo terrestre, esta distinção não é feita na Epístola aos Hebreus quanto ao “verdadeiro tabernáculo” (Hb 8:2) no Céu. Devemos notar que Ele penetrou “pelo” ou, “na virtude do” Seu próprio sangue, e não “com” Seu sangue, como alguns entendem. Sua entrada no “Lugar Santo” não foi para efetuar a redenção, pois esta já fora obtida no Calvário (“havendo efetuado uma eterna redenção”, Hb 9:12).
O escritor aos Hebreus continua dizendo: “Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo [próprio] céu” (Hb 9:24). Assim o santuário celeste não é cópia do terrestre, mas as “figuras das coisas que estão nos céus” (Hb 9:23) eram apenas uma representação terrena, uma cópia temporária, da realidade celestial. Aquele que trouxe a Deidade à Terra levou a humanidade para o Céu. Há um Homem na glória! Hebreus 9:24 define onde está o Céu: “… para agora comparecer perante a face de Deus por nós”. Cristo está lá, perante a face de Deus por nós.
Esta parte pode, portanto, ser resumida da seguinte maneira:
• Ele “subiu” (At 1:10);
• Ele passou pelos céus (Hb 4:14);
• Ele “entrou” (Hb 9:12);
• Ele comparece “perante a face de Deus” (Hb 9:24).
Paulo diz: “… levou cativo o cativeiro” (Ef 4:8); na Sua ascensão triunfal Ele levou cativo aqueles que Ele vencera no Calvário ao passar pelo domínio do “príncipe das potestades do ar” (Ef 2:2).


Os resultados da Sua ascensão
Para o próprio Senhor Jesus
Vindicação

Embora Ele fosse desprezado e rejeitado quando esteve aqui na Terra, o Céu agora recebeu o Senhor Jesus e Lhe deu as boas-vindas.
Deus reverteu a avaliação dos homens. Pedro, ao pregar no dia de Pentecostes, disse: “Porque Davi não subiu aos céus, mas Ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-Te à Minha direita, até que ponha os Teus inimigos por escabelo de Teus pés. Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus O fez Senhor e Cristo” (At 2:34-36).

Preeminência

É verdade que Cristo tem pleno direito à preeminência, o primeiro lugar, como o Filho de Deus, a imagem do Deus invisível e o primogênito de toda a criatura, mas na ressurreição e ascensão o Senhor Jesus entrou numa supremacia maior e mais significativa. Sua supremacia no Céu se estende além de todas as formas de domínio, autoridade e poder, quer seja no presente ou no futuro, sejam eles submissos ou hostis. Paulo escreve que Ele, o Pai da glória, O ressuscitou dentre os mortos, e O colocou “à Sua direita nos Céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se  nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. E sujeitou todas as coisas a Seus pés, e sobre todas as coisas O constituiu como cabeça da igreja” (Ef 1:20-22).
Pedro acrescenta seu testemunho: “O qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se Lhe sujeitado os anjos, e as autoridades e as potências” (I Pe 3:22).

Glorificação

Durante o curso do ministério no cenáculo, o Senhor Jesus disse aos Seus: “Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós Me buscareis, mas, como tenho dito aos judeus: para onde Eu vou não podeis vós ir; Eu vo-lo digo também agora” (Jo 13:33). Evidentemente Ele estava Se referindo ao Seu retorno ao Pai, que exigia a Sua ascensão.
Entretanto, no contexto Ele diz: “Se Deus é glorificado nEle [o Filho do homem] também Deus O glorificará em Si mesmo, e logo O há de glorificar” (Jo 13:32). Agora tendo glorificado a Deus na Terra, o Filho do homem seria imediatamente glorificado ao subir aos Céus.
Para os crentes, a ascensão de Cristo trouxe:
A descida do Espírito Santo
A descida do Espírito Santo não poderia acontecer até que o Senhor retornasse ao Céu: “E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-Se em pé, e clamou: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão de seu ventre” (Jo 7:37-38). Então João, escrevendo sob inspiração divina, acrescenta uma palavra de explicação: “E isto disse Ele do Espírito Santo que haviam de receber os que nele cressem, porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7:39).
Na noite em que foi traído, o Senhor Jesus disse aos Seus discípulos:
“Vos convém que Eu vá; porque se Eu não for, o Consolador não virá; mas, quando Eu for, vo-lO enviarei” (Jo 16:7). Realmente, a descida do Espírito Santo era evidência da ascensão e exaltação de Cristo. Ao pregar em Jerusalém no dia de Pentecostes, Pedro disse: “De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” (At 2:33).

A distribuição de dons para a Igreja

Quando Paulo escreveu aos Efésios, ele citou o Salmo 68:18: “Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens” (Ef 4:8). Paulo então explica: “E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4:11-12). Enquanto apóstolos e profetas eram dons fundamentais da Igreja, evangelistas,doutores e pastores estão conosco ainda hoje.
Devemos observar que em cada uma das quatro passagens das Epístolas no Novo Testamento (Rm 12:4-8; I Co 12:1-11; aqui em Ef 4:7-6 e I Pe 4:10-11) onde o assunto dos dons espirituais é considerado, a ênfase está no fato que cada cristão recebe um dom. É a responsabilidade de cada um cumprir o ministério específico confiado a ele.

A garantia de nosso lugar no Céu

O escritor aos Hebreus usa a expressão “interior do véu”, e então acrescenta: “Jesus, nosso precursor entrou por nós, feito eternamente Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 6:20). Era um conceito completamente novo para a mente judaica que o Sumo Sacerdote pudesse ser um precursor. Sob a antiga ordem das coisas, o sumo sacerdote entrava uma vez por ano, no Dia da Expiação, no Santo dos Santos do Tabernáculo, onde ninguém mais podia entrar.
Entretanto, para nós, como cristãos do dia presente, é diferente. Nosso Sumo Sacerdote é um precursor; Ele entrou “por nós”, significando que Ele preparou o caminho para nós. Ele não disse aos Seus no cenáculo: “Vou preparar-vos lugar” (Jo 14:2)? A entrada do precursor é a garantia de que um dia nós também estaremos lá com Ele. Aquele que disse: “… para que onde Eu estiver, estejais vós também” (Jo 14:3) já garantiu isso para nós, visto que Ele já foi para onde nós estamos indo.

Nossa resposta à Sua ascensão

Inevitavelmente existem aplicações práticas que surgem de verdades doutrinárias. Considerando a ascensão de Cristo, deveríamos estar ocupados com coisas espirituais. Nos versículos iniciais de Colossenses 3 temos duas expressões imperativas, “buscai” e “pensai”: “Buscai [isto é, continue buscando] as coisas que são de cima” (Cl 3:1) — isto aponta para um esforço prático. “As coisas que são de cima” estão em contraste acentuado com os “rudimentos do mundo” (Cl 2:20), as ordenanças e os preceitos dos homens. “As coisas que são de cima” afetam nossas vidas espiritualmente e moralmente, pois são celestiais e essencialmente santas. Mas Paulo continua: “onde Cristo está assentado à destra de Deus”. Devemos estar ocupados com Ele e com aquelas coisas que Sua ascensão e exaltação iniciaram; é ocupação de coração com Cristo que motiva o cristão.
“Pensai [isto é, tenha sua mente] nas coisas que são de cima” (Cl 3:2) — esta será a atitude, ou disposição, interior. Devemos ter nossas mentes nas coisas que são de cima, em contraste com as “coisas terrenas” (Fl 3:19). No contraste, “as que são da terra” se refere à religiosidade terrena dos homens, um assunto que Paulo aborda em Colossenses 2.
O cristão não deve ser controlado pela emoção, mas pela razão, iluminada e instruída pela revelação da mente de Deus, nas Escrituras.

Conclusão

A importância do fato histórico da ascensão corporal de Cristo não pode ser enfatizada demasiadamente. Este artigo destacou os resultados da Sua ascensão no que diz respeito a Ele e a nós. Que possamos, em resposta, dedicar-nos às “coisas que são de cima”.

Não observamos os poucos privilegiados,
Quando Tu subiste entre nuvens,
Erguerem ao Céu seus olhos espantados,
E então caírem ao chão prostrados;
Mas nós cremos que olhos mortais
Viram aquela viagem aos Céus
(John Hampden Gurney)

 

por David E. West, Inglaterra

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