A JACTÂNCIA DA CARNE

 Existem só as obras da carne que mencionamos até agora, ou há

outras obras carnais? Os pecados da carne que temos feito notar até aqui
são as paixões do corpo humano.
Mas agora devemos fixar nossa atenção em outro aspecto da carne.
Recordarão que anteriormente afirmamos que a carne consiste nas obras
da alma assim como também as paixões do corpo.
Até agora só falamos sobre a parte do corpo, deixando quase sem
tocar a parte da alma. É totalmente certo que o crente deve desprender-se
dos pecados do corpo, mas também tem que opor-se às obras de sua alma,
porque aos olhos de Deus são tão corruptas como os pecados do corpo.
Segundo a Bíblia, as obras da «carne» são de duas categorias
(embora ambas sejam da carne): as más e as hipócritas. A carne não
somente pode produzir pecados repelentes mas também condutas
louváveis; não só o baixo e o ruim mas também o elevado e o nobre; não
só as paixões pecaminosas mas também a boa intenção.
É a esta segunda parte que vamos nos dedicar agora.
A Bíblia emprega a palavra «carne» para descrever a vida ou a
natureza corrupta do homem, que abrange a alma e o corpo. No ato
criador de Deus, a alma foi colocada entre o espírito e o corpo, ou seja,
entre o que é celestial ou espiritual e o que é terrestre ou físico. Seu dever é
administrá-los de acordo com a função de cada um, conforme a sua
adequação, mas mantendo-os intercomunicados, para que, por meio desta
perfeita harmonia, o homem possa finalmente alcançar a plena
espiritualidade. Desgraçadamente, a alma cedeu à tentação que surgiu dos
órgãos físicos, escapando assim da autoridade do espírito e aceitando o
controle do corpo. Em conseqüência, a alma e o corpo ficaram unidos para
ser a carne. A carne não só está «livre do espírito», mas também é
totalmente contrária ao espírito. Por isso a Bíblia afirma que «a carne luta
contra o espírito» (Gl. 5:17).
A oposição da carne contra o espírito e contra o Espírito Santo é
dupla:
1) pecando: se rebela contra Deus e infringe a lei de Deus, e
2) fazendo o bem: obedece a Deus e segue a vontade de Deus.
Naturalmente, o elemento corporal da carne, cheio de pecado e de
paixões, não pode fazer outra coisa senão expressar-se em muitos
pecados, entristecendo o Espírito Santo. A parte da carne que é a alma, no
entanto, não está tão poluída como o corpo. A alma é o princípio de vida
do homem; é seu eu próprio, e consta das faculdades da vontade, da
mente e da emoção.
Do ponto de vista humano, as obras da alma podem não ser todas
más. Simplesmente se centram no pensamento, na idéia, no sentimento e
nas preferências e aversões da pessoa.
Embora todos estes se concentrem no eu, não são necessariamente
pecados poluentes. A característica básica das obras da alma é a
independência ou auto-dependência: Embora a parte da alma não esteja
tão poluída como a parte corporal, mesmo assim é contrária ao Espírito
Santo. A carne põe o eu no centro e eleva a vontade própria acima da
vontade de Deus. Pode servir a Deus, mas sempre segundo sua idéia, não
segundo a idéia de Deus. Fará o que seja bom a seus olhos. O eu é o
princípio que está detrás de cada ato. Pode ser que não cometa o que o
homem considera pecado; pode ser, inclusive, que tente cumprir os
mandamentos de Deus com todas suas forças; entretanto, o «eu» nunca
deixa de estar no coração da atividade.
Quem pode desentranhar a falsidade e a vitalidade deste eu? A
carne não só se opõe ao espírito, pecando contra Deus, mas também
tentando servi-Lo e agradá-Lo. Opõe-se ao Espírito Santo e o apaga,
apoiando-se em sua própria força, em vez de confiar por completo na
graça de Deus e deixar-se levar pelo Espírito.
Podemos encontrar muitos crentes ao nosso redor que, por natureza
são bons, pacientes e afetuosos. Agora bem, o que o crente odeia é o
pecado; em conseqüência, se pode livrar dele e das obras da carne
descritas em Gálatas 5, versículos 19 a 21, então se sente satisfeito.
Mas o que o crente admira é a justiça; em conseqüência, se esforçará
em agir corretamente, desejando possuir os frutos de Gálatas 5, versículos
22 e 23. Entretanto, o perigo se encontra aqui, porque o cristão não chegou
a aprender a aborrecer a sua carne em sua totalidade.
Deseja simplesmente livrar-se dos pecados que surgem dela. Sabe
como resistir um pouco às ações da carne, mas não vê que a própria carne,
em sua totalidade, deve ser destruída.
O que o engana é que a carne não somente pode produzir pecado
mas também pode fazer o bem. Se ainda fizer o bem é evidente que ainda
está viva. Se a carne tivesse morrido definitivamente, a capacidade do
crente de fazer o bem e de fazer o mal teria morrido com ela.
Uma capacidade para operar coisas boas mostra que a carne ainda
não morreu.  LER MAIS...
 

 

 

 

 

 

 

 

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