Aprendendo sob a Unção
 
Mat 11:29; Jo. 1:51; Mat 3:16; Jo. 1:4; Rom 8:2; 2 Cor 3:16-18.
 
 
A Escola de Cristo, isto é, a Escola onde Cristo é a grande lição e o Espírito Santo o grande Mestre; na Escola onde o ensino não é objetivo, mas subjetivo, onde o ensino não é sobre coisas, mas uma obra interior na qual Cristo faz parte da nossa experiência - esta é a natureza desta Escola.
 
O SIGNIFICADO DA UNÇÃO
 
“Você verá o céu aberto”. “Ele viu o céu aberto e o Espírito de Deus descendo sobre Ele”. Qual é o significado da Unção do Espírito Santo? Não é nada mais e nada menos do que o Espírito Santo assumindo Seu lugar como Senhor absoluto. A Unção é a liderança absoluta do Espírito Santo. Isto significa que qualquer outro senhorio é colocado de lado; o senhorio de nossa vida; o senhorio de nossas mentes; de nossas vontades; de nossos desejos. O senhorio de todo e qualquer interesse ou influência dá lugar ao senhorio do Espírito Santo; a unção jamais pode ser conhecida ou experimentada sem que isso ocorra. É por isso que o Senhor Jesus desceu às águas do Jordão, experimentando a morte, simbolicamente, assumindo o lugar do homem para que, a partir daquele momento Ele não mais ficasse sob o governo de Sua própria vida, em todos os sentidos, ficando completamente sujeito ao Espírito de Deus, em cada detalhe. A sepultura do Jordão estabeleceu o fim de todo e qualquer outro senhorio independente, e, ao ler a vida espiritual de Cristo nos Evangelhos você verá que é nessa posição que Ele se mantém o todo tempo. Muitas e poderosas influências vieram sobre Ele, a fim de governar e influenciar os seus movimentos. Algumas vezes era a própria força de Satanás, tentando influenciá-lo a fazer certas coisas em causa própria, ou para prolongar a sua vida física. Outras vezes Satanás se transvestia com os argumentos e persuasões dos discípulos amados, quando eles buscavam impedi-lo de ir por certos caminhos, ou tentavam influenciá-lo a preservar a Sua própria vida, evitando certos sofrimentos. De várias maneiras as influências vinham sobre Ele, de todas as direções, e muitos dos conselhos pareciam tão sábios e bons. Por exemplo, com relação a Sua ida à festa, foi exercida certa pressão sobre Ele: Todos estão indo à festa: se você não for, irá prejudicar a Sua missão. Se você realmente quer levar adiante a Sua causa, deve aceitar as regras religiosamente, pois irá perder caso não faça isso; você irá diminuir a Sua influência, irá diminuir Sua vantagem! E que apelo é esse se você já tem algo muito forte em seu coração, alguma causa para Deus, e o sucesso pode ser muito importante. Essas foram as influências que vieram sobre Ele. Mas seja Satanás vindo de todas as direções, com suas astúcias e insinuações, ou seja através dos mais íntimos, dos discípulos amados, seja qual fosse o tipo de argumento, Jesus não podia se desviar um milímetro de Seus princípios. „Eu estou debaixo da Unção; estou compromitido com a absoluta soberania do Espírito Santo e não posso me mover, custe o que custar. Pode até custar a minha vida, a minha influência, a minha reputação, tudo o que eu amo; não posso me mover, a menos que eu saiba do Espírito Santo que aquilo é a vontade do Pai, e não a minha, e nem a de outra pessoa.' Assim, Ele punha de lado qualquer coisa, até que soubesse em Seu espírito o que o Espírito de Deus testificava. Ele correspondia à esta lei, a este princípio, da absoluta autoridade, governo e senhorio da Unção, e foi para isso que aquela Unção veio. 
Este é o significado da Unção. Você quer a Unção do Espírito Santo? Por que você a quer? É a Unção algo que você deseja muito? Para qual finalidade? Para que você possa ser usado, possa ter poder, ter muita influência, possa ser capaz de fazer muitas maravilhas? A primeira coisa que a Unção significa e a mais preeminente é que nós não podemos fazer absolutamente nada, mas apenas aquilo que a Unção ensina e nos leva a fazer. A Unção tira todas as coisas de nossas mãos. A Unção se encarrega da reputação. Ela se encarrega do propósito de Deus. A Unção assume o controle de todas coisas, e tudo apartir daquele momento está nas mãos do Espírito Santo, e devemos lembrar que, se queremos aprender Cristo, este aprender Cristo se dá pelo trabalho do Espírito Santo em nós, o que significa que nós temos que seguir da mesma maneira que Cristo, em princípio e em lei.
Daí descobriremos que não estamos longe do Evangelho de João, que particularmente é o Evangelho espiritual da Escola de Cristo, antes, ouvimos até mesmo Jesus dizer: “O Filho nada pode fazer por Si mesmo”. “As palavras que Eu lhes digo, não as digo por mim mesmo”. “As obras que eu faço não são minhas; “o Pai, que habita em mim, é que faz as Suas obras”.
“O Filho nada pode fazer de Si mesmo”. Como você vê, existe o lado “negativo” da Unção; enquanto o lado positivo pode ser resumido em uma palavra _ o Pai. Talvez esta seja uma idéia um pouco diferente sobre a Unção daquela que temos recebido. A primeira coisa sobre a Unção é que nós somos aprisionados ao Senhorio do Espírito de Deus, para que nada nosso possa haver. Nada! Esta não é uma experiência agradável, se a vida natural estiver fortalecida e dominando. Por isso o Jordão deve estar lá, antes de haver qualquer Unção. É necessário que a nossa força natural e a nossa vida independente seja posta de lado, para que a Unção cuide de tudo.
Você percebe essa questão em 2 Cor. 3.16 “Contudo, convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu", quando o Senhor é o objeto em vista, “o véu é tirado, e todos nós com os rostos descoberto, refletindo como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória à mesma imagem… como pelo Espírito do Senhor”, ou, "o Espírito que é o Senhor". Você está na Escola, e você pode ver Cristo e aprender Cristo; ser transformado à imagem de Cristo pelo Senhorio do Espírito Santo. "Quando isto se volta para o Senhor", quando o Senhor é o nosso propósito em vista! Mas conosco, cristãos muito devotos, muito sinceros, que longo tempo leva para termos o Senhor como o único assunto! Dizer isto é uma coisa terrível? Nós dizemos que amamos o Senhor; sim, mas também amamos ter a nossa vida particular, e não queremos que a nossa vida seja anulada. Será que algum de nós já alcançou aquele ponto de realização espiritual onde não temos mais qualquer dificuldade com o Senhor? Oh, não, nós ainda nos encontramos em um lugar onde frequentemente pensamos que é do interesse do Senhor que os nossos corações tomem uma certa direção, e o Senhor não nos permite fazer aquilo, e então temos uma dificuldade; e aquilo nos trai completamente. Nossos corações estão envolvidos com tudo isso. Não foi fácil, nem simples para nós dizer: Muito bem, Senhor, eu gostaria que Tu me permitisse fazer tal coisa, mas eu me deleito apenas em fazer a Tua vontade! Ficamos desapontados quando o Senhor não nos deixa fazer aquilo que queremos; ou se o Senhor retarda as coisas, e temos que esperar. Oh, se pudéssemos chegar logo e fazer aquilo! Não é isso verdade para a maioria de nós? Sim, é verdade! Nós agimos assim, e isso apenas significa que, afinal de contas, o Senhor não é o nosso único objeto, como achávamos que fosse. Temos outros objetos paralelos e associados com o Senhor; isto é, algo que queremos ser ou fazer, algum lugar anode queremos ir, algo que queremos ter. Está tudo lá, e o Espírito Santo conhece tudo a respeito. Nesta Escola de Cristo, onde o objetivo de Deus é Cristo, somente Cristo, a Unção significa que é Cristo quem deve ser o Senhor pelo Espírito. A Unção assume esta posição. Bem, isto é mais do que suficiente para o momento a respeito da Unção. Isto foi verdade em Cristo, e tem que ser verdade em nós.
 
“SENHORIO" E "SUJEIÇÃO"
 
Se quisermos terminar o curso na Escola de Cristo, se quisermos alcançar a glória, a plenitude da glória de Cristo, ser um instrumento competente nas mãos do Senhor em Seu Reino, a única forma de aprendermos esse governo divino, celestial e espiritual, que é o propósito do Senhor para os santos, é nos sujeitarmos ao Espírito Santo. Esta palavra „sujeição‟, no Novo Testamento, é uma palavra bastante interessante. Penso que ela tem sido tratada de forma errada, e se tem dado a ela um significado muito desagradável. A idéia de sujeição, ou submissão, é usualmente aquela de ser esmagada, ser posto em posição inferior o tempo todo, supressão. “Mulheres, sejam submissas aos vossos próprios maridos." Isto é interpretado assim: Você tem que ficar por baixo. Mas a palavra não significa isso, absolutamente. Como devemos interpretar o que a palavra grega para submissão, ou sujeição, realmente significa? Bem, escreva o número 1, e em seguida, escreva submissão. Como você irá escrever isso? Você não irá colocar um outro número 1 abaixo. A palavra submissão significa „pondo ao lado ou após‟. O 1 é o primeiro número, ele fica em frente de tudo o que vem depois, e governa e dá valor a todo o resto. Submissão significa que Cristo em tudo deve ter a preeminência. Nós vimos depois, e tomamos o nosso valor dele. Não é ser anulado, mas recebendo todas as coisas Dele como a primeira coisa: e você nunca obtem os benefícios até que você conheça a submissão a Cristo. Quero dizer, você vem depois, você toma o segundo lugar e recebe todo o benefício; você obtem valor ao assumir uma certa posição. A Igreja não está sujeita a Cristo no sentido supressivo, nem está debaixo do Seu calcanhar, mas simplesmente vem depois Dele, está ao Seu lado, para que Ele tenha a preeminência, e a igreja, Sua noiva, recebe todos os benefícios dessa preeminência. A Igreja está em Segundo lugar, sim; mas quem se importa com esse segundo lugar se você irá receber todos os valores do primeiro, assumindo o segundo lugar? Isto é sujeição. O plano do Senhor para a igreja é que ela tenha tudo. Mas como ela irá receber isso? Não assumindo o primeiro lugar, mas vindo ao lado do Senhor, e em todas as coisas deixando que Ele tenha a preeminência. Isto é sujeição, submissão. O senhorio do Espírito não é algo duro, que nos exclui, que tira tudo de nós, ao ponto de não ousarmos nem nos mover. O senhorio do Espírito é nos trazer para dentro de toda essa plenitude de Cristo. Mas nós devemos primeiramente aprender o significado desse senhorio, antes de chegarmos a essa plenitude. É a plenitude de Cristo que recebemos. O problema sempre foi, desde os dias de Adão até os nossos dias, que o homem não quer a plenitude de uma outra pessoa, ele quer a sua própria plenitude; ele quer ter a plenitude em si mesmo, e não em outra pessoa. O Santo Espírito remove tudo isso e diz: É a plenitude de Cristo; é Nele. É Ele quem deve ter o lugar de absoluto senhorio, antes de podermos conhecer a Sua plenitude. Bem, por ora acho que isto é suficiente, sobre o significado da Unção. Você conseguiu compreender? O Senhor nos deu graça para aceitar o significado do Jordão, a fim de podermos ter o céu aberto e, através do céu aberto, a unção nos traz toda plenitude celestial. Mas isto significa o total senhorio do Espírito. Nunca iremos entrar na Escola de Cristo até que aceitemos o senhorio do Espírito Santo. Aí está o porque de muitas pessoas não conseguirem ir muito longe no conhecimento do Senhor. Elas não aceitam as implicações da Unção, jamais desceram no Jordão. O progresso dessas pessoas, sua aprendizagem, é muito lenta, muito pobre. Encontre uma pessoa que realmente conheça o significado da Cruz, do Jordão, em abrir o caminho para o senhorio do Espírito, e você achará um crescimento rápido; você encontrará um desenvolvimento espiritual muito além das demais pessoas. Isto é muito verdade. Este é o exame preliminar.
 
A PRIMEIRA LIÇÃO NA ESCOLA DE CRISTO
 
Ao entrar na Escola de Cristo, começa a lição número um. Essa lição não é nada mais do que uma reiteração de tudo aquilo que já temos dito em meditações anteriores. A primeira lição que o Espírito Santo nos leva a aprender é o que chamamos de a total diferença entre a pessoa de Cristo e a nossa pessoa. Esta não é somente a primeira lição, mas também uma lição que continua por toda a nossa vida. Mas é por aqui que o Espírito começa. Você poderia pegar o evangelho de João, armado com este pensamento, e fazer a sua leitura novamente, de maneira firme e tranquila. Quão diferente Cristo é das demais pessoas, e até mesmo dos Seus discípulos! Você pode ir também para os demais evangelhos com esta mesma mentalidade. Isso será uma aprendizagem para a sua vida se o Espírito Santo estiver com você na leitura. Quão infinitamente diferente Ele é! Esta diferença é afirmada muitas e muitas vezes. “Vós sois da terra; Eu sou de cima”. Jo. 8:23. Isto realmente é uma diferença, e esta diferença se torna um contraste gritante ao longo de todo o caminho; um contraste de julgamentos, de mentalidade, de idéias, de valores, um contraste em tudo entre Ele e as pessoas, inclusive os discípulos que com Ele estavam. Sua natureza é diferente. Ele possui uma natureza celestial, uma natureza Divina. Ninguem mais tem isso. Ele possui uma mente celestial. Todos os demais tinham uma mentalidade terrena, e as duas não podem se corresponder em nenhum ponto; há um grande abismo entre elas. Ele é uma pessoa completamente diferente.
Agora, você diz, sendo assim, nós estamos em grande desvantagem. Ele é uma coisa e nós somos outra. Mas esta é a natureza e o significado desta Escola. Como este problema poderá ser resolvido? Bem, será resolvido da seguinte maneira: Jesus está o tempo todo falando sobre um tempo quando Ele estará dentro deles, e eles Nele, e, quando esse tempo chega, a realidade de suas vidas, no mais íntimo do ser, é outra completamente diferente daquela que tinham antes. Isto quer dizer, que Cristo estará dentro deles. Algumas vezes eles irão pensar em fazer algo, mas Cristo não irá permitir. Outras vezes pensarão que não é sábio fazer determinada coisa, mas Cristo se mantém no interior deles dizendo: Prossigam com isso! O homem exterior diz: É loucura! Estou procurando um desastre! Mas o homem interior diz: Você tem que fazê-lo! Essas duas pessoas não podem se reconciliar. Cristo está dentro, e é completamente diferente, e a nossa aprendizagem consiste em aprender a segui-Lo, a seguir o Seu caminho. “Se alguem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo … e me siga”. Negar-se a si mesmo: seus argumentos, seus julgamentos, seu senso comum. Siga-Me! É isso que Cristo vindica o tempo todo. Homens têm cometido a maior loucura, do ponto de vista da sociedade, e têm sido vindicados.Isto não é uma sugestão para
que você vá e cometa algumas loucuras. Estou me referindo a autoridade do Cristo que está dentro de nós, da diferença entre Ele e nós, e esta é a primeira lição que o Espírito Santo irá ensinar a qualquer um que venha para esta Escola de Cristo, que existe esta grande diferença, esta divisão; que Cristo é uma coisa e nós somos outra, completamente diferente; e jamais poderemos nos assegurar que estamos do lado certo, exceto se submetermos todas as coisas a Ele. Este é o porque da oração precisar ter tanto espaço na vida de um filho de Deus, e este é o porque da oração ter tido tanto espaço na vida do Senhor Jesus quando Ele estava aqui neste mundo. A vida de oração do Senhor Jesus é, num certo sentido, o maior problema que você encontra. Ele é o Cristo , o Filho de Deus; Ele está debaixo da Unção do Espírito Santo, e Ele é sem pecado, contudo precisa passar uma noite inteira em oração após um pesado e longo dia de trabalho. Cada vez mais você o encontra em oração. Por que deve Ele orar? Porque existem muitas influências na obra, há outras coisas que estão procurando consideração e obediência, e Ele deve se manter o tempo todo alinhado com a Unção, em harmonia com o Espírito, sob o qual governo ele se colocou. Ele não decidia nada por Si mesmo. Se Ele precisou fazer isso, quem dirá nós? Nós não estamos nem sequer ao nível Dele, sem pecado. A nossa natureza trabalha violentamente contra Deus, contra a vontade de Deus. Muito mais necessário é para nós ter uma vida de oração, pela qual é dada ao Espírito Santo a oportunidade de nos manter na direção certa, em conformidade com o propósito Divino, nos mantendo no caminho do Senhor.
Amados, se há uma coisa que um filho de Deus irá aprender sob o senhorio do Espírito Santo, é principalmente esta difereça entre Ele é nós; quão diferente somos Dele. Mas, louvado seja Deus, pois agora nesta dispensação, se realmente somos filhos de Deus, Cristo não é mais algo meramente objetivo, mas Ele está dentro de nós. Este é o Segundo estágio dessa questão da „diferença entre Ele e nós‟. O primeiro estágio é o fato dessa diferença. Aceitaremos nós isso? O Senhor Jesus é uma pessoa completamente diferente de mim: até mesmo quando penso estar muito correto, eu jamais posso depositar minha confiança sobre meu próprio senso de justiça, até que eu tenha submetido minha justiça a Ele! Isto é algo radical, mas que é necessário. Muitos de nós têm aprendido essa lição. Não estamos falando de um livro, mas de experiência. Muitas vezes ficamos convictos de que estamos corretos e temos prosseguimos adiante, seguindo a nossa própria justiça em determinado julgamento, e nos desapontamos, e entramos numa terrível neblina de perplexidade e confusão. Achávamos que estávamos tão certos, que nem percebemos onde acabamos chegando! E quando pensamos a respeito, e o colocamos diante do Senhor, temos que perguntar a nós mesmos, quanto tempo eu esperei no Senhor e pelo Senhor sobre este assunto. Será que não nos precipitamos um pouco com o nosso senso de justiça? E aqui podemos citar o caso de Davi e a arca. A intenção de Davi estava correta, e o senso de Davi sobre o propósito de Deus estava correto. Que Deus queria a arca em Jerusalem não há dúvida, mas Davi tomou isso em sua alma como uma idéia, e trabalhou nela com grande entusiasmo, dentro de si, e assim ele construiu uma carruagem. A boa intenção, a boa idéia, o espírito devoto, colocou-o num sério problema. O Senhor feriu Uza, e ele morreu diante do Senhor, e a arca foi parar na casa de Obededom, e permaneceu lá, tudo porque um homem teve uma boa idéia, mas não esperou no Senhor. Você conhece a sequela. Mais tarde, Davi disse para os líderes dos levitas, “Santificai-vos, tanto vós como os vossos filhos, para que possais trazer a arca do Senhor, o Deus de Israel, para o lugar que eu preparei para ela. Porque vocês não a suportaram da primeira vez, o Senhor fez uma ruptura sobre nós, porque o buscamos não de acordo com a ordenança.” A instrução estava lá o tempo todo, mas Davi não esperou no Senhor. Se Ele tivesse trazido esse seu entusiasmo devoto tranquilamente diante do Senhor, o Senhor o teria guiado conforme a instrução que tinha dado a Moisés, e dito, em efeito, „Sim, muito bem, mas lembre-se de que esta é a forma como a arca deve ser carregada.' Não teria havido morte, nem atraso, as coisas teriam ido bem.
Sim, nós podemos ter uma boa idéia, mas precisamos submetê-la ao Senhor, para nos assegurarmos de que não se trata de uma idéia exclusiva nossa, mas sim que a mente do Senhor está sendo gerada em nós. É muito importante aprender Cristo; Ele é completamente diferente de nós.
Como você vê, isto divide os cristãos em duas classes. Existe uma classe mais ampla de cristãos, para os quais Cristo é algo objetivo, exterior. É uma questão de ter adotado uma vida cristã, de modo que agora eles fazem muitas coisas que não faziam antes. Eles vão às reuniões, à igreja, lêem a Bíblia, fazem muitas coisas que não costumavam fazer antes; e também eles agora já não fazem muitas coisas que antes faziam. Tudo é uma questão de fazer ou não fazer, de ir ou não ir, de ser um bom cristão exteriormente. Esta é uma classe bastante grande, com seus vários graus de luz e sombra. Mas há aqueles cristãos que estão na Escola de Cristo, para os quais a vida cristã é algo interior, de caminhar com o Senhor, de conhecer o Senhor, de conhecer o que está no coração do Senhor, num grau maior ou menor. Esta é a natureza dessa caminhada, uma caminhada e viva com o Senhor, em seus corações. Há muita diferença entre essas duas classes.
 
O ESPÍRITO DA LEI OU INSTRUMENTO DE INSTRUÇÃO
 
Bem, devo concluir. É uma diferença total. E de que maneira o Espírito estabelece essa diferença em nós? — porque o Espírito não fala a nós usando uma linguagem audível. Nós não ouvimos uma voz exterior dizendo: Este é o caminho, andai nele! Então como podemos saber? Bem, é o que o apóstolo Paulo chama de “a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus”. “Nele estava a vida; e a vida era a luz”. De que forma devemos saber, por qual meio somos iluminados nessa questão da diferença entre os nossos caminhos, os nossos pensamentos, os nossos sentimentos, e os do Senhor? Como obtemos luz? A vida era a luz. “Ele que me seguir não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. (João 8:12). "A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus me libertou da lei do pecado e da morte." Aí está o instrumento do Espírito, se posso chamá-lo assim, para a nossa aprendizagem: é a vida em Cristo. Isto quer dizer que nós conhecemos a mente do Espírito a respeito das coisas por meio de um processo através do qual detetamos e discernimos a vida, vida Divina, o Espírito da vida. Se estamos vivos para o Senhor, então sabemos quando o Espírito não está concordando com algo, por meio de um senso de morte, há morte naquela direção.
Isto é algo que ninguem pode nos ensinar por meio de palavras, nos dando uma lição. Mas é algo que podemos experimentar. Você o sabe através de reações, violentas reações frequentemente. Por exemplo, você escolhe uma direção, e tem uma reação ruim. E você insiste nessa direção, para realizar algo, e, se você apenas parasse por um momento e olhasse para aquilo, saberia que é você quem está tentando fazer com que aquilo aconteça. Você sabe perfeitamente que falta espontaneidade naquilo, espontaneidade essa que é a marca do Senhor. Você sabe que o Senhor não está naquilo. Você não tem senso de espontaneidade nem paz. Aquilo é algo que tem que ser forçado, ser conduzido, para que aconteça.
Imagino que cada um de vocês, que é um verdadeiro filho de Deus, sabe do que estou falando. Lembre-se, este é o instrumento do Espírito para ensinar Cristo __ a vida. A marca de um homem ou mulher governado pelo Espírito é que eles se movem em vida, e que eles ministram vida, e que aquilo que vem deles é vida, e eles conhecem por meio daquela lei do Espírito onde o Senhor está, o que o Senhor é, o que o Senhor procura, o que o Senhor quer. É assim que eles sabem. Nenhuma voz é ouvida, nenhuma visão objetiva é vista, mas lá no íntimo o Espírito da vida é o juiz, o Espírito da vida.
Quão necessário é para nós estarmos vivos diante de Deus em Cristo Jesus. Quão necessário é que tomemos posse dessa vida. Se Satanás apenas puder trazer aquele espírito de morte sobre nós e deixar o nosso espírito sob o invólucro dessa morte, então ele irá cortar a luz imediatamente e nos deixará cambaleando; não saberemos onde estamos, não saberemos o que fazer. Ele está sempre tentando fazer isso, e estamos numa continua luta pela vida. Tudo para a realização do propósito de Deus está ligado com esta “vida”. Esta vida é potencialmente o resumo de todo propósito de Deus. Assim como numa semente está a vida, não apenas a vida de uma semente, mas a vida de uma grande árvore, e, se esta vida se manifestar, então dará origem à uma grande árvore, do mesmo modo, nesta vida que nos foi dada em nossa infância espiritual, nosso novo nascimento, nela há toda plenitude do poder de Deus, e todo o propósito de Deus, e Satanás está do lado de fora, não apenas para tentar cortar nossa vida, mas para tentar impedir que os propósitos de Deus se manifestem nessa vida que nos foi dada, esta vida eternal. O Espírito está sempre envolvido com esta vida, e Ele diz a nós: Cuidem dessa dela; não deixem que nada venha a interferir nesta vida; entendam vocês que, sempre que houver algo que venha a entristecer o Espírito, limitando a operação desta vida, vocês devem imediatamente recorrerem ao precioso Sangue que se mantem como uma testemunha contra a morte; esta vida é incorruptível, a testemunha no ceu que vence o pecado e a morte, pela qual vocês podem ser libertos das mãos de Satanas. Este precioso Sangue está sobre esta terra sobre a qual devemos enfrentar tudo aquilo que entristece o Espírito e limita a operação da vida, pela qual vimos a conhecer Cristo, neste caminho vivo, o qual está sempre crescendo até chegar à plenitude. Que o Senhor nos ajude.
 
UM PONTO ZERO
 
Todas essas passagens que temos lido são realmente uma sequência. Elas são consequências do primeiro: “Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens." E você perceberá que elas representam um ponto zero. A mãe de Jesus disse para Ele: Eles não têm vinho; não há nada para se extrair! O próximo capítulo é apenas uma outra maneira de dizer a mesma coisa. Nicodemos veio a Jesus e procurou começar por um ponto no qual considerou ser viável para se negociar com Jesus, mas era um ponto muito avançado, para que o Senhor pudesse aceitar; Assim, Jesus trouxe Nicodemos de volta para o ponto zero, e lhe disse: Você precisa nascer de novo. Nós não podemos começar em qualquer outro ponto que não esse. Se você e eu queremos ter qualquer tipo de relacionamento vivo, precisamos ir direto para lá: para ponto zero, e começar a partir dali. "Precisamos nascer de novo", pois, se alguem nascer de novo, não poderá ver o Reino de Deus. De nada adiantará iniciarmos de um outro ponto, de onde estaremos incapacitados de ver. O capítulo 4 é uma outra maneira de se estabelecer a mesma verdade. A mulher samaritana, afinal de contas, estava na bancarrota, no zero. Jesus gradualmente dá abertura para uma conversa e a
última conversa dela, em efeito, é: Bem, eu não sei nada sobre isso; venho aqui todos os dias, mas não sei do que você está falando! Ela está no zero: e então Ele diz: É aí que começamos. A água que eu te der não vem dessa fonte, absolutamente, não é algo que você pode produzir ou melhorar. Não, é algo que procede unicamente de Mim; é um ato completamente separado de você. E aqui nós começamos novamente o mesmo assunto.
Então, no capítulo 5, o Espírito Santo é cuidadoso em deixar bem claro que aquele pobre camarada estava num estado de desesperança; que todo esforço tinha sido em vão; que cada esperança estava desapontada. Por 38 anos, uma vida, esse homem tinha estado daquele jeito, e pode-se ver o desespero desse homem. E o Senhor Jesus não diz a ele: Olhe aqui, você é um pobre aleijado; Eu vou pegar a sua mão, e após um período de tratamento, você irá poder andar; vou tornar esses seus velhos membros novos; irei melhorar a sua condição. Nada disso. Num instante, num momento, um novo início se dá. O efeito daquilo que Jesus faz é como se aquele homem nascesse de novo. E isto ocorre não simplesmente curando o velho homem, mas fazendo dele um novo homem, em princípio. Isto é algo que acontece, que não estava lá antes, que não podia ser produzido antes, é algo que unicamente Cristo poderia ter feito. É o ponto zero; e Jesus começou do zero.
 
Por Theodore Austin-Sparks